DA HUMANIDADE
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Depois de escrever sobre o Humanismo, com mais de 50 notificações aplaudindo o texto, acho que é chegada a vez de escrever sobre a Humanidade, protagonista planetário do avanço humano na marcha pela civilização.
E tudo começou no século 18 com a filosofia de Augusto Comte, o Positivismo, que foi destinado a reorganizar a sociedade após a profunda crise provocada pela Revolução Industrial.
Herdeiro cultural de ascendentes paternos positivistas (meu bisavô Crisanto e meu avô Henrique foram mestres do Templo Positivista no Rio), sinto-me à vontade de falar sobre a matéria.
Comte foi um filósofo francês aclamado literariamente ainda bem moço com sua trilogia semiautobiográfica, “Infância, Adolescência e Juventude”, e na maturidade criou as bases do Positivismo em conformidade com a chamada Lei dos Três Estados: o Teológico, o Metafísico e o Positivo.
O objetivo de substituir explicações baseadas no sobrenatural pelo conhecimento fundamentado em fatos verificáveis, Comte propôs um sistema moral e cívico para preservar os valores de solidariedade, altruísmo e ordem social.
Assim nasceu a Religião da Humanidade que, como o budismo, é uma crença sem um deus humanizado, pondo no lugar simbólico de veneração a “Humanidade”. A sugestão nunca alcançou a dimensão das religiões tradicionais, mas deixou duradouro legado na Ciência Sociológica e na organização das instituições modernas.
Entrando na nossa História, a ideia chegou ao Brasil na 2ª metade do século 19, com enorme aceitação entre intelectuais republicanos e oficiais do Exército, estes últimos sob a influência de Benjamin Constant, professor, e principal articulador ideológico da Proclamação da República, por isto alcunhado de “Fundador da República”.
Após a Proclamação, os princípios positivistas inspiraram a organização do novo regime e marcaram a chamada Primeira República; sua influência permaneceu simbolizada na Bandeira Nacional, no lema “Ordem e Progresso”, inspirado na máxima de Comte: “O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim”.
A intelectualidade brasileira estendeu o Positivismo por muitos anos, associado à defesa da Democracia, dos Direitos Humanos, da Justiça Social e do respeito à Dignidade da Pessoa.
Houve até uma época em que os marxistas brasileiros (Luiz Carlos Prestes, inclusive) traziam ideologicamente matizes positivistas, como hoje os comunistas chineses misturam Marx com Confúcio….
Apesar do Humanismo ser parte programática de diferentes matizes políticas, liberais, social-democratas e democratas-cristãos reivindicando seus princípios, interpretam-no fora do contexto positivista, a organização social para o bem-estar humano, a convivência pacífica, educação integral da cidadania e uma Justiça íntegra.
Vê-se assim que o Humanismo permanece como uma referência ética e filosófica reconhecendo Comte como um dos fundadores da sociologia, pioneiro da ideia de que o conhecimento científico é eficaz para construção de uma sociedade racional.
Mais do que a Filosofia Sociológica, o Positivismo reuniu na Europa e nas Américas todos os conscientes defendendo que o progresso civilizatório da Humanidade seria melhor com o modelo republicano e democrático.
Pena que a mediocridade triunfante leva os atuais chefes de nações europeias ao funesto populismo, aceito pelos povos arrebanhados pela propaganda maciça. Vê-se principalmente entre nós, latino-americanos, levando-nos à definição de Roberto Campos: “O que os governos populistas latino-americanos desejam é um capitalismo sem lucros, um socialismo sem disciplina e investimento sem investidores estrangeiros”.
Pela Geopolítica e a Sociologia não fica difícil avaliar que esta insanidade político-ideológica traz na sua essência o desprezo pelo Humanismo. Não há exemplo melhor do que temos no Brasil: uma estúpida polarização eleitoral com o confronto fingido dos populistas corruptos, a mafiosa Famiglia Bolsonaro e o desonesto pelego Lula da Silva.
DO HUMANISMO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Conhecido dos amantes da leitura pelos romances Guerra e Paz e Anna Karenina, o escritor russo Leon Tolstói fez incursões pela Filosofia e, ao meu modo de ver, foi quem melhor definiu o Humanismo com uma frase antológica: “Se você sente dor, você está vivo. Se você sente a dor das outras pessoas, você é um ser humano”.
O alcance do Humanismo é profundo. Trata-se de uma corrente de pensamento que coloca o ser humano, sua dignidade, sua razão e sua capacidade de agir no centro das reflexões éticas, filosóficas, políticas e sociais.
Como verbete dicionarizado, a palavra Humanismo é um substantivo masculino derivado do latim “humanitas”, termo utilizado na Roma Antiga para designar a formação cultural, moral e intelectual do indivíduo.
A História da Civilização capitula que aproximadamente entre 45 mil e 40 mil anos atrás tivemos a total transição do neandertais para o homo sapiens, após conviverem por um período em que houve contato direto e cruzamentos entre as duas espécies, fato comprovado pela análise de DNA.
Com a evolução civilizatória, o homo sapiens – nós, hoje -, criou a Filosofia e chegou ao Humanismo, uma corrente cultural que torna o ser humano e os valores individuais acima de todas as coisas, tornando-se o centro da vida política e social.
