Arquivo do mês: junho 2017

VENDILHÕES

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus! / Se é loucura… se é verdade/ Tanto horror perante os céus?!” (Castro Alves)

Há uma lição inesquecível no Novo Testamento registrando que Jesus Cristo expulsou do templo os vendedores e os cambistas por duas vezes em três anos. (João 2:13-16; Mateus 21:12-13.

De chicote na mão, Ele, na sua simplicidade, justificou: “Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores.”

Nas religiões, seitas e entre os estudiosos dos evangelhos nem todos aceitam esta passagem, que aos contestadores deixa a dúvida se Jesus era um espírito transcendental ou um ser humano comum.

Os kardecistas aceitam que o fato ocorreu realmente e que foi bem feito, explicando que “um pai que age duramente com seu filho rebelde e desobediente; e como Jesus via o templo como a casa de Deus, perguntam: “Se alguém invade a sua casa você não vai expulsar o invasor? ”

Fabuloso ou não, metafórico com certeza, o caso nos faz refletir que cumpre à autoridade punir e segregar os corruptos, os traficantes e criminosos em geral, principalmente quando influenciam e compram ocupantes do poder, como fizeram com Anás, sumo sacerdote do Templo de Jerusalém, que recebia propinas.

Com os pés na terra, aqui e agora, assistimos que empresários, fraudadores da Lei e negocistas da Bolsa e do Câmbio atuam livremente no País, a nossa Pátria, nosso Templo, financiando legal e ilegalmente mandatários cobiçosos.

Os poderosos no Brasil vão além do varejo da corrupção. Uma informação oficial, do Incra, nos diz que 4,3 milhões de hectares do território brasileiro pertencem a estrangeiros. E mais: 1.200 hectares são comprados por dia por empresas e cidadãos do Exterior.

Grande percentual desta negociata está na Amazônia, que pertence aos brasileiros por tratados internacionais aceitos pelo concerto das nações e ratificados pela ONU.

Porque os governos da Era Lulista e o atual, continuação dos mesmos, insistiram e insistem neste comércio impatriótico e ainda defendem que se façam “doações” e “concessões” de terras a nacionais de outros países?

Representante desta traição à Pátria, o ministro Aloysio Nunes e os seus parceiros no Senado Federal apreciam um projeto que permite uma atuação política de estrangeiros no Brasil, com direito a voto e a formação de partidos.

Num artigo que prende a nossa atenção, a professora Guilhermina Coimbra pede que se informe ao ministro Aloysio para que “não tente agradar amigos de fora do País –qualquer que seja a nacionalidade”, diz bem Guilhermina, por que o território brasileiro está fora de qualquer negociação.

Na verdade, é preciso enxergar que os vendilhões da Pátria estão sozinhos na empreitada de escancarar as nossas fronteiras, e que o povo brasileiro saberá resistir a isto, repudiando a ideia de tornar-se mais tarde refém de forasteiros.

Cabe aos patriotas denunciarem o falso humanitarismo com refugiados que revoga o Estatuto do Estrangeiro, impondo um descarado entreguismo que fere a nossa soberania, ao permitir participação política de estrangeiros, que podem “se ausentar do Brasil, e regressar independentemente de novo visto”; a ponte para a recolonização do Brasil.

Vamos empunhar o chicote da nacionalidade contra a ideologia deturpada ou má-fé, nos contemporâneos vendilhões, que esperam lucrar com essa traficância associando-se e privilegiando os novos bárbaros.

BALANÇA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

                         “A justiça, cega para um dos dois lados, já não é justiça. Cumpre que enxergue por igual à direita e à esquerda” (Rui Barbosa)

Nos dicionários, o verbete “Balança” é substantivo feminino, definido como um instrumento que serve para comparar massas ou medir forças. Foi inventada no antigo Egito, por volta do ano 5.000 A.C. para pesar o ouro, que era usado como moeda de troca.

Era uma barra suspensa, com um prato pendendo em cada extremidade, uma com um peso de determinada medida e a outra com uma peça a ser aferida.

Hoje tem balanças de vários tipos, até eletrônicas, usando uma medida convencionada pelo Sistema Internacional de Medidas, na escala de gramas até toneladas.

Os egípcios representavam as balanças também em várias situações, sendo a mais reverenciada a do Livro dos Mortos, em que é contada a versão do “Julgamento Final”, e daí tornou-se referência ao equilíbrio e imparcialidade nos julgamentos.

