Artigo

SANGUE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“De todas as sementes confiadas à terra, o sangue dos mártires é o que dá colheita mais rápida. ” (Balzac)

Havia nas circunvizinhanças de Jerusalém um descampado conhecido como Haceldama – em aramaico, “Campo de Sangue” –, nome dado ao logradouro pela crença de que teria sido comprado e pago com os trinta dinheiros de Judas, o pagamento pela entrega de Jesus aos fariseus.

Sangue, como verbete dicionarizado, é um substantivo de origem latina (sanguen.inis), fluido biológico líquido e nutriente que percorre pelas veias e artérias no sistema circulatório dos animais vertebrados vivos; levado ao Reino Vegetal é a seiva que alimenta as plantas.

Entre os sinônimos da palavra Sangue, encontramos figuradamente “casta”, “classe” e “raça”; o primeiro, “casta”, refere-se à genealogia, método criado por Nietzsche para ligar a História com a Filosofia; o ensaio nietzschiano foi aproveitado modernamente pelo filósofo francês Michel Foucault no estudo das tecnologias.

Assim, a genealogia passou a ser um critério para levantar a origem, evolução e disseminação das famílias e respectivos sobrenomes, ou seja, o “estudo do parentesco”, uma pesquisa que vai muito longe… Aprofundando-se, vai ao mito bíblico com cena de sangue entre os irmãos Abel e Caim, e chega à fundação de Roma com os gêmeos Rômulo e Remo.

O romantismo dos poetas diz que família não é uma questão de sangue, que você elege os seus parentes… O florentino Giovanni Boccaccio escreveu que “as ligações de amizade são mais fortes que as do sangue da família“.

Para isto inventou-se o tal “pacto de sangue”, que consiste em duas pessoas furarem o dedo indicador e juntarem ambos ferimentos de onde flui o sangue, misturando um do outro. Há radicais que fazem o mesmo procedimento cortando e juntando os pulsos….

A cultura popular acumula uma série de ditados e aforismos sobre o sangue, falando, por exemplo, de “sangue azul” referindo-se a membros da nobreza, “sangue bom” para pessoa de boa índole, ou “sangue de barata” o que se mantém calmo diante de qualquer adversidade.

Diz-se de “sangue nos olhos” e “sangue quente” para pessoas irritáveis, raivosas de caráter explosivo; e os racistas costumam usar a trapaça hipócrita de “sangue puro”. Hitler no seu livro Mein Kampf – “Minha Luta” –, dedica vários períodos ao sangue, um deles falando do envenenamento da “raça ariana” pela miscigenação étnica através de casamentos.

Talvez pelo racismo insano dos nazistas, alguns lexicógrafos, autores segregacionistas de dicionários, aceitem e registrem “raça” como sinônimo de sangue, como escrevemos acima. Desmentindo-os temos o sangue universal, de amarelos, brancos, negros e vermelhos, firmado por Jesus Cristo na Última Ceia: ‘Este é o meu sangue, que é derramado para remissão de pecados (Mateus 26:28).

Corre nos sertões nordestinos a sentença “é o sangue que faz mal ao sangue”, e isto se comprova na intervenção sanguínea do presidente Jair Bolsonaro para absolver o filho Flávio, envolvido no caso das rachadinhas, e paga por isto com o desgaste no seu projeto da reeleição…

… E o pior é que além das preocupações paternais e obcecado pela reeleição o Presidente não vê os óbitos provocados pela covid-19; ignorando o que Balzac prognosticou: o sangue dos mártires é o que dá colheita mais rápida”.

Se acordasse para isto, estancaria o negacionismo externado nas suas inconsequentes intervenções, quando chama de “maricas” os que defendem vida contra o vírus, ao indicar remédios ineficazes e pôr em dúvida uma vacina contra o novo coronavírus.

Isto nos leva ao “Grande Sertão Veredas”, onde Guimarães Rosa põe na boca de um personagem:  “Por que o Governo não cuida?! Uma coisa é pôr ideias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias…”

 

 

 

 

 

OPINIÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A verdade não desaparece quando é eliminada a opinião dos que divergem” (Ulysses Guimarães)

Sobre a mesa postada pelos agentes da mídia, servem-nos uma salada mista de informação, análise e opinião que se torna indigesta ao ser temperada com o tempero tóxico das fake news.

Prós e contras em excesso distorcem a informação; as análises azedam ensopadas de ideologia; sobra somente a opinião dos comensais degustando e apreciando para definir o paladar das diferenças agridoces.

A Opinião é filha legítima da liberdade de expressão do pensamento. Como verbete dicionarizado, Opinião é um substantivo feminino de origem latina “opinio”, significando o parecer sobre alguém ou alguma coisa.