Esta ideia renasceu das mentes iluministas na Europa do século 18, obedecendo ao princípio de que todos os seres humanos possuem direitos naturais, como a vida, a liberdade e a busca da felicidade.
Poucos anos depois, a Revolução Francesa difundiu o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, que se tornou referência para diversos movimentos democráticos.
Atravessando o Atlântico Norte este avanço intelectual influenciou a independência das Treze Colônias britânicas na América do Norte, culminando na Declaração de Independência dos Estados Unidos, de 1776, tendo Benjamin Franklin um dos principais líderes do movimento, ao lado de Thomas Jefferson e John Adams.
Também no Brasil, refletiu a compreensão humanista do Iluminismo, inspirando a Revolução Pernambucana em 1817 e a Confederação do Equador, em 1824, que defenderam os princípios de liberdade, soberania popular, igualdade perante a lei e limitação do poder absoluto. Nossa História destaca a figura ímpar de Frei Caneca, defensor de que somente eleito pelo povo, o poder teria legitimidade.
Embora ambos os movimentos humanistas brasileiros tenham sido duramente reprimidos, deixaram um importante legado para a formação do pensamento liberal, constitucional e democrático no País, chegando na chamada Primeira República com a oficialidade militar, intelectuais e a burguesia urbana que adotaram o lema positivista “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”, materializado na Bandeira Nacional.
É impossível negar que adotando a Democracia como circunstância dos direitos humanos e a limitação do poder do Estado, o Humanismo tornou-se uma doutrina que alicerça o Estado Democrático de Direito.
Assim, estabelecendo que o ser humano é a medida de todas as coisas, o Humanismo destaca a sua dignidade como pessoa, a sua liberdade como razão de ser e seu poder de agir no centro das reflexões filosóficas, éticas e sociais.
Por consequência ideológica o Anarquismo, registra a defesa de uma sociedade sem dominação política e econômica, baseada na cooperação voluntária, na igualdade entre os indivíduos e na fraternidade como fundamento das relações sociais; tendo o contraponto de muitos religiosos humanistas com uma percepção que concilia a fé, a educação e o desenvolvimento das capacidades humanas.
Infelizmente, na política contemporânea globalizada e mediocrizada, o Humanismo sofreu a distorção demagógica do populismo que o dissociou da defesa da liberdade de consciência e de expressão, para utiliza-lo de maneira distinta: cria pessoas de segunda classe, dependente dos governos em vez de dar-lhes os direitos civis.
É isto que vemos no Brasil de hoje; a alternância no poder entre populistas fingindo o enfrentamento, auto assumidos como de “Direita” e de “Esquerda” para iludir quem não aprendeu o que é o Humanismo, nem dar atenção aos direitos humanos.
DO CROCHET
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Insisti em intitular este texto em francês para evitar a disputa na acentuação da palavra no brasilês que aparece regionalmente com o agudo Croché ou com o circunflexo, Crochê. O verbete dicionarizado, é um substantivo masculino de etimologia francesa, “Crochet”, que significa gancho, por causa do formato da agulha com uma ponta curvada, usada no uso de uma tecelagem com fios de lã, algodão ou barbante.
É um trabalho manual que requer uma técnica especial para o movimento das agulhas e muita paciência para entrelaçar fios contínuos e criando malhas usadas na confecção de diversos utensílios domésticos e vestuários.
Este processo manual de tecelagem de boinas, tapetes e peças decorativas. É incerta a sua origem, a bibliografia histórica desta arte registra que o seu surgimento se deu na pré-história; e alguns pesquisadores têm a teoria que levam à China aonde foram encontradas bonecas feitas com ela, e outros mais aceitam o seu início na Arábia.
Uma coincidência incitou-me a curiosidade sobre o crochê. No Ginásio, ganhei um concurso promovido pela Cadeira de História Geral proporcionando-me uma bolsa para assistir um curso sobre a Revolução Francesa em Paris, com tudo pago.
As paredes do quarto que aluguei eram forradas com crochê, acho que para a acústica; e a pousada era próxima à Place de la Concord, local aonde foi instalada em 20 de setembro de 1792 a Convenção Revolucionária, eleita após a queda da monarquia para criar uma Constituição.
Foi neste evento que nasceu os conceitos políticos-ideológicos de Centro, Direita e Esquerda, graças à localização das bancadas no anfiteatro que marcou uma intensa luta pelo poder; os girondinos (Direita) propunham uma monarquia constitucional; os jacobinos (Esquerda) defendiam a República Democrática; e o Centro, comedido, oscilava de acordo com as propostas apresentadas.
No início dos trabalhos (chamado pelos historiadores como Primeiro Período) prevaleceu a ética parlamentar e um verdadeiro concurso de oratória em que se distinguiram, à direita os conservadores Jean-Marie Roland, o Marquês de Condorcet e Pierre Victurnien Vergniaud; e à esquerda Robespierre, Marat e Danton os representantes da pequena burguesia revolucionária.
O Segundo Período marcou a manifestação mais realçada do Centro composto de intelectuais burgueses que desejavam a união de todos os republicanos. Esta união se tornou impossível pela pressão dos deputados de esquerda levados à radicalização impulsionados pelos chamados “exércitos populares”.
Assim o extremismo passou a dominar o Terceiro Período. À Esquerda, os “calças frouxas” (sains cullottes) exigiam o sufrágio universal, a reforma agrária, o tabelamento de preços de alimentos e certas frações até a abolição da propriedade privada.
