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UNIÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Se todos se mobilizam por um objetivo comum, o sucesso acontece por si só. ” (Henry Ford)

O nosso Olavo Bilac, que estreou na poesia inserindo no livro “Via Láctea” o belíssimo soneto “Ora direis ouvir estrelas”, interpretou o lirismo dos poetas fitando o infinito; e, por sua vez, os astrólogos veem o destino escrito nas estrelas.

A magia imaginativa dos poetas, as interpretações astrológicas e o sacerdócio religioso desmentem a ciência cosmológica e apontam os seus deuses como responsáveis pela criação do planeta e da vida.

Em contrapartida, os astrônomos, como cientistas, céticos, pensam quando o Universo e o nosso sistema planetário volverão ao caos primitivo. Há uma pá de teorias sobre a origem do Universo, além dos mitos, lendas e livros sagrados de todas as religiões mais ou menos semelhantes ao criacionismo judaico-cristão.

A mais badalada atualmente entre as suposições e hipóteses nos meios científicos é o Big Bang, a Grande Explosão que teria ocorrido entre 13,3 e 13,9 bilhões de anos atrás.

Após a explosão do Big Bang ocorreu no cosmos um resfriamento drástico e com a queda da temperatura deu-se o início da formação da matéria, por meio dos prótons, elétrons e outros elementos, tendo os primeiros átomos como unidade básica.

Assim se deu forma às galáxias, aos sóis e planetas. De uma poeira de gases e detritos teria surgido a Terra.

Afora os dogmas, todos querem explicações para o surgimento da vida. São esforços paralelos e simultâneos, embora diferenciados nas pesquisas para explicar nossas origens, duvidando, estudando, inquirindo e pesquisando.

Se os cientistas julgam importante pensar assim, porque não devemos pedir a união de todo mundo, para encontrar uma solução para a grave epidemia que assola o planeta e realizarmos, sem divisionismos, a salvação contra a qual a politicagem resiste e impede?

Não é pedir demais. É um apelo à consciência. Um pensador espírita, cujo nome me foge da memória, mas que a minha inesquecível mãe sempre citava, levantou a tese de que há doenças que veem para despertar o conhecimento da realidade.

Isto me leva a pensar que este horroroso vírus que atinge a todos, sem exceção, alastra-se e vem infectando muitas personalidades poderosas, e quem sabe, as estimule em pensar na sociedade ameaçada…

Os políticos, alguns deles atingidos pessoalmente pelo mal, ou entre os seus familiares, amigos e colegas, ainda não sentiram a necessidade de abandonar as picuinhas rasteiras e buscarem conjuntamente meios para combater o covid-19.

Em verdade, mesmo os mais despreparados para exercer mandatos, têm o discernimento de que estão expostos à “morte, surda, que caminha ao seu lado e não sabe em que esquina ela vai lhe beijar” como cantou Raul Seixas…

Talvez uma provocação mais contundente leve os que administram a coisa pública, no Executivo, Judiciário e Legislativo a considerar suas responsabilidades na situação que atravessamos.

Da minha parte, inserido no epicentro do risco, sinto-me frágil para reagir à abominável politicagem que assistimos, igualmente contagiosa como o vírus. Creio que é preciso uma forte pressão da coletividade para mostrar que o poder não é uma vacina e que a morte é tão democrática como o “Estado de Direito”.

Por isso, lembrei-me de uma passagem proverbial ocorrida com Canuto, o rei da Dinamarca, Inglaterra e Noruega.

Certo dia, caminhando à beira mar, achegou-se ao Rei o embaixador da Alemanha que iniciou uma conversação louvando-o: – “Vós, que sois o rei mais poderoso”… Canuto interrompeu-o, e afastando-se voltou-se para as ondas, gritando:

– “Proíbo-lhes que me molhem! ”. Neste momento uma grande vaga quase lhe derrubou; Canuto, homem de espírito, reagiu ao embaixador: – “Vedes? Se eu tivesse o poder que dizes, o mar me obedeceria…”

Esta lição, também herdamos do padre Antônio Vieira nos seus sermões: “O querer e o poder, se divididos são nada, juntos e unidos são tudo”.

 

 

 

 

JORNALISMO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O fotógrafo tem a mesma missão do poeta: eternizar o momento que se passa”. (Mário Quintana)

Tenho comentado muito sobre a imprensa atual nos meus últimos artigos e crônicas, com críticas acerbas ao momento infeliz que a imprensa atravessa pelo mundo afora e especialmente no Brasil, onde a informação vem envolta no papel celofane da propaganda.

Foi o colega da velha guarda, o multifacetado jornalista Gaudêncio Torquato que me inspirou falar dos tempos em que as redações eram “risonhas e francas”… Época em que nos esforçávamos a estudar para bem concorrer.

