Arquivo do mês: dezembro 2019

A FORÇA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Se os fracos não têm a força das armas, que se armem com a afirmação do seu direito” (Rui Barbosa)

A “História Oculta” – sim, porque nem sempre a História Escrita registra fatos que ocorreram –, nos informa que em 1438 um aventureiro (o nome não foi registrado) contou a um curioso mecânico alemão, Johannes Gutenberg, que na China eram usados tipos móveis que, carimbados imprimiam várias vezes a mesma escrita.

Um ano depois, Gutenberg desenvolveu um sistema mecânico aproveitando-se dos tipos móveis, e com ele alcançou duas proezas: acabou com o monopólio dos monges que manuscreviam livros e popularizou a Bíblia.

Embora por séculos se ensine que é do Alemão a invenção da imprensa trata-se de uma falácia. A tecnologia de impressão revolucionou a divulgação de livros, mas os jornais já eram conhecidos séculos anteriores na Fenícia, em Cartago e Roma.

Na própria Alemanha, muito antes de Gutemberg, circulavam na Cidade Livre de Hamburgo jornais manuscritos em forma de panfletos anunciando chegadas e saídas de navios e, principalmente, informando, estoques e preços de mercadorias.

Um herói anônimo do jornalismo introduziu nas comunicações comerciais notas sobre viagens de personalidades, missas, falecimentos e legislação. Daí o nascimento do jornal como se conhece hoje…

No Brasil há uma polêmica danada – quase ideológica – sobre o surgimento do primeiro jornal impresso no País. Um lado defende que foi a Gazeta do Rio de Janeiro, outro, que foi o Correio Braziliense.

Cronologicamente, porém, sabe-se que a Gazeta nasceu com a transmigração da Corte Portuguesa quando foi fundada a Impressão Régia, em 1808; o Correio Braziliense, também chamado Armazém Literário chegou antes, mas era impresso em Londres sob a direção de Hipólito José da Costa.

“Força”, como se sabe, é substantivo feminino de origem latina (fortĭa,is) ‘força’ e ‘forte’. Na Física, a força é um dos seus principais componentes relacionados com as três leis de Newton. Definições à parte, a imprensa é uma força. Na minha juventude – que já vai longe –, era considerada o Quarto Poder da República.

O jornalismo foi considerado assim pela sua condição política de arbítrio, ascendência e autoridade. Mas isto depende do jornalista vocacionado e consequentemente qualificado, honesto e independente, uma espécie em extinção; presença rara nos grandes jornais em circulação no País.

Não é de se exigir que o jornalista seja um herói das histórias de quadrinhos como He-Man, que tem a força e os seus cultuadores da banda Trem da Alegria cantaram: “ele nasceu para o bem!”. O que queremos dos jornalistas é a responsabilidade com a informação, um direito inalienável do povo.

Ocorre que no quadro atual de decadência ampla, geral e irrestrita no mundo, temos no Brasil a mediocridade locupletada nos poderes republicanos, na universidade e na Academia Brasileira de Letras. Na imprensa não seria diferente.

Hoje, a força está nas manifestações populares nas ruas, aqui, no Chile, no Iraque, na França ou em Hong Kong… Chegando à Ásia, lembro o que disse a Madre Teresa de Calcutá, respeitada por todos, católicos, espíritas, evangélicos, umbandistas e até ateus: “A força mais potente do universo é a fé”.

Guardo a fé de que o povo brasileiro se una e se mobilize para conquistar o futuro que todos desejamos, democrático, justo, sem corrupção e desenvolvido economicamente.

 

 

Augusto dos Anjos

Triste regresso

Uma vez um poeta, um tresloucado,
Apaixonou-se d’uma virgem bela;
Vivia alegre o vate apaixonado,
Louco vivia, enamorado dela.

Mas a Pátria chamou-o. Era o soldado,
E tinha que deixar p’ra sempre aquela
Meiga visão, olímpica e singela!
E partiu, coração amargurado.

Dos canhões ao ribombo e das metralhas,
Altivo lutador, venceu batalhas,
Juncou-lhe a fronte aurifulgente estrela
E voltou, mas a fronte aureolada,
Ao chegar, pendeu triste e desmaiada,
No sepulcro da loura virgem bela.

