Artigo
ESTÁTUA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Reagindo ao escultor o bloco de pedra pensa: ‘batem em mim, estragam-me, insultam-me, quebram-me, estou perdido…’ (Jean Cocteau)
Nas antologias do mundo inteiro, encontramos uma frase de Bertolt Brecht que é motivo de reflexão para quem tem cabeça para pensar: “Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis…”
A origem desta sentença, na verdade, vem de personagens da peça “Galileu Galilei” do próprio Brecht, em que um aprendiz do laboratório do sábio italiano exclama: “Pobre da nação que não tem heróis! ”; ao que Galileu replica com rispidez: “Não, pobre da nação que precisa de heróis”.
No meu tempo de menino visitava nos domingos, pelas mãos dos meus pais, várias praças do Rio de Janeiro, e daquele tempo guardo de cabeça algumas estátuas que se afixaram na lembrança, como a de Pedro II na quinta da Boa Vista e o Monumento aos Heróis de Laguna e Dourados na Praia Vermelha.
Passo atualmente por muitas estátuas que visitei quando criança, a de Tiradentes, na praça do mesmo nome, a do General Osório, na Praça XV, a do positivista admirado pelo meu pai, Benjamim Constant, no Campo de Santana e a de Cabral, na Glória.
Recordo até dos jacarés de Mestre Valentin no Passeio Público e do tigre da Praça Paris e das ninfas em mármore que ficavam no Jardim da Glória e hoje decoram a entrada do Túnel Novo (como se chamava no meu tempo, atualmente não sei como).
Das novas homenagens em mármore bronze, pouco conheço; mas uma, em especial, chama atenção por estar constantemente na página policial dos jornais, a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, instalada no calçadão de Copacabana à altura do Posto 6.
Ele é frequentemente alvo da ação de criminosos. Se não me engano, desde o seu erguimento, a 15 anos, Drummond teve, pela 11ª vez, seus óculos, incluindo o aro e parte das hastes do acessório, furtados.
Os vândalos cariocas são isentos de respeito pelas tradições, além da revoltante violência contra a propriedade alheia; colaborando com a falta de respeito aos protagonistas da nossa cultura, estão abandonadas pela administração municipal as estátuas de dom João VI, na Praça Quinze, do grande Noel Rosa, na Vila Isabel, do professor Malba Tahan, na Cidade Nova.
Enquanto isto, na doentia imaginação dos fanáticos lulopetistas, ergue-se a estátua do pelego, arquicorrupto Lula da Silva. Para não ficar atrás da horda acumpliciada com a corrupção, os vereadores de São Paulo, que não são muito cristãos, homenagearam a mulher dele, a falecida Marisa Letícia, pelo mérito de não fazer nada.
A estátua do Pelegão, é ele mesmo que vem esculpindo a anos. No monumento, ainda inacabado, vê-se as marcas das contradições, das mentiras, dos roubos e dos anacronismos. Falta-lhe acrescentar a ingratidão para ilustrar as alegorias.
Para a auto escultura do pelego narcopopulista, talha-se no pedestal a distribuição do dinheiro do BNDES para as ditaduras que defende, e o presente de uma refinaria da Petrobras ao cocalero Evo Morales, da Bolívia.
Nessa atmosfera de fuga da realidade, a dança frenética dos oligofrênicos Gleise e Lindemberg em torno do ídolo, restando para a posteridade a escultura da fraude, da impostura e da mentira. Um monumento ao cadáver de uma ideologia distorcida e superada.
PALAVRAS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Há três coisas que não voltam atrás; a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida” (Provérbio chinês)
Tenho definido muitas palavras que intitulam meus artigos, mas nunca dicionarizei, nem estabeleci a etimologia do verbete “Palavra”… Emprego-a agora inspirado numa antiga locução que anda sem uso nos dias de hoje: “Dou a minha palavra”.
Em português, “Palavra” deriva do latim parábola, que por sua vez deriva do grego parabolé. É um substantivo feminino, uma unidade da língua escrita com o significado de nota ou comentário que foi registrado, anotado; anotação, apontamento, registro.
