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MAR DE LAMA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“A água que não corre forma um pântano; a mente que não trabalha forma um tolo”. (Victor Hugo)

Quando do meu ingresso na faculdade, em 1954, a oposição a Getúlio Vargas atingia o auge com o seu líder, Carlos Lacerda, usando pela primeira vez e com muita habilidade a televisão, repetia o slogan “Vamos acabar com o Mar de Lama”, referindo-se às denúncias de corrupção no governo.

Paradoxalmente a expressão “Mar de Lama” foi do próprio Vargas, que o exclamou ao saber das transações ilícitas na administração pública e das maracutaias praticadas pelo seu guarda-costas Gregório Fortunato, chefe da guarda presidencial.

Estes fatos me chegam à lembrança por ter os olhos e a mente voltados para a sordidez implantada no País nos 14 anos de governo de Lula, preso em Curitiba graças à independência do Ministério Público Federal, à ação eficaz da Polícia Federal e ao juiz Sergio Moro.

É extenso o uso da palavra Lama, dicionarizada como substantivo feminino, que significa mistura heterogênea de terra e água; e no sentido figurado representando tudo que é vil e causa asco, sarjeta, degradação, indignidade.

Lembro-me de uma alocução do visionário Enéas Carneiro referindo-se ao Poder Legislativo, já na sua época dominado por quadrilhas de picaretas. Disse Enéas: “Miasmas pútridos emanam no Congresso em Brasília, contaminando o ar da metrópole. Mas o meu nome não exala odor mefítico, porque não chafurda no pântano da ignomínia”.

Batizada de Operação Mar de Lama, a PF nas Minas Gerais realizou uma ação de combate ao crime organizado. E, no mesmo Estado (onde evocamos Tiradentes e repudiamos o atual governador, corrupto e corruptor), fez-se uma campanha “Mar de Lama Nunca Mais” para criminalizar barragens como a da empresa Samarco que infelicitou Mariana e região, com danos ambientais, sociais e econômicos.

Com a mesma referência tivemos recentemente as palavras do general Rocha Paiva ao dizer que “O lodaçal da vergonha onde lançaram o país vem sendo dragado pela Lava-Jato. A nação passou a ver com clareza a degradação moral e ética das lideranças no Executivo e no Legislativo e, hoje, também a percebe na mais alta Corte de Justiça”.

Esta comunicação do militar brasileiro fotografa a realidade. Herdado da Era Lulista a lamacenta ignomínia veio para afogar as instituições republicanas, acovardadas, no pântano dos costumes apodrecidos.

Não dá para esquecer que o PT e seus puxadinhos no poder nadaram na lama da inconsequência, da irresponsabilidade e das propinas que enriqueceu os dirigentes partidários e elegeu pelegos analfabetos nos estados e por duas vezes na presidência a trapalhona Dilma Rousseff.

A miniatura do mapa oceanográfico da lama está desenhada no entorno da PF em Curitiba, no acampamento lulopetista, uma espécie de cracolândia ideológica, Ali se cultua Lula, chefe da organização criminosa. Mergulhados na latrina bolivariana e sem papel higiênico, os atoleimados acham natural insultar e agredir os que não pensam como eles.

… E o Pelego adorado nessa poça de lama que envergonha e revolta a capital paranaense, responde ainda por mais seis processos que vão da obstrução da Justiça até a práticas nada republicanas no exercício da presidência.

Este lamaçal de baixeza, desonra e infâmia tem, felizmente, os seus dias contados, pela reação de uma corrente de ministros togados que não se vendem nem se trocam, levantando-se contra as tentativas de distorcer e usar a Constituição para implantar o Reino da Impunidade.

O grupo que entra de sapatos enlameados pela politicagem no recinto solene do STF embora ruidoso, é medíocre e pequeno; transcende a “caranguejos” pelo cheiro característico da lama e, como os crustáceos do manguezal, só andam para trás…

 

 

 

DISCURSO DO ÓDIO

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“O ódio é um veneno que bebemos esperando que os outros morram” (Shakespeare)

Na missa-show de aniversário de pessoa já falecida sob as bênçãos de padres narcopopulistas, o corrupto Lula da Silva condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, subiu bêbado a um palanque e fez um discurso de ódio.

Lembrou-me um dos clássicos da MPB, “O Bêbado e o Equilibrista” da dupla João Bosco & Aldir Blanc, que vale uma paródia “… E um bêbado trajando luto provocou risadas como uma tragicomédia de Carlitos”. O cheiro de cachaça transcendeu no narizinho da senadora Gleise.

A arenga típica dos pelegos espertos durou 55 minutos em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, que fugiu da sua função, transformando-se em partido político e seria fechado se a lei fosse respeitada no Brasil.

Lula falou para a plateia amestrada cujo fanatismo primário é pouco exigente quanto à seriedade da sua fala. Debulhando uma espiga de milho que não medrou, os grãos pecos pipocaram com o ruído da montanha que pariu um rato.