É vista comumente como modo de pensar, ponto de vista pessoal relativo a um assunto, fato ou pessoa. Traz quase sempre o lado positivo que leva receptor à reflexão; mas, como toda regra tem exceção, também embaralha a compreensão quando chega sem fundamento ou confirmação.

Entretanto, positiva ou negativa, a opinião de quem vive em grupo é inevitavelmente expressa, pois nasce do sentimento no tempo e no espaço em que se vive, dos assuntos abordados, dos temas levantados e dos problemas apresentados.

A opinião que transborda de todas as cabeças é determinada por impulso. O seu juízo se forma cerebralmente. Faz-se necessário, porém, distinguir a opinião pessoal da opinião pública, porque esta última é a soma conjuntural das opiniões pessoais.

Como a “opinião pública” reflete a maioria ou a minoria dos cidadãos quando divulgada maciçamente pela mídia, sua dimensão deve ser recebida com cuidado, necessariamente avaliada e medida.

Do outro lado, o modo de pensar e opinar de cada um pode e deve circular livremente sem influenciar a sociedade porque se limita aos círculos familiares, aos locais de trabalho e estudo, ou à vizinhança domiciliar.

É muito fácil expressar opinião. A minha filha mais nova, Manuela, foi com uma amiga à Itália e se encantaram com Veneza; em contraposição, a minha querida amiga Wanda Figueiredo, jornalista e escritora mineira que faleceu no ano passado, viu Veneza como uma cidade fedorenta com canais que são esgotos de fossas urbanas.

O mundo da cultura reverencia Dante Alighieri e a sua “Divina Comédia” como um clássico épico e teológico; divergindo, Voltaire considerou a obra como o “delírio de um bárbaro”.

Achegando-se aos círculos políticos, lembramos dos elogios de certo modo exagerados da presidente do PT, Gleise Hoffman a Barack Obama, quando chamou o corrupto Lula da Silva de “o cara”; e recentemente atacou virulentamente o ex-Presidente dos EUA por trazer no seu livro de memórias registro de que conhecia os casos de corrupção envolvendo o Pelegão condenado de Justiça.

Vemos assim que na conjuntura política o juízo formado conscientemente vive recluso, enquanto os conceitos apaixonados do “achismo” jorram cascateando nas redes sociais no calor dos embates entre a oposição e o governo.

No Twitter, essas diferenças de opinião se manifestam com insistência. Vê-se, como exemplo, o lado bolsonarista atacar os dissidentes do movimento que levou o Presidente ao poder; e toda e qualquer pessoa seja quem for, juiz, parlamentar ou cidadão que se mostre descontente, são atacados virulentamente.

Do outro lado, também os oposicionistas não perdoam Jair Bolsonaro, criticando a sua linguagem grosseira e a defesa abusiva dos deslizes dos seus filhos, vistos pelas lentes do Telescópio Canarias, conhecido nos meios científicos como GTC – o maior do mundo.

Diante do entrechoque político, alguém já aconselhou que “as diferenças de opinião nunca devem suscitar inimizade nem ressentimento”; entretanto, ao meu juízo, acompanho o estrategista Von Bismarck: “Um grande estado não pode ser governado com base nas opiniões de um partido”.

 

SILÊNCIO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons. “ (Martin Luther King)

Depois de escrever num artigo anterior sobre “RUÍDOS”, o gênio da controvérsia me atentou para escrever sobre o “SILÊNCIO”; inspiraram-me os três macaquinhos sábios que adornam os templos budistas e têm as suas miniaturas vendidas nas lojas de R$ 1,99.

Os macaquinhos da sabedoria são chamados Mizaru, Kikazaru e Iwazaru; com as mãos, um deles tapa a boca, outro bloqueia os ouvidos e o terceiro venda os olhos. Os três representam uma lição de Confúcio: “não veja o mal, não ouça o mal, não fale o mal”.

Os cristãos autênticos, conhecendo os ensinamentos de Jesus, aprenderam isto com uma advertência d’Ele: “não se deve fazer com os outros o que você não gostaria que fizessem a você”…

É um princípio moral impossível de esquecer, o respeito humano. É por isso que nos preocupa assistirmos os políticos falharem na atenção e o zelo com os concidadãos, quando deveriam promover a união e a harmonia da Nação.

Por isto, é necessário que o ocupante do poder saiba silenciar, calando-se para ouvir, analisar e comprovar fatos e situações, para decidir sobre as medidas que deve tomar em defesa da coletividade.  Resumindo: o governante não deve ouvir somente os bajuladores, não deve olhar apenas em torno de si e evitar abrir a boca para dizer besteiras de rompante.

É o caso do presidente Jair Bolsonaro. Ignora que tudo o que fala sem o filtro da reflexão, influi na cabeça dos cultuadores da sua personalidade. Referindo-se à pandemia como uma “gripezinha”, desdenhando a imunização vacinal e dizendo que a 2ª onda é uma “conversinha”, leva os seus fanáticos seguidores a mergulhar no pântano do negacionismo.

