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Antoine de Saint-Exupéry

ESTRELAS

As pessoas tem estrelas
que não são as mesmas.
Para uns que viajam,
As estrelas são guias.
Para outros, elas não passam
de pequenas luzes.
Para outros os sábios, são problemas.
Para o meu negociante,eram ouro.
Mas todas essas estrelas se calam.
Tu porém terás estrelas como ninguém (…)
quando olhares o céu de noite,
porque habitarei numa delas,
porque numa delas estarei rindo,
então será como se todas as
estrelas te rissem!
E tu terás estrelas que sabem rir!

INOCÊNCIA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

                          “A inocência é uma coisa admirável; mas é muito triste que ela se possa preservar tão mal e se deixe tão facilmente seduzir”. (Immanuel Kant)

Nos primeiros anos da minha vida (lembro bem, a escola era “risonha e franca”) as crianças mais sabidas tinham obrigação de ler o livro “Inocência”, de Alfredo Taunay. A meninice na casa de minha avó, convivendo com duas tias e minha mãe, professoras, eu e a minha irmã mais velha éramos muito cobrados sobre a leitura.

A narrativa suave na obra de Taunay, trazendo de memória a sua vivência nos sertões de Mato Grosso, é considerada pelos estudiosos da literatura brasileira como a obra-prima do romance regionalista.

O meu saudosismo pelo passado evoca sempre uma descrição do livro, onde o autor diz com ironia: “Debaixo do céu há uma coisa que nunca se viu, é uma cidade pequena, sem falatórios, mentiras e bisbilhotice”. Pensou como um inocente…

Conheço muita gente que considera a inocência condenável, principalmente na vida pública. Diz-se que o governante inocente se preocupa com o opositor, mas convive com inimigos sem se dar conta…

A palavra Inocência vem do latim, “innocentia, ae” com classificação gramatical variada; é substantivo feminino no juridiquês, referindo-se a estado do que é inocente, e falta de culpa; e como adjetivo de dois gêneros, significando destituído de segunda intenção, de malícia, bonachão, cândido, crédulo, ingênuo, inofensivo, tolo.

O substantivo inocente jamais poderia ser usado para Lula da Silva, pelego sindical que segundo o seu ex-ministro Antônio Palocci, vendeu medidas provisórias no exercício da presidência da República e pediu a um lobista do setor automotivo propinas para um dos filhos. Está preso por ter recebido um tríplex de propina e em julgamento pelas reformas que uma empreiteira fez no sítio de um “amigo”, mas de uso exclusivamente seu…

Por outro lado, o adjetivo inocente irá para os crédulos que passam o dia rezando e pedindo orações contra o mal, s’esquecendo que Jesus Cristo dirigiu o Sermão da Montanha para os homens e mulheres de boa vontade, mas empunhou o chicote para expulsar os vendilhões do Templo.

Estas constatações nos levam a pensar se é por inocência que algumas pessoas ativas nas redes sociais ocupam todos e todo tempo dando mais atenção às passeatas de Hong Kong do que com o roubo do nióbio no Brasil… Ou extrapolam distribuindo exageradamente mensagens de “ONGs humanistas” sobre as baleias na Antártida, o crocodilo da Indonésia e a águia das Montanhas Rochosas… Sem olhar para as barragens ameaçadoras da Vale do Rio Doce.

Por conjecturas tiradas de notícias de jornal, o Brasil é, talvez, o país onde a condenação de inocentes é muito maior do que a absolvição, redução de pena ou tratamento privilegiado dos criminosos. Serão erros judiciários, argumentação inequívoca de advogados ou simples coincidência?

Neste cenário, uma coisa é certa; há quem confie apaixonadamente nesta coincidência, quem acredite que são infalíveis as poderosas bancas advocatícias, e que os juízes sempre são vocacionados para julgar.

Da minha parte, sinceramente, não vejo diferença de um museu que se incendeia por causa da displicência de uma administração que não viu fios elétricos decapados, e a sentença de um juiz que manda soltar corrupto baseado num indulto presidencial charlatanesco que ele próprio aprovou na Corte.