O radicalismo derramou o caldo efervescente da disputa ideológica, disputando com a Direita que postulavam o voto censitário, a proteção à propriedade privada e o liberalismo econômico, terminando por conquistar a simpatia do Centro.
Viu-se então as posições mais moderadas e o receio de uma segunda revolução deram uma maioria eventual para limitar os avanços constitucionais instalando a República como queria o Centro ou a volta da monarquia com caráter constitucional.
A agitação das massas nas ruas e a mobilização dos exércitos populares armados, deu à ala esquerdista voltada contra uma intervenção estrangeira coordenada pela Inglaterra. Maximilien de Robespierre, exigiu a instauração de uma ditadura e, assim, surgiu o “Período do Terror”.
O republicanismo radical de Robespierre permitiu o avanço da extrema esquerda que tornou, o período mais sangrento da Revolução entre 1793 e 1794. Instalado para executar o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta, um instrumento letal projetado para uma morte rápida por decapitação – a Guilhotina – tornou-se o principal móvel de execução.
E, depois de executar os monarcas e a alta nobreza, passou a perseguir suspeitos de conspirar contra a República, terminando por atingir também seus próprios líderes; donde vem a máxima do jornalista Jacques Mallet du Pan que escreveu: “Assim como Saturno, a revolução devora seus próprios filhos”.
Sentadas ao pé do cadafalso, juntavam-se as famosas tricoteiras e crocheteiras, mulheres do povo, ligadas aos revolucionários mais radicais. Elas acompanhavam tecendo a queda das cabeças decapitadas, tornando-se o símbolo da participação popular na Revolução.
Representantes da mobilização política do povão, as nossas crocheteiras certamente participarão conosco, brasileiros honestos e verdadeiros patriotas, quando a polarização eleitoral dos populistas corruptos for corporificada e levada à guilhotina eleitoral.
DA ORIGEM
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Mensagens levadas ao meu Blog que trazem correções, críticas, elogios, reparos e supressões, muito me agradam; e estou disposto a aceitar qualquer comentário negativo e orgulhar-me do aplauso, como o que recebi no último artigo.
Sempre que posso (os azáfamas provocados pela idade me impedem) respondo ao interlocutor. No artigo em referência, “Das Contradições”, por exemplo, recolhi cinco respostas; uma delas, citada acima, veio do professor José Carlos Bortoloti.
Duas outras também trouxeram aprovação, e as restantes, críticas. Como não estou autorizado a revelar nomes fica no anonimato quem me chamou de ateu e me levou a uma lembrança de Denis Diderot sobre tal inquisição: “Perguntaram um dia a alguém se havia ateus verdadeiros. – ‘Você acredita’, respondeu ele, ‘que haja cristãos verdadeiros’?”.
Vou além. A verdade é que não cultuo um deus que o homem, em seu orgulho, criou à sua imagem e semelhança; uma divindade que resolve problemas pessoais, que elege um povo como favorito e quer ser louvado todo tempo. Fico com Spinoza, aceitando o deus que ele chama “Alma do Universo”, e se espelha na Natureza.
Quanto à última asserção, ah! esta foi contundente. Atacou-me defendendo a tese de que o homem foi feito de barro pelo Criador, que tirando dele uma das costelas, fez a mulher; considerei esta assertiva como a possibilidade contraditória que explorei no texto que provocou o ataque.
Considero lamentável que no século 21 alguém prefira ficar com as fantasias das Mil e Uma Noites judaicas em vez de admitir os estudos científicos do cosmos que tornaram indesmentível que os planetas, entre eles a Terra, se formaram de uma matéria gasosa sideral como poeira.
A Ciência prova que o nosso planeta, trouxe na sua estrutura astral a presença de amoníaco, hidrogênio, metano e oxigênio nas suas águas, o que favoreceu a formação dos hidrocarbonetos simples, fundamentais para criar substâncias orgânicas.
A vida, mesmo nas suas diferenças consideráveis, se desenvolveu nas águas, no ambiente marítimo, segundo escreveu H. G. Wells: “(Então), as plantas já eram plantas e os animais, animais”.
Oriundos dos microrganismos surgiram os invertebrados aquáticos como as algas e as bactérias, e, sobrevivendo há bilhões de anos, caracóis, medusas e águas-vivas; estas últimas, que nos queimam nos banhos de mar, são o exemplo mais do que perfeito das espécies orgânicas precedentes.
A água-viva tem a aparência de um guarda-chuvas translúcido, que se confunde com a água; não possui cérebro, sistema circulatório, órgãos para respiração ou para excreção; seu sistema nervoso é difuso e a boca localiza-se na parte inferior do corpo.
Posteriormente, na abundância da vida marítima destacaram-se os moluscos, mariscos e ostras, revestidos com uma concha calcária e alimentando-se de seres minúsculos e fosforescentes como os planctos.
Estes crustáceos, à maneira dos caranguejos como conhecemos atualmente, sofreram modificações e com tal diferenciação saíram d’água com guelras adaptadas para sobreviver no seco. A seguir vieram os anfíbios, aves e répteis passando pelo mesmo processo de emancipação.
Assim, cerca de 225 a 200 milhões de anos, na primeira etapa da Era Paleozoica, peixes anfíbios transformaram-se em vertebrados terrestres, com esqueleto e condições respiratórias pulmonares, evoluindo dos ancestrais reptilianos. Mais tarde, no final do Período Triássico, surgiram os primeiros mamíferos.
