Arquivo do mês: abril 2026

DA MENTIRA(2)

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Já escrevi um artigo sob este mesmo título. Não sei se no ano passado ou retrasado, porque meus arquivos se foram deletados por um hacker safado que entrou no meu computador em fevereiro….

Lembro, porém, que na pesquisa que fiz para o texto encontrei nos dicionários de gíria e convencionais 53 sinônimos para a mentira, usados de Norte a Sul do País. Encontrei no Rio “Cascata”, nas Minas Gerais “Truta” e em Brasília “Mentirex” …. Na linha dos substantivos compostos,  “Mentira Cabeluda”, “Mentira Descarada” e “Mentira Deslavada”.

Dos provérbios, encontramos “A Mentira tem Pernas Curtas”, “É mais fácil pegar um Mentiroso do que um Coxo” e “Mentiras de Caçador ou de Pescador”. A expressão “papo furado” é correntemente usada para designar uma mentira.

Agora temos como modismo “Fake News”, considerado como desinformação para manipular, enganar ou causar danos, mas que não passa de uma maneira específica e estratégica de mentira.

Como base da cultura ocidental influenciada pelas religiões judaico-cristã-islâmica, temos no Livro Gênesis, a narrativa de Adão e Eva como casal primordial que deu origem à humanidade.

É triste constarmos que setores religiosos ortodoxos aceitam esta fantasia que é vista de forma literal ou quase literal, funcionando como fundamento teológico para ideias como o pecado original e a unidade da espécie humana.

Do ponto de vista científico, entretanto, a narrativa é refutada como explicação factual. A biologia evolutiva, a genética e a paleontologia indicam que a humanidade não descende de um único casal, mas de populações ancestrais que evoluíram ao longo de centenas de milhares de anos.

Os mitos originários de antigas crenças religiosas acumulam-se no Oriente Próximo e construídos com base em lendas que atravessaram gerações, sofrendo as modificações para crônicas de fatos, tanto reais quanto fictícios, transmitidos pela oralidade.

Na religião, as “mentiras” assumem formas complexas: nem sempre são fraudes, mas simbolismos e alegorias presentes tomadas discursivamente nos cultos como verdades absolutas pelos sacerdotes que se apresentam como detentores da verdade.

Assim, ao longo da história da civilização, desde priscas eras, a mentira não aparece apenas como erro ocasional, mas como instrumento estruturante de poder, crença e interpretação da realidade.

Na política, segundo estudiosos independentes de pressões ideológicas, a mentira frequentemente assume forma estratégica. Filósofos como Hannah Arendt já observaram que verdade e política mantêm uma relação tensa, na qual a mentira pode ser tratada como ferramenta legítima de ação.

As grandes mentiras da civilização não são apenas falsidades isoladas, mas construções coletivas: histórias repetidas, interesses defendidos e crenças cristalizadas. Elas revelam menos sobre a realidade objetiva e mais sobre as necessidades humanas de poder, sentido e pertencimento — mostrando que, muitas vezes, a fronteira entre verdade e mentira é também uma disputa histórica.

Lembramos que com a sutileza de um elefante invadindo loja de louças, o ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, orientou os agitadores do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães afirmando que “a mentira quanto mais repetida, mais se aproxima da verdade.”

Há muitos discípulos de Goebbels entre nós; marqueteiros eleitorais explorando dados e fatos para encontrar a “grande mentira” que se transforme em verdade  na superficialidade da estupidez.

No Brasil as ideias são simplificadas ou distorcidas demagogicamente em expressões como “Direito de Todos”, “Fim da Fome”, “Soberania Intocável” e “Dentro das quatro linhas da Constituição” mentiras que se repetem e se transformam em slogans.

Nenhum exagero nesta forma de fake news orquestrada em campanhas digitais para a desinformação em massa. De um lado vê-se Lula disseminando tais inverdades como mentiroso confesso, pois disse que inventava números em entrevistas no Exterior.

Do outro lado tivemos Bolsonaro repetindo “N” vezes defender o Estado de Direito enquanto conspirava um golpe, arrastando seus fanáticos seguidores para ocupar Brasília.

Felizmente, as redes sociais tornaram difícil enganar a todos todo tempo; por isto não é por acaso que o Sistema Corrupto quer impor a censura para calar a opinião pública.

 

 

DAS REVOLUÇÕES

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

É brilhante, sem dúvida, o livro “Do Espírito das Leis” escrito em 1748 (!) pelo filósofo, escritor e político francês, Charles-Louis de Secondat, que gravou o nome na História do Direito como Montesquieu.