Gaudêncio atua com qualidade no campo da política, como analista, na pesquisa e no marketing, além de articulista e tuiteiro. Numa mensagem que tuitou, disse literalmente que:  “Tenho responsabilidades como analista político. Posso discordar das atitudes do presidente – e discordo – mas não posso lhe desejar o mal. Tenho procurado me guiar pela luz dos bons caminhos”.

É como se faz no bom jornalismo. Nem agressões, nem bajulações; ater-se ao fato, informando e analisando. Hoje, poucos jornalistas fazem assim. A mudança flagrante do comportamento da imprensa está numa memória ocorrida a 136 anos com o “The New York Times”.

Numa de suas edições no ano de 1884, o jornal trouxe o seguinte texto: “A decadência da Espanha começou quando os espanhóis adotaram o cigarro, e se essa praga perniciosa se espalhar entre os americanos adultos, a ruina da nossa República estará próxima”. O N.Y. Times nos dias atuais defende a descriminalização da maconha.

Sem comentários. Passo às recordações dos meus tempos de jornal, como repórter, editor e secretário de redação. A lembrança me leva ao coleguismo sempre presente, com o tratamento respeitoso nas divergências de opinião, e ocorriam discussões acirradas todo tempo.

Naquele tempo, entretanto, já existiam os bezerros de presépio, sem ideia própria, aceitando levar ao leitor a opinião do eventual diretor do jornal ou da revista, este obedecendo aos interesses comerciais ou dos acionistas da empresa para manter o cargo…

Haviam também, como hoje é voz geral, os que consideravam os jornalistas uns privilegiados, por ter preferência nas antessalas dos ministérios, achegar-se aos chefes de executivos, tomar cafezinho com parlamentares e receber ingressos para cinemas teatros e shows.

A regra geral era de um comportamento profissional ético e o produto do trabalho informativo isento de favoritismo. Para isto se cultivava o relacionamento com os porteiros, as secretárias e até os informantes da Polícia, tratando-os com cordialidade e respeito. “Fazendo” amizade.

Há segredos no exercício da profissão de jornalista. Recordo um deles: a ajuda indispensável dos fotógrafos em qualquer ocasião. Agradeço a um deles um importante prêmio que recebi por uma reportagem que foi altamente valorizada pela composição fotográfica. O repórter-fotográfico cumpre o milenar princípio de que uma imagem vale por mil palavras…

Hoje, nem o repórter e o fotógrafo escapam das pressões políticas, como Thomas Sowell deixa claro: – “Muitos na imprensa parecem não entender a diferença entre reportar notícias e criar propaganda.”

Numa matéria manchetada em quatro importantes órgãos da imprensa neste mês, encontramos: “O Brasil demorou a combater o covid-19” – omitindo que Espanha, EUA, Itália, Irã e outros também o fizeram. Trata-se evidentemente que em vez de colaborar internamente no combate ao vírus, a mídia fica “do contra”.

Felizmente essa falta de ética, sentenciando à morte milhares de brasileiros, não nos faz perder o respeito pelo jornalismo, que apesar dos pesares renascerá como uma fênix das cinzas.

PASSAGEIROS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Acho que contamos histórias para não ficarmos sós” (Do filme “Passageiros”)

Não vou falar dos que viajam num veículo, por necessidade, a convite ou de carona… vejo aquele que passa rápido ou aquilo de pouca duração, o transitório, o efêmero. Aliás, a palavra Efêmero significa curiosamente “o que dura um só dia”.

Designa também uns pequenos insetos que voam e amerissam em águas estagnadas, cuja vida é limitada a 24 horas, e nos leva a considerar a relatividade do tempo nas nossas vidas.

O cálculo mais interessante sobre a passagem dos anos tiramos do genial escritor Liev Nikoláievich Tolstói, pai do realismo na literatura russa.  Tolstoi explica a relatividade do tempo dizendo que “Para o menino de cinco anos, um ano é a quinta parte da vida; enquanto para um homem de 80 anos, é a octogésima parte”.

O que tranquiliza os octogenários, como eu, é lisonja do filósofo Platão refletindo que “devemos aprender durante toda a vida, sem imaginar que a sabedoria vem com a velhice”… No meu caso, guardo dúvidas; continuo estudando como um adolescente.

E sempre volto a lembrança aos bancos escolares como agora, recordando uma anedota sobre o tema que corria na Faculdade Nacional de Direito em torno do professor Hermes Lima, de quem recordo com muito carinho.

Casado com a senhora Maria Moreira Dias Lima, com quem mantinha um afetuoso relacionamento, Hermes atendeu-a prontificando-se a fazer uma palestra sobre a vida na Terra. Como a esposa era ligada à uma das famílias mais ricas do Brasil, os Larragoiti, donos na época da maior empresa de seguros da América Latina, a Sul América S.A., a audiência feminina era deste patamar.

