DA MENTIRA(2)
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Já escrevi um artigo sob este mesmo título. Não sei se no ano passado ou retrasado, porque meus arquivos se foram deletados por um hacker safado que entrou no meu computador em fevereiro….
Lembro, porém, que na pesquisa que fiz para o texto encontrei nos dicionários de gíria e convencionais 53 sinônimos para a mentira, usados de Norte a Sul do País. Encontrei no Rio “Cascata”, nas Minas Gerais “Truta” e em Brasília “Mentirex” …. Na linha dos substantivos compostos, “Mentira Cabeluda”, “Mentira Descarada” e “Mentira Deslavada”.
Dos provérbios, encontramos “A Mentira tem Pernas Curtas”, “É mais fácil pegar um Mentiroso do que um Coxo” e “Mentiras de Caçador ou de Pescador”. A expressão “papo furado” é correntemente usada para designar uma mentira.
Agora temos como modismo “Fake News”, considerado como desinformação para manipular, enganar ou causar danos, mas que não passa de uma maneira específica e estratégica de mentira.
Como base da cultura ocidental influenciada pelas religiões judaico-cristã-islâmica, temos no Livro Gênesis, a narrativa de Adão e Eva como casal primordial que deu origem à humanidade.
É triste constarmos que setores religiosos ortodoxos aceitam esta fantasia que é vista de forma literal ou quase literal, funcionando como fundamento teológico para ideias como o pecado original e a unidade da espécie humana.
Do ponto de vista científico, entretanto, a narrativa é refutada como explicação factual. A biologia evolutiva, a genética e a paleontologia indicam que a humanidade não descende de um único casal, mas de populações ancestrais que evoluíram ao longo de centenas de milhares de anos.
Os mitos originários de antigas crenças religiosas acumulam-se no Oriente Próximo e construídos com base em lendas que atravessaram gerações, sofrendo as modificações para crônicas de fatos, tanto reais quanto fictícios, transmitidos pela oralidade.
Na religião, as “mentiras” assumem formas complexas: nem sempre são fraudes, mas simbolismos e alegorias presentes tomadas discursivamente nos cultos como verdades absolutas pelos sacerdotes que se apresentam como detentores da verdade.
Assim, ao longo da história da civilização, desde priscas eras, a mentira não aparece apenas como erro ocasional, mas como instrumento estruturante de poder, crença e interpretação da realidade.
Na política, segundo estudiosos independentes de pressões ideológicas, a mentira frequentemente assume forma estratégica. Filósofos como Hannah Arendt já observaram que verdade e política mantêm uma relação tensa, na qual a mentira pode ser tratada como ferramenta legítima de ação.
As grandes mentiras da civilização não são apenas falsidades isoladas, mas construções coletivas: histórias repetidas, interesses defendidos e crenças cristalizadas. Elas revelam menos sobre a realidade objetiva e mais sobre as necessidades humanas de poder, sentido e pertencimento — mostrando que, muitas vezes, a fronteira entre verdade e mentira é também uma disputa histórica.
Lembramos que com a sutileza de um elefante invadindo loja de louças, o ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, orientou os agitadores do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães afirmando que “a mentira quanto mais repetida, mais se aproxima da verdade.”
Há muitos discípulos de Goebbels entre nós; marqueteiros eleitorais explorando dados e fatos para encontrar a “grande mentira” que se transforme em verdade na superficialidade da estupidez.
No Brasil as ideias são simplificadas ou distorcidas demagogicamente em expressões como “Direito de Todos”, “Fim da Fome”, “Soberania Intocável” e “Dentro das quatro linhas da Constituição” mentiras que se repetem e se transformam em slogans.
Nenhum exagero nesta forma de fake news orquestrada em campanhas digitais para a desinformação em massa. De um lado vê-se Lula disseminando tais inverdades como mentiroso confesso, pois disse que inventava números em entrevistas no Exterior.
Do outro lado tivemos Bolsonaro repetindo “N” vezes defender o Estado de Direito enquanto conspirava um golpe, arrastando seus fanáticos seguidores para ocupar Brasília.
Felizmente, as redes sociais tornaram difícil enganar a todos todo tempo; por isto não é por acaso que o Sistema Corrupto quer impor a censura para calar a opinião pública.
DAS REVOLUÇÕES
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
É brilhante, sem dúvida, o livro “Do Espírito das Leis” escrito em 1748 (!) pelo filósofo, escritor e político francês, Charles-Louis de Secondat, que gravou o nome na História do Direito como Montesquieu.
Teórico da separação dos poderes políticos – Executivo, Legislativo e Judiciário -, defendeu o equilíbrio de poder como forma de evitar o despotismo, garantindo as liberdades civis. Na minha época estudantil o idealismo dos acadêmicos de Direito encontrava em Montesquieu os princípios republicanos e democráticos almejados.
Este objetivo nos levava a defender o enunciado do pensador iluminista: – “Não há tirania mais cruel do que aquela que se perpetua sob o escudo da lei e em nome da justiça”.
Hoje, passado tanto tempo das aulas no anfiteatro da Faculdade Nacional de Direito, o ideal pelos valores éticos e morais da política se mantém, revoltando-nos ao assistir no Brasil um Tribunal, o STF, romper com a harmonia dos poderes em defesa dos interesses pessoais de alguns dos seus membros.
… E faz isto em “defesa da Democracia’ sob este pretexto extremamente abstrato, apunhalando-a pelas costas ao ferir as liberdades civis com a volta da censura.