Manoel de Barros

Borboletas

Borboletas me convidaram a elas.
O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.
Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas.
Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta seria, com certeza,
um mundo livre aos poemas.
Daquele ponto de vista:
Vi que as árvores são mais competentes em auroras do que os homens.
Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças do que pelos homens.
Vi que as águas têm mais qualidade para a paz do que os homens.
Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os cientistas.
Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de vista de
uma borboleta.
Ali até o meu fascínio era azul.

EÓLICAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Não precisas de um homem do tempo para saber para que lado sopra o vento”  (Bob Dylan)

Para justificar a roubalheira dos 16 anos de governos lulopetistas, alunos de Marilene Chaui e devotos do Frei Boff costumam justifica-los dizendo que o vento que fez mover as velas das caravelas de Pedro Álvares Cabral trouxe consigo a corrupção dominante nas cortes portuguesas…

Não mentem; mas, como lulopetistas – sem exceção –  fraudam a História para justificar o assalto institucionalizado pelo ex-presidente da República à coisa pública, e por isso, bi condenado de Justiça por corrupção e lavagem de dinheiro.

Historicamente, o Almirante lusitano, sem dúvida conhecedor do disse-me-disse em Lisboa sobre o avanço reinol ao Erário, não tem um boletim de ocorrência que registre a sua desonestidade. A sua culpa em cartório é ter aportado num território que 500 anos depois se transformou num porto dominado por piratas apátridas.

Não consigo afastar da mente as circunstâncias do meu ódio à corrupção endêmica na vida nacional, vista não somente nos grandes assaltos na Petrobras, nas propinas das empreiteiras corruptas e corruptoras, como também no uso criminoso do BNDES pelos governos petistas e na venda de Medidas Provisórias por Lula da Silva, então na presidência da República.

No varejo, seguindo os exemplos vindos “de cima”, temos fraudes cartoriais em grilagem de terras, fiscais desonestos que atuam municipal, estadual e federalmente, juízes, parlamentares nos três níveis federativos e prefeitos que enriquecem de um dia para o outro.

A aragem de benesses, compadrio, leniência legalizada, privilégios e vantagens de toda espécie, criou no País uma organização criminosa, solidária com o crime, como se atestou na campanha do Lula Livre, uma ode à perversão política.

Pode-se dizer que se enraizou no País uma política “eólica”, inflando com maus ventos um balão multicolorido de bandeiras partidárias, com predominância do vermelho…

A palavra eólica, dicionarizada, é um adjetivo usado com tudo que se relaciona com o vento. Tem origem na mitologia grega referindo-se ao deus Éolo, que exercia o domínio sobre os ares, tanto nas brisas leves quanto as piores tempestades.

A Anemologia, ciência que estuda a atmosfera terrestre, principalmente sobre os movimentos de ar, aborda um item importante: a erosão eólica provocada pelos ventos; esta, na ambiência da política brasileira, cobre, infelizmente, os três poderes republicanos.

Tivemos há pouco na capital paulista, a ação criminosa de ONGs nas creches, que qualquer pessoa de boa-fé considera um crime hediondo; vimos quase permanentemente assaltos a merendas escolar, não menos repulsiva; e a sórdida falsificação de remédios. São as brisas da corrupção…

E não há corrupção maior do que meter a mão no bolso do contribuinte para financiar os pelegos sindicais, agentes partidários minoritários que dominam as entidades que devem ser mantidas pelos seus associados. Se este projeto abjeto que revolta os brasileiros honestos passar, será mais uma tormenta promovida pelos picaretas do Congresso Nacional.

Delatado por corruptos presos pela Lava Jato, Rodrigo Maia diz que “não é papel do Congresso ser juiz de execução penal” justificando a sabotagem que faz contra o projeto AntiCrime do ministro Sergio Moro… enquanto incentiva a obscenidade de tirar dinheiro da Saúde, Educação e Segurança para os criminais fundos partidário e eleitoral.

Um dos meus escritores preferidos, Eça de Queiroz, que teve o mérito de modelar o idioma português, nos legou o belo pensamento: “Palavras ao vento leva, mas a consciência não muda nunca, acompanha a gente até o inferno”.

É pensando com Eça que rogo uma praga dirigida aos capangas da bandidagem de colarinho branco: “Que paguem as suas consciências imundas no mármore do inferno”!

