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SIMBOLISMO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Um símbolo sozinho pode não representar nada, mas se todos se juntam, um símbolo pode significar muito, pode significar a mudança de um Pais” (‘V’ de Vingança)

Plotino, um dos principais filósofos gregos da antiguidade, que os estudiosos de sua obra notabilizaram criando para ele o termo “neoplatonismo”, deixou-nos um notável pensamento: – “Tudo é símbolo. E sábio é quem o lê em tudo. ”

A palavra Símbolo vem da Grécia Antiga, “symbolon” (σύμβολον), significando um tipo de signo que, mesmo de simplicidade extrema, representa algo abstrato. Uma figura que vai de propostas interpessoais até algo grandioso como uma divindade, uma ideia, uma nação, um protesto, uma revolução.

O verbete dicionarizado é um substantivo masculino figurando num desenho, num som e até num gesto, algo relacionado com o cotidiano das pessoas. A química o adota para os elementos atômicos da tabela periódica e o cristianismo com a cruz, o ícone do martírio de Jesus.

Aliás, os primeiros cristãos adotaram como símbolo a configuração de um peixe; só mais tarde a cruz se popularizou quando foi adotada como religião oficial do Império Romano. História ou lenda, registrou-se que Constantino, tornado imperador sem muita legitimidade, para conquistar o apoio do cristianismo divulgou que olhando para o céu viu nuvens em forma de cruz e a inscrição: “In hoc signo vinces” (“Com este sinal vencerás“).

Eram vésperas da batalha em Adrinopla e os cristãos se negavam a pegar em armas (como fazem ainda hoje as Testemunhas de Jeová), decidiram acompanhá-lo, saindo vencedores. Ele, garantindo o poder; e eles, legalizando a sua religião.

A força do símbolo alcançou o dia-a-dia de todos os povos, nos quatro cantos do mundo. A publicidade é riquíssima de logotipos e logomarcas, reconhecidas até por habitantes das regiões mais remotas; a Internet trouxe para as redes sociais os emojis, emoticons ou smiley, com as representações artísticas de animais, caveira, coração, estrelas, flores, gestos mímicos e sinais matemáticos.

Os partidos políticos procuram com símbolos atrair aderentes, uns que passam despercebidos, outros que ficam marcados pela tendência totalitária das ideologias e a disposição ao fanatismo dos seguidores, como a foice e o martelo dos comunistas, o fascio dos fascistas italianos e a cruz gamada dos nazistas.

Desses mais consideráveis signos da política contemporânea, nasceram algumas caricaturas derivadas, e entre elas surgiu a estrela petista roubada dos arquétipos fixados primitivamente no inconsciente coletivo.

Assim, pela vocação lulopetista de se apropriar do poder e de tudo que o poder concilia, eles começaram roubando a estrela dos poetas, namorados, seresteiros e sonhadores para depois assaltar a Petrobras, as empresas estatais e os fundos de pensão.

Não deveria ser a estrela a alegoria do Partido dos Trabalhadores como se comprovou no desprezo pelo povo que o levou ao poder elegendo o pelego Lula da Silva, corrupto e corruptor, presidente da República.

Pela ingratidão demonstrada e a adoção do anagrama de símbolo, “lobismo”, na imaginação popular o PT exprimiria o que o fabulista La Fontaine propôs:  “o símbolo dos ingratos não é a Serpente, é o Homem”. É por isso que Lula se assume como “jararaca”.

Um símbolo curioso é imagem da Justiça. É estranha e imponderável os seus olhos vendados; os otimistas dizem que é para não fazer distinção entre os que estão sendo julgados… esses distintos veem também equilíbrio na balança e a força na espada. Será que esse julgamento é imparcial ou igual ao dos togados que atropelam a lei para soltar os seus bandidos de estimação?

ESQUERDISMO

MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)

“O maior perigo para as ideias, para a cultura e para o espírito, pode mais facilmente vir de um inimigo sorridente” (Aldous Huxley)

Vitoriosa a revolução bolchevique na Rússia, o seu venerado líder Vladimir Ilitch Lênin (cuja múmia é exibida num Mausoléu em Moscou), escreveu o livro “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” alertando os fundadores da Terceira Internacional Comunista para os desvios ideológicos esquerdistas na “construção do socialismo”.

Esta preocupação com a estreiteza e as ambições inexequíveis dos “revolucionários tresloucados” como chamou, vigora até hoje entre os herdeiros de Stálin, inconformados com o fracasso do regime na União Soviética. Efetivaram-se como defensores do “quanto pior melhor”, e para isto topam tudo todo tempo.