Estes, que Brecht enquadraria como “analfabetos políticos”, multiplicam o maléfico combate à Ciência na cega convicção do ouvir dizer, e correm para divulgar o vale tudo das mentiras nas redes sociais.

Não será demais exigir a compreensão nacional para se meditar sobre o que ouve, parta de onde partir, e refletir sobre a realidade social. Se pairam dúvidas, mantenha-se o precioso silêncio até chegar a uma conclusão pessoal.

Se assim ocorrer, conquistaremos certamente o exercício democrático necessário para que a sociedade seja pacificada, respeite os direitos humanos e o meio ambiente.

Como é do Silêncio que se trata, a palavra dicionarizada é um substantivo masculino de origem latina (silentĭum, do verbo sileo), significando ‘ação de estar quieto’, “evitar barulhos ou ruídos’. Do Aurelão, “ausência de qualquer ruído”.

Os filósofos gregos antigos se preocupavam muito em refletir sobre o silêncio; Pitágoras de Samos, matemático, ensinava: – “O começo da sabedoria é o silêncio“, e Sócrates, um dos fundadores da filosófica ateniense, resumindo seu pensamento na busca da verdade, ensinou: – “As pessoas precisam de três coisas: prudência no ânimo, silêncio na língua e vergonha na cara“.

Ultimamente ouvimos o grito imprudente dos maus contra a Ciência, levantando incertezas com relação à imunização contra os vírus, levando uma situação de insegurança para a massa inculta. Triste é constatar que são os mesmos que agridem os críticos do Presidente – agora investindo contra o vice-presidente Hamilton Mourão –, insultam os magistrados que julgam conforme as leis e investem contra o jornalismo investigativo que divulga os malfeitos das familiocracia.

Diante deste quadro, o “silêncio dos bons” é abominável. Aplausos ruidosos pela isenção das FFAA, estendidos ao comandante do Exército, general Edson Pujol, e à mensagem do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo.

Por sua vez, os patriotas que foram às urnas nas eleições, igualmente mostraram também a sua independência, repudiando os corruptos do PT e contrapondo-se ao negacionismo genocida que desdenha da pandemia, opondo-se à imunização pela vacina.

Assim tivemos da cidadania militar e civil respostas silenciosas cheias de pólvora!

REELEIÇÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A negação não é uma poça d’água. É um oceano. E como podemos fazer para não nos afogarmos? ”  (Grey’s Anatomy)

Foi divulgada há dois ou três anos, não me lembro quando, uma pesquisa que supus séria pelos dados gerais, a abrangência e o número de entrevistados. Entre diversos itens, um deles me chamou a atenção e eu anotei: 86% dos eleitores não se lembravam do candidato em que votaram.

O tempo se passou e acredito que este percentual será igual ou maior para responderem se recordam das promessas eleitorais do político que elegeu, vereador ou prefeito, deputados estaduais e governadores, congressistas e até do presidente da República!

Também os compromissos eleitorais, ou grande parte deles, não são cumpridos; e desconfio que essa displicência alienada continue dando crédito às mesmas promessas repetidas nos palanques reeleitorais, levando-nos a pensar como Eleanor Roosevelt: “Se alguém trai você uma vez, a culpa é dele. Se trai duas vezes, a culpa é sua”.

Cabe realmente ao “eleitor cúmplice” a responsabilidade de levar duas vezes ao poder um traidor. É por isto que não merece perdão o ex-presidente Fernando Henrique Cardozo por ter aprovado a reeleição e criado o “mensalão”, com o qual comprou a sua.

A reeleição é uma inimiga perigosas da Democracia. Seria maçante e até impertinente falar de reeleição nos municípios – aonde começa a corrupção que assola a política brasileira –, da mesma forma como reconhecer que esta legislação infame favorece as oligarquias corruptas e corruptoras pelo Brasil afora.

Dizem que o mandato de quatro anos para os cargos executivos é pouco tempo para o eventual ocupante do poder se afirmar como administrador da coisa pública. A culpa é da Constituição de 1988 – tantas vezes emendada pelo Legislativo e descumprida pelo Judiciário -, mas intocável no caso de aumentar para cinco anos o exercício do cargo executivo; assim, ajuda a reeleição que só satisfaz aos ambiciosos.

Muitos esqueceram, mas nas últimas eleições os ambiciosos ainda disfarçados de reformistas, se diziam contra a reeleição. Um deles foi o atual presidente Jair Bolsonaro que agora, mesmo no momento difícil que o país atravessa, tem como único propósito, a própria reeleição.

