Artigo
DOS SIGILOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Como amante da Democracia e da Liberdade ponho-me decididamente contra a decretação de sigilos nos governos, sejam emitidos por quem quer que seja; considero esta medida criminosa, vindo da direita ou da esquerda, ou de um partido político qualquer. É uma delinquência esconder fatos para livrar a cara de alguém chegado ao poder, pessoa que é preservada pelo segredo por causa de ações danosas ao patrimônio público.
Fugindo dos sigilos, informo que pela primeira vez, desde que passei a divulgar textos nas redes sociais, invoquei a IA em pesquisa feita sobre a corrida dos nazistas sobre a bomba atômica, que, se descoberta por eles, teria mudado o curso da História…
É um segredo, mantido debaixo de sete chaves, que ocorreu na Segunda Guerra Mundial sobre a pesquisa feita pela Alemanha nazista para a desintegração do átomo, acumulando os materiais essenciais, como água pesada e o urânio. Foi a estupidez racista de Hitler que salvou a Humanidade; o ditador levou ao exílio e campos de concentração, cientistas, especialmente judeus.
A insanidade fascistóide submissa ao Führer passou a considerar a física nuclear uma “ciência judaica”, resultando em menor prioridade e financiamento insuficiente para as pesquisas. Assim, felizmente, para derrota do mal, deveu-se às disputas internas pelo poder político e a desorganização administrativa a incompreensão do alto comando militar e do próprio Hitler o fracasso do projeto.
Ficou em segredo e é pouco divulgada, rareando na literatura e nos documentários televisivos…. Manteve-se algum tempo o Sigilo que, como verbete dicionarizado, é um substantivo masculino de etimologia latina, “sigillum“, que significa “selo” ou “sinete”. Nos idiomas lusófonos, o Brasilês define como segredo o que se mantém oculto; o que não se mostra, nem se conhece; acontecimento ou coisa que não pode ser revelado ou divulgado.
Outro capítulo que assombrou no século passado, ocorreu na antiga URSS. Foi o “Relatório Secreto”, apresentado por Nikita Khrushchov no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 25 de fevereiro de 1956. Revelou segredos pairavam sobre as repúblicas soviéticas e que o mundo desconhecia: as atrocidades do stalinismo, as repressões em massa, os campos de concentração, os expurgos de hierarcas da nomenclatura e o culto da personalidade.
O título do Relatório é uma verdadeira sinopse: “Sobre o culto à personalidade e suas consequências”. Dessa maneira, o discurso de Khrushchov, então secretário-geral do partido, marcou o início da desestalinização na URSS, levando à libertação de prisioneiros políticos e a uma maior abertura política.
Pelas repercussões internacionais, provocou a Revolução Húngara de 1956 e a cisão sino-soviética, terminando por instalar a glasnost (abertura política) promovida por Mikhail Gorbatchov.
Como repetição caricata da História, uma pesquisa inédita avaliou os 1.379 sigilos decretados entre 2015 e 2022, 80% deles impostos pelo Governo Bolsonaro. A maior quantidade de sigilos de cem anos foi decretada em 2021. É inegável que tais medidas representam um crime contra a nacionalidade escondendo o que devia ser público.
O êmulo de Jair na imunda polarização eleitoral, Lula da Silva, descondenado após prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, adotou medidas semelhantes decretando sigilos em diversos casos ao assumir a presidência da República. Como são iguais!
Não sei qual dos dois é pior. Comparando, vê-se que Lula criticou na campanha eleitoral os sigilos do antecessor, mas acrescentou aos segredos visitas dos filhos e os gastos da mulher amada.
E fez coisa que resvala no crime, escondendo a desenfreada corrupção ao decretar sigilo de R$ 600 bilhões em gastos que incluem ONGs amigas, segundo do Estúdio I da GNews…; e procura distorcer e esconder a roubalheira no INSS. Para impedir a divulgação dos segredos dos seus fantoches, o Sistema quer a censura nas redes sociais, e para isto, Lula pediu ao presidente chinês Xi Jin Ping, um especialista em repressão da Web.
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DO HUMOR
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Estive passando a vista na excelente antologia História da Caricatura Brasileira onde o Humor está presente, lembrei-me da observação de Aldous Huxley ao constatar que as paródias e as caricaturas são as formas mais agudas de crítica.
E senti que o Humor está perdendo os caricaturistas, humoristas e menestréis temerosos de repressão sócio-política do regime judicial que infelizmente sofremos na atualidade brasileira.
Isto sempre ocorreu nos regimes ditatoriais que temem o potencial subversivo que o Humor provoca, com a História da Humanidade registrando que o nazismo na Alemanha criou uma rigorosa censura artística, proibindo obras consideradas “degeneradas” e deviam ser banidas ou destruídas.
É um importante capítulo histórico a “Bücherverbrennung” – queima de livros ocorrida em 10 de maio de 1933 -, no início da tomada do poder por Adolf Hitler. Teve apoio das SS e da Hitlerjugend, Juventude Nazista e Liga das Moças Alemães repugnando autores considerados “não-arianos”.
Foram à fogueira as obras de Brecht, Erich Maria Remarque, Erich Kästner, Freud, Hemingway, Heine, Ibsen, Ricarda Huch, Stefan Zweig e Thomas Man. Lamentando a desgraça o poeta Heinrich Heine alertou: – “Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas”. O que veio a acontecer.
