Arquivo do mês: Fevereiro 2018

JABUTICABA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

 “A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa ”   (Jô Soares)

Pode ser Jaboticaba ou Jabuticaba; as duas formas estão corretas: jabuticaba, com “u” ou jaboticaba, com “o”. É o fruto de uma árvore da família das mirtáceas que se alastrava na Mata Atlântica e ainda hoje aparece com frequência nos estados do Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais e São Paulo.

Alguém inventou que o fruto da jabuticabeira era de exclusividade brasileira, e mesmo usando a expressão por ignorância, ela se espalhou tornando-se popular nos comentários políticos e até em salas de aula. Na verdade, somente uma das espécies, a “Myrciaria jaboticaba” chamada de jabuticaba-sabará, é brasileira.

As demais são encontradas no Uruguai, Paraguai, Argentina, fraldas dos Andes, Guianas e América Central, anulando a expressão xenófoba…. É somente nosso, sem dúvida, o pau-brasil (Paubrasilia echinata).

O Pau-brasil, com registros da época em que os franceses e portugueses aqui aportaram para leva-lo para Europa, grassava no Brasil, no litoral do Rio de Janeiro ao Amazonas. Em tupi-guarani era chamado de “ibirapitanga” onde “ybirá” significa “árvore” e “pitanga” é “encarnado”; os lusitanos, pela tinta rubra dela extraída, batizaram-na de pau-brasil e, com isto, deram o nome ao nosso País.

Em sua homenagem, o pau-brasil foi declarado patrimônio nacional em 1978, através da Lei nº 6.607, que estipulou o dia 3 de maio como a data oficial da árvore.

Também restrita ao Brasil, é a impunidade. Está solta quadrilha lulopetista chefiada por Lula, Dirceu e Dilma, que assaltou o Brasil e quase destruiu a Petrobras, que era a terceira empresa petrolífera do mundo e se reduziu na economia internacional.

Acrescentando mais uma meia dúzia de pelegos na alta hierarquia do PT, vale lembrar que este partido nascido de uma jogada do general Golbery aproveitando o pelego da Lula da Silva, surgiu proclamando-se a “esquerda ética” denunciando a corrupção.

O “partido de novo tipo” ficou apenas no discurso e na desmoralização dos poderes republicanos, igualando-se aos 300 picaretas do Legislativo, que denunciavam; aparelhando o Judiciário com fiéis companheiros; e transformando o Executivo numa bolsa de valores mediadora da cobrança de propinas.

Este é o desenho da árvore do pau-brasil da política, sem igual no concerto internacional…. Vemos que nos países que combateram a corrupção, nenhum presidente ou ex-presidente escapou do cutelo da Justiça, alguns tanto ou mais populares do que Lula.

Lembremos Carlos Menem, na Argentina; José Sócrates, em Portugal; Alberto Fujimori, no Peru; e Park Geun-hye, na Coreia do Sul; todos julgados e devidamente punidos pela prática de corrupção.

Aqui, Lula já foi condenado a 12 anos e um mês, e responde a mais seis processos, todos por corrupção e agravados pelo delito de terem sido praticados no exercício da presidência da República. Dilma, que fez o papel de fantoche dele na presidência, foi cúmplice da criminosa na compra da Refinaria de Pasadena e impichada “apenas” pelas pedaladas fiscais e mantendo criminosamente os direitos políticos.

Vê-se assim que a impunidade é coisa nossa, como o pau-brasil. As jabuticabas foram chupadas, com caroço e tudo, no Paraguai, com o ex-presidente Luís Macchi preso; com Menem apenado e os Kirchner sob investigações; e o guatemalteco Affonso Portillo condenado a cincos anos de prisão.

Muita gente ignora que o pau-brasil é preciosamente usado como arco de violino, que chega a custar US$ 10 mil! Está na hora de usá-lo para tocar a marcha fúnebre do lulopetismo, levando-o à cova da criminalidade.

 

Bertolt Brecht

NECESSIDADE DA PROPAGANDA (leia-se “Marketing”)

1

É possível que no nosso país nem tudo ande como deveria andar.
Mas ninguém pode duvidar de que a propaganda é boa.
Até os famintos precisam reconhecer
Que o ministro do Abastecimento fala bem.