Foi um discurso de ódio: Ameaçou estabelecer a censura da imprensa nos moldes da ditadura venezuelana; ordenou atos terroristas com a queima de pneus para impedir o tráfego nas estradas; mandou os arruaceiros do MST E MTST invadirem propriedades no campo e na cidade, enfim, propôs a subversão da ordem pública.

Diante da leniência governamental sem tomar medidas contra isto, leva-nos historicamente à República de Weimar, na Alemanha pós-guerra com um governo fraco, um parlamento corrupto e juízes que fugiam do anseio popular, seguindo o pensamento hitlerista “A voz do povo nunca foi mais do que a expressão daquilo que do alto se lançou sobre a opinião pública” (Mein Kampf).

Constatamos aqui a caricatura daquela situação, assistindo a ousadia fascista de Lula e da hierarquia do PT instigando grupos arruaceiros, tipo “capacetes de aço” e “camisas pardas” para assustar ministros, militares, parlamentares e religiosos.

As pichações nos tribunais federais e no prédio onde a presidente do STF tem seu apartamento, foram feitas por quem obedece ao discurso do ódio. Como foi a agressão homicida do bandido Maninho do PT na porta do Instituto Lula.

Os estudiosos da História atestam que atravessamos o momento em que o fascismo tupiniquim impõe a sua revolução de fancaria que, se não for reprimida, levará a Nação ao suicídio político como ocorreu na Alemanha no século passado. Até agora, felizmente, a minoria ruidosa só tem eco nos meios políticos e no governo frágil de Temer; não assusta mais as classes médias.

Assim, é afortunado vermos que a classe média já não se identifica com os “revolucionários bolivarianos”. Para eles, restaram os dependentes crônicos de ideologias superadas e das ilusórias políticas sociais de bolsas-esmolas criadas pela demagogia politiqueira.

Neste cenário esfumaçado, os pelegos sindicais – assumindo o protagonismo teatral de “aristocracia operária” – sem o mínimo escrúpulo ético, seguem os corruptos do andar de cima, aproveitando-se dos restos do banquete das propinas que enriquecem os dirigentes partidários.

Então prevalece nesse bando organizado o discurso do ódio, temperado com promessas de tudo para toda gente. E cumprem tarefas para amedrontar os fracos de espírito infligindo a luta de classes e a divisão da sociedade pela raça, religião e opção sexual.

Com a Nação dividida e a formação de ideologias adaptadas aos interesses de grupos fáceis de conduzir, o lulopetismo sonhava em implantar a “ditadura nacional socialista” como a de Maduro, na Venezuela.

Tiveram 14 anos para fazer isto, mas fracassaram; enganaram muitos por algum tempo, mas nem todos por muito tempo; dessa maneira caíram em desgraça e o seu chefe foi desmascarado por conspurcar a presidência usufruindo propinas e foi preso.

Esta prisão de Lula da Silva barrou de vez a ameaça fascista ao nosso futuro. Nossos temores, o nervosismo e a irritabilidade, são transferidos para os cultuadores do corrupto. E só lhes resta o discurso do ódio.

 

 

MECANISMO

MIRANDA SÁ. jornalista

“Quando o único mecanismo que você possui é um martelo, todo problema que surge você trata como um prego” (Mark Twain)

O “Mecanismo” ou “Mecanicismo” é uma teoria científica que explica os fenômenos físicos pelo movimento da combinação de peças que o fazem funcionar. Como verbete dicionarizado, é um substantivo masculino, que significa disposição das partes constitutivas de uma máquina; maquinismo, engrenagem.

Por extensão, trata-se de um conjunto de elementos que concorrem para a atividade de uma estrutura orgânica; mecânica. Também o título de uma série televisiva brasileira inspirada nas investigações da Operação Lava Jato e lançada pela Netflix.

A série obedeceu à direção do cineasta José Padilha, escrita por Elena Soárez e tendo a participação de Felipe Prado e Marcos Prado. Comentando o enredo, Padilha disse que a corrupção é o mecanismo estruturante da política e da administração pública no Brasil, incluindo as cortes judiciais constituídas por indicações.

Assim se expõe uma triste realidade onde “o mecanismo está em tudo. No flanelinha que recicla talão, na carteira falsificada para pagar meia entrada, no suborno ao guarda para aliviar uma multa…”

Na ciência temos vários tipos de mecanismos, inclusive um que encontramos na Psicologia conhecido como “mecanismo de fuga”; o fato de alguém estar em situação de risco eminente ou se sinta psicologicamente ameaçado, aciona os mecanismos mentais de defesa.

Este mecanismo de fuga tem um exemplo atualíssimo: As pessoas bem informadas já notaram que os lulopetistas perderam o interesse pela investigação sobre o atentado ao ônibus da caravana. Uma fuga. A “eles” isto não interessa mais; ganharam o espaço que queriam na mídia, e pronto.

Sobre o atentado “fake” à Caravana de Lula, conta-se uma história que me parece ter se baseado na novelinha de Artur Azevedo “De Cima para Baixo”, em que o nosso escritor retratou a engrenagem da burocracia na administração pública.