O Professor discorreu didaticamente sobre o tema sugerido, terminando por enfatizar a perspectiva cosmológica de que mais ou menos a 50 milhões de anos o nosso sol e seu sistema planetário desaparecerão.

Passados alguns dias, dona Maria relatou ao marido que suas amigas ficaram apavoradas com a expectativa do fim do mundo; o marido pediu-lhe que as reunisse de novo para uma conversa com elas. Assim se deu, e Hermes detalhou o que representa os milhões de anos na história planetária, e para amainar o medo, concluiu que o sol viveria 100 milhões de anos. Para agradar o círculo social da sua mulher, adiou por 50 milhões de anos o fim do mundo…

A verdade é que mesmo sofrendo catástrofes, pandemias e guerras. acontecimentos passageiros, o planeta Terra e seus habitantes ainda terão muito tempo de vida. A humanidade se desenvolve científica e tecnologicamente a passos largos e supera todos os malefícios.

Houvesse mais aplicação dos governos para a educação, as novas gerações viriam com melhor formação, física e mental. Pena que estejamos vivendo – não só no Brasil, mas pelo mundo afora -, um período histórico de retorno às ideias totalitárias e tendência ao autoritarismo.

Leva-nos a pensar os alertas da filosofia proudhoniana e ao ‘1984’ de George Orwell, conscientizando-nos de que “ser governado significa ser observado, inspecionado, admoestado, avaliado, censurado, cercado, comandado, controlado, dirigido, doutrinado, espionado, explorado, filmado, fotografado, legislado, regulamentado”.

Isto, porém, em vez de revoltar, leva a cidadania a se acomodar e esperar que venha dos governantes as iniciativas no campo da educação, saúde e segurança, quando coletivamente poder-se-ia criar condições objetivas para que isto fosse feito.

Agora mesmo, no caso do covid-19, em vez de uma ação coletiva e unitária contra a pandemia infecciosa, tudo vem de cima para baixo, envolvido em divisões ideológicas e grupais. E o mais triste é que vem divulgado numa mídia que está exagerando no noticiário criando o pânico entre os desinformados.

Isto nos leva a Proudhon, quando escreveu: – “Os jornais são os cemitérios das ideias. “

PERIGOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Conheça o inimigo e a si mesmo e você obterá a vitória sem qualquer perigo” (Sun-Tzu)

Sempre que surgem ameaças de extermínio da humanidade renovadas no correr dos séculos, é preciso ter olhos para o futuro e esperança na recuperação. Nos dias que atravessamos testemunhamos o surgimento e a propagação do novo coronavírus, o covid-19, que a Organização Mundial da Saúde declarou como pandemia.

Registradas na História Geral, as primeiras pandemias foram bacterianas, surgidas a partir do século 4, com a que se convencionou chamar “Praga de Justiniano” – a peste bubônica –, precursora da Peste Negra que assolou a Europa, Ásia e África no século 14.

A Peste Negra foi devastadora, atacando em ondas de epidemias a partir da Ásia Central e se espalhando pela Ásia e Europa, causando a morte de 75 a 200 milhões de pessoas. Um quarto da população europeia foi dizimada na Baixa Idade Média por causa das pulgas hospedeiras da bactéria causadora da peste (Yersinia pestis).

Vivia-se um período histórico turbulento após a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos e o cerco de Roma pelos povos circunvizinhos. (Recuso-me a chamá-los de bárbaros…).

Na comparação sintomática das doenças bacterianas e virais vê-se que, embora biologicamente diferentes, as bactérias são organismos vivos e os vírus são partículas infecciosas; ambas, quando inoculadas, apresentam sintomas semelhantes e inespecíficos, como catarro, febre, dores pelo corpo e na cabeça, náuseas…

As infecções bacterianas ou virais, são assustadoras. As primeiras, porém, são tratadas agora com eficácia na Era dos Antibióticos, apenas com a necessidade de isolamento por uma semana.

No momento atual, enfrentamos uma infecção pandêmica viral, felizmente com uma taxa geral de mortalidade de 2,3% — embora levando às pessoas com mais de 60 anos a taxa de 14,8%.

Para nos tranquilizar temos conhecimento de que Alemanha, China e Estados Unidos travam uma guerra humanitária para assumir a paternidade (ou maternidade) do medicamento contra o covid-19 e da vacina para evita-lo.

Acrescente-se a estes três países muitos outros que invisíveis na mídia, participam dessa maratona humanista, inclusive o Brasil. Isto nos leva ao culto da Esperança, o único remédio com eficiência contra o desespero alardeado nos meios de comunicação.

O perigo dos boatos, do ceticismo, das ciladas e da descrença será afastado na medida em que mantivermos a esperança na vida, na sociedade, no País e no universo em seu eterno movimento…

Para isto, precisamos enfrentar a fanfarronice dos tolos que se julgam donos da verdade, lembrando a lição do Marquês de Maricá ao dizer que os sábios duvidam mais que os ignorantes; porque estes últimos creem se impor pela adulação.