2

Quando o regime mandou num único dia
Trucidar milhares de pessoas, sem
Inquérito nem sentença judicial
O ministro da Propaganda elogiou a infinita paciência do Führer
Que tanto tempo esperou pela carnificina
E cumulou os canalhas com bens e postos de honra
Num discurso tão magistral, que
Nesse dia não só os parentes das vítimas
Como até mesmo os algozes choraram.

3

E quando num outro dia o maior dirigível do Reich
Se consumiu em chamas porque o encheram com gás inflamável
De modo a economizar o não-inflamável para fins militares
O ministro do Transporte Aéreo prometeu diante dos caixões dos mortos
Que não iria se deixar abater, no que
Arrancou aplausos efusivos. Até de dentro dos caixões
Dizem que as palmas retumbaram.

4

E que primorosa é a propaganda
Para o lixo e para o livro do Führer!
Qualquer um é levado a ler o livro do Führer
Onde quer que este se encontre jogado.
Para difundir o colecionismo de trastes, o poderoso Göring
Declarou-se o maior colecionador de trastes de todos os tempos e
Para abrigar os trastes, construiu no meio da capital do Reich
Um palácio que é
Ele próprio tão grande quanto uma cidade.

5

Um bom propagandista
Faz de um montão de estrume um lugar de passeio.
Quando não há gordura, ele demonstra
Que uma compleição magra nos embeleza.
Milhares que o escutam discursar sobre rodovias
Alegram-se como se possuíssem automóveis.
Nos túmulos dos que tombaram ou morreram de fome
Ele planta loureiros. Mas bem antes de se chegar a isso
Falava da paz quando os canhões desfilavam ao lado.

6

Somente através de uma propaganda excepcional
Foi possível convencer milhões
De que o incremento das forças armadas assinalava uma obra de paz
Que cada novo tanque era uma pombinha da paz
E cada novo regimento, uma nova demonstração
De amor à paz.

7

Todavia: ainda que se alcance muito com bons discursos
Não se alcança tudo. Escutou-se
Muitos dizerem: que pena
Que a palavra carne não sacie por si só, e pena
Que a palavra roupa aqueça tão pouco.
Quando o ministro do Planejamento tece loas ao valioso novo fio têxtil
Não pode chover, senão
Os ouvintes vão ser pegos de calça curta.

8

E mais uma coisa nos deixa apreensivos
Sobre os propósitos da propaganda: quanto mais propaganda há no nosso país
Menos há no resto do mundo.

1937

Trad.: Andre Vallias

CONDENADO

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Denúncias precisam ser apuradas. Denunciados devem ser julgados. Os julgados e condenados devem cumprir a justa pena” (Dom Jaime Spengler)

Passados quase 80 anos, chega-me uma recordação da mais tenra infância: a minha avó, referindo-se a um bodegueiro que fora flagrado e preso por adulterar no peso (bons tempos aqueles!), disse: – “É um condenado! ”.

Perguntei-lhe o que era um “condenado” e ela disse que era por que o ladrão não escaparia do fogo do inferno; estava condenado pela justiça divina… Eu passei a usar a palavra como se fosse um palavrão para xingar os outros…

Nos dias de hoje acho que ninguém mais dá importância à condenação no fogo do inferno. O verbete “condenado” é adjetivo quando se considera arriscado, errado, inadequado e como substantivo, se usa em sentenças judiciais.

Prevalece na linguagem jurídica a “sentença condenatória”, a condenação em dinheiro. Na prática, a execução da decisão de um juiz.

Toda vez que falo em juízes, recordo Oswald de Andrade, notável escritor, ensaísta e dramaturgo brasileiro, que disse: “Proponho engenheiros em lugar de jurisconsultos, perdidos como chineses na genealogia das ideias”.

Realmente, as filigranas excepcionais que sempre aparecem para a alegria dos advogados chegam neste caso com dois tipos de sentença em nosso ordenamento, a sentença mandamental ou executiva e a sentença condenatória, esta última exigindo a intimação pessoal do Réu sob pena de nulidade do processo.