E, exilado em Londres, o grande Sigmund Freud lamentou a queima de livros pelos nazistas: “Os livros foram queimados nas chamas fumacentas do nosso ódio!”
Indo à minha infância e adolescência encontrei algo interessante: Getúlio Vargas, que como ditador do “Estado Novo” (1937-1945), manteve ferrenhas censura e repressão policial contra críticos ao regime, quando voltou em 1950, eleito pela imensa maioria do eleitorado, afagou artistas, cômicos, humoristas e intelectuais, rindo-se muitas vezes das próprias caricaturas e imitações cômicas em peças teatrais.
Vargas encontrou um seguidor deste abrandamento e convivência com a crítica. O presidente Juscelino Kubitscheck levou ao Palácio o compositor e intérprete Juca Chaves, autor da sátira mordaz e bem-humorada “Presidente Bossa Nova”.
Embora sustentando a censura sobre diversos setores culturais, a ditadura militar (1964-1985), fez vista grossa para “O Pasquim”, semanário humorístico que com o anedotário, caricaturas e quadrinhos fazia críticas gerais, tornando-se um dos símbolos da resistência cultural contra o arbítrio.
Afinal, o Brasil é o Brasil. O povo brasileiro é brincalhão, sempre bem humorado, com uma forma própria de ser ou de estar. Vê o Humor das marchinhas de carnaval e das comédias de teatro, televisão e rádio, como dicionário o define: este substantivo masculino de origem latina, humor,ōris, ‘fluido, linfa’, uma situação orgânica que produz um estado de ânimo nas pessoas.
É esta disposição que representa a aquiescência ao que é cômico ou que provoca riso ao longo da História. Desde a Antiguidade, o Humor é utilizado para satirizar costumes e comportamentos sociais. Como exemplo, temos na Grécia Antiga as comédias de Aristófanes, como “Lisístrata” e “As Rãs“, provocando risos ao criticar os políticos da época.
Vou repetir: vemos que entre nós, o humor perdeu a inspiração dos caricaturistas, humoristas e menestréis, acovardados com a repressão sócio-política do regime judicial instalado no Brasil.
É difícil manter publicações como foi o Pasquim e mesmo na sua expressão literária, como “As Farpas”, de Ramalho Ortigão e Eça de Queirós… É inimaginável publicar-se uma caricatura ou a imitação caricata dos semideuses de toga.
Os amantes da liberdade lamentam que se tornou quase impossível divulgar paródias ou piadas jocosas na mídia impressa, televisiva e radiofônica. Saem pontualmente nas redes socais que não dão acesso do povão, ficando este sem compreender o porquê do silêncio ensurdecedor do STF sobre as fraudes do INSS.
Fica dessa maneira coberto o roubo dos aposentados e pensionistas do INSS pelos pelegos sindicais lulopetistas sem que nenhum seja preso ou restitua os valores do saque; e assim, o Humor, como ferramenta poderosa para questionar e refletir sobre a sociedade, está silenciado.
DA VINGANÇA
MIRANDA SÁ Email: mirandasa@uol.com.br)
Chama-se Vingança qualquer ato danoso contra uma pessoa, castigando-a em desforra por lesões ou ofensa por ela praticados. A palavra tem origem no latim “vindicare“, que significa “reivindicar” ou “defender”, relacionada à “vindicta“, que significa “mostrar autoridade”; gramaticalmente em brasilês é um substantivo feminino usado para resignar uma retaliação praticada como represália.
Tomar uma vingança revela uma decisão pessoal ou coletiva para restaurar a justiça que faltou para punir legalmente alguém que causou um mal. Utiliza-se da força para castigar desgraças físicas ou morais causadas.
A Vingança tem uma presença emocional nas artes dramáticas, mergulhando nas profundezas da psique humana e nos princípios da moralidade ou repressão política. No teatro temos a digna referência com o poeta grego do século V a.C., Eurípides, e a tragédia grega “Medeia”, em que a protagonista, traída pelo marido, busca uma retribuição extrema, evidenciando a intensidade do desejo vingativo.
Na literatura, incluem-se os clássicos shakespearianos das peças Hamlet e “Otelo, o Mouro de Veneza”; e de Alexandre Dumas, o celebrado “Conde de Monte Cristo”. Um clássico no cinema, “Trono Manchado de Sangue”, de Akira Kurosawa, adapta “Macbeth” ao contexto japonês, enfatizando as consequências trágicas da ambição e da retaliação.
Também no cinema, “V” de Vingança tornou-se um clássico. É um filme de ação e suspense, trazendo a realidade virtual sobre o perigo do totalitarismo, da vigilância em massa e da perda da liberdade individual. Sob a direção de James McTeigue e produzido em 2005 por Joel Silver e pelas irmãs Wachowski, autores do roteiro, ambos possivelmente inspirados no “1984” de Orwell.
A sinopse descreve a Inglaterra sob uma ditadura impondo um sistema totalitário com táticas terroristas para reprimir qualquer manifestação opositora. Um herói solitário auto assumido como “V”, luta pela liberdade. A história é romantizada quando “V” salva da polícia secreta uma jovem chamada Evey e ela se torna sua aliada na luta pela liberdade e justiça.