Como pensou Albert Camus, não podemos afirmar a inocência de ninguém, botar a mão no fogo, como se diz; mas quando há testemunhos irrefutáveis, bens adquiridos inexplicavelmente e sinais aparentes de riqueza, não pode haver dúvidas…. Foi o que a Lava Jato viu em vários atores da cena política, e daí advém o ódio mortal dos fanáticos lulopetistas que querem desmoraliza-la.

 

Paul Verlaine

Canção do outono

Os longos sons
dos violões,
     pelo outono
me enchem de dor
e de um langor
     de abandono.

E choro, quando
ouço, ofegando,
     bater a hora,
lembrando os dias
e as alegrias:
     e ais de outrora.

E vou-me ao vento
que, num tormento,
     me transporta
de cá p’ra lá,
como faz à
     folha morta.

tradução de Onestaldo de Pennafort

EQUILÍBRIO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Não há liberdade se o Poder Judiciário não estiver separado do Legislativo e do Executivo” (Montesquieu)

Condeno a homofobia por questão de princípio filosófico, pelo respeito humano, pela afetividade, o amor e o respeito com pessoas homo afetivas. Reprovo da mesma maneira o STF, por legislar a respeito quebrando o equilíbrio e a harmonia entre os poderes da República.

É inadequada e legislativamente descaracterizada esta condenação se não vier do Congresso. Sem uma Lei, como o juiz irá definir o tênue limite entre o conceito de opinião e o preconceito inconveniente?

Será bem-dito – sem ofensa alguma – que é difícil encontrar-se no próprio Supremo mais de três togados com formação jurídica e capacidade intelectual para distinguir entre a ofensa, a crítica e até uma expressão carinhosa.

De origem nordestina onde as palavras “bichinha”, “bichinho”, “neguinha e “neguinho” são manifestações familiares de meiguice e ternura, que aprendi e uso. E por reflexo cultural pode ser que venha agradecer com tais palavras a quem me atendeu amavelmente numa casa comercial ou repartição pública, e ser mal interpretado.

A desgraçada e seletiva justiça trabalhista criou um monstro sobre as relações de trabalho nas zonas rurais. Pessoas que viviam por tradição ou de favor numa propriedade rural, chácara, sítio ou casa-de-campo, passaram a acionar a justiça pela indução de pelegos sindicais associados a advogados inescrupulosos.

Isto certamente irá ocorrer muitas vezes por incentivo de movimentos, ONGs e organizações arbitrárias, acusando de homofobia por palavras impensadas, cessão cortês de passagem num elevador e até por gestos motivados por tiques nervosos… E haverá sempre um juiz inconsequente para condenar.

Temos constatado que este País, virado pelo avesso no Reino da Pelegagem e com as tatuagens do vitimismo e do politicamente correto gravadas, ainda convive com ladrões, oportunistas, perseguidores, traidores e trapaceiros que se organizam em bandos de ideologia narcopopulista.

Vimos agora mesmo, a convocação de uma greve geral contra a reforma da Previdência, que será a taboa de salvação dos atuais aposentados e pensionistas e reabrirá o palco da economia descortinando o desenvolvimento do País.

Com esta demonstração usual de impatriotismo, a Federação Única do Atraso, sob a hegemonia do PT, tenta pressionar o Congresso por baixo como fazem os lobbies do funcionalismo privilegiado por cima.

Não deu certo. Fracassou; mas, como sempre, a vanguarda do atraso vai judicializar o problema, na pressuposição de que algum juiz aceite este cheque sem fundo que pretende fraudar a riqueza nacional.

Tristemente, é assim que a camarilha lulopetista age para abalar os três poderes da República, consciente de que está no equilíbrio harmônico entre eles a sustentação do Estado de Direito que desejam esfaquear.