Calar a opinião pública argumentando que o faz para “defender” a Democracia não é o único punhal, havendo outros, muitos mais do que os 23 que abateram Júlio César nos idos de março…. Esta contradição dialética assume proporções maiores, com a perseguição aos seus críticos e a blindagem corporativa dos corruptos nas altas esferas do poder.
Isto nos leva a divagar sobre o curso da História, encontrando tribunais ilustrando o Direito em várias culturas e épocas diferentes. Como verbete dicionarizado, Tribunal é um substantivo masculino de etimologia latina, “tribunal”, palavra originária de “tribus“, a jurisdição primitiva dos romanos.
Como órgãos decisórios, os tribunais se compõem de um ou de vários juízes que julgam conjuntamente; estes protagonistas intitulam-se magistrados que emitem sentenças; no Brasil, coletivas em plenário e, infelizmente, monocraticamente, levando a erros incorrigíveis.
No perder dos tempos, o Tribunal foi a cadeira onde se assentavam os monarcas. Ficou então famoso o julgamento do rei Salomão, envolvendo duas mulheres em disputa pela maternidade de um bebê, ambas alegando ser verdadeira mãe, após a morte do outro bebê.
Salomão sacou duma espada e propôs dividir a criança ao meio dando uma banda para cada; a mãe genuína implorou pela vida da criança, propondo que se entregasse o bebê à outra; diante disto, o Rei viu o instinto amoroso materno revelado e em juízo entregou-lhe o filho. Este julgamento relatado na Bíblia (1 Reis 3:16-28), tornou-se o símbolo da Justiça ocidental.
Em contrário da Justiça boa e perfeita, temos também o julgamento de Jesus Cristo no Sinédrio, presidido pelo sumo sacerdote Caifás, como os Evangelhos relatam; ali se consumou uma sentença irregular, com acusações de falsas testemunhas por blasfêmia, por declarar-se “Filho de Deus”.
Como os fariseus não tinham autoridade para aplicar a pena de morte, levaram Jesus a Pôncio Pilatos, governador romano. Pilatos, mesmo percebendo a ausência de crime contra o Estado, cedeu à pressão da multidão incitada pelos escribas, contemporizando ao transferir a decisão para o rei Herodes. Este fez apenas chacota com Jesus e o mandou de volta a Pilatos. Este, enfim, lavou as mãos e autorizou a crucificação.
Ao longo da História os tribunais e suas sentenças variaram conforme os conflitos entre as ideologias e a Ciência do Direito. Registram-se tribunais de exceção que deslustraram a Revolução Francesa na Era do Terror (1793–1794); e, no século passado, se estabeleceram nos regimes totalitários da Alemanha nazista, no fascismo da Itália, Hungria, Espanha e Portugal, e na URSS stalinista.
O século das ideologias extremistas deixou uma triste herança no mundo e particularmente no Brasil. Pesquisas de opinião mais recentes revelam um cenário de forte desgaste na imagem do STF perante a população brasileira, tendo a avaliação negativa da Corte atingindo recordes.
A Nação percebe, como mostra a maioria dos entrevistados (60%), que é real a desconfiança sinalizando a perda de credibilidade institucional da alta corte de Justiça. De concreto, pelo fim das CPMIS do INSS e do crime Organizado, refletindo a parcialidade de julgamento em favor dos corruptos e corruptores do sindicalismo lulopetista, e dos cúmplices do Banco Master.
Fica temível desta maneira a concentração de poder em onze juízes, interferindo no Legislativo por submissão dos seus dirigentes que usam tornozeleiras virtuais da ameaça de condenação por crimes praticados.
Nesse contexto, verifica-se um sentimento difuso de descontentamento e incita a rebelião sem um poder que freie outro poder, e que sejam constituídos em harmonia. Do jeito como está, leva-nos a Machado de Assis: – “As ocasiões fazem as revoluções”.
DOS OSSOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Quando menino, menino mesmo, de 8 a 9 anos, era fascinado pela pirataria, já diferenciando corsário de pirata e aceitando posturas, pernas-de-pau, tapa-olho e mão de gancho…. A magia, porém, que me encantava era a ameaçadora bandeira negra com a caveira e os dois ossos cruzados.
Duas curiosidades sobre este símbolo: Na Bíblia, o Gólgota (local da crucificação de Jesus), é traduzido como “Lugar da Caveira”; e a história o registra numa antiguidade mais remota do que seu uso pelos piratas, cuja bandeira era uma mensagem exigindo rendição ou morte.
Nas vitrines da Arqueologia exibem-se ossos e caveiras que ao lado de joias de ouro e pedras preciosas representam uma riqueza da pesquisa científica. Tive a oportunidade como correspondente nos países andinos e América Central de visitar museus que dedicam imensos espaços expondo ossos de naturais e conquistadores.
Na Europa medieval, no período das Cruzadas, tornou-se comum conservar e exibir ossos de santos em igrejas como relíquias sagradas. Tão grande foi a demanda por essas “relíquias” que a competição entre as paróquias por prestígio e visitantes, gerou abusos, incluindo falsificações e comércio ilegal.
Embora com alardeada cultura milenar os europeus preservam ainda hoje em igrejas e santuários, ossos humanos reconhecendo-os como testemunhos da fé e os mantendo para estimular a devoção religiosa.
Na Basílica de São Pedro, em Roma, acredita-se que estejam sob o altar principal os restos do apóstolo São Pedro…. E, como um dos motivos da revolta protestante, a Catedral de Colônia abriga o relicário dos Três Reis Magos, uma fantasia que poderia constar dos Contos das Mil e Uma Noites…
A cinematografia também dá lugar aos ossos. É de citar o filme de Phillip Noyce, “O Colecionador de Ossos” um thriller policial que traz no elenco principal: Denzel Washington, Angelina Jolie, Queen Latifah, Michael Rooke.