No Brasil de hoje, vemos a Vingança adentrar na política brasileira com Lula da Silva, pelego da VW e informante do Dops, segundo Tuma Júnior, até hoje não desmentido, ser descondenado dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro pelos garantistas do STF.
Graças ao apoio dos democratas de Centro, temerosos de perder a liberdade ameaçada pelos golpistas Bolsonaro & Cia., elegeu-se o presidente da República. Empossado, trouxe de volta a gangue do Mensalão e do Petrolão, e com ela voltaram os corruptores das empreiteiras e os corrompidos dos sindicatos e dos movimentos sociais.
Cercado de fanáticos e mercenários, o Descondenado iniciou uma furiosa e irrefreável vingança contra a Operação Lava Jato, seus protagonistas da PF, do MPF e os juízes dos tribunais de primeira e segunda instâncias. Todas as medidas administrativas e reivindicações nacionais desceram ao segundo plano cedendo lugar às ações vingativas, translúcidas como água de esgoto. Quem ainda não observou como é transparente a água de esgoto?
Foi criada, então, uma temporada inimaginável de perseguições contra a Lava Jato, unindo lulopetismo e bolsonarismo como um eixo do mal, para vingar-se de quem mostrou à Nação a face horrenda da corrupção populista.
Assim, com este consórcio da falsa esquerda e da falsa direita formado para punir os inimigos da criminalidade, transparece claramente que a polarização que os confronta é apenas eleitoral. “Elles” agem da mesma maneira quando chegam ao poder: enquanto assaltam o Erário, tramam para subtrair as liberdades democráticas calando os reais opositores.
Estranhamente apoiado pelo sistema jurídico que domina o país, Lula atenta contra a soberania nacional ao dizer claramente que pediu a Xi Jinping um especialista em repressão das redes sociais. Esta censura, fralda de ditaduras nascituras, revolta os amantes da liberdade e impõe o desejo popular de Vingança; vingança que faz parte da obra prima de Lupicínio Rodrigues: “Vingança, vingança, vingança, aos santos clamar!”
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DOS MILAGRES
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
O filósofo David Hume argumentou que milagres são violações das leis naturais e que os testemunhos sobre eles são geralmente pouco confiáveis. Ele afirmou que é mais provável que o testemunho esteja errado do que um milagre realmente tenha ocorrido. (Volume d’ Os Pensadores, editado pela Nova Cultural em 1989).
Hume enfrentou a crítica de alguns teólogos com tímidas referências diversionistas, um deles, Eugen Drewermann, considerando-os “simbólicos” como expressão da psique humana mais do que eventos sobrenaturais…. Outro, Richard Swinburne, defende que a ocorrência dos milagres deve ser defendida pelos crentes como uma cosmovisão teísta…
O campo da religião esquematiza mais ou menos o que expressam estes pensadores da teologia sistemática (ou dogmática). Como organismos burocraticamente constituídos, o cristianismo, o judaísmo e o islamismo usam relatos de milagres como base das suas crenças.
Com isto, enfrentam a visão naturalista de Spinoza que no seu Tractatus Theologico-Politicus sustenta que tudo ocorre conforme as leis imutáveis da Natureza, e o que chamam “milagres” são eventos pontuais cuja causa desconhecemos.
O Catolicismo medieval exagerou, realçando os milagres de Jesus para dogmatizar a sua divindade; aproveitou-se dos relatos evangélicos pouco confiáveis, mas eficientes para fortalecer a fé dos seus seguidores.
Entre muitas descrições, destacamos milagres porventura praticados pelo Carpinteiro de Nazaré quando vivia entre pescadores no lago da Galileia; fazia-os em nome do “Pai”, como se referia a Deus. Para um evangelista, alimentou com eles milhares de pessoas com alguns poucos pães e peixes (Mateus 14:13-21)… E andou sobre as águas, para acalmar os discípulos em meio à tempestade (Mateus 14:22-33).
A palavra Milagre, como verbete dicionarizado, é um substantivo masculino de etimologia latina “miraculum“, que significa “prodígio, maravilha, coisa extraordinária”; e no nosso brasilês refere-se a um ato ou acontecimento fora do comum, inexplicável pelas leis naturais. Na religião, é qualquer referência de participação divina na vida humana.
Como a Ciência procura entender o mundo pesquisando ocorrências que não deixam dúvidas pela evidência concreta, esbarra na convicção de eventos inexplicáveis que são aceitos convictamente pela crença em coincidências pontuais aceitas pela fé sem ser comprovadas.
Será razoável depositar numa hipotética caixa que recolhe dúvidas, todas as questão discutíveis. Assim ouviríamos Orson Welles sabiamente alertando para a necessidade impositiva de duvidar, dizendo: – “Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos”.
Cedendo à teoria e apelando mais uma vez para Hume, temos dois níveis explicativos da causalidade; a precisão de uma explicação para fenômenos, e o esclarecimento para a relação entre o fato e o desejo de crer em algo sem comprovar a sua existência.
Concordo que é preciso guardar dúvidas sobre os antigos milagres praticados pelo Deus judaico-cristão, mas gostaria que se Ele os teria feito antigamente, seria razoável que viesse a fazê-los na contemporaneidade.
