Arquivo do mês: dezembro 2018

SOPA DE LETRINHAS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                            “O que não pode é praticar a espiral do silencio, ou seja, evitar de expressar opiniões”   (Lia Teodoro Martins)

Para posar de intelectual não bastam a imagem, postura e comportamento; óculos de armação redondinha de ouro, cabeleira despenteada, voz empostada e silêncios medidos, também não. É preciso usar o palavreado próprio da modernidade traduzido do inglês, como metapolítica, pós-verdade e politicamente correto

Ter morado fora do país é importante; e, se for possível, ter feito um curso de três meses em escola de marca – de preferência americana –, com direito a diploma que possa exibir.

A metapolítica se refere a relação da base política e a razão desta atividade atuar. Os círculos acadêmicos consideram-na uma ciência, coisa discutível quando ultrapassa dos princípios burgueses da liberdade, igualdade e fraternidade, pondo no balaio da crítica, uma mistura de raça, gênero e religião…

Em reverência aos filósofos Max Scheler e Ortega y Gasset, os aplicadores da metapolítica, agregam à cultura a crítica política ao poder dominante. Sabem quem mergulha de cabeça nessas águas? O futuro chanceler escolhido por Bolsonaro, Ernesto Araújo.

Diplomata de carreira, Araújo esteve isolado muitos anos no Ministério do Exterior que seguia a orientação do comissário bolivariano Marco Aurélio “Top-Top” Garcia, criador do Itamaraty “do B”, ideologizado, para executar uma política que ficou conhecida nos países civilizados como “diplomacia nanica”.

O chanceler vai ter um trabalho danado de limpar nas cavalariças de Áugias o estrume deixado pela má política dos governos um e dois de Lula. Com a metapolítica, ele se inspirou e escreveu no seu blog que “Por incrível que pareça ainda há vida inteligente no alto funcionalismo público brasileiro”.

Mesmo encontrando esses aliados e sendo confiáveis, Araújo deve usar a estratégia de Hércules cavando com as próprias mãos a corredeira que escoará a sujeira acumulada 14 anos pelos governos lulopetistas…

Pulando da metapolítica como atividade cultural, chegamos ao neologismo “pós verdade”, essa coisa esquisita que, para os usuários, é a circunstância sócio-política em que a opinião pública é induzida a desprezar os fatos objetivos e adotar o apelo emocional e as convicções.

É aí que entra a novilíngua do narcopopulismo. A expressão pós-verdade é aplicada pelos intelectualóides “de esquerda” para desviar a visão da realidade fática para discussões diversionistas secundárias que agradam as minorias usadas como cavalos de batalha nas agitações partidárias.

Os “suplementos culturais” se referem à pós-verdade como ideia em que “algo que aparente ser verdade é mais importante que a própria verdade”. Repete a velha e conhecida história de que a mulher de César não precisa ser honesta, deve parecer honesta…

Nietzsche levou os seus discípulos a crer que “não há fatos, apenas versões”. É por aí que alcançamos o abominável “politicamente correto”, expressão que tornou-se fundamental nos manuais de redação e estilo da mídia globalista.

Começou nos Estados Unidos como uma autodescrição irônica, mas entrou em uso nos meios jornalísticos norte-americanos induzido por uma série de artigos no The New York Times, que propôs evitar, por omissão ou metalinguagem, as referências que discriminam, marginalizam ou insultem pessoas ou grupos que se sintam agredidos.

O engraçado é que o “politicamente correto” quando surgiu no Império, recebeu críticas contundentes dos “progressistas” (os lulopetistas de lá). Depois, porém, “elles” se apropriaram do termo e exportaram-no para os babacas daqui. Estes, com as rédeas do politicamente correto nas mãos, usam-no para criminalizar tudo aquilo com que discordam ou lhes serve de capital político.

Este artigo, é uma simples diversão com a cretinice derrotada eleitoralmente do PT e dos seus puxadinhos. Serve para expressar o repúdio à sopa de letrinhas servida no lanche indigesto nos cursos básicos e universitários das escolas “com partido”…

FAZER AUTOCRÍTICA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“É mais fácil acusar os outros do que fazer autocrítica” (Katherine Pancol – “El vals lento de las tortugas”)

Jornalistas que não conseguem se despir de camisetas partidárias e tirar da cabeça o boné ensebado do MST, insistem em transformar a notícia da crise interna do Partido dos Trabalhadores apenas como indisposição da direção partidária em fazer autocrítica.