No Palácio do Planalto tudo gira em torno das eleições sucessórias vindouras; todos ali estão engajados na campanha antecipada, dos generais da reserva que formam a guarda pretoriana do Presidente, ao trio maravilhoso dos filhotes aproveitadores da política personalista do pai, cada vez mais facciosa e populista.

Diz o liberalíssimo ditado popular que “em cada cabeça uma sentença”, e por este princípio individualista, o presidente Jair Bolsonaro pode fazer politicamente o que lhe der na telha, contando que esteja de acordo com a Lei.

Seria interessante, entretanto, que o Presidente tivesse a humildade de aprender as lições que as eleições norte-americanas trouxeram, exceto acusar fraudes aonde não há, nem negar a vitória de um adversário, como faz o seu figurino Donald Trump.

A mais expressiva entre as lições positivas foi a participação diligente e expressiva do cabo eleitoral Coronavírus e sua auxiliar ativista Covid-19. Podem somar: Assistimos pesar na apuração final as simpatias e antipatias pessoais, o partidarismo e as ideologias; mas a derrota de Trump se deveu ao negacionismo que deu continuidade ao desdém pela pandemia, por puro egocentrismo e cabeça dura…. O povo não é bobo.

 

 

AS LEIS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

                   “Não se acha suficiente que a lei seja justa, pretende-se também que seja filantrópica” (Frederic Bastiat)

Contraditoriamente, Ricardo Barros, líder do governo que defende o antigo regime militar e elogia torturadores, propõe a convocação de uma Assembleia Constituinte como fez o Chile para enterrar a Constituição ditatorial de Pinochet, que – não duvido – seja bem lembrado pelo presidente Jair Bolsonaro.

A Constituição de 1988 é sem dúvida exagerada ao misturar a defesa dos direitos humanos com o direito dos bandidos, sendo leniente com os criminosos. Nasceu de um suspiro reparador dos políticos da oposição consentida.

Não se pode desprezar, também, que a batizada “Carta Cidadã” trouxe uma overdose de direitos, sem a contrapartida dos deveres, negaceando a necessidade desta exigência necessária à ordem pública.

Desconheço as constituições dos 193 países-membros da ONU, mas entre as antigas, dos países europeus e dos Estados Unidos, a coisa não é bem assim. Exigem dos seus povos obrigações para com o País. Lembro de um artigo do advogado Rodrigo Lobato, onde se esclarece este ponto de vista ao enfatizar: “Não pergunte o que o Brasil pode fazer por você; pergunte o que você pode fazer pelo Brasil”…

É preciso, sem dúvida, esclarecermos a questão dos direitos e dos deveres, e rever a legislação penal paliativa e tolerante com os ladrões que infestam mexicanamente o nosso país… Não com a volta da Lei de Talião, “Dente, por Dente, Olho por Olho”, mas com agravantes e pelo cumprimento total da pena para os delinquentes condenados.

Em muitos países (e está de volta em alguns estados dos Estados Unidos) vem sendo restabelecida a pena de morte como pena máxima. No Brasil, pela nova Lei nº 13.964/2019 a pena máxima é de 40 anos em regime fechado, mas o preso recebe benesses após o cumprimento de 1/6 da pena.

Para beneficiar criminosos, as charadas jurídicas se multiplicam graças aos grupos de pressão de advogados e das ONGs “defensoras” dos direitos humanos; e com isto se multiplicam também as ações criminosas, a corrupção e a violência.

Antigamente, em muitos países árabes, cortava-se a machado a mão direita dos ladrões e cauterizava-se o talho em alcatrão fervente…. Se não me engano, ainda vigora na China: amputa-se os dedos de batedores de carteiras.

Parecem descomedidas estas penas; basta a segregação em prisões de segurança máxima e obrigações a ser seguidas pelos sentenciados como trabalho, sem a compaixão do falso humanismo para os bandidos.

A punição para o crime deve ser dura, principalmente dos crimes hediondos como o estupro, o latrocínio e o tráfico de drogas; e que a Justiça não repita o que ocorreu a poucos dias em Pernambuco, com um juiz que mandou soltar traficantes detidos em flagrante transportando 133 kg de maconha. Uma droga considerava “leve”, mas que é criminalizada pela legislação vigente.

Muito menos como ocorreu no caso que envolveu a blogueira Mariana Ferrer, e a insólita sentença de um juiz em Santa Catarina acatando a tese de que o estuprador cometeu ‘estupro culposo’, ‘crime’ não previsto por lei…

São intoleráveis, também, as sentenças garantistas do Supremo Tribunal Federal, que libertam criminosos, principalmente políticos corruptos assaltantes do Erário, como ocorre com José Dirceu e Lula da Silva, este último delinquindo no exercício da presidência da República. Um mal exemplo para a sociedade!