É o mecanismo partidário dos socialistas bolivarianos que me pareceu interessante, e fizeram uma ficção que nos leva ao organismo de inteligência do PT, comparável à “troika” que dirigiu o PCUS, partido comunista da união soviética no stalinismo. O nome troika, em russo trojkʌ, se refere a um carro conduzido por três cavalos alinhados, e o partido adotou-o para mostrar o equilíbrio harmônico da sua direção.

No Brasil, a troika do lulopetismo, como os Três Mosqueteiros do romance histórico de Alexandre Dumas, são quatro dirigentes intelectuais. Dumas tem como personagens Aramis, Athos e Porthos, a quem veio se juntar o jovem D´Artagnan; no PT, são dois frades, Beto e Boff, a professora Marilene Chauí e o ideólogo Zé Dirceu.

Pois bem. Eles se reuniram para avaliar o desgaste que Lula, o partido e os puxadinhos veem sofrendo e traçaram a estratégia de fazer uma incursão à região Sul do País, que pela rejeição ao lulopetismo poderia concorrer com uma vítima redentora. E assim foi criada a Caravana de Lula.

Os organizadores da base montaram, como um engenho bem azeitado, todo o planejamento. Um grupo se encarregou da logística do transporte e dos suprimentos; cinco carros, três ônibus, bebidas e bons petiscos para o primeiro coletivo que levava a hierarquia partidária e pão e mortadela para a claque acompanhante no terceiro ônibus.

A excursão foi um fracasso. Vaias, ovadas e xingamentos no Rio Grande e em Santa Catarina, mas decepcionando os vitimologistas, nenhum ferido, exceto o provocador que levou o repressivo ponta pé na bunda de um gaúcho vestido de bombacha.

O desânimo atraiu uma reunião extraordinária que decidiu recorrer a uma velha tática, a farsa de que nos referimos no começo do texto, como exemplo do silêncio que paira sobre o tal atentado que ocorreu sem testemunhas, apesar de quase duzentas pessoas presentes. Seria uma ação cerebral e fisiológica.

Foram designados três voluntários para executar a peça. Um sarará do MST, magrelo e alto, um varapau que aparece sempre na foto das manifestações; um pelego gorducho da CUT, como todos pelegos cevados pelo imposto sindical, e uma magrela da UNE, com aquele biotipo adotado dos pequenos burgueses socialisteiros da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Fizeram o que lhes mandaram fazer, e para resumir, o plano foi malogrado pelas complicações do improviso. Os ônibus entraram numa estrada vicinal e os tiros foram dados num ônibus parado conforme deduziu a perícia da polícia técnica; também os miguelitos (aquele objeto de preg

os retorcidos usados para furar pneus) foram fotografados nas mãos dos companheiros para compor o registro da revolução.

Assim, embora o caso atravesse um silêncio quase absoluto por omissão da mídia, o mecanismo partidário interno pegou fogo. Lula, bufando de raiva, mandou chamar Dilma, que foi com tanta pressa que chegou esbaforida à presença do Chefe.

– “Estou indignado” – disse o Pelegão. – “Que planejamento foi aquele, sua guerrilheira de merda? Se as coisas ocorrem assim, jamais voltaremos ao poder…”

– Não sei como me desculpar, companheiro, humilhou-se a Búlgara; – “Mas a culpa não foi minha, afirmou com os olhos esbugalhados e lacrimejantes.

Daí, com a pressa que teve para vir, a Ilibada saiu dali desenfreada e não se conteve, convocou com urgência para um encontro a senadora Gleise, presidente do PT. E diante da Senadora foi arrogante como nunca: – “Como você me fez passar por uma vergonha perante o nosso líder Lula? ” – E continuou com sua vitimologia: – “Ele chegou a me dizer que pensou em mandar o Pimentel não apoiar minha candidatura a deputada em Minas…”

Ouvindo isso, Gleise, tão insolente e violenta nos seus discursos no Senado, murchou com a crítica acerba que recebeu. E voltou triste para Brasília, mas transpirando rancor; de lá convocou o presidente da CUT, e baixou-lhe o sarrafo com ele adentrando: – “Como é que você me manda um incompetente para cumprir uma tarefa do partido? ”. E diante do mi-mi-mi do pelego, cabisbaixo diante da dirigente, incitou-o: – “Expulse aquele cabra-safado da Central, que não merece nossa confiança! ”

O Companheiro da Central saiu do encontro desalentado; porém reagindo mandou chamar Stédile, do exército de camponeses de Lula. O General não pode comparecer e mandou à CUT seu segundo tenente.

Lá chegando, o Sem Terra foi recebido aos berros. – “Aonde anda o Stédile? Abandonou a luta? “ – bradou o Pelego, e atacou: – Vocês estão acomodados, nunca mais invadiram nada, e nós repassando verbas; vamos parar com isto, pois além de estarmos sem o imposto sindical, não podemos desse jeito confiar na sua fidelidade a Lula! ”

O Sem-Terra saiu abatido da reunião e convidou a direção da UNE para ir à sede do Movimento. Foi para lá a gasguita que estava na caravana e, logo ao chegar, enfrentou o esbravejar dele: – “Que revolucionários são os estudantes que ficam fumando maconha e relaxam com as atividades de agitação e propaganda, além de não estudar…”

A Estudante não retrucou. Calada, abandonou o prédio abatida, e foi para a UNE de onde telefonou para a “chefa” da União Bolivariana Comunitária (UNBOC), dona Marialva, uma típica representante das favelas, mulher, negra e pobre, mas não humilde. Ela não aceitou o carão que a garota da UNE ensaiou em dar. Deu uma rabissaca, saiu e foi para casa.

