Arquivo do mês: novembro 2018

QUE DROGA!

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br 

           “Toda forma de vício é ruim, não importa que seja droga, álcool ou idealismo. ” (Carl Jung)

Tem coisas que a gente lê e por descuido não guarda a fonte, nem a publicação, nem o autor. Foi o que ocorreu comigo, guardando de memória o círculo vicioso da ação da morfina no corpo do usuário, produzindo a apomorfina venenosa que só pode ser combatida pela morfina, que se torna apomorfina, que reclama outra dose de morfina…

Fora desta curiosa e repetitiva ingestão da morfina, é preciso esclarecer que o morfinômano ao se injetar vive uma sensação de bem-estar, uma satisfação prazerosa, irresistível em todos os sentidos. Por isto vicia e destrói vidas, sem olhar idades, sexos ou cor da pele.

Durou muito, até no início deste século 21, que os tradutores de filmes norte-americanos traduziam “shit”, merda, por droga, como se a droga fosse menos ofensiva na linguagem do que merda…

Interessante – para a linguística – é que a tradução livre levou os dicionários brasileiros a adotarem a definição do substantivo feminino “droga”, como coisa de pouco valor, ou desagradável; quando o seu sentido original se refere a ingredientes químicos, farmacêuticos e laboratoriais, principalmente para produtos alucinógenos, entorpecentes e tóxicos.

A linguagem humana sofre influências permanentes, primeiro no uso coloquial e depois literária. A distorção se estende ao jornalismo que atualmente sofre com excessos incutidos por inspiração externa, não só verbal como infelizmente ideológica. Confusão entre literatas e historiadores (os primeiros jornalistas) sempre existiu.

É curioso que com referência à poetisa Safo de Lesbos, Platão escreveu no “Fedro”, que ela era linda, enquanto Leopardi, não sei de onde tirou isso, afirma que era feia.

Isto, porém, mergulha apenas na nossa imaginação, mas não como a imprensa tem feito agora comprovando o que dizia Von Bismarck, que “As pessoas nunca mentem tanto quanto depois de uma caçada, durante uma guerra e antes de uma eleição”.

Mentiram demais nas últimas eleições que atravessamos. Algumas mentiras foram apenas potocas, algumas lorotas, e todas saíram na urina. Mas alguns órgãos de comunicação adentraram na impostura, na fraude, no crime eleitoral.

A Folha de São Paulo e seus puxadinhos especialmente, publicou uma reportagem de página inteira – para escandalizar – “revelou” que “empresas estariam comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT e de apoio ao candidato Jair Bolsonaro no WhatsApp”.

A matéria denuncia e insinua tratar-se de grave crime eleitoral, configurando caixa 2. Pode até se pensar numa fraude articulada, porque a notícia se espalhou de pronto por toda imprensa nacional e estrangeira, e o PT viciado em patranhas participou do conluio e, rápido como quem furta (está acostumado a isto), acionou a Justiça solicitando investigações e a cassação do candidato adversário.

As togas esvoaçaram no STF. Declarações bombásticas na mídia sobre a utilização indevida do WhatsApp foram indiretas inegavelmente diretas à campanha de Bolsonaro.

Ocorre que as “revelações” da Folha eram, esta sim, “fake news”, e foram desmentidas pelo Facebook e o Twitter, modestamente, sem repercussão no noticiário; mas silenciou “juristas” e “especialistas” e, como sempre fazem nos ardis que praticam, os dirigentes do PT, varreram para debaixo do tapete a sua ação criminosa.

Assim, ficou tudo como d’antes no quartel do Abrantes. Então, insisto:  e se o eleitorado tivesse acreditado nisto? E se a resultado do pleito apontasse, em razão do escândalo, a derrota de Bolsonaro? Shit…. Que droga!

Acho que a Justiça deve acrescentar na ata do fim-de-ano ao seus sucessos, uma desculpa ao povo brasileiro, e a única desculpa plausível é a punição dos bandidos que urdiram a trama.