Os mamíferos se diversificaram e passaram a dominar praticamente os ambientes terrestres e, após 7 e 6 milhões de anos depois, segundo a Paleontologia, apareceram na África os hominídeos, com características de bipedismo.
A partir desses ancestrais primitivos, ocorreu a longa evolução que conformou o gênero Homo, avoengo do ser humano moderno. Este sou eu, somos todos nós, seres humanos viventes no planeta, inclusive quem desconsidera a Ciência.
Considero, porém, tedioso manter uma discussão sobre questões de fé; prefiro pensar no porquê o ciclo civilizatório atual não se despir de fantasias, assumir a fraternidade social e viver em Paz.
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DOS SINAIS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Jornalista por vocação, fazendo folhetins na pré-adolescência e indo aos 17 anos à redação de órgãos em circulação (“A Manhã” e “Diário Trabalhista”, Rio de Janeiro), tive a rara oportunidade de acompanhar todos processos de impressão, da tipografia por composição manual, (“Evolução”, Campina Grande, PB), a Linotipia (“Tribuna Capixaba”, ES, e “Tribuna do Norte”, RN), Offset (“Correio da Manhã”, RJ, e “Tribuna do Norte”, RN) chegando à diagramação virtual no alemão “Die Welt”, Colônia).
Participei assim do sistema gutemberguiano do uso primário de tipos móveis, do linotipo e da impressão direta em rotativas. Vibrei com as primeiras composições de padrão industrial para grandes tiragens automatizadas, e o gerenciamento de cores, na Editora Abril (“Realidade”, “Cláudia”, “Revistas Técnicas”).
Esta evolução da gráfica levou-me ao aprendizado dos sinais usuais da escrita, ponto, vírgula, ponto e vírgula, mais e menos, sublinhado, igualdade, apóstrofes, aspas, hífen, parênteses, exclamação, interrogação, e os acentos agudo, circunflexo e grave….
Deixo ao professor gaúcho José Carlos Bortoloti, escritor, poeta e criador do neologismo “brasilês”, a discussão sobre a abolição no nosso idioma do acento Trema pela implementação do Novo Acordo Ortográfico das nações lusófonas…. Antes, tínhamos a letra “Ü” acentuada em palavras como agüentar, bilíngüe, cinqüenta, freqüente, lingüiça, pingüim, seqüestro e tranqüilo; mas todas perderam o Trema.
Saindo do fluxo da impressão gráfica, vamos à História da Civilização, que registra os estudos antropológicos dos sinais da mente humana mostrando que as sociedades primitivas observavam nos fenômenos da Natureza sinais favoráveis ou ameaçadores.
Está comprovado que antes do desenvolvimento da ciência moderna a observação da Natureza constituía uma das principais formas de imaginar o destino das pessoas e a relação entre a humanidade, o cosmos e o sagrado.
Assim, na passagem do primitivismo à civilização, firmaram-se as religiões, pregando indícios da benevolência dos deuses no nascer do Sol e nas chuvas regulares; tendo também, em contrapartida, advertências e castigos vindos dos poderes sobrenaturais com eclipses, enchentes, secas e terremotos.
Daí surgiram lendas e mitos com o trovão associado à voz da divindade e as chuvas simbolizando fertilidade e renovação da vida. Estes sinais ajudavam a dar sentido ao desconhecido e fortalecerem a coesão social, com narrativas para explica-los e orientar a vida social.
No judaísmo, cristianismo e islamismo, tais sinais são evidentes convites à fé, à reflexão moral e à aproximação de Deus; oferecendo igualmente riscos pelo afastamento dos valores morais. Lê-se a revelação do Apocalipse na Bíblia, a ideia do fim dos tempos e o julgamento, a renovação e a restauração da ordem celestial.
Desprendendo-nos da realidade histórica, temos os sinais de embelezamento pessoal, como o sinalzinho sobre o canto da boca comum entre as antigas divas do cinema mudo para acentuar a sensualidade; e teve milhares de seguidoras. Modernamente um desses charmosos pontinhos foi composto na linda face de Marilin Monroe…
Em confronto com a beleza, a feiura se faz presente com as calamidades que causam destruição, crises morais, guerras, injustiças e terrorismo, práticas que mutilam a esperança de vivermos em paz e segurança, com fraternidade e mútuo respeito às divergências pessoais.
Esta cultura teria um forte conteúdo simbólico, incentivando a responsabilidade individual e novos processos sociais e políticos, capazes de estabelecer uma sociedade justa e pacífica derrotando quaisquer manifestações terroristas ao primeiro sinal da criminalidade.
É fundamental, porém, distinguir o terrorismo do crime comum, cujo objetivo costuma ser o lucro, enquanto o terrorismo busca influenciar comportamentos, decisões políticas e impor-se à ordem social pela intimidação.
As características do terrorismo, são a radicalização de grupos, o uso de indivíduos infiltrados na mídia e em órgãos governamentais, participação nos eventos sociais e artísticos para captar simpatia, lavar dinheiro, recrutar agentes e estudar alvos de visibilidade pública para atentados, sequestros e assassinatos.
