Arquivo do mês: novembro 2019

SIMBOLISMO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Um símbolo sozinho pode não representar nada, mas se todos se juntam, um símbolo pode significar muito, pode significar a mudança de um Pais” (‘V’ de Vingança)

Plotino, um dos principais filósofos gregos da antiguidade, que os estudiosos de sua obra notabilizaram criando para ele o termo “neoplatonismo”, deixou-nos um notável pensamento: – “Tudo é símbolo. E sábio é quem o lê em tudo. ”

A palavra Símbolo vem da Grécia Antiga, “symbolon” (σύμβολον), significando um tipo de signo que, mesmo de simplicidade extrema, representa algo abstrato. Uma figura que vai de propostas interpessoais até algo grandioso como uma divindade, uma ideia, uma nação, um protesto, uma revolução.

O verbete dicionarizado é um substantivo masculino figurando num desenho, num som e até num gesto, algo relacionado com o cotidiano das pessoas. A química o adota para os elementos atômicos da tabela periódica e o cristianismo com a cruz, o ícone do martírio de Jesus.

Aliás, os primeiros cristãos adotaram como símbolo a configuração de um peixe; só mais tarde a cruz se popularizou quando foi adotada como religião oficial do Império Romano. História ou lenda, registrou-se que Constantino, tornado imperador sem muita legitimidade, para conquistar o apoio do cristianismo divulgou que olhando para o céu viu nuvens em forma de cruz e a inscrição: “In hoc signo vinces” (“Com este sinal vencerás“).

Eram vésperas da batalha em Adrinopla e os cristãos se negavam a pegar em armas (como fazem ainda hoje as Testemunhas de Jeová), decidiram acompanhá-lo, saindo vencedores. Ele, garantindo o poder; e eles, legalizando a sua religião.

A força do símbolo alcançou o dia-a-dia de todos os povos, nos quatro cantos do mundo. A publicidade é riquíssima de logotipos e logomarcas, reconhecidas até por habitantes das regiões mais remotas; a Internet trouxe para as redes sociais os emojis, emoticons ou smiley, com as representações artísticas de animais, caveira, coração, estrelas, flores, gestos mímicos e sinais matemáticos.

Os partidos políticos procuram com símbolos atrair aderentes, uns que passam despercebidos, outros que ficam marcados pela tendência totalitária das ideologias e a disposição ao fanatismo dos seguidores, como a foice e o martelo dos comunistas, o fascio dos fascistas italianos e a cruz gamada dos nazistas.

Desses mais consideráveis signos da política contemporânea, nasceram algumas caricaturas derivadas, e entre elas surgiu a estrela petista roubada dos arquétipos fixados primitivamente no inconsciente coletivo.

Assim, pela vocação lulopetista de se apropriar do poder e de tudo que o poder concilia, eles começaram roubando a estrela dos poetas, namorados, seresteiros e sonhadores para depois assaltar a Petrobras, as empresas estatais e os fundos de pensão.

Não deveria ser a estrela a alegoria do Partido dos Trabalhadores como se comprovou no desprezo pelo povo que o levou ao poder elegendo o pelego Lula da Silva, corrupto e corruptor, presidente da República.

Pela ingratidão demonstrada e a adoção do anagrama de símbolo, “lobismo”, na imaginação popular o PT exprimiria o que o fabulista La Fontaine propôs:  “o símbolo dos ingratos não é a Serpente, é o Homem”. É por isso que Lula se assume como “jararaca”.

Um símbolo curioso é imagem da Justiça. É estranha e imponderável os seus olhos vendados; os otimistas dizem que é para não fazer distinção entre os que estão sendo julgados… esses distintos veem também equilíbrio na balança e a força na espada. Será que esse julgamento é imparcial ou igual ao dos togados que atropelam a lei para soltar os seus bandidos de estimação?

ESQUERDISMO

MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)

“O maior perigo para as ideias, para a cultura e para o espírito, pode mais facilmente vir de um inimigo sorridente” (Aldous Huxley)

Vitoriosa a revolução bolchevique na Rússia, o seu venerado líder Vladimir Ilitch Lênin (cuja múmia é exibida num Mausoléu em Moscou), escreveu o livro “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” alertando os fundadores da Terceira Internacional Comunista para os desvios ideológicos esquerdistas na “construção do socialismo”.