Carlos Drummond de Andrade

Os Ombros Suportam o Mundo

 

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

PICARETAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Eu sabia que seria cassado. Só não sabia que ia ser por esse número cabalístico. Foram os 300 picaretas do Lula mais os treze do PT” (Roberto Jefferson)

Tempos atrás (aliás, muito tempo atrás…), quando iniciei meus trabalhos em redação de jornal, os repórteres que recebiam “agrados” (propinas) de pessoas que queriam influenciar matérias, eram chamados de “picareta”.

Era uma alusão à ferramenta usada para arrancar pedras, escavar a terra ou derrubar paredes e muros. Dicionarizado, o verbete Picareta é um substantivo feminino de diversos significados abrasileirados que vão do enxadão e chapéu de palha ao vigarista, mas a versão, em sua origem, é portuguesa.

Vem da formação do idioma e é usada até hoje em Portugal na forma de “pícaro”, referindo-se a bêbado, irresponsável, vagabundo e velhaco. Do “pícaro” veio o “picareta”, e foi incorporada à gíria brasileira como aproveitador, embusteiro, marreteiro, mentiroso e safado.

Os ardis dos picaretas deram origem ao termo “picaretagem”, ação que visa burlar, enganar, fraudar, iludir, trapacear… Desde as capitanias hereditárias a História registra casos de picaretagem dos capitães, dos governadores-gerais, nas câmaras do Império e na República em todas as suas fases, antiga, nova e novíssima…

O expediente para obter vantagens na política é praticado de todo lado nos três poderes republicanos, sendo mais visível no Legislativo. Quando ainda conseguia enganar a população brasileira, o pelego sindical Lula da Silva fez uma referência aos “300 picaretas do Congresso Nacional” – com os quais, ao assumir a presidência da República, se aliou e aprimorou o assalto ao Erário.

A picaretagem se refere, também, a ações políticas e jurídicas questionáveis. O próprio Lula quando presidente editava medidas provisórias com brechas para favorecer banqueiros e empreiteiros e com elas usufruir propinas, segundo delação do seu ex-ministro Antonio Palocci.

Tudo o que é feito de maneira a proporcionar vantagens aos que ocupam cargos públicos é picaretagem, e o maior exemplo disto está no STF, com alguns ministros interpretando a Lei conforme o interesse dos seus bandidos de estimação; nas casas do Congresso, parlamentares legislando em causa própria com os criminosos fundos partidário e eleitoral.

Estes “fundos” são realmente criminosos. Pena que não se leve um questionamento ao Supremo sobre isto: o contribuinte ser extorquido por partidos e políticos com os quais não concorda; agora mesmo, o relator do Orçamento de 2020, o deputado cearense Domingos Neto está propondo ampliar valor do “fundo eleitoral” para R$ 3,8 bilhões. TRÊS BILHÕES!

Quer dizer que os picaretas dos treze partidos que apoiam este assalto, PP, MDB, PTB, PT, PSL, PL, PSD, PSB, Republicanos, PSDB, PDT, DEM e Solidariedade querem que a gente financie a sua campanha eleitoral, além de chuparem as verbas do famigerado e não menos criminoso “fundo partidário” que nós pagamos para mordomias dos donos de partidos.

Esta outra mamata revoltante é fruto da leniência feita em nome da Democracia pela execrável Constituição de 88 – que deve ser mantida, sem dúvida, até que tenhamos outra -, o tal “fundo partidário” que tem a previsão no orçamento para 2020 de outros TRÊS BILHÕES.

Os brasileiros pagarão para o PT vender o País para Cuba e Venezuela R$ 350 milhões e para o PSL, partido que cresceu às custas do presidente Jair Bolsonaro, terá R$ 359 milhões. É a polarização da roubalheira.

O roubo oficial, legalizado, se mantém sob a capa leniente dos três poderes republicanos e o silêncio dos seus cúmplices levando-nos a pensar como o anarquista Piotr Kropotkin que dizia haver duas correntes de pensamento em conflito na sociedade humana: uma pela liberdade e bem-estar do povo; outra, das elites e dos governantes dominadores para explorá-lo”

 

 

 

 

Cora Coralina

Saber Viver

 

Não sei…
se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura…
enquanto durar.

