Arquivo do mês: junho 2026

DO CROCHET

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Insisti em intitular este texto em francês para evitar a disputa na acentuação da palavra no brasilês que aparece regionalmente com o agudo Croché ou com o circunflexo, Crochê. O verbete dicionarizado, é um substantivo masculino de etimologia francesa, “Crochet”, que significa gancho, por causa do formato da agulha com uma ponta curvada, usada no uso de uma tecelagem com fios de lã, algodão ou barbante.

É um trabalho manual que requer uma técnica especial para o movimento das agulhas e muita paciência para entrelaçar fios contínuos e criando malhas usadas na confecção de diversos utensílios domésticos e vestuários.

Este processo manual de tecelagem de boinas, tapetes e peças decorativas. É incerta a sua origem, a bibliografia histórica desta arte registra que o seu surgimento se deu na pré-história; e alguns pesquisadores têm a teoria que levam à China aonde foram encontradas bonecas feitas com ela, e outros mais aceitam o seu início na Arábia.

Uma coincidência incitou-me a curiosidade sobre o crochê. No Ginásio, ganhei um concurso promovido pela Cadeira de História Geral proporcionando-me uma bolsa para assistir um curso sobre a Revolução Francesa em Paris, com tudo pago.

As paredes do quarto que aluguei eram forradas com crochê, acho que para a acústica; e a pousada era próxima à Place de la Concord, local aonde foi instalada em 20 de setembro de 1792 a Convenção Revolucionária, eleita após a queda da monarquia para criar uma Constituição.

Foi neste evento que nasceu os conceitos políticos-ideológicos de Centro, Direita e Esquerda, graças à localização das bancadas no anfiteatro que marcou uma intensa luta pelo poder; os girondinos (Direita) propunham uma monarquia constitucional; os jacobinos (Esquerda) defendiam a República Democrática; e o Centro, comedido, oscilava de acordo com as propostas apresentadas.

No início dos trabalhos (chamado pelos historiadores como Primeiro Período) prevaleceu a ética parlamentar e um verdadeiro concurso de oratória em que se distinguiram, à direita os conservadores Jean-Marie Roland, o Marquês de Condorcet e Pierre Victurnien Vergniaud; e à esquerda Robespierre, Marat e Danton os representantes da pequena burguesia revolucionária.

O Segundo Período marcou a manifestação mais realçada do Centro composto de intelectuais burgueses que desejavam a união de todos os republicanos. Esta união se tornou impossível pela pressão dos deputados de esquerda levados à radicalização impulsionados pelos chamados “exércitos populares”.

Assim o extremismo passou a dominar o Terceiro Período. À Esquerda, os “calças frouxas” (sains cullottes) exigiam o sufrágio universal, a reforma agrária, o tabelamento de preços de alimentos e certas frações até a abolição da propriedade privada.

O radicalismo derramou o caldo efervescente da disputa ideológica, disputando com a Direita que postulavam o voto censitário, a proteção à propriedade privada e o liberalismo econômico, terminando por conquistar a simpatia do Centro.

Viu-se então as posições mais moderadas e o receio de uma segunda revolução deram uma maioria eventual para limitar os avanços constitucionais instalando a República como queria o Centro ou a volta da monarquia com caráter constitucional.

A agitação das massas nas ruas e a mobilização dos exércitos populares armados, deu à ala esquerdista voltada contra uma intervenção estrangeira coordenada pela Inglaterra. Maximilien de Robespierre, exigiu a instauração de uma ditadura e, assim, surgiu o “Período do Terror”.

O republicanismo radical de Robespierre permitiu o avanço da extrema esquerda que tornou, o período mais sangrento da Revolução entre 1793 e 1794. Instalado para executar o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta, um instrumento letal projetado para uma morte rápida por decapitação – a Guilhotina – tornou-se o principal móvel de execução.

E, depois de executar os monarcas e a alta nobreza, passou a perseguir suspeitos de conspirar contra a República, terminando por atingir também seus próprios líderes; donde vem a máxima do jornalista Jacques Mallet du Pan que escreveu: “Assim como Saturno, a revolução devora seus próprios filhos”.

Sentadas ao pé do cadafalso, juntavam-se as famosas tricoteiras e crocheteiras, mulheres do povo, ligadas aos revolucionários mais radicais. Elas acompanhavam tecendo a queda das cabeças decapitadas, tornando-se o símbolo da participação popular na Revolução.

Representantes da mobilização política do povão, as nossas crocheteiras certamente participarão conosco, brasileiros honestos e verdadeiros patriotas, quando a polarização eleitoral dos populistas corruptos for corporificada e levada à guilhotina eleitoral.