Embora alguns aceitem o Esquerdismo como uma “teoria praticista”, móvel das contestações sociais que sempre existirão, não sabem que foi o suporte midiático de apoio à ditadura stalinista e dos tentáculos imperialistas soviéticos nas chamadas “Repúblicas Populares” do Leste Europeu.

Sem a formação fatalista do islamismo, o esquerdismo de hoje tornando-se um braço do globalismo, adota o terrorismo de gabinete nas democracias praticado pelas minorias parlamentares, como os pelegos fazem nos sindicatos. Tem atuação nos quatro cantos do mundo, mas na América Latina, e principalmente no Brasil, se veste com os trajes do populismo.

Aqui, é praticado pelas frações infiltradas nas organizações sociais, corporações e movimentos populares servindo-se destes para fazer manifestações rumorosas assustando os detentores do poder. Aparecem como defensores dos explorados e perseguidos em qualquer reivindicação que surja. Usam-nos para fins partidários.

Além dos sindicatos e órgãos representativos de profissionais liberais, de estudantes, mulheres, camponeses sem terra e trabalhadores sem moradia, é visível na multiplicação de partidos inexpressivos eleitoralmente, mas mamando nas verbas públicas para sabotar as instituições republicanas.

Mesmo com os seus dirigentes corrompendo-se com os benefícios governamentais e propinas empresariais, o esquerdismo se mantem na massa influenciável pela repetição de slogans; e isto estimula o carreirismo dos doutrinadores que algemam os fanáticos à causa.

Os que se assumem humanistas, sentem-se devedores da humanidade, e se propõem a pagar essa dívida com o dinheiro dos outros, como disse G. Gordon Liddy. Os outros travestem-se de bonzinhos para conquistar espaços políticos aliando-se aos corruptos políticos, corruptos empresários e corruptos sindicalistas. Tal parceria rende-lhes posições nas estruturas do poder, que usam para miná-las. Isto fica transparente no engavetamento do projeto AntiCrime de Sérgio Moro na Câmara e o favorecimento ignóbil de alguns togados do STF à campanha do “Lula Livre”.

É indesmentível que o esquerdismo armou uma conjuração contra a Lava Jato no Congresso, no STF e, por oportunismo, de alguns membros do círculo presidencial, conchavando com conhecidos protagonistas do Legislativo e do Judiciário. Só não vê isto quem não quer, ou usa antolhos para não ver o envolvimento dos seus mitos.

Entretanto, queiram ou não os defensores de uma volta ao passado, o Brasil acordou; o povo continua reagindo contra os políticos corruptos, o crime organizado, os privilégios de minorias e o carreirismo dos oportunistas. Ouvimos isto nos trens, nos ônibus, nas filas de banco e dos supermercados.

Em comunhão com o povo, os patriotas precisam voltar às ruas e às praças neste momento crucial para o País. Vamos a um Verão Democrático para impedir a volta apocalíptica da pelegagem corrupta e do esquerdismo degenerado, narcopopulista e corrupto.

 

 

 

INCORREÇÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo” (Albert Camus)

Na época ingênua da minha infância os parques de diversão tinham uma Sala dos Espelhos, aonde a gente via a nossa imagem distorcida, gordíssima, magérrima, agigantada ou mirrada. É o que assistimos agora no cenário de insegurança jurídica criado pelo STF no caminho sinuoso da impunidade.

A Corte Suprema, dominada pelo Bando dos Quatro, abriu os portões das cadeias para os bandidos políticos de estimação e, em consequência, para criminosos de alto coturno, aqueles que podem pagar os advogados que conhecem as artimanhas dos togados.

Na antiga Grécia, nascedouro da Filosofia, o sábio Platão alertou que “o juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”. Como pensaria o sábio grego se vivesse atualmente no Brasil dos juízes nomeados para fazer favores? …

Em tempos passados, nos meados do século 18, Joseph-Marie de Maistre escritor, filósofo, diplomata e advogado escreveu: – “Posso dizer que nunca serei assassino, nunca hei de furtar; mas ninguém pode afirmar que nunca irá para a prisão”. Entre nós, esta observação se aplica ao cidadão comum, mas não aos que roubaram da Petrobras quantias suficientes para assegurar que o crime compensa.

Como a cabeça (de alguns) é um cofre que guarda pensamentos, os que refletem sobre a Justiça brasileira entendem que as últimas sentenças do STF foram lenientes e seletivas, satisfazendo os criminosos de colarinho branco e suas organizações criminosas.

