DO JORNALISMO
MIRANDA SÁ (E-mail; mirandasa@uol.com.br)
O analfabetismo reinante na suprema corte de Justiça argumenta sobre o exercício do jornalismo para se defender de críticas e denúncias, atacando protagonistas dos meios de comunicação e expressão do pensamento. Não conhecem a História da Imprensa.
Faço-lhes uma assessoria: “Surgida na Era Mercantilista alemã, a imprensa escrita é capitulada na História com os boletins rudimentares limitados a noticiar a entrada e saída de navios mercantes, o comércio e as finanças. Graças a prensa de Gutemberg, expandiu-se rapidamente indo para a França e a Inglaterra.
Na França assumiu um importante papel político às vésperas da Revolução de 1789. Dois jornais foram editados por Marat, com “L’Ami du Peuple”, e Hébert, com “Le Père Duchesne”, acionados para criticar aristocratas, denunciar o governo e mobilizar os parisienses para as manifestações de rua.
Por eles, a Revolução Francesa garantiu a liberdade de imprensa, incentivando o surgimento de centenas de títulos e opiniões; e assim se espalhou como o “4º poder” mundo a fora. Infelizmente não alcançou o Brasil colonial, onde o seu primeiro jornal, o “Correio Brasilense”, editado em Londres, circulava de forma clandestina na Colônia e em Portugal.
Fundado pelo jornalista Hipólito José da Costa, o Correio adotou as ideias liberais do Iluminismo inglês e cobriu movimentos nacionais como a Revolução Pernambucana de 1817 formando opinião entre a elite intelectual lusitana e brasileira.
A divulgação de ideias pelos jornais subversivos teve entre nós um impulso ligado aos movimentos libertários no Brasil, como a Conjuração Baiana (1798) e a Confederação do Equador (1824). O exemplo mais-do-que-perfeito é a publicação criada em 1823 pelo médico Cipriano Barata, a “Sentinela da Liberdade”, defensora da República.
Barata, como editor, era preso frequentemente e mudava o título do seu jornal aludindo às prisões que enfrentava; assim, criou em Recife a “Sentinela da Liberdade na Guarda do Quartel General” e depois, no Rio, a “Sentinela na Guarita de Villegaignon” ….
Hoje, falar de jornais impressos pouco tem a ver com a Imprensa. Esta engloba todo espectro da comunicação abrindo o leque a partir do telefone, invenção tecnológica de Graham Bell em 1877, que o Brasil foi um dos primeiros países a usá-lo com o apoio do imperador Pedro II.
A seguir, no final do século 19, tivemos a criação do sistema de telegrafia sem fio e a descoberta do rádio creditada ao italiano Guglielmo Marconi. As ondas do rádio, então, empolgaram o mundo.
Depois, no cenário da Informação surgiu a televisão, inspirada na ficção científica das séries cinematográficas de Flash Gordon (1936-1940), uma explosão de futurologia pela adaptação visual das emissões radiofônicas; o personagem transmidiático usava narrativas televisivas.
A tevê, então, consolidou exitosamente a comunicação jornalística por um longo período, até 1969, quando apareceu nos EUA com a ARPANET, método computacional que favoreceu o intercâmbio midiático entre universidades e centros de pesquisa.
Um ano depois seguiram-na, Friendster (2002), MySpace (003), Facebook (2004) e, em 2005, o YouTube. Mais popular entre eles, o Face, antes limitado aos estudantes de Harvard, foi aberto ao público em geral em 2006, introduzindo na web o Instagram e o WhatsApp. No entremeio, foi lançado pelo Google e o Orkut.
O avanço científico e tecnológico favoreceu sobremodo as redes sociais, investindo-as computadorizadamente como a Imprensa da atualidade, democratizada e popularizada pelo telefone. Hoje, quase todas pessoas possuem um celular, usando-o para se comunicar e se informar….
É através das redes que se mantêm a livre expressão do pensamento, a informação correta e a resenha de notícias que critica e denuncia os ocupantes dos andares de cima do poder.
Os Blogs e as mensagens firmaram-se em virtude da degenerescência da imprensa mercenária, que Joseph Pulitzer profetizou escrevendo: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.
Por isto, os capas pretas do STF querem calar as redes deletando a opinião pública que enfrenta a ditadura judicial que impuseram a “democracia relativa” criada pelo Sistema corrupto e corruptor.
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