Arquivo do mês: agosto 2018

NÃO FUI EU

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Se alguém me perguntar/ Irei dizer que não fui eu/Não fui eu” (Paula Fernandes)

A frase “Não fui eu” tem pichação pelo Brasil afora e a não ser o seu autor, ou autores, muitos ignoram tratar-se de uma composição da cantora e compositora mineira, de Sete Lagoas, Paula Fernandes.

Divulgar a música sertaneja de raiz é enfrentar a corrupção dos costumes vexatórios atuais, em que se vê uma mulher defecar em manifestação política (e se orgulhar disso), ou ouvir aplausos na exibição de uma ciranda de pessoas nuas, de quatro, cheirando o ânus umas das outras.

A boa música é uma luz nesses tempos sombrios, em que a arte foge do padrão da beleza e da harmonia, e a cultura é um produto de anomalias cerebrais, de distorções que exprimem o definhamento dos costumes sociais.

Foi o que se deu na decadência de todos os impérios. A História da Civilização capitula a ascensão e o apogeu de estados poderosos, cuja queda se deve à perversão da ordem pública e a degenerescência dos costumes, da ética e da moral.

Conhecemos os antigos exemplos da China, Índia, Suméria, Assíria, Pérsia, Egito, Grécia e Roma, todos desmoronando econômica e politicamente, com as insubordinações sociais, a falência da religião, a discórdia familiar e a falta de perspectiva das novas gerações.

Antigamente este fenômeno de decadência imperial se restringia aos limites do país que passava por esse processo histórico; hoje, a consumação que ocorre nos Estados Unidos da América, por exemplo, é planetária.

A expansão e amplitude dos meios de comunicação e a velocidade das redes sociais, levam ao conhecimento do mundo todos os sintomas do apodrecimento da sociedade americana. O que ocorre na (ainda) poderosa Nação do Norte se espalha pelo mundo e é imitado como caricatura nos países subdesenvolvidos.

Os fascistas de lá, como os daqui, viraram antifascistas, como previu Winston Churchill, o racismo é ambivalente, os sentimentos religiosos são opostos, a exaltação das drogas e a sexualidade é uma constante na mídia.

Com o povo norte-americano visivelmente dividido pelos “antifas”, os seus imitadores do 3º mundo, embora uma minoria ruidosa, se esforçam para substituir a pátria por uma patranha – com a imitação malévola da finada União Soviética –, a URSAL – União das Repúblicas Socialistas da América Latina.

A URSAL apareceu na televisão pela primeira vez no debate dos presidenciáveis da TV-Bandeirantes. Foi uma denúncia do Cabo Daciolo, a quem Dora Kramer chamou de “doido” na Rádio Bandeirantes por pura cretinice ideológica. Este é  o exemplo dos narcopopulistas infiltrados na imprensa brasileira, a negação do jornalismo…

O debate da Band espelhou a triste realidade política que atravessamos numa campanha eleitoral que queima como fogo de monturo; mostrou a indigência dos homens públicos, com raras e honrosas exceções.

“Não fui eu” somente que viu desse jeito. Encontro nas redes sociais numerosas pessoas que veem assim também. Salvaram-se neste modo de ver no encontro dos presidenciáveis, alguns flashes dignos de registro, como a resposta dada pelo presidenciável Bolsonaro à raivosa agressão do invasor de prédios Guilherme Boulos: – “Não vim aqui bater boca com um desqualificado”.

E tivemos Alckmin, com a calma lexotan que o caracteriza, respondendo a Marina Silva que o acusava pela companhia dos apoiadores do Blocão: – “Eu nunca fui do PT, sou de outra linhagem”.

Este “não fui eu”, leva-me às insinuações de Álvaro Dias de que convidaria o juiz Sérgio Moro para ministro da justiça, juntando-se à declaração de Bolsonaro de que indicaria o magistrado da Lava Jato para o STF. Moro comentou:

Reputo inviável no momento manifestar-me, de qualquer forma e em um sentido ou no outro, sobre essa questão, uma vez que a recusa ou a aceitação poderiam ser interpretadas como indicação de preferências políticas partidárias, o que é vedado para juízes“.

IDEOLOGIA DO CINISMO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Nas fases mais avançadas do cretinismo, a falta de ideias é compensada pelo excesso de ideologias”. (Carlos Ruiz Zafón)

Nunca se abusou tanto da palavra “Ideologia” como nos tempos atuais; esta excessiva inconveniência vai dos professores papagaios de slogans partidários à demagogia política dos andares de cima, passando, é claro, pela imprensa a serviço do globalismo.

O verbete “Ideologia”, dicionarizado, é um substantivo feminino que expressa vários significados, tido como algo ideal na formação das ideias, doutrinas ou utopias adotadas por um indivíduo ou uma coletividade.

“Ideologia” foi um neologismo criado pelo filósofo francês Destutt de Tracy (1754-1836) propondo tornar-se uma ciência para pesquisar a origem das ideias humanas às percepções sensoriais do mundo externo. O termo teve um sentido pejorativo de Napoleão, que chamou De Tracy e os seus seguidores de “ideólogos”, como deformadores da realidade.

Apesar das críticas recebidas, o estudo da ideologia se acentuou e o filósofo alemão   Georg Wilhelm Friedrich Hegel aproveitou-o para explicar a abrangente história da filosofia, da ciência, da arte, da política e da religião, nascendo daí o método dialético de análise.

O princípio ideológico original trazia duas concepções: a neutra e a crítica; Karl Marx, filósofo idolatrado pelos comunistas e fascistas (excluindo-se os nazistas antissemitas, por que era judeu), aboliu a crítica e abandonou a neutralidade, resumindo o conceito de ideologia como reflexo da luta de classes, e não como o conjunto de pensamentos de uma pessoa ou de um grupo de indivíduos.

