BANÂNIA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Diante da bruzundanguisse que assistimos no Brasil de hoje, é impossível para os que pensam livremente criticar as instituições, como o grande Lima Barreto fez em 1922, caricaturando a chamada Primeira República com o seu livro “Os Bruzundangas”.
Para atualizá-lo, peço emprestado o título deste artigo aos colegas que vieram do Twitter para o “X” fazendo referências à “República das Bananas“, a sátira do escritor norte-americano O. Henry, adaptada para criticar o Sistema Corrupto que domina o Brasil manipulando bonecos articulados no teatro governamental de marionetes.
Nos inícios do século passado o País foi tratado por Lima como uma República de Ficção, assim como temos hoje a Banânia, uma federação fictícia com instituições frágeis, partidarizadas e administradas por indivíduos débeis, com a fraqueza de se deixar corromper até com convites para shows e desfiles de carnaval…
Então, para criar Banânia não é difícil; basta compará-la com Bruzundanga; com ela podemos ironizar os círculos governantes do Brasil sem precisar nomeá-los.
Em Banânia há a mesma distância abismal entre os interesses dos políticos e a realidade social. O Governo tem como base um tal foro privilegiado que beneficia um grupo pouco comprometido com a ética e a honestidade; gente que despreza as camadas produtivas da sociedade que pagam para sustentar vagabundos e cabos-eleitorais.
Dona Banana, no “X” critica a amplitude dos benefícios que Banânia promove nesteavesso carnaval, visto pelo poeta Afonso Romano de Sant’Anna; lembra o desfile do bloco da maior carga tributária do mundo com quê o populismo assistencialista “faz socialismo” para enganar ignorantes.
Muitas Alas Carnavalescas trazem temas diversos e fantasias exóticas exibindo absurdos; um dos blocos com capas pretas esvoaçando como urubus sobre carniça, traz como destaque uma linda lobista mostrando sacos desenhados com cifrões.
O Carnaval da Federação Bananosa é uma arma literária que leva muitos a comparar Banânia com o Brasil atual e isto parece inevitável pela ironia contida na ficção, quase semelhante a que os brasileiros ironizam com o que veem nas irracionais medidas governamentais feitas às vésperas de uma eleição.
Assim, cotejando diferenças e semelhanças, encontramos comportamentos sem lógica sob o domínio do Sistema Corrupto sobre os órgãos públicos de Estado e de Governo; e, voltando a Lima Barreto, irreverente, Bruzundanga se transpõe para Banânia, ambos países imaginários distantes e próximos de uma República real.
Banânia, como país imaginário, tem uma sociedade dominada por políticos, bacharéis, oligarcas e falsos intelectuais. Quando se trata de política, o exemplo mais-que-perfeito nos dá uma ex-senadora e ex-ministra, discursando num comício apelando para que os políticos “roubem menos” …
Na Economia, os bananenses contribuem com a sua renda para os altos impostos cuja arrecadação sustenta uma máquina trituradora do desenvolvimento, distribuindo para o não-trabalho bolsas disto e daquilo, deixando escorrer o que sobra para o lamaçal da corrupção burocrática.
No campo da Justiça, a Constituição, sentenças e eleições encontram juízes fazendo política partidária, e muito pior, se corrompem para favorecer partes…. Tem até um deles institucionalizando fake news para ajudar seu candidato.
Na Educação, Saúde Pública e Segurança a administração dita pública, pouco se lhes dá…. quanto mais mal-educado e sem saúde o povo, será melhor controlado; e quanto à Segurança, os olhos se fecham para o terrorismo eleitoralmente lucrativo.
Na diplomacia, religião e até na cultura, tudo ajuda a desopilar o fígado bananense, com a hilaridade que provoca amplas e irrestritas risadas.
A crítica que Lima Barreto fez n’ Os Bruzundangas ao patrimonialismo, à Política picareta, à Justiça corrompida e à dificuldade de separar interesses privados da esfera pública, nós encontramos na fabulosa Banânia…
Comentários Recentes