Últimos Posts

CARNAVAL

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O povo toma pileques de ilusão com futebol e carnaval. São estas as suas duas fontes de sonho” (Carlos Drummond de Andrade)

Embora com outros nomes, o Carnaval ocorre desde a mais remota antiguidade, como uma festa de liberação por um prazo concedido e limitado dos impulsos individuais e grupais em desacordo com as proibições políticas e religiosas.

Conhecido como entrudo, folguedo, folia, mascarada, orgia e troça, o verbete Carnaval, dicionarizado, é um substantivo masculino de origem latina, “carnis levale” que significa dizer “adeus à carne”.

Todas as civilizações antigas tiveram o seu carnaval; no Ocidente a herança prevalecente é greco-romana. Na Grécia antiga registram-se as festas dionisíacas em homenagem a Dionísio – deus mitológico, patrono do vinho -; e na Roma dos césares eram as chamadas bacanais, dedicadas ao deus da embriaguez, Baco.

As diversões apresentavam o caráter comum da subversão dos costumes e dos valores sociais, com escravos se vestindo de nobres, os marginais de sacerdotes e sempre os homens se vestindo de mulher e vice-versa.

A Igreja Católica se apropriou desses costumes arraigados entre os pagãos para controlar os prazeres mundanos dos fiéis, cujos desejos extravasados deveriam ser relacionados ao jejum da Quaresma. Assim, sob a influência vaticana o carnaval tornou-se uma “festa profana” consentida…

O carnaval chegou ao Brasil no período colonial copiando as festas europeias, principalmente as que ocorriam na Itália e na França no século XVI; aqui se mesclou com a influência indígena, logo no início, e depois com a chegada dos escravos africanos adotando o ritmo cadenciado da batucada. Em Pernambuco registram-se todas essas demonstrações originais.

Hoje a comercialização das festividades momescas (de “Rei Momo” personagem da mitologia grega) ultrapassou os três dias de liberdade para os brincantes que deveriam preceder a quarta-feira de cinzas. Na Bahia dura mais de um mês…

Fui um carnavalesco convicto. Hoje, dos folguedos restam pedacinhos coloridos de saudade como registrou poeticamente David Nasser na marchinha “Confete”… Eram gostosamente ingênuas as fantasias das meninas, bailarina, bruxa, colombina, havaiana, holandesa, índia, jardineira, noiva, odalisca… Os rapazes iam de arlequim, diabo, marinheiro, palhaço, pirata, presidiário, rei zulu, toureiro…

A mistura do sagrado e o profano favoreceu a caricatura da política, a crítica dos costumes e transformação temporária de gênero. Assim, o Carnaval – banditismo à parte -, é só alegria. Eis que saem das tocas as hienas do “politicamente correto” na sua prática inquisitorial das proibições…

Eis que a hipocrisia começou por Belo Horizonte, com a sua Câmara de Vereadores trazendo o avesso dos preconceitos, numa cartilha que expressa um “Carnis Levale

Prohibitorum”, sugerindo que homem não se vista de mulher, não se caracterize como índio, não se maquie de preto…

É a oficialização dos estereótipos numa festa de inversões… O que condenarão nas marchinhas clássicas que falam de “Favela” e não de Comunidade? E aquela maravilha de Lamartine Babo, “O teu cabelo não nega”? E o “Allah-La-ô” de Haroldo Barbosa e Nássara? E o “China Pau” de João de Barro?

Isto consideraria a reprovação dos grandes compositores da mais alta qualidade que os brasileiros ainda lembram e cantam. A culpa atingiria

Ari Barroso, Benedito Lacerda, Evaldo Rui, Fernando Lobo, Haroldo Lobo, Herivelto Martins, Noel Rosa e Wilson Batista, entre outros.

Considero criminoso censurar “A História da Maçã”, “Palhaço”, “Falta um zero no meu ordenado”, “Pedreiro Waldemar”, “Nega Maluca” e “Zé Marmita”. Estão condenadas já, a hilária “Cabelereira do Zezé” e a admirável composição de Ataulfo e Mário Lago, “Amélia”.

Eu consideraria espetacular que estes citados ícones das marchinhas carnavalescas ressuscitassem, e compusessem em conjunto, “A Marcha da Liberdade”!

 

 

 

GUERRA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Em tempo de paz convém ao homem serenidade e humildade; mas quando estoura a guerra deve agir como um tigre! ” (Shakespeare)

O Concílio Vaticano II foi um dos mais importantes da Igreja Católica nos nossos tempos. Ao anunciá-lo o saudoso papa João XXIII proclamou como seu patrono São João Crisóstomo, doutor da Igreja e o mais conhecido entre os reformadores eclesiais.

É bom lembrar que Crisóstomo, patriarca de Constantinopla, foi um realista a ponto de considerar que na guerra, para derrotar o inimigo, é louvável recorrer ao ardil, à sabotagem, aos subterfúgios e à traição.