Aldous Huxley escreveu que “apenas pelas palavras o ser humano alcança a compreensão mútua. ” Por isso, aquele que quebra sua palavra atraiçoa toda a sociedade humana.
Assim vou abranger a sinonímia de palavra no sentido de acordo, ajuste, combinação, compromisso, pacto e promessa; enfim, vê-la como obrigação. Preocupa-me a falta de palavra nos poderes da República: falta-lhes respeitar os juramentos e voltar atrás do que estabelecem.
Entristece-me em ver que após a legislação que deu fim à famigerada contribuição sindical, o governo Temer insista em doar às centrais sindicais dominadas por pelegos, R$ 500 milhões do dinheiro público.
Aflige-me ver a bandalheira reinante no Congresso Nacional, com os parlamentares tratando apenas de interesses próprios e partidários e não dos anseios nacionais.
Indignava-me – o verbo agora vai no passado – como vinha sendo feita a Justiça em nosso País, principalmente nos tribunais superiores, com julgamentos seletivos e privilégios a personalidades condenadas.
Minha indignação morreu nas prainhas do Rio Guaíba com o forte eco da sentença proferida pelos três desembargadores do TRF.4, confirmando à unanimidade a condenação de Lula da Silva pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A sessão jurídica calou o grito rouco do lulopetismo pedindo provas. O desembargador João Pedro Gebran Neto, relator do processo, foi de uma transparência cristalina: Há provas, sim, “testemunhais e documentais” de que o ex-presidente é dono do imóvel, e que a OAS é apenas “laranja” dele.
Os votos dos desembargadores Leandro Paulsen e Victor Laus que se sucederam ao Relator, destacaram também a culpabilidade de Lula como agravante para o aumento da pena, pelos crimes terem sido praticados por um ex-presidente da República.
É por isso, que lembro o grito do libertário Bertold Brecht realçando o esquete de François-Guillaume “O Moleiro de Sans-Souci”: “AINDA HÁ JUÍZES EM BERLIM! ”. Substituo-o por “AINDA HÁ JUÍZES NO BRASIL!”.
As palavras gravadas em ferro e fogo nos votos dos desembargadores, sustentando a decisão do juiz Sérgio Moro no processo movido pelo MPF, lembram a história de Frederico II, rei da Prússia, visitando a construção do seu palácio, quando não gostou de um casebre na paisagem e mandou que pagassem ao dono para demoli-lo.
O proprietário, um moleiro, não aceitou a proposta e desafiou o rei a expulsá-lo, com as palavras: “Há Juízes em Berlim”, indo ao encontro da lição de Rui Barbosa “A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade”.
Dessa maneira, já não me angustia esta primeira etapa do processo. O Brasil não acabou e fica esclarecido que o lulopetismo perdeu a força; manifestações convocadas fracassaram e a antiga militância perdeu a fé…
Para Lula e aos que ainda o acompanham com o espernear de uma defesa fraudulenta, repito com Mark Twain: “Nestas circunstâncias, um palavrão provoca um alívio inatingível até pela oração”…
JULGAMENTO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Eu não troco a justiça pela soberba. Eu não deixo o direito pela força. Eu não substituo a fé pela superstição, a realidade pelo ídolo” (Rui Barbosa)
Quando se fala em julgar, penso que o melhor é a equidistância entre Pôncio Pilatos e Nietzsche. O gestor romano da Palestina avaliou o que é a verdade, e o filósofo alemão vacilou, perguntando-se o que é a mentira…
O escritor italiano Pitigrilli – muito lido na minha mocidade – publicou uma anedota sobre “julgamento” contando que o imperador Teodorico ouviu numa audiência pública a queixa de uma viúva sobre um processo que se arrastava a três anos e estava engavetada. Do alto do seu poder, o Imperador ordenou aos juízes que dessem uma solução dentro de 24 horas, sob pena de serem punidos.
No dia seguinte a sentença foi pronunciada e a queixosa foi agradecê-lo; na presença da mulher, Teodorico convocou de novo os magistrados e perguntou-lhes: – “Porque levaram três anos num processo, resolvido tão prontamente? ” Sem aguardar a resposta, mandou que fossem executados…
Exemplo de Justiça? Também dos tempos antigos a gente tem a máxima de Platão que precisa ser lembrada sempre: “O juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”.
