DAS FARSAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
A farsa e os farsantes têm um capítulo reservado na História da Civilização. Como os brasileiros atravessamos um período recheado de imposturas e trapaças, é preciso ativar todos os sentidos para enfrentar as fraudes que estão registradas na infeliz Era Lulopetista que infelicita o nosso país.
No cenário global, a farsa que ocorre precisa ser completamente apurada como a Polícia Federal tem feito; e aos jornalistas independentes e historiadores sem tornozeleiras eletrônicas do mercenarismo, cabe divulga-la e analisada.
Fraudes políticas assumem várias formas: Desvios de fundos públicos bilionários; pagamento de propinas e subornos; manipulação de eleições e resultados; e uso de instituições públicas, principalmente do campo financeiro, para benefício pessoal ou de grupos privados
Da minha parte recordo o escândalo político que estourou nos Estados Unidos levando um presidente da República a renunciar ao mandato. Foi em 1972, envolvendo agentes da campanha de reeleição de Richard Nixon que comandaram um plano de espionagem política e encobriram o fato. Está capitulado como “Caso Watergate”.
No cenário das finanças temos um caso que o Departamento de Justiça dos EUA descreveu como “o maior caso de cleptocracia até hoje”.
Ocorreu em 2009 na Malásia, com a criação do fundo estatal 1Malaysia Development Berhad para investimentos que redundou num gigantesco caso de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de mais de US$ 4,5 bilhões de um fundo de investimento estatal entre 2009 e 2015.
Hoje, com o caso do Banco Master no Brasil, o Departamento de Justiça dos EUA já não consideraria o desvio e gastos do Malaysia o “maior caso” …. Aqui tivemos o mesmo financiamento para influências políticas, infiltração de advogados na alta Corte de Justiça, promoção de festividades, corromper a mídia e comprar bens valiosos.
Lá como cá chegou-se a bilhões em moeda corrente desviados por meio de empresas offshore e contas pessoais. O Banco Master é um esquema bancário fraudulento com impacto sistêmico nacional, condenado pelo Banco Central e investigado pela Polícia Federal.
O caso já é considerado uma das maiores farsas no Brasil e atravessou as nossas fronteiras tornando-se um escândalo financeiro internacional; entre nós corre paralelo ao assalto feito por entidades sindicais e pelegos lulopetistas no INSS, ainda em apuração por uma CPMI.
Analistas livres das rédeas ideológicas comentam que esta situação criminosa exige uma operação como a que foi executada pela Lava Jato em 2014, cujo impacto pela lavagem de dinheiro e pagamento de propinas manteve um gigantesco esquema de corrupção envolvendo políticos, grandes empreiteiras (como Odebrecht) e contratos públicos incentivados pelo Governo Lula em vários países.
Na atual conjuntura da delinquência entra a banda podre do poder de forma ampla, geral e irrestrita; e os andares de cima não podem continuar sem investigações tipo Lava Jato, condenada e deletada pelos populistas corruptos de “direita” e de “esquerda”, implicados com a corrupção.
Os maus feitos criminosos vagueiam inusitadamente. Veja-se o assalto no INSS e o Banco Master que podem constar da História entre os grandes casos de fraude político-financeira do mundo, pelo impacto econômico e institucional.
Em 18 de novembro de 2025 o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master devido à grave crise de liquidez e violações das normas do Sistema Financeiro Nacional; mas desconhecia o alcance dos envolvidos no esquema.
Passados três meses, um compilado do que foi apreendido em oitivas com executivos do Master e conversas telefônicas comprovadas do presidente Vorcaro, foi levado pelo diretor da PF ao STF, e isto resultou no afastamento de Toffoli num arrumadinho dos colegas para defende-lo acumpliciadamente.
Mal tirado o sofá vermelho do plenário vê-se o envolvimento de Alexandre Moraes nos delitos masterizados e a cumplicidade explícita de 8 togados que defenderam em reunião vazada do STF o indefensável Toffoli que, mesmo suspeito, se impunha na relatoria do processo ….
E em continuidade às fraudes na esfera político-jurídica explode mais um fato (nada surpreendente) de um alcance de R$ 30 milhões no programa da Farmácia Popular encontrado em operação conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e CGU.
Assim vigoram as farsas escancaradas na volta de Lula ao poder. São as mesmas práticas que o condenaram pela Lava Jato….
DO APOCALIPSE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Como verbete dicionarizado, a palavra Apocalipse etimologicamente, indica o ato de revelar algo que estava coberto, a palavra vem do grego antigo (apokálypsis), que significa literalmente “descoberta” ou “revelação”; deriva de apo– (“fora”, “de afastar”) e kalyptō (“cobrir”), trazendo a ideia de levantar o véu do oculto ou escondido.
