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Olavo Bilac

Via Láctea

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” e eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

CONSELHO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Se você é capaz de distinguir entre o bom e o mau conselho, então não precisa de conselho”
(Edward Murphy)

Quando deixei de ser menino, mas ainda não me tornara adulto, ouvi uma lição que trago até hoje nos ouvidos: “Se conselho fosse bom não seria gratuito, cobrar-se-ia muito caro por ele”… Poucos da minha geração seguiram este ensinamento, ouvindo-os e distribuindo-os com outros…

Talvez estivessem certos. É inconveniente pedir conselhos, mas deve-se recebe-los com agrado, e sendo bons, passa-los adiante para quem encontre utilidade neles.

No meu caso, guardo com carinho o valor das palavras que ilustram os pensamentos, elas são os instrumentos adequados para garimpar sabedoria. Aprendi com o grande Confúcio: “Eu não procuro saber das respostas, procuro compreender as perguntas. ” As palavras, escritas ou faladas são moedas de troca das experiências.

Perguntar é uma obrigação de quem quer aprender. Lembro uma história antiga que ouvi, mas não sei se expressa uma passagem histórica ou uma lenda; como é elucidativa, memorizei-a e registro-a em linguagem corrente. Ei-la:

“Na primeira vez em que foi convidado a falar num comício, Alcebíades, o grande orador e político da antiguidade grega, sofreu um medo danado de enfrentar o auditório. Sentiu aquilo que a gíria teatral chama “trac”, a vacilação em enfrentar o público. O seu tio Péricles mandou-o procurar o conselho de Sócrates, o sábio.

Expressando ao Mestre o que ocorria, Alcebíades ouviu dele: – “Acaso te acanharias em falar cara a cara com o feirante Ariston? ” – “Não”, respondeu o jovem.

“O filósofo insistiu: – “Terias medo de conversar cara a cara com o sapateiro Leandro? ” – “Evidente que não! ”, enfatizou o político principiante.

“Sócrates então resumiu o seu julgamento sobre a multidão: – “Nesse caso, o que pode te causar preocupação a ideia de vê-los ambos multiplicados por cem ou por mil? ”

Esta tirada filosófica substituiu o “Conselho” o substantivo masculino originário do latim, (concilium, ii) com significado de associação, reunião, assembleia, concílio. A palavra vulgarizada passou também a ser pessoa que dá conselhos; quem aconselha, orienta, dá direcionamentos a outrem; aconselhador, guia.

Conselho pode ser um aviso, um parecer ou um grupo de pessoas com funções deliberativas, como “conselho de família”, “conselho de ministros” ou “conselho de guerra”. Parece estranho, mas estão corretos os verbetes conselho (com “s”) e concelho (com “c”) na língua portuguesa.

Esta troca-letras é corriqueira e frequente na gramática e usual na advocacia, na magistratura e no parlamento. Registra-se com ela a vitória do ministro Sérgio Moro sobre os jornalistas comprometidos em criticá-lo e metidos a conhecer a língua lusófona. Participando de uma audiência pública no Congresso, Moro usou a palavra “Conge” sendo criticado pela mídia como se tivesse cometido um erro.

Esse exemplo mais do que perfeito da crítica ignorante teve efeito entre os ignorantes lulopetistas ávidos em apontar erros do juiz da Lava Jato, mas não entre os estudiosos do idioma…. Agentes midiáticos não pesquisaram o novo acordo ortográfico, nem estudaram a redução de sílabas átonas na linguagem coloquial.

Para o respeitado gramático, doutor Ernani Terra, a palavra “Conjugue” na terminologia jurídica, tem como raiz “jugo”, trazendo em si o conceito de vínculo matrimonial. Deslizou na linguagem comum para “Conge”. Terra, ironicamente, apela para outro jargão advocatício, o “benefício da dúvida”, que deveria ser dado a Moro…

Na minha opinião, como Sérgio Moro é Sérgio Moro, caber-lhe-á até o direito de criar neologismos… por isso, o Dicionário informal sempre presente no Google, apressou-se a registrar o verbete como variação falada de “conjugue”, referindo-se à pessoa com quem se mantém relacionamento matrimonial.