Convencido que o destino do ser vivente é a morte (não é uma conclusão da ciência materialista, mas a Bíblia), vejo que este destino biológico dos homens não é admitido pelos imortais togados. Se aceitassem isto destinariam os seus nomes para o futuro, para os seus netos, ao inexorável julgamento dos seus contemporâneos.

O último ato dos ministros do STF contra a prisão de 2ª Instância, afronta a consciência nacional, porque foi sustentado por fraudulenta argumentação e a tentativa de iludir a Nação inventando salvaguardas constitucionais na sua incorreção.

Incorreção. Este substantivo feminino de pouco uso na linguagem corrente, vem do latim vulgar interpretando erro, imprecisão e inexatidão. Acho o seu uso literário melhor, “comportamento incorreto ou impróprio, desonestidade e deslealdade”.

Negar evidências criminosas, impedir investigações, interpretar as leis de acordo com os próprios interesses conspurcam um magistrado; as consequências das suas incorreções o levarão para o lixo da História.

O uso correto das palavras é para ser aplicado como defesa do nosso idioma, conforme Rui Barbosa alertou: “a degeneração de um povo, de uma nação ou raça, começa pelo desvirtuamento da própria língua”.

Seguindo esta lição, aponto a incorreção dos seis ministros do STF, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli, acusando-se de que terão o sangue dos brasileiros nas mãos, por ter estimulado a guerra civil que Lula, o criminoso solto por eles, está convocando.

Se lhes restasse um mínimo de patriotismo, se colocassem o Brasil acima dos interesses pessoais, poderiam pensar no que disse Juscelino Kubistchek: – “Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro”, e usar o título deste artigo do jeito como as imprensas oficiais fazem de vez em quando:

“Republicado por incorreção, tendo em vista erro na grafia do valor do instrumento contratual na publicação anterior. ” A admissão de um erro é um sinal de força e não uma confissão de fraqueza.

 

 

APARÊNCIA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta” (Caio Júlio César)

Não me lembro se já contei a história recolhida de um livro, cujo título e autor se perderam na memória, mas cujo conteúdo ficou inesquecível. Guardei-a “de cabeça”:

– Quando estavam sendo concluídas as obras da Catedral de Colônia, em 1880, o seu arquiteto, Ernst Friedrich Zwirner, mandou que um escultor que aplicasse melhor o polimento num dos demônios que se projetam nos nichos do teto.

– “Como poderão vê-lo daqui, a 50 metros de distância? ”, ponderou o artífice, que recebeu de pronto uma resposta transcendente:

– “Nós não construímos esta catedral para homens, mas para Deus. Por isso deve ser perfeita”.

A aparência deveria receber cuidados de todas as pessoas. Não da aparência física que o tempo desgasta, mas do que está além da percepção formal.  Segundo Platão, desse mundo das aparências sensíveis só se pode ter conhecimento verossímil ou provável, dada a sua natureza incerta e fugaz; o conhecimento racional que tem por objeto o ser”.

Como verbete dicionarizado, “Aparência” é um substantivo feminino de origem latina (apparentia.ae), aquilo que se mostra à primeira vista; exterioridade, aspecto; e/ou um fato contradiz todas as configurações, engano, ilusão.

Enganoso e ilusório é o poder político. O sábio Machado de Assis que não me canso de ler e reler, refere-se à aparência da politicagem dizendo que “não será difícil achar semelhança entre uma eleição e uma mágica; avultam em ambas as visualidades e tramoias”.

Vemos tristemente que o carreirismo, o egocentrismo e fraude são desvios morais que não se limitam aos poliqueiros no exercício dos seus mandatos. É verdade que a eleição é o começo de tudo na corrida pelo poder, mas há os que chegam lá sem precisar de votos e são os que mais criam conflitos na sociedade.

Estes, de autoridade questionável entre os cidadãos e cidadãs que não lhes outorgaram força moral com liberdade de escolha, ministros do Supremo Tribunal Federal parecem os personagens sinistros dos filmes de terror programados para o Halloween…

Destaca-se um deles levando-nos à locução “Vergonha Alheia” no que ocorreu entre o ministro Marco Aurélio Mello e a advogada Daniela Lima de Andrade Borges.

Ela iniciava a defesa oral de um processo com as palavras “… inclusive queria confessar aqui para vocês, que nessa causa se discute…” quando foi interrompida por Mello que, indignado, repreendeu-a rispidamente pela referência “vocês” e não “excelências” como manda a “liturgia”.