Os puxa-sacos dos ocupantes do poder e seu inverso, os que querem se manter no poder bajulando o eleitorado, são incapazes de fazer críticas – e não respeitam os que a fazem –, deveriam aprender com o exemplo deixado por Catarina II – A Grande – imperatriz da Rússia:

Dada à leitura, Catarina sofreu um começo de miopia e reclamando dessa dificuldade recebeu um par de óculos. Para experimenta-los pediu que lhe dessem algo para ler; então apresentaram-lhe um texto cheio de louvaminhas e lisonjas para ela.

Ao ler o primeiro parágrafo, a Czarina devolveu os óculos e o cartão dizendo: – “Estas lentes não me servem; põem minha vista em perigo, aumentam demais”.

 

 

 

 

 

NARRATIVA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Uma vez li que, quando olhamos para o nosso passado, podemos ver uma linha narrativa, uma ordem ou um plano, como se fosse algo gerado por uma força invisível” (Gisele Bündchen)

Escrevi anteriormente o artigo “PILULAS” confessando-me um acumulador obstinado de anedotas históricas, pensamentos, provérbios e causos do cotidiano, que passo adiante quando tenho oportunidade para isto…

Faz tempo que guardei uma curiosa história ocorrida na década de 1959 no Egito, quando a Secretaria de Antiguidades Faraônicas convocou arqueólogos, cientistas, historiadores e a imprensa para participarem da incrível experiência de aspirar o perfume que era usado pela rainha Cleópatra.

A essência era concentrada como aqueles defumadores indianos, comprimidos em tabletes. Quebrado um deles e atirado a um braseiro, provocou uma fumaça azulada exalando um odor agradabilíssimo, embriagador. Um jornalista presente não se conteve e soltou uma provocação: – “Foi com este aroma entorpecente que Cleópatra enlouqueceu César! ”…

Nenhuma das personalidades presentes e também sensíveis ao odor aspirado, ensaiou comentar a óbvia conclusão do repórter; e a obviedade é a comprovação incontestável através dos sentidos.

Esta narrativa nos mostra como o faro jornalístico é capaz de recuar 2.000 anos para explicar o motivo que levou o imperador romano à paixão enlouquecedora pela rainha egípcia. E reforça a minha opinião de que o jornalismo é vocação; não há escola nem professor capazes de fazer um bom profissional. Talento não se vende em hortifrúti como chuchu e abobrinha.

Por outro lado, a narrativa não menos talentosa na literatura, traz enredos atraentes, com protagonistas bem situados no tempo e no espaço encenando histórias curiosas e ilustrativas.

Umberto Ecco diz que a gente quando lê um romance o enredo nos leva a pensar que a narrativa é verdadeira e faz crer que havia uma mulher que se chamava Madame Bovary e um homem que se chamava Raskolnikov…

O verbete Narrativa é um substantivo feminino originário do verbo latino narro, as, āvi, ātum, āre, ação, processo ou efeito de contar, expor, dar a saber.

Na Literatura temos os contos, as crônicas, as fábulas e as novelas, cada um dos estilos desenvolvendo uma fórmula diferente, para exprimir a realidade ou uma ficção, um tema do dia-a-dia, mensagem de cunho moral ou fatiada em capítulos girando em torno de um personagem como muito sabe fazer o Aguinaldo Silva…

Ao longo da vida constatamos, porém, que as exposições ao passarem de boca a ouvido, de geração a geração, caem como uma luva no ditado popular: “Quem conta um conto, aumenta um ponto”. Aprendemos que coisas reais passam a ser fantasiosas conforme as palavras e as imagens usadas na narrativa.

Os acontecimentos emitidos são descritos de forma diferente por cada um dos narradores e igualmente diferenciados pelos que recebem a descrição. Verificamos também, com experiência, que encontramos no discurso político a dialética da ilusão e do logro.

Todos os agentes políticos são assim? Não. Há raras e honrosas exceções. Mais tarde, a História irá expor os acontecimentos da nossa época que poderão ser reais, registrando os bons; ou, episódios imaginários baseados em pesquisas de jornais; e assim todos serão absolvidos…

Na minha narrativa, porém, são imperdoáveis os profissionais da política que atuam contra a Pátria. Na segunda-feira pestilenta em que a Bovespa teve uma queda recorde e o dólar foi ao mais alto patamar, pelo coronavírus e o petróleo, eles alegraram-se e torceram para que a situação piorasse. Renovou-se o malogro econômico e de novo as aves de mal agouro grasnaram contentes.

Não me lembro, mas parece que foi o ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, quem disse que “a História contará sobre as nossas ações, e não das nossas boas intenções”.

Quanto a nós, humildes observadores de uma época, resta-nos reconhecer que nem toda narrativa é feita abertamente, fica invisível mesmo que nos esforcemos em defender que tudo deve ser dito com destemor.

