Arquivo do mês: agosto 2022

CONFISSÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Psicanálise é confissão sem absolvição” (G. K. Chesterton)

Não estou procurando a absolvição de pecados à maneira obscurantista das igrejas Católica e Luterana, conservadoras, nem ao menos revelar culpas; quero manifestar para os colegas do Twitter o orgulho de considerar-me, como jornalista, herdeiro da escrita milenar dos cuneiformes, dos geoglifos, dos hieróglifos e dos ideogramas rupestres.

Trabalhei em jornal desde criança; primeiro incentivado por minha mãe em boletins caligráficos e depois com a máquina de escrever, uma série de mimeógrafos, xerox, e mais tarde, com impressoras tipográficas, rotativas offset e diagramação computadorizada.

Assim sinto-me com moral para comparar o jornalista vocacionado como um liquidificador liquefazendo a informação, o pensamento analítico dos fatos e a crítica construtiva a quem de direito…. Não se limita à perfeição do texto e a elaboração de frases.

Faço-o agora expondo meu comportamento como participante do Twitter e articulista nas redes sociais divulgando opinião política. É meu desejo não fazer segredo (eu, que combato os indesejáveis e suspeitos “sigilos” governamentais) na necessidade que sinto de revelar a minha posição nas próximas eleições.

A palavra “Confissão” é um substantivo feminino vinda curiosamente do latim eclesiástico “confissĭo,ōnis” significando reconhecimento de seus pecados’; no latim clássico significava ‘declaração, reconhecimento’.

Pergunto-me a quem interessará a minha confissão. Espero que sejam aqueles que me honram com a leitura dos meus textos, uma fração selecionada pela personalidade revelada nas mensagens virtuais, independente da opção filosófica, política ou religiosa.  Um público que pensa, sabe pensar e quer pensar.

Como respeito a psicologia de agrupamentos sei de antemão que aqueles que me seguem conhecem a minha posição ante o Governo Bolsonaro, cujo titular recebeu meu voto e me traiu, mostrando-se tão ou quanto corrupto como o adversário que enfrentamos à época.

Também ao se posicionar como inimigo da Lava Jato Bolsonaro aliou-se  aos picaretas do Congresso em nome de uma tal governabilidade, o mesmo argumento dos governos lulopetistas corruptos.

Por isto, a partir da saída de Sérgio Moro do Ministério, assumi o combate, o bom combate ao presidente Jair Bolsonaro e sua execrável patota familiar intolerante e agressiva contra os não seguidores.

Intolerável também a milícia política fanática do cercadinho que os aplaude. Os estúpidos, fazendo-o de graça, e os malandros mercenariamente; os civis como bois de piranha e os militares mamando silenciosamente o duplo salário que recebem.

Do outro lado, lembro a desvairada corrupção dos governos Lula e Dilma, que só o fanatismo cego e uma ideologia distorcida negam, mas os brasileiros honestos não esquecem e não se dispõem a votar pelo retorno dos gafanhotos que o candidato do Partido dos Trabalhadores traria, se eleito.

Analisando desta maneira, venho defendendo uma Terceira Via, que ocorreria com Sérgio Moro, se ele não tivesse sido infantil duas vezes, assumindo um Ministério e depois caído na esparrela de um partido controlado por picaretas.

Pelo exposto, confesso que votarei na chapa das senadoras Simone Tebet e Mara Gabrilli, levado nas asas da esperança que elas trazem como mulheres e pelo comportamento parlamentar delas. Esta é a confis são que faço cordialmente aos leitores dos meus artigos.

VIVÊNCIA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Eu vou no passo do compasso desta vida/ A hora que se passa nunca mais é revivida” (Jorge de Altino)

Entre as coisas boas que idade avançada traz é a acumulação de conhecimentos que nenhum aprendizado familiar, escolar ou mesmo a impregnação da cultura popular é capaz de cobrir. É a chamada “Vivência”, um substantivo feminino que significa a manifestação da vida inteligente do ser humano.

A etimologia da palavra é latina, viventĭa, um acusativo neutro plural de vivens,ēntis, particípio presente do verbo vivĕre: ‘viver, estar em vida’.

Na rica sinonímia de “Vivência” temos “experiência” na linguagem coloquial referida também nos métodos científicos de pesquisa; e, na Filosofia, considera-se todos conhecimentos obtidos por meio dos sentidos.

O poeta e pensador agora pouco divulgado, Fernando Pessoa, exprimiu que “pensar é viver, e sentir não é mais que o alimento de pensar”. Eis a definição do processo de agregar e armazenar na memória o que os sentidos percebem, distinguem e consideram valioso.

Alcançando cerca de 90 anos sempre atento à habitual rotina de observar a natureza, o comportamento das pessoas e as informações trazidas pelos meios de comunicação, penso, procedo e me expresso conforme regras estabelecidas pelo método dialético de avaliar o que vejo e escuto.

Por isto escrevi outro dia, numa referência aos magníficos contos da “Mil e Uma Noites”, ( هزار و یک شب;  em persa), citando que foi a esperta Sherazade a criadora das novelas televisivas e séries cinematográficas; e mais, foi imitada pelo famoso cineasta Alfred Hitchcock com a criação do “suspense”.

A História das Mil e Uma Noites, traduzida em todas as línguas vivas e mortas, começa com o enredo sobre Shahriar, rei da Pérsia da dinastia dos Sassânidas, que traído pela esposa, após matá-la, passou a considerar que nenhuma mulher do mundo é digna de confiança.

