Arquivo do mês: maio 2026
DA IGUALDADE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Nos ideais da juventude brasileira o item Igualdade está sempre presente…. Talvez por herança da cultura francesa que vigorou entre nós por décadas. Como verbete dicionarizado, a palavra aparece como um substantivo feminino de etimologia latina “aequalitas” que significa a qualidade ou o estado daquilo que é igual.
Falo da herança cultural lembrando que as vanguardas libertárias coloniais admiravam e se inspiravam na Revolução Francesa adotando a crítica dos iluministas contra os privilégios da nobreza e do clero.
É de lembrar que o filósofo Jean-Jacques Rousseau defendia que os homens deveriam possuir os mesmos direitos civis e políticos perante a lei; e o consagrado lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” expressou o repúdio ao feudalismo contrário às liberdades públicas.
Convivendo com os revolucionários burgueses, o pensamento anarquista ampliou essa ideia de igualdade. Teóricos como Mikhail Bakunin e Piotr Kropotkin argumentaram que não bastava existir igualdade perante a lei, enquanto persistissem o Estado autoritário, a exploração econômica do trabalho e as hierarquias sociais.
Em ambas as correntes ideológicas, porém, a igualdade aparece como crítica aos antigos regimes absolutistas, defendendo que a igualdade conviva com as liberdades democráticas e a justiça social.
Ainda no século 19 surgiu uma terceira posição, marxista, que tentou unir todas as correntes revolucionárias reunindo-as em Londres, a 28 de setembro de 1864, para fundar a Associação Internacional dos Trabalhadores.
Esta circunstância durou pouco. Os liberais logo se afastaram e os anarquistas foram contra o coletivismo pregado por Marx e Engels, propondo o fim do Estado e a autogestão dos poderes públicos por cooperação individual e voluntária, permitindo a igualdade social e econômica pela ajuda mútua.
A outra dissidência, liberal, associada ao capitalismo, passou a ver a Igualdade como igualdade jurídica e igualdade de oportunidades. Este seguimento inspirou autores como John Locke e Adam Smith, sustentando que todos os indivíduos devem possuir os mesmos direitos civis, liberdade econômica e proteção legal, cabendo ao mérito pessoal determinar diferenças de riqueza e posição social.
Os marxistas tiveram a oportunidade de governar um grande país, a Rússia, assumindo o poder com a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Ocorreu então a tentativa de construir uma igualdade econômica mais ampla, eliminando a propriedade privada dos meios de produção e centralizando a economia sob controle estatal. Ao lado de inegáveis avanços científicos, culturais e tecnológicos, o que se viu foi um fracasso na busca da igualdade; a burocracia partidária gozava de privilégios contrastando com o ideal igualitário.
Assim, as teorias e práticas ficaram como exemplo no empenho para reduzir as desigualdades. Apesar dos esforços dos religiosos e humanistas em geral, defendendo que os seres humanos sejam iguais; a defesa cristã se limita a anunciar que todos possuem igual dignidade perante Deus. Evangelistas abordam o tema como se encontra em Mateus (23:8): “Todos vós sois irmãos” e atribuem a Jesus Cristo a frase: – “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
Das controvérsias, é muito discutida a colocação do filósofo inglês Samuel Johnson que se notabilizou no século 18 como crítico literário e contribuinte lexicógrafo para a consolidação do idioma. Evangélico passivo, afirmou que duas pessoas não podem passar meia hora juntas sem que uma conquiste uma evidente superioridade em relação à outra”.
Dá para refletir sobre isto, mas ficar sob a garantia do homólogo francês de Johnson, Denis Diderot, que também nos leva a pensar: “Homem algum recebeu da natureza o direito de comandar outros homens”.
Finalmente a melhor e atualíssima crítica aos regimes que traíram e traem o ideal da igualdade é de George Orwell no imperdível opúsculo “Revolução dos Bichos”, ao denunciar os privilégios e intocabilidade dos porcos que tomaram o poder: “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”.
DA MEMÓRIA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Sempre com um referencial, faço leituras cotidianas para degustar a sabedoria de quem sabe das coisas…. Fazendo-o, confesso que me encabulei com uma colocação do respeitável pensador canadense John Kenneth Galbraith que se dedicou nos EUA escrevendo sobre ciência política e filosofia. Ele escreveu: “Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta”.
