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DO JORNALISMO

MIRANDA SÁ (E-mail; mirandasa@uol.com.br)

O analfabetismo reinante na suprema corte de Justiça argumenta sobre o exercício do jornalismo para se defender de críticas e denúncias, atacando protagonistas dos meios de comunicação e expressão do pensamento. Não conhecem a História da Imprensa.

Faço-lhes uma assessoria: “Surgida na Era Mercantilista alemã, a imprensa escrita é capitulada na História com os boletins rudimentares limitados a noticiar a entrada e saída de navios mercantes, o comércio e as finanças. Graças a prensa de Gutemberg, expandiu-se rapidamente indo para a França e a Inglaterra.

Na França assumiu um importante papel político às vésperas da Revolução de 1789. Dois jornais foram editados por Marat, com “L’Ami du Peuple”, e Hébert, com “Le Père Duchesne”, acionados para criticar aristocratas, denunciar o governo e mobilizar os parisienses para as manifestações de rua.

Por eles, a Revolução Francesa garantiu a liberdade de imprensa, incentivando o surgimento de centenas de títulos e opiniões; e assim se espalhou como o “4º poder” mundo a fora. Infelizmente não alcançou o Brasil colonial, onde o seu primeiro jornal, o “Correio Brasilense”, editado em Londres, circulava de forma clandestina na Colônia e em Portugal.

Fundado pelo jornalista Hipólito José da Costa, o Correio adotou as ideias liberais do Iluminismo inglês e cobriu movimentos nacionais como a Revolução Pernambucana de 1817 formando opinião entre a elite intelectual lusitana e brasileira.

A divulgação de ideias pelos jornais subversivos teve entre nós um impulso ligado aos movimentos libertários no Brasil, como a Conjuração Baiana (1798) e a Confederação do Equador (1824). O exemplo mais-do-que-perfeito é a publicação criada em 1823 pelo médico Cipriano Barata, a “Sentinela da Liberdade”, defensora da República.

Barata, como editor, era preso frequentemente e mudava o título do seu jornal aludindo às prisões que enfrentava; assim, criou em Recife a “Sentinela da Liberdade na Guarda do Quartel General” e depois, no Rio, a “Sentinela na Guarita de Villegaignon” ….

Hoje, falar de jornais impressos pouco tem a ver com a Imprensa. Esta engloba todo espectro da comunicação abrindo o leque a partir do telefone, invenção tecnológica de Graham Bell em 1877, que o Brasil foi um dos primeiros países a usá-lo com o apoio do imperador Pedro II.

A seguir, no final do século 19, tivemos a criação do sistema de telegrafia sem fio e a descoberta do rádio creditada ao italiano Guglielmo Marconi. As ondas do rádio, então, empolgaram o mundo.

Depois, no cenário da Informação surgiu a televisão, inspirada na ficção científica das séries cinematográficas de Flash Gordon (1936-1940), uma explosão de futurologia pela adaptação visual das emissões radiofônicas; o personagem transmidiático usava narrativas televisivas.

A tevê, então, consolidou exitosamente a comunicação jornalística por um longo período, até 1969, quando apareceu nos EUA com a ARPANET, método computacional que favoreceu o intercâmbio midiático entre universidades e centros de pesquisa.

Um ano depois seguiram-na, Friendster (2002), MySpace (003), Facebook (2004) e, em 2005, o YouTube. Mais popular entre eles, o Face, antes limitado aos estudantes de Harvard, foi aberto ao público em geral em 2006, introduzindo na web o Instagram e o WhatsApp. No entremeio, foi lançado pelo Google e o Orkut.

O avanço científico e tecnológico favoreceu sobremodo as redes sociais, investindo-as computadorizadamente como a Imprensa da atualidade, democratizada e popularizada pelo telefone. Hoje, quase todas pessoas possuem um celular, usando-o para se comunicar e se informar….

É através das redes que se mantêm a livre expressão do pensamento, a informação correta e a resenha de notícias que critica e denuncia os ocupantes dos andares de cima do poder.

Os Blogs e as mensagens firmaram-se em virtude da degenerescência da imprensa mercenária, que Joseph Pulitzer profetizou escrevendo: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

Por isto, os capas pretas do STF querem calar as redes deletando a opinião pública que enfrenta a ditadura judicial que impuseram a “democracia relativa” criada pelo Sistema corrupto e corruptor.

 

DAS VIGARICES

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

A expressão “conto do vigário” é uma das mais tradicionais da língua portuguesa e significa um golpe engenhoso, baseado na mentira, na confiança e na ganância da vítima.

O folclore brasileiro apresenta muitas versões sobre a origem desta vigarice, sendo a mais conhecida vinda do século XVIII nas Minas Gerais, em Ouro Preto, quando dois párocos disputaram a posse de uma imagem de Nossa Senhora.