A personalidade psicopática deste senhor exige um tratamento médico. Ele se coloca no Olimpo, como se o STF metaforicamente fosse. Acredita ter a força sobre raios e trovões, como Zeus; e evocar tempestades e maremotos como Netuno…

Revoltante é que este devaneio efêmero de alguém que urina e defeca como todos os mortais, torna-se coletivo com o comportamento deformado dos seus colegas, despindo-se de toda dignidade ao abrir os portões dos presídios somente para soltar um bandido de estimação.

Estes usurpadores do Poder Judiciário não se acovardaram porque contam com apoio nos porões dos outros poderes republicanos, no Legislativo controlado pelos picaretas do Congresso Nacional e no Executivo, pela tibieza comprometida que transita nos corredores do Palácio do Planalto.

Vemos assim, na Catedral dos interesses nacionais, os demônios da prepotência de um ministro do STF, a ditadura do Judiciário e o silêncio cúmplice dos políticos cuja formação patriótica se resume a discursos demagógicos.

30 anos

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Papai Balzac, já dizia, / Paris inteira repetia, / “Balzac acertou na pinta, / Mulher só depois dos trinta” (Nássara e Wilson Batista)

Vou usar um clichê idiota, reconheço, mas não consegui encontrar outro: o “Mundo Livre” comemora no dia 9, os 30 anos da queda do Muro de Berlim, a sombria evocação que marca o poder e o fim da Era Stalinista.

A Alemanha, particularmente, festeja este aniversário trazendo vivos os horrores soterrados sobre os escombros do Muro, e as esperanças de um novo tempo de distensão, desarmamento e paz.

Embora estes anseios humanos não tenham sido totalmente realizados, a parte que cabe ao modelo democrático, seja liberal ou do chamado bem-estar social, experiências que a Europa tem vivido já vale a comemoração.

A memória coletiva, embora muitas vezes infiel, registra esta vitória, mesmo parcial, sobre a barbárie de um regime policialesco que dividiu o mundo por 28 anos, suprimindo a liberdade, dividindo famílias e impedindo o progresso. A celebração nos leva a este capítulo da História, magistralmente descrito no livro “Muro de Berlim – Um Mundo Dividido” de Frederick Taylor.

Gosto muito de dizer que a História como as cartas do baralho cigano, não mente, e mostra que os berlinenses e os alemães em geral foram abandonados pelos Estados Unidos, Reino Unido e França, sem que seus líderes, Kennedy, Macmillan e De Gaulle se dispusesse a pagar para ver o jogo nuclear na chamada “guerra fria”.

E no resto dessa narrativa é de assinalar que a derrubada do Muro deu início à dissolução do chamado “socialismo real” e a morte da União Soviética, que deixaram herdeiros psicopáticos e viúvas psicossociais do stalinismo que nesses 30 anos, assexuadas, sem comparação com a graça das mulheres de 30 anos de Balzac…

“La Femme de Trente Ans”, romance escrito no século XIX, descreve o amor entre os Carlos de Vandenesse e Julia d’Aiglemont, ambos com 30 anos que se apaixonam perdidamente. Balzac sustenta que a mulher se supera ao passar desta idade tornando-se “sete ou oito vezes mais interessante, sedutora e irresistível”.

Os excelentes compositores Antônio Nássara e Wilson Batista lançaram no carnaval de 1950 a antológica marchinha “Balzaquiana” interpretada por Jorge Goulart. A música estourou e patenteou mundialmente para os foliões brasileiros a expressão “balzaquiana”.

Este neologismo não se aplica de jeito nenhum às horríveis viúvas do Muro de Berlim, seduzidas diabolicamente pela fantasia de uma propaganda massiva, cujos restos ainda se vêem em algumas colunas de jornais e revistas e inúmeros blogs.

Balzac, além de romancista, foi um pensador político. É dele a notável reflexão, que deve ser observada pelos políticos brasileiros: “As leis são teias de aranha pelas quais as moscas grandes passam e as pequenas ficam presas”.

É dos políticos, os que se sentam no Congresso teoricamente para legislar, que gostaríamos de ver atenção para o aprimoramento das antigas e a elaboração de novas leis em benefício da Nação.

Ao contrário disso, deputados cegam para a iniciativa louvável do ministro Sérgio Moro para combater a bandidagem com o seu Pacote AntiCrime. “Cegar” é bondade minha, recordando a queda do Muro e romantizado após relembrar os tempos em que adolescente cantei: “Não quero broto, não quero, / Não quero não, / Não sou garoto/ Prá viver mais de ilusão, / Sete dias da semana/ Eu preciso ver, / Minha balzaquiana…”.