Teremos no Brasil um bombástico julgamento. A apelação de Lula, condenado a nove anos está na 2ª Instância do TRF 4, em Porto Alegre. Lá, não há “juízes nomeados”. A Justiça Federal não tem dessas coisas que o STF, STJ e TJ estaduais têm garantidos pela imprudente Constituição de 88.
Dessa maneira, aguardamos que se faça justiça boa e perfeita. O Tribunal vai apreciar a sentença do Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância em Curitiba, em que Lula da Silva foi considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro atribuídos a ele pelo MPF.
Trata-se do caso do tríplex no Guarujá, reservado e reformado como propina para Lula pela empreiteira OAS ao custo de 2,4 milhões de reais. Convém lembrar que além de ter pegado nove anos e seis meses de prisão, o chefe do PT é réu em outras quatro ações penais e alvo de uma denúncia do Ministério Público Federal ainda não analisada pela Justiça.
Julgar é um verbo transitivo direto e intransitivo, indicando a decisão de um juiz ou árbitro sobre uma ação judicial. É dicionarizado como sentenciar; proferir uma sentença, condenando ou absolvendo.
O julgamento precisa de provas cabíveis tanto da parte acusadora como da defensora a fim de apresentar seus argumentos. Não se julga sem provas. Na disputa judicial que aguardamos as provas superabundam…
Não esquecer que o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot denunciou Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff, e outros seis membros do PT por suspeita de organização criminosa. A denúncia foi apresentada no inquérito que investiga outros petistas e tramita no STF.
Além disso, Lula tem de nove denúncias de autoria do MPF e tornou-se réu em cinco ações penais, englobando corrupção ativa e passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça. Esta situação pode pasmar um leigo, analfabeto ou mal-intencionado.
Se a sentença for confirmada em Porto Alegre, o Pelegão ficará impedido de concorrer pelas regras vigentes da Lei da Ficha Limpa. Quanto aos desembargadores, é bom lembrar-se que o antônimo de julgar, é conviver indulgentemente com a impunidade.
LOUCURA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“A ira começa com a loucura e acaba com arrependimento” (Textos Judaicos)
Tive a honra de conviver com um dos maiores jornalistas da minha época, o paraibano José Leal, ganhador do Prêmio Esso com a reportagem “180 dias na fronteira da loucura” saída nos tempos áureos d” O Cruzeiro”.
Na redação em que trabalhamos juntos, José Leal era mais velho do que nós e muito contribuiu para a formação dos mais moços do que eu e a maioria da redação. Ele sabia de tudo e tinha fontes que pareciam inesgotáveis. Para sacanear o pessoal, chamava-nos de “ratatúia”…
O apodo era uma referência a uma mistureba francesa – ratatouille – muito conhecida nos círculos gastronômicos. Diz-se tratar-se de uma receita provençal rústica, do século 18, uma mescla de legumes e ervas aromáticas, fácil de fazer, um quebra-galho para uma refeição feita em minutos.
Um filme norte-americano de animação intitulado “Ratatouille” popularizou a iguaria, e teve em Portugal o nome de Ratatui. Acho que ratatúia – como divulgamos entre os amigos agradou mais, e o Zeca Pagodinho saiu com a batucada Ratatúia…
Trago esta alegoria, como de costume, para homenagear um grande profissional de imprensa e expressar-me no contexto da excelente reportagem premiada “180 dias na fronteira da loucura”.
A loucura, como enfermidade, sofre divergências entre clínicos e psiquiatras, mas há uma convergência quanto aos diagnósticos descritivos que a Psiquiatria adota.
Os dicionários tratam o verbete loucura, substantivo feminino, como a alteração mental de um indivíduo caracterizada pela fuga do controle da razão; um distúrbio do comportamento e a maneira habitual de pensar.
Que é uma doença, é, e me parece endêmica (e epidêmica) entre os fanáticos do lulopetismo. Não há exemplos maiores do que a expressão de hierarcas do PT, em particular, da senadora Gleise Hoffman, sobre o julgamento do arqui-corrupto Lula da Silva.