O juiz local (possivelmente um gozador) sugeriu que pusessem a estatueta sobre um burro entre as duas igrejas, deixando que o animal escolhesse o destino. O burro se encaminhou para a paróquia de um dos vigários, que pôs a imagem no seu altar. Descobriu-se depois que o animal pertencia a um diácono, auxiliar do vencedor e havia sido treinado para isso. Esta esperteza, não muito cristã, deu origem à expressão.

Na linguagem comum, “cair no conto do vigário” significa ser enganado por uma fraude cuidadosamente planejada. A expressão deu origem também às palavras vigarista e vigarice, usadas para designar quem vive de golpes e trapaças e a sua prática.

Nos grandes centros urbanos, o “conto do vigário” assume formas modernas estudadas pela investigação policial: falsos bilhetes premiados, vendas de produtos inexistentes, ligações telefônicas de supostos parentes em emergência (aqui em casa caímos num destes), falsos funcionários de bancos, mensagens eletrônicas de phishing e anúncios fraudulentos na internet.

Em todas essas vigarices, o golpista procura conquistar a confiança da vítima, criar um senso de urgência e levá-la a tomar uma decisão precipitada.

Mais do que uma curiosidade folclórica, a expressão permanece viva porque descreve um comportamento humano recorrente: a exploração da credulidade, da ambição ou da boa-fé, mostrando que os golpes mudam de forma ao longo do tempo, mas conservam a mesma lógica de enganar para obter vantagem.

O engodo que atrai o incauto é uma oferta desejada, tão boa que se torna irrecusável; está sempre presente na política, principalmente nos discursos de campanha eleitoral dos picaretas.

Para derrubar o lulopetismo vigarista, corrupto e corruptor, apareceu a Operação Lava Jato e o eleitorado derrotou o candidato de Lula, escolhendo um deputado do baixo clero que não tinha aparência de desonesto…. Ledo engano; não parecia capaz de praticar um conto do vigário, mas o fez porque trazia no íntimo a vigarice e alegou a salvação de um filho trapaceiro.

Que DNAs! É de lembrar que o outro trapaceiro,  Lulinha, é filho de Lula, e a travessia dele nas pontes de corrupção que levam ao governo, é incrível. Mesmo depois de descoberto por ter se metido em falcatruas no INSS, não se limitou no assalto aos velhinhos e velhinhas.

Observando os familiares desses polarizadores eleitorais, vemos ao lado deles vigaristas do Executivo, Judiciário e Legislativo, convivendo em todos os andares do condomínio do poder, ocupando as coberturas e usando elevadores privados.

Ali se esconde a história dos respiradores aspirados pelos governadores do Norte-Nordeste na pandemia da Covid, que se tornou insignificante diante do que fez Jacques Wagner, líder de Lula no Senado, mostrando ser um vigário de primeira ordem. Não bastou isto para botar Lula na cangalha dos otários: o seu assessor próximo, Marcola, estava envolvido nas tramoias de Lulinha….

Dos contos -do-vigário tem uma história do folclore urbano que ficou famosa: a do mineiro que comprou um bonde no Rio. Os bondes eram da Light, mas um fazendeiro ingênuo, muito ganancioso, foi enganado por um malandro carioca que lhe “vendeu” um…

A partir daí, temos no mundo da vigarice a palavra Bonde, que na gíria mudou de sentido, passando a significar quem raciocina devagar para resolver um problema, e também, nos subúrbios cariocas, denominando um grupo de amigos, sendo que para os arrastões de delinquentes, chama-se “Trem”.

Assim, diferença entre “bonde” e “trem” como condução, foi aproveitada pelo humorismo, que ligou a picaretagem parlamentar e os seus efeitos na presidência da República, com uma anedota que vendo os dois lados polarizadores, aponta o bonde para os familiares e o trem para os vigaristas.

 

 

 

 

 

ETCETERA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

A casa da minha avó Quininha, mãe de minha mãe, era senhorial; tinha seis quartos, três banheiros internos e dois externos, com uma imensa varanda ao fundo, de onde se via o sítio com árvores frutíferas e canteiros de hortaliças. Ali ficava uma enorme mesa de refeições.

Não havia saneamento; a água era bombeada de uma cacimba, cuja água, testada, era consumível; a cozinha ficava ao ar livre e havia um porão cheio de tralhas. Menino, eu coabitava lá, convivendo num ambiente jovial que contava sempre com a presença de primos e primas e tias solteiras, todos adultos.

Piano, rádio e vitrola alegravam os fins de semana, que começava na 6ª-feira com vovó Quininha sentada na calçada com um barril de bacalhau e um saco de farinha que distribuía com os “seus” pobres.

Descrevo o meu passado infantil para dizer que naquela morada coabitava a cultura da época, os primos velhos de formação acadêmica, entre os quais um escritor, dois jornalistas e um poeta.

Trago daquele tempo a memória de uma anedota familiar corrente; uma narrativa sobre uma prima sertaneja que vinha à casa da avó, na capital do Estado, fazer compras e visitar a parentela.

