Arquivo do mês: fevereiro 2024

ROLETA RUSSA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Nunca me esquivo de dar um passeio pelo Planeta e de divulgar notícias internacionais; faço-o com a mesma disposição de independência e, portanto, com isenção e respeito pela autodeterminação dos povos. Irrita-me, porém, ver pessoas que se envolvem nos assuntos internos de outros países até torcendo em suas campanhas eleitorais.

Assim, intitulando este texto de “Roleta Russa” não me refiro à Guerra da Ucrânia, nem a Vladimir Putin, o presidente de Todas as Rússias.

O que trago é a preocupação pela inadvertência das pessoas que dão pouco valor a vida, sem ter a consciência do valor incalculável da existência. Este pensamento leva-me ao jogo de risco, muito presente nos filmes hollywoodianos.

A Roleta Russa consiste em colocar uma só bala no tambor de um revólver, deixando as demais câmaras vazias; o jogador voluntário gira a roleta, põe a arma na fronte, e puxa o gatilho.

O protagonista tem cinco oportunidades do projétil não ser disparado e se safar com vida; por azar, se o projétil for disparado, assiste-se o horrendo espetáculo de um suicídio e o insólito desprezo pela vida.

Um meu sobrinho, com quem comentei sobre o uso da roleta russa num artigo, opinou pela condenação do jogo, e julgou o(s) praticante(s) dizendo que “quando o tiro acerta não há qualquer perda para a humanidade, pois o crânio esfacelado era carente de massa cinzenta” …

A-religioso, este parente é uma contradição ambulante; ama a vida, mas não crê que exista post-mortem, pensando diferente da maioria dos povos, sejam do Primeiro Mundo ou das tribos ainda na Idade de Pedra. A maioria da humanidade crê na imperecível continuidade da vida.

Diante desta ambiguidade fico entre o materialismo vulgar e a superstição porque quero ver julgados em vida e em espírito todos que causam mal à humanidade. Devem ser punidos, seja quem forem; fazedores de guerra e governantes que nada fazem pelos seus governados, ambos levando consigo os cultuadores de suas personalidades e os usuários do discurso do ódio.

Gostaria que uma força superior impusesse a punição exemplar aos indivíduos que não se submetem à exigência dos Deveres e Direitos na sociedade humana, uma legítima bipartição que mais do que dialética, é uma definição obrigatória para cada um.

Defendo que a realidade sócio-política castigue com o desprezo os rebanhos fanáticos encurralados por Bolsonaro e Lula, eliminando as antidemocráticas e desastrosas consequências que trazem ao País.

Precisamos agora, mais do que nunca,  divulgar os deveres do cidadão para com o Estado e o seu direito de receber em troca o respeito dos governantes às pessoas, independentemente do sexo, idade, nacionalidade e formação educacional.

Isto não ocorre na cena da politicagem vigorante nos andares de cima, e nos revolta ao ver a impunidade de criminosos pela Justiça, e o balaio dos políticos corruptos cheios de benefícios, imunidades, privilégios e prerrogativas.

As regalias de juízes, militares e parlamentares são revoltantes. E ainda querem adicionar este apanágio aos milionários pastores protestantes, ferindo o Estado Laico. É o que encontramos na Revolução dos Bichos, de Orwell, com porcos “mais iguais do que os outros”.

Enfim, para acabar com esta situação recorremos à Roleta Russa; cinco espaços vazios para a Nação e um projétil letal para a politicagem corrupta, o que trará a convocação de uma Assembleia Constituinte, sem a reeleição de todos atuais ocupantes de cargos eletivos.

A bala pertence aos cidadãos fardados que podem agir diante da impotência dos civis desarmados, como alertou Rui Barbosa: – “O Exército pode passar cem anos sem ser usado, mas não pode passar um minuto sem estar preparado”.

Será uma proposta “golpista”? Pouco importa, já que o Centro Democrático não é forte o suficiente para derrotar os polarizadores populistas e corruptos.

 

DO SUICÍDIO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Em artigo anterior, escrevi que a ideologia distorcida dos extremismos “de direita” e “de esquerda” – o “Populismo” –, usa o dinheiro do contribuinte e o mecanismo governamental para conquistar a simpatia das massas.

Populismo, como verbete dicionarizado, é um substantivo masculino que corretamente significa “o modo de governar em que certa pessoa procura conquistar a liderança de uma nação”. É a política paternalista das dádivas estabelecendo uma ligação com entidades e movimentos mantidos por verbas públicas e lideradas com pelegos estudantis, partidários e sindicais.