Chegando à habitação, deu um esbregue no marido: – “Eu me esforço, trago a feira para casa e você fica bebendo cachaça nas biroscas. Estou farta disso” – E chamando o filho de 16 anos, que ensaiava ser pelego, organizando a Frente Invasora de Prédios Abandonados”: – “… E o senhor está me saindo uma bisca, me deixa sozinha enfrentando a luta quando devia estar ao meu lado nas horas difíceis! ”

O garoto cheio de tatuagens, metido a homem, intimidou-se diante da mãe e se retirou devagarinho para a sacada do “Minha Casa, Minha Vida”.  Lá chegando, o cachorro da família, Fidel, correu ao seu encontro balançando o rabo; então, o representante da última geração do lulopetismo, sem ter a quem transferir a autoridade política, pegou o pobre animal pelo dorso e com frieza atirou-o do terceiro andar do condomínio lá embaixo…

CONTRADIÇÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Duplipensar significa o poder de manter duas crenças contraditórias na mente simultaneamente e aceitar ambas” (George Orwell)

Não causa surpresa para ninguém que estiver armado do conhecimento filosófico da contradição e do método dialético de análise, a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal.

O verbete contradição, dicionarizado é um substantivo feminino de origem latina, contradictio,onis:  antinomia, discordância, contraposição.  Na linguagem coloquial toma o sentido de absurdo, contrassenso, discrepância, incoerência…

Quando aparece refutando a opinião de outrem, a palavra “contradição” é usada como contestação, desacordo, desmentido, negação, objeção, refutação e réplica. Não há exemplo melhor do que a lição de Rui Barbosa que conhecia os meandros da magistratura e da política.

Rui escreveu que “Nada mais honroso do que mudar a justiça de sentença, quando lhe mudou a convicção. Aí temos a contradição, o procedimento ou atitude oposta ao que se dissera ou adotara anteriormente; colada nela, a dialética apresentando a solução dos desacordos.

Se estiverem armados da dialética hegeliana, professores ensinarão que a contradição é o confronto entre a afirmação e a negação; isto é, estas posições opostas não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Platão já mostrara esta relação dos opostos em suas obras escritas.

Pelo método dialético de análise, a Lógica estabelece o princípio de que algo não pode ser ou não ser ao mesmo tempo; e, sob este princípio, a regra para se alcançar a verdade é a exclusão de toda contradição.

A coexistência de conceitos contrários vigora apenas em regimes totalitários ou na ideologia canhota do narcopopulismo, com os autointitulados “marxistas” usam na propaganda dos seus desígnios, ensinando ao mesmo tempo que a “religião é o ópio do povo” e que Jesus Cristo foi socialista…

Um estudo aprofundado da Filosofia mostra que é através da Lógica se resolvem as contraposições das sentenças jurídicas. “Tudo o que é natural, é lógico, e tudo que é lógico é realizado ou deve se realizar no mundo real, e foi o que ocorreu no julgamento do habeas corpus do condenado de Justiça, Lula da Silva, a 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

Ficou transparente a tentativa do condenado em politizar a sentença judicial que lhe foi aplicada por sua prática corrupta, recebeu, como sempre, o apoio apoiado da bancada partidária da Corte, levantando a “presunção de inocência” já desnuda nas sentenças de dois tribunais e tendo, aliás, mais três ou quatro processos por atividades criminosas idênticas.

Por ser chefe de uma facção político-ideológica, e ter ocupado a presidência da República, Lula levar para o seu campo a resolução do STF na provocação feita pela sua defesa. Seria triste contatar que vigoraria a advertência de François Guizot “Quando a Política adentra no recinto dos tribunais, a Justiça sai por outra porta”

Tivemos grandes manifestações de rua exigindo o fim da impunidade, por que a tal “presunção de inocência” não é uma carapuça que cai no cabeção de Lula… As demonstrações populares tiveram uma ampla repercussão e alcançaram sem dúvida o STF a quem coube decidir sobre a prisão de Lula já condenado em 2ª instância.

Os ministros procederam adotando o método dialético na busca de aplicar uma justiça boa e perfeita. Excluindo as nítidas intervenções políticas, prevaleceu a interpretação correta para a aplicação da justiça.