DA ORIGEM

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Mensagens levadas ao meu Blog que trazem correções, críticas, elogios, reparos e supressões, muito me agradam; e estou disposto a aceitar qualquer comentário negativo e orgulhar-me do aplauso, como o que recebi no último artigo.

Sempre que posso (os azáfamas provocados pela idade me impedem) respondo ao interlocutor. No artigo em referência, “Das Contradições”, por exemplo, recolhi cinco respostas; uma delas, citada acima, veio do professor José Carlos Bortoloti.

Duas outras também trouxeram aprovação, e as restantes, críticas. Como não estou autorizado a revelar nomes fica no anonimato quem me chamou de ateu e me levou a uma lembrança de Denis Diderot sobre tal inquisição: “Perguntaram um dia a alguém se havia ateus verdadeiros. – ‘Você acredita’, respondeu ele, ‘que haja cristãos verdadeiros’?”.

Vou além. A verdade é que não cultuo um deus que o homem, em seu orgulho, criou à sua imagem e semelhança; uma divindade que resolve problemas pessoais, que elege um povo como favorito e quer ser louvado todo tempo. Fico com Spinoza, aceitando o deus que ele chama “Alma do Universo”, e se espelha na Natureza.

Quanto à última asserção, ah! esta foi contundente. Atacou-me defendendo a tese de que o homem foi feito de barro pelo Criador, que tirando dele uma das costelas, fez a mulher; considerei esta assertiva como a possibilidade contraditória que explorei no texto que provocou o ataque.

Considero lamentável que no século 21 alguém prefira ficar com as fantasias das Mil e Uma Noites judaicas em vez de admitir os estudos científicos do cosmos que tornaram indesmentível que os planetas, entre eles a Terra, se formaram de uma matéria gasosa sideral como poeira.

A Ciência prova que o nosso planeta, trouxe na sua estrutura astral a presença de amoníaco, hidrogênio, metano e oxigênio nas suas águas, o que favoreceu a formação dos hidrocarbonetos simples, fundamentais para criar substâncias orgânicas.

A vida, mesmo nas suas diferenças consideráveis, se desenvolveu nas águas, no ambiente marítimo, segundo escreveu H. G. Wells: “(Então), as plantas já eram plantas e os animais, animais”.

Oriundos dos microrganismos surgiram os invertebrados aquáticos como as algas e as bactérias, e, sobrevivendo há bilhões de anos, caracóis, medusas e águas-vivas; estas últimas, que nos queimam nos banhos de mar, são o exemplo mais do que perfeito das espécies orgânicas precedentes.

A água-viva tem a aparência de um guarda-chuvas translúcido, que se confunde com a água; não possui cérebro, sistema circulatório, órgãos para respiração ou para excreção; seu sistema nervoso é difuso e a boca localiza-se na parte inferior do corpo.

Posteriormente, na abundância da vida marítima destacaram-se os moluscos, mariscos e ostras, revestidos com uma concha calcária e alimentando-se de seres minúsculos e fosforescentes como os planctos.

Estes crustáceos, à maneira dos caranguejos como conhecemos atualmente, sofreram modificações e com tal diferenciação saíram d’água com guelras adaptadas para sobreviver no seco. A seguir vieram os anfíbios, aves e répteis passando pelo mesmo processo de emancipação.

Assim, cerca de 225 a 200 milhões de anos, na primeira etapa da Era Paleozoica, peixes anfíbios transformaram-se em vertebrados terrestres, com esqueleto e condições respiratórias pulmonares, evoluindo dos ancestrais reptilianos. Mais tarde, no final do Período Triássico, surgiram os primeiros mamíferos.

Os mamíferos se diversificaram e passaram a dominar praticamente os ambientes terrestres e, após 7 e 6 milhões de anos depois, segundo a Paleontologia, apareceram na África os hominídeos, com características de bipedismo.

A partir desses ancestrais primitivos, ocorreu a longa evolução que conformou o gênero Homo, avoengo do ser humano moderno. Este sou eu, somos todos nós, seres humanos viventes no planeta, inclusive quem desconsidera a Ciência.

Considero, porém, tedioso manter uma discussão sobre questões de fé; prefiro pensar no porquê o ciclo civilizatório atual não se despir de fantasias, assumir a fraternidade social e viver em Paz.

 

DOS SINAIS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Jornalista por vocação, fazendo folhetins na pré-adolescência e indo aos 17 anos à redação de órgãos em circulação (“A Manhã” e “Diário Trabalhista”, Rio de Janeiro), tive a rara oportunidade de acompanhar todos processos de impressão, da tipografia por composição manual, (“Evolução”, Campina Grande, PB), a Linotipia (“Tribuna Capixaba”, ES, e “Tribuna do Norte”, RN), Offset (“Correio da Manhã”, RJ, e “Tribuna do Norte”, RN) chegando à diagramação virtual no alemão “Die Welt”, Colônia).

