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DAS REPÚBLICAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Cheguei em NYC no dia em que os EUA comemoram o Independence Day, com muita festa onde afrodescendentes, asiáticos e latinos participam mais intensamente (ao que me pareceu) do que os próprios norte-americanos. Vê-se aqui, como no mundo afora, uma das três formas de República que são a presidencialista, semipresidencialista ou parlamentarista.

É a herança das cidades-estados da Grécia, que a adotaram como forma de governo entre os séculos 4 e 5 a.C.. Na concepção que temos hoje, este sistema se confunde com a Democracia em Atenas onde o homem era considerado cidadão aos 18 anos, nascido em Atenas de pais atenienses.

Naquela República Democrática, a organização social convocava uma Assembleia Popular (Ekklesia) que elegia e fiscalizava um conselho (Boulé) responsável pela administração governamental e os magistrados, que interpretavam as leis e julgavam conflitos.

Os tribunais mantinham um sistema de júris populares formado por cidadãos indicados por sorteio público, para garantir que a justiça fosse administrada de forma imparcial e sem influências externas.

Como verbete dicionarizado, República é um substantivo feminino de etimologia grega “ʀɛˈpublikɐ” e latina “Res Publica” ambas significando “coisa pública” e definindo um sistema de governo dependendo da existência de uma nação, com cidadãos políticos “communio” e um consenso do direito (consensus iuris).

Na teoria, é o governo do interesse de um povo, onde o povo é a soberania de forma direta, “plebiscito”, ou por intermédio de delegados eleitos com um mandato temporal; é o que temos teoricamente, embora divorciado da prática.

Da antiga Grécia até os dias de hoje, tivemos idealisticamente Repúblicas imaginadas por filósofos como Cícero, Campanella, Morus, Platão, Swift e Voltaire.

De Cícero a proposta de uma forma de governo denominada “consilium”, nascida do consenso jurídico e utilidade comum a todos; devendo ser exercido por uma só pessoa, ou a alguns escolhidos, ou ser assumido pela multidão.

Do dominicano Tommaso Campanella, a proposta de uma República Ideal, cidade do Sol (La Cittá de Sole) refletindo uma formação democrática; de Thomas Morus, também um humanista cristão herdamos a Ilha da Utopia, ou simplesmente Utopia, governada pela razão tendo como objetivo contrastar com a realidade conflituosa da política europeia na época.

A mais conhecida de todas é a República de Platão, filósofo grego que defendia o equilíbrio social com um governo em que todas as peças da sociedade deveriam estar perfeitamente encaixadas no lugar certo. Singular e curiosa é a proposta do escritor irlandês, Jonathan Swift, “As Viagens de Gulliver” livro publicado no Brasil com o prefácio de Ruy Barbosa; oferece uma reflexão sobre justiça social com respeito às diferenças de classe.

Do filósofo neolatino mais famoso (e polêmico) do Iluminismo, Voltaire, temos uma reflexão sobre um governo onde vigore a liberdade de expressar ideias, sem interferências de cunho moral, político ou religioso. Proposta que critica o absolutismo dos reis e as instituições políticas e religiosas.

O regime republicano no Brasil é a forma de governo desde 15 de novembro de 1889, proclamada por José do Patrocínio na Câmara Municipal do Rio de Janeiro; adotou-se o presidencialismo, isto é, o Chefe de Governo é escolhido através de eleições diretas.

Apareceram ultimamente na Pindorama umas esquisitas propostas nascidas de ideologias corrompidas, ridicularizadas pelas nações civilizadas e nos transformando numa República das Bananas. É de Lula da Silva a ideia de uma “república democrática relativa” tendo como exemplo a ditadura Maduro e vem da presidente do PT, a adjetivação de uma “república democrática efetiva”, que encontrou na China. Do antagonista “de direita”, o ex-capitão Bolsonaro, o sonho de um golpe que instituiria uma “República Militarizada”.

Todas estas três insanidades, frutos do extremismo, são uma forma de tirania e despotismo, contra as quais combatemos.

 

 

 

 

DAS PROFISSÕES

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Quando as hordas primitivas de caçadores e coletores se fixaram à terra, plantando e domesticando animais, criaram a necessidade de surgir comunitariamente profissões especializadas para servir à coletividade.

Apareceram então carregadores(as), carniceiro(as), tecelões(lãs), cozinheiros(as) curadores(as), pastores(as), pedreiros, semeadores(as) e soldados. Quando a evolução dos clãs e tribos atingiram sociedades estruturadas com mandatários, surgiram novas atividades definindo melhor as ocupações, costureiras, construtores, barbeiros, marceneiros e metalúrgicos….