Isto levou-me à surpresa em saber que na PUC/RJ existe uma cadeira “Ciência da Religião”, e considero importante ver que os teólogos de hoje aceitam a Ciência como a busca para atitudes racionais conforme as leis que a Natureza oferece.
Assim, gostaria de encontrar condições objetivas para que os milagres voltassem a ocorrer; e que fossem através de um Deus cósmico, atemporal e onipresente, para nos encher de alegria fazendo um milagre com os togados do STF que se metem e falam em tudo, quando não deviam. O miraculoso os faria romperem o silêncio (que seria normal não fora a sua parlapatice) diante do roubo tsunâmico no INSS pelos pelegos lulopetistas.
Sem fugir da lógica e sem intervenção divina, eu voltaria a crer em milagres também, se a omissão da Suprema Corte perante a criminalidade fosse considerada por todos brasileiros e brasileiras.
Com esta unanimidade comprovar-se-ia dessa maneira o repúdio nacional ao terrorismo dos corruptos e corruptores instalados nos poderes republicanos….
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HABEMOS “CHANCELERA”
mirandasa@uol.com.br
Como ninguém elegeu Janja para coisa alguma ela se assumiu como “Chancelera”, uma virtual e ridícula posição governamental, inexplicavelmente aceita pelos semideuses do STF e sob aplausos da galera do “Aposentão” …
Na China, entre outras besteiras feitas, criou uma rebordosa tal que conseguiu irritar os pacientes milenários chineses, impacientando o presidente Xi Jinping e a 1ª dama chinesa Peng Liyuan, lembrando que anteriormente, diplomatas chineses haviam pedido a ausência dela nas reuniões de cúpula.
Inafastável pela submissão de Lula, durante um encontro do Marido e o Presidente, Janja pediu a palavra para criticar a rede social TikTok, uma das principais plataformas digitais da China (críticas que Trump faz nos EUA).
Recebeu de Xi Jinping uma abrupta e seca resposta: Disse esperar que o Brasil, se considerar necessário, tenha mecanismos legais para regular ou até banir a plataforma.
Segundo os correspondentes que cobrem a visita brasileira na China, este diálogo forçado pela Chancelera criou um constrangimento geral entre os anfitriões e a própria delegação brasileira.
Aqui entre nós pegou tão mal que o comentarista global, Otávio Guedes, sempre comedido em críticas a Lula, disse ao vivo e a cores na GNews que “a primeira-dama do Brasil, Janja protagoniza “climão” em encontro com Xi Jinping. “Simplesmente vontade de exibir poder. […] O brasileiro não deu poder a ela. O Brasil deu poder ao Lula.”
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DAS PROCISSÕES
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
A canção de Gilberto Gil, “Procissão”, é um clássico da MPB cuja letra por pressão e covardia do autor, foi modificada três vezes, mas não se perdeu a original que começa assim: “Olha lá vai passando a procissão/ Se arrastando que nem cobra pelo chão/ As pessoas que nela vão passando/ Acreditam nas coisas lá do céu…”
As procissões religiosas são atos de fé e devoção com raízes antigas, remontando ao longo da História manifestações multifacetadas que refletiam a cultura popular das sociedades em que ocorreram.
No antigo Egito, a festa de Opet compreendia uma grande procissão ao longo da avenida das esfinges, onde o deus Amon, sua consorte Mut e filho Khonsu, cada um sobre uma barca dourada, eram levados do templo de Karnak até Luxor.
O budismo leva os seus seguidores a dar voltas silenciosas em torno de uma Árvore Bodhi, invocando forças espirituais para apoio ou proteção. Segundo a tradição, foi sob a árvore sagrada que o primeiro ser humano alcançou a iluminação e onde Siddharta Gautama no século VI antes de Cristo, tornou-se Buda.
Os gregos e romanos as apresentavam em homenagem a Dionísio ou Baco, ao final da colheita das uvas. Do outro lado do Atlântico, os maias realizavam procissões com dança, música, e mesmo sacrifícios humanos, para comemorar diferentes períodos do calendário maia, como o ano novo e eclipses solares.
Também faziam procissões os antigos judeus, na Páscoa, em Pentecostes e na Festa do Tabernáculo. Na Torah são relatadas diversas procissões: (Êxodo 25:10-15, Josué 3:5-6;14-16, Josué 4:4-5;15-18, Josué 6:4, Números 10:33-34).
Este Velho Testamento deixou a tradição de procissões como herança para cristãos, e com o catolicismo elas se multiplicaram, eclodindo na Idade Média com a exibição de imagens e suspeitas relíquias….
Dicionarizado, o verbete Procissão é um substantivo feminino que se refere a um cortejo com pessoas caminhando na mesma orientação de crendice e de roteiro. Este desfile em diversas religiões é organizado pela burocracia sacerdotal com versificadas orações cantadas em refrão.
A etimologia da palavra é latina, “processĭo, -ōnis“, proviniente de “procedere”, no sentido verbal de “ir adiante”, “avançar”, “caminhar”, mencionando pessoas em grupo caminhando de maneira formal ou cerimonial.