Essas lideranças falsamente humanitárias mantêm uma estreita atividade política, atuando como grupos de pressão pela ação direta e usuários da Internet como agitadores virtuais. Sua pauta é sustentar campanhas do interesse do partido.

A “falsa direita” e a “falsa esquerda”, na verdade populistas, fingem um enfrentamento midiático com a ajuda de uma propaganda maciça e da imprensa corrompida para impor à Nação a mentira de um confronto entre si.

Plantando o fanatismo no terreno estrumado e fértil da ignorância, os populistas criam a fantasia da polarização eleitoral para se alternarem no poder; e infelizmente logram êxito: Bolsonaro e Lula faturam de 20% a 30% eleitores cativos, um percentual que sustenta seus partidos com os abomináveis fundos partidário e eleitoral.

Na sua sabedoria, Gandhi lembrou que “uma gota de veneno compromete um balde inteiro; a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida”; na cena brasileira, o veneno é o dinheiro público que financia a mentira demagógica e corrosiva.

Mentira que produz uma erosão intelectual e se expande mordaz nos três poderes republicanos, contaminando como um vírus infeccioso o Legislativo e o Judiciário. O Congresso Nacional, preso à picaretagem comprada com emendas parlamentares e cargos, é transparente na ânsia de obter vantagens e não surpreende ninguém.

Revoltante é a indignidade do Judiciário, que faz e desfaz, afirma e nega, uma verdadeira biruta de aeroporto girando para onde os interesses dos togados levam; se assenta suspeitosamente no vago garantismo jurídico dos oportunistas. E, com isto, favorece a corrupção política e o crime organizado em nome dos “direitos humanos”.

Isto insurge uma reação colérica contra o ministro Dias Toffoli, mostrando-se cúmplice dos corruptos e corruptores e, sem vergonha, comprova sua participação nos desmandos de Lula, quando foi delatado sob o codinome de “Amigo do Amigo do meu Pai”.

Toffoli libera descaradamente as multas dos empresários punidos pela Lava Jato. Desse jeito, volta a se submeter ao “Chefe” que andava ressabiado por tê-lo visto servindo a Bolsonaro e salvando Flávio no caso das rachadinhas….

Também demonstrando de como os ventos mudam, o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo, que acompanhava o colega Teori Zavascki defendendo a Operação Lava-Jato, mudou inexplicavelmente. Não se sabe porquê, ele classificava governo Lula de “cleptocracia” e passou a defender o Pelego de unhas e dentes.

Diante disto,  somos obrigados a denunciar este comportamento faccioso, temendo que se amplie no plenário da Corte; porquê se fortalece recebendo aplausos do populismo lulopetista – cujas relações com o crime organizado se evidenciou com a visita da Dama do Tráfico aos ministérios do Governo Lula.

Por coincidência suspeita, também o populismo bolsonarista silencia diante do desvario judicial em pagamento ao 5TF pela livrança dos filhos delinquentes do Capitão, agradecido e mantendo o sentimento paterno, mesmo ensandecido pela derrota eleitoral e a frustração do pretendido golpe de Estado.

A insanidade de Bolsonaro está levando-o ao suicídio. Não individual, mas à lá Jim Jones, como lembrou o lúcido Aloysio Nunes comparando-o com aquele pastor norte-americano que levou mais de 900 dos seus seguidores em 1978 a se suicidarem em Jonestown, na Guiana.

O móvel do Jim Jones brasileiro é uma manifestação-teste, para conferir os sequazes que lhes restam, levando-os à rua num suicídio coletivo. Triste; mas a demência extremista dos lulopetistas, como não poderia deixar de ser, convoca um semelhante evento como resposta….

Parece-me que ambos estão isolados, sem contar com o apoio dos brasileiros amantes da Democracia e da Vida que repudiam os métodos charlatães do populismo adotado pelos fanáticos cultuadores das duas personalidades polarizadoras….

 

 

O FATO E O ATO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Quando ainda não tínhamos a imprensa cínica e mercenária de hoje, um capítulo da História registra a resistência jornalística nas primeiras arengas antidemocráticas do movimento militar que derrubou o presidente João Goulart. Entre artigos, editoriais, entrevistas, crônicas e reportagens, há os antológicos artigos de Carlos Heitor Cony,  sob o título “O Ato e o Fato”, depois editados em livro.