É primorosa a atuação de Denzel Washington no papel de Lincoln Rhyme, um policial que sofreu um acidente, deixando-o tetraplégico e, na cama, torna-se criminologista notável. No enredo, faz parceria com uma policial novata, Amelia Donaghy (Angelina Jolie), e em conjunto perseguem um meticuloso serial killer que deixa pistas enigmáticas e ossos de suas vítimas.
Os cinéfilos sabem que esta película está à altura dos clássicos de Alfred Hitchcock, “Disque ‘M’ para Matar”, “Festim Diabólico”, “Janela Indiscreta” e “Um Corpo que Cai”; e em paralelo ao excelente “O silêncio dos inocentes”, de Jonathan Demme.
No campo das novelas brasileiras tivemos na década de 1970 “Os Ossos do Barão”, produzida pela TV Globo totalizando 120 capítulos. Escrita por Jorge Andrade, teve como diretores Régis Cardoso e Gonzaga Blota.
A trama retrata a decadência da aristocracia rural paulista (os donos de terras cafeeiras) e ascensão social do imigrante no início do século 20. Um deles, italiano enriquecido, compra a Fazenda Jaraguá onde estão enterrados os ossos do antepassado da família nobre, o Barão de Jaraguá.
Temos no teatro clássico a famosa cena de “Hamlet” em que Shakespeare utiliza uma caveira como instrumento dramático. O príncipe volta à casa paterna de sua jornada e passa por um cemitério onde se surpreende com o coveiro cantando enquanto cava. Na proximidade de uma sepultura, vendo um crânio insepulto, Hamlet abaixa-se e pega-o, ouvindo do coveiro: – “Esse crânio aí, senhor, esse crânio aí, é o crânio de Yorick, finado o bobo do rei”. Isto lhe traz à cabeça recordações da infância, do bufão que muito lhe fazia rir….
Das lendas literárias, uma diz que Shakespeare tinha uma caveira sobre a mesa quando escreveu “Ser ou não ser: eis a questão” e ainda sobre o tema, lembro uma passagem em que hospedando-me no apartamento de um amigo, encontrei numa espécie de altar uma caveira e uma frase “Fui o que és, serás o que sou”, o que me levou à reflexão e encontrei-a citada como um dos epitáfios mais antigos do mundo, muitas vezes em latim, “Sum quod eris, fui quod es”.
No livro “Preparação para a Morte” de Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Igreja, há um capítulo dedicado a um ermitão que mantinha uma caveira com esta frase, para lembrar da brevidade da vida.
Refletindo sobre a brevidade da vida, lembremos que a caveira sobre tíbias cruzadas é hoje o símbolo universal para indicar substâncias tóxicas, venenos e riscos elétricos graves; e deveria estar na fachada do edifício do poder político brasileiro, sugerindo o “memento mori” (“lembre-se de que vais morrer”) para os ocupantes dos andares de cima que se julgam imortais…
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DO FANATISMO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Peço humildemente aos que acessarem este artigo para ler, reler, analisar e refletir sobre o pensamento de Nietzsche, que considero uma metáfora perfeita para ser aplicada na conjuntura política atual: “Aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos pelos que não podiam escutar a música…”
Da minha parte, encontro o simbolismo primoroso sobre a origem do fanatismo que alimenta a nojenta polarização populista da falsa direita e da falsa esquerda: é a surdez enfermiça das massas para o grito acusatório; e a audição entusiasta dos que ouvem a percussão e o ritmo da verdade.
Para os religiosos, lembro que a Bíblia expõe o fanatismo como um desvio da verdadeira fé; lição mal entendida pelos fariseus e escribas hipócritas politiqueiros de denominações cristãs que interpretam em proveito próprio textos das Escrituras, incentivando posturas fanáticas.
Em vez do equilíbrio e do discernimento, muitos misturam religião e política adotando a intolerância como temos assistido no Brasil. E desta salada mista nasce a psicopatia do fanatismo criando o culto da personalidade de líderes políticos.
A historicidade do fanatismo marca o extremismo político com a tatuagem indelével dos regimes autoritários com a sua mobilização ideológica. Esses sistemas políticos retrataram no século passado o fanatismo coletivo associado ao uso intenso de propaganda. Assim se viu no regime hitlerista alemão semelhante ao fascismo mussoliniano e na URSS sob Joseph Stalin.
Mostrou-se então uma adesão quase religiosa à ideologia reinante, e a História registra em arquivos, discursos, registros de propaganda cinematográfica, testemunhos de sobreviventes e estudos acadêmicos.
A submissão das massas às ideologias radicais surge, cresce e se mantém pelas crises sociais, econômicas e políticas; e não surgem isoladamente. Uma e outra são induzidas pela manipulação demagógica de um lado e reprimindo sistematicamente protestos surgidos da indignação popular contra o arbítrio.
Com bandeiras e slogans, explora-se o nacionalismo exacerbado e a exigência simbólica de lealdade à Pátria, como fizeram (e fazem) os regimes totalitários, estimulando o fanatismo num contexto discursivo. A propaganda massiva onde as palavras, expressões e frases impostas pela repetição são aceitas inconsciente e mecanicamente, como bem expressou o professor doutor Victor Klemperer, analisando a filologia do nazismo.
Sabemos que não é fácil para as gerações pósteras da “guerra fria” compreenderem o que ocorreu nas ditaduras ideológicas da direita e da esquerda, fascismo, nazismo e stalinismo. Para isto é essencial recorrer às pesquisas de fontes documentais da época; por isto, muitos historiadores destacam a importância de evitar interpretações falsas divulgadas ideologicamente por extremistas.