Esta preocupação com a estreiteza e as ambições inexequíveis dos “revolucionários tresloucados” como chamou, vigora até hoje entre os herdeiros de Stálin, inconformados com o fracasso do regime na União Soviética. Efetivaram-se como defensores do “quanto pior melhor”, e para isto topam tudo todo tempo.

Embora alguns aceitem o Esquerdismo como uma “teoria praticista”, móvel das contestações sociais que sempre existirão, não sabem que foi o suporte midiático de apoio à ditadura stalinista e dos tentáculos imperialistas soviéticos nas chamadas “Repúblicas Populares” do Leste Europeu.

Sem a formação fatalista do islamismo, o esquerdismo de hoje tornando-se um braço do globalismo, adota o terrorismo de gabinete nas democracias praticado pelas minorias parlamentares, como os pelegos fazem nos sindicatos. Tem atuação nos quatro cantos do mundo, mas na América Latina, e principalmente no Brasil, se veste com os trajes do populismo.

Aqui, é praticado pelas frações infiltradas nas organizações sociais, corporações e movimentos populares servindo-se destes para fazer manifestações rumorosas assustando os detentores do poder. Aparecem como defensores dos explorados e perseguidos em qualquer reivindicação que surja. Usam-nos para fins partidários.

Além dos sindicatos e órgãos representativos de profissionais liberais, de estudantes, mulheres, camponeses sem terra e trabalhadores sem moradia, é visível na multiplicação de partidos inexpressivos eleitoralmente, mas mamando nas verbas públicas para sabotar as instituições republicanas.

Mesmo com os seus dirigentes corrompendo-se com os benefícios governamentais e propinas empresariais, o esquerdismo se mantem na massa influenciável pela repetição de slogans; e isto estimula o carreirismo dos doutrinadores que algemam os fanáticos à causa.

Os que se assumem humanistas, sentem-se devedores da humanidade, e se propõem a pagar essa dívida com o dinheiro dos outros, como disse G. Gordon Liddy. Os outros travestem-se de bonzinhos para conquistar espaços políticos aliando-se aos corruptos políticos, corruptos empresários e corruptos sindicalistas. Tal parceria rende-lhes posições nas estruturas do poder, que usam para miná-las. Isto fica transparente no engavetamento do projeto AntiCrime de Sérgio Moro na Câmara e o favorecimento ignóbil de alguns togados do STF à campanha do “Lula Livre”.

É indesmentível que o esquerdismo armou uma conjuração contra a Lava Jato no Congresso, no STF e, por oportunismo, de alguns membros do círculo presidencial, conchavando com conhecidos protagonistas do Legislativo e do Judiciário. Só não vê isto quem não quer, ou usa antolhos para não ver o envolvimento dos seus mitos.

Entretanto, queiram ou não os defensores de uma volta ao passado, o Brasil acordou; o povo continua reagindo contra os políticos corruptos, o crime organizado, os privilégios de minorias e o carreirismo dos oportunistas. Ouvimos isto nos trens, nos ônibus, nas filas de banco e dos supermercados.

Em comunhão com o povo, os patriotas precisam voltar às ruas e às praças neste momento crucial para o País. Vamos a um Verão Democrático para impedir a volta apocalíptica da pelegagem corrupta e do esquerdismo degenerado, narcopopulista e corrupto.

 

 

 

INCORREÇÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo” (Albert Camus)

Na época ingênua da minha infância os parques de diversão tinham uma Sala dos Espelhos, aonde a gente via a nossa imagem distorcida, gordíssima, magérrima, agigantada ou mirrada. É o que assistimos agora no cenário de insegurança jurídica criado pelo STF no caminho sinuoso da impunidade.

A Corte Suprema, dominada pelo Bando dos Quatro, abriu os portões das cadeias para os bandidos políticos de estimação e, em consequência, para criminosos de alto coturno, aqueles que podem pagar os advogados que conhecem as artimanhas dos togados.

Na antiga Grécia, nascedouro da Filosofia, o sábio Platão alertou que “o juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”. Como pensaria o sábio grego se vivesse atualmente no Brasil dos juízes nomeados para fazer favores? …

Em tempos passados, nos meados do século 18, Joseph-Marie de Maistre escritor, filósofo, diplomata e advogado escreveu: – “Posso dizer que nunca serei assassino, nunca hei de furtar; mas ninguém pode afirmar que nunca irá para a prisão”. Entre nós, esta observação se aplica ao cidadão comum, mas não aos que roubaram da Petrobras quantias suficientes para assegurar que o crime compensa.