Inverti a epígrafe de Cony como “O Fato e o Ato” para resistir à irresponsabilidade de Lula da Silva, expressando insanidades do limbo do seu egocentrismo grosseiro e ignorante; e criando uma crise entre o Brasil e Israel.

Afirmo, antes de mais nada, ser impossível acusar-me de antissemitismo; em toda a minha vida convivi e convivo fraternalmente com judeus, sendo que ainda criança, recolhi dinheiro naqueles cofrinhos azuis da Haganah para a instalação do Estado de Israel.

Posso expressar dessa maneira, sem vacilar, a minha dura repulsa à ideologia sionista e ao governo extremista de Benjamin Netanyahu, um fascistóide assentado sobre o tripé deplorável da ortodoxia religiosa, do militarismo expansionista e da política que despreza os kibutzim trocando-os por “assentamentos”.

Nada disto justifica, porém, a desastrada fala de Lula comparando o Holocausto com a invasão da Faixa de Gaza, território onde deveria se assentar o Estado Palestino; com esta afronta à História, além do conhecido apedeutismo e insensatez, ele se imagina acima do bem e do mal, por ter sido solto e elegível depois de sentenciado, preso e inelegível por corrupção e lavagem de dinheiro em três instâncias jurídicas.

Assume, graças aos seus “amigos” do 5TF, o desvario da impunidade e por isto os ministros togados do Supremo levarão ao futuro a responsabilidade desta culpa. Aliás, uma culpa dúplice; primeiro, por desrespeitar três poderes judiciais sem interpretação constitucional, baseados em pífios considerandos.

Segundo, pelo mal que a decisão infeliz da Corte causou à Nação Brasileira levando os amigos da Democracia a votar no Descondenado contra os arreganhos totalitários da Familiocracia Bolsonaro, que conspirava um golpe contra o Estado de Direito.

Este Fato detalhadamente divulgado ferve nas cabeças pensantes. Rememorar Hitler e as atrocidades nazistas é, além de extemporâneo, uma arma para os “antifascistas” de hoje, acusados na profecia da cintilante inteligência de Churchill: “Os fascistas do futuro chamarão a si mesmos de antifascistas”.

O Ato é tão condenável como uma empada venenosa recheada de cumplicidade e má fé, e apimentada com a brutalidade que as guerras provocam; e, pior, baixou uma pauta para os mercenários do jornalismo, exigindo-lhes incríveis acrobacias mentais para defender o indefensável.

A Síntese é o véu da vergonha que cobre o Brasil no concerto internacional trazendo o constrangimento nacional ao ver a humilhação que levou o embaixador brasileiro em Tel-Aviv a visitar o Museu do Holocausto, o epicentro da vitimologia que memoriza a perda de seis milhões de judeus entre 24 milhões de eslavos, ciganos, deficientes físicos e mentais, homossexuais e opositores do nazifascismo de várias nações.

O Fato e o Ato decepcionam os humanistas em geral. Dos pacifistas que esperam dos seus governantes uma ação pela Paz e daqueles que estão conscientes de passar o vexame de ser visto lá fora como apoiador da barbaridade lulista.

A Síntese se amplia na medida da gigantesca revolta mundial assumida por pessoas de todas as idades, crenças políticas e religiosas e filosofia de vida. Vemos nas redes sociais, conversas familiares, em todo lugar, a manifestação condenatória `Lula, sem medida e sem medo.

Assim, desprezando a cicatriz do repúdio ao discurso de ódio, a Nação Multirracial Brasileira eleva a ideia de que Lula e Netanyahu pouco significam para a História da Humanidade. O Capítulo de Ouro abrangerá o desejo dos povos do mundo por uma Paz Duradoura.

 

 

 

SENTIMENTAL, EU SOU

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Roubei o título do romântico bolero de Altemar Dutra para desenvolver uma tese levantada por Graciliano Ramos fazendo uma auto análise: “considerando que me comovo em excesso, por natureza e por ofício, acho medonho alguém viver sem paixões”.

Eu tinha uma certa prevenção pela Astrologia e ignoro tudo sobre os signos, mas ouvi dizer que o sentimentalismo é produto da influência astral e passei a refletir sobre isto; se a Lua intervém no fluxo das marés, então é normal crer que a constelação de Câncer – que rege as minhas tendências –, impõe meu sentimentalismo.

Quando menino buchudo ouvia o Realejo da Adivinhação tocar na minha rua e as meninas-moças correrem pagarem um cruzeiro para o periquitinho, domado pelo velho cigano, entregar-lhes com o bico um cartão com o nome do futuro marido.