O verbete Equilíbrio é um substantivo masculino que indica na Física um sistema de forças que se compensam e se anulam, e, coloquialmente, é usado como balanceamento sem oscilações ou desvios. Fala-se em “pôr os pratos numa balança”. Está na etimologia da palavra.

Registra-se na origem latina, ‘aequilibrium‘ significação igual, por ser uma composição do adjetivo ‘aequus‘, igual,  e ‘libra‘, balança. No sentido figurado é austeridade, comedimento, moderação, prudência, etc.

O Brasil está precisando de uma dose cavalar destes sinônimos, para protestar contra a absolvição sob alegação de insanidade do criminoso que esfaqueou um candidato à Presidência da República. Adélio Bispo – O Demente – cursou duas faculdades, filiou-se a um partido político, visitava a Câmara dos Deputados e recebia financiamentos para viajar, hospedar-se e se manifestar politicamente.

Vá ser “insano” assim no Conselho Federal de Medicina…

 

 

O BONDE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Perdi o bonde e a esperança” (Carlos Drummond de Andrade)

Ainda trago na memória as minhas viagens de bonde para a escola, quando decorei o reclame (como a gente chamava anúncio no meu tempo) afixado bem à frente do carro, atrás do condutor:

“Veja ilustre passageiro/ Que belo tipo faceiro/ O senhor tem ao seu lado;/, no entanto, acredite, / Quase morreu de bronquite, / Salvou-o o ‘Rhum Creosotado’”. Corria à boca pequena que o verso era de Olavo Bilac; pesquisei, mas não encontrei esta referência.

O bonde foi um meio de transporte coletivo muito popular. Na sua origem, era puxado por tração animal e depois com motor a vapor em 1873, e finalmente, em 1881, pelo motor elétrico. Os primeiros elétricos foram construídos nos Estados Unidos, surgindo um ano depois na França. Ainda hoje circulam na Europa, trafegando na Suíça, Alemanha e algumas cidades da França. No Brasil, o pioneirismo coube à Cidade de São Paulo.

O verbete “Bonde”, dicionarizado, é um substantivo masculino, de origem brasileira, pois em todos países de mundo o veículo sobre trilhos movido à eletricidade, era chamado “Elétrico” nos seus idiomas nacionais.

A História registra que designação brasileira foi criada pelos paulistas, que o associaram ao lançamento de títulos a receber (em inglês “bonds”) da empresa “The São Paulo Tramway Light and Power Co. Ltda.”.

Hoje o vocábulo “Bonde” está quase esquecido para indicar o transporte urbano elétrico sobre trilhos; atualmente temos a sua evolução conhecida por VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

A palavra “Bonde” foi mais tarde adotada em usos diversos, principalmente na gíria; serve para mau jogador de futebol, negócio que dá prejuízo, ônibus que transportam presos e para grupos de amigos, aparecendo nas letras de funk e nomes de bandas como Bonde do Tigrão.

Partindo do consagrado princípio de que a voz do povo é a voz de Deus, a ideia do transporte coletivo subsistiu, determinando o arrastão de bando de assaltantes. Este “bonde” é o desastre contemporâneo, retrato da violência nas grandes cidades do mundo.

Mostra com clareza o confronto do mal com o bem que ocorre também em vários setores da sociedade, contrariando as alocuções conformistas do “sempre se fez assim”. Esta mentira reforça os malefícios, porque antes os registros de malfeitos e crimes espetaculosos foram pontuais; como também eram raras, embora conhecidas, situações desabonadoras nos meios políticos.

Pode-se até apontar males herdados do passado longínquo, como o autoritarismo governamental, o oportunismo parlamentar e os julgamentos pouco ortodoxos dos tribunais superiores, mas isto não foi generalizado.

Agora as organizações criminosas de ladrões, ou para o tráfico de drogas, ou ações corruptas de homens públicos como regra geral, estão institucionalizadas graças aos governos lulopetistas, uma constatação que refuta o pensamento cúmplice do “sempre se fez assim”.