Temos um exemplo recente destes elementos numa reportagem sobre os condomínios do programa “Minha Casa, Minha Vida” na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro, em território ocupado pelo Comando Vermelho (CV). Logo após a entrega das chaves, criminosos passaram extorquir os proprietários cobrando taxas de ocupação.
Lembram da piada do “dá ou desce”? Pois é, está acontecendo; quem se recusa deve abandonar o sonho da casa própria, logo invadida por pessoas dispostas a pagar.
Na presidência da República, refastelado em mordomias, Lula não enxerga o impacto psicológico e midiático que vem ocorrendo e discursa com a malandragem de pelego sindical um falso patriotismo fazendo do PCC e o CV a base da soberania nacional, assumindo pessoalmente ridículo e fazendo do Brasil objeto de escárnio na geopolítica internacional.
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DO TERRORISMO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
François-René de Chateaubriand, escritor, diplomata e político francês, considerado o pai do Romantismo, foi além da Literatura e filosofou: – “Não há nada mais servil, desprezível, covarde e tacanho que um terrorista”.
Realmente, nas ações belicosas é criminoso organizar-se e preparar-se para assassinar, extorquir, mutilar e sequestrar inocentes, sejam civis ou militares, como se vê em todo mundo e toma grandes proporções nos grandes centros brasileiros.
O Terrorismo não é novidade; as iniciais manifestações ocorreram com a disputa de territórios e bens quando as primeiras tribos nômades se apropriaram da terra estabelecendo a primeira divisão do trabalho, pelo cultivo do solo, a domesticação de animais, fabricando artesanias, comerciando, disciplinando guerreiros e imprimindo respeito religioso.
Segundo estudos antropológicos grupos que se mantinham nômades realizavam ataques às comunidades estabelecidas, fazendo-os como razias para aterrorizar, saquear, destruir e escravizar os prisioneiros.
Essas guerras de conquistas eram puro terrorismo, pois as tribos atraídas pela alimentação garantida e as riquezas acumuladas se dedicassem exclusivamente a conquistar as sociedades organizadas e produtivas.
Embora a palavra “terrorismo” seja moderna, historiadores veem que práticas semelhantes já existiam na Antiguidade. Na disputa pelo poder imperial, grupos armados recorriam ao medo, ao assassinato político e à intimidação coletiva para atingir seus objetivos.
Na Mesopotâmia, reis assírios e babilônicos utilizavam-se de massacres e destruição de cidades para espalhar pânico entre adversários e evitar rebeliões; e, mais tarde, vieram a ocorrer na Grécia e no mundo helenístico conspirações, atentados e violências organizadas contra governantes e ocupantes estrangeiros.
Chegando ao Império Romano, o Terrorismo ocorria principalmente nas províncias colonizadas, e o exemplo está na revolta dos Sicarii, no século I contra a presença romana na Judeia; utilizavam punhais escondidos sob as vestes para assassinar autoridades romanas e colaboracionistas judeus.
Muitos pesquisadores consideram a ação direta dos Sicarii um dos primeiros movimentos terroristas organizados da História, como forma de resistência contra o domínio estrangeiro.
Na Antiguidade Romana, o Terrorismo chegou com os vândalos, com a característica de devastar as nações invadidas, destruindo, incendiando e dilapidando bens públicos. Eram chamados de bárbaros pelos romanos, em virtude do princípio jurídico de que todos povos de além fronteira do Império eram considerados assim.
Chegando à atualidade nos fins da Guerra Fria, nos Estados Unidos, o seu 37º presidente, Lyndon Johnson, que criou a Great Society, uma política de combate à pobreza e à injustiça racial, denunciou o crime organizado como terrorista, praticando uma “guerra de guerrilha contra a sociedade.
Como ocorria à época nos EUA, temos no Brasil criminosos assaltando, extorquindo, contrabandeando, sequestrando, traficando drogas, ocupando territórios nos centros urbanos e até promovendo atos políticos.
A informação no nosso cotidiano traz notícias de operações policiais cumprindo mandados de prisão e de busca e apreensão em áreas dominadas pelo tráfico, sendo recebidas a tiros por grupos com armamento moderno de alto poder letal.
Estes grupos têm tudo de terrorismo, mas os andares de cima do poder no Brasil, legisladores, magistrados, ministros do governo, militares e policiais não veem assim; e o pior, o Presidente da República – que sempre mostra simpatias pelo crime –, decide transformar CV e o PCC em pilares da soberania nacional…
Diante disto, os 30% de lulopetistas que acompanham o seu ídolo, resistem ao fato do governo dos EUA incriminar como terroristas estas duas maiores facções criminosas ao lado da Al-Qaeda, Estado Islâmico (ISIS), Hamas, Jihad Islâmica e Talibã.
Diante deste quadro funesto cabe uma dúvida: porquê Lula, seus apadrinhados e a militância lulopetista temem classificar como terroristas as organizações criminosas? Ontem, 5 de maio, a classificação de Terrorismo passou a valer; e até agora nenhum togado do STF, nenhum ministro de Lula e nenhum parlamentar sofreram quaisquer ameaças. Assim a soberania está garantida.
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DOS GUARDIÕES
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Tem impressionado os cientistas políticos e historiadores independentes, provocando debates e aversão, o uso e abuso do epiteto “Guardiões da Democracia” usado por alguns ministros do STF para si mesmos, servindo até na propaganda televisiva do TSE (não sei prá quê TSE faz propaganda).