A religião presente desde os temores noturnos, os sonhos, as superstições diante dos fenômenos climatéricos e a observação dos astros, manteve intérpretes, xamãs, pagés, sacerdotes com várias denominações.

Por fim, a Nação e o Império burocratizados exigiram reis, ministros, juízes, hierarquia militar, policiais e funcionários em geral. No centro de todas movimentações administrativas, advogados, escrivães, contadores, tesoureiros e políticos.

Todas as atividades estatais e governamentais se profissionalizaram, exceto o político, atuando individualmente um “free lancer” sedutor pela oratória e, mais tarde, com o manobrismo partidário influenciando eleitores.

Isto a História Mundial registra. O “Político” como verbete dicionarizado enquadra-se em duas classes, pode ser substantivo, indiferente de gênero, significando a pessoa responsável pela ordem social representando o povo; e/ou um adjetivo, indicando ou se referindo ao que diz respeito à política.

No Brasil pode até se obedecer à classificação gramatical, mas quando se trata das personalidades o político é um indivíduo que goza privilégios incríveis. Tornou-se profissional, aposentando-se com regalias; recebe vantagens corporativas das férias e viagens, e conta com um foro privilegiado.

Para exercer esta “profissão” não precisa de estudo nem qualquer qualificação. Não se pode negar que existem políticos por vocação; mas a imensa maioria deles busca apenas profissionalizar-se como artífice da obtenção de vantagens pessoais ou grupistas.

Aquela definição clássica da “arte de governar” – passa longe dos políticos brasileiros -; não vemos princípios nem ideologia entre eles. São governistas com o objetivo de se locupletar ou são oposicionistas por serem derrotados em eleições perdendo cargos e vantagens competitivas nas suas bases eleitorais.

Olhando pelo ângulo da Filosofia Política, vemos a desfiguração da política por culpa dos próprios políticos e, levando em conta a Ciência Política, assistimos há formação de bolhas desvinculadas da realidade.

Li a tempos atrás uma curiosa alegoria que ligo hoje aos nossos parlamentares, vereadores, deputados e senadores, com raríssimas e distinguidas exceções; é a definição do que é um político feita por Arthur Balfour, estadista conservador britânico que foi Primeiro-Ministro do Reino Unido de 1902 a 1905; ele era um crítico acerbo dos círculos do poder nos Estados Unidos e fantasiou a formação dos políticos lá.

Vendo o comportamento individualista dos parlamentares ianques, satirizou-os com uma anedota sobre a formação deles no “way of life” vigente em Washington.

Criou um personagem de ficção, um rico pai americano, preocupado com o futuro do filho, que resolveu testar o seu oferecendo sugestões que o ajudasse a se definir.

Trancou-o no quarto, deixando lá uma Bíblia, uma maçã e um cheque, pensando: ‘se o encontrar lendo a Bíblia, o estimularei a tornar-se pastor; se ele admirar a maçã, lhe darei uma fazenda para que se torne um agricultor; se estiver examinando o cheque farei dele um bancário’.

Ao fim do tempo suficiente para ver o resultado da experiência, o ricaço adentrou no quarto e viu que o rapaz embolsara o cheque e comia a maçã sentado na Bíblia. Então, o fez político.

DA FOME

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uolo.com.br)

Este texto foi inspirado pelo drama climático que se abateu no Rio Grande do Sul, quando assistimos a falta de escrúpulos do Governo Lula, trazendo de volta a famigerada corrupção que condenou o seu titular à cadeia em três instâncias judiciais.

Como pretexto de manter os preços de mercado, Lula determinou a compra de arroz no Exterior, trazendo um escândalo em que aparecem os corruptos de sempre e protagonistas novos no cenário das oportunidades delinquentes. Isto, sob o clássico silêncio da imprensa cínica e corrompida

Somente depois que as redes sociais denunciaram o leilão fajuto promovido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) multiplicaram-se as notícias, crônicas e artigos sobre o “Arrozão” nome dado na pia batismal da imprensa independente.

A compra de 263 mil toneladas de arroz importado (falou-se de Taiwan – Formosa) anunciada é injustificável, pois os produtores de Santa Catarina, Tocantins, Mato Grosso e do próprio Rio Grande do Sul garantiram que o grão estocado abasteceria o mercado consumidor sem nenhum problema.

O argumento mentiroso de que a negociata evitaria os impactos de uma alta do preço, esconde que se tal exploração viesse a ocorrer, o governo possuiria meios legais de coibi-la.

Na verdade, abriu-se a porteira para a entrada dos espertos que arremataram a compra, através de empresas que nunca participaram do comércio do arroz, a ARS Locação de Veículos e Máquinas, a Zafira Trading e a Icefruit Indústria e Comércio de Alimentos.