Para os cretinos que atacam Moro para defender o arquicorrupto Lula da Silva, preso por corrupção e lavagem de dinheiro, deixo-lhes Machado de Assis: “Ouçam-me este conselho: em política, não se perdoa nem se esquece nada”.

Mário Quintana

O Tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…

Fernando Pessoa

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu ?”
Deus sabe, porque o escreveu.

INSANIDADE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Uma conduta insana pode até ser corrigida, mas não apagará o mal que causou”   
(Talmude Babilônico)

Mais do que frustrações político-partidárias e perda de identidade ideológica, vemos possessões demoníacas do fanatismo acumpliciando-se com bandidos, sem explicar satisfatoriamente o porquê desta insanidade.

Aldous Huxley na conferência intitulada “O problema da natureza humana”, propôs uma regra estabelecendo que em vez da agressividade descontrolada, deve-se pensar em fazer com os outros o que gostaria que eles lhes façam.

Será impossível que alguns parlamentares brasileiros aceitem este conselho de Huxley? Será que pelo menos um lulopetista, daqueles que defendem as minorias, a natureza e o amor, possa comportar-se em relação aos adversários políticos tratando-os como gostariam de ser tratados?

Este não é o caso, pelo visto, do deputado fluminense Glauber Braga na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, quando odiento e infamante com o ministro Sérgio Moro, chamou-o de “juiz ladrão”. E depois, com a molecagem usual dos psolistas seus companheiros, apresenta-se como vítima, dizendo-se ameaçado de morte…

Não sei se é por que estou muito velho (e ranzinza), exijo um tratamento respeitoso entre as pessoas. Na minha opinião, considero uma condenável falta de ética o que ocorreu na Câmara dos Deputados. Os fatos registram isto e mais: a presença da arrogância, do ódio e da presunção do autor desta insanidade.

O verbete Insanidade é um substantivo feminino, de origem latina, (insanitas.atis), comportamento de quem perdeu o domínio de suas capacidades mentais; insano, insensato, imprudente, etc.

Segundo especialistas em psicopatologia, a insanidade (ou loucura) é um abalo da mente caracterizada por pensamentos considerados anormais, seja demonstrando alucinação ou um alheamento doentio.

Seria bom para o senhor Glauber – e os que se comportam como ele -, um tratamento clínico para o seu mal. Acho, porém, não se tratar apenas dos prejuízos enfermiços que causa; é mais do que isto.

Ele precisa de reeducação social para se comportar como o produto biológico da relação pai e mãe e não como filho de chocadeira, obrigando-nos a trata-lo como um ser sem alma, porque nem o homem primitivo tratou os semelhantes da sua nação sem o respeito devido.

O Levítico, seguido pelos israelitas, denuncia tais abominações, e foi justamente isto que o povo de Moisés encontrou ao chegar ao país de Canaã, depravação e impudor. É o Antigo Testamento registrando e condenando a iniquidade, séculos antes da chegada de Jesus Cristo.

E vai além, com o que encontramos em Isaias, contando a parábola do rei da Babilônia que morrendo, desceu para junto dos mortos, que o acolheram com palavras sarcásticas: “Que fizestes da tua magnificência, agora que os vermes te cobrem? ”

Será preciso que esta concepção antiga volte aos dias de hoje para disciplinar o comportamento dos homens públicos no Brasil? Há pessoas que acham difícil conseguir isto após 16 anos de condicionamento ideológico da pelegagem sindical que corrompeu a própria utopia socialista.

Da minha parte, ao contrário, respondo que sim, que o trato pessoal com nobreza, é uma questão de formação e cultura. Foi o que se viu na presença sem afetação, franca e sincera do ministro Sérgio Moro na Câmara dos Deputados.

A atitude honesta de Moro emprestou-lhe o brilho da tranquilidade. Foi este, talvez, o motivo dos rancorosos ataques que sofreu dos insanos defensores do Pelegão condenado à prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, sentenciado por ele como juiz da Lava Jato.