O RABO DO MACACO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A Cotia tinha um rabo enorme, mas só se preocupava com o rabo do Macaco; se distraiu, esquecendo o seu próprio rabo, e terminou cotó”. (Do folclore)

Um dos contos mais conhecidos da tradição oral brasileira, “O Macaco e a Cotia”, foi apropriado e compilado por Silvio Romero, que, com Teófilo Braga, publicou o livro “Contos Populares do Brasil”. Mais tarde, Monteiro Lobato, precursor da literatura infantil no Brasil, publicou também a mesma historieta.

Conheço-a. Mas ouvi da minha avó Quininha, quando menino, uma versão bastante diferente da registrada por eles. Esta narrativa avoenga é:

“O Macaco e a Cotia conversavam na beira de uma estrada onde trafegavam vários carros de boi carregando cana para o engenho;

A Cotia era muito nervosa e alertava o macaco para o perigo que representava o trânsito para seu enorme rabo: – “Macaco, tira seu rabo da estrada, senão o carro passa por cima e corta-o”.

O Macaco não dava atenção à lengalenga da amiga, várias vezes repetindo preocupada o alerta. De olho nos carros e no rabo do macaco ela se distraiu e esqueceu o próprio rabo que um carro esmagou. É por isso que a Cotia não tem rabo…”

Na política brasileira a gente vem assistindo diuturnamente a moral contida nesta história, com várias cotias chamando a atenção do macaco para tomar cuidado com o rabo deixando o seu à mercê do tráfego intenso da vigilância popular.

Extraída da EBC, vimos um pronunciamento da ministra Cármen Lúcia, do STF, numa palestra em que disse que o mundo atravessa um momento de mudanças que, muitas vezes, se tornam “perigosamente conservadoras”; admitiu ainda que “muitas vezes”, fica preocupada com as opções feitas pela sociedade.

Até recentemente Cármen Lúcia era presidente do Supremo cargo que passou para o colega Dias Toffoli. Não vimos a sua “preocupação” quando o seu sucessor, em sessão extraordinária da 2ª Turma do STF determinou a libertação “imediata” do corrupto José Dirceu, condenado pelo TRF-4 e sentenciado à prisão.

Aliás, a meritíssima Togada não se inquietou com várias decisões da 2ª Turma, que recebeu da mídia a designação de “Jardim do Éden” pela leniência, quase favorecimento, a corruptos presos pela Lava Jato, e sofreu comentários atribuindo-lhe “diarreia jurídica”.

O bando dos três, Toffoli, Gilmar Mendes e Lewandowsky formou uma maioria na 2ª Turma que, sinceramente, pôs em risco a credibilidade do STF soltando um contêiner de presos pela Lava Jato, e houve até boatos que tramavam com alguns picaretas do Congresso um ataque aos membros da PF, MPF e juízes que investem contra a corrupção.

Anteriormente, os mundos jurídico e político, também aceitaram calados o fatiamento do impeachment de Dilma Rousseff e a manutenção dos direitos políticos dela em flagrante desrespeito à Constituição praticado pelo ministro Lewandowsky acumpliciado com o corrupto Renan Calheiros, então presidente do Senado.

Todos estes, ficam arrotando ética, liberdade e patriotismo para aconselhar o presidente eleito democraticamente pelo povo brasileiro, Jair Bolsonaro, tentando pautar suas atitudes, comportamento e visão do ministério que vai compor e até do governo que pretende fazer. Não olham os próprios rabos.

Até a OEA, que tem um enorme rabo bolivariano, resolveu dar palpites sobre o futuro governo, falando de ameaças à liberdade de expressão e riscos de práticas ditatoriais que nunca se importou existirem efetivamente em Cuba e na Venezuela…

Dispenso fazer comentários sobre a massa fanatizada do lulopetismo, pela inutilidade de esperar de robôs primários com memória mecânica e suporte magnético de uma ideologia superada. Não se espera deles nada do que a conspiração para levar o País ao caos.