Émile Durkheim, psicólogo, filósofo e sociólogo francês que emancipou a Sociologia como autônoma, argumenta que as procissões reforçam a solidariedade entre os membros de uma comunidade.
E esta observação nos leva aos desfiles políticos, marchas cívicas e cortejos religiosos; manifestações que passaram a ser exploradas eleitoralmente nas democracias ou como demonstração de apoio nos regimes totalitários.
Durante muitos anos, assistimos as Marchas de 1º de Maio, em desfiles de protesto e propostas sindicais em defesa dos trabalhadores. Muitas vezes iam às ruas enfrentando a repressão dos governos a serviço do patronato reacionário.
As conquistas do Mercado de Trabalho, lentas, graduais, mas sempre revitalizando e atendendo reivindicações, esvaziaram os slogans revolucionários, afastando os extremistas da movimentação; e a última pá de cal sobre o túmulo do anarco-sindicalismo, foi a criação fascista da pelegagem que mercenarizou os líderes de classe vendidos aos governos ou ao patronato.
Neste Ano do Senhor de 2025, o 1º de Maio trouxe o exemplo mais-do-que-perfeito da degenerescência sindical no Brasil, com os pelegos roubando os aposentados e pensionistas com ajuda governamental, uma ação criminosa que impediu a presença demagógica de Lula da Silva nos comícios esvaziados.
Em verdade, diante da enxurrada de corrupção em seu governo, o traidor da classe trabalhadora, corrompido, corrupto e corruptor nada tinha a dizer a não ser as mentiras marqueteirizadas de sempre.
Isto nos leva à realidade seguindo uma Procissão compromissada em ajudar o novo papa, Leão 14, agostiniano, que quer construir pontes para relacionar toda a gente sem distinção, em defesa da Paz; e assim vislumbra um mundo melhor.
DAS COINCIDÊNCIAS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
A vida é cheia de coincidências; mas as coincidências que encontramos nos círculos políticos são exageradas. Como verbete dicionarizado, a palavra Coincidência é um substantivo feminino vindo do latim vulgar “coincidere”, significando a condição de dois fatos ocorrerem igualmente por acaso.
Não encontramos para Coincidência um sinônimo perfeito que represente claramente sua significação, a justaposição de situações distintas em tempo e espaço. Nada tem a ver com coexistência, nem concordância, nem semelhança; o mais próximo que achei foi simultaneidade, e mesmo assim passa raspando….
“Uma vez acontece. Duas vezes é coincidência. Três vezes é ação inimiga” é a definição jocosa de Ian Fleming, militar, escritor e jornalista britânico conhecido mundialmente como inventor de James Bond.
Isto está exemplificado pela História Geral no caso ocorrido na 2ª Guerra com o prodígio da engenharia naval alemã nazista que, lançado ao mar, fez o almirantado inglês temer pela sua invulnerabilidade; mas a 27 de maio de 1941, por uma coincidência, uma bomba lançada pelo encouraçado inglês Prince of Wales entrou em uma das chaminés do navio alemão e explodiu a casa de máquinas.
Até hoje nos círculos navais se discute este fato de um dos navios mais lendários do mundo afundar na primeira batalha naval de que participou.
No campo do fantástico situações que ocorrem simultaneamente temos a história de um milionário norte-americano que simples empregado numa granja, indo a uma barbearia ouviu do cabelereiro que tinha palhetas de ouro nos cabelos. Ele se lembrou que havia tomado banho num riacho que corria num terreno devoluto e foi ao órgão competente registrar o terreno como sua propriedade. Assim fez a sua fortuna explorando o ouro que havia ali em profusão.
Como piada, temos de Leon Eliachar, humorista que fez sucesso no século passado, quando o gênio não se acovardava, traz no seu livro “Homem Ao Quadrado”, um problema brasileiríssimo: – “A pontualidade é a coincidência de duas pessoas chegarem ao encontro com o mesmo atraso”. Brasileiríssimo.
O modo de pensar independente desconfia das coincidências; achamos que o que é repetido por duas pessoas sobre um fato ocorre por acidente, pode se considerar coincidência, mas quando surge uma terceira versão tem, sem dúvida, um propósito.
Isto se observa sempre no infelicitado Brasil quando coincidentemente elevou-se na política uma polarização entre populistas corruptos. Neste confronto ensaiado como as disputas dos cordões azul e encarnado nas lapinhas folclóricas.
Antes, as disputas eleitorais eram jogadas de compadrio com uma duração marcada; terminada a eleição tudo voltava à estaca zero. Hoje esta política esquizofrênica, tem reflexos escandalosos como ocorre no assalto aos aposentados e pensionistas do INSS vítimas de descontos ilegais por uma gangue sindicalista.
Encontramos aí coincidências memoráveis. Vejam que os descontos do INSS atingiram 60% dos aposentados, por justaposição foram 19 cidades do Nordeste as mais atingidas; a maioria vive em áreas rurais, segundo a CGU…
Por coincidência o ministro Carlos Lupi, que havia sido demitido no Governo Dilma por denúncias de irregularidades em convênio, teve conhecimento do assalto ao bolso dos velhinhos em 2023 e somente dois anos depois diz que a demora se deveu à “burocracia” …
Também por coincidência um dos envolvidos no roubo é o irmão de Lula, Frei Chico, cujo sindicato teve um aumento de 564% em repasses do INSS nos últimos 5 anos; e ocupa duas situações: o apelido de “Frei” é porque embolsava um “terço” da arrecadação sindical; e recebeu uma ajudinha com a dispensa da biometria e agora foi poupado na lista dos acusados….
