DA SOBERANIA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
A colisão de egos e desavenças geopolíticas internacionais, típicas de governos medíocres, produzem sérios problemas econômicos que infelicitam as nações. Os conflitos pontuais que assistimos no Oriente Médio e na Europa, são uma prova evidente disto.
Deve-se principalmente ao presidente dos EUA, Donald Trump, a instabilidade no Oriente Médio, marcada por uma guerra contra o Irã, provocou ameaças às rotas estratégicas de exportação de petróleo, com riscos para o abastecimento mundial e pressionando os mercados.
Este confronto ocorre junto as iniciativas de Trump no comércio internacional com a ampliação de tarifas sobre produtos importados e pressões contra diversos países, seus parceiros comerciais. Não satisfeito com as taxas criadas de até 35%, o governo norte-americano impõe mais uma, de 12,5%, sob o duvidoso pretexto de importação de mercadorias que seriam produzidas pelo trabalho escravo.
Isto provocou reações mundo afora, não somente de governos, como de empresas, inclusive dos EUA, ampliando as tensões econômicas globais e aumentando a incerteza dos mercados por afetar redes de suprimentos e ameaçar o desenvolvimento econômico internacional.
Nos 52 países atingidos pela desvario ultra nacionalista de Trump, assistimos diferentes respostas, de cessões ou resistências. No Brasil, com o populismo ocupando o governo, o reflexo envolveu o período eleitoral em curso, trazendo a velha e superada ideologia da “guerra fria” ainda presente na cabeça do presidente Lula da Silva.
Em verdade se diga, Lula não sabe qual é a diferença do Patriotismo e o Nacionalismo, mas a sua esperteza levou-o a instigar eleitoralmente o sentimento patriótico do povo usando a falaciosa defesa da “Soberania”.
Como verbete dicionarizado a palavra Soberania é substantivo feminino derivado do latim vulgar *superanus”, uma evolução de “super”, “sobre”, “acima” ou “no topo”; e representa juridicamente o poder supremo de um Estado ou indivíduo.
Usar o termo Soberania é apropriar-se das definições clássicas de Patriotismo, que vão do amor à pátria, colocando-se em sua defesa, até o sacrifício; ou, confrontando-se com o seu uso demagógico, foi visto por Samuel Johnson como “O último refúgio dos canalhas”.
A canalhice está no uso homeopático do ultra nacionalismo para combater o ultra nacionalismo de Trump; e isto nos leva ao século passado, vendo historicamente a distorção do patriotismo como submissão cega aos regimes dominantes.
No século 20 este quadro mostrou o nazismo defendendo a superioridade racial do “volk” (povo) alemão sobre todos os outros, assumida nacionalmente, quase à unanimidade, graças à propaganda maciça e uma violenta repressão interna.
A degenerescência política do nacionalismo também levou o regime stalinista da URSS a trair o princípio marxista do internacionalismo para enfrentar a invasão hitlerista, institucionalizando o culto à “pátria soviética”.
Na atualidade vemos o país que tem à entrada a Estátua da Liberdade, adotar a política “America First“, projeto fascistóide de construção de um patriotismo performático e excludente, voltado ao culto do comércio supremacista.
Os ecos deste retorno dos EUA à forma degenerada de administrar o poder público para extorquir comercialmente outros países, trouxe ao Brasil a troca da devoção à Pátria pela exploração eleitoral de Lula, cuja popularidade estava em baixa, por causa da corrupção generalizada no governo e os desmandos pessoais dele, preso à memória do peleguismo sindical.
Assim, Lula se iguala ao seus adversários da abjeta polarização incentivada pelo Sistema Corrupto e Corruptor que domina o Estado. Os outros, da mafiosa Famiglia Bolsonaro, com seu notório primarismo, vestem a camisa da seleção brasileira de futebol para obter vantagem num fictício patriotismo.
Iguais, os populistas auto assumidos ”de direita” e “de esquerda” para trapacear ideologicamente os brasileiros, refugiam-se no sentimento patriótico nacional em proveito próprio. São uns canalhas.
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