É impressionante como este pensamento se encaixa na Política ao longo da História da Civilização. O esquecimento de coisas, fatos e nomes pelas sociedades é notável; lembra que a nossa mente parece preparada para não lembrar do que nos afeta, como a dor, que depois de curada desaparece da nossa consciência.
Esta capacidade de perceber a si mesmo, os próprios pensamentos e o mundo ao redor, é a Consciência, que parece vir blindada para enfrentar aquilo que os sentimentos causam.
Para a psiquiatria e a psicologia cognitiva, a Consciência é uma atividade mental ligada ao funcionamento integrado do cérebro e à experiência subjetiva da realidade; e para a psicanálise, inspirada em Sigmund Freud, considera que apenas parte da vida psíquica é consciente, enquanto desejos, traumas e impulsos inconscientes influenciam o comportamento.
O estudo da mente nos leva a conceber que embora profundamente ligados a consciência e a memória são fenômenos diferentes.
A Consciência é uma atividade mental presente, a capacidade de perceber, pensar, refletir e reconhecer a realidade interior e exterior no instante vivido, enquanto a Memória é o arquivo que armazena para depois recuperar, informações, lembranças e experiências acumuladas ao longo do tempo.
Vê-se assim, de acordo com os estudos do comportamento humano, que a Consciência atua no presente da experiência mental e a Memória preserva o passado vivido; e a Neurociência conclui que há uma Memória Individual em que cada pessoa conservando a história da sua vida, afetos e aprendizados; e há uma Memória Coletiva que mantém vivos acontecimentos históricos, costumes, crenças e o idioma.
Sem Memória, a Consciência tem dificuldade de construir identidade pessoal e muito menos permitir uma nação “tomar consciência” da realidade política e social…. E é disto que se aproveita a politicagem que infelicita os povos.
Pela observação consolidada por quase oitenta anos vejo o Brasil atravessando um momento de “tomada de consciência” com milhares de pessoas passando a compreender os malfeitos dos poderes republicanos.
A corrupção que sempre existiu, tornou-se gigantesca no Legislativo, no Executivo e no Judiciário trazendo à tona coisas que se passavam despercebidas ou por preguiça mental eram ignoradas.
Hoje, é fácil observar, muita gente passou a compreender o que antes não via: trago como exemplo minha participação numa fila de cartório, ouvindo opiniões unânimes sobre a política nacional.
Presentes, uma professora aposentada, um taxista, dois estudantes e um empregado em supermercado. Todos referindo-se à roubalheira desenfreada que se vê entre os parlamentares, ministros do governo e na magistratura. Um dos protagonistas, nordestino, lembrou uma expressão que corre nos sertões: “Todo político calça 40”. Um exagero, sem dúvida, porque há exceções para justificar a regra…
Vê-se, por exemplo, o malefício delituoso no cenário da corrida desesperada de Lula para sua reeleição. Das medidas com gastos milionários até a cretinice do vaivém da taxa “das blusinhas”, cuja justificativa fica registrada como mais uma sem-vergonhice dos agentes lulopetistas….
Para gravar na Memória, também, além da formidável mentira para desculpar Lula e seu ministro dos Impostos e das Taxas, Haddad; temos também, além do dinheiro, a troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, com “meu irmão prá lá”, “meu irmão prá cá”.
É por isto que milhares de depoimentos, entrevistas e fotografias guardadas nas redes sociai, mostram a igualdade entre os dois polos no cenário polarizante da política, desesperando o Sistema Corrupto que quer impor a censura na Internet….
DAS GUERRAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Como pacifista desde menino, atuando pela Paz Mundial com meus pais ativistas, senti a necessidade de escrever sobre as guerras, tendo com o pensamento voltado para uma genial máxima de Einstein: “A paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos”.
A Pré-História registra que as primeiras guerras surgindo pela disputa de terras férteis, por água e disputas comerciais. Arqueólogos e pesquisadores históricos mostram a utilização dos povos antigos da cavalaria, carros de guerra, lanças e espadas para o ataque, e muralhas para a defesa.