É realmente muito mais do que isto. Omitem que se trata de uma degenerescência orgânica que afastou os idealistas e desiludiu os ingênuos que acreditavam na honestidade do chefão Lula da Silva.

A mídia omite que a antiga militância se recusa a atuar politicamente para manter o luxo dos seus dirigentes e o culto à personalidade do Pelegão, preso por corrupção e lavagem de dinheiro.

Como o PT se autodenomina “de esquerda”, fomos aos manuais para conhecer a definição marxista de autocrítica: descobrimos que é desconhecida nos dicionários da velha e da nova esquerda.

Do stalinismo, o “Pequeno Dicionário Filosófico” de Rosental e Iudin, pula do termo “atributo” para “automovimento”; e o neo-esquerdista Tom Botomore, no seu “Dicionário do Pensamento Marxista”, salta da palavra “austromovimento” para “autodeterminação dos povos”. Nada de autocrítica…

A expressão era antigamente separada por hífen, “auto-crítica”, mas o acordo ortográfico de 1990, fê-la autocrítica, verbete dicionarizado como um substantivo feminino de origem grega, “kritikè” – capacidade de julgar; de “krinein” – separar, decidir.

Define-se como a capacidade para criticar a si próprio, isto é, uma ação individual ou coletiva (grupo ou instituição), para reconhecer os erros que eventualmente tenham cometido e a perspectiva para corrigi-los.

Embora os esquerdistas só usem a palavra autocrítica da boca para fora, o filósofo Immanuel Kant emprega-a para a reflexão sobre a validade e os limites do indivíduo por si, ou associado a outros. Para Kant, se trata do julgamento estético para a arte; de mérito, para um raciocínio intelectual; lógico, para uma ideia; e, moral para o comportamento.

Deixando a Filosofia para os filósofos, encontramos uma definição do grande Nelson Rodrigues para o reconhecimento de “erros” dos lulopetistas. Diz Nelson: “Toda autocrítica tem a imodéstia de um necrológio redigido pelo próprio defunto”.

Esta expressão cai como uma luva numa organização incapaz de reconhecer que tem na presidência um fantoche de Lula, desconhecendo a realidade brasileira, isolada do povo e atuando apenas na ridícula campanha “lula livre”, incentivada pelo próprio.

Os petistas reuniram-se “ene” vezes, tantas quanto os pedidos de habeas corpus do Condenado, para discutir como fazer autocrítica lançando mão de caça-palavras para enriquecer a própria terminologia, que substitui crimes por erros ou malfeitos, e roubos por desvios…

Anteriormente desconsideraram os escorregos de Dilma na lama da incompetência e da corrupção; e considerando o meio-impeachment como “um golpe”, levaram a manada descerebrada para acusar de ilegítimo o governo constitucional de Temer, o vice-presidente que elegeram.

A tentativa eleitoral foi mais ridícula. Lulopetistas enfrentaram a Lei insistindo em fazer o Pelegão candidato; substituíram-no por um poste inexpressivo, trocaram as bandeiras vermelhas pela nacional que desprezam; Lula ficou escondido como um gato com o rabo de fora; e foram às missas dominicais usando hóstia como ópio do povo.

Perdendo a eleição para Jair Bolsonaro, passaram a chamá-lo de fascista, pegando carona nas idiotices hollywoodianas dos “antifas”, macaqueando o histerismo de facções anti-Trump da política interna dos imperialistas que abominam…

Dessa maneira, sem os petistas fazerem autocrítica, comprova-se a essência da sua desonestidade. Por isto, permitamos que esvoacem, mas fazendo como ensinou Lutero: “Não podemos impedir que um pássaro pouse em nossas cabeças, mas podemos impedi-lo de fazer um ninho”.

