Artigo

REVISÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Precisamos promover a coragem onde há medo, promover o acordo onde existe conflito, incentivar a esperança onde há desespero” (Nelson Mandela)

Curiosamente nascido na Índia colonial inglesa em 1903, George Orwell é considerado um dos maiores escritores europeus do século XX, e segundo a crítica, o melhor cronista da cultura inglesa.

É difícil escolher o mais importante dos seus livros, considerando como clássicos, “Dias na Birmânia”, “Moinhos de Vento”, “A Filha do Reverendo” e os mais populares entre eles, “A Revolução dos Bichos” e “1984”.

Não é por acaso que os dois últimos se tornaram best sellers mundiais. Tratam-se de discursos anti-totalitários tão contundentes que foram considerados responsáveis intelectuais pela desconstrução biográfica de Stálin e o desmoronamento do estado policial que dominava a União Soviética.

O “1984” é uma novela que tem como cenário um império ditatorial sempre em guerra contra outros países usando a propaganda de exaltação patriótica para controlar os cidadãos em cada gesto, cada fala, e, por artifício tecnológico, vigiando-o em qualquer lugar onde se encontre.

O pior é a concentração do poder nas mãos de um ditador cuja administração partidária repressiva mantém um “Ministério da Verdade” com objetivo de criar uma realidade paralela, pela revisão histórica, censura literária e jornalística, falsificação de documentos e fraudes relacionadas com o passado antes do partido tomar o poder.

Através de um mecanismo criptográfico, o Ministério da Verdade mantém uma “novilíngua”, certa terminologia partidária e governamental que distorce o significado semântico do noticiário sobre a guerra, reverte informações estatísticas da economia e produz pesquisas de opinião enganosas para o grande público.

Enfim, fazendo-se uma síntese curta e grossa, resume-se: a função do Ministério da Verdade é mentir produzindo oficialmente o que chamamos de fake news.

Com esse conhecimento, vemos que não é só na ficção orweliana que assistimos tais práticas revisionistas; a História da Civilização está cheia de capítulos sórdidos de adulterações dos fatos e de perfis pessoais.

Garimpando alguns exemplos, temos a imolação do Grão-Mestre dos Templários, Jacques De Molay, acusado por falsas testemunhas junto com seus companheiros, de invocar o demônio e realizar “missas negras”. Esconderam as lutas travadas por eles para libertar os lugares santos da Palestina e a divulgação mundial da cruz como símbolo do cristianismo.

Os ardis foram tramados e executados somente para satisfazer a ambição do rei Felipe de França e a insanidade obscena do papa Clemente 5º. Observe-se que esta fraude se estendeu por centenas de anos pela perseguição à Maçonaria, obrigando os seus seguidores atuarem na clandestinidade.

Não causa perplexidade encontrarmos ainda hoje defensores de Adolf Hitler cuja loucura levou à morte cerca de 75 milhões de pessoas somente pelo fato de serem ciganos, eslavos, homossexuais e judeus. Para os neonazistas, o mundo seria feliz sob o domínio dos brutais e agressivos agentes das SS, defendendo por isto ditaduras e torturas.

Sobre revisões típicas do Ministério da Verdade, chega-nos às mãos cópias xerocadas de atividades sócio-políticas no Brasil que parecem extraídas do livro de Orwell. Vê-se apagarem a passagem corrompida, corrupta e corruptora de Lula da Silva e do seu partido, o PT, no governo federal.

Engenhosos embustes para suprimir o passado saem das oficinas dos poderes republicanos e em especial no Executivo, funcionando nos porões do Palácio do Planalto em obediência à distorcida e subversiva ideologia do capitão Bolsonaro. Vê-se agora o diversionismo manobrado para defenderem a corrupção do pastoril no Ministério da Educação.

Com um pouco de bom senso e critério, enxerga-se o assalto ao Erário na mais perfeita ação corrupta e corruptora dos tempos lulopetistas; e fica claro o envolvimento do ex-ministro pastor Milton Ribeiro, confessor da Primeira Dama.

Não se exige sequer uma ativa vigilância para se ver o Brasil espremido entre a nojenta polarização dos extremismos populistas “de direita” e “de esquerda”, defendidos por comissários civis e fardados falseando a História e alterando as biografias.

E no mundo fantástico do revisionismo polarizado, salvam-se o Pelegão condenado por corrupção e lavagem de dinheiro e o Capitão afastado do Exército por indisciplina, insanidade mental e subversão.

Sem revisões, acredito no surgimento de um fato novo que intervenha nas eleições e facilite o surgimento de um nome que represente a 3ª Via.

SOLDADOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O Exército deveria ser o grande mudo, pronto ao sacrifício pelo bem da Nação, sem, contudo, intervir em mesquinhas questões de politicagem” (Marechal Rondon)

Os atributos do soldado são muito reconhecidos nas guerras. Lamentados pela morte ou ovacionados nos desfiles, são heróis e patriotas; mas a consagração em tempo de paz é rara; e. no Brasil, muito poucas.