Das coincidências advocatícias, temos a imoral – para não dizer criminosa, a contratação por uma das entidades investigadas pela PF do advogado Enrique Lewandowski, filho do ministro Ricardo Lewandowski!
Há muitas outras situações e compatibilização de ocorrer ao mesmo tempo. A mais interessante é ver-se Lula não demitir Lupi, réu confesso; comenta-se que com isto se repete o caso do asilo dado à ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia condenada por lavagem de dinheiro em um caso envolvendo a construtora Odebrecht. Tanto Nadine como Lupi são arquivos vivos sabendo demais sobre o Pelegão descondenado.
Finalmente uma coincidência que serve de prova para condenar o Governo Lulopetista; vê-se o líder do governo na Câmara Federal, Lindenberg Farias e a ministra petista Gleise Hoffman postar-se com afinco contra uma CPI para investigar o crime na Previdência. É uma suspeição explícita da participação do Chefe no esquema.
Coincidir, ajustar, compatibilizar e concordar é a inútil tentativa de terceirizar o assalto dos corruptos, fugindo do envolvimento no esquema bilionário de fraudes contra aposentados do INSS…. E coincidentemente tudo sob o silêncio ensurdecedor do STF.
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DOS ABSURDOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Não é de agora que nos deparamos com coisas ilógicas, despropositadas e contrárias ao bom senso. Considerações que chamamos de “Absurdos”. E está claro que nos tempos paradoxais em que vivemos o que vem de longe piorou muito….
Como verbete dicionarizado, Absurdo pode ser adjetivo e substantivo; no primeiro, o que é contrário à razão e ao bom senso; que não faz sentido; e como substantivo, algo disparatado e insensato; figurativamente, projeto fantasioso, utopia.
O Absurdo chama atenção para o que é Ilógico, Incoerente e foge às normas estabelecidas pelos costumes dos povos no mundo inteiro; e é por isto que merece ser estudado; mas, pela abrangência planetária, será de bom tom limitar as pesquisas aos absurdos ocidentais….
Mesmo assim, o campo é vasto, intervindo em todas ações humanas em sociedade; na arte, na ciência, nos costumes, na literatura, na política e na religião. Percorre na trilha da História como um burro com as cangalhas carregadas de irracionalidades. Inauditas.
Na prancheta das artes lamentamos o desaparecimento das maravilhas do mundo antigo, restando apenas a Grande Pirâmide de Gizé e a Muralha da China; a Ciência esqueceu a revolução ocidental da Medicina, guardando dela apenas a memória de Hipócrates.
O comportamento humano em sociedade também deixou que as classes dominantes omitissem os horrores da escravidão indígena e negra, que deletasse a brutalidade da Inquisição, esquecesse o brutal colonialismo europeu que oprimiu e saqueou os povos na África e na Ásia; e fantasiasse que sob a bandeira da Cruz, viu-se a conquista espanhola e portuguesa das Américas dizimando povos e destruindo as civilizações do México, Mesoamérica e Andes.
Perdura até hoje a estreita mentalidade colonialista nos poderes brasileiros. No caso a Justiça o que vemos é a leniência com o crime, principalmente com a corrupção e se vê o absurdo da facção criminosa de São Paulo, o PCC, manter um Tribunal mais ágil e mais justo, condenando à morte o bandido que sequestrou, violentou e matou uma estudante da USP.
Igualmente correndo nas pistas das incoerências e despropósitos, a religião judaico-cristã se divide entre negocistas frente a um balcão de venda dos evangelhos fraudulentos e a adoração judaico-católica dos fantásticos contos das mil-e-uma-noites sobre a origem da vida num livro “escrito” por seu deus humanizado.
São absurdos as fantasias da Torah (Velho Testamento), o absurdo anticientífico da criação do mundo em 6 dias (Gênesis 1), o mito da criação em conflito com a origem da vida (Gênesis 3); com pessoas vivendo centenas de anos (Matusalém 969 – Gênesis 5:27); a saída dos hebreus do Egito pela abertura do Mar Vermelho (Êxodo 14) …. E vai ao extremo com todos os animais do mundo salvos do dilúvio na arca de Noé.
Na vertente cristã do judaísmo a História registra a morte do cristianismo primitivo tornando-se uma religião imperialista, coroando como “rei dos reis” o Carpinteiro de Nazaré um homem comum, altruísta e milagreiro que andava com pescadores, empregados, prostitutas e inválidos.
Sua trajetória tornou-se um dogma baseado na suspeita verdade de Mateus, Marcos, Lucas e João transcrevendo nos quatro evangelhos “oficiais” o disse-me-disse transmitido oralmente durante 100 anos. Foram aprovados nos primeiros concílios de Cartago e Niceia ao gosto da hierarquia eclesiástica da nova religião; e excluídos outros depoimentos como os evangelhos de Tomé, de Filipe, de Maria Madalena, de Judas e o Protoevangelho de Tiago.