Assumir a guarda da Democracia faz parte do besteirol e da mediocridade dos condôminos que ocupam os andares de cima do edifício do poder. Despudorados, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o atual, Lula da Silva, também se assumiram como tal.
Exibem-se desejando protagonizar na literatura fantástica ou no cinema de ficção científica, mas será mais adequado participarem de histórias de quadrinhos nos gibis; como não se baseiam em fatos reais fica para si mesmos esta fantasia de auto elogio.
Ser guardião de alguma coisa sempre tem aparecido em obras e narrativas que não se baseiam em fatos reais ou na realidade estrita, tornou-se comum em obras artísticas, teatrais ou cinematográficas como “Guardiões do Universo” para designar seres, ordens ou civilizações encaradas como protetoras da ordem cósmica.
No cinema e na cultura pop, a ideia aparece associada a heróis espaciais, civilizações interestelares e defensores do destino da humanidade. Filmes e romances exploram a noção de que existem inteligências superiores observando a Terra e intervindo em momentos críticos.
Encontramos muitos exemplos desta definição nas histórias fantásticas de heróis editadas pela DC Comics da Warner Bros. Popularizou-se da DC os “Guardiões do Universo”, que são anciões imortais criadores e líderes da Tropa dos Lanternas Verdes, responsáveis por impedir guerras interplanetárias, invasões alienígenas ou o colapso do equilíbrio universal.
A versão cinematográfica dos anjos, deuses e titãs vem com os filmes “Abraxas, Guardião do Universo” (1991) e o filme “Gamera: Guardião do Universo” (1995) e “Lanterna Verde” (2011). Está anunciada uma nova produção trazendo de volta o He-Man lutando contra o Esqueleto e salva o planeta Eternia….
No filme russo “Cosmoball: Os Guardiões do Universo” se explora o lado psicológico das figuras angelicais no inconsciente humano que deseja e existência de protetores celestes intervindo na Terra.
Tratando-se de uma projeção moderna de mitos ancestrais, Cosmoball apresenta a chegada de uma gigantesca nave alienígena que é um estádio onde se realizam jogos espetaculares em competições intergalácticas com lutas de gladiadores.
“O mundo inteiro acompanha os jogos, como o faz atualmente nas copas mundiais de futebol. Quando chega a vez de representantes da Terra competirem, revela-se a intenção extraterrestre de conquistar o nosso planeta.
Um personagem, embora ignorando o papel especial que exercerá (que por coincidência lhe coube), o atleta Anton, participa do jogo final, e se torna o responsável pela nossa vitória e a salvação da humanidade”.
Esta projeção futurologista nos leva ao perder dos tempos e à História da Civilização, registrando a mitologia da civilização suméria com os Anunnaki, divindades que estão citadas em taboas da escrita cuneiforme como protetores dos seres humanos e criadores da escrita e da aritmética.
Na visão científica, antropólogos e arqueólogos veem os Anunnaki como figuras simbólicas da cosmologia sendo transmitidas aos povos mesopotâmios e influenciando os livros sagrados do judaísmo e do cristianismo. A Torá e os Evangelhos reconhecem a existência de seres espirituais como guardiões da vida terrestre.
Mantêm-se até hoje a crença em anjos (para os judeus, malach), como agentes da vontade divina que protegem as pessoas; e é voz corrente entre nós citar o “Anjo da Guarda” como nosso protetor.
Também no estreito ficcionismo da politicagem brasileira aparecem auto assumidos Guardiões da Democracia, tecnicamente preparados para defende-la, implantando (que ironia!) uma ditadura que censura, proíbe e suprime as liberdades de crítica, expressão e informação.
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DA IGUALDADE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Nos ideais da juventude brasileira o item Igualdade está sempre presente…. Talvez por herança da cultura francesa que vigorou entre nós por décadas. Como verbete dicionarizado, a palavra aparece como um substantivo feminino de etimologia latina “aequalitas” que significa a qualidade ou o estado daquilo que é igual.
Falo da herança cultural lembrando que as vanguardas libertárias coloniais admiravam e se inspiravam na Revolução Francesa adotando a crítica dos iluministas contra os privilégios da nobreza e do clero.
É de lembrar que o filósofo Jean-Jacques Rousseau defendia que os homens deveriam possuir os mesmos direitos civis e políticos perante a lei; e o consagrado lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” expressou o repúdio ao feudalismo contrário às liberdades públicas.
Convivendo com os revolucionários burgueses, o pensamento anarquista ampliou essa ideia de igualdade. Teóricos como Mikhail Bakunin e Piotr Kropotkin argumentaram que não bastava existir igualdade perante a lei, enquanto persistissem o Estado autoritário, a exploração econômica do trabalho e as hierarquias sociais.
Em ambas as correntes ideológicas, porém, a igualdade aparece como crítica aos antigos regimes absolutistas, defendendo que a igualdade conviva com as liberdades democráticas e a justiça social.
Ainda no século 19 surgiu uma terceira posição, marxista, que tentou unir todas as correntes revolucionárias reunindo-as em Londres, a 28 de setembro de 1864, para fundar a Associação Internacional dos Trabalhadores.
Esta circunstância durou pouco. Os liberais logo se afastaram e os anarquistas foram contra o coletivismo pregado por Marx e Engels, propondo o fim do Estado e a autogestão dos poderes públicos por cooperação individual e voluntária, permitindo a igualdade social e econômica pela ajuda mútua.