Como a cabeça (de alguns) é um cofre que guarda pensamentos, os que refletem sobre a Justiça brasileira entendem que as últimas sentenças do STF foram lenientes e seletivas, satisfazendo os criminosos de colarinho branco e suas organizações criminosas.

Convencido que o destino do ser vivente é a morte (não é uma conclusão da ciência materialista, mas a Bíblia), vejo que este destino biológico dos homens não é admitido pelos imortais togados. Se aceitassem isto destinariam os seus nomes para o futuro, para os seus netos, ao inexorável julgamento dos seus contemporâneos.

O último ato dos ministros do STF contra a prisão de 2ª Instância, afronta a consciência nacional, porque foi sustentado por fraudulenta argumentação e a tentativa de iludir a Nação inventando salvaguardas constitucionais na sua incorreção.

Incorreção. Este substantivo feminino de pouco uso na linguagem corrente, vem do latim vulgar interpretando erro, imprecisão e inexatidão. Acho o seu uso literário melhor, “comportamento incorreto ou impróprio, desonestidade e deslealdade”.

Negar evidências criminosas, impedir investigações, interpretar as leis de acordo com os próprios interesses conspurcam um magistrado; as consequências das suas incorreções o levarão para o lixo da História.

O uso correto das palavras é para ser aplicado como defesa do nosso idioma, conforme Rui Barbosa alertou: “a degeneração de um povo, de uma nação ou raça, começa pelo desvirtuamento da própria língua”.

Seguindo esta lição, aponto a incorreção dos seis ministros do STF, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli, acusando-se de que terão o sangue dos brasileiros nas mãos, por ter estimulado a guerra civil que Lula, o criminoso solto por eles, está convocando.

Se lhes restasse um mínimo de patriotismo, se colocassem o Brasil acima dos interesses pessoais, poderiam pensar no que disse Juscelino Kubistchek: – “Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro”, e usar o título deste artigo do jeito como as imprensas oficiais fazem de vez em quando:

“Republicado por incorreção, tendo em vista erro na grafia do valor do instrumento contratual na publicação anterior. ” A admissão de um erro é um sinal de força e não uma confissão de fraqueza.

 

 

APARÊNCIA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta” (Caio Júlio César)

Não me lembro se já contei a história recolhida de um livro, cujo título e autor se perderam na memória, mas cujo conteúdo ficou inesquecível. Guardei-a “de cabeça”:

– Quando estavam sendo concluídas as obras da Catedral de Colônia, em 1880, o seu arquiteto, Ernst Friedrich Zwirner, mandou que um escultor que aplicasse melhor o polimento num dos demônios que se projetam nos nichos do teto.

– “Como poderão vê-lo daqui, a 50 metros de distância? ”, ponderou o artífice, que recebeu de pronto uma resposta transcendente:

– “Nós não construímos esta catedral para homens, mas para Deus. Por isso deve ser perfeita”.

A aparência deveria receber cuidados de todas as pessoas. Não da aparência física que o tempo desgasta, mas do que está além da percepção formal.  Segundo Platão, desse mundo das aparências sensíveis só se pode ter conhecimento verossímil ou provável, dada a sua natureza incerta e fugaz; o conhecimento racional que tem por objeto o ser”.

Como verbete dicionarizado, “Aparência” é um substantivo feminino de origem latina (apparentia.ae), aquilo que se mostra à primeira vista; exterioridade, aspecto; e/ou um fato contradiz todas as configurações, engano, ilusão.

Enganoso e ilusório é o poder político. O sábio Machado de Assis que não me canso de ler e reler, refere-se à aparência da politicagem dizendo que “não será difícil achar semelhança entre uma eleição e uma mágica; avultam em ambas as visualidades e tramoias”.

Vemos tristemente que o carreirismo, o egocentrismo e fraude são desvios morais que não se limitam aos poliqueiros no exercício dos seus mandatos. É verdade que a eleição é o começo de tudo na corrida pelo poder, mas há os que chegam lá sem precisar de votos e são os que mais criam conflitos na sociedade.