Conta que ela era muito enxerida e ficava sempre atenta às conversas dos primos. Foi aí que ouviu um deles usar a palavra etcetera, procurou o significado no dicionário e ficou fissurada para usá-la. Então em certa reunião da turma, estava sentada numa cadeira de balanço quando um gato pulou no seu colo e ela repreendeu-o: – “Chô gato, etcetera…”

Como aprendemos na escola, Etcetera é uma expressão locucional que indica continuidade. Significa “…e outras coisas mais”, ou “… e assim por diante”. Escrita tem uma abreviatura, Etc., utilizada ao fim de uma enumeração para sugerir que outros itens semelhantes aos citados poderiam somar-se a deles.

Lembro um professor no Ginásio que alertava que como recurso de economia linguística, o etc. deve sempre terminar com ponto final, e não pode ser usado junto com reticências, nem com a conjunção “e” antecedendo o termo, pois o “e” está implícito em sua etimologia.

A palavra Etcetera, mais conhecida pela abreviatura etc., vem do latim, sendo empregada desde a Antiguidade para evitar enumerações longas e repetitivas. Ao longo dos séculos, a expressão foi incorporada às principais línguas europeias, conservando seu sentido original.

Na literatura, escritores recorrem ao etc. para sugerir continuação, indicando que exemplos semelhantes poderiam ser acrescentados sem necessidade de repeti-los; e, também, a fim de realçar ironia ou humor, insinuando que o leitor já compreende o restante da ideia.

A linguagem coloquial tem no etc. uma frequência constante, empregada para encerrar listas ou indicar continuidade: “estreiteza, estupidez, fanatismo, etc.”. Desse modo, a pequena expressão latina atravessou mais de dois mil anos de História e continua viva na escrita e na fala, permanecendo presente no cotidiano da língua portuguesa e entre nós, no brasilês.

Definindo “o resto”, e “as outras coisas”, o etc. ajudaria muito a censura imposta pela ditadura judicial dos intocáveis que ocupam os andares de cima do poder. Assim, a tradição clássica nos permite avaliar o seu uso atualmente no Brasil.

Vimos, por exemplo, a Justiça do Maranhão condenar em 1ª Instância o jornalista José Fernandes Linhares Júnior a 2 anos e 15 dias de detenção, por publicar em rede social a expressão “Dino, governador vagabundo”.

A condenação seria quadruplicada se José Fernandes tivessem escrito o etc. antes do ponto final, ficando: “Dino, governador vagabundo, etc.”. Como a imaginação voa, será possível pensar que daria prisão perpétua se nas manchetes que trazem: “A esposa de Alexandre Moraes recebeu R$129 milhões de Vorcaro como advogada do Master”, fosse acrescentada a abreviatura etc..

Muito pior, se mexessem com o esquema polarizador do Sistema Corrupto e defenderiam a pena de morte para o tuiteiro que comentasse com o etc. o que se diz por aí:  – “Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para um filme, etc.; e, com Lula falando sobre o assalto do filho no INSS dissesse:  – “Lulinha me disse que era inocente, etc.”.

 

 

DAS CRÍTICAS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Divulgo de algum tempo para cá um pensamento que me ocorreu diante das medidas do poder contra a liberdade de expressão tomadas para esconder as denúncias sobre a desenfreada corrupção governamental.

Os sigilos de cem anos já não bastam. A gente vê escapar até mesmo nos mercenários órgãos midiáticos insinuações sobre autoridades governamentais, juízes de tribunais superiores, congressistas, militares, clérigos…

Acredito e defendo que sem caricaturas, críticas e paródias, não temos a Democracia alardeada pelos que se intitulam seus “guardiães” que, fingindo defende-la, implantam uma ditadura judicial.

Sustento esta posição sentindo o impulso de fazer críticas, abrindo o leque na realidade vivida no dia-a-dia das compras em farmácias e supermercados, dos exercícios físicos, vendo e ouvindo o noticiário televisivo; e, começando por este último, apontar um jornalismo caricato que distorce a informação para propagandear interesses de quem financie.

É triste reconhecer isto, que não merece apenas críticas, mas a repulsa pelo que fazem abordando na telinha fatos do cotidiano. É o que assistimos, por exemplo, na GNews, com debates que nos levam ao comentário de Dora Kramer: – “Alguém precisa dizer à Globonews que quando a militância entra por uma porta, jornalismo sai pela outra”.

Mesmo nos canais importados de jornalismo, BBC, inglês, e do DM, alemão, registram-se visíveis distorções pelas posições globalistas e wokeístas…. Não posso falar da TV-Japan, por que não entendo japonês nem eles fazem a tradução para o brasilês…

Daqui, sentimos revolta em ver a decadência do jornalismo televisivo (e versões televisuais do jornalismo impresso) apresentando debates ensaiados para defender “A” ou “B”, comprovando o mercenarismo na editoria política das emissoras e, muita vez, dos próprios apresentadores.