A senadora paranaense disse publicamente que — “Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente, mas, mais do que isso, vai ter que matar gente. Aí, vai ter que matar”. Tal declaração sofreria uma condenação num País sério, tratando-se de uma afronta à Justiça e ao Estado de Direito.
Infelizmente os nossos poderes republicanos não passam de uma ratatúia… Senão tomariam as devidas providências para impedir um incitamento da subversão da ordem democrática contra a sentença de um crime sobejamente provado pelo Ministério Público e condenado pelo juizado de 1ª Instância.
Os salpicos da manifestação da parlamentar incitadora recaem sobre a manada de búfalos cegos que fazem o culto da personalidade do Pelegão, criminoso que usou a administração pública com conveniência e abusiva prática corrupta.
Nas redes sociais os descerebrados, movidos por uma ideologia distorcida, postam mensagens violentas contra magistrados e defensores da legalidade jurídica, com ameaças de agressão, sabotagem e até de assassinato.
Como se trata de uma minoria ruidosa, tomada de histeria coletiva próxima da loucura, não assusta a imensa maioria dos brasileiros que lutam contra a corrupção e a impunidade dos corruptos e corruptores.
Machado de Assis ensinou que “a loucura é uma ilha perdida no oceano da razão” e nos dá medo é que como doença, contagie grupos políticos desesperados com a situação reinante, buscando soluções heterodoxas para o futuro do Brasil.
JULGAR
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto” (Rui Barbosa)
No Japão há um templo que projeta no frontispício as estátuas de três macacos de pedra preciosa, um trio que forma um conjunto inseparável. Os símios usam as duas mãos para cerrar a boca, fechar os olhos e tapar as orelhas. Essas figuras são encontradas hoje como bibelôs em qualquer loja de R 1,99.
É um simbolismo que representa a maneira Zen de fugir à responsabilidade de avaliar, tirar conclusões e julgar o que de real se lhes apresenta. “Não ouça, não veja e não fale. Não sei se os deuses e seus profetas interpretam assim. Creio que não, porque todas as religiões do mundo falam de um julgamento divino nas acepções jurídica, psicológica e religiosa.
Está escrito em Sânscrito e nos chegou através do latim, o verbo Julgar, duplicado em transitivo direto e intransitivo; o “judicare” (julgar) é formado por Jus, “lei, direito”, mais Dicere, “dizer, falar”, significando tomar decisão, deliberar na qualidade de juiz, ou formar conceito, emitir parecer, opinião sobre alguém ou algo.
A nossa cultura ocidental miscigenada com o judaísmo e sacramentada pelo cristianismo expõe como ideal de Justiça os julgamentos conforme o Rei Salomão, que se encontra no primeiro livro dos Reis 3,16-28 este exemplo de isenção e sabedoria.
Todo mundo ouviu um dia a história de Salomão julgando a causa de duas mulheres, que haviam parido ao mesmo tempo e o filho de uma delas foi natimorto. Restando apenas um bebé, ambas reivindicaram a maternidade dele.
Resolvendo a questão Salomão decidiu cortar a criança ao meio e que cada mulher ficasse com uma parte. Uma delas disse: – Ah, meu senhor! Dês o menino vivo, não o mateis. A outra, porém, disse: Já que não será meu, nem teu; dividi-o.
O sábio juiz distinguiu que a verdadeira mãe era aquela que impediu a morte do filho e deu-lhe a posse, enquanto condenou à morte a falsária.
A degenerescência dos costumes herdadas do totalitarismo desumano e a concepção maniqueísta criada pela guerra fria, incentivou o egoísmo, a disputa desregrada pelo poder político e a corrida insana pelo dinheiro. Isto feriu as tradições de respeito humano, subvertendo os conceitos de moral e ética.
Esta revolução nos costumes do século XX envolveu arbitrariamente a todo mundo, e no Brasil, tornou-se inseparável da ganância política e do favoritismo jurídico. Os políticos – em sua maioria – tornaram-se desonestos; e os magistrados – pelos desonestos nomeados – fugiram à responsabilidade de julgar.