No Brasil, essas interpretações são superficiais, mas enganam muitas pessoas que confundem os conceitos de direita e esquerda com os populismos bolsonarista e lulopetista; mas não é difícil ver-se a substituição das ideologias conservadora e progressista pelo populismo na polarização eleitoral entre a Famiglia Bolsonaro e o Lulopetismo.
Neste embate fraudulento, se redefine os conceitos ideológicos substituindo-os pelo populismo assistencialista da falsa Direita e d falsa Esquerda, baseado em narrativas emocionais e esmolas eleitorais que viciam e estimulam a preguiça das massas.
Quanto ao “lulopetismo mascarado de socialismo”, lembro Rosa de Luxemburgo refletindo que “com homens preguiçosos, levianos, egoístas, irrefletidos e indiferentes não se pode realizar o socialismo”, a esta reflexão acrescento “e os que se vendem ao assistencialismo populista não sobreviverão no mundo do trabalho”.
Da outra perspectiva, a “direita bolsonarista” adotou, não um governo conservador, mas o nepotismo familiocrata baseado e apoiado por uma espécie de “sindicalismo militar-policial” e voltado unicamente para os Bolsonaro, como se viu na derrubada da Lava Jato para salvar filhos delinquentes.
Os dois polos, Famiglia Bolsonaro e Lula, centralizadores e arbitrários, são sustentados pela enganadora dicotomia de falsas “direita” e “esquerda”, uma distorção dos significados originais e transformados apenas em instrumentos retóricos.
Fortalecido pelo fanatismo, este esquema populista dificulta e muitas vezes obstrui a convivência democrática e o desenvolvimento econômico; mas o que importa aos fanáticos são os ganhos imediatistas proporcionados pelo Sistema Corrupto que manipula os fantoches que eles cultuam….
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DAS FARSAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
A farsa e os farsantes têm um capítulo reservado na História da Civilização. Como os brasileiros atravessamos um período recheado de imposturas e trapaças, é preciso ativar todos os sentidos para enfrentar as fraudes registradas na Era Lulopetista. Até na ciência tivemos o embuste da tomada de três pinos…
Fraudes políticas assumem várias formas: Desvios de fundos públicos bilionários; pagamento de propinas e subornos; manipulação de eleições e resultados; e uso de instituições públicas, principalmente do campo financeiro, para benefício pessoal ou de grupos privados.
Recordemos o escândalo político que estourou nos Estados Unidos levando um presidente da República a renunciar ao mandato. Foi em 1972, envolvendo agentes da campanha de reeleição de Richard Nixon que realizaram um plano de espionagem contra os democratas. Está capitulado como “Caso Watergate”.
No cenário das finanças, tivemos um caso que o Departamento de Justiça dos EUA descreveu como “o maior caso de cleptocracia até hoje”. Ocorreu em 2009 na Malásia, com a criação do fundo estatal 1Malaysia Development Berhad que redundou num gigantesco caso de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de mais de US$ 4,5 bilhões de um fundo de investimento estatal entre 2009 e 2015.
Hoje, surgido o caso do Banco Master no Brasil, o Departamento de Justiça dos EUA já não consideraria o desvio e gastos do Malaysia o “maior caso”, porquê aqui tivemos o mesmo financiamento para influências políticas, infiltração de advogados na alta Corte de Justiça, promoção de festividades com autoridades governamentais e corrupção da mídia.
Cá, como lá, chegou-se a bilhões em moeda corrente, desviados por meio de empresas offshore e contas pessoais. O Banco Master é um esquema fraudulento com impacto sistêmico nacional, condenado pelo Banco Central e investigado pela Polícia Federal.
Analistas livres das rédeas ideológicas, comentam que esta situação criminosa exige uma operação como a que foi executada pela Lava Jato em 2014, cujo impacto pelo pagamento de propinas e lavagem de dinheiro manteve um gigantesco esquema de corrupção.
Lembremos que as investigações da Lava Jato, condenada e deletada pelos populistas corruptos de “direita” e de “esquerda” implicados com a corrupção, esbarrou em interesses político-familiares no governo de Jair Bolsonaro mostrando que a “direita bolsonarista” é uma farsa que confunde família com nepotismo para defender a criminalidade filial…
Hoje, a delinquência envolve magistrados, militares e políticos, num cenário em que assistimos o assalto aos aposentados e pensionistas do INSS, em conexão com as fraudes do Banco Master.
Encontra-se na cena do crime as digitais de alguns poderosos, mostrando o porquê da cumplicidade que se estende na conjuntura nacional. Temos o Complexo STF-Lula que acoberta a delinquência; para o Presidente, livrando o filho Lulinha, envolvido até o pescoço no assalto ao INSS; e, para certos membros do STF, MPF e AGU, a tentativa de esconder seu envolvimento nas tramenhas de Daniel Vorcaro, principal executivo do Banco Master.
O protagonismo da banda podre do poder na degenerescência dos costume e da ética nacionais se acomoda nos andares de cima de forma ampla, geral e irrestrita; e isto não pode continuar sem uma investigação, o trabalho da inteligência policial na repressão aos maus feitos criminosos, como quiseram e sentenciaram os togados do STF.
Os escândalos se acumulam em contêineres cheios de testemunhos e provas; e agora é esperada uma delação completa de Vorcaro incluindo possíveis fraudes envolvendo o BRB (Banco de Brasília), o INSS e nomes de personalidades políticas envolvidas.