 

 

 

PÍLULAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Uma boa estória é como uma pílula amarga, com uma camada de açúcar por dentro. ” (O. Henry

Faz muito tempo que eu, ainda adolescente, escrevi uma coluna no extinto jornal “A Manhã”, intitulando-a de “Pílulas”. Eram pequenas notas, espremidas e isoladas, que eu tirava do noticiário dos outros jornais ou de conversas com amigos. Mais ou menos precursoras do que faço atualmente no Twitter.

No rodapé trazia um subtítulo, “Ora Pílulas! ”, que na linguagem popular usava-se com referência à insignificância; ali resumia coisas de pouca importância, só levadas a sério pelos colunistas sociais…

O verbete Pílula é um substantivo feminino de origem latina (“pilula”) que significa bolinha, diminutivo de “pila,ae”, “bola”. É um fármaco compactado por compressão, com diversas formas e cores.

A palavra caiu em desuso passando a chamar-se comprimido, até que surgiram as anticonceptivas, a pílula azul e a pílula do dia seguinte, voltando à linguagem coloquial. Atestando a eficácia da pílula contra a gravidez, Millôr Fernandes tem um comentário irônico, ao escrever que: – “Você pode evitar descendentes. Mas não há nenhuma pílula para evitar certos antepassados”.

Recentemente os cientistas desenvolveram uma pílula com resultados positivos para tomar o lugar das abomináveis injeções.

Baseando-me no ensinamento de Antoine de Rivarol de que “As máximas são a sabedoria em pílulas” pesquisei e colecionei pensamentos, provérbios e anedotas históricas que mantenho sempre nos meus escritos.

Uma delas, bastante antiga, relembrei por se tratar de uma historieta adaptável aos dias que atravessamos:

“Na década de 1950 a revista ‘Nouvelle Revue Française” recebeu uma comunicação do Imposto de Renda da França convidando o escritor Franz Kafka – que aparecia como colaborador da Editora – a pagar os impostos atrasados.

A diretoria financeira da empresa respondeu: – ‘Lamentamos muito, mas o senhor Franz Kafka não pode atender a sua intimação, porque morreu a 20 anos’, o que correspondia à verdade. ”

Isto retrata uma rotina burocrática antiga, mas ainda vigente em diversas repartições públicas de todos os países.

Em 1958, fui funcionário do antigo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários, e quando lá iniciei as minhas funções, encontrei processos atrasados dos antigos “bancos do Eixo”, que sofreram intervenção federal na 2ª Guerra Mundial. Passaram-se 13 anos do fim do conflito e os processos de aposentadoria e pensões dos empregados daqueles estabelecimentos estavam engavetados. Desarquivei-os e dei solução a todos, o que me valeu uma promoção…

Agora assisto a constrangedora situação de milhares de pessoas que têm os processos congelados no INSS, o que dói na consciência das pessoas normais. Reconheço que não se trata apenas de burocracia, mas também do envelhecimento do quadro de servidores levando-os à aposentadoria sem a necessária renovação, mesmo tendo muitos aprovados em concurso.

Mas enquanto isto ocorre, nós nos revoltamos vendo que os ex-presidentes têm direito a cartões corporativos, quatro servidores à disposição e dois veículos oficiais com dois motoristas; tudo pago pelo contribuinte.

Pior ainda é ver-se Fernando Collor e Dilma Rousseff que tiveram seus mandatos cassados pelo impeachment, manterem esses benefícios.

São as pílulas amargas que a cidadania é obrigada a engolir por força de uma legislação frouxa e o Congresso legislando em causa própria…

 

 

DOS VÍRUS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Queria um Google na minha cabeça e um antivírus no meu coração” (Desconhecido – via O Pensador)

Autofalantes da mídia arremetem com som de mil decibéis a epidemia do coronavírus, comprovadamente uma doença vírica de distribuição mundial; mas é importante saber que o coronavírus já existe há anos causando infecções respiratórias.

O “novo coronavírus” é uma mutação, um subtipo, como acontece frequentemente com os vírus, e por ser “novo”, foi batizado de COVID-19.

Ocorre que aparece justamente em tempos complicados, quando o mundo está meio complicado, com várias crises políticas, econômicas e até ameaças de guerra.

Mas, para tranquilizar os que se apavoram diante da pertinaz e assustadora divulgação da epidemia, temos felizmente certeza de que esta enfermidade traz um baixo índice de mortalidade, atingindo apenas pessoas de baixas defesas, idosos e portadores de doenças crônicas. Aliás, mortes advêm até com a gripe…

É de se considerar, também, que além das altas chances de sobrevivência, e para nós tropicalistas, há o fator deste vírus ter surgido em pleno inverno, com temperatura inferior, havendo indícios de que o vírus sobrevive menos no calor.