E, voltando à Constituição de 88, é inesquecível que muitas delinquências no mundo político são “legais” como o assalto ao bolso dos contribuintes com os “fundões” partidário e eleitoral. E até pode se acrescentar a esta “legalidade bandida” o foro privilegiado e a famigerada reeleição que pretende manter no poder aqueles que o usam para se reeleger.

O explorador Henry Morton Stanley que se tornou famoso por encontrar o missionário David Livingstone, desaparecido no interior da África (e inspirou o filme “O Explorador Perdido”), estudou uma sociedade primitiva onde o chefe que atinge a idade avançada é convidado pela tribo a subir num coqueiro que os guerreiros balançam fortemente. Se ele conseguir se segurar, fica no poder por mais um ano; se cair, perde o mandato.

Numa sociedade considerada civilizada e democrática, o coqueiro é o voto, onde todos que cumprirem a missão para que foram eleitos, devem ser sacudidos e defenestrados pelo eleitorado.

 

 

A MORTE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Quem não sabe o que é a vida, como poderá saber o que é a morte?” (Confúcio)

Para quem já escreveu três artigos sobre a Vida e um apenas sobre a Morte, não se perturba em voltar com a morte nesta peleja dicotômica, aproveitando o terror do pesadelo de 160 mil óbitos por causa da “gripezinha”, referência dos negacionistas para a covid-19, subestimando-a por interesses políticos.

Por não crer na imortalidade e disposto a enfrentar a própria morte (que não seja sofrida, pelo amor de Deus!), sempre fui atraído por epitáfios. Já contei que ao fim do serviço militar, em 1952, ganhei uma viagem a Paris do meu pai e lá desembarcando fui direto ao cemitério Père Lachaise para ver o túmulo de Voltaire.

O filósofo dos tempos modernos que me encanta, tem na lápide sobre seu túmulo uma frase que ele mesmo redigiu: “O Homem é o único animal que sabe que vai morrer um dia. Triste destino! ”.

No sepulcro de Arquimedes – o pai da Geometria –, em Siracusa, a epígrafe não tem letras. É apenas um desenho geométrico, um quadrado inscrito num círculo.

Arquimedes foi astrônomo, engenheiro, físico, inventor e matemático; e na esteira deste gênio da humanidade, o matemático alemão Ludolf van Ceulen, radicado e falecido nos Países Baixos, pediu que no seu túmulo fosse posto apenas o “PI” grego, 3,14,16, que muitas vezes havia calculado…

Falecido a pouco, eu sugeriria que para Sean Conery, ator escocês que atuou em mais de 90 papeis no teatro e no cinema e recebeu da Rainha Elizabeth II o título de cavaleiro da Ordem Britânica, um elogio fúnebre: “Intocável”. Inspirei-me no filme de Brian de Palma “Os intocáveis”, que lhe concedeu o Oscar de 1988.

Para os curiosos, adianto-lhes que escrevo este texto no dia 2 de novembro de 2020, Dia de Finados, em que venero os meus mortos, familiares, amigos, e aos que admirei em vida, mesmo de longe.

Foi neste dia, fazem 70 anos, que faleceu outra personalidade da minha admiração, o jornalista irlandês George Bernard Shaw, também contista, dramaturgo, ensaísta e romancista.

Shaw, sempre desafiando os costumes sociais vigorantes na época, não se preocupou com louvores post-mortem. Pediu a cremação do seu cadáver e que as cinzas fossem misturadas às de sua esposa que o antecedeu na partida… O amor se impôs às celebrações póstumas.

E além da morte, a ciência também se sobrepõe às crendices e ao misticismo que vigoram desde que o homo sapiens conquistou a Terra aniquilando os neandertais… E vem demolindo a ignorância humana revelando todos os segredos universais.

Embora a idiotia ainda subsista e indivíduos incultos, mesmo com as fotografias do planeta tiradas do Cosmos, divulguem sem acanhamento, que a Terra é plana, assumindo com suas asneiras um lugar no negacionismo à Ciência.

Há também pessoas que por puro esnobismo se engajam na tolice de negar a eficácia das vacinas; e, nesse contexto, seguem desdenhando as milhões de mortes provocadas pela covid-19.

Este comportamento leva a um duplo raciocínio: ou adotam as milenares práticas chinesas de sepultar as pessoas com festa, e os carnavalescos festivais mexicanos das caveiras e esqueletos, ou levam de volta a sua ignorância para o século 19….

Lembro que mais de duzentos anos atrás o papa Pio VII, discutindo com o polivalente cientista Alexander von Humboldt, disse que os meteoritos eram pedras que caiam de uma fenda da abóboda celeste.

Esta concepção falsa e contestável era, na época, dominante no Ocidente; uma coisa que deve ser considerada insana, como é totalmente alienado negar a eficácia de uma vacina contra os vírus…

 

 

IMBECILIDADE TELEVISIVA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana…”  (Barão de Itararé)

É muito forte a palavra Imbecilidade, definida gramaticalmente como substantivo feminino, originária do latim “imbecillitas.atis”, desprovido de inteligência, senso ou tino; leva a Imbecil, também de etimologia latina “imbecille”, pessoa apalermada, idiota, tola.