Guerra é guerra. As evasivas estratégicas exigem malícia e paciência, como aconselhou o ícone do planejamento bélico Sun Tzu: “Triunfam aqueles que sabem quando lutar e quando esperar”.

Um capítulo da História adotou um espetacular estratagema usado na Guerra de Troia, mencionada na Ilíada e na Odisseia de Homero. Embora sob a controvérsia de sua existência real, Homero tornou-se célebre como poeta épico e embora tenha se referido vagamente ao logro do “Cavalo de Troia” na Odisseia, todas as gerações estudiosas do mundo creem como verdadeiro este artifício enganoso.

Contam-se detalhes do uso ardiloso de um monumental equino, construído pelos gregos para conquistar Troia. Foi levado às portas da cidade como um presente, mas levando no seu interior soldados treinados para o confronto corpo-a-corpo. Levado para fortaleza, os guerreiros saíram à noite e derrotaram traiçoeiramente o inimigo.

Dos 500 anos antes de Cristo até hoje, as táticas e estratégias bélicas estudam e aplicam movimentos enganadores para surpreender o adversário, induzindo-os a abrir os flancos para a sua própria derrota.

A palavra Guerra, dicionarizada, é um substantivo feminino significando a luta armada entre nações, etnias diferentes ou partidos de um mesmo país. As línguas neolatinas adotaram a etimologia germânica “werra”, luta, discórdia, que substituiu o latim “bellum”, usado com outras referências como bélico, rebelde, rebelião.

A minha geração estudou a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), assistiu os efeitos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), acompanhou a Guerra Fria (1947 – 1991) e sofreu dois temores: as ameaças de uma guerra atômica e da guerra bacteriológica.

Ensinou o grande estratego alemão Carl von Clausewitz que a guerra é a continuação da política; assim se deduz que muitas das táticas evasivas dos exércitos nascem da malandragem dos políticos. No Brasil é fácil constatar isto observando os picaretas do Congresso em sua movimentação chantagista.

Comprovamos uma espécie de simbiose da guerra e da política, ao conhecer a chamada guerra psicológica ou de propaganda, quando o povo é dominado pela massiva repetição de promessas mentirosas, informações falsas e temores subliminares.

Pela Internet, nas redes sociais, vemos a manipulação da propaganda por grupos organizados a serviço de ideologias ou partidos, e tem também empresas que vendem estes “serviços”, como ocorreu flagrantemente nas últimas eleições presidenciais.

Um desses empreendimentos, a Yacows, apareceu com alvoroço na CPMI das Fakes News, provocando uma movimentação inusitada nos meios jornalísticos, quando uma repórter da Folha de São Paulo foi citada pelo depoente Hans River do Rio Nascimento.

Na última terça-feira, dia 11, foi ouvido o ex-funcionário da Yacows, empresa acusada pela Folha de SP de fazer disparos em massa via WhatsApp a favor do então candidato à presidência, Jair Bolsonaro. Hans River negou ação pró-Bolsonaro, afirmando que o trabalho foi realizado para defender Fernando Haddad, candidato do PT.

Como cantou Raul Seixas, “a vida é séria e a guerra é dura”. Assim, assistimos também inversões internacionais amplas, gerais e irrestritas… quem imaginaria que um dia, o Papa iria receber um condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha?

Sinal dos tempos; o velho Churchill os previu quando disse que “a política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa”. Verdade; a política atiça as matilhas raivosas de globalistas a declararem a Terceira Guerra Mundial!

LEMBRANÇAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O homem tem toda a vida para colecionar experiências e ensinamentos, mas apenas poucos anos para reunir essas lembranças” (Morris West)

Quando a gente nasce, a memória vem adormecida sob o lençol dos nossos neurônios no sistema nervoso central…  Não é um dom como os sentidos ou as heranças genéticas da cor dos olhos ou o tamanho do nariz.

É no correr da vida que as memórias armazenam uma vasta gama de registros, que vão da memória afetiva às memórias históricas; criam-se e se desenvolvem através das experiências sensoriais e, mais tarde, por exercícios técnicos e disciplina.

A capacidade adquirida para decorar é, às vezes, extraordinária. Encontramos cristãos que repetem palavra por palavra o Novo Testamento, islamitas que recitam o Alcorão inteiro e judeus que narram o Talmude.

Anos atrás, num programa de televisão, apareceu um cara que havia decorado um catálogo de telefones! Que os jovens do tempo do celular aprendam: aqueles catálogos eram um catatáu com mais de duas mil páginas de endereços…. Eu, quando rapazola, lembrava de cor os números de telefone de parentes, amigos e colegas de escola; hoje, nem isto!

Sofro, como escrevi outro dia, a desordem mental que vem com a idade, que vai atrofiando as lembranças e muitas vezes confundindo-as com fantasias. Tenho um amigo que ouvindo-me contar passagens da minha vida e considera-as fantásticas, me aconselha a publicá-las sob o título “Memórias de Ficção”….