Teórico da separação dos poderes políticos – Executivo, Legislativo e Judiciário -, defendeu o equilíbrio de poder como forma de evitar o despotismo, garantindo as liberdades civis. Na minha época estudantil o idealismo dos acadêmicos de Direito encontrava em Montesquieu os princípios republicanos e democráticos almejados.

Este objetivo nos levava a defender o enunciado do pensador iluminista: – “Não há tirania mais cruel do que aquela que se perpetua sob o escudo da lei e em nome da justiça”.

Hoje, passado tanto tempo das aulas no anfiteatro da Faculdade Nacional de Direito, o ideal pelos valores éticos e morais da política se mantém, revoltando-nos ao assistir no Brasil um Tribunal, o STF, romper com a harmonia dos poderes em defesa dos interesses pessoais de alguns dos seus membros.

… E faz isto em “defesa da Democracia’ sob este pretexto extremamente abstrato, apunhalando-a pelas costas ao ferir as liberdades civis com a volta da censura.

Calar a opinião pública argumentando que o faz para “defender” a Democracia não é o único punhal, havendo outros, muitos mais do que os 23 que abateram Júlio César nos idos de março…. Esta contradição dialética assume proporções maiores, com a perseguição aos seus críticos e a blindagem corporativa dos corruptos nas altas esferas do poder.

Isto nos leva a divagar sobre o curso da História, encontrando tribunais ilustrando o Direito em várias culturas e épocas diferentes. Como verbete dicionarizado, Tribunal é um substantivo masculino de etimologia latina, “tribunal”, palavra originária de “tribus“, a jurisdição primitiva dos romanos.

Como órgãos decisórios, os tribunais se compõem de um ou de vários juízes que julgam conjuntamente; estes protagonistas intitulam-se magistrados que emitem sentenças; no Brasil, coletivas em plenário e, infelizmente, monocraticamente, levando a erros incorrigíveis.

No perder dos tempos, o Tribunal foi a cadeira onde se assentavam os monarcas. Ficou então famoso o julgamento do rei Salomão, envolvendo duas mulheres em disputa pela maternidade de um bebê, ambas alegando ser verdadeira mãe, após a morte do outro bebê.

Salomão sacou duma espada e propôs dividir a criança ao meio dando uma banda para cada; a mãe genuína implorou pela vida da criança, propondo que se entregasse o bebê à outra; diante disto, o Rei viu o instinto amoroso materno revelado e em juízo entregou-lhe o filho. Este julgamento relatado na Bíblia (1 Reis 3:16-28), tornou-se o símbolo da Justiça ocidental.

Em contrário da Justiça boa e perfeita, temos também o julgamento de Jesus Cristo no Sinédrio, presidido pelo sumo sacerdote Caifás, como os Evangelhos relatam; ali se consumou uma sentença irregular, com acusações de falsas testemunhas por blasfêmia, por declarar-se “Filho de Deus”.

Como os fariseus não tinham autoridade para aplicar a pena de morte, levaram Jesus a Pôncio Pilatos, governador romano. Pilatos, mesmo percebendo a ausência de crime contra o Estado, cedeu à pressão da multidão incitada pelos escribas, contemporizando ao transferir a decisão para o rei Herodes. Este fez apenas chacota com Jesus e o mandou de volta a Pilatos. Este, enfim, lavou as mãos e autorizou a crucificação.

Ao longo da História os tribunais e suas sentenças variaram conforme os conflitos entre as ideologias e a Ciência do Direito. Registram-se tribunais de exceção que deslustraram a Revolução Francesa na Era do Terror (1793–1794); e, no século passado, se estabeleceram nos regimes totalitários da Alemanha nazista, no fascismo da Itália, Hungria, Espanha e Portugal, e na URSS stalinista.

O século das ideologias extremistas deixou uma triste herança no mundo e particularmente no Brasil. Pesquisas de opinião mais recentes revelam um cenário de forte desgaste na imagem do STF perante a população brasileira, tendo a avaliação negativa da Corte atingindo recordes.

A Nação percebe, como mostra a maioria dos entrevistados (60%), que é real a desconfiança sinalizando a perda de credibilidade institucional da alta corte de Justiça. De concreto, pelo fim das CPMIS do INSS e do crime Organizado, refletindo a parcialidade de julgamento em favor dos corruptos e corruptores do sindicalismo lulopetista, e dos cúmplices do Banco Master.

Fica temível desta maneira a concentração de poder em onze juízes, interferindo no Legislativo por submissão dos seus dirigentes que usam tornozeleiras virtuais da ameaça de condenação por crimes praticados.

Nesse contexto, verifica-se um sentimento difuso de descontentamento e incita a rebelião sem um poder que freie outro poder, e que sejam constituídos em harmonia. Do jeito como está, leva-nos a  Machado de Assis: – “As ocasiões fazem as revoluções”.