Roma adotou a balança como símbolo do Direito, aparecendo também na iconografia da Justiça com outros dois elementos, os olhos vendados e a espada; a balança é o equilíbrio, a venda nos olhos a imparcialidade, e a espada, o poder de decisão.

A minha longeva memória leva-me aos sete ou oito anos, quando vi passando na rua um homem com uma bandeja na cabeça cercado por três soldados da polícia, e disseram que era levado para a cadeia por usar pesos fraudados na sua barraca da feira.

Acho que isto, como a moeda falsa, sempre ocorreu desde a antiguidade e era punida com trabalhos forçados para remunerar os queixantes. O desequilíbrio da balança da Justiça. Porém, era um crime abjeto e o juiz, seu autor, era condenado à pena de morte.

Na atualidade, os crimes praticados na Justiça, da venda de habeas corpus, até a desobediência à Constituição veem sendo vilmente tolerados, e assistimos o que o grande Platão já condenava na Grécia do seu tempo: “O juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”.

No infeliz Brasil, nascido nos catorzes anos da República dos Pelegos que patrocinou a ausência da ordem econômica, jurídica e política, a balança da Justiça tem usado pesos falsificados. Juiz que vende sentenças, desembargador que solta traficante, ministro rasga a Constituição para favorecer quem o indicou.

Assistimos no TSE o tragicômico julgamento da Chapa Dilma-Temer, absolvida tragicamente por excesso de provas, e arrastando a comicidade proporcionada por alguns ministros da Corte.

Escrevi meses atrás (talvez anos) que os brasileiros, diante da arrogância, equívocos, e, porque não dizer, desonestidade nos círculos forenses não tínhamos sequer a “mãe do bispo” para nos queixar… Mantenho esta afirmação, sem desalento, pois acredito que a Nação Brasileira vai corrigir isto, pensando como Millôr: “A esperança é uma espera que não cansa”.

Sei que a História com a sua balança infalível, que “balança, mas não cai”, não perdoará o antipatriotismo reinante nas esferas jurídicas. Os que erraram, por bem ou por mal, deviam ouvir nosso epigrafado, Rui Barbosa; “Nada mais honroso do que mudar a justiça de sentença, quando lhe mudou a convicção”.

 

AMIGOS

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

Não preciso nem dizer/ Tudo isso que eu lhe digo/ Mas é muito bom saber/ Que você é meu amigo” (Roberto e Erasmo)

Amigo é o nome que se dá a alguém com quem se mantém uma relação com reciprocidade de confiança e respeito. A amizade tem por base a solidariedade em qualquer ocasião, como no voto do casamento, cumprindo fidelidade “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza”…

O amigo não tem status temporal, como reconhece o poeta Vinicius de Moraes: “A gente não faz amigos, reconhece-os”. Também não exige equivalência nas ideias e aspirações.

Às vezes é até no desacordo de gostos e vontades que a amizade se fortalece. E é aí que me sinto ligado aos mais de 30 mil seguidores, com quem muitas vezes divirjo e polemizo com lealdade e respeito. Dedico-lhes este texto.

Do outro lado do apreço e da estima, a gíria brasileira registra duas expressões “amigo urso” e “amigo da onça” referindo-se a quem se faz de amigo e na realidade é alguém que trai as amizades, hipócrita e infiel. Aparece também, no Dicionário de Gíria de J.B. Serra e Gurgel como ”trapalhão” e “inoportuno”.

Parece-me que o “amigo urso” é mais antigo, mas menos popular do que o “amigo da onça”, que foi criado por Péricles, chargista que manteve uma página na famosa revista “O Cruzeiro” de 1940 até a morte do autor em 1961.

O amigo da onça aparecia inusitadamente em cena colocando o interlocutor em situação embaraçosa diante dos colegas. Por isso chamar alguém de amigo da onça é uma ofensa.

A cena política brasileira – nessa fase difícil que o Brasil atravessa – mostra-nos mais exemplos de amigos da onça do que relações autênticas entre os políticos. Temos um exemplo pronto e acabado de traição entre os “amigos” de Lula da Silva e dele próprio.

Os parceiros de Lula que usufruíram e se beneficiaram com as falcatruas por ele proporcionadas no exercício de 14 anos de poder, hierarcas do PT e empreiteiros, abandonaram-no, denunciando-o nas delações privilegiadas perante o Ministério Público. Lula, por sua vez, descarta qualquer um que lhe comprometa, mentindo e difamando.