Para me garantir do desmanche das reminiscências ou misturá-las com fantasias, venho anotando “causos” ocorridos comigo e as curiosidades tiradas de livros e revistas. É uma forma de manter o que me interessa sem confiar na memória, este substantivo feminino de origem morfológica, lembrar + ança, o efeito de guardar fatos na memória.

Guardo ensinamentos úteis, ideias nascidas da observação e casos que me interessam; e é assim que divulgo nos meus artigos anedotas históricas e fábulas obtidas por ter aprendido com Goethe que “O que passou, passou, mas o que passou luzindo, resplandecerá para sempre”.

Mas eu gostaria de levar para as sombras do esquecimento as promessas dos políticos nas campanhas eleitorais, porque sofro ao recorda-las quando não as vejo cumpridas ou, pelo menos, tentativas para realizá-las.

Não sou o único a pensar dessa maneira, assistindo o campo da política tornar-se um aterro sanitário, que acolhe o lixo humano para ocupar os poderes do Executivo, Judiciário e Legislativo. Principalmente o Legislativo, onde para entrar não se exige formação intelectual, honestidade e atestado de boa conduta; depende apenas da burrice ou da venalidade do eleitor…

Neste cenário de horrores, as lembranças estão, felizmente, nos registros históricos e no disse-me-disse que vagueia em todas as cabeças pensantes. No Rio de Janeiro temos boletins de ocorrência de quase todos agentes políticos mergulhados na corrupção.

No pobre Estado do Rio, que tem graças à natureza uma capital maravilhosa, quatro ex-governadores foram presos por corrupção. Agora, um deles, Sérgio Cabral, teve sua delação premiada aprovada, talvez por descuido de um ministro do STF.

Comparsa de Lula da Silva na corrupção, Cabral dedurou o seu vice, Luiz Pezão, como organizador de um esquema de propinas e dele usufruir R$ 70 mil mensais no seu governo.

Temos também a denúncia do ex-ministro petista, Antônio Palocci, acusando Lula da Silva da venda de Medidas Provisórias tendo como pagamento propina para um dos filhos.

É talvez pela escabrosa situação política a que chegamos, que agradeço de mãos postas não ter desperdiçado a oportunidade de memorizar poesias como a de Castro Alves: – “Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, senhor Deus! / Se é loucura… se é verdade/ Tanto horror perante os céus…

 

 

 

 

 

ADVOGADOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Se não existissem más pessoas, não haveria bons advogados. “ (Charles Dickens)

Todos agentes públicos devem ser fiscalizados sempre, e criticados se assim merecerem; na minha opinião, entretanto, considero insolente e grosseiro o ataque feito à ministra Damaris Alves pelo advogado dos corruptos, Antônio Carlos de Almeida Castro, tratado nos meios jurídicos pela alcunha de Kakay.

Este cidadão, que tem o privilégio de entrar no STF de bermudas, por mais que esteja blindado pela legislação bacharelesca, não está isento para desrespeitar um Ministro de Estado e, como cidadão, a uma mulher no exercício de uma função pública.

O trato com autoridades governamentais exige respeito de qualquer um. A gente pode criticar, denunciar e até ridicularizar os operadores da coisa pública, mas com o acatamento pessoal devido.

Acredito firmemente que Kakay faça parte de uma minoria. Entretanto ainda há saudosistas do tempo em que o Brasil era chamado de “República dos Bacharéis”. Como restos entulhados da República Velha que vivia sob o domínio do canudo e o anel de rubi dos filhos ou representantes do coronelato, ainda se preserva um status especial para os advogados a ponto de haver uma prisão especial para eles…

A palavra “Advogado” deriva da expressão em latim “ad vocatus” que significa o que foi chamado, designando no Direito romano a terceira pessoa que o litigante chamava perante o juízo para defender o seu interesse. Gramaticalmente em português é um substantivo masculino, designando a pessoa formada num curso de ciências jurídicas, apta a dar assistência profissional nos tribunais de Justiça.

O artigo 133 da Constituição Federal de 1988, ainda em vigor, considera o advogado como um profissional “indispensável à administração da justiça, inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.

Esta colcha de retalhos constitucional costurada pretensiosamente como uma reação democrática à ditadura militar, estabelece assim que o advogado é inviolável por seus atos no exercício da profissão.

E nesta pretensão de serem “mais iguais do que os outros”, pegaram carona num jabuti emburacado na Lei de Abuso de Autoridade, acrescentando nela (literal e abusivamente) o artigo 7º-B do Estatuto da OAB, deliberando uma punição para quem pretensamente “violar direito ou prerrogativa de um advogado”.

Após se aposentar como engenheiro do serviço público, meu pai cursou e se formou em Ciências Jurídicas para incentivar um neto, acadêmico de Direito, e abriu um escritório onde admitia estagiários e solicitadores.