Participei assim do sistema gutemberguiano do uso primário de tipos móveis, do linotipo e da impressão direta em rotativas. Vibrei com as primeiras composições de padrão industrial para grandes tiragens automatizadas, e o gerenciamento de cores, na Editora Abril (“Realidade”, “Cláudia”, “Revistas Técnicas”).

Esta evolução da gráfica levou-me ao aprendizado dos sinais usuais da escrita, ponto, vírgula, ponto e vírgula, mais e menos, sublinhado, igualdade, apóstrofes, aspas, hífen, parênteses, exclamação, interrogação, e os acentos agudo, circunflexo e grave….

Deixo ao professor gaúcho José Carlos Bortoloti, escritor, poeta e criador do neologismo “brasilês”, a discussão sobre a abolição no nosso idioma do acento Trema pela implementação do Novo Acordo Ortográfico das nações lusófonas…. Antes, tínhamos a letra “Ü” acentuada em palavras como agüentar, bilíngüe, cinqüenta, freqüente, lingüiça, pingüim, seqüestro e tranqüilo; mas todas perderam o Trema.

Saindo do fluxo da impressão gráfica, vamos à História da Civilização, que registra os estudos antropológicos dos sinais da mente humana mostrando que as sociedades primitivas observavam nos fenômenos da Natureza sinais favoráveis ou ameaçadores.

Está comprovado que antes do desenvolvimento da ciência moderna a observação da Natureza constituía uma das principais formas de imaginar o destino das pessoas e a relação entre a humanidade, o cosmos e o sagrado.

Assim, na passagem do primitivismo à civilização, firmaram-se as religiões, pregando indícios da benevolência dos deuses no nascer do Sol e nas chuvas regulares; tendo também, em contrapartida, advertências e castigos vindos dos poderes sobrenaturais com eclipses, enchentes, secas e terremotos.

Daí surgiram lendas e mitos com o trovão associado à voz da divindade e as chuvas simbolizando fertilidade e renovação da vida. Estes sinais ajudavam a dar sentido ao desconhecido e fortalecerem a coesão social, com narrativas para explica-los e orientar a vida social.

No judaísmo, cristianismo e islamismo, tais sinais são evidentes convites à fé, à reflexão moral e à aproximação de Deus; oferecendo igualmente riscos pelo afastamento dos valores morais. Lê-se a revelação do Apocalipse na Bíblia, a ideia do fim dos tempos e o julgamento, a renovação e a restauração da ordem celestial.

Desprendendo-nos da realidade histórica, temos os sinais de embelezamento pessoal, como o sinalzinho sobre o canto da boca comum entre as antigas divas do cinema mudo para acentuar a sensualidade; e teve milhares de seguidoras. Modernamente um desses charmosos pontinhos foi composto na linda face de Marilin Monroe…

Em confronto com a beleza, a feiura se faz presente com as calamidades que causam destruição, crises morais, guerras, injustiças e terrorismo, práticas que mutilam a esperança de vivermos em paz e segurança, com fraternidade e mútuo respeito às divergências pessoais.

Esta cultura teria um forte conteúdo simbólico, incentivando a responsabilidade individual e novos processos sociais e políticos, capazes de estabelecer uma sociedade justa e pacífica derrotando quaisquer manifestações terroristas ao primeiro sinal da criminalidade.

É fundamental, porém, distinguir o terrorismo do crime comum, cujo objetivo costuma ser o lucro, enquanto o terrorismo busca influenciar comportamentos, decisões políticas e impor-se à ordem social pela intimidação.

As características do terrorismo, são a radicalização de grupos, o uso de indivíduos infiltrados na mídia e em órgãos governamentais, participação nos eventos sociais e artísticos para captar simpatia, lavar dinheiro, recrutar agentes e estudar alvos de visibilidade pública para atentados, sequestros e assassinatos.

Temos um exemplo recente destes elementos numa reportagem sobre os condomínios do programa “Minha Casa, Minha Vida” na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro, em território ocupado pelo Comando Vermelho (CV). Logo após a entrega das chaves, criminosos passaram extorquir os proprietários cobrando taxas de ocupação.

Lembram da piada do “dá ou desce”? Pois é, está acontecendo; quem se recusa deve abandonar o sonho da casa própria, logo invadida por pessoas dispostas a pagar.