Tranquilizando a Nação Brasileira em manter confiança na Justiça, a dialética do STF me levou a uma surpreendente frase do escritor e pensador Roberto Campos, pela sua personalidade circunspecta. “A contradição é privilégio das mulheres bonitas, dos homens inteligentes e dos governos realistas. ”

E, aliviado, e alegremente relaxado, “sereno”, faço rir com o humorista Falcão que rebateu: “É melhor cair em contradição do que do oitavo andar. ”

 

Victor Heringer

Oração

Olhai por nós, pecadores; estamos cansados.
As flanelinhas, os endomingados nos museus,
os cirurgiões oftalmologistas, os estrábicos,
os daltônicos, os heterocrômicos, os cineastas,
os olheiros do futebol, os espiões como as mulheres
em trocadores de lojas, os que são
deleitam em testemunhar o coito alheio,
os glaucomatosos, os que não choram embaçado,

[…]

Os que estão de olhos abertos, os que morrem
de olhos abertos, os que matam de olhos abertos,
os que são vistos, os voadores e os que têm o diabo,
os que andam em montanhas-russas sem fechar os olhos ao medo,
os espiões, os cobiçadores da mulher do próximo
e os esguelhas, os desvendados.
Nós estamos cansados. Aqui tudo se vê,
mas todos os gostos meteorologias;
para cima, toda conversa é de elevador.

 

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BORBOLETAS

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Na natureza, uma repugnante lagarta transforma-se numa borboleta encantadora; entre os homens, ocorre o contrário; uma encantadora borboleta transforma-se numa lagarta repugnante” (Tchekhov)

Círculos que tratam “da ciência do absurdo”, divulgam o “Efeito Borboleta”, uma hipótese levantada nos meados do século passado por Edward Lorenz e encaixada na teoria do caos como manteiga em pão quente…

Segundo contam, a invenção de Lorenz surgiu de uma pergunta que se fez, pensando: “Poderia um bater de asas de uma borboleta no Brasil, causar um tornado no Texas?” Assim nasceu o princípio pseudocientífico do efeito borboleta, divulgado em 1963 e se prestando a várias conjecturas, como se o bater de asas de uma borboleta influenciaria o curso natural das coisas.

Notaram o meu ceticismo e aversão sobre isto, por que tem pouca seriedade e muito romantismo, tanto na origem como a enunciação da teoria. Lembro que esta ficção veio um século antes, em 1888, na novela “O Mandarim”, de Eça de Queiroz.

Eça nos apresentou Teodoro, um burocrata da administração pública, que sonhou com uma figura misteriosa lhe instigando a fazer a experiência de tocar uma sineta e com isto matar na distante China um riquíssimo mandarim. Fê-lo e deu certo: o potentado chinês morreu e Teodoro herdou a sua fortuna.

É imperdível a leitura da novela pelo belíssimo estilo que o grande escritor da língua portuguesa nos deixou. Assisti também o filme “Efeito Borboleta” (The Butterfly Effect), dirigido por Eric Bress e J. Mackye Gruber, estrelado por Ashton Kutcher e Amy Smart, que ganhou o Prêmio do Público no Festival Internacional do Cinema Fantástico de Bruxelas.

O enredo da película se baseou no “Efeito Borboleta”, trazendo a história de Evan Treborn que lendo os seus diários de adolescente, descobriu ter a capacidade de viajar ao passado e mudar situações futuras; assim consegue evitar a morte de Kayleigh, a garota que amava.

Há uma lenda em Hollywood que o bater das asas de uma borboletinha lá no fim do mundo abalou a Bolsa de Nova Iorque em 1929; e que Charles Chaplin sentiu isto antes vendeu todas as suas ações, tornando-se multimilionário na crise mundial.

Diz-se também que o adejar de uma mariposa levou ao megaespeculador George Soros os segredos financeiros do Reino Unido, e então ele faturou isto derrubando a libra, em 1992. Soros veio a ser bilionário e brinca batendo suas asas de morcego agitando as nações pelo controle da mídia de diversos países, e, segundo se comenta, apoia o islamismo na Europa e o narcopopulismo na América Latina.

A poucos dias, uma borboleta tropical do Amazonas esvoaçou e produziu um fenômeno que repercutiu no Congresso do Povo Chinês. Lá, por unanimidade deu-se ao líder Xi Jinping a direção do governo por tempo infinito, levando a China de volta à ditadura dos mandarins vermelhos…

Finalmente, especula-se que no Brasil ocorrem abalos curiosos igualmente provocados por bandos de borboletas noturnas. Comenta-se que no seu voo fizeram Lula quebrar um copo de cachaça e xingar os ministros do STF de covarde. A consequência é que o seu grito ecoou longe, em Brasília.

Na capital federal, o efeito da borboleta lulista chegou aos ministros do Supremo; o grito rouco do Pelegão fez os togados passarem por uma metamorfose voltando aos casulos como lagartas, e ali criaram uma repugnante doutrina que livrou o seu lepidopterologista da prisão e com ele, assassinos, contrabandistas, corruptos e corruptores, traficantes de drogas e pedófilos.

PODER

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“O poder não corrompe o homem; é o homem que corrompe o poder” (Ulysses Guimarães)

Entre as sempre boas obras de Howard Fast uma das melhores, para mim, é “Poder” – um romance típico da escola americana narrando a carreira de um sindicalista cuja ambição leva-o a praticar maldades com oportunismo, esperteza, crimes e corrupção.