A psiquiatria define “imbecilidade” como a condição de pessoal cuja idade mental é a de uma criança entre três e sete anos; e coloquialmente o povão usa como burrice, ações e comportamento de um idiota.

O jornalista e humorista gaúcho Apparício Torelly, conhecido nas rodas intelectuais do Rio de Janeiro como Apporelly e/ou pelo título de nobreza assumido, Barão de Itararé, viu a televisão nos seus primórdios, e revoltou-se com as chanchadas que apareceram inicialmente. Exagerou na definição.

Se vivesse nos dias atuais possivelmente mudaria de opinião, sem generalizar, embora – com toda razão -, destacasse possivelmente a imbecilidade de alguns canais televisivos que insistem em fazer os usuários de idiotas.

Se acessasse Smithsonian Channel, a National Geographic ou International BBC television channels, não pensaria da mesma forma.

Por outro lado, vemos os canais History e Discovery se esforçando em se pôr a serviço da “imbecilidade humana”. Tendo como tema o Alasca, abundam versões brasileiras das idiotices que agradam a audiência norte-americana, parecendo exibições comerciais para atrair tolos.

É possível que possa atrair a massa ignara sempre disposta ao entretenimento diversionista. Há panaca para tudo que é passatempo; mas creio que – independente da escolaridade -, a intelligentsia brasileira é mais exigente. O povão é esperto e gosta de aprender.

O que não pode é aceitar a exibição repetitiva de dezenas de filmetes sobre o Alasca, limitados e dirigidos apenas para a curiosidade de um público desprovido de informação ou apaixonado por tudo o que se relaciona com os Estados Unidos.

Enumerei alguns programas que realmente estão no subsolo do edifício QI. Começa com “Alasca, a Última Fronteira”, se repete com “Alasca ao Extremo” e com “Construções Remotas no Alasca”… Depois tem “Perdidos no Alasca” e, se não bastasse, “isolados no Alasca”. Para quem gosta de suspense, “O Misterioso Triângulo do Alasca”, “Alasca, Perigo no Ar”….

Tem “Por Dentro do Alasca” e lá “A Grande Família do Alasca”, divertindo-se na “Festa no Alasca” com “Corridas de Cachorros no Alasca”, “Bullins Alasca” e aos que gostam de construções, “Megamáquinas do Alasca”.  “Trilhos do Alasca” são para ver-se a paisagem gelada de lá, “Alasca em Grande Estilo”…

Desculpem meus fiéis seguidores pela limitação a somente este “Show do Alasca”; quem recolher outros em dezenas deles, me avisem de qual canal extraíram, para que eu não o acesse…

 

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MEXERICOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A única coisa que se espalha com mais rapidez do que uma pandemia é o mexerico”  (Grey’s Anatomy)

Juro que eu não sabia que havia o verbo “Mexericar”… Pois é: está no dicionário como intransitivo e transitivo direto, com o gerúndio ‘mexericando’ e o particípio passado, “mexericado”… Significa bisbilhotar, intrigar, fuxicar e intuito de indispor. Mexerico é um regionalismo do Rio Grande do Sul (Mistura, Confusão), por isto há quem defenda ter etimologia guarani; seu principal sinônimo, “fofoca”, tem origem africana…

Li certa vez uma anedota histórica envolvendo Aristóteles. “O Filósofo ouvia pacientemente o tagarelar de um concidadão mexericando sobre a vida de algumas personalidades atenienses. O indivíduo silenciou de repente e perguntou se os comentários estavam distraindo as suas meditações. – “Não”, respondeu Aristóteles -, “pode continuar. Eu não o escuto…”

Esta sábia lição deve ser seguida em situações corriqueiras; mas não dá para aceitar mexericos que circulam nos andares de cima da nossa pobre República. É imperdoável vê-se o presidente Jair Bolsonaro batendo boca com um popular ou manter falatórios prejudiciais aos estudos de uma vacina contra a pestilenta covid-19.

A ambição pelo poder não pode estar acima dos interesses nacionais e populares. A missão de um governante não lhe permite enredar com seus críticos e muito menos dividir a cidadania entre o “nós” e “eles” como faziam os governos lulopetistas.

Agora, no momento político que o Brasil atravessa, vê-se o levantar da poeira de uma corrida eleitoral antecipada, sufocando a Nação com a cobiça egoísta do Presidente que foi contra a reeleição na campanha eleitoral e agora se dedica em tempo integral à própria…

É inegável, porém, que dispõe de um mecanismo propagandístico de fazer inveja…. Os cultuadores de sua personalidade, ao assistirem dissidências e críticas, de ex-seguidores e ex-ministros, carimbam todos de traidores. Conseguem encontrar no mapa da lógica a “Ilha Bolsonaro” da fidelidade cercada de traidores por todos os lados….