Não sei dizer se a expressão “o passarinho verde me contou…” vem daí. Procurei nos dicionários de gíria e expressões populares e não encontrei “passarinho verde”; achei no livro Locuções Tradicionais do Brasil do folclorista norte-rio-grandense Câmara Cascudo, uma referência ao periquito, usado antigamente para troca de bilhetes entre os amantes.

Há também uma lenda do século 19, segundo a qual as moças se correspondiam com os namorados amarrando mensagens de amor nas patinhas de um passarinho que pousava na grade da janela. A ave associada a esta lenda seria o periquito.

Das nossas heranças culturais temos a locução “viu passarinho verde” com o significado de quem se encanta por algo ou alguém que acabou de encontrar; a cor das penas da ave evoca uma alegre esperança.

No tempo de Graciliano, quando vigorava estes costumes, não se precisava estudar a biologia corporal nem deitar no sofá do analista para a psicanálise, como fazem hoje sem dia sem o realejo do cigano e com os periquitos engaiolados nos jardins zoológicos.

A realidade amplia problemas de bem-aventurança, desgostos e até desatinos, mais não nos levam às análises laboratoriais. E, na vida social, se limita a manjada teoria de que a Lei é para todos, para todos nós – sem exceção –, deixando-nos sujeitos ao comando invisível e insípido do respeito à Justiça.

Ou cumprindo prognóstico dos nossos signos? Tenho cá as minhas dúvidas, porque ao me valer do exemplo teórico da Lei, a experiência vivida lembra-me que a sua interpretação é desigual, relativa e seletiva…. Os excelentíssimos juízes vacilam entre o apelo da família de um réu e o patrimônio de outro.

Sabemos que a Justiça é aplicada por seres humanos e se submete ao humor do juiz, oscilando entre cegueira, surdez e a impiedade; é por isto que suprime a ideia de punir os crimes hediondos com a pena de morte….

Lembramos que as punições na Antiguidade (e ainda vigoram em alguns países) obedecem a uma escala baseada no “olho por olho e dente por dente”; têm a morte para o assassino, a amputação das mãos para ladrão, e chibatadas em público para os crimes menores. Para os corruptos a desapropriação dos seus bens.

Como condenavam os ocupantes do poder que se apossavam do bem público? Como puniam os que atentavam contra as instituições para se locupletar? Vamos à pesquisa histórica para saber; mas “um passarinho me contou” (e a informação me parece verdadeira), que existe uma conspiração civil e militar punitiva contra o governo Lula, sem a presença nefasta de Bolsonaro.

Seria a reação natural contra os desmandos de um governo ideologizado, superado, não por envelhecimento, mas pela sua inconsequência político-administrativa?

Esta questão me leva ao “Poeminho do Contra” do genial Mário Quintana: “Todos esses que aí estão “Atravancando meu caminho/ Eles passarão…Eu passarinho!”, e inspirado poeticamente abro meu bico para rogar uma praga aos polarizadores populistas que sabotam a paz, a ordem e o progresso do Brasil.

Sentimental, mas com muita paixão, eu gostaria que Bolsonaro e Lula recebessem o castigo do desprezo popular como punição, e fossem acompanhados nesta sentença pelos juízes garantistas e os políticos picaretas.

Os brasileiros estão fartos de uma Política e uma Justiça a serviço da corrupção e dos conhecidos corrompidos, corruptos e corruptores.

 

O Carnaval de Mário de Andrade no Rio de Janeiro

Em 1923, Mário de Andrade foi passar o Carnaval no Rio de Janeiro. Os planos eram de visitar Manuel Bandeira em Petrópolis. Mas Mário se apaixonou pelo Carnaval Carioca e não foi visitar Manuel. Ele acabou escrevendo uma carta ao amigo, justificando a sua ausência:

“Meu Manuel…Carnaval!!…Perdi o trem, perdi a vergonha, perdi a energia…Perdi tudo. Menos minha faculdade de gozar, de delirar…Fui ordinaríssimo. Além do mais: uma aventura curiosíssima. Desculpa contar-te toda esta pornografia. Mas… que delícia Manuel, o Carnaval do Rio! Que delícia, principalmente, meu Carnaval!