Como as viroses são transmitidas por contágio entre seres humanos pessoa a pessoa, de animal para animal e destes para pessoas, através de vetores artrópodes, é fundamental a coleta dos dados, análises e pesquisas científicas.

Constatamos, felizmente, que a situação epidemiológica das doenças transmissíveis no Brasil conta com a presença de magníficas instituições científicas, como a Fiocruz, a USP e o Butantã que efetivamente com a política empreendida pelo Ministério da Saúde.

Além das definições que a Ciência nos dá, encontramos o verbete Vírus dicionarizado como um substantivo masculino vindo do latim (virus.i.) que significava veneno. No nosso idioma indica na Medicina os organismos microscópicos que, causadores de várias doenças e, na Informática, sabotagem que se instala em computadores para causar danos ou fraudes.

Já existem as palavras ‘viral’ – relativo a vírus ou causado por ele -, e ‘virótico’ (Dicionário Houaiss); e também ‘vírico’ (Grande Dicionário da Língua Portuguesa) com o mesmo significado que viral. Temos igualmente o verbo transitivo, intransitivo e pronominal ‘viralizar’, espalhar para criar um efeito.

Diante da situação que aflige a humanidade é bom aprender com Shakespeare que “a sabedoria e a ignorância se transmitem como as doenças; daí a necessidade de se saber escolher as companhias”; então, além de lavar bem as mãos ou usar o álcool gel, é preciso estudar e aprender em vez de dar ouvidos a boatos e fuxicos.

Buscar a informação teórica nos clássicos é um contra vírus que nos livra das baixarias de uma mídia comprometida, a imprensa que numa projeção de Joseph Pulitzer nos alertava que seria mercenária, demagógica e corrupta…

Libertando-nos das fake news virulentas, dos boatos e fuxicos provindos dos agentes do mal, estabeleceremos uma “nova política” real, a serviço da Nação e não pelo interesse de camarilhas econômicas, ideológicas e políticas.

Teremos assim a vacina contra o mais resistente dos vírus, a corrupção, que as redes sociais já nominaram de “coruptovírus”; contra a infiltração dos corruptos em todos os setores da vida nacional transmitindo o contágio nas pessoas de baixa imunidade da ignorância.

Do mesmo jeito como o Governo, Entidades Médicas e Centros de Pesquisa Científica trabalham para enfrentar o novo coronavírus, é preciso, a todo custo, despertar o povo para lutar contra a propagação da cultura do jeitinho, da propina e da impunidade, resíduos que sobraram da Era Lulopetista.

AMBIVALÊNCIA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Escrevo sobre isolamento e ternura, a perturbadora ambivalência nossa, frivolidade e covardia, às vezes a graça e o riso. ” (Lya Luft)

Na sua nomenclatura, a Psicologia registra “Ambivalência” como a igualdade das tendências antagônicas, termo criado pelo psicanalista Bleuler; e no conceito popular o caráter daquilo que representa dois aspectos e dois valores.

Lembrei-me do vocábulo para responder uma mensagem política comparativa a mim dirigida no Twitter, que respondi como “A culpa é ambivalente: dos bons, competentes e honestos que fogem da política, e do eleitorado que elege o que há de pior na política.  São raras a exceções…”.

Na Matemática há um axioma que reza: “os extremos se tocam no infinito”, o que com vistas à política e à religião, dá razão a Bleuler.

Houve uma época na minha vida que estudei as religiões com avidez, não somente as monoteístas vigentes nas sociedades de maior avanço civilizatório como nas consideradas primitivas.

É discutível o caso do sincretismo religioso, quando as religiões “de Estado” se apropriam de velhos cultos chamados pagãos. Recordo, por exemplo, a adoção por várias seitas judaicas, como a dos essênios, do culto do sol pelo mitracismo. As festas do solstício de Inverno (25 de dezembro), também foram adotadas posteriormente pelo cristianismo.

Na Roma antiga, o imperador Heliogábalo trouxe de Cartago a pedra negra adorada em nome da Deusa do Céu, e bem mais tarde os muçulmanos passaram a adorar na grande Mesquita de Meca uma pedra negra, anteriormente branca, que teria escurecida por causa dos pecados da humanidade.

Este culto foi recuperado pelo profeta Maomé de clãs árabes do deserto em tempos remotos, assim como os cristãos adicionaram à sua crença o “sabat” – o dia do descanso dos judeus -, nos domingos.

Assim, temos na religião a noção de ambivalência. Socialmente tivemos inda agora o Carnaval, velha festividade pagã, entrando no calendário da Semana Santa. Vem da mais remota Antiguidade, como as Sacéias babilônicas e no Egito, na Grécia Antiga, cultuando o deus Dionísio, e em Roma com as bacanais.