O perfil traçado por Fast nos oferece a figura que no Brasil chamamos “pelego”, o astucioso ativista sindical cujo amoralismo medeia os interesses de empregados e patrões para se manter no poder usufruindo das vantagens da posição.

No Brasil, um deles, Lula da Silva, elegeu-se presidente da República, levando consigo os seus comparsas para dirigir ministérios e empresas estatais e, pelas facilidades usufruídas do cargo, elegeu seus parceiros senadores e deputados…

Todos roubaram muito, por que o “poder é o poder”; e o poder provém da habilidade de se impor sobre os outros, pelo voto ou pela força, um processo próprio da política mesquinha sempre presente nos poderes econômico ou político.

O verbete “Poder” é tão poderoso e complicado que a sua qualificação gramatical é trina, aparecendo como verbo transitivo direto, verbo intransitivo ou substantivo…. A origem é latina, do verbo poteo, potēre, e do substantivo possum, potes, potŭi, posse, “o poder, capacidade de”.

Neste momento que o Brasil atravessa interessa-nos somente o substantivo. Poder é o direito de agir, deliberar, mandar, exercer a autoridade. Como função do Estado, deve ser, teoricamente, a ação necessária à execução do bem comum. Na República, são adotados três poderes, Executivo, Judiciário e Legislativo; no Império, pela Constituição de 1884, havia mais um, o Moderador, exclusivo do imperador.

A herança iluminista da doutrina dos poderes republicanos separados e iguais, é atribuída a Montesquieu – um pensador iluminista do século XVIII –, veio, entretanto, de mais longe no tempo, da antiga Grécia, com Aristóteles propondo a separação dos poderes.

Este princípio de governo, dos três poderes coexistindo, foi adotado pela primeira vez na Inglaterra, em 1653, e é hoje uma característica das democracias modernas. É pena que entre nós, atualmente, se assente apenas na teoria. É deturpada.

A desfiguração começa na indicação dos ministros da Suprema Corte pelo titular do Poder Executivo e aprovada pelo Legislativo. Que soberania e independência pode ter o Poder Judiciário se os seus membros são devedores a outrem da posição que ocupam?

É daí que nasce a degeneração dos juízes do STF, da subalternidade aos que os indicaram, os “fantasmas dos governos passados” que citei em artigo anterior, constatando com pesar que os tribunais superiores no Brasil se firmam em base contrária a que propunha Platão: é nomeada para prestar favores.

Isto ficou transparente (como água de esgoto) quando o STF concedeu uma esdrúxula liminar impedindo que Lula da Silva – condenado de Justiça por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha – seja preso até o julgamento de habeas corpus, no dia 4 de abril, após as longas férias pascais dos meritíssimos.

Para registro na agenda de fim-de-ano, anotem que votaram por esta idiossincrasia ajoelhados diante do Pelegão, os ministros Celso de Mello, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber. Ficaram contra, Alexandre de Moraes, Carmen Lúcia, Edson Fachin, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso.

Paladino da Democracia, Abraham Lincoln escreveu que “quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”. É assim, que aqueles que o receberam de graça, se mostram esnobando da Justiça e escarnecendo da Nação.

 

FANTASMAS

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“É muito mais difícil matar um fantasma do que uma realidade.” (Virginia Woolf)

As minhas andanças pelo Centro, aqui no Rio, levam-me habitualmente aos sebos de livros, desde os luxentos até aos pés-de-chinelo. Dos livros raros de R$ 1 mil até os de preços atraentes a partir de R$ 1,99…

Um dia desses encontrei numa banca da saída da Estação Carioca do Metrô, um livro cujo título me atraiu “A Síndrome de Rebeca” por causa de um dos primeiros filmes dirigidos por Alfred Hitchcock, que me encantou na adolescência, “Rebecca, a mulher inesquecível”.

O roteiro veio do romance de Daphne Du Maurier, escritora britânica, que nasceu em Londres, em 1907, de uma família de artistas e intelectuais. O filme explorou o fundo psicológico do romance com o suspense característico de Hitchcock e interpretado por excelentes atores, Laurence Olivier, Joan Fontaine, George Sanders e Judith Anderson.

O filme, produzido por David O. Selznick que um ano antes lançara “E o vento levou”, conquistou duas estatuetas do Oscar, incluindo a de melhor filme.

A autora do livro “A Síndrome de Rebeca”, é Carmen Posadas, jornalista e escritora uruguaia nacionalizada espanhola. Sua obra mergulha em experiências psicológicas aproveitando-se de casos reais, propondo-se a exorcizar fantasmas do passado.

Como os “fantasmas do passado” preocupam muita gente, inclusive a mim, resolvi dar uma de caça-fantasmas como assistimos na série de televisão e vamos jogar ainda este ano jogo desenvolvido para Androide e iOS para capturar fantasmas “no mundo real”.

Na mansão gótica que serve de sede para o STF se realiza um sombrio festival de fantasmas dos governos passados, dançando ao ritmo de versões da lei para todos os gostos, contanto que atenda aos interesses fantasmagóricos.