Meu cérebro acanhado, brumoso de paulista, por mais que se iluminasse em desvarios, em prodigalidades de sons, luzes, cores, perfumes, pândegas, alegria, que sei lá!, nunca seria capaz de imaginar um carnaval carioca, antes de vê-lo. Foi o que se deu. Imaginei-o paulistamente. Admirei repentinamente o legítimo carnavalesco, o carnavalesco carioca, o que é só carnavalesco, pula e canta e dança quatro dias sem parar. Vi que era um puro! Isso me entonteceu e me extasiou. O carnavalesco legítimo, Manuel, é um puro. Nem lascivo, nem sensual. Nada disso. Canta e dança. Segui um deles uma hora talvez. Um samba num café. Entrei. Outra hora se gastou. Manuel, sem comprar um lança-perfume, uma rodela de confete, um rolo de serpentina, diverti-me quatro noites inteiras e o que dos dias me sobrou do sono merecido. E aí está porque não fui visitar-te. Estou perdoado.”

(MORAES, M. A.(org.). Correspondência Mário de Andrade & Manuel Bandeira. São Paulo: EDUSP, 2002, pp.84-85)

DOS DEMÔNIOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Ouvi uma anedota outro dia pouco evangélica; evoca o Demônio, o mito que aparece com expressões e nomes diversos, sendo uma figura universal, conforme analisa o estudioso do assunto, o professor Mateus Soares de Azevedo (USP).

A piada fala do Demônio, seja como anjo mau, belzebu, cão, chifrudo, diabo, lúcifer, maldito ou satanás. Conta que São Pedro, caminhando ao lado de Jesus, assistiu uma briga de um Fariseu (o político de então) com o Demônio; irritado com ambos contundentes, pegou a espada e decepou a cabeça dos dois….

“Cristo, piedoso, repreende o apóstolo pela violência praticada: – “Agiste mal, meu caro amigo”, disse, e se afastou. Pedro, constrangido, voltou e recolocou as duas cabeças nos corpos caídos; retornando ao lado do Mestre, confessou constrangido que apressado para reparar o erro, pôs no tronco do Demônio a cabeça do Fariseu, e vice-versa….

“Na sua divina sabedoria, Cristo tranquilizou-o: – “Não faz mal. A troca não é grave, deixe as coisas como ficaram”.

É por isto que os políticos têm o Diabo na cabeça; e lembramos Nelson Rodrigues que se recusava a acreditar nos políticos, até mesmo dos mais simpáticos. Ele não pensava sozinho, muitos veem assim. No campo da política, os malefícios dos parlamentares, executivos e juízes são inegáveis.

Não é, porém, coisa dos nossos dias; vem da remota antiguidade o Espírito do Mal tentando as pessoas: no Gênesis (6: 5 e 8:21) está escrito: “a imaginação do coração do homem [é] o mal”, tirando-se daí o conceito de que é demoníaca a disposição de certas pessoas em fazer o mal, violando a vontade de Deus.

Na Mitologia greco-romana o Demônio foi visto como um espírito sobrenatural que personificava uma natureza entre a mortal e a divina, e estimulava os humanos a cometer desatinos.

A visão judaico-islâmica vê satanás como um ente subalterno a Deus; segundo o Velho Testamento e o Alcorão os diabos surgiram no sexto dia da Criação para coexistir com os seres humanos.

O budismo vê o diabo como uma entidade adversa à divindade de Buda, Mara, que representa a ilusão; foi aquela figura que tentou conquistar o príncipe Sidarta, “oferecendo-lhe lindas mulheres” que nas lendas são suas filhas. No hinduísmo, o diabo não vingou; tentou se achegar aos humanos, mas foi derrotado por Vishnu, o seu deus principal.

O taoísmo guarda a herança da antiga Pérsia, o dualismo do bem e do mal; os taoístas creem no confronto do bem e do mal, do Espírito da Luz com a Sombra das Trevas.

Como vimos, o Demônio passeia de formas variadas no catolicismo, no judaísmo, no islamismo, no hinduísmo, no budismo e no taoísmo; sendo que no Ocidente, a tradição cristã vem do Apocalipse, que descreve a guerra no céu, quando “200 anjos” liderados por Lúcifer, se rebelaram contra Deus… E derrotados pelo Arcanjo Miguel foram expulsos.

No Reino Celestial, Lúcifer chamava-se Samuel e se sentava ao lado de Deus; “era perfeito, sábio e formoso, mas sua ambição levou-o a se revoltar e pretender sentar-se no Trono” (Ez 28:15, Ez 28:17); a sua qualificação como “Demônio” está dicionarizada.

Como verbete, é um substantivo masculino de etimologia grega (daimon), chegando ao brasilês através do latim vulgar, (daemonium), designando o anjo caído que lutou contra Deus e instiga a perdição da humanidade.