Desde então já havia as brincadeiras com sátira social e zombaria das autoridades; as máscaras, batalhas simuladas com frutas e a inversão geral das regras, com homens vestidos de mulher e mulheres vestidas de homens…

No Brasil passou a ser celebrado ao atravessar o Atlântico com os portugueses, desde 1.500, e mais tarde, por ambivalência somando-se às influências musicais Indígena e Africana que introduziram ritmo e a consequente cadência na dança.

Na Colônia a Igreja Católica impôs-lhe preceitos religiosos dando-lhe um significado vinculado à Páscoa – a Terça-Feira Gorda é 47 dias antes do domingo de Páscoa, levando os crentes a um período de reflexão e jejum após os exageros.

Vieram depois as ascendências políticas, primeiro com a oficialização das festividades, que, por contradição, garantia mais liberdade do que hoje na Ditadura Vargas. E também uma quase apropriação da política, com a oposição aproveitando-se dos folguedos para a crítica, ou pelo oportunismo de candidatos às eleições.

E agora temos a hilária condição dos políticos manterem as máscaras carnavalescas durante todo o ano, cobrindo-se de promessas reluzentes com vidrilhos e lantejoulas no período eleitoral…

A ambivalência tem este sentido da duplicidade, muitas vezes contraditórias, irônicas e perturbadoras, que nos ajuda a abandonar o pessimismo e encontrar a alegria que rejuvenesce carnavalescamente…

 

CARNAVAL

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O povo toma pileques de ilusão com futebol e carnaval. São estas as suas duas fontes de sonho” (Carlos Drummond de Andrade)

Embora com outros nomes, o Carnaval ocorre desde a mais remota antiguidade, como uma festa de liberação por um prazo concedido e limitado dos impulsos individuais e grupais em desacordo com as proibições políticas e religiosas.

Conhecido como entrudo, folguedo, folia, mascarada, orgia e troça, o verbete Carnaval, dicionarizado, é um substantivo masculino de origem latina, “carnis levale” que significa dizer “adeus à carne”.

Todas as civilizações antigas tiveram o seu carnaval; no Ocidente a herança prevalecente é greco-romana. Na Grécia antiga registram-se as festas dionisíacas em homenagem a Dionísio – deus mitológico, patrono do vinho -; e na Roma dos césares eram as chamadas bacanais, dedicadas ao deus da embriaguez, Baco.

As diversões apresentavam o caráter comum da subversão dos costumes e dos valores sociais, com escravos se vestindo de nobres, os marginais de sacerdotes e sempre os homens se vestindo de mulher e vice-versa.

A Igreja Católica se apropriou desses costumes arraigados entre os pagãos para controlar os prazeres mundanos dos fiéis, cujos desejos extravasados deveriam ser relacionados ao jejum da Quaresma. Assim, sob a influência vaticana o carnaval tornou-se uma “festa profana” consentida…

O carnaval chegou ao Brasil no período colonial copiando as festas europeias, principalmente as que ocorriam na Itália e na França no século XVI; aqui se mesclou com a influência indígena, logo no início, e depois com a chegada dos escravos africanos adotando o ritmo cadenciado da batucada. Em Pernambuco registram-se todas essas demonstrações originais.

Hoje a comercialização das festividades momescas (de “Rei Momo” personagem da mitologia grega) ultrapassou os três dias de liberdade para os brincantes que deveriam preceder a quarta-feira de cinzas. Na Bahia dura mais de um mês…

Fui um carnavalesco convicto. Hoje, dos folguedos restam pedacinhos coloridos de saudade como registrou poeticamente David Nasser na marchinha “Confete”… Eram gostosamente ingênuas as fantasias das meninas, bailarina, bruxa, colombina, havaiana, holandesa, índia, jardineira, noiva, odalisca… Os rapazes iam de arlequim, diabo, marinheiro, palhaço, pirata, presidiário, rei zulu, toureiro…

A mistura do sagrado e o profano favoreceu a caricatura da política, a crítica dos costumes e transformação temporária de gênero. Assim, o Carnaval – banditismo à parte -, é só alegria. Eis que saem das tocas as hienas do “politicamente correto” na sua prática inquisitorial das proibições…

Eis que a hipocrisia começou por Belo Horizonte, com a sua Câmara de Vereadores trazendo o avesso dos preconceitos, numa cartilha que expressa um “Carnis Levale

Prohibitorum”, sugerindo que homem não se vista de mulher, não se caracterize como índio, não se maquie de preto…

É a oficialização dos estereótipos numa festa de inversões… O que condenarão nas marchinhas clássicas que falam de “Favela” e não de Comunidade? E aquela maravilha de Lamartine Babo, “O teu cabelo não nega”? E o “Allah-La-ô” de Haroldo Barbosa e Nássara? E o “China Pau” de João de Barro?