Ele colecionava histórias para orientar o pessoal de como usar simulações na defesa do cliente, e tirou de uma velha revista italiana a história de um eminente advogado criminalista de Turim que comparecia displicentemente aos julgamentos.

Para este causídico, bastava uma vista d’olhos nos autos para improvisar a defesa incontestável do seu constituinte. Ocorre que um dia confundiu qual das partes deveria defender e sustentava uma tese contrária ao seu cliente quando um auxiliar o advertiu do equívoco.

Mudando apenas o tom de voz, como segredasse uma revelação ao júri, disse: – “Serão estas deduções arbitrárias e incoerentes que o meu adversário usará  para deturpar a veracidade dos fatos”, e refutou uma a uma as razões que defendera.

Isto é a advocacia tal como ela é. É claro, repito, que entre os advogados nem todos são hipócritas; mas na amplitude dos empregos públicos exclusivos para formados em Direito, a participação política e social deles nos leva a concluir que pior do que um advogado mal-educado somente uma pá de advogados atravancando os corredores do Fórum…

EPIDEMIAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A sabedoria e a ignorância se transmitem como as doenças; daí a necessidade de se saber escolher as companhias” (William Shakespeare)

Conta-se que o pai da Medicina, Esculápio, elevado à categoria dos deuses pelos gregos, teve com a sua mulher Lampetia uma filha que foi batizada como Higeia, considerada como a inventora da higiene, propondo um conjunto de medidas pessoais para conquista do bem-estar e saúde; asseio e limpeza.

A progênie de Esculápio, ensinando a comer alimentos saudáveis, beber água pura e o hábito de lavar as mãos, reduziu quase a zero a clientela do pai, mas o manteve como seu inspirador e gravou historicamente a sua memória pelas curas obtidas.

Isto nos ensina que devemos ajudar os filhos na sua formação, para que saibam distinguir o bem e o mal, e pelo exemplo que damos eles não deixarem cair nas sombras do esquecimento o respeito que os pais merecem.

Falando de saúde e medicina numa época que o mundo procura se resguardar das epidemias, não é demais comentar e folhear os compêndios de História para rever quão avassaladoras foram as viroses que se difundiram no passado. Parece-me que a mais avassaladora de todas foi a “peste negra”, a pandemia que resultou na morte de 75 a 200 milhões de pessoas na Ásia e na Europa.

É triste recordar, também, as desgraças trazidas para as Américas pelos conquistadores, dizimando várias nações indígenas com a varíola, sarampo, caxumba, gripe e, segundo recentes pesquisas científicas, a febre entérica.

Mais recentemente, causou pânico o HIV, os retrovírus da aids que atacam o sistema imunológico e acarretam infecções agudas, um mal felizmente combatido e controlado; veio a MERS e depois a síndrome respiratória aguda grave, abreviada como SARS e a dengue e o ebola, doenças transmitidas por insetos.

A medicina moderna classifica essas manifestações como surto, epidemia, pandemia e endemia. A epidemia é a propagação de uma doença infecciosa por virose, que surge de repente em certos locais, e termina espalhando uma pandemia mundo afora.

O Corona Vírus, primo do vírus da SARS, teve início na província de Wuhan, na China, infectando centenas de pessoas desde o início do surto que, segundo pesquisa, é provocado por vírus, bactérias ou outros microrganismos.

Os sintomas do corona vírus incluem coriza, tosse, dor de garganta, possivelmente dor de cabeça e talvez febre, que pode durar alguns dias, e como disse Stendhal, a dar-se um nome para uma doença é apressar-lhe os avanços.

Segundo a OMS faz-se necessário um alerta global também nas grandes regiões asiáticas, atingindo um grande número de pessoas e com incidentes casos pontuais na Europa e na América do Norte.

Todo cuidado é pouco. A lição de Higeia, citada, foi elevada, como o pai Esculápio, aos deuses do Olimpo como deusa da saúde, limpeza, higiene e saneamento. Esta orientação com cerca de 300 anos antes de Cristo é válida para a prevenção da pandemia do coronavírus.

Mais tristes ainda são as epidemias que atacam os neurônios… O fanatismo recorrente de ideologias tronchas, já superadas como utopias quando foram levadas à prática, ataca principalmente os jovens desnorteados pela falta de perspectivas pessoais de vida.

Contou-me esta semana um amigo, professor de universidade no Nordeste, a curiosa história de uma aluna com origem numa família abastada de fazendeiros e neta de um desembargador.

Impressionado com os discursos radicais da moça, pregando a derrubada do estado burguês, o Professor perguntou o porquê desta opção. Com os olhos arregalados do fanatismo ela disse que cansou das críticas dos colegas às suas roupas e ao seu carro, resolvendo aderir a eles que lhe mostraram as injustiças do mundo.