Há uma versão de que os 200 anjos castigados pela intenção do mal são exorcizados pelos rabinos judaicos; na Geografia Católica, pelos padres, e, no Reformismo inglês e norte-americano pelos pastores anglicanos, batistas e evangélicos.

São muito poucos os que ficaram naqueles hemisférios; quase todos vieram para o Brasil e aqui se acomodaram com as bênçãos do 5TF. Infiltraram-se satanicamente como bolsonaristas e lulopetistas, fazendo com os seus malefícios o Brasil o único lugar do mundo onde há torcidas organizadas para a corrupção e o golpismo.

Estes demônios impõem aos brasileiros uma demoníaca polarização, farsa ideológica que está levando a nossa Nação para o caos.

DOS FANTASMAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Não acredito em fantasmas. Mas inúmeras testemunhas garantem que eles existem. Que me lembre, a genialidade de William Shakespeare pôs em cena dois. Um, na celebrada tragédia “Hamlet”, a lenda de um jovem príncipe dinamarquês que vê o fantasma do pai, denunciando ter sido assassinado pelo próprio irmão, que se casou com a sua viúva.

Outro, em “Macbeth”, quando num banquete com a nobreza, o personagem-título vê o fantasma de Banquo, capitão do exército do rei Duncan, sentado à mesa.  Alucina-se com isto pois assassinara o Rei da Escócia e ocupara seu lugar; como mandou matar Banquo, cujos desdentes se sentariam no trono, segundo uma profecia.

Das clássicas peças do dramaturgo e ator inglês, incomparável poeta e escritor, vamos como caça-fantasmas ao cinema. Lá encontramos vários filmes baseados nos livros do renomado romancista Charles Dickens, também inglês.

A obra mais vistosa de Dickens é “A Christmas Carol”, traduzida editorialmente para o português como “Um Conto de Natal”. Como filme, teve várias versões em Hollywood e em estúdios ingleses.

Conta a história de um velho avarento, Ebenezer Scrooge, uma criatura egoísta e pouco amistoso, insociável que abomina as festividades natalinas. Numa véspera do Natal, vê o espírito do seu ex-sócio, Jacob Marley, morto há sete anos e sofre o castigo pela sovinice arrastando pesadas correntes de ferro.

O Espectro adverte Scrooge de que ele ainda tem chance de escapar de pesadas penas pelo seu comportamento desumano e antissocial, mas para isto deverá receber a visita de três fantasmas.

E assim se dá: à meia-noite chega o Fantasma dos Natais Passados que leva Scrooge de volta à infância e juventude, quando amava a família e festejava o nascimento de Cristo; a seguir, vem o Fantasma do Natal Presente: este retrata com fortes cenas a sua frieza com relação às outras pessoas e o leva a assistir seu empregado, que explora e maltrata, reunir-se feliz com a família numa humilde mesa arrumada para a comemoração.

Viu que o seu escriturário é pai de quatro filhos, e com eles e a esposa mostram uma atenção carinhosa pelo mais moço, o frágil Pequeno Tim, que tem problemas na perna como sequela da poliomielite.

Por fim, aparece o Fantasma dos Natais Futuros que silencioso aponta a cena da sua morte solitária, sem amigos, e seu enterro tristemente indigente num cenário que emocionou Scrooge. Este, no dia seguinte, acordou completamente modificado, levantando-se sentimental e generoso.

Como um homem novo, o antigo avarento foi tomado pelo Espírito do Natal. Decidiu ajudar o seu empregado Bob Cratchit e torna-se um segundo pai para o Pequeno Tim. Escrito por Dickens entre outubro e novembro de 1843, “Um Conto de Natal” é visto como o criador das atuais celebrações natalinas.

Na literatura, teatro e cinema brasileiros, chega-nos uma versão ingênua da fantasmagoria com “Pluft – O Fantasminha” de Maria Clara Machado, revertendo toda expectativa amedrontadora dos Fantasmas, ao levar à cena um fantasminha tímido que tem medo das pessoas….

A intelectual e respeitada teatróloga patrícia, Maria Clara Machado, deu um mergulho na ficção totalmente distinta do que ocorre na política brasileira, onde dominam os fantasmas do horror, amedrontando o país ao promover a falta de educação, da saúde, da segurança e da corrupção.

Estas sombras espectrais rondaram o Estado de Direito em Brasília, arrastando as correntes antidemocráticas do finado fascismo. Demoníacas, exalaram a catinga de enxofre de um golpe contra as eleições presidenciais. Traziam até a revelação de uma minuta pronta para anunciar o estado de sítio!