Uma ideologia desmembrada de princípios, mesmo aleijada expõe a Justiça a uma tortura diária. Neste momento em que escrevo, milhares de crimes são cometidos; a violência contra a mulher e a criança, o tráfico de drogas, a formação de quadrilhas, o roubo e o assassinato fazem parte do nosso cotidiano.
O culto da justiça como o alicerce fundamental da República e da Democracia está sendo trocado pela paixão partidária, subserviência, interpretação restritiva e prevaricação jurídica, por culpa de alguns juízes
Por defender os poderosos, a Justiça está moribunda. Sua túnica pregueada e os olhos vendados são a própria mortalha, sem a espada e a balança; assim será enterrada em vala comum como indigente e dispensável, sem choro, nem vela…
Esta situação faz-me lembrar Rui Barbosa. Os magistrados envolvidos em tramoias não escaparão ao ferrete de Pilatos: “O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde! ”
DIETA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“É uma experiência eterna de que todos os homens com poder são tentados a abusar” (Montesquieu)
Dicionarizada, a palavra “Dieta” é substantivo feminino, usado como termo medicinal como regime alimentar prescrito pelo médico a um doente ou a um convalescente; e também como receita de emagrecimento.
Aliás, a dietética dissocia “dieta” de “regime”. Para eles, a dieta é uma mudança de hábitos alimentares, e o regime é uma restrição de alimentos sólidos e líquidos para obter um resultado em curto prazo para o emagrecimento.
É interessante irmos à etimologia do termo “dieta”, do antigo grego diaita, tem um sentido econômico, com significado de ficar empobrecido; não difere muito do sentido de “perder peso”…
Tanto uma versão como a outra ensina a comer. Para o emagrecimento existem um sem números de dietas, que os nutricionistas científicos sugerem aos seus pacientes e, multiplicadas por mil na interpretação de nutricionistas amadores.
Há um tipo de “dieta”, a japonesa que promete eliminar mais de 6 kg em apenas 1 semana – está no Google – e é interessante que a palavra dieta também indica lá o parlamento, a Dieta Nacional do Japão (国会, Kokkai), bicameral, composto da Casa dos Representantes e a Câmara dos Conselheiros, que indicam ao Imperador um Primeiro Ministro.
Nos dias que atravessamos, preconceitos de toda espécie, as moiçolas andam tão magras que parecem um louva deus; acreditam no disse-me-disse que os homens preferem as magras… Por outro lado, os dietistas “politicamente corretos” aterrorizam as pessoas, dizendo que os gordos morrem mais do que os magros.
Teve até um alucinado que escreveu que “a cada hora que passa, toda gordura em excesso diminui na sua vida uma batida do coração”. Assim, o estudo das calorias entrou na moda e existem pessoas que as veem num simples cone de sorvete.
Saindo do politicamente correto para outro tipo de politicagem, devia-se aconselhar, isto sim, aos nossos políticos abstinência, jejuns e restrições, para os excessos dos corruptos, expressa na célebre palavra do ex-governador do Rio, amigo e parceiro de Lula, quando se expressou: “abusei”.
O abuso é, em todos os casos, seja em termos biológicos ou no exercício da política, sempre um mal. É revoltante constatar que isto acontece nos dias sombrios que atravessamos, com um governo fraco se debatendo para sair da crise deixada pela incompetente e irresponsável Dilma Rousseff.
A cidadania observa igualmente o estrebuchar do lulopetismo, cujo comprometimento com a corrupção, revolta e arrepia. Às vésperas do julgamento que deverá sentenciar o cultuado chefe do narcopopulismo brasileiro, a Nação fica na expectativa da sua prisão e perda dos direitos políticos.
Jejuno de patriotismo – transferiu o dinheiro resultante do trabalho, das lágrimas e do sacrifício do povo para ditaduras estrangeiras -, Lula, obeso de ganância e amoralismo, deve ser condenado a uma dieta política prisional para o bem do País.
E não se pode ver “um golpe” na punição de um culpado por uma série de delitos cometidos já descobertos e um sem número por descobrir. Foi fácil a dieta para engordar consumindo áureas calorias com o dinheiro público, por que, como diz o pensador Edmund Burke, “quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso”.
Também não será difícil corrigir os abusos seguindo uma dieta atrás das grades para emagrecer da gordura trans da maldade acumulada, e corrigir os excessos.