Vamos ver até onde terão continuidade as farsas escancaradas na volta de Lula ao poder, percorrendo o caminho capinado por Jair, que acabou com a Lava Jato para salvar Flávio e manter a imunda polarização com o lulopetismo.
Combater a polarização, entretanto, não comporta mais uma farsa. Lançado pelo PSD candidato à presidência da República, Ronaldo Caiado, governador de Goiás, se assume em discurso como inimigo da polarização; mas foi comprometedor silenciar num discurso de 42 minutos sobre a corrupção reinante nos poderes republicanos….
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“GUERRA É GUERRA”
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Tenho revelado nos meus posteres a minha defesa intransigente da Paz Mundial como forma de mantermos as conquistas da civilização e a própria existência humana. Não esqueço o alerta feito por Einstein, dizendo que: – “Eu não sei como será a 3ª guerra mundial; eu só sei que a 4ª guerra será com paus e pedras”.
Apesar desta tomada de posição pacifista que conservo deste a adolescência, é-me impossível deixar de aceitar e estudar o conjunto de fatos e coisas provocados pelo conflito bélico movido pela aliança dos EUA e Israel contra o Irã.
É importante reconhecer que a guerra está presente na região que concentra parte significativa das reservas globais do petróleo, e que os confrontos afetam diretamente a produção e o transporte deste insumo, reduzindo a oferta internacional.
Historicamente, crises energéticas e conflitos internacionais sempre estiveram associados ao controle dessa fonte que representa cerca de um terço da oferta mundial de energia.
Intensificam-se nesta guerra do Oriente Médio os bombardeios recíprocos às infraestruturas petrolíferas aumentando os riscos de interrupção no fornecimento e elevando o preço do barril de petróleo que vem oscilando entre 100 e 120 dólares; e a situação piorou ainda mais com o bloqueio do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — ampliando a instabilidade dos mercados energéticos.
O modelo energético baseado no petróleo e seus derivados, se consolidou ao longo do século 20 como eixo central do desenvolvimento industrial e econômico global, impulsionando transportes, indústria e geração de energia; e os combustíveis fósseis predominam, representando cerca de 86% da matriz energética.
Assim, o aumento do custo do petróleo tem uma forte relação entre a energia e a geopolítica no mundo contemporâneo, transparecendo a grande dependência estrutural nas nações e os impactos ambientais relevantes no mundo.
Como a dependência do petróleo segue dominante, enfrenta pressões crescentes por sustentabilidade, inovação e diversificação no cenário global; e dessa maneira vemos, sem surpresa, que nos países conflitantes e na Europa as consequências da guerra que Trump e Netanyahu movem contra o Irã e o Líbano são imediatas e previsíveis.
Adotam-se lá medidas pertinentes com a realidade, reconhecendo o inevitável aumento no preço dos combustíveis; ações de governo que poderíamos seguir, mas entre nós ocorre a imprevisibilidade, graças ao ano eleitoral que leva o Governo Federal a se preocupar unicamente com a reeleição de Lula da Silva.
Sofremos a situação factual do fim das ferrovias no Brasil e a adoção do transporte rodoviário de cargas, fazendo dos derivados de petróleo a base para o escoamento da produção agropecuária, das exportações e na indústria de alimentos.
Não adianta lamentar que a Petrobras não tenha construído refinarias e quando se pensou nisto foi com a lamentável parceria do anterior Governo Lula e a ditadura venezuelana, no projeto desastroso e corrompido da Refinaria Abreu e Lima.
Do ponto de vista econômico, até a China e seu regime socialista aceitam que o petróleo é uma commodity estratégica, influenciando preços, balanças comerciais e relações geopolíticas entre países produtores e consumidores.
Por isto não deve ser tratado por uma medida pontual, como esta que o Governo Lula deseja, argumentando que haverá uma estabilização se os estados denunciarem à cobrança de impostos. A verdade é que a alta do petróleo se estenderá por muito tempo e não terminará em maio, como alegou Haddad antes de se despedir do Ministério da Economia….
Diferentemente do que querem os eleitoralistas pró Lula para sua reeleição a qualquer custo, os governadores também eleitoralistas entram em choque com a proposta argumentando que é para manter a renda que lhes resta para os seus estados….
“Guerra é guerra”, diz a piada sobre a madre superiora; “eleição é eleição” e “populismo é populismo”, digo eu.
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ESTÚPIDA POLARIZAÇÃO
MIRANDA SÁ (Email: mirandaasa@uol.com.br)
Impor a polarização eleitoral dos extremistas da falsa direita e da falsa esquerda pela massiva propaganda midiática, visa alcançar (e alcança) a massa ignara, torcedora compulsiva e entusiasta dos folclóricos cordões azul e encarnado….
Está na torcida organizada dos clubes de futebol, entre os seguidores dos reality shows, nas apostas dos cavalos de corrida e até fiéis de seitas religiosas misteriosas, o exemplo mais do que perfeito da estupidez humana.
Por mais que se procure explicar é impossível encontrar-se como fruto do pensamento filosófico ou de princípios ideológicos; é a essência do fanatismo de pessoas fracas, aptas a se deixar influenciar por meio de expressões e frases feitas e repetidas que terminam aceitas inconsciente e mecanicamente.
Foi como viu a implantação do nazismo na Alemanha o professor doutor Victor Klemperer, judeu alemão, autor de obras acadêmicas, entre elas LTI -Lingua Tertii Imperii, estudo sobre a linguagem propagandística de Hitler e seus asseclas.