São intoleráveis as decisões políticas do STF – onde alguns ministros sonham com a volta ao Senatus Populusque Romanus, quando juízes eram também senadores legislando e decretando – e revoltante o aviltamento do Centrão chantageando o governo.

Entretanto, nada disso se compara com a ação da conspiração criminosa para livrar da cadeia o chefe da Orcrim política, Lula da Silva, e aplainar a volta ao poder da quadrilha lulopetista que arrasou o País.

É o que se vê através do esquema da bandidagem cibernética das conexões lulopetistas internacionais contra a Lava Jato; o pior é que se trata de uma organização sofisticada e sua trama reforça o desejo do Bando dos 4 do STF e os picaretas do Centrão de implantar a censura nas redes sociais.

Isto sim, seria uma volta ao que já se fez, a Inquisição torturando e queimando em praça pública os que diziam que a Terra é redonda…

 

 

Vinícius de Moraes

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

OPINIÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

   “Todo mecanismo social descansa, no fim das contas, nas opiniões” (Augusto Comte)

A História quando se firma nos fatos, interpretada com independência e método, vê que é o desenvolvimento do pensamento e a busca do conhecimento a alavanca que move o mundo para a evolução da humanidade.

O conceito de que é a opinião que domina o mundo vem dos enciclopedistas e do nosso epigrafado Augusto Comte.  É por isto que com estudo e reflexão aproveitamos a abertura democrática que as redes sociais nos oferecem para exprimir as nossas opiniões.

No meu caso, atuando a mais de quinze anos na Internet, com meu Blog e participação na rede social com o saudoso IRC, de onde me transferi para o Twitter, não tenho papas na língua. Os antigos tuiteiros que me conhecem, sabem que manifesto o meu pensamento com liberdade e independência.

Costumo repetir que respeito a opinião alheia e nem sempre a recíproca é verdadeira, o que não me preocupa porque sou diametralmente inimigo do fanatismo, das ideias preconcebidas e do totalitarismo fascista.

A Opinião é objetiva no meu modo de ver, de analisar e de expressar como consequência da racionalidade. Dicionarizado, o verbete é um substantivo feminino derivado do verbo opinar, de etimologia latina “opinare”, possuir uma opinião. Como expressão é conceito, consideração, crença, entendimento, interpretação.

Opinião se transmite em relação a alguém, um fato ou outra opinião; é o nosso julgamento em relação a eles. Charles Darwin diz que a opinião surge sob a influência de determinadas coisas ou de situações que nos cercam, fruto da realidade.

O que inspirou este texto foi a diferença entre a opinião individual e a opinião pública. A opinião pública se prende a notícias, casos e pessoas de interesse social, nacional ou mundial.

Vivemos uma conjuntura invertida, subversiva, que criou um cenário midiático artificial, originário de ato criminoso, uma invasão de privacidade acionada pela Orcrim política ligada aos esquemas corruptos do PT para desacreditar a Lava Jato e os valorosos membros da Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Federal.

Esta situação invasiva do roubo (um costume muito lulopetista) de informações indiscriminadas, tem o intuito de desacreditar o ministro Sérgio Moro, alvo das milícias narcopopulistas e dos fanáticos defensores do arquicorrupto Lula da Silva.

Trata-se de uma trama que vem de longe e gastou muito tempo e dinheiro para mobilizar e organizar um esquema envolvendo hackers internacionais, publicações de baixa circulação e um jornalista ligado sensualmente ao PSOL, partido-tentáculo do Foro de São Paulo.

Na minha opinião, trata-se de uma conspiração internacional financiada pelas propinas dos empréstimos do BNDES, depositadas em paraísos fiscais, ou nas mãos dos parceiros estrangeiros beneficiados pelo assalto do PT à riqueza nacional.

É hora da opinião pública, que representa 83% dos brasileiros e brasileiras apoiando em pesquisa nacional a Lava Jato, se mostre de corpo inteiro, oferecendo seu respeito ao ministro Sérgio Moro. Os patriotas não podem ficar omissos diante desse arrastão orquestrado por pessoas e entidades ligadas ao crime organizado.