Na presidência da República, refastelado em mordomias, Lula não enxerga o impacto psicológico e midiático que vem ocorrendo e discursa com a malandragem de pelego sindical um falso patriotismo fazendo do PCC e o CV a base da soberania nacional, assumindo pessoalmente ridículo e fazendo do Brasil objeto de escárnio na geopolítica internacional.

 

 

 

 

 

DO TERRORISMO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

François-René de Chateaubriand, escritor, diplomata e político francês, considerado o pai do Romantismo, foi além da Literatura e filosofou: – “Não há nada mais servil, desprezível, covarde e tacanho que um terrorista”.

Realmente, nas ações belicosas é criminoso organizar-se e preparar-se para assassinar, extorquir, mutilar e sequestrar inocentes, sejam civis ou militares, como se vê em todo mundo e toma grandes proporções nos grandes centros brasileiros.

O Terrorismo não é novidade; as iniciais manifestações ocorreram com a disputa de territórios e bens quando as primeiras tribos nômades se apropriaram da terra estabelecendo a primeira divisão do trabalho, pelo cultivo do solo, a domesticação de animais, fabricando artesanias, comerciando, disciplinando guerreiros e imprimindo respeito religioso.

Segundo estudos antropológicos grupos que se mantinham nômades realizavam ataques às comunidades estabelecidas, fazendo-os como razias para aterrorizar, saquear, destruir e escravizar os prisioneiros.

Essas guerras de conquistas eram puro terrorismo, pois as tribos atraídas pela alimentação garantida e as riquezas acumuladas se dedicassem exclusivamente a conquistar as sociedades organizadas e produtivas.

Embora a palavra “terrorismo” seja moderna, historiadores veem que práticas semelhantes já existiam na Antiguidade. Na disputa pelo poder imperial, grupos armados recorriam ao medo, ao assassinato político e à intimidação coletiva para atingir seus objetivos.

Na Mesopotâmia, reis assírios e babilônicos utilizavam-se de massacres e destruição de cidades para espalhar pânico entre adversários e evitar rebeliões; e, mais tarde, vieram a ocorrer na Grécia e no mundo helenístico conspirações, atentados e violências organizadas contra governantes e ocupantes estrangeiros.

Chegando ao Império Romano, o Terrorismo ocorria principalmente nas províncias colonizadas, e o exemplo está na revolta dos Sicarii, no século I contra a presença romana na Judeia; utilizavam punhais escondidos sob as vestes para assassinar autoridades romanas e colaboracionistas judeus.

Muitos pesquisadores consideram a ação direta dos Sicarii um dos primeiros movimentos terroristas organizados da História, como forma de resistência contra o domínio estrangeiro.

Na Antiguidade Romana, o Terrorismo chegou com os vândalos, com a característica de devastar as nações invadidas, destruindo, incendiando e dilapidando bens públicos. Eram chamados de bárbaros pelos romanos, em virtude do princípio jurídico de que todos povos de além fronteira do Império eram considerados assim.

Chegando à atualidade nos fins da Guerra Fria, nos Estados Unidos, o seu 37º presidente, Lyndon Johnson, que criou a Great Society, uma política de combate à pobreza e à injustiça racial, denunciou o crime organizado como terrorista, praticando uma “guerra de guerrilha contra a sociedade.

Como ocorria à época nos EUA, temos no Brasil criminosos assaltando, extorquindo, contrabandeando, sequestrando, traficando drogas, ocupando territórios nos centros urbanos e até promovendo atos políticos.

A informação no nosso cotidiano traz notícias de operações policiais cumprindo mandados de prisão e de busca e apreensão em áreas dominadas pelo tráfico, sendo recebidas a tiros por grupos com armamento moderno de alto poder letal.

Estes grupos têm tudo de terrorismo, mas os andares de cima do poder no Brasil, legisladores, magistrados, ministros do governo, militares e policiais não veem assim; e o pior, o Presidente da República – que sempre mostra simpatias pelo crime –, decide transformar CV e o PCC em pilares da soberania nacional…

Diante disto, os 30% de lulopetistas que acompanham o seu ídolo, resistem ao fato do governo dos EUA incriminar como terroristas estas duas maiores facções criminosas ao lado da Al-Qaeda, Estado Islâmico (ISIS), Hamas, Jihad Islâmica e Talibã.

Diante deste quadro funesto cabe uma dúvida: porquê Lula, seus apadrinhados e a militância lulopetista temem classificar como terroristas as organizações criminosas? Ontem, 5 de maio, a classificação de Terrorismo passou a valer; e até agora nenhum togado do STF, nenhum ministro de Lula e nenhum parlamentar sofreram quaisquer ameaças. Assim a soberania está garantida.