Tornou-se corrente no mar de lama da corrupção e na consequente onda de delações, o desprezo pelo socorro tão comum entre bandidos. A chamada classe política e, principalmente a prática do lulopetismo não tratam com a mesma ética da criminalidade comum… Bandido político é indecoroso.

Este quadro coloca o nosso País na situação vergonhosa de ver a deterioração da Democracia e da própria República. As negociatas praticadas mancham o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. É inegável que a crise brasileira é institucionalizada pela substituição de estadistas e líderes por criminosos da pior espécie.

As múltiplas delações mostram uma mancha indelével no mapa do Brasil. Salva-se, para estimular a esperança que temos de nos livrar deste mal outro tipo de “amigo”, além do “amigo urso” e do “amigo da onça”. Está na expressão militar de “fogo amigo” referindo-se a projéteis disparados ou bombas lançadas por engano sobre tropas aliadas.

O fogo amigo do TSE quis salvar Temer e acertou na Justiça, perdoando a organização criminosa do PT e seus satélites, e dos agentes de outros partidos vinculados com empreiteiros, lobistas e doleiros. A varredura posterior será a ação de faxina do Ministério Público, Polícia Federal e do juiz Sérgio Moro, que levarão fatalmente todos os corruptos para a prisão. Sob aplauso da opinião pública

 

FANATISMO(2)

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected]

            “Na superabundância ou na miséria, / Verme – é o seu nome obscuro de batismo”.                  (Augusto dos Anjos)

Eu estava lendo Jorge Santayana num desses fins de semana e me deparei com uma frase que chamou atenção: “O fanatismo consiste em redobrar o próprio esforço quando nos esquecemos do objetivo”. Este pensamento acrescentou-me mais uma lição sobre a realidade em que vivemos.

E lembrei-me de um texto lido há muito no livro “O Zero e o Infinito”, em que o autor, o jornalista Arthur Koestler (do tempo em que os jornalistas eram respeitados) transcreve a descrição de um velho comunista, fundador do Partido Bolchevique da URSS, dissidente do regime stalinista.

Decepcionado, com os desvios da revolução russa comandados por Stálin, falou sobre os restos do partido: “Como as unhas e os cabelos dos mortos continuam a crescer, as “bases” ainda se movimentam e se reúnem como vermes num cadáver em decomposição. Pequenos grupos continuam cumprindo as tarefas divulgando as palavras-de-ordem dos dirigentes bem situados e enriquecidos no governo”.

Como os estudos do corpo humano ensinam, os vermes vivem dentro dos nossos intestinos, alimentando-se da nossa comida e sangue. Eles causam dor de barriga ou diarreia, e drenam a nossa energia.

A exposição da denúncia política e da helmintologia (ramo da zoologia que investiga os parasitas) enquadra perfeitamente os fanáticos que continuam cultuando o degenerado pelego Lula da Silva, corrupto e corruptor, e se mantém ululantes no partido suicida com o veneno da cobiça.

Não há melhor comprovação disto com a eleição da senadora Gleise Hoffman para a presidência da sigla, uma ré comprovadamente envolvida em propinas e associação criminosa com o marido para explorar aposentados e pensionistas.

O alimento dos vermes fanáticos é a distorção da realidade e versão fraudulenta da História, recontada de modo a justificar os crimes cometidos na aliança bastarda do PT-governo com empresários desonestos.

Assim, pelo controle de certos meios de comunicação e na ação coordenada de professores engajados na ideologia falida das experiências realizadas, encontramos elogios ao bolivarianismo que destruiu a economia venezuelana e impôs uma férrea ditadura no País.

As inverdades históricas, referindo-se a entidades, regimes e personagens, levam-nos ao totalitarismo que George Orwell mostrou magistralmente no seu “1984”. Ali, um sistema tirânico criou o Ministério da Verdade para recontar a História.

Manipulando a informação para o domínio do partido, criou a “novilíngua”, o “duplipensar” e a “multabilidade do passado”, e com eles estabelecendo os princípios dialéticos de “Guerra é Paz”, “Liberdade é Escravidão” e “Ignorância é Força”.

Não é isto o que se vê hoje na mídia, nas cátedras e nos argumentos da militância lulopetista? Na sua interpretação, crime é “erro” e criminoso “herói”. Pensam, não com a conjuntura, mas como movimento comunista do século passado.