É lamentável, por exemplo, o silêncio que fazem sobre os julgamentos do STF por juízes comprometidos com as causas em pauta sem se declarar impedidos e corrompendo assim a imparcialidade nas sentenças.

No jornalismo esportivo também se revelou o balcão de compra e venda de opiniões, na Copa do Mundo, ocorrendo em TODAS (em caixa alta) emissoras que divulgaram os jogos; e que continuam defendendo a FIFA, criticada e ameaçada de rompimento pela UEFA.

Saindo da crítica ao jornalismo na tevê, para fazê-la nos documentários deploráveis exibidos nos History I e II, cujos nomes deveriam ser “Anti-History”, por distorcer a verdadeira História, com a presença constante de Hitler, ao ponto de negar a morte dele, inventando que fugiu para a América do Sul.

O suicídio do Genocida nazista e da sua mulher foi comprovado pelo comando do Exército Vermelho que ocupou Berlim, tendo como base vestígios encontrados no “bunker” e dezenas de testemunhos colhidos.

A ‘Anti-História” faz muito pior; divulga as fantasias da empresa “Eram os Deuses Astronautas” com ficções fantásticas enchendo de fantasias a cabeça dos tolos iludindo-os  ilusão de que alienígenas vieram da Constelação de Órion, distante da Terra em aproximadamente 800 e 2.000 anos-luz….

Levando-se em conta que um ano-luz mede, 9.460.730.472.580.800 metros, imagina-se uma ‘tecnologia avançadíssima’ dos Ets que deixaram apenas pedras enfileiradas e garatujas em cavernas, sem deixar nada de avanço científico….

Como acredito que a crítica deve ser negativa e positiva, chego ao Cinema com as duas versões; a negativa, repudiando o uso da propaganda política dos filmes, dois dos quais vindos dos polarizadores eleitorais no Brasil; um, com a louvaminha cretina de “Lula, Filho do Brasil” e outro, no corrompido “Dark Horse” com o perfil enganoso do ex-capitão Jair.

A crítica positiva mostra que há películas políticas sem culto a personalidades, sem exaltar partidos, sem defender ideologias, como assistimos nos clássicos “Nada de Novo no Front” de 1930, pacifista, dirigido por Lewis Milestone; “Tempos Modernos”, de Chaplin, de 1936, crítica à revolução industrial; “Por quem os Sinos Dobram”, de 1943, o drama da guerra civil espanhola, dirigido por Sam Wood; e, “Queimada!, de 1969, de Gillo Pontecorvo, a impactante denúncia do colonialismo.

… E dos filmes políticos recomendáveis, temos a irrefutável resenha histórica do sistema norte-americano “Forrest Gump – O Contador de Histórias”, de 1994, dirigido por Robert Zemeckis e rendeu o Oscar para Tom Hanks,

 

 

 

 

 

 

DA SOBERANIA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

A colisão de egos e desavenças geopolíticas internacionais, típicas de governos medíocres, produzem sérios problemas econômicos que infelicitam as nações. Os conflitos pontuais que assistimos no Oriente Médio e na Europa, são uma prova evidente disto.

Deve-se principalmente ao presidente dos EUA, Donald Trump, a instabilidade no Oriente Médio, marcada por uma guerra contra o Irã, provocou ameaças às rotas estratégicas de exportação de petróleo, com riscos para o abastecimento mundial e pressionando os mercados.

Este confronto ocorre junto as iniciativas de Trump no comércio internacional com a ampliação de tarifas sobre produtos importados e pressões contra diversos países, seus parceiros comerciais. Não satisfeito com as taxas criadas de até 35%, o governo norte-americano impõe mais uma, de 12,5%, sob o duvidoso pretexto de importação de mercadorias que seriam produzidas pelo trabalho escravo.

Isto provocou reações mundo afora, não somente de governos, como de empresas, inclusive dos EUA, ampliando as tensões econômicas globais e aumentando a incerteza dos mercados por afetar redes de suprimentos e ameaçar o desenvolvimento econômico internacional.

Nos 52 países atingidos pela desvario ultra nacionalista de Trump, assistimos diferentes respostas, de cessões ou resistências. No Brasil, com o populismo ocupando o governo, o reflexo envolveu o período eleitoral em curso, trazendo a velha e superada ideologia da “guerra fria” ainda presente na cabeça do presidente Lula da Silva.

Em verdade se diga, Lula não sabe qual é a diferença do Patriotismo e o Nacionalismo, mas a sua esperteza levou-o a instigar eleitoralmente o sentimento patriótico do povo usando a falaciosa defesa da “Soberania”.

Como verbete dicionarizado a palavra Soberania é substantivo feminino derivado do latim vulgar *superanus”, uma evolução de “super”, “sobre”, “acima” ou “no topo”; e representa juridicamente o poder supremo de um Estado ou indivíduo.