Não opinar neste momento, é esfaquear o anseio nacional de varrer para todo e sempre a corrupção institucionalizada pelos governos lulopetistas.

ACÓRDÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Só quem entende a beleza do perdão pode julgar seus semelhantes” (Sócrates)

Poucas sentenças jurídicas satisfazem as duas partes de um processo, porque é decisão proferida por um único magistrado, de qualquer instância ou tribunal. A única aceita por unanimidade foi a de Salomão no caso das duas mães, de conhecimento geral.

Entre as fabulosas histórias da Grécia Antiga, temos o caso de Cicno, rei de Colonê, que acreditando em calúnias de que o filho do primeiro casamento, Tenes, o traía com a nova esposa, mandou encerrá-lo num baú e jogá-lo ao mar. Foi reconhecida injusta essa decisão, e o Deus do Mar levou o baú para a ilha de Leucofris; protegido de Netuno e salvo milagrosamente, Tenes se tornou rei da ilha que passou a se chamar Tenedo.

Tanto empolgam as histórias sobre a Justiça que alguns processos se rivalizam com as novelas, dando no Brasil uma grande audiência à TV-Justiça, que suspeitosamente alguns ministros do STF sugerem que deixe de transmitir julgamentos.

É do Supremo que saem os acórdãos, que significam a decisão plenária de um tribunal, diferenciando-se da sentença, que é uma decisão monocrática, de juiz de primeira instância, desembargador ou ministro de tribunais superiores.

O acórdão, como decisão final de um processo, serve de paradigma para solucionar casos análogos. É uma palavra forte trazendo curiosamente o acento agudo de tonalidade aberta e o sinal diacrítico til, para anasalar vogais.

Dicionarizado, o verbete acórdão é um substantivo masculino, de origem latina “cor” – coração, como termo jurídico é “saber pelo coração”, equivalente ao “de cor” e também de acordar, “cordatus”.

Usando o conto de François Andrieux, “O Moleiro de Sans-Souci”, o célebre dramaturgo Bertold Brecht pôs na boca de um dos seus personagens a expressão “ainda há juízes em Berlim”. Repito isto muitas vezes para enaltecer os juízes brasileiros que levam a sério o combate à corrupção e ao crime organizado.

Repito que estes magistrados estudam e conquistam suas cátedras aproveitados por concursos muito concorridos. São admirados pelos três “iii” que possuem, independência, inteligência e intransigência. Gosto de destacar entre eles o atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

É impossível esquecer a coragem de Moro ao sentenciar à prisão, por corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-presidente da República, Lula da Silva. Sofre até hoje a perseguição dos fanáticos seguidores do presidiário, enaltecido pelos que fazem dos companheiros corruptos “heróis”.

Como juiz, Moro foi reconhecido pelas instâncias superiores, o Tribunal Regional Federal (TRF4) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que confirmaram a condenação proferida, a despeito de pressões políticas, tramas e conspirações inomináveis dos fanáticos defensores do narcopopulismo.

Levando este texto para o desfile dos provérbios em apoio aos magistrados que praticam a justiça boa e perfeita, pesquei um caso vindo da Austrália, o julgamento em Brisbane de uma jovem, conhecida como “A Japonesa”, denunciada pelos médicos locais pela prática fraudulenta da Medicina. Sentada no banco dos réus foi inquirida pelo juiz.

– “A senhora é formada em Medicina? ”

– “Não, Excelência”.

– “Atende pessoas que buscam cura para enfermidades? ”

– “Sim, Excelência”.