Um soldado, pelo espírito desprovido de individualismo, pelo poder de decisão e da audácia para enfrentar o desconhecido foi o marechal Rondon. Nascido em 1865 no atual Município Santo Antônio do Leverger, Mato Grosso, foi batizado como Cândido Mariano da Silva Rondon, e formou-se engenheiro militar na Escola Militar da Praia Vermelha, Rio de Janeiro.

Segundo um dos seus biógrafos, Rondon e os expedicionários civis e militares que o acompanharam percorreram a pé, em lombos de mulas ou em frágeis canoas, cerca de 77.000 quilômetros (quase duas voltas em torno da Terra), desbravando os sertões brasileiros.

Nestas expedições, implantou o primeiro sistema de telecomunicações no país, conseguindo integrar dois “brasis” que não se falavam: o “Brasil do litoral” com o “Brasil do interior”.

A minha geração familiar (só restamos três) aprendeu a admirar e respeitar o Marechal pela transmissão de histórias sobre ele contadas pelo meu avô, Henrique Miranda Sá, falando das suas incursões por regiões isoladas do Centro-Oeste e Norte. Meu avô de quem mantenho o nome, acompanhou Rondon, trabalhando na construção e instalação da rede de telégrafos do País.

É de lembrar que o Marechal foi responsável pela implantação da primeira linha telegráfica, idealizador do Parque Nacional do Xingu e do Serviço de Proteção aos Índios, SPI, do qual foi diretor.

Além de perseguir o progresso da Nação, o marechal Rondon viu como estratégica a presença dos índios no Brasil Central e na Amazônia pela sua utilidade como guardiães da floreta que protegiam contra incursões ilegais de garimpeiros, madeireiros e posseiros denunciando ilegalidades aos órgãos competentes.

Para ele, uma floresta habitada é uma floresta preservada, razão por que se deveria pacificar os índios, respeitando os seus costumes e tradições, e pela sua formação positivista, os contatos iniciais com tribos isoladas deveriam ser cuidadosos e amistosos obedecendo a máxima: – “Morrer, se necessário for matar nunca! ”.

Esta exigência da floresta ser habitada por índios e com aqueles que com eles convivam fraternalmente respeitando sua cultura e modo de vida deveria ser estimulada; nunca, jamais, por garimpeiros, madeireiros, posseiros e traficantes delinquentes, que são abonados por ministros do Governo Bolsonaro.

Esta invasão de bandidos resultou no brutal assassinato do sertanista brasileiro Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, cometido por capangas certos da impunidade que vem ocorrendo há anos na Amazônia, agora abandonada delituosa e perversamente para deixar a boiada passar como quer o Presidente.

Com vistas nesta criminosa situação, o oficialato militar que estudou a vida do Marechal Rondon nos bancos escolares, deve se envergonhar do que vem ocorrendo na atual política governamental contra o meio ambiente, e na abertura dos territórios indígenas “para a boiada passar”.

O soldado brasileiro que sempre manteve uma posição patriótica em defesa da integridade territorial do Brasil, não pode seguir agora a ideologia enfermiça que vem sendo implantada pelo capitão Bolsonaro para desagregar o País.

Seguindo o exemplo do marechal Rondon devem defender a vida e não a aventura egocêntrica de um renegado do Exército por subversão e insanidade. Ele está lembrado numa passagem do livro ”César e Cleópatra” de Bernard Shaw; este notável escritor e filósofo irlandês pôs na boca da estátua do deus Ra as palavras: “O caminho do soldado é o caminho da morte; mas o soldado que não se desvia dele em defesa da vida é um imbecil”.

É um preceito que não deve ser esquecido. Os quarteis que barraram a tentativa do golpe de 7 de setembro são ocupados por soldados herdeiros da glória de Rondon e certamente defenderão a vida contra a insânia assassina dos inimigos do Meio Ambiente.

 

LUCIDEZ

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A claridade é uma justa repartição de sombras e de luz” (Goethe)

No meu último artigo, “Dialética”, deixei de lado o silêncio sobre as críticas que recebo, e numa delas – faz algum tempo – fui acusado de esquecer a minha laicidade político-religiosa para defender o Papa Francisco.

Não nego que vejo como positiva para a Igreja Católica e para os autênticos cristãos, a presença do cardeal presbítero Jorge Mario Bergoglio, o argentino que atualmente se senta no trono de São Pedro.

Esta posição deve-se à percepção de que Francisco levou para Roma uma visão nova, arejada, experiente e, sobretudo, corajosa. Não é por acaso que é um Jesuíta; e assim sendo levou-me a uma narrativa que ouvi do padre José Maria, meu primo já falecido.