AS MÃOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Aquilo que pedimos aos céus na maioria das vezes se encontra em nossas mãos” (Shakespeare)

Aprendi a lavar as mãos condicionado, como o cachorrinho de Pavlov…. Foi quando operei meus olhos de catarata e temendo infecções, adotei o hábito e rotinizei-o. O lavar as mãos é uma expressão antiga, e está no Novo Testamento (Mateus 27:25) descrevendo o julgamento de Jesus.

Confesso que a interpretação dos textos dito sagrados não é a minha praia; mas por ler as famosas audiências do Sinédrio, de Herodes e de Pilatos, achei uma passagem sustentando que o governador romano da Palestina, Pôncio Pilatos, não queria condenar Jesus como exigiam os fariseus, e não entendia porque o povo os apoiava.

Pilatos argumentou três vezes em defesa da inocência de Jesus, sem ver mal nas pregações dele; e disse à multidão arregimentada pelos sacerdotes: – “Não acho nele crime algum”.

Entretanto, sob pressão e vendo de que nada adiantavam suas ponderações, condenou-o à morte, lavando as mãos e dizendo que a culpa decorrente deste ato recairia sobre a população judaica: “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos”.

Graham Greene, jornalista e escritor inglês, conhecido pelo best-seller “O Americano Tranquilo”, entre vários romances, contos e peças teatrais, ficou inconformado pela atitude covarde do representante de Roma, e escreveu: “Eu preferiria ter sangue nas mãos a ter água como Pôncio Pilatos. ”

Greene não levou em conta a maldição de sangue que, segundo intérpretes radicais dos textos evangélicos, resultou na destruição de Jerusalém em 70 d.C., a dispersão (diáspora) dos judeus pelo mundo, e, mais tarde, as perseguições racistas.

Falando dos tempos antigos, o Pai da Medicina, Hipócrates, disse que as mãos são reveladoras de enfermidades físicas e psíquicas. Ensinou que os dedos achatados são típicos de tuberculosos. E o diagnóstico moral pela observação das mãos, dedos e unhas, proposto por S. D’Arpentigny – criador da quirognomonia –, classificou diversas formas anatômicas desses órgãos.

O “lavar as mãos” na linguagem cotidiana popular, significa não assumir uma posição, não decidir, não se meter, não opinar sobre um caso qualquer. (Dicionário de Gíria, de  J. B. Seabra e Gurgel). No meu tempo dizia-se que os bolinadores nos bondes, ônibus e trens, tinham “mãos bobas”…

E tem também o levantar da mão espalmada em juramento exigida nos tribunais, é a representação mais estúpida da hipocrisia, e talvez por isso tenha sido adotada como cumprimento pelos nazifascistas no “Ave” mussolinista e no “Heil” hitlerista.

A numerologia do poeta Mário Quintana ensina que “nos foram dadas duas pernas para andar, as duas mãos para segurar, dois ouvidos para ouvir e dois olhos para ver”, levando-nos a observar que apesar disto, que tem gente que não anda, não ouve, não vê e nada faz com as duas mãos…

É o que reconhecemos tristemente nos três poderes republicanos, frutos pecos do Estado de Direito, mostrando-nos que a Democracia termina por entregar o poder nas mãos de uma minoria, como assistimos STF conjurando para instituir o Reino da Impunidade.

Sem ser militarista, Rui Barbosa defendeu que “o Exército pode passar cem anos sem ser usado, mas não pode passar um minuto sem estar preparado”; eu também, civilista e liberal, gostaria de ver os militares levarem as armas às mãos contra os corruptos e seus poderosos aliados.

NEOLOGISMO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A imaginação é essencialmente criadora e sempre procura uma forma nova”. (Oscar Wilde)

Não tenho certeza se o aforismo é do poeta e fabulista francês La Fontaine, porque não me lembro de onde tirei e o tenho apenas de memória; mas tenho quase certeza de que é dele: “O mundo jamais careceu de charlatães e a charlatanice é até reconhecida como ciência por alguns juízes”.

E por falar em charlatanice (perdoem-me os doutores laureados pelo estudo da linguística na sua forma escrita), eu gostaria de ser um grafólogo para analisar as sentenças dos supremos ministros do STF. Será que suas letras tremem ao escrever barbaridades para salvar seus bandidos de estimação? Ou para mentir descaradamente pelo mesmo motivo?