A Pré-História registra que as primeiras guerras surgindo pela disputa de terras férteis, por água e disputas comerciais. Arqueólogos e pesquisadores históricos mostram a utilização dos povos antigos da cavalaria, carros de guerra, lanças e espadas para o ataque, e muralhas para a defesa.
Séculos depois, no Grande Oriente, o Império Chinês foi invadido pelos mongóis de Gêngis Khan, quando se viu a atuação de uma cavalaria extremamente móvel, disciplina militar e táticas de terror psicológico que permitiram rápidas vitórias e a conquista de cidades fortificadas. Nasceu assim na China a dinastia Yuan que deixou duradouras marcas no comércio, na cultura e na política.
No Ocidente, ficaram assinalados dois grande eventos bélicos. No século IV a.C., Alexandre, o Grande, liderou os macedônios na conquista do vasto Império Persa, do Afeganistão, e chegando a regiões da Índia. No Egito, seus sucessores criaram uma dinastia de faraós, tendo como capital a cidade com seu nome, Alexandria.
As campanhas do general macedônio difundiram a cultura helenística, unindo tradições gregas e orientais nas artes, filosofia e literatura. Alexandre tornou-se símbolo do conquistador audacioso e do ideal militar do mundo antigo, sendo considerado um dos maiores estrategistas militares da História.
Chegando a Roma estudamos a conquista da Gália por Júlio César (58-50 a.C.), em campanhas até hoje presentes até no currículo da Academias; a expansão romana pela Europa sucedeu às Guerras Púnicas, um confronto “frente a frente” entre Roma e Cartago pelo domínio do Mediterrâneo. Foram três guerras sangrentas que chegaram ao fim com Roma assumindo o espírito militarista da República destruindo Cartago e consolidando-se como potência imperial.
Na Idade Média, as guerras dos reinos culminaram, no fim deste período, com a Guerra dos Cem Anos, uma série de conflitos entre a Inglaterra e a França; e, já na Idade Moderna, nos fins do século 18 e início do século 19, a História apresenta a chamada “Era Napoleônica” com eventos militares comandados por Napoleão Bonaparte, com o objetivo de fortalecer a França e divulgar o liberalismo da Revolução Francesa, derrubando monarquias absolutistas na Europa.
Daí, chegamos à contemporaneidade quando ocorreram as duas grandes guerras, ditas “mundiais”. A Primeira, deflagrada por ato terrorista, nasceu na verdade por rivalidades imperialistas, nacionalismos extremos e disputas militares entre países europeus. Trouxe duas consequências: introduziu armas modernas de destruição em massa e se viu a vitória da Revolução Russa levando o comunismo ao poder.
A Segunda Guerra Mundial foi provocada pelo surgimento dos regimes totalitários, o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha; este último, sob a insana liderança de Hitler, defendeu a superioridade racial e o expansionismo agressivo sob pretexto do “espaço vital”. Provocou, ao fim, o genocídio de ciganos, eslavos e judeus, uma Europa arrasada e a ascensão dos Estados Unidos e da União Soviética como superpotências rivais.
Desta rivalidade de cunho ideológico, surgiu a Guerra Fria alicerçada por disputas políticas, militares, tecnológicas e nucleares, dividindo o mundo sem que EUA e URSS confronto direto entre si.
Os choques hostis entre nações resultaram no imenso lucro de personalidades políticas, sistemas comerciais industrial-militares, dominando as fontes de combustíveis fósseis e mantendo arsenais nucleares. Enquanto os povos sofrem na viuvez, orfandade, mutilações físicas e psicológicas, as classe dominantes, lucraram, lucram e lucrarão com as guerras.
É por isto que paira na consciência das pessoas de bem, o temor de que as guerras pontuais, como a que é travada no Oriente Médio, provoquem o terceiro conflito global com armas nucleares avançadas, resultando no fim da civilização.
Fechando e trazendo Einstein de volta com a sua genial projeção para tal hipótese: “Não sei com que armas a Terceira Guerra Mundial será travada, mas a Quarta Guerra Mundial será travada com paus e pedras”.