Na História Geral, o termo apocalipse não se refere originalmente a uma catástrofe ou ao fim do mundo, entendido como é usado na Bíblia. No contexto religioso Apocalipse tem um sentido de “catástrofe” ou “fim do mundo” encontrado no Novo Testamento, o Livro do Apocalipse, com profecias sobre o juízo final, a vitória de Deus sobre o mal.
No Islamismo existem a crença sobre o Dia do Juízo Final, em que ocorrerão sinais precedendo o fim, com o surgimento de um falso messias (Dajjal) e o retorno de Jesus (Isa), seguido pelo julgamento de todos os humanos conforme suas ações.
Fora do contexto religioso judaico-cristão-islamita, outras tradições religiosas também possuem narrativas apocalípticas e conceito de fim cósmico, diferente na forma e na intenção.
No Budismo o tempo é visto como cíclico e por isto o Apocalipse não é visto como um julgamento final por um Deus, mas fazendo parte de um ciclo da história que o mundo passa com eras virtuosas e eras de conflito; também no Hinduísmo há a mesma visão cíclica do tempo, em que se sucedem a criação e a destruição.
O uso popular corrente de apocalipse sofreu uma ampliação significativa: passou a designar qualquer evento de destruição ou catástrofe, como um desastre natural, guerra devastadora ou mesmo o colapso de uma sociedade, criando uma ruptura total ou transformação radical da realidade.
Esta mudança semântica, historicamente, é moderna, o sentido de fim do mundo ou de evento catastrófico total, ideia que se consolidou a partir de leituras do texto bíblico e de representações dramáticas. Hoje o Apocalipse evoca a ideia de revelação de um fim radical ou de uma crise profunda que transforma tudo.
Em termos culturais, o cinema tem explorado o Apocalipse com ficções que obtiveram grande sucesso de bilheteria. Há filmes que tratam de catástrofes naturais, colapsos sociais, invasões e cenários pós-apocalípticos, seja com zumbis, mudanças climáticas ou desastres cósmicos.
Filmes que se tornaram populares, preenchendo o horário de canais televisivos, incluem clássicos desse gênero como “Mad Max: Estrada da Fúria” – ações num mundo destruído –, o clássico de Francis Ford Coppola, épico da guerra do Vietnam, “Apocalypse Now”, de 1970; e também “O Dia Depois de Amanhã” – uma abordagem de mudanças climáticas extremas –, um dos mais assistidos e comentados.
Este último, de 2004, dirigido por Roland Emmerich, mostra um cenário apocalíptico causado por uma súbita e extrema alteração climática desencadeando tempestades e uma nova era glacial que ameaça toda a vida na Terra. Nele, Jack Hall (Dennis Quaid), após prever a catástrofe como climatologista, luta para salvar seu filho Sam (Jake Gyllenhaal), então preso em Nova York coberta de gelo.
Na Literatura, a temática se destaca abordando distintas visões sobre o colapso da civilização, cada uma com sua própria maneira de abordar medo, esperança e sobrevivência humana frente ao Apocalipse.
A “imaginação apocalíptica” preenche todos os requisitos da literatura fantástica, com destaque no Brasil para o livro “A Batalha do Apocalipse”, obra do jornalista brasileiro Eduardo Spohr, publicado em 2007.
Levado à política mundial e especialmente brasileira, o presente escatológico se prende à mediocridade e a corrupção dos protagonistas, juristas, militares e políticos que ocupam o poder.
Nada se compara ao fim dos tempos com o galopar dos Cavaleiros do Apocalipse que entre eles estão bolsonaristas da falsa direita e lulopetistas da falsa esquerda que, mesmo polarizando eleitoralmente, representam igualmente a falsidade, a mentira e a corrupção. CHEGA!!
ABRACADABRA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Defendo que cada pessoa pode adotar a religião que quiser. Pode adorar o sol, reverenciar o trovão, curvar-se diante da Shiva linga, dos deuses mitológicos, de Buda, imagens de gesso ou o deus único da bíblia judaico-cristã. Para mim. pouco importa. Desde que tenha fé. Isto é o que vale.
Dicionarizado, o verbete “Religião” é um substantivo feminino significando a crença na existência de um deus ou deuses. A palavra vem do latim “religio”, traduzida como “respeito pelo sagrado”; derivou o verbo “religare”, aproveitado por Agostinho de Hipona, doutor da Igreja e depois santo, quando apelou para os católicos voltarem-se para os antigos princípios cristãos.
Religião é um tema que não pode, nem deve ser abordado levianamente; e também não é fácil de argumentar corretamente. Enfrentando a complexidade e a contraversão, aqui estou porque fui provocado nas redes sociais por alguém que me encarou pelas críticas que faço sobre a mistura de religião e política.