Mas os tempos são outros, a caligrafia já era… eles usam o teclado do computador, sempre criando dificuldade para o estudo dos seus escritos. Sabem que a frieza impressa não revela emoções.  Para conhecer o caráter deles, somente pelo voto oral, que ainda podemos acompanhar pela TV-Justiça…

Neste caso, sem as letras manuscritas, louvamos Gutenberg – o inventor da prensa de tipos móveis –, por termos nas mãos livros, e o livro “Código da Vida”, memórias autobiográficas do advogado Saulo Ramos, ex-consultor-geral da República e ex-ministro da Justiça no governo Sarney.

O livro desnuda a falsa moral reinante no Supremo e em particular de Celso de Mello, cheio de fricote com as críticas do presidente Jair Bolsonaro, mas que se calou covardemente quando o presidiário Lula da Silva disse que os ministros do STF estavam acovardados.

Sobre Celso, conta Saulo um episódio curioso no julgamento do pedido de impugnação da candidatura de Jose Sarney pelo Estado do Amapá, em que Celso votou pela impugnação. Covarde, apressou-se em justificar com Saulo o voto dado: -“Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto; – “Claro! ”, disse Saulo, “O que deu em você? ”

Aí Celso tentou justificar: — “É que a Folha de São Paulo, na véspera da votação, noticiou que o presidente Sarney tinha os votos definidos favoravelmente e o meu nome como um deles; e então estando garantida a vitória dele, não precisava mais do meu, então decidi desmentir o jornal…”

Saulo não se conteve. –“Então você votou contra o Sarney porque a Folha de São Paulo noticiou que você votaria a favor? … E se o Presidente não estivesse garantido ao chegar à sua vez, você votaria a favor dele? ”.

Celso se animou e garantiu: -“Sim, exatamente; o senhor entendeu? ” Saulo então foi curto e grosso: — “Entendi. Entendi que você é um juiz de merda! ”.

Voltando aos presente, vimos que o presidente Jair Bolsonaro teve um rompante para se defender dos ataques que vem sofrendo, divulgando um vídeo zoológico (que depois apagou) onde ele aparece como um leão enfrentando uma manada de hienas nomeadas como o STF, o PSL, a OAB e a Mídia, entre outras.

Não sei se o cidadão Jair Bolsonaro é afeito à zoologia, a ciência que estuda a vida animal; eu não sou, mas sei bem o que são metáforas e neologismos, para que servem, atingindo a quem se quer atingir.

Bolsonaro desenhou uma audaciosa metáfora; e eu atrevi-me a enfrentar o grande Diderot, que disse: – “Só Deus e alguns gênios raros continuam a avançar nas inovações” Então criei a palavra “deshienação”, usando-a para uma caprichada limpeza nas instituições brasileiras, limpando-as, para que a Ética e a Justiça imperem no Brasil, tão necessitado delas!

 

OS NOMES

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Está comigo, está perdido comigo o teu nome, em alguma gaveta” (Ferreira Gullar)

Encontrei outro dia uma historieta interessante que ilustra a música popular brasileira, fora dos padrões impostos pela meia dúzia de três ou quatro que assumiu o seu domínio em favor dos mesmos de sempre. Passou-se com o excelente compositor e letrista Pedro Caetano, ainda na memória dos que gostam da boa música.

Conta-se que ele estava numa festa quando uma garota lhe pediu que fizesse um samba para ela. Encantado pelo sorriso e a graça do brotinho perguntou-lhe pelo seu nome, que era Maria Madalena de Assunção Pereira.

Soou tão musical e perfeitamente metrificado, que ele pegou o violão e iniciou os primeiros versos: – “Maria Madalena de Assunção Pereira / teu beijo tem aroma de botões de laranjeira”… O cantor Cyro Monteiro ouvindo, pediu para gravar o samba e no sábado seguinte lançou-o no Programa de César Ladeira, na Rádio Mayrink Veiga, com retumbante sucesso.

Quando foram gravar o disco, a censura proibiu-o alegando que o nome completo feria a privacidade da pessoa. Então Pedro Caetano e Cyro Monteiro ouviram a sugestão de César Ladeira substituindo o nome por Maria Madalena “dos Anzóis” Pereira…

Assim um nome arranjado entrou no folclore para designar pessoa desconhecida ou que não se quer nominar.

No suceder das gerações vê-se como os nomes próprios pessoais saem e voltam à moda. Eu sou um exemplo disto: Com sessenta anos, caminhava pela Praia de Ponta Negra, em Natal, ouvi uma voz gritando “Henrique! ”; era uma jovem mãe chamando o filho pelo meu nome de infância e juventude, que para mim ele tinha ficado fora de uso.