AQUECIMENTO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Eu tive um sonho que não era em tudo um sonho./ O sol esplêndido extinguira-se, e as estrelas vagueavam…” (Byron – “Trevas”)
Foi no Brasil, em 1992, por ocasião da Cúpula do Rio sobre o clima, que se impôs a ideia do “aquecimento global”. Na reunião, em que participaram chefes de Estado de vários países saíram os rascunhos de acordos internacionais para enfrentar a ameaça que, como teoria, não passava de uma hipótese.
A intensa propaganda levada a efeito pela mídia mundial em torno do aquecimento global fez muita gente crer em maus prenúncios para a humanidade. Embora não houvesse uma base científica para isto, definiu-se que se tratava de um processo climático surgido pela liberação de gases com “efeito de estufa”.
Assim foram divulgados alarmantes anúncios de aumento da temperatura média dos oceanos e da atmosfera da Terra, causado por massivas emissões de dióxido de carbono, o metano e os clorofluorcarbonetos, pela liberação da queima de combustíveis fósseis.
A radiação solar, uso da terra, resíduos e lixões, poluição, desflorestamentos e o desmatamento seriam as causas principais do desequilíbrio atmosférico; estes fatos alardeados levaram 196 países a participar do “Acordo de Paris” com o objetivo de limitar o hipotético aquecimento global a 2ºC.
Ser contra este fantástico cenário considerava-se uma insanidade mental, até que o dirigente máximo da maior potência do mundo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada do seu País do Acordo de Paris.
Para líderes europeus, a redução do aquecimento global, era uma imposição inarredável, e o próprio Trump, segundo a imprensa norte-americana vacilou em cumprir esta promessa feita na campanha eleitoral que o elegeu: a doutrina America First.
Dirigindo à Nação, Trump disse: “Cumpri minhas promessas uma após a outra. A economia cresceu e isso está apenas começando. Vamos crescer e não vamos perder empregos. Pela gente deste país saímos do acordo. Estou disposto a renegociar outro favorável aos Estados Unidos, mas que seja justo para os trabalhadores, contribuintes e empresas”.
Apesar da massiva campanha feita contra Trump, ele foi apoiado por mudanças climáticas contrárias à ideia do aquecimento global. Um frio extremo cobre os EUA, o Canadá, a Europa e o Norte da Ásia. Chegou até a nevar em Jerusalém…
A História registra que o século 19 passou por uma pequena Era Glacial e o ano de 1816, em particular, ficou conhecido como o ano em que a Primavera não chegou e não teve Verão.
A expressão Era Glacial foi criada pelo cientista alemão Karl Schimper. Ainda no século 19 surgiram teorias sobre as intermitentes épocas de frio e a causa das eras glaciais que a Terra atravessou. Muitos artigos científicos falaram das mudanças cíclicas da órbita terrestre, de elíptica para circular; e no século 20 comprovou-se que o gelo cobrira antigamente todo o planeta.
O mundo científico aceita hoje a relação entre as eras glaciais e a oscilação planetária, sem dúvida mais determinante para o clima do que o chamado efeito estufa. Entretanto, como o sábio Alexander von Humboldt aponta dois estágios na descoberta científica: “primeiro, as pessoas negam a verdade; depois dizem que não é importante”. deixa-nos em dúvida.
Assim, embora assistirmos hoje uma coisa mais parecida com as eras glaciais do que com as altas temperaturas, “todos nós conhecemos a força das ilusões visuais para levar a mente a perceber as coisas incorretamente” como constatou Bruce Hood (“The self illusion”).
Cony evitava ser “refém de Dilma e Lula” (O Antagonista)
Em setembro de 2016, Carlos Heitor Cony escreveu o seguinte sobre Lula na Folha:
“Não lhe adianta acusar as elites, o imperialismo e os golpes que alega estar sofrendo.
Na sua primeira investida rumo ao poder, era um líder respeitável e pobre. Levado pelo seu primeiro secretário de imprensa, o elegante Ricardo Kotscho, cheguei a comprar uma camisa do PT para ajudar a sua eleição. Apesar da minha modesta contribuição, ele não se elegeu (votei em Brizola) e deixou de vender camisas, inaugurando uma corrupção que não soube parar e que agora o atinge pessoalmente. A pobre e solitária camisa, que lhe comprei e nunca vesti, não pode concorrer com o mensalão, o petrolão e a Lava Jato.”