É lá o ambiente ideal para uma caçada aos espíritos malignos, sob o reinado do egoísmo, filho da soberba e da vaidade, num cenário mórbido como o Purgatório que Dante Alighieri descreveu na sua “Divina Comédia”.

Foi de lá, dos escaninhos que arquivam a covardia e o mercenarismo, que libertaram os diabretes da impunidade, espíritos galhofeiros que querem bagunçar o Brasil, porque não conseguiram implantar aqui o desgraçado socialismo bolivariano que arrasou a Venezuela, outrora o país mais rico da América Latina.

Desfilam Marco Aurélio que com o hálito do mau humor, chamou a presidente Carmen Lúcia de “traidora”; e se segue o decano Celso de Mello, procurando os holofotes da mídia, que adora. Mostram quem são, com críticas rudes ao juiz Sérgio Moro só por que este porque pediu a manutenção da prisão após condenação na 2ª Instância.

Temos ali a imagem espectral de Lewandowski rasgando a Constituição para manter os direitos políticos da impichada Dilma Rousseff, e levando parlamentares do PT ao gabinete de Carmen Lúcia, segundo o bem informado jornalista Gerson Camarotti.

A visagem de Luiz Fux vagueia relatando o processo sobre o pagamento de auxílio-moradia a juízes, que retirou da pauta do Plenário, adiando a decisão para as calendas gregas; e, assombrando a quente, materializa-se o ex-advogado do PT, Dias Toffoli, que foi chefe da AGU no governo Lula, assumindo direta ou indiretamente os malefícios causados pelo Pelegão.

Na cota feminina das assombrações, a volátil Rosa Weber entre o certo e o errado, sempre defendendo o contrário; e nesta sessão, baixa Roberto Barroso ronronando uma frase antológica sobre Gilmar Mendes:  “Você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”.

E a apavorante figura de Gilmar apelidado pelo povo como “ministro laxante” por soltar corruptos presos pela Lava Jato; ele tem engavetado no STF um abaixo-assinado que pede o seu impeachment com quase 2 milhões de assinaturas.

Outra alma penada, Edson Fachin, um ex-filiado ao PT que procura a salvação, mostrando-se fiel ao texto da lei; muito diferentemente do ex-secretário de Kassab na Prefeitura de São Paulo, Alexandre Moraes que dispensa outra apresentação…  Por fim, a figura vampiresca de Carmen Lúcia, sem saber se vai ou se fica, indefinida entre as fervorosas orações da direita e da esquerda.

Neste quadro, é uma exigência patriótica um exorcismo para esconjurar os fantasmas da ópera bufa que ridiculariza a magna figura da Justiça!

 

HERÓI

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Antigamente canonizávamos nossos heróis. O método moderno é vulgarizá-los”. (Oscar Wilde)

A minha geração familiar recebeu dos avoengos as lições básicas de respeito à evolução natural que chamamos a Lei da Vida, sem qualquer tipo de coerção. Fluíam esses ensinamentos no rito de passagem de pais para filhos, sem que nos déssemos conta disso.

Eu, minha irmã e primos (mais de vinte) aprendemos em casa o amor pela Pátria e o orgulho pelos heróis que a construíram e nos legaram. Adoto por princípio até hoje estes ensinamentos, até por capricho; conheci muitos países e convivi com outros povos, e me convenci de que o que foi bom para os ancestrais será para as próximas gerações.

Cresceu, porém, no século passado, a visão negativista de que Pátria e herói são coisas abstratas; e como esta ideia insensata veio embrulhada junto à utopia do coletivismo e da igualdade, num pacote envolvido de papel celofane colorido enfeitado de fitas, convenceu a fração social dos medíocres alguns até dom títulos acadêmicos!

Estes pobres de espírito, seguidores da banalização da Pátria e dos heróis, fazem de tudo para o triunfo desta idiotice: polarizam a política entre direita e esquerda, dividem a sociedade entre brancos e negros, atiçam rivalidades religiosas, incentivam o desrespeito às leis e até mudam o significado das palavras…

O desvirtuamento da língua que Rui Barbosa tanto criticava mostrando-o como sinal da degeneração de uma nação ouvimos de suas bocas e lemos nos seus escritos.

“Herói” é uma pessoa audaciosa, corajosa, destemida, notável, ousada, valente…  O verbete dicionarizado é um substantivo masculino, com versão feminina, “heroína”. Sua origem é grega, “heros”, que adotada no Latim por Virgílio, é Hërös.

Vem de tempos muito antigos a veneração e o respeito aos heróis. As diversas mitologias reverenciam os heróis como um mortal divinizado por ser filho de um deus ou uma deusa com um ser humano. Era considerado um semideus.

Transmitida através dos séculos a referência aos heróis, criou-se nos corações e mentes dos brasileiros nascidos de pai e mãe, não de chocadeira, a memória e o culto dos nossos heróis, a partir dos tiveram um papel fundamental na nossa formação, o branco, o índio e o negro representados por André Vidal de Negreiros, Filipe Camarão e Henrique Dias, resistentes ao domínio das Companhia das Índias Ocidentais.