Nunca mais ouvi os nomes das meninas dos meus tempos de colégio, Alice, Bernadete, Dejanira, Leda, Margarida, Marli… Nem dos meus colegas Ademar, Bento, Hipólito, Honório, Sebastião, Ubirajara.

Há uma lenda em torno do nome Cristóvão, esquecida. Ele era um jovem desobediente às regras sociais, andante sem destino, que foi castigado a transladar pessoas de uma margem para outra num rio. Descansava um dia, quando ouviu uma voz infantil pedindo-lhe ajuda para atravessar a corrente. Era um menino franzino que lhe deu pena e levou-o sobre os ombros para o outro lado.

Estranhou que a criança pesasse demasiado, inusitadamente, quando ouviu dela: – “Pelo teu nome, transportastes sobre as águas Aquele que pelo sacrifício livrou-te dos pecados”. Foi assim que Cristóvão ficou sabendo que o seu nome quer dizer “portador do Cristo”.

Houve uma época em que eu, nacionalista extremado, estranhava que a política brasileira fosse dominada por pessoas de sobrenome estrangeiro, italianos, na sua maioria, havendo também muitos libaneses, sírios, turcos, espanhóis, judeus e japoneses. Apareceram depois, cheios de letras dobradas, dáblios, ipsilones, russos e até búlgaros…

Eu devia ter aprendido com Oscar Wilde que “a experiência é o nome que damos aos nossos erros”. Errei por pura besteira na xenofobia patronímica, porque nenhum dos descendentes dos emigrantes que ajudaram a levantar o Brasil é melhor ou pior do que os Barros, os Calheiro, os Carvalho, os Costa, os Queiroz, os Rego, os Ribamar e os Silva…

Apesar do nepotismo surfar nas ondas do favoritismo e dos privilégios, não é o nome que faz o político, como fez com São Cristóvão, o protetor dos condutores e motoristas, santo venerado por católicos romanos, ortodoxos e como Xangô, um poderoso orixá da Umbanda

Faz bem o judaísmo que não reconhece e evita falar o nome de Deus. Os que não sabem, dizem que é Jeová, mas este nome, entretanto, é usado somente por algumas denominações evangélicas.

IGNORÂNCIA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O que nos causa problemas não é o que não sabemos, mas aquilo que temos a certeza que é verdade” (Mark Twain)

É assustadora a obrigação de tomar conhecimento da Lei, conforme ordena a Introdução ao Código Civil, que traz no seu artigo 3º: “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”.

Isto atinge em cheio, calculando por baixo e com muito otimismo, 80% da população brasileira, onde, sem excluir bacharéis em direito e até mesmo doutores diplomados na variedade dos cursos universitários, maioria é formada por pessoas que não sabem sequer escovar os dentes, como disse o general João Batista Figueiredo.

Trata-se, porém, de uma presunção legal absoluta que atropela a ignorância inocente e vulgar. Fico às vezes pensando como é torturante sujeitar milhões de pessoas honestas a conhecer e entender o incomensurável universo das leis federais, estaduais e municipais…

Imagino que a própria Constituição de 88, tão citada, um catatau enciclopédico vindo de egos vaidosos dos constituintes mal saídos de um regime de exceção, dissidentes e ex-colaboradores querendo parecer mais democratas e mais humanistas do que os outros.

Essa Constituição é tão abrangente ao enumerar direitos e tão lenitiva com os criminosos que nos leva a perguntar, como fez o grande Dostoiewski; “Porque, seus ignorantes, haveis de praticar fraudes fora da Lei? Há dentro dela muito espaço para fazê-las…”

Os políticos e magistrados corruptos sabem disto muito bem. Os ignorantes que restam continuam sendo presos por uma barra de chocolate, enquanto se trama nos porões dos três poderes a impunidade para o chefe da Orcrim política, Lula da Silva, condenado e preso por corrupção e lavagem de dinheiro.

Assistimos o STF encenar a sua própria interpretação constitucional do artigo que reza “todos são iguais perante a Lei”, admitindo, pelo favoritismo, que os seus protegidos são “mais iguais do que os outros”.

Na tribuna diante dos divinos ministros, advogados são milionariamente pagos por saberem explorar a diferença entre o desconhecimento da lei e o erro de interpretação do texto. E com a mesma sutileza capciosa dos julgadores livram seus clientes de colarinho branco.

Do lado de cá, passando pelo túnel que evita contato dos deuses togados com o povo, vive a Ignorância, um sonoro substantivo feminino de origem latina, (ignorantĭa,ae) interpretado como a condição do indivíduo sem instrução, que não tem cultura, experiência ou prática em alguma coisa.