 

 

DOS OSSOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Quando menino, menino mesmo, de 8 a 9 anos, era fascinado pela pirataria, já diferenciando corsário de pirata e aceitando posturas, pernas-de-pau, tapa-olho e mão de gancho…. A magia, porém, que me encantava era a ameaçadora bandeira negra com a caveira e os dois ossos cruzados.

Duas curiosidades sobre este símbolo: Na Bíblia, o Gólgota (local da crucificação de Jesus), é traduzido como “Lugar da Caveira”; e a história o registra numa antiguidade mais remota do que seu uso pelos piratas, cuja bandeira era uma mensagem exigindo rendição ou morte.

Nas vitrines da Arqueologia exibem-se ossos e caveiras que ao lado de joias de ouro e pedras preciosas representam uma riqueza da pesquisa científica. Tive a oportunidade como correspondente nos países andinos e América Central de visitar museus que dedicam imensos espaços expondo ossos de naturais e conquistadores.

Na Europa medieval, no período das Cruzadas, tornou-se comum conservar e exibir ossos de santos em igrejas como relíquias sagradas. Tão grande foi a demanda por essas “relíquias” que a competição entre as paróquias por prestígio e visitantes, gerou abusos, incluindo falsificações e comércio ilegal.

Embora com alardeada cultura milenar os europeus preservam ainda hoje em igrejas e santuários, ossos humanos reconhecendo-os como testemunhos da fé e os mantendo para estimular a devoção religiosa.

Na Basílica de São Pedro, em Roma, acredita-se que estejam sob o altar principal os restos do apóstolo São Pedro…. E, como um dos motivos da revolta protestante, a Catedral de Colônia abriga o relicário dos Três Reis Magos, uma fantasia que poderia constar dos Contos das Mil e Uma Noites…

A cinematografia também dá lugar aos ossos. É de citar o filme de Phillip Noyce, “O Colecionador de Ossos” um thriller policial que traz no elenco principal: Denzel Washington, Angelina Jolie, Queen Latifah, Michael Rooke.

É primorosa a atuação de Denzel Washington no papel de Lincoln Rhyme, um policial que sofreu um acidente, deixando-o tetraplégico e, na cama, torna-se criminologista notável. No enredo, faz parceria com uma policial novata, Amelia Donaghy (Angelina Jolie), e em conjunto perseguem um meticuloso serial killer que deixa pistas enigmáticas e ossos de suas vítimas.

Os cinéfilos sabem que esta película está à altura dos clássicos de Alfred Hitchcock, “Disque ‘M’ para Matar”, “Festim Diabólico”, “Janela Indiscreta” e “Um Corpo que Cai”; e em paralelo ao excelente “O silêncio dos inocentes”, de Jonathan Demme.

No campo das novelas brasileiras tivemos na década de 1970 “Os Ossos do Barão”, produzida pela TV Globo totalizando 120 capítulos. Escrita por Jorge Andrade, teve como diretores Régis Cardoso e Gonzaga Blota.

A trama retrata a decadência da aristocracia rural paulista (os donos de terras cafeeiras) e ascensão social do imigrante no início do século 20. Um deles, italiano enriquecido, compra a Fazenda Jaraguá onde estão enterrados os ossos do antepassado da família nobre, o Barão de Jaraguá.

Temos no teatro clássico a famosa cena de “Hamlet” em que Shakespeare utiliza uma caveira como instrumento dramático. O príncipe volta à casa paterna de sua jornada e passa por um cemitério onde se surpreende com o coveiro cantando enquanto cava. Na proximidade de uma sepultura, vendo um crânio insepulto, Hamlet abaixa-se e pega-o, ouvindo do coveiro: – “Esse crânio aí, senhor, esse crânio aí, é o crânio de Yorick, finado o bobo do rei”. Isto lhe traz à cabeça recordações da infância, do bufão que muito lhe fazia rir….

Das lendas literárias, uma diz que Shakespeare tinha uma caveira sobre a mesa quando escreveu “Ser ou não ser: eis a questão” e ainda sobre o tema, lembro uma passagem em que hospedando-me no apartamento de um amigo, encontrei numa espécie de altar uma caveira e uma frase “Fui o que és, serás o que sou”, o que me levou à reflexão e encontrei-a citada como um dos epitáfios mais antigos do mundo, muitas vezes em latim, “Sum quod eris, fui quod es”.

No livro “Preparação para a Morte” de Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Igreja, há um capítulo dedicado a um ermitão que mantinha uma caveira com esta frase, para lembrar da brevidade da vida.