Seja como for, porém, esse grupo, cada vez mais minoritário, que olha e se preocupa com o rabo dos outros, terminará cotó, mutilado pelo trator da História…

 

 

DONA-DE-CASA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A humanidade precisa, antes de tudo, se libertar da submissão a slogans absurdos e voltar a confiar na sensatez da razão” (Ludwig von Mises)

Como colecionador de palavras, sei que a expressão dona-de-casa entrou em completo desuso. Quando é empregado, raramente, é depreciativo; mas quando eu era menino, pré-adolescente, a mulher que se investia desta designação era respeitada e tida como esperta em economia.

Faz muito tempo isto. Antes do Celso Furtado pôr em moda no Brasil a função de economista e, consequentemente, a multiplicação das faculdades para suprir a demanda… E os economistas, num curto período, superaram os bacharéis de Direito…

Economizar a renda familiar era uma das virtudes domésticas e a dona-de-casa sentia os efeitos da inflação e se prevenia contra ela, porque o aumento dos preços no mercado era sinal dos males que adviriam.

A História registra que a inflação submergiu o mundo na pior crise financeira de todos os tempos após o crash da Bolsa de Valores de Nova Iorque, quando ocorreu a desvalorização galopante das ações e do meio circulante.

Contava-se nos meus tempos de escola que foi tão vertiginosa a desvalorização do marco alemão e o consequente aumento do custo de vida, que os fabricantes da cerveja “Coroa” acharam que sairia mais barato usar notas de cem marcos como rótulos nas garrafas do que os imprimir.

Levando uma lanterna nas costas (como aconselha Buda para iluminar o que passou), devemos nos preocupar com a Economia, confiando no superministro Paulo Guedes, indicado por Jair Bolsonaro. Torcemos para as medidas que visam tirar o País do atoleiro enterrado pelo incompetente e corrupto Governo Dilma.

Pouco entendo de economia, apesar de ter cursado cinco semestres do curso na Escola de Economia da Universidade Federal da Paraíba, em Campina Grande; mas por enxerimento defendo a ideia de multiplicar o número de bancos no País, quebrando o oligopólio de seis bancos que controlam o sistema.

… E para clarear a miopia dos defensores da política econômica narcopopulista do PT, não custa lembrar que nunca, em tempo algum, os bancos lucraram tanto como nos governos lulopetistas.

Infelizmente, subsistem no chorume dos governos de Lula e Dilma, pessoas que defendem a filantropia criminosa à guisa de política social com o dinheiro arrancado do contribuinte, pessoas que negam a roubalheira na Petrobras e coonestam os empréstimos criminosos do BNDES no Exterior.

Vale a pena juntar à metáfora da dona-de-casa, a figura do pai austero, que mesmo distante assume a soberania para disciplinar os relacionamentos familiares e sociais. Por isso, aplaudimos a ida do juiz Sérgio Moro para o superministério da Justiça e Segurança Pública; Moro, com Paulo Guedes, serão os laterais que nas táticas modernas do futebol garantirão a defesa e o ataque do time das mudanças.

Com eles, vamos arrumar a Economia e combater a corrupção. Será a mudança de rumo na situação econômica caótica herdada do lulopetismo e para dar continuidade à Lava Jato e punir os quadrilheiros da corrupção.

Assim, devemos abrir a caixa preta do BNDES revelando se a corrupção adentrou na instituição; e não será preciso materializar o detetive Sherlock Holmes para investigar isto. Bastam os eficientes agentes da Polícia Federal e a simetria do pessoal do Ministério Público com os garotos de 25 anos, estudiosos, que passam em concurso para juízes federais…

O corrupto Lula da Silva que beneficiou com propinas das empreiteiras o PT, os hierarcas do partido e enriqueceu a si próprio e sua família, já foi condenado e preso; agora é pegar os demais, castigando-os como faria um bom pai; e assim amealharemos dinheiro para a feira, como faziam as donas-de-casa antigamente.