Olhando do ponto de vista de que a ideologia se manifesta pela relação social, a encontraremos na família, na escola, na igreja, nos partidos, nos órgãos civis e militares do Estado e até nas torcidas de futebol…

Ligando a ideologia aos sistemas políticos a visão filosófica atual aponta várias definições, como ideologia anarquista: libertária pela abolição do Estado e de todas as formas de controle de poder; ideologia conservadora defendendo valores morais e sociais; ideologia democrática, participativa e liberal; e ideologia totalitária englobando comunismo e fascismo pretendendo impor um Estado poderoso e onipresente.

Daí temos ideologia da demagogia, da desonestidade, da estética e da paixão… Vulgarizada pela mídia e instrumentalizada por uma minoria ruidosa, surgiu uma tal de “ideologia de gênero”. Seria melhor intitulada “ideologia de gênero zero”, pois defende que a sexualidade humana não é um fator biológico, mas construção social e cultural.

Este lixo se tornou uma bandeira comum ao globalismo e ao narcopopulismo, ambos desejosos de destruir a sociedade tradicional. No Brasil, seus aderentes lulopetistas adotam o princípio de que “os fins justificam os meios”, princípio de outra ideologia, “ideologia do cinismo”.

Presente no cenário eleitoral, não há exemplo mais do que perfeito da ideologia do cinismo vermos pessoas e organizações que acusaram de golpe o impeachment de Dilma. Foram às ruas, puseram bandeirinhas nas janelas, usaram camisetas e botons, e agora se abraçam com os golpistas em vários estados, inclusive nas Minas Gerais, onde a impichada é candidata…

Na mídia sobrepassa esta aberração, com jornalistas cinicamente ideológicos fazendo das entrevistas inquisições, como se assistiu na defunta “Roda” da TV-Cultura com o presidenciável Jair Bolsonaro e a vergonhosa sessão mediúnica do Sistema Globo baixando o espírito de Roberto Marinho para se desmentir de posição assumida em vida…

 

 

CONTA “PRÁ GENTE”

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana…” (Barão de Itararé)

O “conta prá gente” é um bordão pouco inteligente adotado pelos apresentadores de jornais televisivos do Sistema Globo; é tão idiota, que a paternidade é desconhecida, mas adotada coletivamente. Com este cacoete, os telespectadores pagam o preço de serem terceirizados como receptadores de informação… Primeiro contam “prá” eles, depois “prá” nós.

Por usarem e abusarem da subordinação da audiência, redatores e papagaios globais assumem a realidade de possuir o monopólio das invisíveis ondas eletromagnéticas que transmitem o som e a imagem nos ares…

Sendo monopolista, a relação do transmissor e o receptor é ativa e passiva, um impondo ao outro as mensagens idiotizantes pela magia das cores, pelo som harmônico, e a imagem de pessoas atraentes. Enfim, pela ilusão.

Contam prá gente o que querem e o que a gente está obrigado a escutar. Vem de longe essa prática maléfica. Ainda está gravado na minha memória o escândalo da tentativa fraudulenta da Proconsult em parceria com a Globo para derrotar Brizola na primeira eleição após a redemocratização.

Sabem quem seria beneficiado? O Moreira Franco. Sugiro uma pesquisa sobre o assunto, para reforçar a crença de que o abuso de confiança se mantém presente, agora com a urna eletrônica e/ou através de um ministro capaz de fazer o que Dias Toffoli fez, uma apuração secreta.

No caso de Brizola a fraude foi descoberta e denunciada internacionalmente, mas, tanto a facilidade de hackear as urnas eletrônicas como o logro do ministro Toffoli, caíram no esquecimento da massa por que ninguém conta prá ela…

O “conta prá gente” esconde a revoltante situação da Venezuela sob a ditadura Maduro. Fala dos refugiados venezuelanos e de uma “crise”… Que crise? É proibido no Sistema Globo citar a criminosa ditadura de Maduro.

O “conta prá gente” não detalhou o repulsivo vandalismo dos lulopetistas com bombas de tinta vermelha na entrada do STF em Brasília, repetindo, certos da impunidade, o que anteriormente fizeram no prédio onde Cármen Lúcia tem um apartamento em Belo Horizonte.

O “conta prá gente” surfando nas ondas eletromagnéticas do Sistema Globo gasta mais tempo enfocando matérias tipo “doutor Bumbum” do que o assassinato brutal de uma estudante brasileira em Manágua pelas milícias do governo Ortega.

De um lado, pura diversão, pois as cirurgias estéticas de bundas são o cúmulo da imbecilidade massificada; do outro lado, os cuidados para não ofender o governo nicaraguense apoiado por PT, PCdoB e Psol, partidos influentes nos meios da imprensa…

O “conta prá gente” com outro bordão e formatação mais modesta generaliza-se por todos canais de televisão. Tivemos esta prática infeliz a pouco com a degenerescência do programa Roda Viva que já foi exemplo de bom jornalismo.

Em entrevista feita com o presidenciável Bolsonaro foi tão baixo o nível dos seus entrevistadores, repetindo slogans desgastados do Psol, que até ferrenhos adversários do Capitão acharam que ele se agigantou diante deles.

Frente à realidade, o “conta prá gente” olha para trás como as “estátuas de sal” da Bíblia; vê, pela ótica de uma ideologia superada e distorcida, a dívida dos sobas africanos com a escravatura como se fosse nossa; um revanchista conceito da ditadura militar e o sexualismo “politicamente correto”.

Não contam prá gente que a falência do Brasil se deve à incompetência e à corrupção, nos 14 anos de PT-governo. Omitem que a herança maldita do lulopetismo se multiplica e se emaranha na economia e na administração pública.