Segundo estudiosos, existem mais de 10 mil religiões registradas mundo afora e são formadas conforme descreveu o filósofo e escritor francês, Ernest Renan, dizendo que “basta uma dúzia de frases eloquentes e fogos de artifícios para se fundar uma religião no Oriente”.
Nos Estados Unidos, se dispensam os fogos; bastam as palavras e o carisma do doutrinador, e elas se multiplicam; e, no Brasil, é preciso apenas o apoio de um parlamentar e verbas públicas para abrirem-se as portas de um templo evangélico, doublé de comitê eleitoral.
É muito triste constatarmos tal coisa. Mas é verdade: confira-se o número de pastores evangélicos politiqueiros, alguns deles com mandato parlamentar pregando uma política de ódio pelas redes sociais.
Em contrapartida, ficou registrado no último censo um aumento demográfico dos que se identificam sem nenhuma religião, ateus e agnósticos, mas o seu número não passa de um fração daqueles que creem em magia, exaltando os jogos de búzios, baralho e tarô; os falsos médiuns das fórmulas mágicas para conquista do amor, os leitores das linhas da mão e redatores de horóscopos.
Trapaceiros de todos matizes têm entre o povão tanta confiabilidade quanto os que fazem política em nome da religião. E esta coisa vem de longe…. Na antiga Grécia o médico Quintus Serenus Sammonicus usou o termo “abracadabra” como exorcismo para curar a malária.
A origem desta exclamação, segundo filólogos, vem do aramaico Avraadabra ou do hebraico ebrah k’dabri significando “eu crio enquanto falo”; e se popularizou entre magos, ilusionistas e charlatães.
Vê-se daí que Abracadabra, desde as primeiras sociedades humanas foi usada como exorcismo para curar enfermidades e, no campo da magia, foi destinada como ritual para expulsar demônios, espíritos malignos ou influências demoníacas de uma pessoa, lugar ou objeto.
A magia vem de muito longe de acordo com antropólogos do período pré-histórico, quando rituais, pinturas rupestres e práticas xamânicas buscavam influenciar a natureza, a caça, a fertilidade e a cura.
Na Grécia, pensadores como Pitágoras e Platão dialogaram indiretamente com saberes místicos, com as magiké, isto é, as práticas dos magos persas.
No Renascimento, figuras como Hermes Trismegisto, Paracelso, Cornélio Agrippa e John Dee resgataram a magia como conhecimento simbólico e filosófico. Já na modernidade, estudiosos como Elifas Lévi, Helena Blavatsky e Aleister Crowley reinterpretaram a magia como um caminho espiritual e psicológico.
Na política brasileira os picaretas dos três poderes republicanos dos “andares de cima” associam a magia ao assalto que fazem ao Erário, praticando a ciência oculta da corrupção, que perseguem em nome da Democracia.
Assim, obrigam as pessoas esclarecidas a se opor ao poder ocupado por PHDs do crime político. Os autênticos patriotas expressam em pensamento e voz alta ABRACADABRA a fim de exorcizar a imunda polarização dos populistas corruptos Jair e Lula.
CÃES E HUMANOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
A Polícia Civil de Santa Catarina fazendo investigações e apreensões para reunir provas, identificou quatro adolescentes como suspeitos das agressões ao cachorro comunitário Orelha.
Um cão dócil e muito querido pelos moradores da Praia Brava, Orelha vivia há cerca de dez anos sob os cuidados coletivos da comunidade e era figura constante no cotidiano local; o maltrato sofrido por ele chocou o Brasil gerando forte comoção nacional.
Casos como este são revoltantes e obrigam que se faça um debate sobre a violência contra animais, criando uma responsabilidade legal para os autores. Assim, este episódio de extrema crueldade deverá servir de exemplo, mantendo viva a importância de punir os autores da agressão, doa a quem doer.
A estupidez humana é revoltante. Lembra-nos o ensinamento do sábio Aristófanes que enunciou: “a juventude envelhece, a imaturidade é superada, a ignorância pode ser educada e a embriaguez passa, porém, a estupidez é eterna”.
É bastante conhecida a estupidez que se hospeda nos quatro cantos do Planeta e mui particularmente no nosso País, se exibindo nas ruas, nos shoppings, nos supermercados e principalmente nos coletivos, avião, ônibus e metrô.
O pior e mais revoltante é a encenação que se vê nos andares de cima do poder ocupados por magistrados, militares e políticos… Ali, pouca diferença há no tratamento de animais e do povo, igualando pelo desprezo cães e humanos.
Teatraliza-se com ou sem a Lei Rouanet o Caso Master, a estúpida performance do “strip-tease” que expõe a obscena nudez da corrupção, tendo como atores os políticos diplomados, fardados e togados da Banda Podre do Poder.
Também não é muito difícil ver-se personagens de ambos lados da polarização eleitoral, igualando-os no avanço ao Erário e ao bolso do contribuinte. Antagonizam-se nos discursos, mas juntam-se na política rasteira dos comissionamentos e das propinas.