Condenados no nosso País são milhares, talvez milhões, e agora com o emergir da Operação Lava Jato, já atinge os criminosos de colarinho branco, que até então se punham acima da Lei. Passando em revista temos além de ex-senadores, governadores, promotores, tesoureiros de partidos, youtubers e até clubes de futebol, como o Corínthians.

Na lista, muitos poderosos, como José Maria Marín da CBF; Marcelo Miranda, governador de Goiás; Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara Federal; Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro; e, como as investigações queimam como fogo de monturo, teremos em breve casos incendiários de políticos com foro privilegiado…

O mais famoso entre os condenados da Lava Jato é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, o pelegão chefe de uma organização criminosa travestida de partido. Condenado pelo juiz Sérgio Moro, apelou para a 2ª instância, e na 4ª Região do Tribunal Federal teve a sentença mantida por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e ampliada para 12 anos e um mês de reclusão em regime fechado.

Lula enriqueceu graças a propinas das empreiteiras que realizavam obras ou forneciam equipamentos para a Petrobras. Ocultava e dissimulava as vantagens imerecidas por ocupar a presidência da República.

Está tudo provado e corre dentro da legalidade, desde as investigações da Polícia Federal, do levantamento comprobatório do Ministério Público e da sentença na Primeira Instância. Não podemos esquecer que ainda responde a outros processos, envolvendo seus filhos e um sobrinho.

Com Lula preso, assistiremos a derrocada do Partido dos Trabalhadores, que enganou o povo brasileiro apresentando-se como defensor da ética e intolerante com a corrupção; transformando-se depois numa seita de fanáticos que cultuam bandidos como heróis e usurpam até enredos de carnaval.

No Rio, território que foi dominado pelo lulopetista Sérgio Cabral, assistimos a escola de samba Paraiso do Tuiti realçando a figura vampiresca do presidente Temer para esconder a barbárie criada no Rio pelos sócios solidários do PT.

Na Bíblia está escrito:  “Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado”. Assim, eu não tenho a menor dúvida, os sicários de Lula estão condenados ao fogo do inferno…

 

INDIO

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

Precisamos usar nossa flecha da sabedoria com o arco da esperança e reconquistarmos o que éramos…” (India Anara)

Mal encerradas as festividades carnavalescas, senti-me obrigado a escrever este artigo, por duas razões especiais. Há uma infinidade delas, para nós que somos – pelo menos a maioria dos brasileiros – orgulhosos descendentes dos indígenas que os descobridores encontraram aqui.

Sob a minha lupa – que aumenta consideravelmente os fatos sociais – vi a primeira razão com revolta, quando um idiota, dito “aculturado”, investiu contra o uso como fantasia, no carnaval, da indumentária e apetrechos silvícolas presentes na nossa memória.

Com exceções respeitáveis não é incomum assistirmos em demonstrações reivindicatórias e até políticas, manifestantes tribais de calça blue jeans, com relógios de marca e falando ao Iphone.

E nos serviços públicos, e nas universidades, encontramos representantes de várias etnias brasílicas. Não são poucos os colaboradores de pastorais católicas e missões pastorais evangélicas. Para mim, isto é bom; não sei se o é para a turma do “politicamente correto”…

Temos também conhecimento de que em certas reservas indígenas paga-se pedágio para transitar, propinas na exploração de garimpos e o desmatamento predador para o comércio de madeiras de lei.

Tais contravenções se chocam com o brio heroico de um descendente indígena, o marechal Cândido Rondon, que desbravou os sertões brasileiros levando linhas telegráficas pela Amazônia até então inexplorada; e de Nunes Pereira, também indígena, antropólogo, etnólogo e ictiólogo renomado no mundo inteiro. E o mais perfeito dicionário de língua tupi é do indigenista Gonçalves Dias.