A outra dissidência, liberal, associada ao capitalismo, passou a ver a Igualdade como igualdade jurídica e igualdade de oportunidades. Este seguimento inspirou autores como John Locke e Adam Smith, sustentando que todos os indivíduos devem possuir os mesmos direitos civis, liberdade econômica e proteção legal, cabendo ao mérito pessoal determinar diferenças de riqueza e posição social.
Os marxistas tiveram a oportunidade de governar um grande país, a Rússia, assumindo o poder com a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Ocorreu então a tentativa de construir uma igualdade econômica mais ampla, eliminando a propriedade privada dos meios de produção e centralizando a economia sob controle estatal. Ao lado de inegáveis avanços científicos, culturais e tecnológicos, o que se viu foi um fracasso na busca da igualdade; a burocracia partidária gozava de privilégios contrastando com o ideal igualitário.
Assim, as teorias e práticas ficaram como exemplo no empenho para reduzir as desigualdades. Apesar dos esforços dos religiosos e humanistas em geral, defendendo que os seres humanos sejam iguais; a defesa cristã se limita a anunciar que todos possuem igual dignidade perante Deus. Evangelistas abordam o tema como se encontra em Mateus (23:8): “Todos vós sois irmãos” e atribuem a Jesus Cristo a frase: – “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
Das controvérsias, é muito discutida a colocação do filósofo inglês Samuel Johnson que se notabilizou no século 18 como crítico literário e contribuinte lexicógrafo para a consolidação do idioma. Evangélico passivo, afirmou que duas pessoas não podem passar meia hora juntas sem que uma conquiste uma evidente superioridade em relação à outra”.
Dá para refletir sobre isto, mas ficar sob a garantia do homólogo francês de Johnson, Denis Diderot, que também nos leva a pensar: “Homem algum recebeu da natureza o direito de comandar outros homens”.
Finalmente a melhor e atualíssima crítica aos regimes que traíram e traem o ideal da igualdade é de George Orwell no imperdível opúsculo “Revolução dos Bichos”, ao denunciar os privilégios e intocabilidade dos porcos que tomaram o poder: “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”.
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DA MEMÓRIA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Sempre com um referencial, faço leituras cotidianas para degustar a sabedoria de quem sabe das coisas…. Fazendo-o, confesso que me encabulei com uma colocação do respeitável pensador canadense John Kenneth Galbraith que se dedicou nos EUA escrevendo sobre ciência política e filosofia. Ele escreveu: “Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta”.
É impressionante como este pensamento se encaixa na Política ao longo da História da Civilização. O esquecimento de coisas, fatos e nomes pelas sociedades é notável; lembra que a nossa mente parece preparada para não lembrar do que nos afeta, como a dor, que depois de curada desaparece da nossa consciência.
Esta capacidade de perceber a si mesmo, os próprios pensamentos e o mundo ao redor, é a Consciência, que parece vir blindada para enfrentar aquilo que os sentimentos causam.
Para a psiquiatria e a psicologia cognitiva, a Consciência é uma atividade mental ligada ao funcionamento integrado do cérebro e à experiência subjetiva da realidade; e para a psicanálise, inspirada em Sigmund Freud, considera que apenas parte da vida psíquica é consciente, enquanto desejos, traumas e impulsos inconscientes influenciam o comportamento.
O estudo da mente nos leva a conceber que embora profundamente ligados a consciência e a memória são fenômenos diferentes.
A Consciência é uma atividade mental presente, a capacidade de perceber, pensar, refletir e reconhecer a realidade interior e exterior no instante vivido, enquanto a Memória é o arquivo que armazena para depois recuperar, informações, lembranças e experiências acumuladas ao longo do tempo.
Vê-se assim, de acordo com os estudos do comportamento humano, que a Consciência atua no presente da experiência mental e a Memória preserva o passado vivido; e a Neurociência conclui que há uma Memória Individual em que cada pessoa conservando a história da sua vida, afetos e aprendizados; e há uma Memória Coletiva que mantém vivos acontecimentos históricos, costumes, crenças e o idioma.
Sem Memória, a Consciência tem dificuldade de construir identidade pessoal e muito menos permitir uma nação “tomar consciência” da realidade política e social…. E é disto que se aproveita a politicagem que infelicita os povos.
Pela observação consolidada por quase oitenta anos vejo o Brasil atravessando um momento de “tomada de consciência” com milhares de pessoas passando a compreender os malfeitos dos poderes republicanos.
A corrupção que sempre existiu, tornou-se gigantesca no Legislativo, no Executivo e no Judiciário trazendo à tona coisas que se passavam despercebidas ou por preguiça mental eram ignoradas.
Hoje, é fácil observar, muita gente passou a compreender o que antes não via: trago como exemplo minha participação numa fila de cartório, ouvindo opiniões unânimes sobre a política nacional.
Presentes, uma professora aposentada, um taxista, dois estudantes e um empregado em supermercado. Todos referindo-se à roubalheira desenfreada que se vê entre os parlamentares, ministros do governo e na magistratura. Um dos protagonistas, nordestino, lembrou uma expressão que corre nos sertões: “Todo político calça 40”. Um exagero, sem dúvida, porque há exceções para justificar a regra…
Vê-se, por exemplo, o malefício delituoso no cenário da corrida desesperada de Lula para sua reeleição. Das medidas com gastos milionários até a cretinice do vaivém da taxa “das blusinhas”, cuja justificativa fica registrada como mais uma sem-vergonhice dos agentes lulopetistas….