Esse meu parente sacerdote, cristão convicto de vocação eclesiástica, abandonou a batina para se casar, forçado pelas cretinices herdadas de estúpidos dogmas e das imposições imperiais do imperador Constantino que nada têm a ver com Jesus Cristo.

A história é a seguinte: – “Reunidos certa noite quatro religiosos, um beneditino, um capuchinho, um dominicano e um jesuíta liam o breviário. Uma pane na energia apagou a lâmpada. Daí, falou o capuchinho: – Continuo o breviário no escuro, pois conheço-o de cor.

“O beneditino então sugeriu que se abandonasse o breviário e conversassem sobre a origem da Criação pelas palavras de Deus, “Faça-se a luz”. Pegando a palavra, o dominicano discursou sobre a vontade de Deus na origem de tudo.

“O jesuíta havia se afastado, e mal se fez silêncio na interlocução dos colegas a iluminação voltou. Ele fora trocar o fusível e iluminou o ambiente…”.

A praticidade dos membros da Companhia de Jesus é um dos motivos que me faz dar crédito ao Pontífice na condução dos destinos da Igreja Católica. Embora não seja católico e, em matéria de religião, um agnóstico, acato e respeito a fé dos cristãos, como admiro o humanismo dos budistas e o fervor dos islamitas.

Pela independência em torno das ideias que insisto em manter, sinto-me liberto dos preconceitos políticos, religiosos e sociais; e quando da coroação do Papa Francisco estava de passagem por Buenos Aires, cidade que me fascina e reforça a minha admiração pelos argentinos.

Estava na capital platina quando a fumaça branca anunciou a eleição do novo papa. Pensei que encontraria à venda fotos e botons de Francisco para levar para amigos católicos no Brasil, mas procurando-os em Buenos Aires nada achei.

Lá em Buenos Aires, tenho um amigo comunista que é dono de uma banca de jornal na calle Florida, a quem perguntei qual a razão desse desprezo por um conterrâneo, no que ele, no seu sectarismo ideológico, foi curto e grosso dizendo-me –: “Precisamos de tempo para apreciá-lo por que nunca se sabe de que lado ele está…”

A desconfiança de fazer prognósticos sobre o papel de um indivíduo assumindo o poder, me parece correta. Fi-lo com relação ao capitão Bolsonaro; depois, revoltado com a sua traição às promessas de campanha, com a decepção que cresceu pelas suas mentiras cínicas em defesa dos filhos e contra a Lava Jato, tornei-me opositor um dia após Sérgio Moro sair do Ministério.

Segui o caminho de quem é patriota e combatente contra a corrupção; é impossível que se aceite a aliança silenciosa do bolsonarismo com o lulopetismo, pela impunidade dos corruptos, igualando-os e juntando-os na fotografia em grande angular do extremismo populista e delinquente.

Segundo Tolstoi a lucidez deve chegar ao limiar da alma; por isso estou à espera de alguém, não importa cor, sexo, religião ou partido, que se candidate a trocar os fusíveis, e que se faça a luz para a Nação Brasileira.

DIALÉTICA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Não se pode mergulhar duas vezes no mesmo rio; ambos não serão os mesmos na segunda vez” (Heráclito)

A Dialética é o processo analítico do pensamento filosófico, desenvolvido desde a antiguidade clássica, velha Grécia de Platão, Aristóteles e Heráclito de Éfeso (nosso epigrafado), um dos principais filósofos pré-socráticos.

Heráclito precedeu os filósofos modernos com a enunciação da pessoa e do rio que se tornam outros na segunda entrada, porque a correnteza leva as primeiras águas e a biologia orgânica sofre mutações em fração de segundo.

Mais tarde, Friedrich Hegel demonstrou a Dialética como método analítico, teoria que foi apropriada por Karl Marx, para aplicar para explicar o movimento contraditório da História da Humanidade como a história da luta de classes.

Enquanto Marx usou a Dialética no materialismo histórico, Hegel com isenção ideológica mostrou que o método é uma razão que se autogera, auto diferencia e auto particulariza. Embora com abordagem diferente, é válido na análise dos fatos econômicos, políticos e sociais.

A base fundamental da análise dialética é a busca da contradição presente na Natureza e na realidade da vida excluindo a visão unitária na condição natural, deduzindo-a como uma unidade diferenciada; apresenta oposições íntimas como afirmação (tese) e a negação (antítese), que confrontadas, resultam numa conclusão (síntese).

A aplicação básica desse processo obedece à sistemática da afirmação e da negação, uma contradição semelhante ao milenar princípio da filosofia chinesa em que yin e yang são duas energias opostas e complementares.

Do mesmo jeito como o taoísmo descreve duas forças fundamentais opostas e complementares, a dialética vê na contradição o resultado sistemático de um fato. É assim que faço nas minhas observações da política, tentando encontrar o efeito final do raciocínio.

Estas divagações ficariam melhor num estudo acadêmico, mas estou fugindo do meu contumaz estilo para enfrentar críticas em postagens a mim dirigidas.