Com dados concretos, em novembro de 2025 o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master após a tentativa de compra de parte da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB).
Na ocasião, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar supostas fraudes financeiras cometidas pelo Master. Quase a seguir, em encontro articulado por Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, Lula, fora da agenda, se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro dono do Banco, na presença do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A partir daí a linha se desenrolou do carretel e a investigação mantida no âmbito do primeiro grau da Justiça Federal foi requerida para o STF por ordem do ministro Dias Toffoli; e não foi por acaso: ele próprio e vários ocupantes das três esferas republicana estão envolvidos no escândalo.
O Banco Master contou com uma série de conselheiros próximos a Lula, ao PT e ao governo federal, como também políticos ligados ao ex-presidente Bolsonaro; Mantega foi um deles, indicado por importantes figuras do lulopetismo, o ministro Rui Costa (Casa Civil) e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues; ele atuava na instituição como uma espécie de representante do PT.
A revelação mais explosiva foi encontrar-se citado em relatórios e investigações, o ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que segundo a CNN, recebeu R$5,25 milhões do Banco Master enquanto ocupava o ministério….
Vê-se assim que não foi por acaso que o togado Dias Toffoli atropelou o ordenamento judicial para minimizar a participação de aliados e a sua própria, que junto com parentes próximos, teve uma suspeita transação imobiliária com o Banco Master.
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, coleciona contatos políticos influentes em Brasília e como não poderia deixar de ser, foi solto após ser preso na primeira fase da operação da PF.
Esta amplitude do Caso Master nos leva à hipótese matemática de que as paralelas se tocam no infinito; vê-se isto na participação da falsa direita bolsonarista e da falsa esquerda do lulopetismo encontrando-se na avidez do enriquecimento ilícito.
Assim, os horrores praticados contra o cãozinho Orelha têm semelhança com a crueldade que a Banda Podre do Poder faz com a Nação, mantendo o povo brasileiro escravizado, preso ao tronco da injustiça imperante.
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DO TEMPO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Escrevi no ano passado um artigo com o mesmo título, “DO TEMPO”, que na História e na Literatura é também infinito, tema explorado desde os primeiros anos da humanidade, medido pelo nascer e o pôr do sol, nas fases da Lua e na observação das estrelas.
Os antigos impérios, assírio, babilônio e egípcio ergueram obeliscos como relógios solares e os calendários mais antigos surgiram na Mesopotâmia com os sumérios e caldeus por volta de 2700 a.C.; e registra-se um calendário solar mais preciso, com 365 dias no antigo Egito e na América Central pré-colombiana dos maias.
“Calendário” é um termo que deriva do latim “calendarium“, relacionado às “calendas“, o primeiro dia do mês, que marcava as celebrações religiosas romanas. A evolução do calendário reflete o desenvolvimento do conhecimento humano sobre astronomia, matemática e organização social.
Nos nossos dias o Tempo é um assunto explorado no cinema. Passou outro dia na tevê o filme A “Máquina do Tempo”, de 1960, dirigido por George Pal e o enredo baseado no romance homônimo de H. G. Wells; é a história de um engenhoso inglês que constrói um equipamento que viaja no tempo.
De Júlio Verne, o cinema aproveitou “A Volta ao Mundo em 80 dias” e muitas outras películas com o tema futurológico, que lembro algumas: “De Volta para o Futuro”, “Exterminador do Futuro”, “Interestelar”, “Os Doze Macacos” e as românticas “Todo tempo que temos” e “Feitiço do Tempo”, este último, um sucesso desde o lançamento em 1993.
Intelectualmente, o Tempo é um modo contínuo em que os acontecimentos ocorrem sucessivamente e a sua definição científica considera-o uma grandeza física presente nas diversas áreas da sociedade humana.
A pesquisa científica registra um fato interessante sobre o Tempo e os seres vivos: o gato, originalmente um animal selvagem, levou cerca de três mil anos para ser domesticado; em contraposição, o lince, doméstico no antigo Egito, bastou sair do povoado e voltar à mata para reverter ao estado natural….
De século em século o tempo passa e a História vai registrando fatos momentosos à sua época. Nos fins do século 19 o noticiário vindo da França sobre o caso Dreyfus abalou o mundo e no século seguinte era um privilégio ter na estante “EU ACUSO”, livro contendo uma carta de Émile Zola defendendo o oficial acusado de traidor por ser judeu pelos generais clericais racistas.
No século 20, em que nasci e cobri praticamente 70 anos de acontecimentos, fixei na memória as duas guerras mundiais, a revolução russa e a ascensão e queda dos regimes totalitários, o fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha e o stalinismo na URSS.