- Comentários desativados em Cony evitava ser “refém de Dilma e Lula” (O Antagonista)
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PEDRAS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Sombra, chegou a tua vez./ Deverás prestar contas/ de tua vida entre os homens” (Bertolt Brecht – “O processo de Lucullus”)
Faz muito tempo em que li, não me lembro em que livro, ou revista, que o grande Darwin era rigoroso quando tratava de números; chegou até a escrever com exatidão, que encontrara 53,767 minhocas num “acre” de terra, equivalente a 4046.86 m²…
Não foi muito diferente de mim, que contei 46 seixos sobre o túmulo de um cemitério judeu. Como se sabe, é um antigo costume judaico pôr uma pedrinha sobre a sepultura de um parente ou amigo falecidos.
Essa tradição evoca uma maneira de reverenciar o morto, espécie de convite para que ele “se manifeste e repouse” enquanto durar a visita. O número de pedras mostra que o jazigo é sempre visitado.
Um poeta judeu escreveu que “Embora as pedras não ouçam nem consigam ver/ Todas suplicam tristemente para não as esquecer”; e uma piada contada entre eles diz que isto ocorre por serem tão avarentos, adotaram as pedrinhas para economizar o dinheiro gasto com flores…
Josef Breuer, médico e fisiologista austríaco, considerado o pai da psicanálise, comentou certa vez que visitando cemitérios deixava seixos nos túmulos em que não via nenhuma delas.
Pedras também são usadas como punição em sentenças de morte: A Lei de Moisés na Bíblia Hebraica, assim como a Bíblia Cristã, prevê a morte por apedrejamento em dezoito situações, entre elas blasfêmia, bruxaria, homossexualidade, rebeldia dos filhos contra os pais e vários tipos de relações sexuais, com virgem comprometida, enteada, mãe e madrasta.
As pedradas como castigo perduram até os dias de hoje; oficialmente em países mulçumanos> Além de servirem como agressão, a gíria brasileira registra o uso da pedra em diversas situações, como “uma pedra do sapato” falando de incômodo, ou referindo-se a uma coisa boa, “pedra noventa”.
Fala-se também de “pedra lascada”, aludindo a coisa por demais antiga e superada, como conhecemos no Brasil a rotina da corrupção entre os políticos, desde a colônia, mas transparecendo incrivelmente agora após ser institucionalizada nos governos da pelegagem lulopetista…
Com as pedras no xadrez da politicagem que assola em nosso País, joga-se o jogo da fraude, revoltando os patriotas. No momento, assistimos na corrida dos presidenciáveis na campanha pré-eleitoral, velhos atores se apresentando como “o novo”.
… E, muito pior do que a mascarada que estão armando para iludir, mais uma vez, o eleitorado, persiste a cegueira política de colocar Lula da Silva, réu condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, entre os peões desta enganação demagógica.
Os fanáticos cultuadores da personalidade do chefão da Orcrim – que orienta seus seguidores a defenderem a indefensável ditadura Maduro, da Venezuela –, organizam o confronto com a Justiça e os responsáveis pela segurança pública em Porto Alegre, no julgamento que o levará à perda dos direitos políticos e possivelmente à prisão.
O noticiário da mídia comprometida e dos jornalistas comprados, exalta essa mobilização do PT para levar seus grupos de assalto alcunhados de “movimentos sociais”, para acompanhar o julgamento da apelação da defesa do Corrupto, condenado pela Justiça Federal do Paraná.
O chamamento petista contém palavras-de-ordem para a reação contra o Tribunal de 2ª Instância; e o “exército de Stédile” – o MST terrorista – se manifesta forçando a barra para acampar defronte do órgão, mesmo após a proibição.
A insanidade de uma ideologia corrompida não vê o que a grande maioria do povo brasileiro quer: a punição exemplar para os agentes da corrupção. E Lula é uma pedra no caminho para a afirmação do Estado de Direito vigente.