Uma delas foi a divulgação de um artigo de Madeleine Lacsko que considerei “uma perfeita contradição dialética”, pela colocação no caso revoltante da ação da Polícia Rodoviária Federal em Sergipe, levando à morte um cidadão numa improvisada câmara de gás.

A articulista reviu a primeira nota da PRF classificando o episódio “como uma fatalidade desvinculada da ação policial” e o capitão Bolsonaro, defensor da violência, classificou o caso criminoso como “exageros e pressão da mídia”. Analisando-os, Madeleine concluiu que essas posições não defendem a polícia, ao contrário, abate e aniquila a força policial.

Trata-se de uma conclusão dialética, como ocorre com a outra postagem feita sobre o alerta da Rússia protestando contra o envio pelos Estados Unidos de foguetes avançados para a Ucrânia, jogando mais lenha na fogueira. Intitulei a nota como “Provocação inconsequente de Biden” o que valeu uma crítica.

Por fim, retuitei uma mensagem de @MariaLCAb em que ela diz que “o bolsonarismo é um lulismo de direita. São siameses. Defendem com unhas e dentes as tramoias dos do lado deles”. Na minha análise, a contradição entre os populismos auto-assumidos como “de direita” e “de esquerda” são apenas investidas divergentes para conquistar votos e tomar o poder.

Diante disto, um povo culto e patriota não deve aceitar sem analisar e refletir o que nos reserva o futuro do País nas mãos de um ou do outro. A polarização eleitoral estapafúrdia de Bolsonaro e Lula é antipovo e antinacional; pelo estudo dialético, a semelhança avessa dessas forças nos leva pelo raciocínio lógico à síntese original: a Terceira Via para derrotá-las.

 

 

IGUALDADE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros.” (George Orwell – A Revolução dos Bichos)

O dístico Liberdade, Igualdade, Fraternidade (Liberté, Egalité, Fraternité) surgiu na Revolução Francesa e conquistou o mundo como princípio fundamental da Democracia. A Liberdade pertence à Política, a Igualdade à Justiça e a Fraternidade à solidariedade humana.

O amor inspirador revolucionário contra o despotismo monárquico foi o jornal “O Amigo do Povo” dirigido pelo médico, filósofo, cientista e jornalista político Jean-Paul Marat, assassinado tragicamente por Charlotte Corday, agente dos girondinos seus inimigos que tramavam a restauração dos direitos da nobreza derrubada.

Foi de Marat através do “L’Ami Du Peuple”, a defesa da Igualdade entre os direitos do povo, e até hoje tem presença marcante na psicologia das multidões e nos programas partidários de direita e de esquerda.

Nunca vigorou em nenhum país, nem nas democracias, nem nos regimes totalitários. No Brasil aparece apenas nos discursos demagógicos dos políticos e, ao contrário, mantém-se vigorando em copiosos exemplos de discriminação contra minorias.

A trágica amostra da desigualdade está exibida na vitrine da Era Bolsonarista: a funesta e revoltante abordagem de agentes da Polícia Rodoviária Federal do cidadão Genivaldo de Jesus Santos, xingado, chutado, esbofeteado e imobilizado com os braços e pernas amarrados.

Indefeso, Genivaldo foi jogado no porta-malas da viatura da PRF onde um dos agentes jogou uma bomba de gás de pimenta, matando-o sufocado. Qual foi o crime que ele cometeu?

Segundo o relatório da ação policial estava dirigindo uma moto sem capacete, sendo por isto parado e revistado antes de sofrer “mata-leão” pressionado no pescoço e o tórax. Quando foi aprisionado na câmara de gás um dos assistentes da cena gritou: “Vai matar o cara!”, sob a indiferença e até chiste dos policiais.

Reportando o acontecimento, o jornal britânico The Guardian apontou que o brutal assassinato ocorrido em Umbaúba, no sul de Sergipe, coincidiu com o segundo aniversário da criminalidade policial de George Floyd nos Estados Unidos.

O triste é se constatar que dirigir motocicleta sem capacete é uma repetida exibição do capitão Bolsonaro, exemplo delinquente nunca reprimido e sem sofrer sequer uma advertência a não ser pela mídia “oposicionista”….

É esta a “Igualdade” que revolta e repugna as pessoas decentes no Brasil e com repercussão internacional.

Para chocar ainda mais a opinião pública, a inicial justificativa da PRF não condenou a prática criminosa dos seus agentes e deu conhecimento de que a utilização de espargidor de pimenta e gás lacrimogêneo foi considerada na nota oficial como “instrumento de menor potencial ofensivo” em ambiente externo e à distância.

Este “instrumento” vem, entretanto, sendo usado em ambientes fechados por outras polícias em vários estados do País, com apoio e aplauso do Governo Bolsonaro. A reportagem policial encontrou sentenças judiciais com relatos de 18 homens que receberam gás de pimenta confinados em viaturas de diferentes forças policiais em casos ocorridos nos últimos 12 anos.