Por fim, mal começa este século 21 e temos a nível mundial os desvarios de Donald Trump assumindo estupidamente a posição de gendarme do Planeta e, no Brasil, uma hecatombe política que leva à História o maior escândalo financeiro de todos os tempos, o Caso Master, envolvendo mais da metade do poder constituído que convencionamos chamar de “A Banda Podre do Poder”.
Graças a estes corruptos, assistimos nos andares de cima do poder uma azáfama tentando esconder e/ou abafar as medidas tomadas pelo Banco Central de liquidação dos tentáculos fraudulentos usados pelo Banco Master, o Letsbank S/A, da Master S/A Corretora e da Reag Investimentos e as investigações da Polícia Federal.
Só o tempo irá dizer e a História vai registrar quem são as figuras envolvidas com o banqueiro corrupto Daniel Bueno Vorcaro, dono do Banco, mas desconfiamos haver entre elas muitos com o diploma parlamentar e diversas togas dos tribunais superiores….
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DOS VENENOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
O noticiário televisivo nos traz numerosos casos de envenenamento ocorridos em família, entre vizinhos e desafetos. Ciúme, ódio e vingança são os motivos alegados para esta prática criminosa….
Além de assassinatos individuais, o uso do veneno também ocorre de forma coletiva ou sistemática. Isto revive um passado distante, onde alimentos ou bebidas tóxicas serviam para eliminar adversários ou controlar populações inteiras, numa estratégia de terror ou eliminação silenciosa.
Assassinatos por envenenamento de líderes políticos e religiosos atravessam séculos — vão das cortes imperiais à política e religião — revelando o uso do veneno como arma estratégica de poder e intimidação, muitas vezes mortal.
A Bíblia menciona o veneno de áspides (João 20.16), de serpentes (Deuteronômio 32.24), e de répteis e víboras (Deuteronômio 32.33), mas o uso do veneno em casos planejado e executado por pessoas são raros no livro.
Mais tarde, na Roma imperial intrigas cortezãs levaram à morte imperadores e seus herdeiros com venenos, segundo relato histórico de conspirações disfarçados de causas naturais.
A Igreja Católica absorvida pela Roma Imperial deixou como herança na Idade Média e até mesmo em sociedades mais recentes, ocorrências desse tipo de crime silencioso, motivado pelo controle de poder, heranças ou disputa de influência.
O papado medieval era profundamente inserido na política europeia; guerras, intrigas de famílias nobres e disputas internas favoreciam rumores de assassinatos de figuras influentes — tanto políticas quanto religiosas.
No Vaticano há diversos registros e muitas insinuações mencionando mortes de papas por envenenamento. São citados João VIII (século 9), Bento VI (século 10), Clemente II (1047–1048), Alexandre VI, da família Bórgia (1492–1503) e Leão X (século XVI). A maioria dessas suspeitas permanece sem prova científica.
Esses episódios vêm de crônicas renascentistas, onde rivalidades políticas foram intensas e a morte súbita de um papa alimentava boatos pela Europa luterana e calvinista.
Casos citados pelos historiadores incluem o que aconteceu na China imperial com o último imperador da dinastia Qing, Guangxu, cuja morte em 1908 levantou suspeitas de envenenamento — mistério que só foi confirmado cem anos depois, quando exames detectaram níveis elevados de arsênico em seus restos mortais.
Outro caso mais célebre do século passado é o do místico russo Grigori Rasputin, ligado a corte do último czar da Rússia, envenenado antes de sofrer ataques letais, mas não morreu; a sua resistência sobre-humana ao veneno está registrada nas memórias do príncipe Felix Yussupov, um dos seus assassinos.
Na Alemanha hitlerista, os oficiais nazistas levavam consigo uma cápsula de cianureto de potássio para usar em caso de captura. O braço direito de Hitler, Hermann Göring, cometeu suicídio usando-a para evitar a execução condenada por Nuremberg.
O arsênico e o cianeto são refrescos comparados com toxina botulínica H, o veneno mais letal conhecido, um milhão de vezes mais mortífero que a dioxina, outro veneno produzido pelo homem. Exemplificando, a dose letal da toxina butinolina H, mataria 50% de uma população com meros 0,00000003 mg da substância.
Entretanto, o pior veneno não vem em vidros ou cápsulas; se derrama pela Política e pela Justiça nos tempos que atravessamos; é o envenenamento em massa no Brasil, é a estricnina que estava substituindo dinheiro nos cofres do Banco Master….
Foi e está sendo usado pela banda podre do poder. A bandidagem locupletada nos andares de cima está aterrorizada com o conteúdo do celular do corruptíssimo banqueiro Vorcaro e no desdobramento das investigações da Polícia Federal, que sofre tremendas pressões , mas não se rende.