Neste cenário delinquente a presença do arroz lembra a fome como uma tragédia que ameaça, segundo dados, seiscentos milhões de pessoas na Terra e que a história pátria registra dolorosas ocorrências como a Grande Seca se 1877 que atingiu os estados Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e principalmente o Ceará.

“Fome” como palavra dicionarizada é um substantivo feminino de origem latina, “faminem”, a sensação fisiológica pelo qual o corpo percebe a necessidade de comer para manter a vida. Esta condição de fraqueza é devida à falta prolongada de alimento, uma carência que provoca a desnutrição.

O verbete tem figuradamente “desejos incontidos”, “ambição”, “avidez”, alertando para a fome do dinheiro que os políticos corruptos têm e retratada no romance “O Quinze” em que a escritora Raquel de Queiroz descreve o êxodo de retirantes nordestinos provocado pela a seca de 1915.

Desde aqueles tempos passados, o Brasil assiste outro tipo de fome, a fome da cobiça por propinas, desvio de verbas públicas e alcances no Erário, práticas sempre presentes nos governos populistas.

Pelo menos os dois últimos governos auto assumidos como de “direita” e “esquerda”, sem ser uma coisa nem outra, nunca pensaram em atender o povo pela conquista do pão; somente pela velha fórmula de pão e circo.

Esta constatação nos leva a distingui-los do presidente Itamar Franco, que apoiou em 1993 a Ação da Cidadania ciada por Herbert de Souza – o Betinho, autêntico cristão e patriota que conheci no XXV Congresso Nacional dos Estudantes quando, ainda jovem, mostrava seriedade no trato da coisa pública.

Sob a divisa “Quem tem fome, tem pressa”, Betinho reuniu intelectuais, artistas e jornalistas que assinaram “Carta de Ação da Cidadania” da qual originou o movimento de Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida.

Também não foi indiferente à fome o revolucionário Mao Tse Tung, que em discurso proferido em 1957, levou o pensamento de Confúcio ao marxismo, avaliando que cumpriria seu dever patriótico se conseguisse prover diariamente um prato de arroz e um copo de chá para todos os chineses.

Como se vê, várias filosofias têm abordagens sobre a fome, passadas de geração em geração como princípio humanista. Hoje, os chineses têm mais do que um prato de arroz, enquanto no Brasil o idealismo de Betinho morreu sem choro nem vela.

O que vigora entre nós agora, sem imanência nem transcendência, são manobras para evitar as denúncias virtuais que atropelam a imprensa mercenária. As redes mostram que não basta o Governo Lula suspender o leilão e demitir um secretário, para evitar o aprofundamento das investigações.

A Nação exige a CPI da Senhora Corrupção, porque o bode expiatório apontado, Neri Geller, já declarou que o crime veio de cima, da Casa Civil da Presidência da República.

DOS POLÍTICOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Quando as hordas primitivas de caçadores e coletores se fixaram à terra, plantando e domesticando animais, criaram a necessidade de surgir comunitariamente profissões especializadas para servir à coletividade.

Apareceram então carregadores(as), carniceiro(as), tecelões(lãs), cozinheiros(as) curadores(as), pastores(as), pedreiros, semeadores(as) e soldados. Quando a evolução dos clãs e tribos atingiram sociedades estruturadas com mandatários, surgiram novas atividades definindo melhor as ocupações, costureiras, construtores, barbeiros, marceneiros e metalúrgicos….

A religião presente desde os temores noturnos, os sonhos, as superstições diante dos fenômenos climatéricos e a observação dos astros, manteve intérpretes, xamãs, pagés, sacerdotes com várias denominações.

Por fim, a Nação e o Império burocratizados exigiram reis, ministros, juízes, exércitos, policiais e funcionários em geral. No centro de todas movimentações administrativas, advogados, escrivães, contadores, tesoureiros e políticos.

Todas as atividades estatais e governamentais se profissionalizaram, exceto o político, atuando individualmente um “free lancer” sedutor pela oratória e, mais tarde, com o manobrismo partidário influenciando eleitores.

Isto a História Mundial registra. O “Político” como verbete dicionarizado enquadra-se em duas classes, pode ser substantivo, indiferente de gênero, significando a pessoa responsável pela ordem social representando o povo; e/ou um adjetivo, indicando ou se referindo ao que diz respeito à política.

No Brasil pode até se obedecer à classificação gramatical, mas quando se trata das personalidades, o político é um indivíduo que goza privilégios incríveis. Tornou-se profissional, aposentando-se com regalias; recebe vantagens corporativas das férias e viagens, e conta com um foro privilegiado.

Para exercer esta “profissão” não precisa de estudo nem qualquer qualificação. Não se pode negar que existem políticos por vocação; mas a imensa maioria deles busca apenas profissionalizar-se como artífice da obtenção de vantagens pessoais ou grupistas.