Sempre aplaudidas pelos círculos que se assumem como “conservadores” e “de direita”, estas ações violentas são procedimentos que atentam contra os Direitos Humanos e principalmente contra a premissa da Igualdade.

Montesquieu escreveu que “O amor da democracia é o da igualdade”, seguido pelo libertário Malcolm X, que conscientiza a nossa luta pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade: – “Não lutamos por integração ou por separação. Lutamos para sermos reconhecidos como seres humanos”.

VILÕES

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O meu nome é Cobblepot seu cretino! Você acha que meus pais me chamaram de Pinguim?”  
(Vilão da HQ)

O genial Gilberto Freire nos deixou uma acurada análise sociológica sobre os vilões e heróis no romance brasileiro, relacionando esteticamente nossos autores com os clássicos da literatura mundial.

Freire destaca ao lado dos heróis, uma heroína – Capitu -, que ressalta e enaltece a sublime característica das figuras femininas de Machado de Assis à sua época; vê nela uma “personalidade controvertida” e não hesita em compará-la com a Mona Lisa, pelo sorriso dúbio que “a torna uma Gioconda brasileira morena, talvez mestiça”.

Para além dos heróis de ficção, aparecem os vilões. Nesta categoria, sobressai com a referência inicial o “antropologicamente inclassificável” Macunaíma, que, independente da origem, cor ou criação, é o protótipo da maioria dos políticos brasileiros.

E no tabuleiro parlamentar, as pedras do jogo, brancas ou pretas indiferentemente, ocupam as bancadas de acordo com a vilania de peões e bispos…. Há torres militares e também cavalos indóceis; os fardados são oportunistas e os cavalos relincham o terrorismo.

Temos figuradamente reis e rainhas. Reis republicanos e rainhas sabidas. Com vilania e vileza, os coroados se arrumam com cartões corporativos, invenção gananciosa de FHC para esconder o alcance do dinheiro público pelos ocupantes do poder.

Não é absolutamente por acaso que agora no jogo eleitoral, dois semelhantes pelo egocentrismo e a avidez desmedida, se confrontam com o olho gordo no Erário. Um deles já esteve com a chave do cofre no bolso; o outro vive a experiência em família….

Sem medo de dar os seus nomes, Bolsonaro e Lula, sabemos que nada têm de tolos. O que se assume fraudulentamente “de esquerda”, é formado na escola da pelegagem sindical e mostrou, como ocupante da presidência, o que é; até Medidas Provisórias assinou para favorecer um filho.

O que se diz mentirosamente “conservador” e “de direita”, vem ensaiando a entrada no fundo falso da corrupção sob a cortina de fumaça de ataques contra o Estado Democrático de Direito. Enfrenta o Judiciário através de paus mandados ou de motu próprio, exaltando a desobediência à Lei.

Ambos são semianalfabetos favorecidos pela esperteza e pela sorte. Imaginamos como, no seu primarismo, Bolsonaro e Lula terão a capacidade de imaginar a História julgando-os daqui a 50 anos. Uma provável projeção futurológica irá descompor suas personalidades psicopáticas reverenciadas por seus seguidores fanáticos.

É claro que sempre restarão descendentes dos deslumbrados por mitos artificiais, como há saudosistas de Hitler e de Stálin…. Ficarão chocados com a revisão histórica, do mesmo jeito como os italianos defendem a farsa de Rômulo e Remo amamentados por uma loba.

A projeção futurológica – sem nenhuma ficção – registrará a realidade que vivemos e o perfil símile no descaramento dos candidatos que polarizam artificialmente a disputa eleitoral. Atacam-se para sobreviver, conscientes de que um depende do outro, e neste despudor conseguem enganar alguns por algum tempo; mas certamente não poderão enganar a todos todo o tempo.

Esta paráfrase de Abraham Lincoln é perfeita para abrir os olhos e tirar a cera dos ouvidos de quem ainda está sendo embromado e alimenta inconsciente esta polarização dos vilões presidenciais.

Creia-se ou não se creia em pesquisas de opinião pública, elas indicam do mesmo jeito como a observação geral que ambos polarizadores ficam na margem de erro dos 50% do eleitorado….

Assim esperamos o pronunciamento da maioria (ainda) silenciosa em apoio à 3ª via confinada nos subterrâneos, omitida e negada pelos vilões da mídia comprada sob os ataques dos grupos de pressão por velhacos mercenários.

 

A FAMA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Pilatos fez o que fez, e ainda entrou na oração” (Falcão)

No tempo em que a mídia semi-monopolista se agita citando ex-bbbs, bbbs e futuros bbbs, é tempo de se falar sobre a fama. Para os donos e controladores das tevês patrocinadoras do show dá muito dinheiro e, além do prêmio para os protagonistas proporciona “fama”. Muitos viram celebridades.

