Arquivo do mês: janeiro 2020

OTIMISMO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Um otimista pode ver uma luz onde não há nenhuma, mas por que o pessimista sempre corre para apagá-la? ” (René Descartes)

Sob renováveis regras gramaticais, a língua portuguesa sofreu muitas reformas desde meus estudos da infância e juventude até hoje. Nas aulas de Teoria Geral do Direito, o catedrático da Faculdade Nacional de Direito (e reitor da Universidade do Brasil), Pedro Calmon – modelo de intelectual que é raro atualmente na sociedade brasileira –, ensinava: “tiraram o “P” de Ótimo e de OTIMISMO, mas quando vocês falarem OTIMÍSSIMO, não s’esqueçam dele; é castiço e elegante. Lembrem, é OPTIMÍSSIMO…”

Mostro com isto que a memória que vai se tornando a mais infiel das nossas capacidades mentais quando envelhecemos, ainda me permite lembrar as lições de quem mereceu respeito.

Otimismo é um atributo pessoal de ver as coisas pelo lado bom e mesmo enfrentando complicações, esperar sempre que surja uma solução favorável; há uma escola filosófica que o reconhece como a conciliação entre o máximo de bem e o mínimo de mal, o que traz o melhor possível para todos.

No seu clássico “A Utopia”, o pensador inglês Thomas Morus idealizou uma sociedade imaginária cuja perfeição é o ideal para o bem-estar dos seres humanos, uma visão otimista para o mundo do futuro.

Dicionarizado, o verbete Otimismo é um substantivo masculino. Sua etimologia vem de ótimo + ismo; e do latim (optimus), o que possui muitas “opes“, riquezas, dons, recursos.

Não desejo, nem me preocupo em convencer ninguém com o que penso, mas assumo a minha condição de otimista porque assisti, com estes olhos que o fogo transformará em cinzas, as convulsões populares, a repressão totalitária, ameaças de guerra civil e depois tudo voltando à normalidade.

Ainda menino, acompanhei os meus pais preocupados com a 2ª Guerra Mundial ouvindo pela BBC e pela Rádio Moscou o avanço dos aliados contra as forças nazifascistas e a vitória final. Participei das manifestações populares no Rio, aplaudindo nas ruas o regresso dos heroicos pracinhas da FEB.

Cumprindo o serviço militar ouvi palestras sobre a guerra da Coreia e o seu fim com o armistício que estabeleceu o Paralelo 38; e, mais tarde, o começo, o meio e o fim da guerra no Vietnã.

Com isto, fiquei com ojeriza à guerra e juntei o “ismo” do otimismo ao pacifismo… foi quando aprendi com Churchill que “o pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade”.

O contrário de otimista é pessimista, e os pessimistas são as pessoas que olham tudo pelo lado negativo, imaginando que tudo vai dar errado e esperam

sempre o pior. No meu caso, eu não poderia ser pessimista com as trombetas do apocalipse da mídia globalista anunciando ameaças de guerra mundial por causa da irresponsabilidade do presidente Donald Trump assassinando um dignitário iraniano em Bagdá com fins exclusivamente eleitorais.

Estive acamado enfrentando grave enfermidade, e lutando pela cura tomei conhecimento de que o Itamarati garantiu que o Brasil defende a paz no Oriente Médio e manterá comércio com o Irã.

Consolidei o meu otimismo e tranquilizei-me porque, como disse o general Eisenhower, o mundo pertence aos otimistas: os pessimistas são meros espectadores. Amanhã será um dia melhor!

ACROBACIAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O trapezista morre quando pensa que voa” (Mário Henrique Simonsen)

As acrobacias são movimentos de destreza corporal aos exercícios e às piruetas que realizam no solo e no ar. Diz-se que estes artistas na China e no Japão começam a se preparar após os 5 anos de idade usando anéis, argolas, balanços, pêndulos, pernas de pau, trapézio e rolamentos…

As crianças são acrobatas inatos. Dão naturalmente cambalhotas, paradas de mão e de cabeça, saltos mortais e as “estrelinhas”, indisciplinadamente. A profissionalização vem ao adquirir primeiro a habilidade, depois a técnica e por fim estabelecer a harmonia de equilíbrio e tempo.

O verbete Acrobacia é um substantivo feminino com origem na Grécia Antiga, (Akrobatos), – o exercício de acrobata, seja, o que dançava e fazia jogos de equilíbrio nas mãos e nos pés. Na modernidade designa também manobras de avião, arriscadas e perigosas, com piruetas, parafusos e voos rasantes.

Sinônimos de Acrobacia são inúmeros, como habilidade, astúcia, esperteza, e, figuradamente, virtuosismo, habilidade de efeito, perícia.

Na ginástica acrobática, uma modalidade olímpica, os ginastas mais habilidosos de cada país têm a oportunidade de mostrar quem é o melhor competidor.

Registra-se que estas manifestações de arte se originaram na Grécia no século 5 a/C, quando foram criados os primeiros Jogos Olímpicos. Pinturas rupestres encontradas em vários lugares do mundo indicam, porém, a existência de equilibristas e suas exibições.

Durante séculos, a acrobacia se limitou a apresentações circenses orientais, e no Ocidente a história do circo cita a Idade Média, quando muitos artistas ganhavam a vida fazendo apresentações nas casas de membros da nobreza e nas ruas. Alguns deles viajavam por toda a Europa espalhando sua arte.