Do poeta maranhense da saudade, por demais reverenciado, não é preciso nos estender. Os livros de Nunes Pereira, falam por si. Quanto ao marechal Rondon, cumpre-nos registrar que levou 40 anos explorando o sertão brasileiro, por mais de 100 mil quilômetros, equivalentes a 2,5 voltas ao redor da Terra. Entre seus títulos, destacam-se a candidatura ao Prêmio Nobel, e o de ser chamado pelos indígenas como “Grande Chefe”.

Destas personalidades, destoa o proibidor das fantasias de índio no carnaval, almejando os 15 minutos de fama. Ele não conhece sequer a história do seu povo ao querer silenciar o maracá e os tambores populares, negando a herança que temos das festividades alegres, com ruidosas danças coletivas dos corpos pintados, dos cocares multicoloridos, dos colares e das pulseiras…

Certamente influenciado pelas mentes perversas de uma ideologia distorcida, o patrulheiro desconhece a divisão social das nações pré-cabralianas, com seus nobres, soldados e escravos, e, tampouco lembra que seus ancestrais eram antropófagos…

Formado na escola do “politicamente correto”, o ignorante neo-censor comete o mesmo erro daqueles que cobram a dívida dos brasileiros pela escravidão negra, omitindo que os grandes traficantes de escravos eram os próprios negros, intermediados por britânicos, espanhóis e portugueses.

Por falta de cuidados ou desatenção, indígenas “aculturados” são capazes de adorar Tupã, que os jesuítas impuseram como “um deus único” do povo brasílico…  Esta farsa em busca de conversões foi desmentida por J.F. Monterroyo Mascarenhas no seu livro “Os Orizes Conquistados”; para ele, religião indígena era antropomórfica.

Caetés, Guaicurus e Tamoios com suas subdivisões, adoravam a coruja como deus, pelos benefícios que recebiam desta ave sagrada, inimiga das cobras que lhes tirava a vida.

Antiga deidade das selvas, a coruja é vista hoje como mau agouro, quando na verdade, o mau agouro está na doutrinação fraudulenta de alguns professores que seguem a doutrina apedeuta narcopopulista do “quanto pior melhor”.

Os doutrinadores lulopetistas, para roubar mais, pensam em fazer o que Renato Russo alertou: “O Brasil vai ficar rico quando vender todas as almas dos nossos índios em um leilão”.

A NATUREZA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” (Lavoisier)

O milagre da vida nos apresenta uma forma de existência cuja origem e fim obedecem às leis da Natureza. Entretanto, a Natureza não é levada a sério na História das Religiões.

Do antigo Egito, da Índia e da Mesopotâmia vieram as fábulas incorporadas ao livro sagrado dos judeus e dos cristãos, a Bíblia. O livro traz como explicação para a vida e para os seres vivos, a criação do mundo por Deus em seis dias; e, no terceiro dia, formou as plantas; no quinto, os peixes e os pássaros; no sexto, os animais; e por fim os seres humanos: Adão moldado em argila e vivificado com um sopro; da sua costela, veio Eva.

A ciência moderna nos prova que essa concepção mística para a origem da vida não passa de uma lenda cujo simplismo é substituído pela comprovação científica laboratorial; entretanto, arrastou-se por séculos do mesmo modo como o geocentrismo criado pelo astrônomo grego Ptolomeu, no século II d.C., e imposto aos cristãos pelo papado como uma verdade divina.

Quem tentou apontar a falsidade deste modelo, pagou caro. A obra de Copérnico foi condenada pela Inquisição e Giordano Bruno foi morto na fogueira ao apoiar o heliocentrismo.

Um dos mais importantes estudiosos da astronomia, Galileu Galilei, comprovou o heliocentrismo com base em observações; porém foi obrigado a retratar-se perante a Igreja para não ser condenado à morte.

O termo “Natureza” refere-se aos fenômenos do mundo físico e à vida em geral; e, embora não incluindo os artefatos produzidos pelo homem, tem através deles a explicação dos seus fenômenos.

A Natureza se vinga dos que tentam impor-lhe condicionamentos com a promulgação de leis…  Apareceu no Brasil recentemente uma lei esticando a adolescência até os trinta anos, atropelando a Biologia para atender facções extremistas e possivelmente também ao Mercado.