Usar o termo Soberania é apropriar-se das definições clássicas de Patriotismo, que vão do amor à pátria, colocando-se em sua defesa, até o sacrifício; ou, confrontando-se com o seu uso demagógico, foi visto por Samuel Johnson como “O último refúgio dos canalhas”.

A canalhice está no uso homeopático do ultra nacionalismo para combater o ultra nacionalismo de Trump; e isto nos leva ao século passado, vendo historicamente a distorção do patriotismo como submissão cega aos regimes dominantes.

No século 20 este quadro mostrou o nazismo defendendo a superioridade racial do “volk” (povo) alemão sobre todos os outros, assumida nacionalmente, quase à unanimidade, graças à propaganda maciça e uma violenta repressão interna.

A degenerescência política do nacionalismo também levou o regime stalinista da URSS a trair o princípio marxista do internacionalismo para enfrentar a invasão hitlerista, institucionalizando o culto à “pátria soviética”.

Na atualidade vemos o país que tem à entrada a Estátua da Liberdade, adotar a política “America First“, projeto fascistóide de construção de um patriotismo performático e excludente, voltado ao culto do comércio supremacista.

Os ecos deste retorno dos EUA à forma degenerada de administrar o poder público para extorquir comercialmente outros países, trouxe ao Brasil a troca da devoção à Pátria pela exploração eleitoral de Lula, cuja popularidade estava em baixa, por causa da corrupção generalizada no governo e os desmandos pessoais dele, preso à memória do peleguismo sindical.

Assim, Lula se iguala ao seus adversários da abjeta polarização incentivada pelo Sistema Corrupto e Corruptor que domina o Estado. Os outros, da mafiosa Famiglia Bolsonaro, com seu  notório primarismo, vestem a camisa da seleção brasileira de futebol para obter vantagem num fictício patriotismo.

Iguais, os populistas auto assumidos ”de direita” e “de esquerda” para trapacear ideologicamente os brasileiros, refugiam-se no sentimento patriótico nacional em proveito próprio. São uns canalhas.

DA XENOFOBIA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Depois de trazer dois artigos sobre o Humanismo e a Humanidade, achei necessário trazer a Xenofobia, que contraria ambas, pois materializa a aversão e até à hostilidade seres humanos diferentes entre si. Com isto, completo uma trilogia antropológica.

Tudo começou no mundo primitivo quando, segundo antropólogos pesquisadores do período pré-histórico da humanidade, os primeiros humanos demonstraram medo ao desconhecido, aos fenômenos da Natureza e às clãs sem familiaridade, o que resultou em estereótipos negativos ao idioma desigual e às culturas distintas.

Isso facilitou a desumanização do “estrangeiro”, manifestada de diversas formas, mas sempre associada as disputas por território, poder ou riquezas.

Atingindo o grau civilizatório, a História registra que na Antiguidade gregos e romanos consideravam os povos além fronteiras como “bárbaros”, enquanto dominavam e marginalizavam nações conquistadas.

Ainda na Europa, com o triunfo imperialista do cristianismo, nasceu o poder da Igreja Católica que, na Idade Média e nos primórdios da Era Moderna, trouxe perseguições religiosas, expulsões de minorias heréticas e o colonialismo com cruéis períodos de discriminação e preconceitos contra povos estrangeiros.

Nos séculos XIX e XX, o extremismo nacionalista e teorias raciais excludentes resultaram em tragédias presentes nas duas guerras mundiais e sacrifícios humanos praticados nos campos de concentração nazistas.

A Xenofobia continua presente atualmente mundo afora, frequentemente relacionada aos fluxos migratórios, às crises econômicas e aos conflitos racistas. Como verbete dicionarizado é substantivo feminino com origem no grego clássico, formada pela junção de dois termos: Xénos que significa estrangeiro ou estranho, e Phóbos, que traduz medo.

De acordo com as ciências sociais, a principal causa das manifestações xenófobas é a permanência no inconsciente coletivo do medo primitivo ao desconhecido, processo que se mantém pela falta de políticas públicas inclusivas.

Assim, a aversão, hostilidade e o repúdio contra pessoas além dos limites da própria circunscrição são condenáveis; torna-se difícil, porém, evitar que se mantenha entre os povos que foram colonizados.

Os processos mentais do inconsciente coletivo foram deixados como herança na África, na Ásia e na América Latina e Caribe, pelos colonizadores europeus responsáveis pelas rivalidades políticas impostas aos nativos.

Deste lado do Atlântico, os conquistadores perpetuaram a Xenofobia na memória dos povos pela exploração econômica, o poder abusivo sob o jugo da governança colonial e a negação da cidadania, da dignidade e da liberdade,

Segundo educadores e historiadores a colonização lembra a usurpação histórica dos direitos individuais, como o fundamento dos movimentos independentistas que promoveram a formação de países republicanos na América do Sul, e mais tarde nas Guianas.

