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MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
A palavra “Razão” como verbete dicionarizado é um substantivo feminino com a etimologia vinda do grego antigo “logos” (λόγος), que significa originalmente estimar, julgar e pensar, conceitos levados à Matemática e à Geometria como ação de calcular ou medir algo de forma exata e proporcional.
No idioma português chegou referindo-se à faculdade intelectual de pensar, julgar ou ponderar, fazer avaliações de maneira correta. Essa, para raciocinar, leva à Matemática, uma relação que permite comparar grandezas e descobrir regularidades; na Filosofia, tornou-se também a faculdade de pensar, ordenar e justificar ideias.
A Razão é aptidão para compreender, para julgar; segundo os famosos filósofos da antiga Grécia, Platão e Aristóteles, tornou-se instrumento fundamental para distinguir conhecimento, argumento e opinião.
No tempo em que vivemos, o conceito de Razão representa por extensão, a explicação do mundo e desse modo, da Matemática à Filosofia, significa estabelecer relações, descobrir proporções e procurar uma ordem inteligível na realidade.
Conduz, sem dúvida, ao raciocínio através do qual se consegue induzir ou deduzir alguma coisa, ajudando-nos a desenvolver uma tese sobre as contradições comportamentais dos indivíduos na política, compreensível apenas para quem possui a razão de analisar os embates políticos como resultado ideológico.
Assim, a História da Civilização nos leva à Revolução Francesa que estabeleceu na Convenção revolucionária o conceito de direita e esquerda, ao configurar o anfiteatro com os deputados monarquistas sentados à direita e os deputados republicanos à esquerda. Disposição física que se transformou em classificação política.
Com o passar do tempo esse modo de conduta assumiu outro significado; a Direita defende uma posição conservadora defendendo a manutenção da ordem social garantidora da propriedade privada e da preservação dos direitos individuais.
Do outro lado, a Esquerda evoluiu adicionando valores sociais defendendo reformas com objetivo de conquistar a igualdade política e social da cidadania, com projetos de mudanças do Estado.
Infelizmente, no Brasil de hoje os significados de Direita e Esquerda não possuem estes valores teóricos; os bandos que polarizam eleitoralmente no país são populistas, que se alternam ao sabor da ignorância geral e irrestrita as massas influenciáveis pela propaganda do Sistema.
Isto leva, sem dúvida, à degenerescência das instituições republicanas ocupadas por pessoas auto proclamadas de Direita e de Esquerda embora se preocupem unicamente em se alternar no poder, para enriquecer às custas dos cargos que ocupam.
Não há exemplo maior para nos levar à razão dos porquês das ações criminosas que assistimos, envolvendo e igualando a falsa direita e a falsa esquerda. É transparente a presença política e jurídica do Sistema Corrupto dominante usando as lideranças dos dois lados, Lula e os Bolsonaro como os fantoches, aqueles bonecos movidos por cordéis por alguém escondido sob o palco.
Quando analisamos esta representação de marionetes encontramos razão em Lima Barreto dizer que: – “O Brasil não tem povo, tem público. Povo luta por seus direitos, público só assiste de camarote”.
É triste que isto nos convença a lamentar que os brasileiros não se levantem e protestem diante do cenário dantesco da corrupção banalizada nos andares de cima do poder e seus condôminos, políticos, magistrados, militares e até sacerdotes de religiões e seitas diversas.
As mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mostram as relações dele com autoridades do STF, da PGR e da Polícia Federal. Ocupa lugar de destaque neste acervo o
ministro Alexandre de Moraes aparecendo nas mensagens trocadas com Vorcaro, sobre assuntos relacionados à investigação do Banco Master.
Ampliando a dimensão política do material apreendido, menções suspeitas sobre o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Processando o Caso Master, o ministro André Mendonça determinou a produção de um relatório da PF e retirou o sigilo de parte da investigação, abrindo caminho para eventual apuração sobre os envolvidos.
Curioso é vermos como se posicionam os polarizadores eleitorais; o lulismo defendendo os criminosos “amigos” em nome da Democracia, e o bolsonarismo escondendo a participação no butim distribuído por Vorcaro. Acusando-se uns aos outros e ambos têm razão.
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