Viu que as suas empregadas, os agricultores e os vaqueiros da fazenda e os motoristas do seu pai e da sua mãe eram muito pobres. Todos. Seus salários não dão para sustentar uma família.

Então o Mestre indagou: – “E porque os seus pais não tomam a iniciativa de mudar esta situação, sem esperar leis, normas, aparatos legais e jurídicos? ” Aí a pobre menina rica se revelou: – “Que bobagem, se for assim como vamos manter o nosso “status”?

Essas coisas me levam ao pensador mais avançado para sua época, Voltaire, ao dizer que “o fanatismo é uma doença da mente, que se transmite da mesma forma que a varíola”.

 

 

 

 

VERBOS

MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)

“Não importa o que tenhamos a dizer, existe apenas uma palavra para exprimi-lo, um único verbo para animá-lo e um único adjetivo para qualificá-lo” (Guy Maupassant)

Sempre procurei aprender línguas estrangeiras, mais para ler do que para falar. Como venho do tempo em que estudávamos no Ginásio, em três períodos, o Latim, não foi tão difícil entender as chamadas línguas neolatinas. Mas o verbo sempre constituiu um problema; na leitura acerta-se pelo sentido da frase, enquanto na linguagem falada é uma tremenda dificuldade.

O Fantasma do Verbo me persegue ainda mais nos idiomas anglo-saxônicos, grego e eslavos. Na sua presença é quase impossível superar a assombração desconexa, principalmente na língua inglesa falada nos EUA, onde as palavras são abreviadas.

A gente pula os obstáculos enfrentando ousadamente a conjugação dos verbos. É para isto que foram criados e se multiplicam nos dicionários especializados; no meu tempo tínhamos o “200 Verbos Franceses” de Maurice Huet, e dos ingleses, a edição portuguesa do Dicionário Académico.

O Verbo indica a palavra que situa as ocorrências temporais, uma ação, um estado, um fenômeno ou um processo sócio-político. Por isso, flexionam-se em aspecto, modo, número, pessoa, tempo e voz.

Dicionarizado, Verbo é um substantivo masculino que do ponto de vista semântico impõe o conceito de uma frase, oração ou pensamento. Nas expressões coloquiais, processam a conversação com alguns que os são adaptados quase instantaneamente, ou criados embora inicialmente com uso reduzido, mas se expandindo depois e aceitos pelo vocabulário oficial…

Pelo uso quase obrigatório da Internet, os verbos fortalecem o novo palavreado imposto pelo chamado “internetês” – a linguagem dos computadores -, e são muitos; e alguns deles passaram a ser correntes no dia-a-dia, como adicionar, blogar, bloquear, bombar, deletar, escanear, formatar, googlear, sextar, postar, tuitar, vazar e zipar…

Entre todos, se fixou o “Deletar”, tradução do inglês ‘to delete‘ – tão importante que tem um lugar especial no teclado universal pela amplitude do seu uso. Traduz-se como anular, apagar, cancelar, desmanchar, excluir, extinguir, suprimir.

O jornalismo atual, surfando na onda prevista por Joseph Pulitzer ao dizer que um dia teríamos “uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta, que formará um público tão vil como ela mesma”, adota a verbosidade ao próprio interesse. É useira e vezeira em usar o “deletar” como apagar, desmanchar, esconder e omitir…

Outro dia, recuperando-me da enfermidade que me levou à cama, folheei anotações feitas no ano passado sobre a implicação do cardinalato católico do Rio de Janeiro na Operação S.O.S, um desdobramento da Lava Jato. E este caso trouxe-me à lembrança o verbo deletar, para a delação premiada de Wagner Augusto Portugal, o ex-braço direito do cardeal Orani Tempesta.

Pela importância de se ligar ao esquema de corrupção implantado pelo ex-governador Sérgio Cabral na Saúde, registrou-se a Cúria pressionando por elevados pagamentos à entidade católica Pró-Saúde, administradora de vários hospitais estaduais do Rio de Janeiro, onde o delator, Wagner Portugal, era um dos representantes.

Seduzida e implicada com as ações criminosas da quadrilha Lula-Cabral no Rio de Janeiro, a Igreja Católica foi investigada por crime de peculato e outras irregularidades, e consta de depoimentos do arquicorrupto Sérgio Cabral.

Tudo neste capítulo da novela sobre a corrupção no Rio de Janeiro foi deletado, o que parece normal num Estado que tem quatro ex-governadores presos por corrupção e num País onde se mexeu com um órgão como o Coaf para favorecer achegados ao poder, onde se cria “juízes de garantia” para ajudar bandidos e se negaceia a abertura da “caixa preta” do BNDES por pressões políticas.

 

 

A VIDA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

                 “A Vida é uma palavra simultaneamente compreensiva e enigmática para os seres racionais” (A. Oparin)

Estudos científicos registram que o Planeta Terra se manteve milhões de anos sem vida após a sua formação; e que graças a fenômenos físico-químicos num determinado momento, surgiram os primeiros organismos vivos.