No Brasil, além da exploração de nossas riquezas por Portugal, recorda a distribuição de capitanias hereditárias para os favoritos da corte lusitana, todos ambiciosos e convivas de degredados notórios pela cupidez.

Dos “capitães” escravocratas, veio o coronelato, extensão política da exploração da negação dos direitos humanos, do trabalho semelhante à escravidão e aa cobiça pelo patrimônio público, pela duradoura política familiar em vários estados federativos.

Desta situação surgiu uma irmã gêmea da Xenofobia, a Misoginia, igualmente saída de uma clínica clandestina de abortos; ambas são apadrinhadas por parlamentares corruptos e tendo como madrinha a Justiça, cuja avidez pelo enriquecimento chega à venda de sentenças.

Estas irmãs siamesas maléficas são protagonistas da política wokeísta do populismo da falsa direita e da falsa esquerda, bolsonaristas e lulopetistas, responsáveis pela divisão criminosa da nacionalidade.

Contra isto, precisamos fortalecer a Educação e o diálogo intercultural, para proteger os direitos humanos e promover a convivência fraternal entre os brasileiros originários de etnias diversas.

David Beckham sobre a atuação de Messi

David Beckham sobre a derrota por 2x 1 da Inglaterra para a Argentina, diz que Messi é o MELHOR Jogador de todos os tempos: “O futebol tem uma forma poética de completar suas próprias histórias. A Inglaterra uma vez viu a Mão de Deus… esta noite, testemunhou o Pé Esquerdo de Deus. Messi não só jogou a partida, ele a dirigiu como um maestro liderando uma orquestra. Cada toque era uma frase, cada passe era uma obra-prima, e essas duas assistências foram pinceladas na tela maior do futebol. A gente passa suas carreiras perseguindo a grandeza. Messi passou sua carreira redefinindo-a. Quando a pressão atinge seu ponto mais alto, ele se torna o homem mais calmo no estádio. Esse é um dom que você não pode treinar, não pode comprar, e certamente não pode se defender contra ele. Eu joguei com e contra alguns dos melhores jogadores que esse esporte já viu, mas o que Lionel Messi continua fazendo no palco mais grandioso está além das estatísticas, é um legado escrito em tempo real. Noites como esta não são apenas vitórias; são capítulos na história do futebol. Para mim, o debate acabou. Lionel Messi não é apenas um dos melhores jogadores de todos os tempos… ele é o melhor jogador de todos os tempos.”

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DAS CORRIDAS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

O genial Luís da Câmara Cascudo, intelectual norte-rio-grandense, antropólogo e folclorista, que tive a honra de conhecer pessoalmente, registrou a história da corrida entre o Coelho e o jabuti, exemplo da nossa cultura indígena perpassada pela tradição oral.

A narrativa leva ao Festival dos Bichos onde os organizadores programaram a disputa do Coelho e o Jabuti, com o propósito claro de punir a bazófia do cascudo, lento demais, mas exibido.

Percebendo a maquinação contra si, o jabuti, inteligente, resolveu trapacear o rival orelhudo, cuja velocidade na corrida é imensa, conquistada aos saltos; então, reuniu os parentes, todos parecidos entre si, e mandou-os esconder-se espaçadamente ao longo do percurso.

Iniciada a competição, nos primeiros cento e cinquenta metros, o Coelho, grita: – “Jabuti, onde você está?”; e o parente, que se encontrava à frente, responde: – “Estou aqui!”. Então convencido de que o Jabuti está à sua frente, pois a situação se repetia a cada milha, o Coelho acelera cada vez mais, correndo desembestado até ficar completamente exausto e, no final da corrida, o último dos jabutis atravessa a linha de chegada e é declarado vencedor.

Essa lenda tem muitas variações entre diferentes povos indígenas e integra um rico conjunto de histórias em que o Jabuti simboliza a astúcia e esperteza. É uma pena assistirmos o abandono desses preciosos contos proverbiais silvestres, cuja memória precisa ser preservada.

A mitologia dos povos gentios encantou os jesuítas que vieram com conquistadores, e muitas dessas narrativas foram adaptadas como catequese, ressaltando o martírio de Jesus, a vida dos santos e a doutrina católica.

Na corrida do Coelho e o Jabuti, encontramos uma variável necessária para simbolizar disputas. A História da Humanidade registra o exemplo da Maratona, que honrando a sua memória programa corridas realizadas no Rio aos domingos, no Parque do Flamengo.

É outra lenda, que vem das antigas tradições gregas ligadas à Batalha de Maratona ocorrida em 490 a.C., quando os gregos derrotaram os persas. A narrativa traz à cena o general ateniense Milcíades que, após o feito, encarregou um jovem soldado, Fidípides, de levar à Atenas a notícia da vitória; e a missão era urgente, pois havia o temor de que a população pensasse na derrota e abandonasse a cidade.