Tais quimeras provocam temores entre os médiuns do Congresso Nacional, alguns mortos e insepultos; e traz também um alívio para os sensitivos do 5TF, como cortina de fumaça que esconde a cumplicidade da Corte com a corrupção lulopetista, através das decisões monocráticas de Dias Toffoli.

Contraditoriamente, a manifestação espectral política nos leva a acreditar que os mortos têm muito a nos dizer; e além disto nos diverte com o “Espírito do Carnaval”, fantasiado de Fantasminha Pluft, que canta em dueto com o espírito de Rita Lee: “A inocência não dura a vida inteira/ Brinque de ser sério/ E leve a sério a brincadeira”.

DO PASSADO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Tem uma jovem no “X” que traz no seu perfil a divisa “Ainda não entendi o que estou fazendo no mundo”; ela se iguala aos nossos antepassados do estágio preparatório da civilização e, se fazendo a mesma pergunta, criaram a Filosofia.

Passados cinco mil anos de evolução humana no nosso Planeta Azul, a dúvida sobre a existência persiste. Entretanto, se pusermos nos pratos da balança das probabilidades este entendimento de um lado e a certeza de nossa curta passagem pela vida do outro, teremos um equilíbrio perfeito.

Observando a realidade da sua época, o genial cineasta e pensador Orson Welles disse que “é preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos”. Assim, analisando a questão do tempo e do espaço que nos cercam e aprisionam, é possível encontrarmos muitas justificativas para o limitado estágio da vida.

Há quem as encontre respostas na metafísica, abstraindo religiosamente a historicidade da nossa existência. Estes mandam o passado às favas; e encontram no fundo do quintal do fanatismo a opinião que Einstein expôs em carta para um amigo, dizendo que “A diferença entre passado, presente e futuro é apenas uma persistente ilusão”.

Extraímos desta crença uma verdade. Relativa. É quê, de acordo com os dados obtidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo alcançou em 2021 7 bilhões de habitantes e, em cada cabeça, um sem número de ilusões.

Na sua grande maioria, as pessoas que habitam a Terra deitam-se em berço esplêndido cobertos pelo lençol da fantasia e a colcha da ficção; não cogitam se o passado foi melhor do que o presente.

Escrevi outro dia sobre o maravilhoso filme de Woody Allen, “Meia Noite em Paris”, de roteiro sobre o filosófico (e científico) tema do espaço-tempo. Narra uma aventura em Paris da transposição do tempo protagonizada por um jovem escritor americano, Gil Pender, e uma figurinista francesa, Adriana.

Nostálgicos, ambos sonham com o passado. Ele vive a década de vinte acompanhado de seus ídolos, escritores e pintores americanos que acorriam à época para França em busca de inspiração; ela sonhava com a “Belle Époque” e surgiu a oportunidade de irem da década de 1920 para o ano de 1890.

Não era a praia de Gil, mas encantou Adriana, a ponto dela ficar lá no “Moulin Rouge” em companhia de Lautrec, Gauguin e Degas…. E daí, Gil volta à Paris e ao presente.

Na minha longa vida no Brasil brasileiro e andanças mundo afora, procuro lembrar-me qual o período de minha vida que mais me encantou. Adolescente quando a guerra acabou, assisti o desfile dos pracinhas da FEB de volta à Pátria; ouvi discursos de Getúlio Vargas falando da sacada do Palácio do Catete com o famoso preâmbulo: “Trabalhadores do Brasil!”.

Votei pela primeira vez da chapa “JJ”, Juscelino e Jango, influenciado por meu pai; não me arrependi; JK e o seu governo implantaram a paz social, trouxeram alegria e esperança; então passei a gostar de política. Estudei teorias e biografias, participei de eventos ainda bem moço como cidadão e já atuando na Imprensa.

Não estou fazendo uma autobiografia e mantenho minha privacidade na convivência familiar; mas uma coisa assumo abertamente: o passado da minha participação política, independente e baseada em princípios.

É por isto que abomino a volta ao passado da roubalheira lulopetista dos governos Lula e Dilma, o tobogã onde escorregou a corrupção e seus participantes corruptores e corrompidos. Assim, aderi à campanha que corre no “X” pela “Convocação imediata do colegiado pleno do STF para derrubar a decisão monocrática que determina a suspenção de multas da corrupção”.