Resultantes desses absurdos culturais, nações inteiras caíram no lamaçal do fanatismo e convivem com os disparates paradoxais da absurdez jurídica vendo-se o STF, leniente com o crime, silenciar com o asilo dado por Lula a ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia, condenada pelo Tribunal Superior Nacional do seu país por corrupção.
Quando abordamos a política – onde tudo que é insensato -, assistimos Edinho Silva um dos principais hierarcas do PT, dizer em longa entrevista que Lula deve manter o pelego Carlos Lupi no ministério, mesmo com a descoberta da gigantesca fraude no INSS; reconhece que o traidor da memória de Brizola é um dos raros políticos não petista que defende o sindicalismo de coalizão com o crime organizado.
Vê-se desta maneira que a realidade brasileira não é lógica ou racional, é contrária à razão e ao bom senso; revolta como absurdo a quem é contra a polarização eleitoral dos dois populistas corruptos, um se assumindo falsamente “de esquerda” e outro falsamente se assumindo como “de direita”.
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DA ROTINA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Uma das definições de Rotina que mais me agrada é vê-la como a forma organizada de viver. Há pessoas que não consideram este tipo de rotina como norma, dizendo que quem o adota tem uma vida de tédio, sem a graça do aventureirismo, a fuga dos padrões e o enfrentamento do inusitado.
É aí que encontro na sabedoria popular a resposta democrática para quem pensa diferente, seguindo o ditado: “Em cada cabeça uma sentença”; seja, que cada um interprete e assuma uma posição diante da sua realidade.
Como verbete dicionarizado, Rotina é um substantivo feminino com a etimologia de origem francesa “routine”, significando caminho sempre obedecido e usual e repetida maneira de realizar tarefas cotidianas.
Há figuradamente a definição de “conservadorismo que se opõe ao progresso”. Esta, então, é completamente descabida, como vejo nas redes sociais, principalmente nos grupos em que navego, “Tribo do Bem” e “#BrasilConsciente”, em que os participantes mantêm coerência pessoal, sempre enriquecendo os argumentos.
Confesso que neste meu convívio pouco me preocupa em cobrar posições assumidas diferente das minhas; analiso mais e melhor os protagonistas de fora, para entender o que se passa além da bolha. Desta maneira, estabeleço a rotina de analisar os fatos conforme chegam virtualmente.
Como rotina pessoal, trago o exemplo do que se passou comigo um dia desses, quando ainda convalescente da queda que sofri, fui ao Centro com a minha mulher cumprir duas obrigações intransferíveis: o cadastramento exigido a pessoas da minha idade pelo Ministério da Economia.; e, no Cartório de Títulos, confirmar um pagamento do IPTU já realizado.
Fugi à Rotina, não foi? Mas, ao voltar para casa, entreguei-me por completo ao meu dia-a-dia. Uma partida de Canastra às 11,30h e o aperitivo do almoço; almoçado, fui à sesta – a notável rotina dos mexicanos –, cochilando ao som da minha vitrolinha de cds.
Alertado pelo despertador para assistir o jogo do Arsenal contra o Real Madri, assisti um belo espetáculo que me levou ao futebol brasileiro do passado, aquele das jogadas individuais que eu adorava na juventude, nada parecido com o futebol europeu.
Lá na Europa, a atuação em campo dos profissionais obedece a estratégia dos recuos atraindo o adversário para possibilitar o contra-ataque, um esquema psicológico que vem sendo usado pelo técnico flamenguista Davi Luís e esquecido pelo time ao jogar contra o Central de Córdoba, perdendo de 2 x 1…
Após a diversão com o futebol, fui à leitura. Estou relendo o Dicionário Filosófico de Voltaire e concomitantemente folheio o curioso debate de Bertrand Russel com o padre Copleston sobre a existência de Deus.
É assim que levo a vida desde muitos anos. Domesticação, diversão e estudo, a fuga da banalidade que enxameia o noticiário televisivo, idiotizando as massas com debates ensaiados e comentários repetitivos, comprovando o que vaticinou Joseph Pulitzer ao dizer que: – “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.
Do antigo jornalismo contestador, independente e vibrante, sobrou infelizmente um produto degenerado., que exemplificou ao silenciar contra a criminosa censura da ESPN e sem se solidarizar com os jornalistas demitidos pela denúncia que fizeram contra a CBF, um covil de bandidos com tentáculos no STF e na Presidência da República.
Enquanto isso, temos um público vil de cabeça feita pela conspiração midiática do Sistema, mantendo acesa a nojenta polarização dos dois populistas corruptos, Bolso e Lula…. E é este público que observo rotineiramente fora dos grupos que sigo no “X” e no “BS”.
Enquanto mantenho o respeito pela opinião alheia que discorda da minha, a manada garroteada pela polarização discrimina e xinga com ataques pessoais que se sobrepõem ao argumento.
Por isto, venho repetindo rotineiramente a máxima de Lao-Tsé: “Reaja inteligentemente mesmo a um tratamento não inteligente”, exaltando a educação no trato com outrem e a defesa da liberdade da expressão do pensamento. Esta foge do tédio, pela animação no confronto das ideias que desejamos “conservar” política e filosoficamente.