A Celebridade é prima-irmã da Fama. É repetida como elogio por centenas de vezes pela meia dúzia de três ou quatro cronistas esportivos, políticos e sociais que ocupam espaço na mídia; mas sofreu o inteligente comentário de Paul Laffitte dizendo que esta presença na imprensa dura até surgir outro qualificativo para seus eleitos.

Quando é autêntico, não precisa dos camelôs do fuxico. Lembro que Einstein, conquistou o galardão de maior cientista do século sem precisar da mídia e ganhou dois prêmios Nobel apenas pelo seu trabalho.

Personalidades como o cantor Carlos Gardel e o ator Rodolfo Valentino falecidos ainda jovens, deixaram milhares de viúvas saudosas, exclusivamente com a sua arte.

Quando a Celebridade é circunstância da publicidade de quem adquiriu popularidade e prestígio, dura pouco; a Fama vai além, não vigora pelas 10 mil repetições robotizadas; vence pelo espontaneísmo e duplicidade, primeiro, por ser original e depois por ser negativa ou positiva.

Gosto muito de citar um exemplo de fama publicado pelos jornais nos meados do século passado, reportando o caso ocorrido quando a rainha da Inglaterra (ainda no poder) visitou a Suécia. Entre os membros da Comissão de Recepção estava a deputada social democrata Ulla Lindstroem, que se recusou curvar-se diante da visitante como reverência protocolar.

Entrevistada pela imprensa, a Parlamentar declarou: -“Não sou uma lagarta obsequiosa; sinto-me orgulhosa em receber a rainha, mas não vejo um motivo para trata-la como outra coisa senão como uma mulher que exerce o seu ofício, como eu exerço o meu”.

Na semana seguinte uma pesquisa de opinião pública questionando sobre a atitude de Ulla registrou a aprovação de 85% dos suecos que assim tornou-se famosa. A rainha Elizabeth, famosa desde que assumiu o seu reinado até hoje, ouviu um relatório sobre o caso e, mostrando-se realmente soberana, comentou: – “É melhor a sinceridade do que a hipocrisia”.

O verbete Fama, dicionarizado é um substantivo feminino de etimologia latina (fáma, ae) “o que se diz de alguém, reputação boa ou má”. Vem do verbo phánai, “alardear pela palavra”, relacionando-se com uma deusa romana que vivia num palácio de bronze com inúmeros orifícios, que via tudo o que se passava entre as pessoas.

Temos em português o mesmo conceito do Latim, importância, notoriedade, renome, reconhecimento, reputação…. E no brasilês do professor José Carlos Bortoloti registra brilho, cartaz, glória, ibope….

Na sua sábia visão, Einstein nos deixou um pensamento brilhante de como somos vistos pelos outros. Disse: – “Se a Teoria da Relatividade se mostrar correta, os alemães me chamarão de alemão, os suíços dirão que sou suíço e a França me rotulará de grande cientista; se estiver errada, os franceses dirão que sou suíço, os suíços me chamarão de alemão e os alemães me acusarão de judeu. ”

Reconhecemos que a publicidade muito contribui para granjear fama a custo da criatividade de propagandistas profissionais, conquista-se o qualificativo genérico da Fama, “Popularidade”. É como fazem os políticos brasileiros com o dinheiro dos “fundos” partidários e eleitorais instituídos por eles próprios e pagos pelo contribuinte.

Este prestígio comprado, porém, tem pouca duração.  A História registra poucos homens públicos brasileiros que conquistaram a Fama. Que me lembre, além dos imperadores e da princesa Izabel na Monarquia, a memória histórica da República só nos trouxe Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheck.

 

 

 

 

 

FESTAS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

           “Gravamos tudo! A forma como eles festejam é totalmente diferente dos nossos costumes” (Ana Paula Padrão)

Enquanto milhões morrem por causa da pandemia do novo coronavírus, milhares de imigrantes africanos sucumbem tentando atravessar o Mediterrâneo, refugiados ucranianos abandonam os seus lares e soldados russos caem nos campos de batalha, os poderosos fazem festas ao redor do mundo.

Na Inglaterra, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, participou de uma festa surpresa em comemoração ao seu aniversário, desobedecendo o confinamento pela pandemia imposto pelo seu próprio governo. Foi pressionado pela Câmara dos Comuns a se demitir do cargo, mas a coisa não foi adiante.

Reunindo no centro de Pyongyang cerca de um milhão de pessoas entre soldados e civis o chefe de governo da Coreia do Norte, Kim Jong-Um, festejou um ano no poder e este aniversário foi exaltado com o lançamento de um foguete de longo alcance lançado com sucesso.

O Brasil não poderia ficar à margem do desprezo pelas vidas humanas pelo eventual ocupante da presidência da República, Jair Bolsonaro, defensor de regimes ditatoriais e de torturas em presos políticos, determinou aos subordinados que festejassem o golpe de 64 que derrubou o presidente João Goulart legitimamente eleito e empossado.