Adquiriu assim o hábito de matar todas as cônjuges no dia seguinte à primeira noite do casório; e o fez com várias mulheres que desposou. Quando voltasse da guerra que movia contra um país vizinho, a próxima seria Sherazade.

Inteligente e estudiosa, a futura rainha por 24 horas combinou com a irmã Dinazade um plano para escapar da morte. Pediu ao esposo que deixasse a sua irmã dormir num quarto ao lado deles; Dinazade teve a tarefa de acordá-la antes do amanhecer e pedir-lhe para contar a última história que vinha narrando para ela.

Curioso, o rei Shahriar resolveu ouvir também a narrativa que a esposa desenvolveu; um capítulo cheio de excitações e incertezas de um romance entre jovens apaixonados perseguidos por inimigos. Sherazade, porém, deixou a trama interminável.  Assim, para conhecer o final da história, o Rei poupou-lhe a vida. Vieram a seguir novas aventuras, como o “Ladrão de Bagdad”, “Ali Babá e os 40 Ladrões”, a “Lamparina Mágica”, o “O Gênio da Garrafa”, enfim, mil e um contos que pagaram a sobrevivência de Sherazade e um reinado longo e feliz.

O número “Mil” inspirou uma sábia advertência de Confúcio, exprimindo que “Mil dias não bastam para aprender o bem; mas para aprender o mal, uma hora é demais”. É uma verdade incontestável, ocorrendo diariamente no noticiário político mundial e, especialmente, na revoltante corrupção institucionalizada no Brasil na Era Lula que volta mais forte do que nunca no governo do capitão Bolsonaro.

Ambos corruptos infelizmente polarizam as atenções eleitorais da população ignorante e supersticiosa, sem saber que está crucificada metaforicamente como Cristo, entre dois ladrões. Bolsonaro e Lula exploram o fraudulento discurso ideológico de representantes “da direita” e “da esquerda”, quando na realidade não passam de populistas ambiciosos e desonestos.

Craque da MPB, Renato Russo filosofou que “O céu já foi azul, mas agora é cinza/ E o que era verde aqui já não existe mais…” Na minha vivência, creio mais do que nunca na volta das cores que alegravam o País, aparecendo alguém que, numa 3ª Via eleitoral, derrote o esquema criminoso da polarização!

DEFINIÇÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“És a areia que o vento não leva, o indefinível que teimamos em definir” (Anônimo)

A História do Brasil registra (pena que muitos não estudem esta matéria) que o oficialato militar responsável pela Proclamação da República, definiu o futuro do país sob inspiração positivista com a doutrina: “O Amor por Base, a Ordem por princípio e o Progresso por fim”.

Esta definição vem gravada na Bandeira Nacional, mas é desdenhada pelos arrivistas que assumiram o poder republicano, em vez do amor, pregam o ódio; subvertem a ordem pelo caos; e, trocam o progresso pelo obscurantismo de grupos religiosos politiqueiros.

A palavra “Definição” vem dicionarizada como substantivo feminino de etimologia latina “definitione”, que significa expor com clareza e precisão. Trata-se de um conceito para representar algo concreto na expressão do pensamento; e o interessante é que aparece muitas vezes com uma simplicidade chocante.

Lembro que ouvi em Campina Grande, muitos anos atrás, o grande poeta Raimundo Asfora contar a definição de um menino sobre a água mineral com gás dizendo: – “É uma água cheia de furinhos com gosto de pé dormente”.

Assim constatamos que as crianças dominam com graça e precisão as definições. O raciocínio infantil é impecável, a ver como conseguem antropomorfizar objetos, animais ou até plantas, conversando com eles. Ao tropeçar numa pedra, protestam – “Oh, pedra filha da puta! ”….

Lembro de um sobrinho criado na casa dos avós, que falou para minha mãe na hora da ceia: – “Você diz que esta sopa de legumes é boa só porque vovô gosta dela”; e temos o registro que os norte-americanos fascinados por pesquisas e estatísticas tiveram a informação de que 93% dos filhos garantem que sua mãe é mais bonita do que as outras mães….

Um dos meus filhos escreveu numa redação que a palavra Segredo, “é uma coisa que se diz em voz baixa perto no ouvido de alguém recomendando para que não conte para ninguém”.

Como agora vivemos a Era dos Segredos instituída pelo capitão Bolsonaro, os órgãos governamentais decretam sigilo de 100 anos para casos bestas como um diagnóstico médico do Presidente, e para a “punição” de um general da ativa que quebrou a hierarquia do Exército subindo num palanque político.

Embora sem qualquer explicação, a cidadania fica privada de informações necessárias à sua definição política, principalmente nas vésperas de pisarmos na passarela eleitoral; é um absurdo que nos leva a crer que o silêncio chapa branca é para esconder a verdade.

Com sua reconhecida lucidez, o chanceler Otto von Bismarck – o estadista mais importante da Alemanha do século XIX -, nos legou um pensamento que nos leva a refletir: “As pessoas nunca mentem tanto quanto depois de uma caçada, durante uma guerra e antes de uma eleição”.

Então temos que exigir dos candidatos (todos e principalmente os que representam a farsa da polarização) uma verdade bem-conceituada, em vez das mentiras como as de Lula vociferando contra a corrupção e de Bolsonaro defendendo risonho as liberdades democráticas….

Os tolos e fanáticos aceitam as mentiras dos políticos cultuados por eles; mas a nacionalidade não deve antropomorfizar a pedra posta no caminho do nosso futuro! Não vai xingá-la como a criança, mas removê-la através de uma 3ª Via, por que os velhos políticos devem ser trocados como as fraldas, pelo mesmo motivo. Eis uma definição de Eça de Queiroz….