Isto consideraria a reprovação dos grandes compositores da mais alta qualidade que os brasileiros ainda lembram e cantam. A culpa atingiria

Ari Barroso, Benedito Lacerda, Evaldo Rui, Fernando Lobo, Haroldo Lobo, Herivelto Martins, Noel Rosa e Wilson Batista, entre outros.

Considero criminoso censurar “A História da Maçã”, “Palhaço”, “Falta um zero no meu ordenado”, “Pedreiro Waldemar”, “Nega Maluca” e “Zé Marmita”. Estão condenadas já, a hilária “Cabelereira do Zezé” e a admirável composição de Ataulfo e Mário Lago, “Amélia”.

Eu consideraria espetacular que estes citados ícones das marchinhas carnavalescas ressuscitassem, e compusessem em conjunto, “A Marcha da Liberdade”!

 

 

 

GUERRA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Em tempo de paz convém ao homem serenidade e humildade; mas quando estoura a guerra deve agir como um tigre! ” (Shakespeare)

O Concílio Vaticano II foi um dos mais importantes da Igreja Católica nos nossos tempos. Ao anunciá-lo o saudoso papa João XXIII proclamou como seu patrono São João Crisóstomo, doutor da Igreja e o mais conhecido entre os reformadores eclesiais.

É bom lembrar que Crisóstomo, patriarca de Constantinopla, foi um realista a ponto de considerar que na guerra, para derrotar o inimigo, é louvável recorrer ao ardil, à sabotagem, aos subterfúgios e à traição.

Guerra é guerra. As evasivas estratégicas exigem malícia e paciência, como aconselhou o ícone do planejamento bélico Sun Tzu: “Triunfam aqueles que sabem quando lutar e quando esperar”.

Um capítulo da História adotou um espetacular estratagema usado na Guerra de Troia, mencionada na Ilíada e na Odisseia de Homero. Embora sob a controvérsia de sua existência real, Homero tornou-se célebre como poeta épico e embora tenha se referido vagamente ao logro do “Cavalo de Troia” na Odisseia, todas as gerações estudiosas do mundo creem como verdadeiro este artifício enganoso.

Contam-se detalhes do uso ardiloso de um monumental equino, construído pelos gregos para conquistar Troia. Foi levado às portas da cidade como um presente, mas levando no seu interior soldados treinados para o confronto corpo-a-corpo. Levado para fortaleza, os guerreiros saíram à noite e derrotaram traiçoeiramente o inimigo.

Dos 500 anos antes de Cristo até hoje, as táticas e estratégias bélicas estudam e aplicam movimentos enganadores para surpreender o adversário, induzindo-os a abrir os flancos para a sua própria derrota.

A palavra Guerra, dicionarizada, é um substantivo feminino significando a luta armada entre nações, etnias diferentes ou partidos de um mesmo país. As línguas neolatinas adotaram a etimologia germânica “werra”, luta, discórdia, que substituiu o latim “bellum”, usado com outras referências como bélico, rebelde, rebelião.

A minha geração estudou a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), assistiu os efeitos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), acompanhou a Guerra Fria (1947 – 1991) e sofreu dois temores: as ameaças de uma guerra atômica e da guerra bacteriológica.

Ensinou o grande estratego alemão Carl von Clausewitz que a guerra é a continuação da política; assim se deduz que muitas das táticas evasivas dos exércitos nascem da malandragem dos políticos. No Brasil é fácil constatar isto observando os picaretas do Congresso em sua movimentação chantagista.

Comprovamos uma espécie de simbiose da guerra e da política, ao conhecer a chamada guerra psicológica ou de propaganda, quando o povo é dominado pela massiva repetição de promessas mentirosas, informações falsas e temores subliminares.

Pela Internet, nas redes sociais, vemos a manipulação da propaganda por grupos organizados a serviço de ideologias ou partidos, e tem também empresas que vendem estes “serviços”, como ocorreu flagrantemente nas últimas eleições presidenciais.

Um desses empreendimentos, a Yacows, apareceu com alvoroço na CPMI das Fakes News, provocando uma movimentação inusitada nos meios jornalísticos, quando uma repórter da Folha de São Paulo foi citada pelo depoente Hans River do Rio Nascimento.

Na última terça-feira, dia 11, foi ouvido o ex-funcionário da Yacows, empresa acusada pela Folha de SP de fazer disparos em massa via WhatsApp a favor do então candidato à presidência, Jair Bolsonaro. Hans River negou ação pró-Bolsonaro, afirmando que o trabalho foi realizado para defender Fernando Haddad, candidato do PT.

Como cantou Raul Seixas, “a vida é séria e a guerra é dura”. Assim, assistimos também inversões internacionais amplas, gerais e irrestritas… quem imaginaria que um dia, o Papa iria receber um condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha?

Sinal dos tempos; o velho Churchill os previu quando disse que “a política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa”. Verdade; a política atiça as matilhas raivosas de globalistas a declararem a Terceira Guerra Mundial!