Aquela definição clássica da “arte de governar” – passa longe dos políticos brasileiros -; não vemos princípios nem ideologia entre eles. São governistas com o objetivo de se locupletar ou são oposicionistas por serem derrotados em eleições perdendo cargos e vantagens competitivas nas suas bases eleitorais.

Olhando pelo ângulo da Filosofia Política, vemos a desfiguração da política por culpa dos próprios políticos e, levando em conta a Ciência Política, assistimos há formação de bolhas desvinculadas da realidade.

Li a tempos atrás uma curiosa alegoria que ligo hoje aos nossos parlamentares, vereadores, deputados e senadores, com raríssimas e distinguidas exceções; é a definição do que é um político feita por Arthur Balfour, estadista conservador britânico que foi Primeiro-Ministro do Reino Unido de 1902 a 1905; ele era um crítico acerbo dos círculos do poder nos Estados Unidos e fantasiou a formação dos políticos lá.

Vendo o comportamento individualista dos parlamentares ianques, satirizou-os com uma anedota sobre a formação deles no “way of life” vigente em Washington. Criou um personagem de ficção, um rico pai americano, preocupado com o futuro do filho, que resolveu testá-lo oferecendo-lhe sugestões que o ajudassem a se definir.

Trancou-o no quarto, deixando lá uma Bíblia, uma maçã e um cheque, pensando: “se o encontrar lendo a Bíblia, o estimularei a tornar-se pastor; se ele admirar a maçã, lhe darei uma fazenda para que se torne um agricultor; se estiver examinando o cheque farei dele um bancário”.

Ao fim de um tempo suficiente para ver o resultado da experiência, o ricaço adentrou no quarto e viu que o rapaz embolsara o cheque e comia a maçã sentado na Bíblia. Então, o fez político.

DAS TRAPAÇAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

O filósofo florentino Niccolò di Bernardo dei Machiavelli, conselheiro de ocupantes do poder na antiga Itália dizia que “o objetivo da política era manter a estabilidade social e do governo a todo custo”; e alertava: – “Aquele que engana sempre encontrará quem se deixe enganar”.

Maquiavel, como é mais conhecido entre nós, tinha razão em ambas colocações e no caso do enganador a sua afirmação tornou-se tão popular que o trapaceiro adquiriu o sinônimo de maquiavélico…

No dizer do fabulista, teólogo e advogado La Fontaine a Trapaça é uma “ciência” que atrai muitas pessoas a se especializar nela, e praticá-la. Dicionarizado, o verbete Trapaça é um substantivo feminino vindo da palavra latina Trapa, significando armadilha, e chega ao brasilês como cilada ou arapuca….

Encontramos corriqueiramente a designação de Trapaça para qualquer ação desonesta para enganar alguém, manobra astuciosa empregada para iludir. Leva-nos a constatar fraude, logro e má-fé.

Há quem considere a Astrologia uma pseudo ciência explorada por trapaceiros, mas esta alegação é desmentida por milhares de pessoas que creem nela. Um enorme balaio de personalidades históricas de épocas variadas, como Júlio César, papas medievais, Napoleão e, mais recentes, no século 20, Eisenhower e Hitler, consultaram astrólogos e acreditavam em horóscopos.

Contrariamente, temos o exemplo do general árabe, comandante do exército do califa Valid, que embora descrente, consultou um astrólogo; ouvindo que iria morrer em breve. Para esnobar o Consultor perguntou-lhe o que os astros diziam sobre a vida dele. Ouvindo-o dizer que teria uma vida longa, disse: – “Confio tanto no teu conhecimento dos astros que lhe quero sempre junto comigo doravante, peço-lhe, portanto, que me espere no além”; e mandou que o decapitassem.

Também incrédulo, o jornalista e escritor ítalo argentino Pittigilli escreveu uma crônica sob o título “Grafologia” considerada também como “ciência”, e também controversa. Exemplifica que um certo grafólogo respeitado por decifrar textos manuscritos e autógrafos, pedia apenas que classifiquem a autoria, se é masculina ou feminina.

O Cronista arrasa de cara tal situação, perguntando como saber do íntimo das pessoas se não sabe distinguir se a letra é de homem ou de mulher? E conta uma história que ocorreu na Itália levando ao grafólogo da polícia de Turin uma assinatura do maestro Toscanini, um dos mais aclamados musicistas do século passado.

O reconhecido desvendador de crimes julgou que a letra revelava indisciplina, inconstância e escassa sensibilidade. Imaginem faltar sensibilidade e disciplina de Toscanini, que certa vez disse a um oboísta: – “Cuidado, no ensaio da terça-feira passada, você omitiu uma pausa de fusa no quinto compasso!”