O mesmo vem ocorrendo rotineiramente entre nós pelos polarizadores eleitorais, o pelego sindical Lula da Silva e a “Famiglia” Bolsonaro. Assiste-se, de um lado a exposição fraudulenta de uma direita de araque bolsonarista que seduz ignorantes e, do outro, um socialismo ilusório que mascara o populismo assistencialista do lulopetismo.
Uma sociedade onde a justiça e a fraternidade imperem – sem privilégios, nem personalismos -, deve afastar-se deste artificialismo político baseando-se unicamente nos ideais democráticos de liberdade e justiça.
A intelligentsia mercenária dos dois partidos sabe disto. Não é por acaso que a sua propaganda instiga e persuade os falastrões auto assumidos de “direita” e de “esquerda” a ouvir e obedecer – sem discussão – os discursos que se repetem e se igualam com ataques recíprocos.
Apenas trazem como ilustração a proposta de “reformas” que, ao chegar ao poder (e tempos vários exemplos disto), praticam uma má política e uma economia dirigida que só atendem a interesses de indivíduos e grupos associados ao poder; e os financistas corruptores são os mais aquinhoados.
Provocam dialeticamente o surgimento de uma corrente filosófica centro-democrática, posicionando-se contra os extremismos bolsonarista e lulopetista manobrados pelo Sistema Corrupto ágil no ilusionismo para o controle da mente. Viu-se agora essas bandas igualarem-se no Caso Banco Master.
O comportamento das pessoas que compuseram social e politicamente o esquema sórdido de Daniel Vorcaro que, descoberto e denunciado, trouxe à tona ocupantes dos andares de cima do poder.
Executivos governamentais, militares, magistrados e parlamentares, desonestos, infames e indignos, agruparam-se para dividir o butim; e queiram ou não queiram seus defensores, podemos reconhecer-lhes como formadores de uma quadrilha.
O filósofo e sociólogo alemão Friedrich Albert Lange, no século 19, já alertava contra os radicalismos extremistas, que se combatem como forma de se manter. Isto fica claro e leva os polarizadores, iguais pelo avesso, à desmoralização, provocando a ideia de uma “terceira posição” ou “terceira via”, assumida por idealistas; e isto traz inegavelmente a simpatia da centro-direita e da centro-esquerda, indispostas com o extremismo discursivo da polarização.
Do ponto de vista filosófico e sociológico, esta “terceira posição” expressa a busca pelo equilíbrio político, a tentativa de escapar do conflito binário que tende a radicalizar a vida pública.
Fica valendo, assim, a máxima latina “Virtus in medio” (ou in medio stat virtus) que literalmente significa “a virtude está no meio”, indicando que o comportamento virtuoso evita os extremos e busca o equilíbrio entre excessos opostos.
Na minha opinião, faz-se necessária a terceira posição defendendo a moralização institucional, mudanças urgentes na administração pública alcançando os três poderes republicanos e a aplicação de consultas plebiscitárias nacionais sobre as reformas de base.
Fica lançada dessa maneira a proposta de uma democracia social autêntica e não dos socialismos utópicos de direita e de esquerda dos populistas. Definiremos com a nova ordem a verdadeira justiça social pelo amparo à educação, saúde e segurança para a cidadania, baseados nas leis da Natureza e da própria sociedade.
Quem tem os neurônios sadios, sem estar inoculado pela droga da estúpida polarização, sabe que não é fácil defender o Centro Democrático; é, todavia, um imperativo das consciências libertas do relativismo demagógico.
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DAS DROGAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Segundo a mitologia greco-romana, arte de curar com drogas preparadas com ervas medicinais se deve ao filho do deus Apolo com a mortal Corônis, Esculápio, abandonado pelos pais e criado pelo Centauro Quíron.
Seu nome latino deriva do grego Asclépio. Segundo a mitologia ele aprendeu a arte de curar com o seu tutor e passou a atender enfermos com remédios simples, fazer cirurgias até ressuscitar mortos. Postas no Panteão, as suas insígnias eram a serpente ao redor de um bastão, figura que nos círculos médicos e farmacêuticos vigora até hoje mundo afora.
Conta a lenda que Zeus – o rei dos deuses – ficou enciumado pelos triunfos obtidos por Esculápio e matou-o com um raio. Pela subversão da ordem natural das coisas, após sua morte, ele foi recebido no Olimpo como um deus….
Também da antiga Grécia reverenciamos a presença de Hipócrates de Cós (c. 460 a.C. – c. 370 a.C.) médico grego da era de Péricles reconhecido no mundo ocidental como o “Pai da Medicina”. Vigorava com Sócrates a Filosofia e a arte teatral de Sófocles e Eurípides.
Talvez não ensinem hoje a vida de Hipócrates que, segundo seus biógrafos, revolucionou a Medicina ao separá-la da superstição, da magia e da religião, estabelecendo-a como uma disciplina científica baseada na observação clínica.
Nas suas anotações trouxe várias citações sobre o tratamento medicamentoso usando remédios, fármacos, medicações e drogas preparados por plantas medicinais, como o ópio, a mandrágora e a beladona.
Hipócrates também deixou um importante legado, seu famoso Juramento, recitado ainda hoje por todos os formandos de Medicina dos países europeus e os países por eles colonizados…. O Juramento é um documento ético que estabelece os princípios da conduta médica e a responsabilidade profissional.
Ao longo da minha vida conheci médicos que cumpriam o Juramento, com decência, honestidade e, sobretudo, humanismo; vi também o avesso, charlatães da ciência médica explorando os pacientes.
Um desses personagens do bem, meu contemporâneo nos tempos estudantis e depois de formado em Medicina foi residir numa reserva indígena na Paraíba, e contou-me ter vivido a experiência de aprender com um Pajé estudioso da fauna e da flora, de onde recolhia elementos de cura.