Nos discursos, pregam a Paz e a Democracia, na prática, ameaçam “derramamento de sangue” contra seus contraditores e defendem as ditaduras “amigas”. E, durante 14 anos de poder, instituíram uma educação que deseduca e institui a ignorância.

Para melhor descrever os fanáticos que restam, nada mais adequado do que a lição de

Leonardo Sciascia: “Uma ideia morta produz mais fanatismo do que uma ideia viva; ou melhor, apenas a morta o produz. Pois os estúpidos, assim como os corvos, sentem apenas o cheiro das coisas mortas”.

SÍNDROMES

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“A medicina cura as doenças do corpo. A sabedoria liberta a alma das paixões” (Demócrito)

É preciso não confundir “complexo” com “síndrome”. O “complexo” nasceu de uma inspiração de Freud na tragédia grega Édipo Rei, estudando os desejos amorosos do menino pela mãe. Veio depois o lado feminino das meninas em relação ao pai que ficou conhecido como Complexo de Electra.

Estudados pela psicanálise há um sem número de complexos, que se caracterizam por falta de clareza, de difícil entendimento, e, portanto, são estudados sob os mais diferentes pontos de vista. Vão do “complexo de castração” até o “complexo de Deus”, sendo este último muito comum entre aprendizes de ditadores…

Distingue-se do complexo a síndrome. Esta define as manifestações clínicas de uma ou várias doenças. Bastante comum na Medicina e na Psicologia a palavra síndrome vem do grego “syndromé”, significando “reunião”. Para complicar, usa-se a síndrome em diagnóstico de doença pouco esclarecida, embora com os seus sintomas e sinais.

Um verbete das enciclopédias ficou muitas vezes citado nas redes sociais: a “Síndrome de Estocolmo”, que caracteriza a patologia resultante de um sequestro que ocorreu em 1973 na capital sueca, em que a vítima se identificou com seu raptor e passou a defende-lo.

Muito estudadas são as síndromes de Peter Pan, um trauma que bloqueia a maturidade do homem e a de Cinderela, mulher que espera o príncipe encantado…

Li outro dia o livro de Carmen Posadas “A Síndrome de Rebeca”. Interessantíssimo para os da minha geração e dos cinéfilos que cultuam os filmes clássicos. Vem de um livro de Daphne Du Mauruer, que foi levado ao cinema e só é encontrado atualmente nos sebos…

A Escritora fez questão de, na apresentação, esclarecer que não é psicóloga, nem socióloga, nem antropóloga, nem qualquer outro “loga”. Se confessa ser apenas uma observadora das reações humanas.

Como a grande maioria dos meus leitores e seguidores no Twitter e no Face Book são jovens, é bem possível que não tenham assistido a fita, nem lido o livro. Rebeca é um drama que se passa no interior da Inglaterra, tendo como cenário a mansão de Manderley, pertencente ao milionário Winter.

Viúvo de Rebeca, uma mulher bonita e carismática, perdeu-a tragicamente, afogada numa tormenta, e Winter se casa de novo com uma jovem simples que, encarnando uma “Gata Borralheira”, chega à casa senhorial onde ocorreu a tragédia. Lá, a moça se envolveu num jogo diabólico da governanta, sra. Danvers, que venera a memória da antiga patroa.

Ali tudo lembra Rebeca. Cuja letra inicial do nome está em todas as coisas, como monograma nos papéis de carta e nos guardanapos; até o perfume exalado no castelo era o preferido de Rebeca. Apesar deste culto à memória de Rebeca, o sr. Winters mudou-se da alcova que compartilhava com ela e terminou mostrando que a odiava…

No final, o solar de Manderley termina se incendiando e livrando a nova sra. Winters do pesadelo que viveu.

Está chegando a hora de incendiar o Brasil transformado na grande mansão dos Winters e livrar o povo brasileiro de uma síndrome política, que se abateu sobre homens acriançados, ansiando pela ingênua transformação do mundo, e de mulheres que transferem a afetividade amorosa pelo culto à personalidade de um político.

Também não me assumo como psicólogo, sociólogo ou antropólogo, mas descobri para estas pessoas as síndromes “de Guevara” e “de Olga”, que os levam a sonhar com revoluções aos moldes do século passado querendo até restaurar o falido regime stalinista.

Os guevaristas e as olguinhas fanáticos pelo sistema corrompido e corrupto do lulopetismo, e pelas doentias aspirações pervertidas, participam da minoria ruidosa e se tornam terroristas a serviço da organização criminosa com o monograma “PT”…