Convido os compatriotas honestos a participar desta luta contra a mais-do-que-perfeita expressão de cumplicidade com o crime do ministro Dias Toffoli, delatado por Marcelo Odebrecht de ter recebido propinas sob codinome de “Amigo do Amigo do meu Pai”.

 

 

DAS SUPERSTIÇÕES

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

A superstição é uma criação humana que atribui influências ocultas ou sobrenaturais a fatos inexplicáveis ou possíveis de serem explicados naturalmente. Esta definição traz a sabedoria dos antigos; eles a usaram como salvaguarda de riscos iminentes.

Quando menino, aprendi com a minha avó Quininha que deixar os chinelos e sapatos revirados chama desgraças e até a morte na família; pois bem, isto serviu para que eu nunca tenha sido mordido por escorpiões, que se escondem nos calçados… Mais tarde, ouvi dizer que “dá azar” passar debaixo de uma escada; claro, ela pode cair e nos ferir, até matar; e por cuidado, evito fazê-lo.

Dizem que quebrar um espelho gera desgraças; claro, os cacos de vidro e sua camada metálica ferem e infeccionam; mas em todas superstições têm o propósito de ensinar ou prevenir. O folclore mundial, e o nosso em particular, injetam uma overdose de exagero e termina caindo no descrédito e na hilaridade.

Crendices em demasia já não assustam. Quem teme ver um gato preto passar à sua frente?… Qual adolescente crê que um trevo de quatro folhas rende sorte no amor e que um galhinho de arruda na orelha afaste o mau olhado?

A influência africana trouxe-nos os “banhos” sendo o de sal grosso que atrai pessoas; vaqueiros garantem que uma ferradura na porta evita acidentes, portugueses creem que uma figa afasta o diabo e nossos índios usavam colares e pulseiras para exorcizar o espírito dos inimigos mortos….

Tais heranças trazem à memória das moças no após guerra que usavam pulseiras de balangandãs com penduricalhos de estrelas, meias luas, tartarugas, olhos, cobras, caveiras, plantas e animais cercados de sortilégios; a famosa cantora Carmem Miranda levou-os para os Estados Unidos, onde se tornaram moda. Lá, os rapazes usavam chaveiros com pé-de-coelho para ter sorte. Ouvi falar agora de uma nova simpatia  para não adoecer: soprar canela em pó….

A palavra Superstição dicionarizada é um substantivo feminino de etimologia latina, (superstitio, -onis) significando medo excessivo dos deuses ou do sobrenatural; e no brasilês, é uma crença religiosa fundada em preconceitos.

O Museu Nacional Romano exibe uma esfera zodiacal de ouro e mosaico, que foi encontrada nas ruínas de Pompeia, cidade sepultada pelo Vesúvio. Foi um símbolo de universalidade que incutia fé e esperança na alta sociedade romana; governantes, intelectuais, militares e recatadas ‘mater familiae’ alisavam o globo por um futuro auspicioso.

Vê-se que a crendice vem de longe; e muito antes do Império Romano, herdeiro da cultura grega. Terá sido da mítica Atlântida? Ou da Arcádia, Egito e China? É muito difícil saber; entretanto, podemos afirmar que apareceu a mais de cinco mil anos.

Evoluiu transmudando-se com o avanço civilizatório. Surgiram os jogos divinatórios e a astrologia, avoenga da moderna astronomia…. E foi perseguida; o Talmude  judaico – a mais antiga versão da Bíblia -, condena a superstição e proíbe a jogos adivinhatórios mesmo praticados por curiosidade ou diversão.

É interessante observar que geralmente as crenças metafísicas, devoções e práticas mágicas, são objetos de rituais secretos, obrigando uma adesão absoluta do seguidor, com deveres e o temor do castigo.

Para compensar, porém, algumas crendices trazem alegria para as famílias e amigos, como assisti em Brasília no Chá de Revelação, jogos para adivinhar o sexo do bebê; e deu feminino, minha futura neta Luísa.

Por outro lado, no cotidiano, a superstição leva ao fanatismo, impregnada na política brasileira e adotada por milhares de psicopatas, seguidores da famigerada polarização entre as falsas direita e esquerda.

No Deuteronômio (18:9-14) está escrito que Deus fez um apelo para que Israel fugisse das superstições como uma abominação ao Senhor. Coisa que muitos “crentes” não cumprem ao mergulhar na politicagem reinante.

Da minha parte, tornei-me supersticioso com polarização perversa:  a falsidade de Bolsonaro e o “13 de Lula” dão azar… rsrsrs.