Os cientistas, todavia, apresentam estudos que desmentem legisladores despreparados, coagidos ou comprados, os mesmos que não dão importância social à culpabilidade de crianças e adolescentes nos crimes cometidos por eles.

Um estudo publicado pela Universidade de Stanford, “As Sete Idades do Homem”, traz uma série antológica de consagrados estudiosos, organizada pelos professores Robert R. Sears e S. Shirley Feldman.

As exposições sobre a “adolescência” (de 12 a 18 anos) e o “adulto jovem” (de 18 a 30 anos) descrevem o desenvolvimento corporal, a formação da personalidade e a capacidade física e mental dos indivíduos.

No tocante à “adolescência”, o estudo reconhece a sua maturidade física e o crescimento intelectual e emocional. Citada, a “Teoria da Personalidade” de Erikson expõe a busca da identidade pela autonomia comportamental, o isolamento dos adultos e forte relacionamento com colegas da mesma idade. A inteligência chega ao auge em torno dos 16 anos, tanto para meninos como para meninas.

O “adulto jovem” é aquele que já completou todo o ciclo físico e mental. Entre os 18 e 30 anos o indivíduo chega ao estado de plenitude mais elevado. Foi superada a dependência anterior da adolescência e atinge o equilíbrio emocional em relação ao sexo.

Aprofundando estas questões, vê-se a necessidade de se dar mais seriedade aos limites cíveis ou penais. O “adulto jovem” já não é um adolescente e este não é um irresponsável atoleimado, incapaz de distinguir um comportamento sadio de uma ação criminosa.

Felizmente os brasileiros acordaram para a questão da maioridade penal, com pesquisas que indicam 84% favoráveis à redução de 18 para 16 anos. Eu defendo a abstração da idade e a condenação pela natureza do crime.

Para os que ainda não despertaram para a realidade, declaro meu apoio a Victor Hugo: “É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve”.

ÍMPAR

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

                                                      “Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar”   (Carlos Drummond de Andrade)

“Cada um é um número ímpar”, era um trocadilho que minha mãe – de inteligência inigualável – repetia sempre. Referia-se às pessoas que embora semelhantes à vista são distintas entre si, como a crueza das palavras de madre Teresa de Calcutá e as “cartas de amor de uma religiosa portuguesa”…

A palavra Ímpar, vem do latim, ímpar,àris com o significado de desigual, desproporcional, e é dicionarizado em português como 1) único, singular;  2) que não apresenta simetria; 3) número não divisível por dois, que não pode ter duas metades inteiras; 4) raro, incomum.

A personalidade humana, por exemplo, é indivisível; cada indivíduo na multidão é um número ímpar, não tem igual; a Sociologia vê, entretanto, que a “consciência individual”, se modifica no seio de qualquer grupo social inorgânico, transformando-se no que Durkheim chamou de “consciência coletiva. ”

Dialeticamente, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, levou ao estudo da psicologia analítica o “inconsciente coletivo”, segundo ele a camada mais profunda da psique, onde aparecem vestígios de heranças ancestrais, comuns a todos os seres humanos.

Entre a Psicologia e a Sociologia vemos claramente como a “consciência individual” é trocada pelo “inconsciente coletivo”, no caso das multidões praticando linchamentos, saques e vandalismo. Embora os indivíduos sejam honestos, não raro a imprensa noticia o tombamento de um caminhão cuja carga é saqueada pela multidão.

É o “efeito manada”, comportamento desusado observado muitas vezes em animais que vivem em grupos. Quando crianças, chamamos a isto “Maria-Vai-Com-As-Outras”, para a participação imitativa de pessoas em determinadas situações.

Temos também o “pensamento de grupo” (groupthink em inglês) inspirado no “duplipensar” do livro 1984 de George Orwell. Aí é o uso político totalitário do “inconsciente coletivo” aproveitado pelo nazismo.

Até hoje se pergunta como os nazistas conseguiram unir e arrastar uma sociedade culta e de certa forma sofisticada como a alemã para aceitar e até aplaudir as barbaridades cometidas pelo regime hitlerista. Que Stálin fizesse isto na Rússia, pela servidão de um povo acostumado com o “knut” dos czares até se entende.