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DA VOLTA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Meditando no Mosteiro de Santa Catilina de Siena (B.A.) considerei ficar e lutar pelo imperativo da consciência patriótica contra a realidade funesta de corrupção generalizada e política pervertida que abateram sobre o nosso amado Brasil.
Lutar contra os “donos” da Democracia fizeram uma manifestação ontem, notadamente esvaziada de povo; apenas com público amestrado para aplaudir os slogans repetitivos em que aliados a regimes ditatoriais falam de Liberdade….
Lutar contra a banda podre do poder que quer salvar o fraudulento Banco Master, seu dono corrupto, Vocaro, com aliados nos três poderes republicanos que investem contra a legislação que dá ao BC o poder de regulação, fiscalização e intervenção no mercado, usando a Agência MiThi, de Thiago Miranda, para contratar criminosos para atacar do BC.
Lutar contra o cenário nojento protagonizado por Lula, que pela ideologia da pelegagem pensa somente nas próximas eleições, e abandona o “cumpanhero’ Maduro, e maneira com Trump, calando petistas e mandando Janja ficar de boca fechada.
Lutar contra o capitão Bolsonaro, tão valente como golpista e tão fraco para enfrentar a Justiça, mostrando uma covardia ímpar, com mazelas enfermiças de aftas a calos no dedão do pé, desmoralizando a alcunha de “mito” que não mantém como os capitães que quis imitar, Prestes e Lamarca, de inegável altivez e postura militar autêntica, mesmo rebeldes.
Lutar contra a imunda polarização defendendo a terceira posição política com o Centro Democrático, que nossos vizinhos democratas da Argentina e do Chile assumem como “La Terceira” e os portugueses com o “Chega!”
Voltei. O velho guerreiro voltou novamente.
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DOS ESPÍRITOS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
A Ciência nos mostra que historicamente o ser humano, desde sua formação primitiva na pré-história, jamais viveu isoladamente. Sempre em sociedade, inicialmente em clãs familiares de descendentes, ampliando-se mais tarde em tribos de afinidades linguísticas.
Antes de conhecerem a ligação dos efeitos físicos em si e em relação com a Natureza, foi normal que as gentes supusessem que tudo que lhes cercava e viviam, devia-se a poderosos entes invisíveis semelhantes a si próprios. Assim como o dia e a noite, o sol e a lua, os animais e as plantas, a chuva e a seca….
Isto proporcionou uma visão imaginária ao ser humano, ponto de partida para engendrar uma espécie de religião, o Animismo, uma doutrina que constituiu a diferença entre a vida e a morte, e o que ocorre após a morte.
Sobre isto o antropólogo Edward Burnett Tylor, no século 19, discorreu e considerou o animismo como a forma mais primitiva da religiosidade humana a partir de sonhos, das experiências com a morte e dos fenômenos da Natureza; daí, as comunidades para explicar o seu mundo atribuíram vida espiritual às ocorrências.
Para Tylor, o Animismo é a crença de que todas as coisas — seres vivos como animais e plantas, elementos da Natureza (rios, montanhas, ventos) e até objetos inanimados — possuem uma “alma” ou essência espiritual.
Este modo de ver o mundo gerava rituais e práticas, cujo objetivo era manter o equilíbrio entre os humanos e os espíritos que os rodeavam, pedindo proteção, saúde ou relacionamentos harmoniosos.
Estudiosos contemporâneos, porém, discordam que se considere o Animismo como “religião primitiva”, embora a sua existência fosse anterior às religiões organizadas e teologias estruturadas, porque não se constituía na base de dogmas, apenas de uma multiplicidade de crenças e práticas, variando de cultura para cultura.
A mentalidade humana por uma larga temporada da sua existência acreditou no mundo dos espíritos, das fadas, dos gnomos, do saci pererê e da curupira, evoluindo para cultuar misteriosos deuses humanizados que criavam por associação de ideias.
Esta tentativa de explicar o sobrenatural evoluiu para a imortalidade da alma, a vida após a morte e a existência de um mundo espiritual; e assim chegamos à crença de que vivemos sob influência de forças externas.
Daí surgiram grupos espíritas e para eles o dia-a-dia das coisas que podem ser observadas vai além: defendem evidências como a mediunidade, a capacidade de comunicar-se com os espíritos dos mortos.
A principal defesa desta tese está n’ “O Livro dos Espíritos”, da autoria de Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, educador, autor e tradutor francês. A obra foi publicada em 1857 e é considerada fundamental para codificação espírita.
O judaísmo e suas vertentes cristã e islamita, dominantes culturalmente na esfera ocidental, concebe, como a força divina, o Espírito Santo e, do outro lado, no Oriente, o budismo não crê numa alma ou espírito permanente que transmigra de uma vida para outra; em vez da reencarnação (transmigração de uma alma), vê o renascimento.