As ciências pouco científicas que se propõem explicar as ocorrências e acidentes vitais de um indivíduo ou decifrar futuras ocorrências são usadas por pessoas espertas, de quem se pode esperar qualquer ação ardilosa.

Mesmo sem ter lido os livros de autores clássicos, a gente pode citar seus aforismos, anedotas, frases e pensamentos divulgados à larga pelo Google, assim temos do erudito chinês Lu Wen Liang a passagem da mais criminosa trapaça conhecida, contando a história de um poeta que se tornou inimigo figadal de um cortesão levando-o a publicar um livro em pergaminho com uma denúncia contra o Crítico e enviou-lhe uma cópia impregnada de veneno, sabendo que ele costumava umedecer os dedos com saliva para folhear as páginas.

E o desafeto morreu antes de terminar a leitura. Isto ocorreu há novecentos anos. Hoje, manobras trapaceiras podem até ser legais, de Estado e de Governo, podendo ser aplicadas ao gosto dos ocupantes corruptos do poder.

Como exemplo, uma dupla trapaça aparece no cenário da tragédia climática ocorrida no Rio Grande do Sul. É do conhecido presidente Lula da Silva diante da hostilidade popular contra si.

Ouvindo o seu Goebblels (ao acordar) passou por cima do Agro, da legalidade e da opinião pública, resolvendo importar um milhão de toneladas de arroz, uma trapaça que se somou a outra, empacotando o produto com propaganda governamental.

O personagem brasileiro enriquece dessa maneira a sinonímia de trapaça, blefando, burlando, enganando como fez nos governos anteriores.

PABLO NERUDA

ODE AO GATO

 

Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, voo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.

O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento ao rato vivo,
da noite até seus olhos de ouro.

Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma só coisa
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa de um navio.
Seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogar as moedas da noite.

Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.

Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
seguramente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertences
ao habitante menos misterioso,
talvez todos o acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
do seu gato.

Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço ao gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com seus extravios,
o por e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
o seu olho tem números de ouro.

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

DAS MEDIDAS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Lembro do tempo em que o alfaiate tomava a medida das pessoas e fazia um terno; e outro profissional tão antigo e, como o alfaiate, quase desaparecido, o chapeleiro, fazia um chapéu sem sequer conhecer o cliente, apenas com dados da cabeça dele.

Também o psicólogo – tira a medida do que está no interior do crâneo, revelando pelos medidores freudianos ou junguianos, verdades desconhecidas até pelo paciente…

Como verbete dicionarizado, “Medida” é um substantivo feminino de origem latina, particípio passado de Metire, “medir”. Define-se como uma determinada quantidade para avaliar dimensões ou frações mensuráveis.

Para medir grandezas físicas temos instrumentos, as unidades de medida que são: para o comprimento: metro (m), para a massa: grama (g) e para o volume: metro cúbico (m3).

Para quantificar a percepção humana, Platão nos trouxe um enunciado de Protágoras, filósofo e matemático grego, criador da corrente de pensamento conhecida como pitagorismo: “O homem é a medida de todas as coisas, das que são como são e das que não são como não são”.

Isto induz que se uma pessoa pensa que uma coisa é verdade, tal coisa é a verdade para ela; serviu de base filosófica para o dialeta materialista Heráclito, defensor de que o conhecimento humano pode ser alterado conforme circunstâncias mutáveis.

Heráclito formulou como exemplo que “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não encontra as mesmas águas, e o próprio indivíduo já se modificou”.

Da sabedoria grega antiga concluímos que o ser humano tem o poder para determinar o valor ou significado das coisas, criando a sua própria realidade. E assim possuímos a  representação cultural de medidas políticas. Com elas temos a formação dos governos autoritários dispondo restrições e controle para a cidadania.

Com referência a estes critérios, sabemos que tais ações provocam reação dos defensores da liberdade de expressão que assumem nas redes sociais a luta contra a censura que o Governo Lula e seus sabujos no Judiciário e Legislativo tentam implantar.

Pela contradição no exercício de suas funções o Supremo Tribunal Federal, inoculou-se com o vírus da lerdeza coletiva, do interesse pessoal e permitindo a entrada da política no Tribunal, expulsando de lá a Justiça boa e perfeita.

É inegável que com isto fica escancarado o problema das decisões monocráticas. A questão é tão chocante que se põe à frente dos privilégios gozados pela magistratura – A mais cara do mundo –, e mantém nela um comportamento leniente enfermiço diante do crime e dos criminosos.