De valor incomensurável, segundo o meu colega, vem das abelhas selvagens polinizadoras das plantas nativas, o mel, alimento completo e, como remédio, tem comprovada eficácia no alívio da tosse, cicatrização de feridas e cura de infecções.
De acordo com pesquisas científicas, a sociedade das abelhas é um impressionante exemplo de organização no mundo animal. Seu Estado é a Colmeia, onde vivem três castas principais: a rainha, as operárias e os zangões. Chega a dispor de milhares de indivíduos.
A rainha é responsável pela reprodução, podendo pôr milhares de ovos ao longo da vida; as operárias, estéreis, realizam todas as tarefas: coletam néctar e pólen, produzem mel, constroem os favos e defendem a colmeia. Já os zangões têm a função de fecundar a rainha.
Achei na arte cinematográfica uma interessante ficção sobre a apicultura, a Colmeia e a política. É “Beekeeper: Rede de Vingança“, filme de 2024 dirigido por David Ayer, que traz ação e suspense envolvendo o suicídio de uma curadora de entidade humanitária, que se suicida por ver roubado de sua conta bancária o dinheiro sob sua responsabilidade.
Um vizinho o apicultor Adam Clay, a quem ela cedeu parte de sua propriedade para cuidar de abelhas, se revolta e decide se vingar e agindo descobre uma organização criminosa que atuava com golpes online sobre as aposentadorias e pensões de idosos.
Como ex-agente de uma poderosa sociedade secreta, os“Beekeepers”, Adam descobre os responsáveis e os persegue, punindo-os e conseguindo a informação de que o chefe é o filho da presidente dos EUA. Ele cumpre um dos princípios básicos dos “Beekeepers”, que é garantir o Estado e o Governo como uma Colmeia, e quando os poderes falham por causa de filhos degenerados da rainha, ela precisa ser eliminada.
Este filme abre um cenário interessante e simbólico: Vendo a degenerescência da Colmeia brasileira que em vez de mel nutritivo e medicamentoso, produz drogas viciantes e letais através dos poderes corrompidos, cabe aos verdadeiros patriotas punir as abelhas desonestas, os zangões corruptíveis e a rainha depravada.
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DAS LAPINHAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
As lapinhas (também conhecidas como pastoril) fazem parte da tradição popular nas festas de Natal e Reis. Como verbete dicionarizado, é um Lapinha é um substantivo feminino, derivado de lapa (caverna, nicho) onde Jesus teria nascido, Lapa + o sufixo diminutivo -inha.
As Lapinhas são manifestações culturais tradicionais do período natalino promovidas especialmente nos estados do Nordeste, Maranhão, sertões de Minas Gerais, Tocantins e Goiás.
Foi a colonização portuguesa que trouxe as Lapinhas para o Brasil e, ao longo do tempo, foram exibidas se adaptando à cultura regional da música, dança e teatro com características próprias locais.
Sua performance teatral apresenta dois grupos (cordões) coloridos, Azul e Encarnado, sendo o azul liderado pela Contramestra e representa o manto de Jesus; enquanto o encarnado é o manto de Nossa Senhora, guiado pela Mestra.
Cada cordão tem torcedores na plateia, incentivando-o com colaborações financeiras; as duas personagens se confrontam versejando com coro cantado e, igualmente, a Mestra e a Contramestra conquistam aplausos, brindes e flores do público que premiam a vencedora de cada deixa, hasteando no mastro a bandeira do cordão.
Entre (e sobre) a Mestra e a Contramestra, apresenta-se isolada e independente, com espírito de Justiça, a Diana, personagem central vestida com as duas cores (metade azul, metade encarnado). A Diana intervém como mediadora dos conflitos entre os dois cordões.
Esta simbólica terceira posição serve de exemplo para a polarização eleitoral que a ignorância fanática mantem mundo afora, a partir dos EUA, onde se confrontam o Burro (Democrata) e o Elefante (Republicano).
Há inconformados com isto. Na França criou-se a aliança eleitoral Renascimento, mas o mandato de Macron decepcionou o Centro Democrático; em Portugal venceu o PSD e a sua coligação Aliança Democrática que reúne centro-direita e centro-esquerda.
A Terceira Posição tem atualmente a chance de vencer no Chile e no Uruguai, países com o eleitorado mais esclarecido, e tem havido tentativas na Bolívia e no Peru. Aqui e na Argentina, os herdeiros do populismo peronista e varguista é mais difícil, mas há chance, sem dúvida, de chegar ao poder; falta apenas uma liderança nacional para que isto ocorra.
Vê-se assim que na América Latina temos várias tentativas de quebrar a polarização extremista da falsa esquerda e da falsa direita, populistas assistencialistas que se aboletam no poder se entretendo com a corrupção….
Temos como exemplo no Brasil números registrados em pesquisas as pesquisas dando de 25 a 30% para a Família Bolsonaro e o mesmo para Lula. Matematicamente há que se perguntar como ficam os outros 40%. Destes, ficou uma boa fração dos independentes na última eleição presidencial votando em Lula, temerosa do caminho fascista seguido pela Familiocracia.
A vitória de Lula com seu discurso mentiroso, anti-sigilo e falsamente progressista, deve-se, portanto, à centro-esquerda antifascista e, passivamente, à centro-direita revoltada com a militarização do governo e o comportamento golpista assumido pelo então presidente Bolsonaro.
Como não pode fugir a sua formação de pelego malandro, Lula é títere do Sistema Corrupto que se mantém enfronhado nos três poderes republicanos, como se comprova no caso das fraudes no INSS e o escândalo criminoso do Banco Master.