Para Spinoza, o espírito não é um ser separado, mas uma expressão necessária da natureza, não existe separado da matéria; cada alteração do corpo corresponde a uma alteração do espírito (paralelismo psicofísico).
No campo político, o enciclopedista Montesquieu, filósofo e escritor francês, teve a clarividência de encontrar o espírito das leis…. Ficou famoso pela sua teoria da separação dos poderes, atualmente consagrada em muitas das modernas constituições internacionais, inclusive na Constituição Brasileira.
Seu livro “O Espírito das Leis”, de 1748, traz a proposta da separação do poder Estatal em três, Legislativo, Executivo e Judiciário. É antológico o seu princípio de que “todo homem que tem o poder é tentado a abusar dele; é preciso que, pela disposição das coisas, o poder freie o poder”.
Com os pés no chão, o folclore criou expressões curiosas como “espírito santo de orelha” designando fofoqueiros, “espírito maligno” nomeando o demônio e “espírito de porco” indivíduo que vive para criar problemas, para ofender ou prejudicar os outros.
No cenário político que atravessamos, o “espírito de porco” vive na cobertura, usa toga e rasga a Constituição, como um deles acaba de fazer atropelando o Legislativo e advogando em causa própria amedrontado com o que pode vir do Caso Banco Master; pouco importa o atentado contra o Estado de Direito, contando que se salve!
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DAS BALANÇAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Um tuiteiro postou outro dia a foto de uma Balança antiga, de dois pratos e sua coleção de pesos para aferir as medidas; perguntou se alguém sabia “o que era isso” …. Do alto dos meus 92 anos, convivi com este instrumento, comprando produtos pesados por ele; e nos anos 1965/66, encontrei-as comercializando na feira de Guarabira/PB.
Lembrei-me de usar este tema pelas ilustrações da figura de Têmis, a deusa da Justiça na mitologia grega, segurando uma espada e uma balança….
Como instrumento de medição do peso, a palavra Balança nos dicionários é um substantivo feminino que pode ser a terceira pessoa do singular do presente do indicativo ou a segunda pessoa do singular do imperativo do verbo Balançar.
A etimologia deste verbete é latina, “bilancia”, de “bilanx, -ncis”, referindo-se à balança de dois pratos e seu significado em brasilês vai ao equilíbrio, ponderação à relação ou comparação. Na Astronomia temos a Constelação do Zodíaco, e na Astrologia é o signo que fica entre Virgem e Escorpião, Libra.
Sempre me parecia fácil equilibrar a Balança da Justiça; mas pela jurisprudência atual parece-me que falta à magistratura uma formação necessária para isto, porque vemos muitas irregularidades nos tribunais brasileiros.
Deve-se, na verdade, ao exagero bacharelesco a variedade formal da Justiça, com divisão de instâncias, diferentes interpretações administrativas (Estadual e Federal), especializações como a do Trabalho, Eleitoral, Militar e duas “superiores” uma como última instância e outra teoricamente intérprete da Constituição…
Esta ampla estrutura cria uma casta privilegiada e muitas vezes abusiva, de gente “mais iguais do que os outras”. Tenho a convicção de que a maioria dos brasileiros gostaria que tivéssemos uma Justiça única exercida salomonicamente, onde o equilíbrio dos pratos da balança pesasse o crime com rigor.
A cidadania, como um todo, espera sentenças que não sejam efêmeras e informais, tipo calúnia, difamação e injúria, que qualquer advogado, por mais medíocre que seja, pode procrastinar ou obter acordos pela renúncia.
Gostaríamos que a Balança da Justiça fosse valorizada, assumindo realmente a função do equilíbrio. Dela dependemos, já que os cânones fundamentais do Direito, não permitem à parte lesada, prejudicada ou ofendida, justiçar o transgressor.
Também é necessário considerar que a própria magistratura deveria realçar a qualidade de um julgamento equilibrado, diferentemente dos tribunais de exceção onde vigora o absolutismo monocrático.
A História da Civilização registra tribunais de exceção como instrumentos de poder impondo uma ordem ideológica ou política. A Igreja Católica imperialista manteve a “Santa Inquisição” que vigorou do século XII ao XVIII. Foram cruéis os processos contra hereges, torturas, denúncias anônimas e confissões forçadas em nome da ortodoxia religiosa mantida pelo papado.
Criados por ditaduras, tais tribunais revelam uma lógica comum: tratar os acusados não como cidadãos com direitos, mas como inimigos do Estado. Na Europa fascista, nazista e stalinista do século passado estabeleceram “legalidade autoritária”: distorceram leis já existentes ou criaram normas especiais para perseguir opositores, e suprimir as liberdades para manter controle.
Deste lado do Atlântico, os regimes ditatoriais militares criaram, no século passado, na Argentina, Brasil, Chile e Uruguai uma justiça excepcional; estes tribunais de exceção funcionaram como mecanismos de legitimação do poder repressivo deixando um sombrio legado de prisões, torturas e assassinatos.