A febre do autoritarismo está a serviço dos aspirantes de uma “Democracia Relativa” com tremores doentios que levam um ministro do STF a dizer que as redes sociais não têm regulamentação. Ele ignora por falta de estudo ou acumpliciado com o totalitarismo, que já temos o Marco Civil da Internet, permitindo que qualquer juiz peça a retirada do conteúdo das redes a qualquer tempo.

Aliás, não é falta de estudo. Acho proposital a fala equivocada do ministro Alexandre de Moraes, pois julgo impossível seu desconhecimento de que o código penal tipifica os crimes contra a honra, a fraude e o estelionato, punindo-os em qualquer contexto, no tempo e no espaço.

Portando, qualquer crime cometido no mundo virtual pode e deve ser reprimido, investigado, e os culpados devem ser punidos. Não o fazer, alegando necessidade de repressão ou censura prévia, nada tem a ver com o Estado Democrático de Direito.

É por isto um dever da cidadania repudiar a volta da censura ditatorial, que só existe na cabeça de golpistas fanáticos de Bolsonaro ou defensores lulistas de “democracias efetivas e relativas”.

 

DA COBRANÇA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Atravessamos o pântano da delinquência judiciária enfrentando crocodilos que trazem nas mandíbulas as propinas da corrupção. A trilha segura da honestidade que a Operação Lava Jato abriu, perseguindo os corruptos e seus cúmplices, foi obstruída.

As ações em favor do crime como se vê agora, desmantelam a luta anticorrupção num momento em que o país está preocupado e consternado com a tragédia do RS. Tentam apagar a história recente do país anulando os processos que condenaram corruptos e corruptores.

Os cúmplices da bandidagem precisam saber que a anulação das sentenças de primeira e segunda instâncias não apagam os fatos, não escondem a verdade histórica. Os fatos e a História não podem ser anulados, pois não pertencem aos autos, pertencem ao mundo.

A única coisa está esclarecida é que o STF transmite uma percepção negativa da Justiça, e os que argumentam em seu favor mentem, escondendo que quem destruiu as empresas foi a corrupção lulopetista e não a caça aos criminosos procedida legalmente pela PF, MPF e juízes de primeira instância.

As investigações feitas, buscas e apreensões, apuraram casos gravíssimos de corrupção, de forma conjunta em vários órgãos de governo e empresas estatais. “Destampou a panela de pressão” que cozinhou a roubalheira, mas o ministro Dias Toffoli não provou o ensopado, nem experimentou o tempero da realidade flagrante.

Convicto da lealdade aos corruptos, anulou com canetadas atos da Lava Jato contra Marcelo Odebrecht, réu confesso, delator, colaborador premiado; e cometeu esta barbaridade sob o silêncio cúmplices dos seus pares.

Este cidadão, que chegou à Corte apenas por ter sido advogado do Partido dos Trabalhadores, colaborou com a empresa corruptora e o seu titular que lhe pagaram propinas revelando por E-mail o seu codinome: “Amigo do amigo do meu pai”.

Neste triste neste cenário vê-se a omissão dos demais membros do Supremo, que deveriam zelar pela Constituição e não reescrever a história da Lava Jato. Fazendo-o, colocam-se a serviço dos políticos desonestos.

Entretanto, pela propaganda massiva, convencem pessoas que se afirmam honestas e patriotas e defensoras do Direito. É o tipo de gente que emprenha de olhos fixos na televisão vendida e a imprensa cínica.  Foi dela que o pessimista Mark Twain se referiu dizendo que “quatro quintos da humanidade representam a estupidez do gênero humano”, e com isto nos leva à cobrança.

Como verbete dicionarizado, “Cobrança” é um substantivo feminino de etimologia latina, do verbo recuperare, relacionado com recipere significando “tomar, pegar”. Cobrar é exigir o pagamento de uma dívida; é o que faço cobrando do Congresso medidas que impeçam a continuidade dos atos jurídicos em favor do crime.

A cobrança se faz exigindo uma obrigação a tudo que é exigido pela consciência nacional e à legislação vigente no Estado de Direito. Aos religiosos, lembro que a cobrança é santa, como viu Jesus a um cobrador de impostos, Mateus, considerado um traidor pelo seu povo.

Mateus foi assistir uma prédica de Jesus que o chamou e disse: — “Venha comigo”; e assim aconteceu, ele passou a seguir o Mestre e em vez de exigir o pagamento de tributos para o Estado, passou a cobrar Justiça. Tornou-se um dos doze apóstolos.

O apostolado dos dias de hoje, diante de tanto mal, de delinquências de toda ordem, do favoritismo, dos privilégios e da violência, obriga-se a fazer cobranças para trazer de volta a Justiça boa e perfeita, e não um tribunal que sentencie a morte da verdade.

Para diversão, o dicionário também traz a “cobrança” na gíria futebolista: é cobrar um escanteio ou bater um pênalti. Torço para que a nossa cobrança no campo da política faça um gol para a vitória da política pública anticorrupção.