 

 

 

TAPETE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A natureza criou o tapete sem fim que recobre a Terra. Dentro da pelagem deste tapete vivem todos os animais respeitosamente. Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem”. (Monteiro Lobato)

A nostalgia dos contos fantásticos levou-me a recordar o tapete voador do filme Ladrão de Bagdá, fita inglesa de 1924 que lançou ao estrelato Douglas Fairbanks. Este não vi, mas assisti o seu remake produzido por Alexander Korda em 1940. Ambas com roteiro adaptado das Mil e Uma Noites.

Korda encantou a criançada da minha época, trazendo um personagem encantador, Sabu Dastargir, que se destacou no elenco com John Justin, June Duprez, Conrad Veidt, Miles Malleson e Rex Ingram. Sabu era um ladrãozinho das ruas que ajudou com várias estripulias o namorado da filha do Califa de Bagdá.

Tivemos neste filme as primeiras iniciativas dos chamados “efeitos especiais” que viriam se consagrar nos filmes de ficção científica. Trouxe uma caverna que se abria gritando-se uma senha, um cavalo mecânico trotando no espaço e o tapete mágico com capacidade de voar, transportando uma ou mais pessoas.

O Tapete é um utensílio comum a todas as casas, pobres e ricas. Começa com um capacho na porta, depois nas cozinhas, nos banheiros, nos quartos, e dão um ar decorativo na sala. Os mais caros são um produto de esmerada tecelagem, importados do Irã, Azerbaijão, da Índia e da Mongólia.

Temos, também os de fazenda encorpada, tecida ou bordada, de palha ou materiais industrializados, borracha e linóleo. O seu uso é antiquíssimo; foi encontrado no túmulo de um príncipe cita, em 1949, nas Montanhas Altai, na Sibéria, que um teste de carbono-14 indicou ter sido elaborado no século V a.C.

Como verbete dicionarizado, é um substantivo masculino de origem latina (tăpes,ētis) e (tapēte,is e tapētum,i ). Seus sinônimos alcatifa e alfombra vêm do árabe, e o mais moderno é carpete.

Povos de várias nações do mundo estão entregues à pobreza, mas seus governantes pisam em tapetes caríssimos; no Brasil, alguns togados do STF e diversos congressistas caminham sobre carpetes que silenciam seus passos, talvez para realçar os estrepitosos discursos em favor dos seus próprios interesses.

Vejam bem. No caso do Supremo, com dezenas de processos para julgar, os meritíssimos sempre arranjam tempo para apreciar um sem número de pedidos do condenado Lula da Silva, preso por corrupção e lavagem de dinheiro, e não sei quantos processos a responder pelo comportamento indigno frente à presidência da República.

Do outro lado, os parlamentares da atual legislatura de grande renovação, mas mantendo continuados os velhos costumes da prática corporativa em defesa de proveitos pecuniários e políticos. Para isso assumem até posições contra os anseios nacionais de reformas. Legislam em benefício próprio.

A pouco assistimos a criminosa articulação para soltar o chefe da Orcrim política no Congresso e no STF. A trama foi abertamente criada pelo togado Gilmar Mendes de tal maneira escancarada que os fanáticos lulopetistas prepararam com antecedência manifestações de apoio em Brasília e esperando a soltura do Pelegão em Curitiba.

Para alegria dos defensores da Justiça boa e perfeita, a pressão popular nas redes sociais impediu o golpe traiçoeiro, batendo de frente com os conspiradores.

Ficou claro que os brasileiros de cor-de-pele e gênero diversos, acima dos partidos e das ideologias, querem dar um fim na impunidade dos criminosos de colarinho branco e varrer para todo e sempre a corrupção institucionalizada pelos governos lulopetistas.

Sobrevoando Brasília num tapete voador, veremos, todavia, a contínua ação dos picaretas engavetando o fim do foro privilegiado, as reformas aprovadas eleitoralmente com Bolsonaro, os pedidos de impeachment de juízes suspeitos e o projeto anticrime do ministro Sérgio Moro.