O GRITO DAS URNAS

MIRANDA Sá (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Se não quiserem uma cidade suja, não depositem lixo nas urnas” (Mário Sérgio Cortella)

São muitos, e bem situados, os olhos cegos e os ouvidos moucos que não viram, nem ouviram, o grito das urnas; na sua cegueira e surdez juntam-se aos derrotados nas eleições democráticas que levaram Jair Bolsonaro à presidência da República.

A imensa maioria dos brasileiros viu e ouviu o repúdio sofrido pelo narcopopulismo e o fracasso principalmente de Lula através do seu poste, Haddad, e dos salientes líderes lulopetistas Dilma, Lindberg, Manuela, Marinho, Pimentel, Requião e Vanessa. E este arrastão levou à derrota os parceiros e simpatizantes Alckmin, Ciro, Edson Lobão, Eunício Oliveira, a família Sarney e Romero Jucá.

Além das personalidades conhecidas, foram inequivocamente muitas entidades ligadas à política, e o jornalista Paulo Roberto de Almeida levantou no seu Blog “Diplomatizzando” várias delas, a partir dos institutos de pesquisa que até tentaram ajudar uma possível fraude.

O eleitorado abateu a mídia nacional e internacional. Atropelou “Clarin”, “Der Welt, “Economist” “Le Monde”, New York Times, Time…  Levou de roldão a Folha de São Paulo e o Sistema Globo; e os macacos de imitação do jornalismo nacional.

Caíram, contraditos, os intelectuais militantes do bolivarianismo, advogados, cientistas políticos, especialistas de qualquer coisa, filósofos, intelectuais à disposição para alguma campanha, estudantes que não estudam para cumprir tarefas partidárias e professores doutrinadores.

O espectro assustador do fascismo embora apenas fantasmagórico, abateu também significativamente a manada de inocentes úteis (e uns nem tão úteis assim), mobilizados para as ações de agitação e propaganda contra Bolsonaro.

A perda eleitoral não poupou os democratas de vídeo, mais palanqueiros do que ativistas. Nem alguns dos ministros do STF que resmungaram críticas, e a togada Cármen Lúcia precipitando-se na futurologia ao dizer que “‘Estamos vivendo uma mudança perigosamente conservadora'”.

Dessa maneira sucumbiu a decoreba jurídica das lições de Montesquieu ensinando que “Não há liberdade se o Poder Judiciário não estiver separado do Legislativo e do Executivo”, porque sem a equação republicana dos três poderes equiláteros será falida sem que os poderes sejam separados e iguais.

Resta aos brasileiros sedentos de informação as redes sociais, porque a chamada “grande imprensa” quebrou, da forma em que o Brasil assistiu na primeira entrevista coletiva prestada pelo futuro ministro da Justiça e Segurança, o juiz Sérgio Moro.

Os cidadãos letrados vimos revoltados como atuam os repórteres de baixa qualidade, pautados não para elucidar ideias e propostas, mas para perguntas inquisitoriais com repetitivos temas de agrado das obtusas esquerdas: conservadorismo, extrema-direita, ditadura, feminismo, homofobia, índios, quilombolas, tortura…

Como escrevi anteriormente, ainda há quem mantenha os olhos cegos e ouvidos moucos para não ver e não ouvir o grito das urnas, e o pior surdo é o que não quer ouvir. É por isso os jornais não conseguindo extrair leite de pedra, saíram no dia seguinte com manchetes chochas, com textos aguados de insinuações, intrigas, suposições…. Pobre Leitor!

É tão ruim o jornalismo atual, que nos valemos do colunista social Ibrahim Sued, para desprezá-lo: “Os cães ladram e a caravana passa…”

FOLHETIM – O RETORNO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas” (Charles Chaplin)

O Folhetim surgiu na França no início do século XIX para atrair leitores além dos mercadores interessados no movimento náutico e no vaivém das mercadorias; mas atravessou o Atlântico e medrou como cogumelos após as chuvas.