Dessa maneira, os brasileiros precisamos avaliar os ocupantes dos andares de cima do poder, sem esquecer quem são os cúmplices dos crimes, Alexandre Moraes, Bessias, “Famiglias” Bolsonaro e Lula, Gonet, Hugo Motta, Levandovsky e Tofolli; na ordem alfabética dando chance de aparecer outros.
Estes protagonistas promotores de um possível desastre que o futuro reserva para o Brasil, exigem que devemos dar uma varredura no Congresso, na Presidência e no STF, uma revolução pacífica que só ocorrerá se o eleitorado eleger pessoas honestas como a Diana das Lapinhas…
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AS CADEIRAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Na minha infância, lá se vão mais de 80 anos, havia uma brincadeira muito divertida em festas de aniversário, “A Cadeira”. Praticava-se botando cadeiras em círculo em número menor do que os participantes. A um sinal, os meninos circulavam ao redor das cadeiras e como há menos cadeiras do que crianças, uma delas ficava sem lugar para sentar e era eliminada do jogo.
Retirava-se uma cadeira e o folguedo recomeçava pelo mesmo modo anterior, sempre alguém ficando sem sentar e saindo do círculo… A coisa se repetia, com a remoção de uma cadeira e a eliminação de um participante. Quando restavam dois concorrentes e uma cadeira apenas, quem conseguisse sentar seria o vencedor.
Lembrei-me disto achando o divertimento recreativo antigo com uma série televisiva “Game of Thrones” (A Guerra dos Tronos) baseada na saga literária As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. Assiste-se a disputa de nobres disputando uma cadeira real com intrigas políticas, conspirações, batalhas e alianças.
Embora ficção, parece brincadeira de folguedo infantil, mesmo inspirada em fatos históricos da época em que o rei Luís XIV instalou o absolutismo na França caracterizado numa frase do próprio: “L’ Etat se moi” – “O Estado sou Eu”.
No reinado deste líder da concentração de poder monárquico na Europa a França viveu várias guerras de conquista e, entre elas, as principais foram a Guerra Franco-Holandesa, a Guerra dos Nove Anos e a Guerra da Sucessão Espanhola. Ocorreram ainda os conflitos menores da Guerra de Devolução e Guerra das Reuniões.
Como símbolo do absolutismo reinol, Luís XIV centralizou o governo , enfraqueceu a nobreza, baseou no direito divino o seu poder. Lembrou os primórdios da civilização, quando os povos viviam na dependência dos deuses e os sacerdotes proclamavam os reis, como suprema autoridade religiosa intermediária do divino.
Somente mais tarde, na antiga Grécia, ouviu-se uma discordância sobre isto através do atomista Anaxágoras, registrada por Demócrito, que combateu qualquer autoridade que se arvorasse falar em nome de um deus.
A recaída veio na Idade Média com a Igreja Católica Romana imperialista dominando quase toda a Europa e o papa “representante de Deus na Terra” criava, distribuía e mantinha cadeiras douradas para “missões divinas”.
O papado impunha-se através de dogmas e o poder de excomungar junto aos nobres ambiciosos dos diversos reinos na Alemanha, Itália e Polônia que esperavam uma cadeira vaga….
Revoltas pontuais contra o arbítrio político-religioso e pela volta do antigo cristianismo, culminaram com a reforma luterana abrindo o caminho para Renascença e a volta da cultura humanista da antiga Grécia.
A partir daí a História registrou a revolução francesa entre 1789 e 1799, derrotando o absolutismo feudal e semeando a democracia com os ideais iluministas de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”; e teve como consequência a Guerra da Independência da América com a bandeira das liberdades democráticas.
Os ventos da Democracia também varreram a América Latina libertando-a do colonialismo europeu, mesmo se mantendo presa às oligarquias regionais; na Europa, ao contrário, alguns países continuaram mantendo cadeiras reinóis, sendo o principal deles a monarquia britânica.
Aos poucos, porém, a filosofia humanista foi sendo reconstituída nos séculos 18 e 19 com exceção dos países muçulmanos e do Grande Oriente; pois os reinados europeus adotaram princípios sociais democráticos e a própria Inglaterra imperial adotou um sistema constitucional.
Apesar dessa marcha histórica, o Brasil vive atualmente sob a ameaça aos direitos da cidadania assegurados pela Constituição de 88 que não é seguida pelos togados do STF…. De lá saem absurdas sentenças monocráticas e blindagem de corruptos sob o manto da “defesa da Democracia”.
Os brasileiros estamos submetidos ao poder instituído por gestores sem voto que não cumprem as prerrogativas constitucionais, evocando o alerta de Martin Luther King: “Nunca se esqueça que tudo o que Hitler fez na Alemanha era legal para os juízes daquele país”.
Como exemplo do arbítrio instituído temos o atentado que Alexandre Moraes cometeu contra os auditores fiscais por exercerem suas funções; e, tratando como delinquente o dirigente sindical Kleber Cabral por defender os colegas punidos sem julgamento.
Fica claro assim que o Brasil está sob a tutela de uma ditadura jurisdicional, e isto exige dos autênticos democratas e patriotas quebrarem as tornozeleiras eletrônicas virtuais do totalitarismo imposto pelos ministros togados.
Seria muito melhor que as cadeiras do plenário do STF ficassem vazias do que terem os falsos guardiães da Democracia refastelados nelas, traindo a Constituição, conspurcando a ética e negando a honradez, como viu Gilmar Mendes defender Toffoli envolvido até o pescoço nos crimes do Banco Master.
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