Fidípides percorreu cerca de 40 quilômetros correndo e, ao chegar, anunciou aos atenienses na Ágora: – “Vencemos!”, e morreu logo em seguida, exausto pelo esforço.

Embora alguns historiadores contestem esse relato, o feito heroico conquistou o Esporte e inspirou a criação da Prova de Maratona nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, em 1896. A distância oficial de 42,195 km foi fixada posteriormente, em 1908, tornando-se um dos maiores símbolos de resistência, coragem e superação individual.

Vagueando pela memória histórica das lendas e interpretações presentes na cultura popular dos povos mundo afora, reflete-se uma imensa e rica diversidade que devem ser estudadas, divulgadas e preservadas, valorizando sempre o seu valor proverbial.

É triste, porém, que as corridas realizadas pela politicagem brasileira, revela coisas que nos envergonham, sem a astúcia dos jabutis nem o patriotismo de Fidípides. Mostram infelizmente, a falta de ética dos políticos engravatados, fardados ou togados, que ocupam os andares de cima do condomínio do poder.

Esta situação funesta da nacionalidade nos leva novamente às lendas indígenas, com uma delas inspirando o modernista Mário de Andrade a escrever o clássico romance “Macunaíma – o herói sem nenhum caráter”, publicado em 1928.

A corrida de Macunaíma para obter vantagens sem se esforçar para isto, mostra não somente a sua falta de moral, personifica um indivíduo mutável, sem identidade fixa, trazendo os traços dos ancestrais do povo brasileiro.

“Heróis sem nenhum caráter” nós temos de dar e sobrar. O DNA dos aventureiros, dos degredados e dos favoritos da Corte Portuguesa que aqui se assentaram, compõe os indícios emblemáticos da ambição e o oportunismo praticados na polarização eleitoral da Famiglia Bolsonaro e Lula da Silva, populistas corruptos, covardes, imprudentes e mentirosos, que infelicitam a Nação Brasileira. Chega.

 

 

DA HUMANIDADE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Depois de escrever sobre o Humanismo, com mais de 50 notificações aplaudindo o texto, acho que é chegada a vez de escrever sobre a Humanidade, protagonista planetário do avanço humano na marcha pela civilização.

E tudo começou no século 18 com a filosofia de Augusto Comte, o Positivismo, que foi destinado a reorganizar a sociedade após a profunda crise provocada pela Revolução Industrial.

Herdeiro cultural de ascendentes paternos positivistas (meu bisavô Crisanto e meu avô Henrique foram mestres do Templo Positivista no Rio), sinto-me à vontade de falar sobre a matéria.

Comte foi um filósofo francês aclamado literariamente ainda bem moço com sua trilogia semiautobiográfica, “Infância, Adolescência e Juventude”, e na maturidade criou as bases do Positivismo em conformidade com a chamada Lei dos Três Estados: o Teológico, o Metafísico e o Positivo.

O objetivo de substituir explicações baseadas no sobrenatural pelo conhecimento fundamentado em fatos verificáveis, Comte propôs um sistema moral e cívico para preservar os valores de solidariedade, altruísmo e ordem social.

Assim nasceu a Religião da Humanidade que, como o budismo, é uma crença sem um deus humanizado, pondo no lugar simbólico de veneração a “Humanidade”. A sugestão nunca alcançou a dimensão das religiões tradicionais, mas deixou duradouro legado na Ciência Sociológica e na organização das instituições modernas.

Entrando na nossa História, a ideia chegou ao Brasil na 2ª metade do século 19, com enorme aceitação entre intelectuais republicanos e oficiais do Exército, estes últimos sob a influência de Benjamin Constant, professor, e principal articulador ideológico da Proclamação da República, por isto alcunhado de “Fundador da República”.

Após a Proclamação, os princípios positivistas inspiraram a organização do novo regime e marcaram a chamada Primeira República; sua influência permaneceu simbolizada na Bandeira Nacional, no lema “Ordem e Progresso”, inspirado na máxima de Comte: “O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim”.

A intelectualidade brasileira estendeu o Positivismo por muitos anos, associado à defesa da Democracia, dos Direitos Humanos, da Justiça Social e do respeito à Dignidade da Pessoa.

Houve até uma época em que os marxistas brasileiros (Luiz Carlos Prestes, inclusive) traziam ideologicamente matizes positivistas, como hoje os comunistas chineses misturam Marx com Confúcio….

Apesar do Humanismo ser parte programática de diferentes matizes políticas, liberais, social-democratas e democratas-cristãos reivindicando seus princípios, interpretam-no fora do contexto positivista, a organização social para o bem-estar humano, a convivência pacífica, educação integral da cidadania e uma Justiça íntegra.

Vê-se assim que o Humanismo permanece como uma referência ética e filosófica reconhecendo Comte como um dos fundadores da sociologia, pioneiro da ideia de que o conhecimento científico é eficaz para construção de uma sociedade racional.