O substantivo masculino Folhetim é um galicismo, vindo do francês “feuilleton”, dicionarizado lá como “pequeno caderno veiculado num jornal composto de um terço da folha impressa”; e aqui aparece como publicação não periódica, revista de acontecimentos.

Chegou ao Brasil via Portugal na transmigração da corte real portuguesa. Saiam nos jornais publicados na capital do Império e republicados nos jornais do interior trazendo uma literatura amena, críticas literárias e teatrais e, com maior atração, fragmentos de romance novelizados.

Evoluindo pela demanda, adotaram os chamados “romances de folhetim” virando uma febre nacional. Nos anos de 1940 foram revividos nos Diários Associados, nos jornais de Assis Chateaubriand, onde brilhou Nelson Rodrigues com o pseudônimo de Suzana Flag.

O primeiro romance que Nelson publicou foi “Meu destino é pecar”, conquistando um sucesso extraordinário e logo seguido por “Escravas do Amor”, “Minha Vida”, “Núpcias de Fogo”, “O Homem Proibido” e “A Mentira”.

Outras publicações concorrentes, como a revista “Grande Hotel”, da Casa Editora Vecchi e a revista “Capricho” da Editora Abril, também traziam folhetins, e, na última, consagrou-se a novelista Janete Clair.

No campo da política e até mais para a politicagem, apareceu um primo do Folhetim, o “Folheto”, tipo de folheto impresso em papel barato e distribuído à larga, de mão em mão, com finalidade de alcançar um grande público. Foi inicialmente o recurso de partidos e movimentos ilegais para agitação e propaganda, e depois para divulgação de mercadorias, distribuído em farmácias e supermercados.

Com pequeno texto em caixa alta, ainda é muito usado na propaganda eleitoral. Com o termo folheto são impressos com a finalidade de informação muitas vezes fraudulenta. E eis que na sua decadência, o antigo jornal paulista outrora considerado entre os de maior tiragem no Brasil, se tornou uma espécie de folheto, o panfleto destinado a defender o lulopetismo corrupto e corruptor.

Com 78 anos de existência, o jornal teve como diretor o jornalista Otavio Frias Filho, recém falecido, e que deve estar se mexendo no túmulo ao ver o declínio crepuscular do jornal e, principalmente o jornalismo primário nele praticado.

Durante toda a campanha eleitoral que terminou com a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da República, a Folha moveu contra ele ataques inusitados, e continua a fazê-lo publicando mentiras, intrigando o presidente eleito no campo internacional.

Assim ocorreu com a falsa notícia de que o governo da Colômbia propunha uma aliança com Bolsonaro para invadir a Venezuela, tendo um desmentido imediato e enérgico; insiste em provocar atritos com a Argentina e trazer ameaças comerciais da China. Enfim, torce contra o País, impatrioticamente.

Os repórteres da Folha se especializaram em abrir sarcófagos, tirando deles múmias tipo Celso Amorim, FHC e José Sarney, para criticar o futuro governo, sequer composto, com hipotéticas projeções. Colunistas esvoaçam como mariposas no STF introduzindo-se sob as togas dos ministros para arrancar críticas ao juiz Sérgio Moro.

Aumentando o seu descrédito, o ministro Celso de Melo desmentiu uma nota que divulgou opinião negativa dele a Moro.

Com este retorno ao Folhetim, o Folheto de São Paulo é tragicômico, choramingando a ameaça de corte de verbas governamentais; considera que sem as boquinhas sofrerá um atentado à liberdade de imprensa…. Neste lamento hilário, conta com apoio irrestrito do Sistema Globo.

 

COMO A FÁBULA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Pode-se enganar algumas pessoas todo o tempo. Você pode também enganar todas as pessoas algum tempo. Mas você não pode enganar todas as pessoas todo o tempo”. (Abraham Lincoln)

Nos tempos em que a imprensa ainda era o “espelho comum de todos os fatos e de todos os talentos” no dizer de Machado de Assis, jornalista Carlos Heitor Cony tendo convivido e atuado profissionalmente nos jornais, afirmou num belo artigo que “a literatura começou com as fábulas”.