São também inesquecíveis as heroínas Anita Garibaldi, Bárbara Heliodora, Branca Dias, Dandara dos Palmares, Joana Angélica, Maria Quitéria e Nísia Floresta. Guardamos na memória Cândido Rondon, Caxias, Frei Caneca, Osório e Tiradentes…

Estes heróis e estas heroínas dedicaram-se a defender a integridade territorial do Brasil e o interesse nacional, mantendo a ética, a decência e a moral, palavras que não constam dos manuais do lulopetismo, transformador de assaltantes do erário em heróis do PT e seus puxadinhos.

Os tempos modernos trouxeram novas definições protagônicas de heróis na literatura, no teatro, no cinema; dos quadrinhos surgiram super-heróis, personagens fictícios, e dos desenhos animados, heróis animais…

Mas nos entristece ver que há brasileiros – felizmente um grupo cada vez mais diminuto – que deturpa o verdadeiro conceito de herói, infamando-o e desonrando-o ao cultuar como tal o corrupto Lula da Silva condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Esta ignomínia nos leva a Castro Alves, no seu “Navio Negreiro” – “(…)é infâmia demais! … Da etérea plaga / Levantai-vos, heróis do Novo Mundo! / Andrada! Arranca esse pendão dos ares! / Colombo! Fecha a porta dos teus mares! ”

 

 

 

O VOTO

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“O voto só é perfeitamente democrático se for livre e racional, o que supõe uma igualdade tendencial da informação e do poder econômico e social dos eleitores e dos elegíveis” (Francisco Sá Carneiro)

Mal saídos do regime militar autoritário, os brasileiros recebemos de um congresso eleito ao sabor emocional dos políticos oportunistas, uma Constituição feita nas coxas, contaminada pelo vírus populista inoculado por grupos de pressão. Nela foi adotado o “sufrágio universal”.

Sonhava-se em escantear o sufrágio restrito, os senadores biônicos e o bipartidarismo estabelecidos de cima para baixo para dar uma aparência de democracia ao regime militar; então deram direito de voto aos cidadãos a partir dos dezesseis anos de idade.

A palavra sufrágio é um substantivo masculino originário do latim “suffragium”, que literalmente significa “voto”. É o direito público de votar e ser votado, de acordo com a Constituição Federal; o voto é a maneira de exercê-lo, e o seu procedimento chama-se escrutínio.

Apesar do nome pomposo “sufrágio universal” ele se reduz ao direito de voto quando se trata de eleições políticas e em qualquer tipo de votação ter a participação dos aptos legalmente a votar sem distinção de etnia, sexo, crença ou classe social.

Parece uma beleza, mas no Brasil representa apenas o antepasto do banquete onde são convivas os militantes dos partidos formados na chamada redemocratização, sem uma definição ideológica, com programas semelhantes.

Para o povo, não significa absolutamente nada, pela dificuldade de cumprir as regras feitas no “arrumadinho legal” de conservadores e liberais e direita e esquerda, misturadas para se manterem no poder.

Então, temos um arremedo de Democracia com uns cidadãos mais iguais do que os outros, e uma fachada de República que deveria ser composta de três poderes iguais, independentes e separados, mas tem um Judiciário capenga, com seus membros indicados pelo Executivo e referendados por um Legislativo submisso…

Isto exposto no contexto do sufrágio e do voto, lembro uma frase de George Orwell, o genial autor de “1984” e “A Revolução dos Bichos”, que gosto muito e vivo divulgando: “Um povo que elege corruptos, impostores, ladrões e traidores, não é vítima. É cúmplice! ”

Então dou um mergulho na realidade brasileira para expressar a minha aversão pela chamada “redemocratização” que foi, sem dúvida, a deterioração do tecido político nacional e o maior exemplo disto foram as candidaturas presidenciais por eleição direta de Collor e de Lula.

Passados anos sem democracia, a “democracia” que apareceu foi a promoção de indivíduos e partidos descompromissados com os reais interesses do povo brasileiro, aproveitando-se do poder para auferir benesses, como os malfadados “foro privilegiado”, “auxílio moradia”, “cartões corporativos” e “isenções do imposto de renda”.

Para alicerçar a legalidade fajuta de tais privilégios, fortaleceram as corporações, multiplicaram os sindicatos, inventaram “bolsas” disto e daquilo, aparelharam os órgãos de governo, enfim, facilitaram todos os tipos de assalto ao Erário.

Para piorar a situação, tivemos catorze anos de PT-governo e ainda nos resta um “puxadinho” dissidente. Neste período a corrupção foi institucionalizada, a representação popular gangrenou e as cúpulas dos poderes republicanos trocaram o respeito e a credibilidade pela prevaricação.

Com o lulopetismo veio a urna eletrônica bolivariana cuja pré-disposição à fraude, leva-nos a pensar com Paul Charles Bourget que escreveu: “O sufrágio universal, a mais monstruosa e a mais iníqua das tiranias, pois a força do número é a mais brutal das forças”.