 

DAS VINGANÇAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

A sanha vingativa dos corruptos e seus cúmplices contra a Operação Lava Jato e os seus protagonistas da PF, do MPF e dos juízes de tribunais de primeira e segunda instâncias, é translúcida como água de esgoto. Quem ainda não observou como é transparente a água de esgoto?

Para se vingar de um julgamento justo que o sentenciou à cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula atiçou os seus sabujos contra Sérgio Moro, um juiz concursado, estudioso e perseguidor do crime.

Criou-se uma temporada inimaginável de perseguições contra a Lava Jato, encarnada por Moro, com o lulopetismo e o bolsonarismo juntando-se e formando um eixo do mal para vingar-se de quem mostrou a face horrenda da corrupção.

Com este aglomerado da falsa esquerda e da falsa direita formado contra os inimigos do crime fica transparente que a polarização que os confronta é apenas eleitoral. Eles pensam e fazem o mesmo quando chegam ao poder: tramam contra o Estado de Direito e as liberdades democráticas e assaltam o Erário.

Desta vez – é meio incompreensível – a Vingança urdida pelo PT e o PL para cassar Sérgio Moro frustrou-se pela falta de substância nas acusações e uma fraqueza inexplicável dos seus aliados no Judiciário.

O verbete Vingança dicionarizado é um substantivo feminino abstrato originário do latim vulgar, substantivando o verbo “vindicare” (tirar desforra), firmando “Vindicta”, (mostrar autoridade). Significa perseguir uma pessoa ou entidade para punir suposta ofensa ou danos.

É bom distinguir vingança de punição. A Vingança não é castigar uma transgressão que se faz em nome da Justiça; é molestar o próximo irracionalmente destilando ódio. Na sociedade humana aparece em muitas expressões intelectuais, na pintura aonde temos “A vingança de Herodíade“, de Juan de Flandes e na música, as óperas Don Giovanni e “Le nozze di Figaro”, de Wolfgang Amadeus Mozart.

Na literatura incluem-se os clássicos shakespeareanos nas peças Hamlet e “Otelo, o Mouro de Veneza”; e de Alexandre Dumas, o celebrado “Conde de Monte Cristo”. Como tema cinematográfico destaco dois filmes: “The Punisher” – O Justiceiro –, e “V de Vingança”.

O primeiro, O Justiceiro,  passou sem ser reconhecido na sua qualidade, que trouxe uma excelente interpretação de John Travolta e Thomas Jane, anti-heróis do lado do mal e do lado do bem… Filmado sob a direção de Jonathan Hensleigh, com roteiro dele mesmo e de Michael France.

Relata a história do policial federal Frank Castle (Thomas Jane) que vê o massacre de sua família, pais irmãos, esposa e filho por uma gangue de traficantes que ele investigava. Gravemente ferido e dado como morto assume a sobrevida para vingar-se do chefe da quadrilha, Howard Saint (John Travolta).

Entre ousadas ações subversivas, mata o filho de Howard e cria situações que estimulam o doentio ciúme que o levam a matar o seu braço direito e a mulher. Com a tarefa cumprida, Frank torna-se um vigilante decidido a enfrentar criminosos.

O outro filme, inspirado no “1984” de George Orwel, num enfrentamento a um regime totalitário. É o “V de Vingança”, feito sob a direção de James McTeigue, com roteiro das irmãs Wachowski, Lilly e Lana, com Natalie Portman, Hugo Weaving e Stephen Rea, e Hugo atuando de máscara cobrindo todo rosto.

A história se passa na Inglaterra submetida a uma ditadura fascista e um movimento clandestino de resistência inspirado nas atividades terroristas de um personagem conhecido como “V”, atuante na luta pela liberdade e contra o totalitarismo; ele é perseguido pelo comissário de polícia, detetive Finch (Stephen Rea), cujas investigações terminam convencendo-o dos horrores ditatoriais.

Por uma coincidência, “V” se encontra com Evey (Natalie Portman) uma jovem trabalhadora de serviços gerais na televisão estatal. Salva-a de uma agressão de esbirros da polícia secreta; e assim os seus destinos se cruzam e se misturam novelescamente.

O final é apoteótico: Baleado, “V” morre e seu cadáver segue num trem sob à vista de Evey e Finch. A composição carregada de explosivos segue para o Parlamento e o Big Ben que são destruídos sob a execução da “Abertura 1812”, de Tchaikovsky, irradiada e aplaudida por uma imensa multidão sob olhares das forças militares que iriam reprimi-la.