EXAGEROS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A heresia e a ortodoxia não derivam de um exagero fanático dos mecanismos doutrinários, elas lhes pertencem fundamentalmente. ” (Michel Foucault)

Quando alisava os bancos escolares da Faculdade Nacional de Direito entusiasmei-me pela Teoria Geral do Estado, matéria que ao que me parece saiu do currículo dos cursos atuais. A nível do ensino superior um programa conexo é estudado como “Ciência Política”. Por causa de uma publicação recente, lembrei-me de uma lição dada pelo professor Hermes Lima: -“As ações dos ocupantes do poder, seus erros, favores e vacilações, se refletem como padrão por toda administração pública”.

A notícia cobriu a decisão da juíza Christiane Bimbatti, da Justiça do Trabalho, vetando a transferência dos funcionários da Usina de Itaipu de Curitiba para Foz do Iguaçu, onde a empresa está sediada.

A Meritíssima alega que “a empresa não conseguiu justificar o motivo das transferências”. Acho que a justificativa é óbvia: a sede da Itaipu é em Foz e não em Curitiba…. Voltando de memória à aula de Hermes Lima, vejo que a Juíza comete o mesmo equívoco que vem de cima, do STF: decide como executivo imaginando-se como legislativo…

Uma coisa não aparece na grande imprensa e é ignorada por muitos que se propõem a criticar e denunciar os malfeitos seculares da administração federal e, por conseguinte, nos estados, municípios e empresas estatais: As incríveis mordomias gozadas no Brasil pelos afilhados dos poderes republicanos.

Parentes e cabos eleitorais de parlamentares, juízes togados e ministros de Estado ganham cargos sem função com altos salários. E muitas vezes intocáveis…. Foi isto que o general Joaquim Silva e Luna, diretor brasileiro da Itaipu Binacional, quis fazer, pondo centenas deles para perto de si, produzindo alguma coisa para justificar o emprego.

Para o Diretor, o escritório de Itaipu na capital paranaense só precisará ter cinco ou seis funcionários. A grita é esta. Cumprir as obrigações empregatícias dará um fim aos convescotes, esvaziará clubismo e silenciará as colunas sociais da imprensa local.

Não custa lembrar, também, os proveitos adicionais que ocorrem por lá: hotéis cinco estrelas, voos em classe executiva, férias esticadas e palestras remuneradas, vantagens publicadas na revista Crusoé, numa matéria que estimulou investigações.

Então, eis que chega coisa pior e mais suspeita, baixada de cima para baixo do modelo de todos equívocos, benesses e vacilações, o STF, que desde agosto do ano passado, impede o Tribunal de Contas da União de fiscalizar a Itaipu. Uma pergunta besta: ‘Porque será? ’

São os exageros cozinhados nos caldeirões da infâmia. Exagero, como todos sabemos é um substantivo masculino, significando aquilo que ultrapassa o necessário, demasiado, desmedido, excessivo, e figuradamente, abuso. Flexionou um verbo, ‘Exagerar’.

O exagero é uma das máscaras do fanatismo, que se multiplicam no carnaval da politicagem; e os fanáticos se multiplicam, à direita e à esquerda como cogumelos após chuvas. Inflacionam as estacadas que impedem o fim da corrupção e a punição dos corruptos. Quem exagera perde o objetivo.

Felizmente, a juíza Gabriela Hardt, que condenou o ex-presidente corrupto Lula da Silva, e o TRF-4 que confirmou a sentença, acarinham a esperança em nossas cabeças. Deixam-nos acreditar e confiar que há no Brasil magistrados livres das algemas prateadas da politicagem.

Li certa vez um texto psicanalítico (acho que Reich) que as exagerações são quase sempre estados infantis da inteligência, e bastará atentar nas crianças para nos convencermos disso.

Essa ingenuidade sadia e positiva encontramos em Cora Coralina, mostrando que somente a necessidade nunca exagera: – “A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar. Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada, o anzol, a chumbada, a isca! ”. É desse generoso excesso que o Brasil precisa.

 

 

Olavo Bilac

LÍNGUA PORTUGUESA

 

Última flor do Lácio, inculta e bela,

és, a um tempo, esplendor e sepultura:

ouro nativo, que na ganga impura

a bruta mina entre os cascalhos vela…

amo-te assim, desconhecida e obscura,

tuba de alto clangor, lira singela

que tens o trom e o silvo da procela,

e o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: “meu filho”,

E em que Camões chorou no exílio amargo,

­o gênio sem ventura e o amor sem brilho!