Nos dias de hoje, voltam a pesar entre nós a Balança da Justiça com pesos falsos por influência do Sistema Corrupto, e, como disse o político, filósofo e escritor francês Montesquieu: – “Não há tirania mais cruel do que aquela que se perpetua sob o escudo da Lei e em nome da Justiça”.
O exemplo mais do que perfeito é o caso do Banco Master. Seu dono, Daniel Vorcaro, acusado de uma fraude de R$ 12 bilhões e preso quando tentava fugir do país, foi solto pela Justiça Federal que, desprovida d’ “O Espirito das Leis”, faz da balança (hoje digital) presente apenas na cozinha para obedecer receitas e, no banheiro, para controlar a dieta….
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DOS MORTOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Fui provocado pela crônica “A Sofisticação da Simplicidade!” do intelectual gaúcho José Carlos Bortoloti, citando a lápide de Charles Dickens na Abadia de Westminster, “Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos”.
Sinto uma profunda admiração por Dickens, o romancista inglês da Era Vitoriana cuja obra, de conteúdo clássico atemporal, conquistou o mundo. Ele criticava o que via como hipocrisia religiosa e queria o cristianismo focando na caridade e na compaixão para com a pobreza.
É impossível desconhecer seus livros “Oliver Twist”, “Um Conto de Natal“, “David Copperfield“, “Grandes Esperanças“, e “Um Conto de Duas Cidades”…. É triste nunca ter lido o clássico natalino, “Um Conto de Natal”, para conhecer os três fantasmas de natais, passado, presente e futuro, que visitam o avarento Ebenezer Scrooge mostrando-lhe as consequências de suas ações malévolas e oferecer uma chance de redenção.
Gosto de reverenciar os meus mortos, como fez o poeta mexicano Amado Nervo no seu poema “Mis Muertos”: “Yo estoy unido con mis muertos,/ que en posición horizontal contemplan/ el callado misterio de la noche/ y oyen el ritmo de las diamantinas/ constelaciones en el negro espacio”.
Recordo meus pais e meus parentes da geração deles que se foram; os amigos que reconheci por onde andei ao longo da vida, e também os que admirei pelos discursos, escritos, poesias, pinturas e interpretações teatrais.
Não é coisa que a idade avançada plantou na minha cabeça. Ainda jovem, aos 17 anos, recebi de presente da minha mãe e da minha madrinha uma passagem aérea de ida e volta à Paris, financiando hospedagem e alimentação por 11 dias….
Saltando no Aeroporto Internacional Orly, peguei um táxi e fui direto ao Père-Lachaise, histórico cemitério parisiense; lá procurei o túmulo de Voltaire, ídolo do salto que dei da criancice para a adolescência; quis comprovar o que ouvira sobre o epitáfio que ele próprio sugeriu: “O homem é o único animal que sabe que vai morrer um dia, triste destino!”
As principais religiões do mundo concebem a morte diferenciadamente; No Ocidente, o conjunto dominante judaico-cristão-islâmico, de raízes semíticas e estrutura teológica semelhante, entendem a morte como a separação entre corpo e alma, seguida de julgamento divino e destino final.
Principal vertente do cristianismo, a Igreja Católica Apostólica Romana tem como dogma que a morte foi transformada pela ressurreição de Cristo: ela deixa de ser derrota absoluta e torna-se entrada na vida eterna.
Amplamente difundido no Brasil, o espiritismo kardecista vê a morte como retorno ao mundo espiritual, com continuidade da consciência e aprendizado. Nas outras religiões espiritualistas de origem africana e de tradições indígenas, a morte representa reintegração ao cosmos e convivência com ancestrais.
Predominante no Oriente, o budismo vê a morte como uma etapa transitória marcada pela impermanência e pelo renascimento, cuja superação plena ocorre no nirvana, e, no hinduísmo, a morte integra o ciclo de samsara, no qual a alma renasce até alcançar a libertação espiritual (moksha).
Assim, apesar das diferenças, predomina a ideia de que a morte não é um fim, crendo na continuidade e sentido corporal para além da vida física. Não me parece tão desigual com o Livro dos Mortos, escrito por volta de 1470 a.C no antigo Egito….
Temos conhecimento da morte com ritual suicida tradicional no Japão, chamado seppuku ou haraquiri, praticado pela classe dos samurais para restaurar a honra…. E no Ocidente, o suicídio é interpretado em termos de sofrimento psicológico, depressão ou falta de apoio, sendo raríssimos os casos em que a vergonha é o fator.
Tivéssemos no Brasil a cultura da vergonha os poderes republicanos, Executivo, Judiciário e Legislativo se transformariam em cemitérios, graças a suicídios amplos, gerais e irrestritos….
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