SONHOS

MIRANDA SÁ (Email:mirandasa@uol.com.br)

“Nos sonhos, vocês despencam de alturas, ou alguém lhes corta, ou lhes bate, mas  nunca sentem dor” (Dostoiévski)

Será sonho, ou torpor, ou indiferença, a ausência de revolta, de dor e de lágrimas de alguns brasileiros que não se tocam para as sabotagens de grupos parlamentares contra as reformas defendidas pelo Governo Bolsonaro e apoiadas pelo povo?

Porque se juntam contra os projetos de ordem e progresso os fanáticos do narcopopulismo com os picaretas ávidos por lucros e os carreiristas que só veem as próximas eleições?

São perguntas atuais, e a resposta é clara:  para essa manada, o malefício da politicagem, dizem, não é uma questão pessoal. São incapazes de ver que a degradação dos costumes, da ética e do comportamento dos homens públicos, traz prejuízos para todos.

Assim se vê que enquanto a sociedade é contra a corrupção herdada da enganadora gestão Fernando Henrique Cardoso, incubadora da famigerada reeleição, do criminoso Mensalão e da eleição de Lula, os maus políticos insistem em continuar assaltando o Erário, como se a coisa pública lhes pertença.

Neste quadro, assistimos a luta do presente contra o passado; mas, infelizmente, a nascitura “nova política” só está nos planos dos recém ocupantes do poder. É um sonho que ainda não se materializou. E não entrou sequer na cabeça do povão.

O verbete “Sonho” é um substantivo masculino que indica o ato ou efeito de sonhar; com uma dupla versão de origem latina, “somnium” (sonho, sonhar com) e também “somnus” (sono, ociosidade). Ambos levam a um conjunto de imagens, lembranças ou de fantasias.

Os seus sinônimos, absurdo, aparência, devaneio, fábula e quimera nos afastam da realidade, levando-nos à velha lição de que sonhando é fácil adotar novas ideias, mas é difícil livrar-se das velhas práticas ao acordar. Na cena nacional, sonhamos em nos desfazer da bandidagem, enquanto na chamada “classe política” só se vê o apego individualista às benesses.

É com tristeza que os que empunham a História como arma assistem à antecipação das disputas eleitorais visando a sucessão presidencial, o que leva o presidente Jair Bolsonaro a descartar do que disse na campanha eleitoral contra o inconveniente e impopular instituto da reeleição.

Explica-se este recuo. O argumento é de que as barreiras contra a realização das promessas eleitorais que o elegeram, levem o Presidente a sonhar que poderá obter uma maior e melhor renovação na representação do Congresso.

Esta reação é válida num estágio político em que o tripé republicano dos poderes sofre um desequilíbrio, com o Judiciário se divinizando com a síndrome da onipotência e onipresença, e o Legislativo não consegue livrar-se dos antigos vícios do arrivismo e do carreirismo.

Combate-los é importante; mas o que o momento exige é o enfrentamento com a atividade criminosa dos terroristas cibernéticos atuando para restaurar o sistema corrupto do lulopetismo, desacreditando a Operação Lava Jato e o ministro Sérgio Moro.

Trata-se de uma guerra de guerrilha movida de fora para dentro, com mercenários estrangeiros financiados pelas propinas dos hierarcas lulopetistas depositadas no Exterior pondo em perigo a segurança nacional.

O uso do terror entre nós surfa nas ondas da mídia sensacionalista comprometida com a oposição antinacional e os peões do chamado Centrão.  Estas frentes ilegal e legal atuam sincronizadas à vista de quem tem olhos para ver e ruidosamente ouvidas por quem tem ouvidos para ouvir.

Diante disto, os patriotas perguntam: “Quando chegará o dia em que os políticos egoístas, inimigos da Verdade, sentirão vergonha, abandonarão o individualismo e reconhecerão a Justiça, a Justiça boa e perfeita, escrita com letras maiúsculas?

DIPLOMAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O diploma serve apenas para constituir uma espécie de valor mercantil do saber”. (Michel Foucault)

O presidente da Academia, Arnaldo Niskier, que se projeta no plenário da Casa pela cultura e independência, comentou que “A carta dos ex-ministros da Educação condena o contingenciamento de verbas que todos eles fizeram e exige a solução de problemas que criaram ou agravaram”.

Verdade. Todos eles os que assinaram a “Carta” são culpados da situação terrível em que a Educação se encontra; foram incompetentes e deveriam ficar calados, principalmente sobre o corte de verbas que todos aceitaram no exercício do cargo.

Apesar disto, seguindo bovinamente esses “líderes de coisa alguma”, a manada lulopetista estoura irracionalmente contra o Governo Federal cega para o passado narcopopulista das administrações Lula da Silva e o seu fantoche, Dilma Rousseff.

Não veem como se encontra o Brasil no ranking mundial da Educação. E que isto, evidentemente, não é resultado dos seis meses de Bolsonaro, mas a herança maldita dos 16 anos de governo petista, quando as Faculdades de Pedagogia entregavam ao mercado de trabalho docentes incapazes de assumir uma sala de aula.

Isto nos envergonha, mas explica termos 14 milhões de analfabetos ao mesmo tempo em que a universidade oferece uma pós-graduação quantitativa de país desenvolvido.

O legado da má política – seja por falta de civismo ou corrupção vem da prática distributiva própria da pelegagem sindical, o “engana trouxa” importado das ditaduras cubana e venezuelana sob o rótulo de “socialismo do século 21”.

Da incompetência, irresponsabilidade e favoritismos nos governos lulopetistas e a sua midiática “Pátria Educadora” contam-se histórias incríveis. Uma delas é tragicômica; poderia se encontrar numa peça de Nelson Rodrigues ou num filme de Chaplin.

É o caso de um pelego das antigas, ex-presidente de uma das inúmeras federações sindicais, que procurou o “companheiro Presidente” solicitando um emprego público para o filho. Lula não titubeou em aparelhar mais um e encaminhou o pedinte à Casa Civil, para resolver.

Com o Ministro (foram tantos a ocupar o cargo que não se sabe qual deles), também sindicalista, o favorecido resolveu falar francamente com o colega. Disse que o filho, candidato ao cargo, era fraco de estudos, sem concluir sequer o Fundamental.

Com um sorriso maroto, o Ministro abriu uma pasta, examinou alguns papéis e disse: – “Tenho um aqui, ideal para o seu filho; conselheiro de uma empresa estatal, com um vencimento de R$ 25 mil…”

–  “Vinte cinco mil? É muito, ele acabaria me desprezando e à sua mãe”, disse o Pelego, e sugeriu outra função. O negociador então ofereceu um lugar de assessor técnico de um banco oficial, ganhando R$ 15 mil.

– “Assessor técnico, não dá, companheiro, ele é quase analfabeto… E também é muito dinheiro para um pródigo como ele… Não haveria um lugar com um salário de seis, oito mil reais? ”

O Ministro, assumindo uma postura burocrática, foi curto e grosso: – “Você não sabe, meu amigo, que abaixo de R$ 15 mil exige-se diploma? Veja se compra um por aí, é muito fácil…”

Esta parábola da pelegagem lembrou o meu avô, de quem herdei o nome, engenheiro formado na Escola Politécnica, junto com outros três colegas positivistas como ele, se recusou a receber o diploma…

Antoine de Saint-Exupéry

ESTRELAS

As pessoas tem estrelas
que não são as mesmas.
Para uns que viajam,
As estrelas são guias.
Para outros, elas não passam
de pequenas luzes.
Para outros os sábios, são problemas.
Para o meu negociante,eram ouro.
Mas todas essas estrelas se calam.
Tu porém terás estrelas como ninguém (…)
quando olhares o céu de noite,
porque habitarei numa delas,
porque numa delas estarei rindo,
então será como se todas as
estrelas te rissem!
E tu terás estrelas que sabem rir!