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DA MITOLOGIA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Como parece estarmos de volta à exaltação da Cultura, lembrei-me do presente que o Teatro nos dá, desde a antiga Grécia, quando Eurípedes escreveu “Hipólito” (Ιππόλυτος) com um tema que se tornou clássico com a obra da Racine “Fedra”.
Na versão dos dois, temos uma tragédia ambígua descrevendo a desventura de Fedra que era esposa de Teseu e se apaixonou por Hipólito, filho ilegítimo do marido, propondo-lhe a consumação desse amor… E Hipólito recusou-lhe.
A ambiguidade da interpretação mitológica em que um aceita e outro nega, levou-me a relembrar das vésperas da fracassada conspiração golpista e o relatório do Ministério da Defesa sobre as eleições – onde jamais deveria ter se metido -, acendendo uma vela a Deus e outra ao diabo.
De um lado, assegurou a legitimidade das urnas eletrônicas “em nome da verdade” que, segundo o Boletim do Exército, é o símbolo da honradez militar; mas, do outro lado, serviu à ambição do ex-Presidente, levantando a hipótese de um tal “código secreto”.
De secreto já temos os mergulhos na impunidade, com os sigilos de cem anos do Executivo e o orçamento camuflado dos picaretas do Congresso Nacional; com o “Relatório” inventaram mais um, para satisfazer as loucuras golpistas da seita bolsonarista….
A turma adoradora dos “Deuses das Rachadinhas” deveria se preocupar em fazer oposição ao eleito, Lula da Silva, sem deixar que o próprio partido dele, o PT, se encarregue disto como sempre faz. Bastaria aproveitar-se da experiência que assistimos com Bolsonaro, que se derrotou a si mesmo, ao adotar os desvarios extremistas dos filhos.
Para combater Lula, começariam por vê-lo como o Rei da Demagogia, que governa com os malabarismos da pelegagem sindical driblando a Lei para arrancar dinheiro do contribuinte na ânsia de pagar as promessas de campanha.
… E já que comecei surfando nas ondas dos mares Egeu e Jônico que banham a Grécia, vou à figura de Midas, rei da Lídia, que entrou no disse-me-disse do folclore ocidental pela riqueza imensa e distribuição em ouro para conquistar intelectuais com uma espécie de Lei Rouanet da sua época
Por uma concessão do deus Baco, tudo em que Midas tocava virava ouro; por isto, a sua querida filha Phoebe transformou-se em estátua de ouro ao encostar nele. Imitam-no os populistas fascistóides (não importa a ideologia que adotem, sejam de direita ou esquerda) que usam a riqueza nacional para se manter no poder.
Dessa maneira vê-se a disseminação da pandemia populista latina (cuja febre tem alcançado também na Europa francos, normandos e saxões). O princípio desta política é dúbia; enfrenta o contraditório da responsabilidade fiscal com o populismo distributivo.
O populismo é um mergulho na corrupção a fim de conquistar adeptos e comprar votos pensando na futura eleição. Vale para os dois polarizadores eleitorais, Bolso e Lula, aplaudidos e acompanhados por comparsas capazes de tudo, seja nos desvios de conduta, seja no sonho fascistóide de se manter no poder.
De um lado, Bolso se inflou na política praticando o sindicalismo fardado e investindo contra o Erário; foi derrotado na tentativa de reeleição; do outro lado, seu vencedor, Lula, olha somente pelo retrovisor da História fazendo uma política que se limita em distribuir com o dinheiro público esmolas com fito eleitoral.
Ouvimos repetidamente declarações dos atuais ocupantes do poder a intenção de seguir na trilha pantanosa da irresponsabilidade fiscal como se fora a “socialização” do Erário através de bolsas e de cotas…. Contra isto, se ouve ecoando no continental território brasileiro o toque de alerta para os autênticos patriotas, mostrando a volta da corrupção e a necessidade urgente de se fazer mudanças na política e na economia.
Para enxergar a realidade e reconstruir o País, não é preciso pegar carona na permanente insatisfação dos caminhoneiros, nem os usar para bloquear estradas; basta-nos pegar metrô e ônibus, ir à feira, à farmácia ou ao supermercado, para ouvir “nos ouvidos” as reações do povão. Esta é a verdadeira contestação e a razão de gritar “fora Lula”.
Sente-se que está em curso a revolta popular refletida e atestada por várias pesquisas de opinião pública, mostrando a queda vertiginosa da popularidade de Lula da Silva e do seu governo.
São números e percentuais que não se limitam à horda dos fanáticos apoiadores do mito frouxo e corrupto, assentados em argumentos levianos para justificar o quebra-quebra de Brasília, planejado para dar sustança a um golpe de Estado.
Aliás, a cabulice dos polarizadores Bolso e Lula limita-se a preparar-se para as próximas eleições, sem pensar no País e na Nação, mas apenas em si próprios. E nisto, sem nenhum pudor, os seus seguidores também colaboram com o estúpido fanatismo.
Nesta Mitologia viva e ululante como larva de esgoto, temos deuses nos três poderes republicanos que se aquecem na fogueira do poder desde as Capitanias Hereditárias do favoritismo, dos degredados, dos cruéis predadores de índios e dos escravocratas.
É o “Sistema”.
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