A tontice desta massa fanatizada compõe o coquetel do nepotismo desculpando os mexericos entre ministros, como provocações de Ricardo Salles, que chamou o general Ramos de “Maria Fofoca”, e agora apelidando o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de “Nonho” personagem obeso da série “Chaves”… e segue o exemplo do Presidente que fofoca contra os governadores de São Paulo e do Maranhão….

Assim caminha a humanidade tupiniquim…. Vive-se uma situação que junta os embeiçados bolsonaristas e os obstinados lulopetistas, gerando o “bolsopetismo”, o abraço extremista que criou uma situação hilária, mas constrangedora: as demandas judiciais contra quem ousa corrigi-los.

Um amigo meu está sendo processado porque chamou num post o condenado Lula de corrupto…. Ao apresentar-lhe a minha solidariedade, ouvi dele uma decisão que levo à reflexão.

Ele decidiu não comparecer à audiência; e disse que seguia uma passagem histórica de Alcebíades, político ateniense que foi discípulo de Péricles, amigo de Sócrates e contemporâneo de Zenon de Eleia.

Reproduzo “de ouvido”: “Convocado pelos juízes para responder acusações de adversários, recusou-se a comparecer ao tribunal onde poderia sofrer o banimento.  Inquirido porque não enfrentar o processo e não confiar na Justiça, Alcebíades disse: -“Neste processo, que vem do alto poder, não confiarei sequer na minha mãe; como ela é muito míope, pode trocar a pedrinha branca por uma preta…”.

 

 

 

 

 

 

SAMBA CANÇÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Eu mato, eu mato / Quem roubou minha cueca / Pra fazer pano de prato” (“Marcha da Cueca”, de Livardo Alves)

A espetacular criatividade dos brasileiros criou a expressão “Samba Canção” para designar aquelas cuecas antigas, de fazenda e modelito de short…. Quando despertei para vida, adolescente nos anos 1940, era o que se usava.

Também antiquada é a definição de cueca nos dicionários portugueses e brasileiros: refere-se gramaticalmente como substantivo feminino e peça de roupa branca que os homens usam por baixo das calças. Na sua etimologia, a palavra Cueca tem um sentido mais direto do que atualmente: era “cu”, do latim vulgar “culus”, ânus, acrescida de “eca”, domicílio, moradia.

Em Portugal usava-se a palavra “Cueca”, no plural “Cuecas”, ou no diminutivo “Cuequinha”, um modelo correspondente para homens e mulheres, embora para elas, no Brasil e em Moçambique, é denominado “Calcinha”.

A Cueca é descendente da avoenga “Ceroula” que descia até os joelhos, sem braguilha, que dava um trabalho danado para urinar ou defecar, mesmo na intimidade.

Mais recente, referindo-se à roupa íntima para cobrir a zona pélvica e as nádegas, cueca é chamada de “Sunga” no Brasil, e em Portugal “Boxer”. A nova versão masculina traz um molde especial para apoiar o pênis, dispondo de braguilha e cobrindo até as virilhas.

A corrupção política generalizada, herdou dos tempos corruptos dos governos lulopetistas como sinônimo de “Cueca”, “Cofre”. Inspira-se no flagrante da Polícia Federal encontrando o senador Chico Rodrigues, quando vice-líder do Governo Bolsonaro, com dinheiro e documentos sob a cueca, nas nádegas.

Este exemplo dado por Rodrigues nada tem de surpreendente, vem de longe, dos tempos em que os parlamentares picaretas reuniam-se na bancada chamada “baixo clero”, que veio dar no Centrão.

Em conversa gravada entre o presidente Jair Bolsonaro e Chico Rodrigues, que foram colegas na Câmara dos Deputados, a relação dos dois “é antiga e duradoura”; e por isso, o senador batizado de “Bunda Rica”, vem sendo defendido (ou tem a sua suspeitíssima situação omitida), pelos fanáticos cultuadores da personalidade do Governante.

Vê-se esta defesa no Congresso, por “espírito de corpo” ou cumplicidade, tendo como exemplo mais-do-que-perfeito disto a fajuta licença do Senador para evitar leva-lo ao Conselho de Ética do Senado e contornar uma intervenção do STF, que foi sentenciada pelo ministro Luís Roberto Barroso.