É admirável a conquista do equilíbrio corporal. Tal destreza é cultivada mentalmente, com jogos de raciocínio e ilusões de ótica. A humanidade traz exemplos magníficos de personalidades que se destacaram neste campo, os geômetras e filósofos gregos, médicos muçulmanos, Da Vinci, Newton, Einstein…

Do lado negativo, temos atualmente os saltimbancos em toda política mundial, e que no Brasil reproduzem-se, multiplicam-se e propagam-se. Embora fáceis de se identificar escapam à Justiça graças aos seus semelhantes indicados por eles para ocupar os tribunais superiores.

O maior exemplo dessas acrobacias jurídicas foi a decisão do Supremo Tribunal Federal de acabar com a prisão após condenação em segunda instância para favorecer o ex-presidente Lula da Silva, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Esta sentença abriu as portas da prisão para mais de trinta corruptos julgados pela Operação Lava Jato.

Assim, o STF armou sobre o território brasileiro a vasta tenda da impunidade para os assaltantes do Erário, das empresas estatais e dos fundos de pensão. Este cenário circense da criminalidade apresenta um espetáculo que revoltantemente parece ser irreversível pelas novas variações surgidas no trapézio da politicagem.

Tivemos agora a absolvição do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes, notório participante da quadrilha Lula-Cabral que assaltou o Rio de Janeiro. Além dos movimentos acrobáticos de assalto na Olimpíada, dos desvios e obras inacabadas Paes teria cancelado irregularmente pagamentos empenhados no valor de R$ 1,5 bilhão.

Está livre, porém. Até quando a Justiça malfeita abusará da nossa paciência?

 

 

 

 

A CHEGADA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Só podemos chegar ao impossível, se acreditarmos que ele é possível”
(Lewis Carroll –  Alice no País das Maravilhas)

Escreveu o jornalista e escritor italiano Pittigrilli na crônica intitulada “Sangue”, que “A equivalência moral dos homens na prática do mal, na violência, nas vinganças e represálias, é constante e imutável”.

Esta crueza nos leva a pensar nos campos de concentração nazistas e no traiçoeiro ataque japonês a Pearl Harbour, que absolveram os Estados Unidos por destruir Dresden e lançar as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki.

Na minha opinião, é chegada a hora dos brasileiros se unirem, acima dos interesses de grupos, para punir exemplarmente os corruptos e os seus cúmplices, instalados nos três poderes da República.

O ato de chegar 2020 é propício para despertar os corações de mentes para um novo ano e não para cair no engodo pseudocientífico da vinda de extraterrestres para a Terra; não nos interessa concorrer com os ETs de Varginha…

“Chegada” é um substantivo feminino, originário do latim, (“plicare”), dobrar, ordem para as velas do navio serem recolhidas, “dobradas” quando aportava. Daí temos nas línguas neolatinas, “Arribar” no espanhol e no português e “Arriver” no francês).

Nos seus relatos sobre a antiga Roma, o historiador Tito Lívio traz uma interessante passagem com o cônsul Appius Claudius Pulcher, que comandava a esquadra do Império Romano numa batalha mediterrânea.

Supersticioso, Appius Claudius pediu ao adivinho que o acompanhava para oficiar a cerimônia evocando os presságios das aves sagradas, que consistia em sacrificar um pássaro e, revolvendo as suas entranhas, ver nas vísceras os sinais divinos, favoráveis ou desfavoráveis.

O áugure (adivinhão) interpretou os sinais como negativos; mesmo assim, o almirante Appius não o levou a sério, entrou na batalha e venceu. Ao voltar para Roma, comemorando a vitória com seus oficiais, ordenou que cortassem a cabeça do profeta malogrado.

Interessante é que nos dias de hoje ainda se vê políticos acreditando em vaticínios sobrenaturais, ouvindo astrólogos, cartomantes e cartas de Tarô…. Comentava-se que Fernando Collor, quando presidente, fazia sessões de feitiçaria no Palácio da Alvorada e na Granja do Torto…

Referindo-se à política, o inesquecível cronista Fernando Sabino disse, magistralmente, que “Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um”. Isto nos leva a concluir que astrólogos e horoscopistas não levarão o País a lugar algum…

Vemos, entretanto, que exploradores da crendice alheia, adivinhos e agoureiros se mantêm e se multiplicam no círculo do poder; os pés de chinelo ocupam cargos de porteiro, ascensorista e motorista, à disposição de parlamentares, magistrados e ministros….

Outros, com a ostentação de ocupar espaços na mídia, não assumem posições governamentais; ficam de fora, muito bem remunerados. Ouvi dizer – reservo-me a guardar a fonte –, que é de um desses oráculos que saem as justificativas de políticos poderosos para se desculparem pela falta de hospitais e de remédios; dos erros judiciários, da superlotação das cadeias, e até para legitimar absurdos como este tal “juiz de garantias”…

Esses “clarividentes achegados” que mergulham na posição de “eminência parda”, transitando nos corredores palacianos como fantasmas, assustam o que querem de melhor para o País porque têm o poder de nomear e demitir ministros de Estado, até por correspondência….

Se nós tivéssemos, pobres cidadãos comuns, o dom de embaralhar as cartas advinhatórias, poderíamos convencer o eleitorado ávido de truques que a maioria dos políticos profissionais repartem com os seus assessores intrujões, além dos contracheques, o descaso pela Nação, os equívocos nas votações do Congresso, atos administrativos e sentenças judiciárias.

Para chegarmos ao impossível nesta chegada de 2020, precisamos saber quem são as pitonisas no círculo íntimo dos presidentes das casas do Congresso, sob as bancadas do Supremo e nos porões do Planalto…