DA IDEOLOGIA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
A palavra ideologia, foi criada pelo filósofo Antoine Destutt de Tracy no final do século 18, significando originalmente “ciência das ideias”; a palavra dicionarizada é um substantivo feminino, significando um conjunto lógico e coerente de ideias, crenças, valores e normas usados por indivíduos ou grupos para interpretar a realidade.
Ideologia etimologicamente se origina do francês Idéologie, a partir dos termos gregos idea (forma, conceito) e logos (estudo). No plano filosófico inicial, o termo tinha pretensão científica, ligado ao estudo da formação das ideias humanas; no correr da História, porém, adquiriu a partir do século 19 novos conceitos.
O processo evolutivo da definição de Ideologia trouxe controvérsias; para uma corrente, é simplesmente a visão inevitável da realidade, presente nas relações sociais. Outra, enxerga o contrário, vendo-a como uma distorção da realidade, usada politicamente como um instrumento de poder e persuasão.
No livro “A Ideologia Alemã”, da autoria de Karl Marx e Friedrich Engels, encontra-se a definição de ideologia como uma forma de consciência invertida da realidade, isto é, um sistema de ideias que oculta ou distorce as condições materiais e históricas da sociedade.
Posteriormente, teóricos como Antonio Gramsci, ampliaram o conceito ao introduzir a noção de hegemonia, mostrando que a Ideologia também atua por meio do consenso cultural, e não apenas pela imposição; Louis Althusser vai além, considerando que a ideologia está presente nas práticas e instituições cotidianas (como escola, família e mídia), moldando a forma como os indivíduos percebem o mundo.
Segundo essa perspectiva, as ideias dominantes de uma época tendem a ser as ideias da classe dominante.
Além dos limites do marxismo, a Ideologia funciona como um instrumento de poder legitimado pela ordem política e social, cobrindo interesses coletivos e particulares, sob a autoridade governamental; e o termo tornou-se polissêmico, podendo indicar doutrinas políticas legítimas e seu inverso, sistemas dogmáticos ou propagandísticos.
Para os pensadores herdeiros de Adam Smith alinhados ao liberalismo econômico, a noção de Ideologia é tratada com desconfiança crítica. Esses autores tendem a vê-la como um conjunto rígido de ideias que pode distorcer a compreensão da ordem social.
É interessante salientar que a economia capitalista se confronta com o excessivo intervencionismo e a limitação das liberdades individuais defendidos pelas doutrinas totalitárias; valoriza o Mercado considerando-o um sistema dinâmico, capaz de coordenar ações sem a interferência governamental.
Esta oposição aos sistemas considerados ideologicamente rígidos como um risco à liberdade e à complexidade da sociedade, aproxima-se contraditoriamente da Ideologia dos populismos auto assumidos como “de esquerda” ….
Como exemplo, vemos seguramente que isto é adotado pelo populismo assistencialista da América Latina, que opera com forte intervenção estatal e apelos pragmáticos nem sempre alinhado ao racionalismo desenvolvimentista.
As práticas contemporâneas dos populistas latino-americanas levam-nos ao genial Roberto Campos, que escreveu: “O que os governos populistas latino-americanos desejam é um capitalismo sem lucros, um socialismo sem disciplina e investimento sem investidores estrangeiros”.
Este pensamento cai como uma carapuça na cabeça dos políticos brasileiros que vivem sob o signo da polarização eleitoral do populismo assistencialista, do pelego sindical Lula da Silva e da Famiglia Bolsonaro, ambos defensores da política distributiva das bolsas disto e daquilo, que inibem o progresso econômico.
A banda que assume atualmente o poder, o “lulopetismo”, reprime a Democracia que ideologicamente desejada pelos brasileiros que exigem instituições republicanas passíveis de crítica, o que não ocorre sob a tirania do Complexo STF-Lula.
DA VERDADE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Meu último texto divulgado, “DA MENTIRA”, expôs a exigência de leitores (a quem não estou autorizado de divulgar os nomes) para mais desenvolvimento do assunto, tema que achei necessário estender, a partir do antagonismo, dando um mergulho na imensidão oceânica da Verdade.