– “Como atende os pacientes sem ser pela medicina oficial? ”

– “Rezo, e ajudada pela meditação, prescrevo o uso de certos chás e amuletos…”

Ouvida esta última declaração, o Promotor se apressou para pedir a condenação da ré, aplaudido pelos médicos que lotavam a sala. O Juiz-Presidente pediu silêncio e atenção; e falou:

– “Não vou atender o que reivindica o Promotor, porque de consciência não posso condenar esta mulher. Arrisco a minha posição e até a minha carreira, mas absolvo-a”, sentenciou, e justificou: – “Enquanto uma junta médica formada por ilustres professores me declararam portador de doença incurável, a Japonesa salvou-me a vida”.

 

 

 

ARANHAS

MIRANDA SÁ (E-mail-mirandasa@uol.com.br)

                                 “A teia de nossa vida é composta de fios misturados: de bens e de males”. (Shakespeare)

Machado de Assis criou um personagem impressionante ao contar uma história ainda mais espetacular, inspirando-me para uma incursão nos seus domínios. Esta figura, apaixonada pelas leis que regem a natureza, envolveu-se com os naturalistas Darwin e Büchner e resolveu estudar as aranhas.

Esta decisão veio acompanhada de um discurso atacando todos os demais insetos, mosquitos, pulgas e até a exaltada formiga dos provérbios. – “A aranha”, disse, “é diferente. Não nos aflige, nem defrauda; apanha moscas, nossas inimigas, fia, tece, trabalha e morre. Que melhor exemplo de paciência, de ordem, de previsão, de respeito e de humanidade? ”

O pesquisador foi além da curiosidade científica. Não somente ampliou em quantidade e qualidade a sua coleção de aranhas, como descobriu a linguagem fônica delas; e uma, particularmente, trouxe-lhe fácil entendimento; dissertou pelo idioma aracnídeo sobre a forma de governo adotado pelas aranhas.

Descreveu o processo eleitoral que entre elas é muito simples. Fazem um saco e nele coloca-se bolas com os nomes dos candidatos. Tradicionalmente, eram apenas dois, porque a República Arachnida, da Ordem Araneae, só reconhece dois partidos, o Partido Retilíneo e o Partido Curvilíneo.

O PR defende que as aranhas devem fazer as teias com fios retos; e o PC, ao contrário, dispõe que as teias sejam feitas com fios curvos. A disputa entre os dois é acérrima e permanente. Cada um puxa para si a defesa do bem, da justiça, da integridade e do respeito igual para todos; e acusam os outros de incentivo à bajulação, a deslealdade, a fraude e o patrimonialismo…

Este costume foi interrompido pelo surgimento de um terceiro partido, que embora também se apresentasse como geométrico, era menos anguloso, menos exclusivista, sem extremismos, propondo combinar os contrastes pela simultaneidade das linhas como se encontra no mundo físico e moral. O surgimento deste “tercius” terminou indo para a Corte de Justiça, porque no sistema das teias, tudo é judicializado.

O resultado do julgamento não foi divulgado porque não interessou ao contador de história; ele fora advertido que a teia da justiça era submissa ao bipartidarismo; eu então nem  continuei a ler o conto do Machado, “A Sereníssima República”.

Sabia que dali por diante, a narrativa convergiria para coisas do nosso conhecimento, pois a democracia dos araneídeos se parece com a dos Estados Unidos, que Gore Vidal descreve como: “A Democracia nos EUA é o direito de escolher entre o Analgésico “A” e o Analgésico “B”. Mas ambos são aspirinas”.

E tem uma certa semelhança com o nosso decantado Estado de Direito, onde a gente vê que o pragmatismo legislativo e o judiciário seletivo caírem em cima de quem tenta se colocar entre a direita e a esquerda.

Entre nós, chega a ser hilário, que cada um dos tradicionais protagonistas políticos sempre se mostra teoricamente simpático a colar com o centro. Não sei se já notaram que o lulopetismo, corrupto e corruptor, mais sujo do que pau de galinheiro, só fala agora em “centro-esquerda”?

