números.com
MIRANDA SÁ (E-mail mirandasa@uol.com.br)
Quando acompanho as bombásticas divulgações de pesquisas eleitorais os números que me vêm à cabeça não são aqueles da Aritmética que aprendi nos meus primeiros anos escolares, mas do quarto livro do Pentateuco, “Números”, que não se prende à religião, mas a História do povo judeu, com narrativas, tradições, listas, leis, itinerários e poesia.
Pelo que está registrado, o título do Livro dos Números se refere a dois censos que os israelitas realizaram, um após a saída do Egito e outro, uma geração depois. No texto encontramos relatos sobre a longa permanência do povo no deserto, desde o Sinai até as planícies de Moab, diante do rio Jordão; e a descrição das doze tribos, como foram organizadas e se prepararam para a conquista de Canaã.
Lembra os episódios de fome, de revoltas e conflitos internos, inclusive a rebelião de Corá contra Moisés e Aarão. Segundo meus amigos judeus, a leitura de Números não se limita a comparar o que hoje se faz, nada tem a ver com o se lê nas crônicas contemporâneas.
Sob o domínio religioso e cultural judaico-cristã-islamita, o chamado “Mundo Ocidental” está preso ao Velho Testamento e aos apêndices surgidos posteriormente, os Evangelhos, citando a passagem de Jesus Cristo, e o Alcorão, com citação sobre Abraão. Assim, os números estão presentes na religião.
Não se limitam, porém, às religiões; vão além dos estudos teológicos. Os algarismos indo-arábicos surgiram na Índia usados desde o século III a.C. na Astronomia; a União Astronômica Internacional nos seus estudos reconhece oficialmente oitenta e oito constelações no espaço; e na Via Láctea, nosso Sistema Solar abriga a Terra e outros sete planetas…
No Planeta Azul os números catalogam cerca de 8,3 bilhões de habitantes e os Estados-membros da ONU, 193; indo ao futebol, a FIFA conta com a participação de 211 associações filiadas….
Além da numerologia espacial, os seres humanos carregam durante toda vida uma bagagem pesada de números. Na placa à porta de casa, o endereço; e, no interior das residências, números nos calendários, no relógio e no telefone e nas contas de pagamento dos serviços.
Há também no dia-a-dia números em registros oficiais, inscrições, efemérides e na contabilidade; na governabilidade, números nas casas do congresso, administrações estaduais e municipais, nos ministérios e diretorias de bancos e empresas estatais.
Encontramos curiosamente 92 tribunais e conselhos 18 mil magistrados em atividade, considerando a estrutura coberta pelo CNJ; no ano passado (2025) o sistema jurídico despendeu de R$ 164,6 bilhões, enquanto a arrecadação decorrente da sua atividade atingiu apenas R$ 68,2 bilhões.
No tribunais listam-se numerosas denúncias de corrupção e um sem-número de venda de sentenças e habeas corpus, seguindo o revoltante exemplo que o STF dá à Nação, na defesa dos corruptos em seu meio, com quatro togados envolvidos na perícia que a PF fez no celular de Vorcaro, comprovando-se mensagens trocadas entre ele e Moraes, com mostrando aconselhamentos e um contrato de quase R$ 130 milhões do Banco
O celular-arquivo do Banqueiro corrupto e corruptor chegou ao plenário do STF, e o Brasil inteiro assistiu pela tevê a defesa política de Moraes feitas pelos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino em cujas intervenções não se ouviu uma só frase, sequer uma palavra, sobre a inocência do delinquente; apenas chicanas para resguardá-lo e ataques ao relator da matéria.
Igualando-se nas tramenhas promovidas por Daniel Vorcaro entra em cena também a repulsiva enrolada da Famiglia Bolsonaro onde a Polícia Federal encontrou na feitura do filme “Dark Horse”, cinebiografia do papai Jair, troca de mensagens de Flávio com o Banqueiro pedindo dinheiro, certificando o envolvimento suspeito no financiamento do projeto.
Na amplitude deste palco dramático do teatro político nacional a nociva polarização eleitoral dos populistas assistencialistas, auto assumidos fraudulentamente “de direita” e “de esquerda”. CHEGA!
Comentários Recentes