A “comunidade do povo” (Volksgemeinschaft) e a “superioridade biológica da raça ariana” foram impostos por uma maciça propaganda (“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”) e o indesmentível carisma de Hitler.

Isto, a História registra. E se repete como caricatura no Brasil ao assistirmos a paixão política dos lulopetistas, excedendo a capacidade intelectual de artistas e professores no fanatismo inexplicável por Lula da Silva. Sem dúvida astuto e carismático, embora bandido, ele é cultuado por uma fração social, felizmente minoritária.

Lula é um pelego marginal reconhecido pela Justiça. Foi condenado a 12 anos e alguns meses de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção, e ainda tem quem negue a sua culpa por fanatismo “religioso” ou perfídia oportunista.

Por estes traiçoeiros seguidores do ”socialismo bolivariano” – máscara do narcopopulismo –, vamos recuperar na UTI da linguagem a palavra “farândola”, para utiliza-la no lugar de “efeito manada”: Farândola, em português castiço é o coletivo de ladrões, de desordeiros, de assassinos, de maltrapilhos, de vadios.

ESTATÍSTICA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas” (Mark Twain)

Escrevi o artigo “PESQUISA”, comentando o uso do empirismo – pesquisa sujeita a erros estatísticos e realizada em qualquer ambiente -, dizendo que teria sido Satanás quem induziu um vigarista qualquer para aplicá-la como “pesquisa eleitoral”.

Recebi algumas críticas, de pessoas que ainda acreditam na honestidade de quem mexe com política…  Tudo bem, que cada um acate as amostragens dos institutos que exploram esta modalidade como ferramenta; só não aceito é dizer-se que a Estatística é uma ciência…

A Estatística é, na realidade, um conjunto de técnicas e métodos de pesquisa, responsável pela coleta, organização e interpretação de dados e a demonstração dos resultados obtidos, na maioria aleatórios.

Na minha opinião, a estatística não é uma ciência, apenas um método matemático aplicado em estudos observacionais e análise dos resultados, o que é positivo; mas quando usada para fins eleitorais não passa de uma arte de enganar desavisados.

Aproveitam-na, por exemplo, com a capciosa a aplicação de teorias probabilísticas para explicar ocorrências políticas. Lembro uma anedota sobre tal obtenção de dados em situação indefinível ao se concluir que, sentados à mesa, um dos convivas come um galeto e outro não, resulta estatisticamente que cada qual comeu meio galeto…

A respeito dessa possibilidade pouco se pode acrescentar, exceto reconhecer que a estatística é, sem dúvida, um ramo da matemática que, se aplicada com seriedade, auxilia a interpretação de um levantamento de dados.

Os fenômenos naturais, econômicos e sociais exigem sua compreensão principalmente para os governos e também para o mundo empresarial. Este seria o objetivo da Estatística; extrair informações para possibilitar o planejamento administrativo.

Nunca, porém, para acompanhar o aleatório universo da participação individual ou coletiva na política, pela sua volatilidade. Um político mineiro, acho que foi Milton Campos, disse que a política é como uma nuvem que você vê uma vez e se olha de novo foi modificada pelo vento.

Assim, tanto a pesquisa eleitoral como a estatística nela aplicada, são ilusórias. São aproveitáveis somente como propaganda, pela facilidade de convencimento. As previsões – mesmo fraudulentas – persuadem parte do eleitorado.

A pesquisa falsa vem avalizada por números que as ornamentam com as cores da verdade, por que o número afasta a dúvida, afugenta a incerteza.

Shakespeare botou na boca de Hamlet uma célebre indagação: –  “palavras, palavras, e falem nada além disso? ”. O gênio do Teatro respondeu por outro personagem em cena, o Frade: – “Certamente não lhe passou pela cabeça a tirada zombeteira de Mefistófeles sobre como é fácil manejar as palavras…”

Poderíamos parodiar o Mestre, trocando as palavras pelos números, e dizer: – “Números, números, precisa-se acrescentar algo mais nisto? “. Aí alguém acrescentaria que não passa pela cabeça de ninguém descrer ou desconfiar de números, nem por instigação de Satanás…

O presidente Itamar Franco, inesquecível por ter adotado o Plano Real, referindo-se a estatística aplicada a pesquisa eleitoral, disse – “Os números não mentem, mas os mentirosos fabricam números”.