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INOCÊNCIA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

                          “A inocência é uma coisa admirável; mas é muito triste que ela se possa preservar tão mal e se deixe tão facilmente seduzir”. (Immanuel Kant)

Nos primeiros anos da minha vida (lembro bem, a escola era “risonha e franca”) as crianças mais sabidas tinham obrigação de ler o livro “Inocência”, de Alfredo Taunay. A meninice na casa de minha avó, convivendo com duas tias e minha mãe, professoras, eu e a minha irmã mais velha éramos muito cobrados sobre a leitura.

A narrativa suave na obra de Taunay, trazendo de memória a sua vivência nos sertões de Mato Grosso, é considerada pelos estudiosos da literatura brasileira como a obra-prima do romance regionalista.

O meu saudosismo pelo passado evoca sempre uma descrição do livro, onde o autor diz com ironia: “Debaixo do céu há uma coisa que nunca se viu, é uma cidade pequena, sem falatórios, mentiras e bisbilhotice”. Pensou como um inocente…

Conheço muita gente que considera a inocência condenável, principalmente na vida pública. Diz-se que o governante inocente se preocupa com o opositor, mas convive com inimigos sem se dar conta…

A palavra Inocência vem do latim, “innocentia, ae” com classificação gramatical variada; é substantivo feminino no juridiquês, referindo-se a estado do que é inocente, e falta de culpa; e como adjetivo de dois gêneros, significando destituído de segunda intenção, de malícia, bonachão, cândido, crédulo, ingênuo, inofensivo, tolo.

O substantivo inocente jamais poderia ser usado para Lula da Silva, pelego sindical que segundo o seu ex-ministro Antônio Palocci, vendeu medidas provisórias no exercício da presidência da República e pediu a um lobista do setor automotivo propinas para um dos filhos. Está preso por ter recebido um tríplex de propina e em julgamento pelas reformas que uma empreiteira fez no sítio de um “amigo”, mas de uso exclusivamente seu…

Por outro lado, o adjetivo inocente irá para os crédulos que passam o dia rezando e pedindo orações contra o mal, s’esquecendo que Jesus Cristo dirigiu o Sermão da Montanha para os homens e mulheres de boa vontade, mas empunhou o chicote para expulsar os vendilhões do Templo.

Estas constatações nos levam a pensar se é por inocência que algumas pessoas ativas nas redes sociais ocupam todos e todo tempo dando mais atenção às passeatas de Hong Kong do que com o roubo do nióbio no Brasil… Ou extrapolam distribuindo exageradamente mensagens de “ONGs humanistas” sobre as baleias na Antártida, o crocodilo da Indonésia e a águia das Montanhas Rochosas… Sem olhar para as barragens ameaçadoras da Vale do Rio Doce.

Por conjecturas tiradas de notícias de jornal, o Brasil é, talvez, o país onde a condenação de inocentes é muito maior do que a absolvição, redução de pena ou tratamento privilegiado dos criminosos. Serão erros judiciários, argumentação inequívoca de advogados ou simples coincidência?

Neste cenário, uma coisa é certa; há quem confie apaixonadamente nesta coincidência, quem acredite que são infalíveis as poderosas bancas advocatícias, e que os juízes sempre são vocacionados para julgar.

Da minha parte, sinceramente, não vejo diferença de um museu que se incendeia por causa da displicência de uma administração que não viu fios elétricos decapados, e a sentença de um juiz que manda soltar corrupto baseado num indulto presidencial charlatanesco que ele próprio aprovou na Corte.

Como pensou Albert Camus, não podemos afirmar a inocência de ninguém, botar a mão no fogo, como se diz; mas quando há testemunhos irrefutáveis, bens adquiridos inexplicavelmente e sinais aparentes de riqueza, não pode haver dúvidas…. Foi o que a Lava Jato viu em vários atores da cena política, e daí advém o ódio mortal dos fanáticos lulopetistas que querem desmoraliza-la.