Na celebração, o capitão reformado do Exército por indisciplina, que agora se insubordina contra a Democracia, atacou o Poder Judiciário e o sistema eleitoral. Tenta, mais uma vez, impor a anti-História do livro de Orwell, “1984” varrendo para debaixo do tapete que o Congresso foi fechado, juízes, parlamentares e professores foram cassados, a imprensa foi censurada e as manifestações políticas foram proibidas.

Enaltecendo o regime totalitário, omitiu no seu discurso que muitos brasileiros foram presos, seviciados e fugiram para o exílio com temor da violência. Na sua louca obsessão por ditadores, quer fazer os brasileiros esquecerem que tivemos as eleições diretas canceladas e que as minorias, homossexuais, povos indígenas e quilombolas foram vítimas de massacre.

Estas “Baladas AntiPovo” teve imitadores secundários. O governador bolsonarista do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, bombou com uma festa de aniversário no Jockey Club Brasileiro com duas mil pessoas, evento farto pago com o dinheiro público, onde foram servidos camarões empanados e dezenas de garrafas de uísque Dewars, vodca Greygoose, gin Bombay e cervejas Heineken.

O Estado do Rio de Janeiro viveu uma noite luxuosa e deslumbrante para as autoridades estaduais, familiares, cabos eleitorais, puxa-sacos e guarda-costas, a música ruidosa na festa bolsonarista impediu falarem das mortes provocadas pelo negativismo na pandemia e nas chuvas na região serrana do Estado pelo descaso da administração estadual.

No dia seguinte, enquanto os jornais trouxeram manchetes e crônicas sociais reportando o acontecimento, num canto de página noticiaram que um idoso dependente de um remédio que deveria ser fornecido pelo poder público do Rio de Janeiro, morreu à espera do remédio. Muitos outros dependentes da Riofarmes sofrem a falta dos medicamentos…

Esta hediondez necrófila dos poderosos e seus asseclas, alcança deste jeito muitos óbitos provocados pelo negativismo e corrupção…. Mas as festas promovidas pela insanidade continuam nas campanhas eleitorais.

LIBERDADE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba. ” (Guimarães Rosa)

Escreveu o grande Machado de Assis numa das suas Notas Semanais que os alemães dizem que “duas metades de um cavalo não fazem um cavalo”. Herdeiros da sabedoria popular saxônica, os germânicos sintetizaram uma realidade imutável.

Com a nossa Constituição esquartejada pelos que têm o poder republicano de legislar, judiciar e administrar, assisti-os discutirem sobre a liberdade de expressão. Fazem-no como mutiladores de cavalos, ficando um com a cabeça; outro com o dorso, peito e quadril; e o terceiro com as quatro patas e o rabo.

Esta partilha política não externa o que os amantes das liberdades democráticas desejam, a garantia do direito de emitir o seu pensamento, agrade ou não os que o leem ou ouvem. Nada mais inofensivo e fácil de fazer do que respeitar a opinião alheia.

Para entrar na polêmica, faço-o com uma declaração de princípio: Alinho-me entre aqueles que, sem nenhuma retórica, andam com os pés no chão e uma lanterna na mão (como Diógenes) em busca da liberdade, da justiça e da paz. Isto completa minha vida política.

As proibições são sem dúvida opressoras. Mas tradições democráticas, monárquicas ou republicanas, baseadas em fontes constitucionais estabelecem princípios pétreos garantindo a liberdade de expressão; entretanto, como declarou o ministro do STF Alexandre de Moraes: ‘Liberdade de expressão não é liberdade de agressão’.

Infelizmente, há quem use e abuse da “liberdade de agressão”, franquiada pelo próprio presidente da República.

Para mim, a melhor maneira de garantir a liberdade é exerce-la e, exercendo-a, exigir a punição dos que a usam fraudulentamente para extingui-la. Não há crime político mais horrendo do que pregar sistemas ditatoriais, defender o totalitarismo e elogiar a tortura e os torturadores.

Considero, também, que deve se abrir nas redes sociais o debate levantando este tema, crucial para o cultivo das liberdades democráticas; mas não da boca para fora ou na rápida digitação de um texto.

Pelos anos que navego nas redes sociais sinto que muito poucos tuiteiros, mesmo entre os mais radicais defensores de um regime menos exclusivo, se declararam contra a liberdade; e tenho a quase certeza que um número muitíssimo menor defenderá a “liberdade de agressão”.

Há quem discorde de sentenças judiciárias do Supremo Tribunal Federal. Eu mesmo não engoli até hoje a pílula amarga da decisão em inocentar Lula da Silva, inegavelmente um patinador nas pistas da corrupção. E para cometer esta impunidade absurda, varrer para debaixo do tapete a delação do ex-ministro Antônio Palloci.