 

O BOICOTE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado” (Albert Einstein)

Há tempos, quando ainda estudava textos de introdução ao estudo do Direito, li na pesquisa, não me lembro em qual jornal, livro ou revista, um princípio que me fez pensar e aceita-lo: “Quem controla o econômico, controla o político e o social”. (Parece-me ser de origem marxista, perdoem-me os intransigentes sectários da direita).

Sempre estudando e observando a vida, tenho visto e comprovado que a economia de livre comércio é perfeita; moderniza a produção, valoriza o comércio e a indústria, e influencia naturalmente a política e o dia-a-dia dos povos.

Bulindo com a minha cabeça, essas ilações atraem notícias internacionais e nacionais sobre boicotes à empresas e marcas, como protesto. O boicote, como forma de resistência, é uma ação para impedir compras, recusar marcas de produtos e negar-se a comparecer a eventos artísticos e recreativos. Como revolta, recusa-se a obedecer à autoridade.

O boicote nasceu no século 19, na Irlanda, durante a chamada “guerra agrária” motivada pelo capitão Charles Boycott que reprimiu o movimento contra a redução das rendas dos produtores, então a corporação levantou-se contra ele isolando-o. Esta reação deu origem à palavra, o sobrenome Boycott, adotada em português como boicote.

O confronto entre partes ocorre quando um grupo de pessoas pressiona alguém ou uma entidade pretendendo causar algum prejuízo ao adversário. Nos EUA e na Europa, este ativismo é quase sempre associado a uma atividade comercial, mas ultimamente vem ocorrendo também aos meios de comunicação e às promoções artísticas.

Dessa forma, ocorrem o boicote ou a intenção de boicotar alvejando empresas, produtos ou serviços, mas sucedem raramente contra a administração pública, exceto por motivação partidária oportunista.

Uma reportagem de Liana Melo, publicada na revista Época, registra que numa pesquisa sobre o comportamento dos consumidores brasileiros, 69% deles, espontaneamente, compram ou boicotam uma marca motivados por questões políticas e sociais.

Talvez surfando nessa onda, surgem nas redes sociais muitas propostas para boicotes e pelo levantamento citado na reportagem vê-se que muitas pessoas, principalmente os jovens, creem poder influenciar personalidades famosas, empresas, marcas industriais e comerciais e órgãos públicos.

É preciso refletir, porém, que dependendo da maneira de boicotar, será uma medida de dupla face: ou pode legitimar a pretensão dos seus realizadores, ou, ao contrário, pode ser utilizada como perseguições ou preconceitos inaceitáveis.

Fugindo, porém, de conduta persecutória, mas agindo pela justa compreensão de uma reivindicação humanista, política ou social, julgamos haver muitas vezes a necessidade de se fazer um boicote.

Façamos uma reflexão sobre o caso do cachorro morto após ser espancado em Osasco (São Paulo) por um segurança do Carrefour. Um inquérito civil está apurando a ocorrência; se ficar comprovado este crime, propomos o boicote ecológico ao supermercado por maus tratos a animais.

Assistimos também um conflito emocional que invadiu as redes sociais por causa da ordem de prisão dada pelo ministro Ricardo Lewandowsky a um crítico do STF, que foi mantido em cárcere privado no avião em que eram passageiros.

São certas posições do Supremo, com a aprovação do indulto de Temer, que favoreceria os crimes de corrupção, e a soltura de José Dirceu, condenado a 30 anos de prisão, envergonham a cidadania, e a crítica não é isolada, é uníssona, nacional.

No caso pessoal do Meritíssimo Togado, é interessante ver quão hipócrita foi a sua atitude, porque considera um abuso a prisão preventiva e é contra prisão após condenação em 2ª instância; mas dá ordem de prisão injustificável.

Será que por causa do comportamento deste ministro, ou de uma fração de ministros do STF que não preserva a dignidade do cargo, valeria fazer um boicote contra o Tribunal? E como seria feito?

“NOVA ESQUERDA”

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Se existe uma coisa que eu me arrependo é de ter confiado em algumas pessoas” (Renato Russo)

Escrevi certa vez que a ideologia defendida pelo Partido dos Trabalhadores e os seus puxadinhos veio degenerado pelo peleguismo, que não apenas alcança o dinheiro público, mas furta também fatos históricos, ideias e terminologia.