Eu diria que as fábulas também orientam a boa imprensa, pois encontro na fábula “O Lobo e o Cordeiro”, de Esopo, atualizada por La Fontaine e abrasileirada por Monteiro Lobato, uma interpretação do que fazem os lobos pelados do lulopetismo, famélicos de vingança pela vitória eleitoral de Jair Bolsonaro.

A simplicidade da historieta tem um peso de muitas toneladas de intenções maléficas:

“Um cordeirinho estava matando a sede num riacho quando, vazante acima, ouviu um lobo, que também bebia água, gritar: – “Como é que você tem a coragem de sujar a água que eu bebo? ”

Amedrontado com a figura sinistra do canídeo, o cordeiro respondeu tremendo: – “Senhor, não tenha raiva, estou a vinte passos descendente, não posso estar sujando nada… “ O lobo se fez desentendido: – “Mas eu sei que você andou falando mal de mim no ano passado…”

– “Não pode, senhor, eu nasci este ano… “ Rosnando como nunca o lobo retrucou: “Se não foi você, foi seu irmão, o que dá no mesmo”. Ainda mais amedrontado, o cordeiro se justificou: – “Não tenho irmão, sou filho único…”

Mostrando os dentes, o lobo se achegou gritando: – “Não importa, foi alguém que você conhece, outro cordeiro, ou os cachorros que pastoram o seu rebanho! ” E pulou sobre o cordeiro e matou-o a dentadas.

Não é isto que ocorre com a minoria raivosa do PT, derrotada nas urnas, vivendo uma realidade paralela antagônica aos anseios do povo brasileiro?

Jair Bolsonaro ainda nem tomou posse e o lulopetismo já mobiliza os fanáticos cultuadores da personalidade do corrupto Lula da Silva para manifestações de protesto contra um governo que não começou.

Quando o astronauta Marcos Pontes, embaixador da NASA, com credenciais acadêmicas e técnicas é indicado para o Ministério de Ciências e Tecnologia, é esnobado pelos burocratas incorporados às pesquisas financiadas pelo governo.

Ao escolher para o Ministério da Defesa o general Augusto Heleno, reconhecido e condecorado estrategista pela segura pacificação do Haiti, que comandou, ladravazes oposicionistas contestam, por que acham que deveria ser um civil no cargo.

Ataques violentos são lançados contra o atuante parlamentar gaúcho, Onyx Lorenzoni, escolhido para a Casa Civil da Presidência da República, que coordena a transição para a posse.

Assim chegamos à esperada indicação do bravo, competente e íntegro juiz Sérgio Moro, aplaudida pelo povo brasileiro quase à unanimidade (noves fora os militantes descerebrados do narco-populismo). Então, é foi um “Deus nos Acuda! ”

Esbravejam por que Moro dizia que não se meteria na política, e não se meteu, pois, para assumir um Ministério, não precisa obrigatoriamente ser político, como nos tempos do “toma lá, dá cá” do Império da Corrupção Lulista.

E o pior de tudo é o bando antidemocrático e antinacional lulopetista ser atemporal nas acusações que faz. Uivaram que o general Mourão fora torturador em 1969, quando tinha 16 anos e não ingressara na escola militar, agora rosnam que Moro condenou o corrupto Lula da Silva dois anos atrás para ajudar Bolsonaro a se eleger presidente.

Na época da condenação nem se falava em eleição, e a sentença do Chefe da Orcrim política foi confirmada e ampliada pelo TRF- 4, sucedida pelo STJ e pelo STF.

Como na fábula, depois de ter metido os dentes na Nação Brasileira por mais de uma década, a alcateia de lobos narco-populistas queria mais; mas nós, o povo brasileiro, a enxotamos pelo voto.