Pesquisas confirmam que a Terra foi bombardeada por meteoritos carbonosos e detritos de cometas; e continua ainda hoje recebendo substâncias orgânicas alienígenas que, com a poeira cósmica coberta de gelo, formam os hidrocarbonetos responsáveis pelo surgimento de seres aquáticos cartilaginosos.

O que é a Vida? Encontramos entre cientistas e filósofos inúmeras definições. A Enciclopédia Americana registra que nenhuma delas é satisfatória. Na verdade, há quem defenda que todos os reinos da Natureza, animal, mineral e vegetal possuem vida, e existe até quem a vê nas máquinas a combustão, computadores e robôs.

A maioria das opiniões científicas, porém, defende o princípio de que a Natureza se divide entre um mundo inorgânico e um mundo orgânico, isto é, entre a matéria inanimada e os organismos que nascem, se nutrem, reproduzem e morrem.

Aí se consubstancia a definição de vida, segundo a “Teoria Oparin-Haldane”, criada concomitante e independentemente na década de 1920 pelo cientista russo Aleksandr Oparin, nosso epigrafado, e o geneticista inglês J.B.S. Haldane, ambos aprofundando a teoria proposta por Thomas Huxley, no século anterior.

Esta teoria da evolução química, também conhecida como a teoria da evolução molecular, é uma das hipóteses mais aceitas pela comunidade científica para explicar a origem da vida e tornar evidente que na ordem natural o seu fim é a morte.

O sábio Aristóteles na antiga Grécia apontou que a qualidade essencial dos seres vivos é possuir a “Enteléquia”, a base da vida, que tem como termo final a morte. Defendeu a realização plena da potencialidade e da finalidade dos seres vivos no processo evolutivo.

Esta constatação inspirou Voltaire a escrever o seu próprio epitáfio: “O homem é o único animal que sabe que vai morrer um dia…. Triste destino! ”. Li-o no cemitério Père Lachaise, em Paris, com estes olhos que a terra há de comer…

Chegamos ao século 21 com avanços científicos impressionantes levando aos laboratórios as ciências dedicadas ao estudo aos organismos vivos, plantas, animais e seres humanos, aprofundando-se nas questões relacionadas, com a astrobiologia, os vários ramos da biologia, a bioética, a botânica, a citologia, a ecologia, a fisiologia, a genômica e a zoologia.

Estudos enciclopédicos, artigos científicos, exposições, filmes, fotografias e riquíssimos museus mundiais fixam a compreensão das disciplinas que observam a evolução molecular da vida.

O escritor e bioquímico Isaac Asimov, nascido na Rússia e naturalizado norte-americano, reconhecido mundialmente pelos estudos de astronomia, bíblia, matemática e robótica, nos deixou a uma reflexão com uma sensata crítica: “Os criacionistas fazem com que uma teoria pareça uma coisa que se inventou depois de beber a noite inteira”.

Este achincalhe cai como uma luva para quem não se resguarda em interpretar as belas simbologias dos textos religiosos como a Genesis – o primeiro livro tanto da Bíblia Hebraica e Bíblia cristã -, como nos ensinamentos budistas e de Confúcio.

Talvez por isso que Martin Luther King tenha alertado para que “A religião mal-entendida é uma febre que pode terminar em delírio”; e é o que ocorre com o indicado para presidir a Capes – um importante órgão educacional -, um presbiteriano que defende ‘criacionismo’ em ‘contraponto à teoria da evolução’…

Este cidadão quer uma volta à Idade Média enquanto eu, particularmente, volto-me ao que ensinou o sábio Einstein: “Apenas duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana, mas não estou certo quanto a primeira”.

 

 

ÓCULOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

          “Quem não tem colírio usa óculos escuros/ Quem não tem visão bate a cara contra o muro…”   (Raul Seixas)

Os atualmente batizados como “moradores de rua”, sujos, vadios e viciados em drogas, alimentados por falsos humanistas ou ongueiros atravessadores de verbas públicas, nada têm a ver com os românticos mendigos do passado.

Dos mendigos, lembro de um que na Cinelândia se aproximava ostensivamente, estendia a mão e dizia: “Dê-me um óbolo! ”; e outro, que numa reportagem que fiz para a inesquecível “Última Hora”, revelando que usava óculos pretos não para fingir que era cego, mas ver a reação das pessoas a quem pedia esmolas.

O primeiro mostrava cultura usando a antiga palavra grega “óbolo”, designativa de moeda de baixo valor e posteriormente a expressão de esmola; o Papado criou o Óbolo de São Pedro para arrecadar dinheiro para o Pontífice manter pessoalmente a Igreja e auxiliar os pobres.

Aqueloutro, de óculos de lentes escuras, era um filósofo, que deduzia ao esmolar o comportamento humano pela observação.