Embora não aceite esta decisão dos ministros togados, jamais pediria o fechamento da Corte, e muito menos atacaria pessoalmente cada um dos seus membros por sentença baixada. Faço as minhas críticas sem confundir “expressão” com “agressão”; deixo isto para elementos fascistóides praticantes do terrorismo político.

Os cariocas têm um ditado que a sabedoria popular consagrou: “o respeito é bom, e eu gosto”, esta máxima deve ser usada à larga por todos, homens e mulheres, crianças e velhos, gente de qualquer cor da pele.

A lembrança da infame Inquisição inspirou Nietzsche a dizer que: “Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse”.

Assino embaixo, porque só assim a Democracia (com “D” maiúsculo) se imporá. No tempo em que haviam engraxates meu pai me ensinou que eu deveria trata-lo como trataria o presidente da República. Esta metáfora hoje é esquecida como também o Hino da Proclamação da República. “Liberdade, Liberdade, abre as asas sobres nós”.

 

 

 

 

TELEGRAMA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uolcom.br)

“Trame, planeje, calcule, postule…. E conte com isso! ” (Henry Miller)

Não faz muito tempo que escrevi uma crônica sobre as coisas que a Geração Web não conheceu, são tantas que nos obriga a selecionar apenas algumas, como apontador de lápis, caderno de caligrafia, caneta tinteiro, cartas, gravador portátil, máquina de escrever, telegrama…. Também o bom trato com os velhos….

A distinção com a terceira idade não desapareceu e ainda é respeitada pelos que não são filhos de chocadeira; quanto ao Telegrama, com a sua abreviação básica, teve um curto retorno  por uns tempos, quando o Twitter exigia dos micreiros 140 toques, ampliados depois para 280 em 2017.

O pensamento expresso sumariamente valorizava a expressão, dava-lhe qualidade e retratava a inteligência nos resumos, como no jornalismo temos as sinopses para atender os apressados.

Assim eram os telegramas. Meio de comunicação entre pessoas e instituições, com mensagens curtas e urgentes que eram entregues envelopados no endereço de destino; antes eram transmitidos pelo telégrafo, depois por telefone e agora temos um similar pouco usado via Internet.

Nos velhos tempos memorizava juras de amor; mensagens confidenciais, comerciais ou políticas; e comunicados funestos, noticiando acidentes e mortes. Temendo receber notícias tristes, muitas pessoas hesitavam em abri-los….

Parecia natural o temor por tomar conhecimento de acontecimentos telegramados. A gramática apresenta a figura da “preterição” que consiste em passar por cima de um texto, mas a curiosidade sobre o conteúdo de um telegrama era irresistível.

Antigamente era muito difícil manter sigilos. Os segredos eram um prato feito nas conversas familiares, almoços e jantares, bate papo de botequim. Tem até uma interessante resenha de Gore Vidal que diz: – “Quando alguém me pergunta se posso guardar um segredo, respondo: “Por que eu deveria, se você não pôde? ”.

Na Era da Mitomania Bolsonarista os sigilos fazem parte do discurso presidencial, uma breve simulação disto é espantosa: o capitão Bolsonaro fez segredo por 100 anos de um teste de vacinação; o Exército usou o mesmo período para dar conhecimento do julgamento do general Eduardo Pazuello por participar de comício partidário.

Tivemos a pouco um absurdo dos absurdos: o Governo Federal pôs sob sigilo as idas dos filhos do Presidente ao Palácio do Planalto! Assim, não é estranhável que um encontro de pastores evangélicos com Bolsonaro seja sigiloso; principalmente depois do escandaloso pastoril do gabinete paralelo no Ministério da Educação que revelou cobrança de propinas por pastores lobistas.

Talvez seja exibir demais de um governo do Centrão (como seria também de um governo lulopetista, porque os populistas são iguais), mas, em nome da Democracia e da Transparência na Administração Pública, os sigilos deveriam ser proibidos.

Perdoem-me os que pensam diferente por considera-los tolos. Não chegam a ser uns imbecis úteis como os alemães que apoiaram os nazistas e aplaudiram Hitler, embora contribuam para a disseminação do mistério na vida política dos governantes.

Além da manada cultuadora de personalidades, temos igualmente a omissão silenciosa dos garantistas togados e dos esgotados militares da ativa que apadrinham este tenebroso artigo de fé do sigilo.

Gostaria de fantasiar um pouco acreditando num Tribunal da Opinião Pública e num Exército do Patriotismo que, reunidos, enviaram o seguinte telegrama endereçado à Nação Brasileira:

“ACORDA POVO BIPT É IMPOSSÍVEL DORMIR NUM PAÍS ONDE SEGREDOS DOS OCUPANTES DO PODER SÃO LEGAIS PT O RUIDO DESTA MISTIFICAÇÃO LEVANTA SUSPEITAS VG NÃO SE ACUMPLICIE PT REAJA” ASS. A CONSCIÊNCIA