É chato a gente acreditar que existem dois tipos de estatísticas: as que os jornais publicam e os canais de televisão alardeiam, e as que você próprio faz…

 

PESQUISA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Quando se rouba de um autor, chama-se plágio; quando se rouba de muitos, chama-se pesquisa.” (Wilson Mizner)

A pesquisa como trabalho científico é para comprovar hipóteses no campo da História, da Medicina, da Literatura, das artes, da Tecnologia, enfim, para trazer à tona novos conhecimentos. É indispensável ao progresso da humanidade.

Trata-se de uma atividade de importância cultural que aprofunda conhecimentos pré-existentes e gera novos conhecimentos pela investigação sistemática.

A etimologia da palavra “Pesquisa” leva-nos ao latim, perquirere, de per-, intensificativo, mais quaerere, “busca, procura, problema”. Em português temos o antigo verbo, hoje pouco usado, perquirir, investigar minuciosamente.

Do espanhol, a corruptela do latim vulgar, pesquisa, dicionarizada em português como substantivo feminino; designando aprofundar na busca, buscar com cuidado, indagar, informar-se bem, inquirir, perguntar, procurar, procurar por toda a parte.

A pesquisa é definida como o conjunto de ações orientadas e planejadas para comprovar um alvo desejado. Nesta investigação o pesquisador deve estabelecer ou confirmar fatos, reafirmar resultados de trabalhos anteriores, resolver problemas novos ou já existentes, apoiar teoremas e desenvolver de novas teorias.

Pode parecer exagero, mas na Antiguidade já eram usadas pesquisas e estatísticas para levantar dados sobre o número de habitantes, riquezas, casos de doenças e mortes, e até para obter informação sobre a segurança e o poder militar ofensivo. Desconhecia-se, porém, pesquisas de caráter político.

As pesquisas se subdividem como pesquisa acadêmica, pesquisa bibliográfica, pesquisa de campo, pesquisa descritiva, pesquisa empírica e pesquisa laboratorial. Dessas, a pesquisa empírica, sujeita a erros estatísticos e realizada em qualquer ambiente, transformou-se em “pesquisa eleitoral” por indução de Satanás a algum vigarista.

O método para contribuir na obtenção de dados a serem usados pelo governo e outras organizações, foi oficializado no Brasil com a criação do IBGE; entretanto, é mais conhecido pela propaganda política de pesquisas fraudulentas divulgada nos jornais, noticiários de televisão e revistas.

A estatística é Irmã siamesa da pesquisa e, do mesmo modo em que contribui para a veracidade de um levantamento, pode levar ao desvio da realidade usando variáveis como convém ao executor.

Pesquisas de opinião feitas de encomenda não cobrem o universo sócio-político que deveria, e seus fundamentos estatísticos estão mais para a teoria das probabilidades por Pascal e Fermat, que surgiu com o estudo dos jogos de azar…

Já se ouviu no Brasil uma afirmação de Lula da Silva de que não é difícil controlar uma pesquisa de opinião. Na verdade, pela experiência que temos, na sua maioria, elas envolvem interesses político-partidários, dependendo de quem as patrocina.

A coleta do levantamento feito, a análise e a interpretação de dados são compensados por um exponencial ampliado de “uma margem de erro”, o que quer dizer que a própria relação dos pesquisados que é divulgada, é posta em dúvida.

Acaba de sair uma nova pesquisa DataFolha, motivo de violentas e razoáveis críticas por driblar a legislação vigente incluindo na lista de pré-presidenciáveis Lula da Silva, condenado da Justiça e inelegível pela Lei da Ficha Limpa,

Por isso é impossível negar apoio à iniciativa de um dos candidatos, deputado Jair Bolsonaro, que entra na Justiça para impedir a divulgação de pesquisas de intenção de voto para a eleição de outubro que inclua o nome do corrupto Lula.