Estes, de autoridade questionável entre os cidadãos e cidadãs que não lhes outorgaram força moral com liberdade de escolha, ministros do Supremo Tribunal Federal parecem os personagens sinistros dos filmes de terror programados para o Halloween…

Destaca-se um deles levando-nos à locução “Vergonha Alheia” no que ocorreu entre o ministro Marco Aurélio Mello e a advogada Daniela Lima de Andrade Borges.

Ela iniciava a defesa oral de um processo com as palavras “… inclusive queria confessar aqui para vocês, que nessa causa se discute…” quando foi interrompida por Mello que, indignado, repreendeu-a rispidamente pela referência “vocês” e não “excelências” como manda a “liturgia”.

A personalidade psicopática deste senhor exige um tratamento médico. Ele se coloca no Olimpo, como se o STF metaforicamente fosse. Acredita ter a força sobre raios e trovões, como Zeus; e evocar tempestades e maremotos como Netuno…

Revoltante é que este devaneio efêmero de alguém que urina e defeca como todos os mortais, torna-se coletivo com o comportamento deformado dos seus colegas, despindo-se de toda dignidade ao abrir os portões dos presídios somente para soltar um bandido de estimação.

Estes usurpadores do Poder Judiciário não se acovardaram porque contam com apoio nos porões dos outros poderes republicanos, no Legislativo controlado pelos picaretas do Congresso Nacional e no Executivo, pela tibieza comprometida que transita nos corredores do Palácio do Planalto.

Vemos assim, na Catedral dos interesses nacionais, os demônios da prepotência de um ministro do STF, a ditadura do Judiciário e o silêncio cúmplice dos políticos cuja formação patriótica se resume a discursos demagógicos.

30 anos

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Papai Balzac, já dizia, / Paris inteira repetia, / “Balzac acertou na pinta, / Mulher só depois dos trinta” (Nássara e Wilson Batista)

Vou usar um clichê idiota, reconheço, mas não consegui encontrar outro: o “Mundo Livre” comemora no dia 9, os 30 anos da queda do Muro de Berlim, a sombria evocação que marca o poder e o fim da Era Stalinista.

A Alemanha, particularmente, festeja este aniversário trazendo vivos os horrores soterrados sobre os escombros do Muro, e as esperanças de um novo tempo de distensão, desarmamento e paz.

Embora estes anseios humanos não tenham sido totalmente realizados, a parte que cabe ao modelo democrático, seja liberal ou do chamado bem-estar social, experiências que a Europa tem vivido já vale a comemoração.

A memória coletiva, embora muitas vezes infiel, registra esta vitória, mesmo parcial, sobre a barbárie de um regime policialesco que dividiu o mundo por 28 anos, suprimindo a liberdade, dividindo famílias e impedindo o progresso. A celebração nos leva a este capítulo da História, magistralmente descrito no livro “Muro de Berlim – Um Mundo Dividido” de Frederick Taylor.

Gosto muito de dizer que a História como as cartas do baralho cigano, não mente, e mostra que os berlinenses e os alemães em geral foram abandonados pelos Estados Unidos, Reino Unido e França, sem que seus líderes, Kennedy, Macmillan e De Gaulle se dispusesse a pagar para ver o jogo nuclear na chamada “guerra fria”.

E no resto dessa narrativa é de assinalar que a derrubada do Muro deu início à dissolução do chamado “socialismo real” e a morte da União Soviética, que deixaram herdeiros psicopáticos e viúvas psicossociais do stalinismo que nesses 30 anos, assexuadas, sem comparação com a graça das mulheres de 30 anos de Balzac…

“La Femme de Trente Ans”, romance escrito no século XIX, descreve o amor entre os Carlos de Vandenesse e Julia d’Aiglemont, ambos com 30 anos que se apaixonam perdidamente. Balzac sustenta que a mulher se supera ao passar desta idade tornando-se “sete ou oito vezes mais interessante, sedutora e irresistível”.

Os excelentes compositores Antônio Nássara e Wilson Batista lançaram no carnaval de 1950 a antológica marchinha “Balzaquiana” interpretada por Jorge Goulart. A música estourou e patenteou mundialmente para os foliões brasileiros a expressão “balzaquiana”.

Este neologismo não se aplica de jeito nenhum às horríveis viúvas do Muro de Berlim, seduzidas diabolicamente pela fantasia de uma propaganda massiva, cujos restos ainda se vêem em algumas colunas de jornais e revistas e inúmeros blogs.