A ignorância é classificada de três maneiras: ignorância factual (ausência de conhecimento de algum fato), ignorância objetual (não-familiaridade com algum objeto) e ignorância técnica (ausência de conhecimento de como fazer alguma coisa).

A primeira, em relação ao arcabouço jurídico, é do povão; a segunda, das classes médias letradas, fugindo da realidade; e a terceira, a secular e repetida prática dos que ocupam eventualmente o poder.

Pela incultura e desinformação das massas, o teólogo e orador sacro Martin Luther King construiu um belo pensamento: “Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez consciente. ”

E é assim que o Brasil se divide, não pela Geografia Física, mas entre a ignorância e a estupidez. Numa banda, ficamos enfrentando a desinformação dos cúmplices da corrupção que aliena o povo; na outra banda, sobrevoam os corvos grasnando um latinorum bacharelesco para favorecer seus bandidos de estimação.

RELATIVIDADE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A ‘Genebra’, se chamares Genebra, é bebida do povão; se disseres ‘Gin’ é bebida de burgueses” (Pittigrilli)

Curioso e ávido por conhecimentos, li muito sobre o aspecto científico da relatividade e divirto-me muito com a linguagem popular de que “tudo é relativo”.  Descobri assim que relativismo é uma moeda, cujas faces no levam a pensar sobre a realidade em que vivemos.

Dicionarizado, o verbete “Relatividade” é um substantivo feminino expressando aquilo que é acidental, casual, fortuito e o que pode ser comparado ou proporcional. Para a Ciência, a “Relatividade” nomeia a teoria revolucionária do genial Albert Einstein, levando à Física novos conceitos de tempo, espaço e movimento.

Einstein defendeu primeiro que tempo e espaço são relativos e estão profundamente entrelaçados; e mais tarde desenvolveu que também a matéria e a energia estão ligadas igualmente como espaço e tempo.

Os curiosos acham a Teoria da Relatividade complicada, por causa da equação matemática, E = mc2 (energia = massa x a velocidade da luz ao quadrado); mas o seu Autor explicou que é fácil entendê-la sentindo que ao lado do seu amor uma hora parece um minuto; mas um minuto parece uma hora quando sentado nu num formigueiro…

Do tempo em que jornalismo era exercício de jornalistas, Carlos Heitor Cony escreveu sobre a relatividade, dizendo que: “Todo conhecimento humano é relativo. Cada subida prepara a queda proporcional. Cada fossa abre espaço para a altura equivalente. No final da estrada estamos no mesmo ponto de onde saímos, no zero, no nada. ”

Acho que os políticos brasileiros deveriam raciocinar sobre isto e deixar de praticar falcatruas, pois quanto mais alto imaginam subir, a inevitável queda se torna maior; entretanto, como a ganância lhes impede pensar, o que lhes resta são as transações para impedir que se investigue os crimes cometidos contra o País e o seu povo.

É preciso atentar para a relatividade das coisas, aprendendo com a simplicidade de Exupéry que escreveu: “É o mesmo sol que derrete a cera e seca a argila”. A cera do poder é efêmera sob o brilho abrasador da realidade, e a argila de que nós somos feitos nos torna rígidos contra o crime organizado e a corrupção.

Por isso, lutamos em defesa da Lava Jato e do Pacote AntiCrime do ministro Sérgio Moro, assistindo o choque entre duas tendências na atual conjuntura sócio-política.

Vemos de um lado, os que querem a volta do status instituído dos governos corruptos do PT e, do outro lado, um vozerio tumultuado com discursos vazios que sabotam a faxina ampla, geral e irrestrita no que resta do antigo regime corrupto e corruptor.

Os saudosistas da Era da Pelegagem mostram-se dispostos a manter a leniência com o crime; são os congressistas eleitos pelo voto cúmplice de eleitores ignorantes e/ou viciados, e ministros alçados aos tribunais superiores pelo favoritismo político.

Contra esta claque que quer brandura para corruptos, levanta-se a maioria patriótica dos brasileiros recusando-se a tomar os amargos xaropes que o relativismo político-jurídico tenta nos ministrar, com a bula do Mateus: “Primeiro os Teus”.

Mantenho-me coerentemente contra as filigranas discursivas dos que abusam da paciência do povo, seja a qual partido pertençam ou da ideologia que dizem defender. Os programas político-partidários e a ideologia são relativos: deles só podemos afirmar que tiveram um começo e fatalmente terão um fim.