Refletindo sobre a brevidade da vida, lembremos que a caveira sobre tíbias cruzadas é hoje o símbolo universal para indicar substâncias tóxicas, venenos e riscos elétricos graves; e deveria estar na fachada do edifício do poder político brasileiro, sugerindo o “memento mori” (“lembre-se de que vais morrer”) para os ocupantes dos andares de cima que se julgam imortais…

 

 

 

DO FANATISMO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Peço humildemente aos que acessarem este artigo para ler, reler, analisar e refletir sobre o pensamento de Nietzsche, que considero uma metáfora perfeita para ser aplicada na conjuntura política atual: “Aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos pelos que não podiam escutar a música…”

Da minha parte, encontro o simbolismo primoroso sobre a origem do fanatismo que alimenta a nojenta polarização populista da falsa direita e da falsa esquerda: é a surdez enfermiça das massas para o grito acusatório; e a audição entusiasta dos que ouvem a percussão e o ritmo da verdade.

Para os religiosos, lembro que a Bíblia expõe o fanatismo como um desvio da verdadeira fé; lição mal entendida pelos fariseus e escribas hipócritas politiqueiros de denominações cristãs que interpretam em proveito próprio textos das Escrituras, incentivando posturas fanáticas.

Em vez do equilíbrio e do discernimento, muitos misturam religião e política adotando a intolerância como temos assistido no Brasil. E desta salada mista nasce a psicopatia do fanatismo criando o culto da personalidade de líderes políticos.

A historicidade do fanatismo marca o extremismo político com a tatuagem indelével dos regimes autoritários com a sua mobilização ideológica. Esses sistemas políticos retrataram no século passado o fanatismo coletivo associado ao uso intenso de propaganda. Assim se viu no regime hitlerista alemão semelhante ao fascismo mussoliniano e na URSS sob Joseph Stalin.

Mostrou-se então uma adesão quase religiosa à ideologia reinante, e a História registra em arquivos, discursos, registros de propaganda cinematográfica, testemunhos de sobreviventes e estudos acadêmicos.

A submissão das massas às ideologias radicais surge, cresce e se mantém pelas crises sociais, econômicas e políticas; e não surgem isoladamente. Uma e outra são induzidas pela manipulação demagógica de um lado e reprimindo sistematicamente protestos surgidos da indignação popular contra o arbítrio.

Com bandeiras e slogans, explora-se o nacionalismo exacerbado e a exigência simbólica de lealdade à Pátria, como fizeram (e fazem) os regimes totalitários, estimulando o fanatismo num contexto discursivo. A propaganda massiva onde as palavras, expressões e frases impostas pela repetição são aceitas inconsciente e mecanicamente, como bem expressou o professor doutor Victor Klemperer, analisando a filologia do nazismo.

Sabemos que não é fácil para as gerações pósteras da “guerra fria” compreenderem o que ocorreu nas ditaduras ideológicas da direita e da esquerda, fascismo, nazismo e stalinismo. Para isto é essencial recorrer às pesquisas de fontes documentais da época; por isto, muitos historiadores destacam a importância de evitar interpretações falsas divulgadas ideologicamente por extremistas.

No Brasil, essas interpretações são superficiais, mas enganam muitas pessoas que confundem os conceitos de direita e esquerda com os populismos bolsonarista e lulopetista; mas não é difícil ver-se a substituição das ideologias conservadora e progressista pelo populismo na polarização eleitoral entre a Famiglia Bolsonaro e o Lulopetismo.

Neste embate fraudulento, se redefine os conceitos ideológicos substituindo-os pelo populismo assistencialista da falsa Direita e d falsa Esquerda, baseado em narrativas emocionais e esmolas eleitorais que viciam e estimulam a preguiça das massas.

Quanto ao “lulopetismo mascarado de socialismo”, lembro Rosa de Luxemburgo refletindo que “com homens preguiçosos, levianos, egoístas, irrefletidos e indiferentes não se pode realizar o socialismo”, a esta reflexão acrescento “e os que se vendem ao assistencialismo populista não sobreviverão no mundo do trabalho”.

Da outra perspectiva, a “direita bolsonarista” adotou, não um governo conservador, mas o nepotismo familiocrata baseado e apoiado por uma espécie de “sindicalismo militar-policial” e voltado unicamente para os Bolsonaro, como se viu na derrubada da Lava Jato para salvar filhos delinquentes.

Os dois polos, Famiglia Bolsonaro e Lula, centralizadores e arbitrários, são sustentados pela enganadora dicotomia de falsas “direita” e “esquerda”, uma distorção dos significados originais e transformados apenas em instrumentos retóricos.

Fortalecido pelo fanatismo, este esquema populista dificulta e muitas vezes obstrui a convivência democrática e o desenvolvimento econômico; mas o que importa aos fanáticos são os ganhos imediatistas proporcionados pelo Sistema Corrupto que manipula os fantoches que eles cultuam….