Há uma figuração budista em que o discípulo pergunta ao Mestre: “Onde está a Verdade? E Buda lhe diz: “Está atrás de você”. O Noviço replica: “Olhei, Mestre, e nada vi”; e o Mestre conclui: – Descobriu a mentira, a Verdade é o contrário disto.
O Buda histórico, Siddhartha Gautama, nada deixou por escrito; seus ensinamentos eram transmitidos oralmente durante seus 45 anos de peregrinação; a História registra que Ananda, o discípulo que o acompanhava era dotado de uma memória excepcional e foi fundamental para memorizar os discursos de Buda, repassando-os após sua morte e retransmitidos por séculos também de forma oral.
Da sua doutrinação que chegaram até nós a Verdade não é um dogma; está presente nas chamadas Quatro Nobres Verdades, que explicam a existência do sofrimento, sua causa, sua cessação e o caminho para superá-lo.
Os seus discípulos atuais associam a verdade como experiência e prática, devendo ser compreendida individualmente pela experiência pessoal, pela meditação e pelo autoconhecimento.
A milenar filosofia chinesa apresenta Confúcio encontrando a Verdade em tudo que se expressa na conduta pessoal correta e na coerência social. Ele assim valorizou que a sinceridade, a retidão e a fidelidade deviam ser inseparáveis das relações humanas.
Indo de um Hemisfério a outro, distinguimos que o conceito de Verdade oriental não é abstrato ou metafísico como na filosofia ocidental.
Do nosso lado, a busca pela Verdade absoluta se assenta na dúvida, e está ilustrada no diálogo entre Jesus Cristo e Pôncio Pilatos, durante o julgamento narrado no Evangelho de João: Lá se distingue a pergunta: “O que é a verdade?” que Pilatos fez ao Nazareno, que afirmou ter vindo ao mundo para dar o testemunho da verdade.
Vê-se neste diálogo a contradição entre autoridade imperial e mensagem religiosa, do lado do Governador Romano, um total ceticismo; e para Jesus Cristo a encarnação da Verdade, ao afirmar: – “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6).
Este episódio reflete na realidade o conflito entre a Verdade metafísica e a concepção positivista. A visão religiosa envolve questões de fé, enquanto o Positivismo exige que a Verdade se apresente baseada em atos e fatos.
Não é por acaso que a abstração religiosa seja invocada pelos políticos safados em seus discursos demagógicos. As promessas eleitorais não trazem nenhum compromisso com a Verdade; são simplesmente mentirosas.
O verdadeiro conhecimento da Ciência Política nos ensina que devemos abandonar na prática a pregação fraudulenta da politicagem em vigor no Brasil, principalmente daqueles que se apresentam como possuidores de “reputação ilibada e notório saber”.
No seu clássico “A Divina Comédia”, o gênio florentino Dante Alighieri, traz o conceito de Verdade como uma jornada existencial e progressiva que leva o indivíduo do pecado à iluminação divina… Para ele, a ignorância é o fator que afasta a Verdade da realidade factual, tornando-a um simples fato abstrato.
A Verdade, para Dante, leva a Deus, mas a Igreja Romana tirou a Mentira ao revisar os “Oito Pensamentos Malignos” adotados pelos primeiros bispos. As togas cardinalícias púrpuras (herança dos sacerdotes de Isis) adotaram somente “Sete Pecados Capitais”, a lista que foi consolidada por Tomás de Aquino.
Eis os Pecados Capitais: Avareza, Gula, Inveja, Luxúria, Ira, Preguiça e Soberba. Estas transgressões são praticadas por ação, pensamento ou omissão, e são consideradas “capitais” porque lideram outros vícios.
Das Togas Púrpuras o dogma chegou às Togas Pretas do STF. Lá a Avareza está na acumulação de riquezas; a Gula no caviar, champanhe e lagostas; a Inveja, pelo brilho de sentenças de juízes preparados; a ira, contra os que lhes criticam; a Luxúria nos almoços e jantares promovidos licitantes; a Preguiça, no engavetamento de causas de mais de dez anos; e, finalmente, a Soberba, por se considerarem intocáveis e imortais…
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