Balzac, além de romancista, foi um pensador político. É dele a notável reflexão, que deve ser observada pelos políticos brasileiros: “As leis são teias de aranha pelas quais as moscas grandes passam e as pequenas ficam presas”.

É dos políticos, os que se sentam no Congresso teoricamente para legislar, que gostaríamos de ver atenção para o aprimoramento das antigas e a elaboração de novas leis em benefício da Nação.

Ao contrário disso, deputados cegam para a iniciativa louvável do ministro Sérgio Moro para combater a bandidagem com o seu Pacote AntiCrime. “Cegar” é bondade minha, recordando a queda do Muro e romantizado após relembrar os tempos em que adolescente cantei: “Não quero broto, não quero, / Não quero não, / Não sou garoto/ Prá viver mais de ilusão, / Sete dias da semana/ Eu preciso ver, / Minha balzaquiana…”.

AS MÃOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Aquilo que pedimos aos céus na maioria das vezes se encontra em nossas mãos” (Shakespeare)

Aprendi a lavar as mãos condicionado, como o cachorrinho de Pavlov…. Foi quando operei meus olhos de catarata e temendo infecções, adotei o hábito e rotinizei-o. O lavar as mãos é uma expressão antiga, e está no Novo Testamento (Mateus 27:25) descrevendo o julgamento de Jesus.

Confesso que a interpretação dos textos dito sagrados não é a minha praia; mas por ler as famosas audiências do Sinédrio, de Herodes e de Pilatos, achei uma passagem sustentando que o governador romano da Palestina, Pôncio Pilatos, não queria condenar Jesus como exigiam os fariseus, e não entendia porque o povo os apoiava.

Pilatos argumentou três vezes em defesa da inocência de Jesus, sem ver mal nas pregações dele; e disse à multidão arregimentada pelos sacerdotes: – “Não acho nele crime algum”.

Entretanto, sob pressão e vendo de que nada adiantavam suas ponderações, condenou-o à morte, lavando as mãos e dizendo que a culpa decorrente deste ato recairia sobre a população judaica: “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos”.

Graham Greene, jornalista e escritor inglês, conhecido pelo best-seller “O Americano Tranquilo”, entre vários romances, contos e peças teatrais, ficou inconformado pela atitude covarde do representante de Roma, e escreveu: “Eu preferiria ter sangue nas mãos a ter água como Pôncio Pilatos. ”

Greene não levou em conta a maldição de sangue que, segundo intérpretes radicais dos textos evangélicos, resultou na destruição de Jerusalém em 70 d.C., a dispersão (diáspora) dos judeus pelo mundo, e, mais tarde, as perseguições racistas.

Falando dos tempos antigos, o Pai da Medicina, Hipócrates, disse que as mãos são reveladoras de enfermidades físicas e psíquicas. Ensinou que os dedos achatados são típicos de tuberculosos. E o diagnóstico moral pela observação das mãos, dedos e unhas, proposto por S. D’Arpentigny – criador da quirognomonia –, classificou diversas formas anatômicas desses órgãos.

O “lavar as mãos” na linguagem cotidiana popular, significa não assumir uma posição, não decidir, não se meter, não opinar sobre um caso qualquer. (Dicionário de Gíria, de  J. B. Seabra e Gurgel). No meu tempo dizia-se que os bolinadores nos bondes, ônibus e trens, tinham “mãos bobas”…

E tem também o levantar da mão espalmada em juramento exigida nos tribunais, é a representação mais estúpida da hipocrisia, e talvez por isso tenha sido adotada como cumprimento pelos nazifascistas no “Ave” mussolinista e no “Heil” hitlerista.

A numerologia do poeta Mário Quintana ensina que “nos foram dadas duas pernas para andar, as duas mãos para segurar, dois ouvidos para ouvir e dois olhos para ver”, levando-nos a observar que apesar disto, que tem gente que não anda, não ouve, não vê e nada faz com as duas mãos…

É o que reconhecemos tristemente nos três poderes republicanos, frutos pecos do Estado de Direito, mostrando-nos que a Democracia termina por entregar o poder nas mãos de uma minoria, como assistimos STF conjurando para instituir o Reino da Impunidade.

Sem ser militarista, Rui Barbosa defendeu que “o Exército pode passar cem anos sem ser usado, mas não pode passar um minuto sem estar preparado”; eu também, civilista e liberal, gostaria de ver os militares levarem as armas às mãos contra os corruptos e seus poderosos aliados.