No diálogo final, Finch pergunta a Evey qual era a identidade do Mascarado, ao que ela responde: – “Ele era Edmond Dantès. Era meu pai, minha mãe, meu irmão, meu amigo. Ele era eu, era você, era todos nós”.

 

DO ISOLACIONISMO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Para se ter uma ideia de sociedade e, consequentemente, da cidadania, temos em mão a interessante concepção materialista do historiador britânico nascido em Alexandria, Eric Hobsbawm; ele mostra a socialização dos seres humanos através de uma metáfora.

Hobsbawm proferiu numa palestra: “Imaginemos um selo colado numa moeda poeta em cima do Obelisco Lateranense, do Egito Antigo, moldado em granito vermelho, com 45,7 metros de altura e ainda em pé; pressupondo que ele represente a idade da Terra, a espessura da moeda representaria os 350 mil anos em que o homem surgiu, e o selo configura o tempo em que se civilizou”.

Com esta tese, vemos que limite civilizatório do Homo Sapiens é tão pequeno que não escondeu sua necessidade de se coletivizar para sobreviver, abandonando a economia da caça e da colheita selvagens para se fixar no solo, plantando e domesticando animais.

Recebeu o exemplo da Natureza com a variação de estio e chuvas, promovendo assim a evolução e fortalecimento de animais e plantas; quanto ao ser humano, a “meteorologia social” fez o mesmo.

O contrário disto, temos o Isolacionismo.  O exemplo está no livro “Robinson Crusoé”, clássico da literatura escrito por Daniel Defoe. Historiadores afirmam que a aventura romanceada não foi ficção. Baseou-se no caso do náufrago escocês Alexander Selkirk, que viveu durante quatro anos numa ilha do Pacífico situada na costa chilena.

A Ilha de Robinson era selvagem e desabitada e ele teve a sorte do mar revolto trazer à praia os escombros do navio soçobrado na tempestade. De lá o náufrago retira além de alimentos não-perecíveis e barris de rum, vários utensílios de uso corrente. Na cabine do comandante pega armas, projéteis, pólvora, facas, navalhas e tesoura. Na cabine do comandante acha, num cofre, libras e as barras de ouro e prata.

Depois de tudo arrumado numa gruta habitável que encontrara, Robinson olha para o dinheiro e os metais preciosos e num rasgo filosófico, pensa e clama em voz alta: – “Oh! Vaidade das vaidades, vil metal impostor, para que serves?”; leva tudo à praia atirando-os ao quebra-mar.

Com este gesto, o Isolado apontou o mal da sociedade que do lado capitalista da servidão ao dinheiro. É a única vantagem do isolamento: mostrar o lado negativo da sociedade, mantido pelo sistema estatal repressor e a minoria privilegiada dos governantes.

Em conformidade com isto, vemos então que aquele selinho, colado à moeda e posto sobre o vértice do Obelisco Lateranense registrou historicamente avanços notáveis no campo das ciências, mas não logrou implantar o sentimento de solidariedade que levou os seres humanos a incluir-se socialmente.

É que o processo evolutivo da organização comunal foi da propriedade coletiva, mantendo o direito de todos aos produtos produzidos, para a propriedade privada cuja economia criou classes e exigiu o trabalho escravo, primeiro, como conquista de guerras e mais tarde com a revoltante comercialização do servilismo africano.

Visto o exemplo, a Sociologia Histórica nos leva a buscar nas estantes teorias da filosofia social que foram ofuscadas pela volumosa propaganda marxista; e lá encontramos um livro amarelado de Gabriel Tarde.

Este filósofo francês, sociólogo, psicólogo e criminologista, nos traz a compreensão da relação individual com a sociedade com relações interpsíquicas, exemplificada no processo desenvolvido na História Social. Segundo Tarde, a troca de experiências pessoais é um ciclo infinito de criações com base na imitação.

Ao contrário do coletivismo teórico, é uma tese que defende a precedência do indivíduo como responsável pela troca de informação que valorizam a força do trabalho no processo produtivo. Assim, o percursor da psicologia social no século 19, defende que a atividade social depende conscientização das pessoas e não do poder de coerção que o Estado lhes impõe.

Paralelamente completa-o a dialética de Paul Lafargue, autor do manifesto “O Direito à Preguiça”, publicado em 1883. Lafargue analisa o mundo do trabalho e vê a tendência do trabalhador em ampliar o seu tempo livre, encerrando o ciclo da produção e do lazer; levando-nos à compreensão do valor das políticas sociais-democráticas nórdicas que obtêm maior produtividade com o “direito à preguiça”.

Refletimos dessa maneira que Isolacionismo é cúmplice do mecanismo estatal que explora o trabalhador, como trabalhador, e é contra o cidadão como cidadão: faz um amálgama do produtor e a máquina, e do eleitor o escravo de um regime inimigo.