Mais do que a Filosofia Sociológica, o Positivismo reuniu na Europa e nas Américas todos os conscientes defendendo que o progresso civilizatório da Humanidade seria melhor com o modelo republicano e democrático.

Pena que a mediocridade triunfante leva os atuais chefes de nações europeias ao funesto populismo, aceito pelos povos arrebanhados pela propaganda maciça. Vê-se principalmente entre nós, latino-americanos, levando-nos à definição de Roberto Campos: “O que os governos populistas latino-americanos desejam é um capitalismo sem lucros, um socialismo sem disciplina e investimento sem investidores estrangeiros”.

Pela Geopolítica e a Sociologia não fica difícil avaliar que esta insanidade político-ideológica traz na sua essência o desprezo pelo Humanismo. Não há exemplo melhor do que temos no Brasil: uma estúpida polarização eleitoral com o confronto fingido dos populistas corruptos, a mafiosa Famiglia Bolsonaro e o desonesto pelego Lula da Silva.

DO HUMANISMO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Conhecido dos amantes da leitura pelos romances Guerra e Paz e Anna Karenina, o escritor russo Leon Tolstói fez incursões pela Filosofia e, ao meu modo de ver, foi quem melhor definiu o Humanismo com uma frase antológica: “Se você sente dor, você está vivo. Se você sente a dor das outras pessoas, você é um ser humano”.

O alcance do Humanismo é profundo. Trata-se de uma corrente de pensamento que coloca o ser humano, sua dignidade, sua razão e sua capacidade de agir no centro das reflexões éticas, filosóficas, políticas e sociais.

Como verbete dicionarizado, a palavra Humanismo é um substantivo masculino derivado do latim “humanitas”, termo utilizado na Roma Antiga para designar a formação cultural, moral e intelectual do indivíduo.

A História da Civilização capitula que aproximadamente entre 45 mil e 40 mil anos atrás tivemos a total transição do neandertais para o homo sapiens, após conviverem por um período em que houve contato direto e cruzamentos entre as duas espécies, fato comprovado pela análise de DNA.

Com a evolução civilizatória, o homo sapiens – nós, hoje -, criou a Filosofia e chegou ao Humanismo, uma corrente cultural que torna o ser humano e os valores individuais acima de todas as coisas, tornando-se o centro da vida política e social.

Esta ideia renasceu das mentes iluministas na Europa do século 18, obedecendo ao princípio de que todos os seres humanos possuem direitos naturais, como a vida, a liberdade e a busca da felicidade.

Poucos anos depois, a Revolução Francesa difundiu o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, que se tornou referência para diversos movimentos democráticos.

Atravessando o Atlântico Norte este avanço intelectual influenciou a independência das Treze Colônias britânicas na América do Norte, culminando na Declaração de Independência dos Estados Unidos, de 1776, tendo Benjamin Franklin um dos principais líderes do movimento, ao lado de Thomas Jefferson e John Adams.

Também no Brasil, refletiu a compreensão humanista do Iluminismo, inspirando a Revolução Pernambucana em 1817 e a Confederação do Equador, em 1824, que defenderam os princípios de liberdade, soberania popular, igualdade perante a lei e limitação do poder absoluto. Nossa História destaca a figura ímpar de Frei Caneca, defensor de que somente eleito pelo povo, o poder teria legitimidade.

Embora ambos os movimentos humanistas brasileiros tenham sido duramente reprimidos, deixaram um importante legado para a formação do pensamento liberal, constitucional e democrático no País, chegando na chamada Primeira República com a oficialidade militar, intelectuais e a burguesia urbana que adotaram o lema positivista “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”, materializado na Bandeira Nacional.

É impossível negar que adotando a Democracia como circunstância dos direitos humanos e a limitação do poder do Estado, o Humanismo tornou-se uma doutrina que alicerça o Estado Democrático de Direito.

Assim, estabelecendo que o ser humano é a medida de todas as coisas, o Humanismo destaca a sua dignidade como pessoa, a sua liberdade como razão de ser e seu poder de agir no centro das reflexões filosóficas, éticas e sociais.

Por consequência ideológica o Anarquismo, registra a defesa de uma sociedade sem dominação política e econômica, baseada na cooperação voluntária, na igualdade entre os indivíduos e na fraternidade como fundamento das relações sociais; tendo o contraponto de muitos religiosos humanistas com uma percepção que concilia a fé, a educação e o desenvolvimento das capacidades humanas.

Infelizmente, na política contemporânea globalizada e mediocrizada, o Humanismo sofreu a distorção demagógica do populismo que o dissociou da defesa da liberdade de consciência e de expressão, para utiliza-lo de maneira distinta: cria pessoas de segunda classe, dependente dos governos em vez de dar-lhes os direitos civis.

É isto que vemos no Brasil de hoje; a alternância no poder entre populistas fingindo o enfrentamento, auto assumidos como de “Direita” e de “Esquerda” para iludir quem não aprendeu o que é o Humanismo, nem dar atenção aos direitos humanos.