Para gravar na Memória, também, além da formidável mentira para desculpar Lula e seu ministro dos Impostos e das Taxas, Haddad; temos também, além do dinheiro, a troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, com “meu irmão prá lá”, “meu irmão prá cá”.
É por isto que milhares de depoimentos, entrevistas e fotografias guardadas nas redes sociai, mostram a igualdade entre os dois polos no cenário polarizante da política, desesperando o Sistema Corrupto que quer impor a censura na Internet….
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DAS GUERRAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Como pacifista desde menino, atuando pela Paz Mundial com meus pais ativistas, senti a necessidade de escrever sobre as guerras, tendo com o pensamento voltado para uma genial máxima de Einstein: “A paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos”.
A Pré-História registra que as primeiras guerras surgindo pela disputa de terras férteis, por água e disputas comerciais. Arqueólogos e pesquisadores históricos mostram a utilização dos povos antigos da cavalaria, carros de guerra, lanças e espadas para o ataque, e muralhas para a defesa.
A Pré-História registra que as primeiras guerras surgindo pela disputa de terras férteis, por água e disputas comerciais. Arqueólogos e pesquisadores históricos mostram a utilização dos povos antigos da cavalaria, carros de guerra, lanças e espadas para o ataque, e muralhas para a defesa.
Séculos depois, no Grande Oriente, o Império Chinês foi invadido pelos mongóis de Gêngis Khan, quando se viu a atuação de uma cavalaria extremamente móvel, disciplina militar e táticas de terror psicológico que permitiram rápidas vitórias e a conquista de cidades fortificadas. Nasceu assim na China a dinastia Yuan que deixou duradouras marcas no comércio, na cultura e na política.
No Ocidente, ficaram assinalados dois grande eventos bélicos. No século IV a.C., Alexandre, o Grande, liderou os macedônios na conquista do vasto Império Persa, do Afeganistão, e chegando a regiões da Índia. No Egito, seus sucessores criaram uma dinastia de faraós, tendo como capital a cidade com seu nome, Alexandria.
As campanhas do general macedônio difundiram a cultura helenística, unindo tradições gregas e orientais nas artes, filosofia e literatura. Alexandre tornou-se símbolo do conquistador audacioso e do ideal militar do mundo antigo, sendo considerado um dos maiores estrategistas militares da História.
Chegando a Roma estudamos a conquista da Gália por Júlio César (58-50 a.C.), em campanhas até hoje presentes até no currículo da Academias; a expansão romana pela Europa sucedeu às Guerras Púnicas, um confronto “frente a frente” entre Roma e Cartago pelo domínio do Mediterrâneo. Foram três guerras sangrentas que chegaram ao fim com Roma assumindo o espírito militarista da República destruindo Cartago e consolidando-se como potência imperial.
Na Idade Média, as guerras dos reinos culminaram, no fim deste período, com a Guerra dos Cem Anos, uma série de conflitos entre a Inglaterra e a França; e, já na Idade Moderna, nos fins do século 18 e início do século 19, a História apresenta a chamada “Era Napoleônica” com eventos militares comandados por Napoleão Bonaparte, com o objetivo de fortalecer a França e divulgar o liberalismo da Revolução Francesa, derrubando monarquias absolutistas na Europa.
Daí, chegamos à contemporaneidade quando ocorreram as duas grandes guerras, ditas “mundiais”. A Primeira, deflagrada por ato terrorista, nasceu na verdade por rivalidades imperialistas, nacionalismos extremos e disputas militares entre países europeus. Trouxe duas consequências: introduziu armas modernas de destruição em massa e se viu a vitória da Revolução Russa levando o comunismo ao poder.
A Segunda Guerra Mundial foi provocada pelo surgimento dos regimes totalitários, o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha; este último, sob a insana liderança de Hitler, defendeu a superioridade racial e o expansionismo agressivo sob pretexto do “espaço vital”. Provocou, ao fim, o genocídio de ciganos, eslavos e judeus, uma Europa arrasada e a ascensão dos Estados Unidos e da União Soviética como superpotências rivais.
Desta rivalidade de cunho ideológico, surgiu a Guerra Fria alicerçada por disputas políticas, militares, tecnológicas e nucleares, dividindo o mundo sem que EUA e URSS confronto direto entre si.
Os choques hostis entre nações resultaram no imenso lucro de personalidades políticas, sistemas comerciais industrial-militares, dominando as fontes de combustíveis fósseis e mantendo arsenais nucleares. Enquanto os povos sofrem na viuvez, orfandade, mutilações físicas e psicológicas, as classe dominantes, lucraram, lucram e lucrarão com as guerras.
É por isto que paira na consciência das pessoas de bem, o temor de que as guerras pontuais, como a que é travada no Oriente Médio, provoquem o terceiro conflito global com armas nucleares avançadas, resultando no fim da civilização.
Fechando e trazendo Einstein de volta com a sua genial projeção para tal hipótese: “Não sei com que armas a Terceira Guerra Mundial será travada, mas a Quarta Guerra Mundial será travada com paus e pedras”.
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