Sobre a mendicância encontrei certa vez uma passagem com o escritor e novelista francês Jules Sandeau contando que após dar uma esmola na avenida Champs-Élysées viu sob o Arco do Triunfo o mendigo comendo ostras. Estranhando, perguntou-lhe porque gastava assim o dinheiro arrecadado. O mendigo respondeu: “Quando não tenho condições não como ostras, mas como as adoro, não perco a oportunidade de comê-las quando posso”.

Ver o mundo através de lentes leva-nos a meditar sobre o que traz Mateus (13:16.): “Abençoados são os vossos olhos, porque enxergam”. Existem, porém, pessoas que se recusam a enxergar o que se passa à sua volta; o genial Leonardo da Vinci escreveu que “há três tipos de pessoas: as que veem, as que veem quando lhes é mostrado e as que não veem”.

As lentes, instrumentos de óptica que permitem a passagem e a refração da luz. A palavra Lente vem do latim (Lens, lentilha), devido à semelhança de forma entre as lentes de vidro e aquele grão vegetal. Em inglês a palavra Lens significa “cristalino”, pela mesma razão.

As referências históricas sobre o uso de óculos corretivos chegam a 500 a.C.  Em textos do filósofo chinês Confúcio; e também levam ao Antigo Egito, quando se encontram pinturas retratando o seu uso. As lentes corretivas eram feitas com pedras semipreciosas cortadas em tiras finas, com grau para se ver de perto.

A palavra óculos surgiu com o termo (ocularium), na Antiguidade Clássica, usada para designar os orifícios das armaduras dos soldados da época para permiti-lhes ver.

Hoje temos lentes para corrigir problemas de visão de miopia (dificuldade de ver de longe), hipermetropia (dificuldade para ver de perto) ou astigmatismo (dificuldade para enxergar tanto de perto, quanto de longe).

Ao espiar com atenção a realidade é preciso não ser estúpido para cegar diante dos erros que se mantêm e se ampliam ao passar do tempo, principalmente na cena política, onde pessoas não veem o desastre que se avizinha.

O “conchavão” para livrar os bandidos de estimação dos três poderes da República, que são vilipendiados pelos patriotas por copiar em xerox os métodos narcopopulistas que pensamos sepultar quando derrotamos o PT nas eleições.

A derrubada da prisão em 2ª Instância, os juízes de garantia, os “fundos eleitorais picaretas” e o engavetamento dos pedidos de impeachment de ministros abusivos do STF, são elementos comprobatórios do descaminho para onde nos levam as vacilações dos cúmplices da corrupção.

É preciso usar óculos evitando usar aqueles de fundo de garrafa ou dos chamados “olhos grandes” com que os lulopetistas olham o seu objetivo de corrupção e impunidade.

 

OTIMISMO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Um otimista pode ver uma luz onde não há nenhuma, mas por que o pessimista sempre corre para apagá-la? ” (René Descartes)

Sob renováveis regras gramaticais, a língua portuguesa sofreu muitas reformas desde meus estudos da infância e juventude até hoje. Nas aulas de Teoria Geral do Direito, o catedrático da Faculdade Nacional de Direito (e reitor da Universidade do Brasil), Pedro Calmon – modelo de intelectual que é raro atualmente na sociedade brasileira –, ensinava: “tiraram o “P” de Ótimo e de OTIMISMO, mas quando vocês falarem OTIMÍSSIMO, não s’esqueçam dele; é castiço e elegante. Lembrem, é OPTIMÍSSIMO…”

Mostro com isto que a memória que vai se tornando a mais infiel das nossas capacidades mentais quando envelhecemos, ainda me permite lembrar as lições de quem mereceu respeito.

Otimismo é um atributo pessoal de ver as coisas pelo lado bom e mesmo enfrentando complicações, esperar sempre que surja uma solução favorável; há uma escola filosófica que o reconhece como a conciliação entre o máximo de bem e o mínimo de mal, o que traz o melhor possível para todos.

No seu clássico “A Utopia”, o pensador inglês Thomas Morus idealizou uma sociedade imaginária cuja perfeição é o ideal para o bem-estar dos seres humanos, uma visão otimista para o mundo do futuro.

Dicionarizado, o verbete Otimismo é um substantivo masculino. Sua etimologia vem de ótimo + ismo; e do latim (optimus), o que possui muitas “opes“, riquezas, dons, recursos.

Não desejo, nem me preocupo em convencer ninguém com o que penso, mas assumo a minha condição de otimista porque assisti, com estes olhos que o fogo transformará em cinzas, as convulsões populares, a repressão totalitária, ameaças de guerra civil e depois tudo voltando à normalidade.

Ainda menino, acompanhei os meus pais preocupados com a 2ª Guerra Mundial ouvindo pela BBC e pela Rádio Moscou o avanço dos aliados contra as forças nazifascistas e a vitória final. Participei das manifestações populares no Rio, aplaudindo nas ruas o regresso dos heroicos pracinhas da FEB.