Na tentativa de se limpar, esconde que confunde “centro” com “centrão” e corre para o abraço com os mesmos parceiros corruptos de sempre…

 

A TECLA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Pelos mesmos caminhos não se chega sempre aos mesmos fins” (Jean-Jacques Rousseau)

A ficção é como uma vara de pescar. Com o anzol sortido de boa isca, traz à tona peixes de que a gente nunca viu e, se tomou conhecimento alguma vez, s’esqueceu…  É o caso do “Mandarim” que um personagem de Balzac citou como se fosse de Jean Jacques Rousseau, o nosso epigrafado.

Há controvérsias. O escritor italiano Carlo Ginzburg d’ “O Queijo e os Vermes”, diz que Balzac se equivocou sobre a autoria da parábola, que para ele é de François-René de Chateaubriand, autor d’ “O gênio do Cristianismo”.

No meu modo de ver, quero que seja mesmo de Rousseau, em homenagem ao escritor, filósofo e teórico político suíço que contribuiu para o Iluminismo europeu enriquecendo a cultura ocidental. Tive um querido cachorro com o seu nome.

A estória do mandarim se resume a uma pergunta: “Se para você se tornar o único herdeiro com a morte de um bilionário de quem nunca ouviu falar e para isto só precisasse digitar uma tecla de computador, faria isto? ”.

A parábola inteira, como foi traduzida do francês e eu atualizei para a Era da Internet, é a seguinte: “No interior da China existe um mandarim mais rico que todos os reis de que a fábula ou a História contam. Dele nada conheces, nem o nome, nem o semblante, nem a seda de que se veste. Para que tu herdes os seus cabedais infindáveis, basta que digites a tecla que está no teclado do teu computador. Ele soltará apenas um suspiro nos confins da Mongólia. Será então um cadáver: e tu verás a teus pés mais ouro do que pode sonhar a ambição de um avaro. Tu, que me lês e és um homem mortal, digitarás? ”

Esta historieta me dá absoluta certeza de que no mundo de hoje, e no Brasil particularmente, cheio de corruptos, milicianos, oportunistas políticos e traficantes, muitos não titubeariam em fazê-lo. Será pessimismo meu, será que estou sendo injusto com a humanidade e com meus patrícios?

Deixo o julgamento aos leitores. Entretanto, como a Declaração dos Direitos Humanos de que Rousseau foi um dos inspiradores me dá direito de defesa, mostro-lhes o que está a nossa volta.

Vejo o cenário de terra arrasada pelo Brasil afora. Os tanques russos que destruíram Berlim, como os nazistas fizeram com Moscou; e a bomba atômica americana lançada sobre Hiroshima e Nagasaki vingando-se de Pearl Arbour, se rivalizam com o caos imposto ao Rio de Janeiro pela quadrilha Lula-Cabral.

Morador do Rio, devo me conformar e perdoar o que vejo aqui? Não; porque conhecendo os membros do bando desses dois facínoras, todos, sem exceção, são capazes de assassinar um mandarim chinês à distância por dinheiro.

Indo para o plano nacional, ouvimos nos últimos dias o presidente Jair Bolsonaro afirmar que o Brasil é ingovernável sem conchavos. A oposição e a mídia sempre de má fé contra o Presidente, dizem que ele exagerou.

Não creio que seja exagero falar-se do comportamento negativista dos picaretas do Congresso Nacional, ameaçando, chantageando e conspirando para obter benesses e cargos, acostumados a receber vantagens desde que Fernando Henrique inventou o Mensalão para comprar a reeleição, e depois repassou-o ao companheiro Lula.

Esses digitadores de botões, dispostos a matar qualquer um de quem possam herdar alguma coisa, se mostram de corpo inteiro. Vimos a pouco a bancada lulopetista se unir à bandidagem do chamado centrão arrancando o Coaf do Ministério da Justiça só para se vingar de Sérgio Moro, que levou o seu chefe à cadeia por corrupção.

Diante do exposto, peço absolvição por suspeitar da humanidade e dos meus patrícios, porque faço o que recomendou Rousseau ao dizer:  – “Na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele”.