Temos dos lulopetistas a nítida distorção da História: reescrevem-na falando da sua resistência ao regime militar, quando na realidade o seu partido sequer existia e o chefe, Lula da Silva, era apenas um pelego da Volkswagen e informante do Dops.

Nesta saga de fraudes, essa pelegada se apropriou da simbólica designação “de esquerda”, cuja classificação política é bastante diferente do que eles defendem e praticam, na contramão dos personagens da Convenção revolucionária de 1789 que marcaram esta posição ideológica.

O lulopetismo é amoral, burocrata, estatista, impatriota e totalitário. Pratica a destruição da pesquisa científica registrada várias vezes; assalta o Erário; alia-se à picaretagem parlamentar e faz culto à personalidade, divinizando o corrupto Lula da Silva, condenado e preso.

Defensores abertos da ditadura venezuelana, do algoz da Nicarágua e da guerrilha colombiana, os lulopetistas não querem um futuro de paz pregando o caos social e justificando a violência como consequência da pobreza.

Contra essa organização criminosa da política, temos visto a reação de intelectuais que militaram na antiga esquerda e são merecedores do respeito até de quem discorda deles. Saltaram da canoa furada do narcopopulismo que foi desviada da rota que pretendiam seguir.

Distingo alguns, sem demérito para os que a memória não guarda os nomes, o ator Carlos Vereza, o historiador César Benjamin, o médico Eduardo Jorge, o jornalista Fernando Gabeira e o poeta Ferreira Gullar. Fundaram o PT, sem imaginar que ficariam sujeitos ao peleguismo sindical – o que há de mais podre na atividade política associativa –; e se afastaram.

Sobre isto, o livro do jornalista Zuenir Ventura, “1968 – O que fizemos de nós”, está tumultuando a “nova esquerda”. Traz depoimentos de antigos esquerdistas que acreditaram no surgimento de um partido de novo tipo, liberto do centralismo comunista e da fracassada herança do “socialismo real” na finada URSS.

Um dos personagens do polêmico livro de Zuenir é o historiador César Benjamin, que durante o regime militar aderiu à luta armada pela implantação da ditadura do proletariado, memória doentia dos manifestos comunistas ultrapassados.

Depois, Benjamin foi ativo militante e dirigente do PT até 95, quando saiu fazendo graves acusações à direção do partido, sem poupar Lula. Sua decepção está no depoimento e é analisada pelo escritor como uma observação real.

Diz Zuenir que “dificilmente se encontra na oposição quem faça críticas tão contundentes aos governos petistas quanto o dissidente “Cesinha” (César Benjamin), avaliando como um fracasso o chamado ciclo Lula”. É verdade que o dissidente petista é implacável quando acusa a “nova esquerda” na sua atuação pela perda de grandeza.

Como observador da História, também não vejo “grandeza” na “velha esquerda” que desmoronou com o Muro de Berlim. A fragilidade dos que assumiram a nomenclatura dos revolucionários franceses está na proposta idealista de uma sociedade igualitária, materialmente impraticável.

Viu-se no após 2ª guerra mundial e a guerra fria, o fracasso da experiência comunista totalitária na URSS, que, mesmo com os avanços materiais obtidos, foi condenada por parcelas significativas do movimento comunista internacional, então vigoroso.

Além disto, as novas descobertas tecnológicas, abriram um grande mercado de trabalho intelectual, pela Internet, originando a 3ª Grande Divisão do Trabalho. E nesta nova situação eliminou o conceito marxista das duas classes, a dos explorados e a dos exploradores.

No novo mercado do trabalho, cresceu o setor serviço, favorecendo o proletariado e impondo a liberalização das economias nacionais para fortalece-las.

Dessa maneira, o Estado Mínimo concedeu aos trabalhadores – e vem concedendo melhorias jamais sonhadas por Marx –, enquanto o Estado Máximo, obeso, onipresente e onipotente, impede o desenvolvimento econômico e somente oferece ao proletariado burocracia e repressão governamental.

Raciocinando dessa maneira, dispensamos a tarefa de separar as sementes da esquerda, antigas e novas, como o joio do trigo; estão apodrecendo juntas.