Cumprindo o serviço militar ouvi palestras sobre a guerra da Coreia e o seu fim com o armistício que estabeleceu o Paralelo 38; e, mais tarde, o começo, o meio e o fim da guerra no Vietnã.

Com isto, fiquei com ojeriza à guerra e juntei o “ismo” do otimismo ao pacifismo… foi quando aprendi com Churchill que “o pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade”.

O contrário de otimista é pessimista, e os pessimistas são as pessoas que olham tudo pelo lado negativo, imaginando que tudo vai dar errado e esperam

sempre o pior. No meu caso, eu não poderia ser pessimista com as trombetas do apocalipse da mídia globalista anunciando ameaças de guerra mundial por causa da irresponsabilidade do presidente Donald Trump assassinando um dignitário iraniano em Bagdá com fins exclusivamente eleitorais.

Estive acamado enfrentando grave enfermidade, e lutando pela cura tomei conhecimento de que o Itamarati garantiu que o Brasil defende a paz no Oriente Médio e manterá comércio com o Irã.

Consolidei o meu otimismo e tranquilizei-me porque, como disse o general Eisenhower, o mundo pertence aos otimistas: os pessimistas são meros espectadores. Amanhã será um dia melhor!

ACROBACIAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O trapezista morre quando pensa que voa” (Mário Henrique Simonsen)

As acrobacias são movimentos de destreza corporal aos exercícios e às piruetas que realizam no solo e no ar. Diz-se que estes artistas na China e no Japão começam a se preparar após os 5 anos de idade usando anéis, argolas, balanços, pêndulos, pernas de pau, trapézio e rolamentos…

As crianças são acrobatas inatos. Dão naturalmente cambalhotas, paradas de mão e de cabeça, saltos mortais e as “estrelinhas”, indisciplinadamente. A profissionalização vem ao adquirir primeiro a habilidade, depois a técnica e por fim estabelecer a harmonia de equilíbrio e tempo.

O verbete Acrobacia é um substantivo feminino com origem na Grécia Antiga, (Akrobatos), – o exercício de acrobata, seja, o que dançava e fazia jogos de equilíbrio nas mãos e nos pés. Na modernidade designa também manobras de avião, arriscadas e perigosas, com piruetas, parafusos e voos rasantes.

Sinônimos de Acrobacia são inúmeros, como habilidade, astúcia, esperteza, e, figuradamente, virtuosismo, habilidade de efeito, perícia.

Na ginástica acrobática, uma modalidade olímpica, os ginastas mais habilidosos de cada país têm a oportunidade de mostrar quem é o melhor competidor.

Registra-se que estas manifestações de arte se originaram na Grécia no século 5 a/C, quando foram criados os primeiros Jogos Olímpicos. Pinturas rupestres encontradas em vários lugares do mundo indicam, porém, a existência de equilibristas e suas exibições.

Durante séculos, a acrobacia se limitou a apresentações circenses orientais, e no Ocidente a história do circo cita a Idade Média, quando muitos artistas ganhavam a vida fazendo apresentações nas casas de membros da nobreza e nas ruas. Alguns deles viajavam por toda a Europa espalhando sua arte.

É admirável a conquista do equilíbrio corporal. Tal destreza é cultivada mentalmente, com jogos de raciocínio e ilusões de ótica. A humanidade traz exemplos magníficos de personalidades que se destacaram neste campo, os geômetras e filósofos gregos, médicos muçulmanos, Da Vinci, Newton, Einstein…

Do lado negativo, temos atualmente os saltimbancos em toda política mundial, e que no Brasil reproduzem-se, multiplicam-se e propagam-se. Embora fáceis de se identificar escapam à Justiça graças aos seus semelhantes indicados por eles para ocupar os tribunais superiores.

O maior exemplo dessas acrobacias jurídicas foi a decisão do Supremo Tribunal Federal de acabar com a prisão após condenação em segunda instância para favorecer o ex-presidente Lula da Silva, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Esta sentença abriu as portas da prisão para mais de trinta corruptos julgados pela Operação Lava Jato.

Assim, o STF armou sobre o território brasileiro a vasta tenda da impunidade para os assaltantes do Erário, das empresas estatais e dos fundos de pensão. Este cenário circense da criminalidade apresenta um espetáculo que revoltantemente parece ser irreversível pelas novas variações surgidas no trapézio da politicagem.

Tivemos agora a absolvição do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes, notório participante da quadrilha Lula-Cabral que assaltou o Rio de Janeiro. Além dos movimentos acrobáticos de assalto na Olimpíada, dos desvios e obras inacabadas Paes teria cancelado irregularmente pagamentos empenhados no valor de R$ 1,5 bilhão.

Está livre, porém. Até quando a Justiça malfeita abusará da nossa paciência?