Também a intercessão da Procuradoria-Geral da República no caso, revelou uma sutil defesa, alegando ao STF que não é possível afirmar, ‘por ora’, que os R$ 33,1 mil encontrados na cueca do Senador, não podia ser provada.  Uma salvaguarda ridícula…

Ridícula sim, porque a evidência sob a cueca do Senador roraimense e a acusação de desvio de recursos da covid-19, é inegável e torna revoltante o fato. Até obrigou o presidente Jair Bolsonaro a afasta-lo da vice-liderança do governo, e por ele próprio, que renunciou ao Conselho de Ética do Senado que teoricamente deverá julga-lo.

Para mim, a história da cueca-cofre, levou-me à lembrança do epigrafado, o grande compositor paraibano Livardo Alves, notável pela criação de inúmeros frevos, forrós, xotes, marchinhas. Alegra-me esta reminiscência juvenil que reforça a minha luta contra a corrupção, vendo o senador Cuecão fazer de pano-de-prato a política brasileira…

ADIVINHAÇÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O verdadeiro é semelhante a Deus; não aparece espontaneamente, temos de o adivinhar pelas suas manifestações” (Goethe)

Nunca acreditei em jogos adivinhatórios praticados por amadores; e também jamais levei a sério os falsos profetas que sobem ao púlpito de igrejas para explorar a crendice alheia; mas, noves fora os trapaceiros, sempre tive curiosidade pelos ancestrais métodos de prever o futuro, com espinhos, cera, fogo, fumaça, observação das nuvens, ossos, sonhos…

Ainda hoje nos interiores da Espanha e de Portugal joga-se ramos de louro na fogueira para, conforme os estalos, crer que determinada intenção dará certo….

Não sei se por brincadeira, a minha avó materna praticava a chamada “criptomancia”, que consiste em apagar um fósforo numa xícara de café quente e, através das figuras que se formam, responder a dúvidas; faz-se a mesma prática jogando água fervendo sobre folhas de chá e conforme elas sobem, será um bom ou mal augúrio…

Mais sofisticada, a arte de adivinhar veio do Oriente com o I-ching, um milenar manual de previsões. Popularizou-se no mundo inteiro tendo os seus hexagramas trocados por figuras no Tarot. Do Leste também chegaram à Europa, e atravessaram o Atlântico, a leitura da sorte pelo Baralho Cigano e a Quiromancia, leitura das linhas das mãos; ambas decifrações são clássicas e habituais.

Procedente da África, o Jogo de Búzios é muito apreciado nas ilhas caribenhas, no Brasil e na Colômbia, e é igualmente costumeira entre adeptos de religiões africanas a observação das chuvas, a germinação de sementes e a trilha de moluscos nas pedras.

Considerados pseudocientíficos, mas estudados com afinco e seriedade, temos a Numerologia e a Astrologia, esta última contando com um grande número de adeptos e de especialistas em mapas astrais, com o desenho da vida e a projeção para o futuro; e, pelo estudo dos signos do zodíaco, faz previsões pelos Horóscopos.

Aceite-se ou negue-se os enigmas para descortinar o futuro, há que se reconhecer que os procedimentos utilizados para predizer o porvir são populares no mundo todo, de Leste a Oeste.

Mesmo no quadro materialista da política, recolheu-se de Tancredo Neves a arte adivinhatória da Aeromancia – previsão pelo estudo das nuvens e dos ventos. É antológica a vidência de Tancredo dizendo que “a política é como nuvem. Num momento você olha e está de um jeito; no momento seguinte, você torna a olhar, e o jeito já mudou…”.

Mais do que uma profecia, essa observação de Tancredo mata a charada da incoerência, da falta de ética e mostra o desprezo de princípios pelos profissionais da política. Na semana passada lemos uma notícia que exemplifica a lição nas nuvens eleitorais corredeiras: “Dos 174 mil candidatos que disputam novamente a eleição, 115 mil concorrem em uma legenda diferente da usada em 2016”.

Os patifes mudam de partido, mudam de nome, mudam de cor e mudam as declarações de renda…  Houve até quem às escondidas trocou o modelo da cueca por uma mais espaçosa para enganar a polícia, depois do flagrante de Chico Rodrigues, senador do DEM e ex-líder do presidente Jair Bolsonaro.

De olho vivo sob as nuvens da política, os brasileiros usam as redes sociais fazendo denúncias que servem como técnica de adivinhação para a Polícia Federal nas investigações para caçar os corruptos que o Presidente diz que já não há.

Os trapaceiros e os imbecis ocupam um grande espaço na vida nacional; os primeiros adivinham por achismo, receitando remédios miraculosos, insinuando perigos pela imunização vacinal e prestidigitam a delinquência dos seus bandidos de estimação.Os outros seguem o que ouvem deles, e os veneram.

É preciso estarmos espertos e lembrarmo-nos de que “nem tudo que reluz é ouro”, como reza o ditado popular; e ficarmos conscientes de que acima das adivinhações está o “Olho que Tudo Vê”, lembrando aos políticos de que estão permanentemente observados.