SILÊNCIO
MIRANDA SÁ (E-mail: (mirandasa@uol.com.br)
“O homem é dono do que cala e escravo do que fala” (Freud)
Durante a XVII Conferência Ibero-Americana, realizada na cidade de Santiago do Chile, no final de 2007, o golpista Hugo Chávez, mal-educado, fez várias interrupções na fala do primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. Presente ao evento, o rei Juan Carlos de Espanha, cheio de moral, dirigiu-se a ele e disse: ¿Por qué no te callas?
O “Por que não te calas?” de sua majestade correu o mundo e desmoralizou a agitação costumeira dos narco-populistas bolivarianos nos encontros internacionais. Estou esperando que alguém neste País tenha autoridade para mandar calar Aécio, Dilma, FHC, Gilmar Mendes e Lula.
Aos falastrões, a História nos conta a primeira lição do grande Pitágoras aos que se candidatavam a ser seus discípulos. Impunha dois anos de silêncio antes de inscrever -lhes na academia. Mais tarde, os mosteiros da Idade Média estabeleciam o silêncio para ajudar na meditação, a contrição e a ascese.
Há os falastrões gráficos. Na Internet, desde o tempo do Orkut, sempre aparece os tais, e agora, com o aumento dos 180 toques para 280, estão proliferando no Twitter…
Irritam-me as mensagens cheias de ideias vazias, ilustrações que – tirando a estética e as cores – nada dizem, e o mal emprego da gramática. Não distingo se são robôs ou fanáticos defensores de personalidades políticas que ficam repetindo palavras-de-ordem impositivas e argumentos inconsumíveis.
A dispensa mental de certos indivíduos só contém a lataria vulgar para quebrar o galho nas suas refeições íntimas. Faltam ali propostas inteligentes, rareiam as charges com humor e são poucas as informações culturais úteis.
No mundo além da web sinto a privação, também, de modéstia. Os discursos demagógicos dos parlamentares brasileiros auto assumidos como “de esquerda” envergonhariam os socialistas europeus, particularmente os nórdicos. A senadora Gleise Hoffman, presidente do PT, quando abre a boca exala o mal hálito da hipocrisia, da infâmia e da mentira.
A minoria ruidosa do lulopetismo está impossibilitada de sair as ruas sem ouvir altercações e xingamentos. Por isso não se pode aconselhá-los a fazer como o califa Harum el Raschid no seu tempo, quando saia disfarçado, misturando-se com o povo, para ouvir o que os cidadãos de Bagdá falavam dele…
Aqui, Lula, o chefão, de cara limpa anda cercado de seguranças e mesmo nos seus comícios para grupos amestrados não escapa do “pega ladrão! ” Imagine-se como o povo trata seus comparsas de corrupção e traição nacional.
Os “politicamente corretos”, os “humanistas de araque”, os “antirracistas de picadeiro”, e os oportunistas em geral falam demais e importunam a gente e a Federação Mundial da Mediocridade recolhe no seu seio não somente os petistas de carteirinha.
Fazem silêncio ante as “ditaduras amigas”. Agora mesmo as arbitrariedades de Maduro na Venezuela, culminando com a prisão de um brasileiro que estava no país em missão humanista. Silêncio dos “movimentos populares” e, pior, dos “direitos humanos”.
Como ocorre no Foro de São Paulo – agência bolivariana de apoio ao narcopopulismo – a Federação Mundial da Mediocridade recebe os mascarados de vários partidos, dos pé-de-chinelo do MST aos efeagacês intelectuais da vida.
Lembram-me uma antiga anedota que corria nos meus tempos de estudante de Química envolvendo Einstein. Conta que o genial criador da relatividade, foi abordado, após a aula por uma estudantizinha histérica como as ativistas lulopetistas de hoje.
A moçoila perguntou ao mestre se ele poderia traçar a fórmula da felicidade em termos matemáticos. Einstein pegou o lápis e escreveu “a = y + x + z” e resumiu: – “O ‘a’ é felicidade; ‘x’ é trabalho e ‘y’ é a riqueza”. A aluna perguntou: – “E o ‘z’? ” – “O ‘z’ é o silêncio, respondeu o professor.
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