Artigo

Artigo em defesa da Liberdade de Imprensa

A Imprensa e a Democracia “entre aspas”

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

É impossível imaginar a democracia sem uma imprensa sobrenadando nas onduladas extensões da liberdade sob o império da lei. E sobre a imprensa, ninguém melhor do que o pensador, escritor e poeta Machado de Assis, para falar dela no lead de sua crônica “A Reforma pelo Jornal”.

Escreveu Machado: “Houve uma coisa que fez tremer as aristocracias, mais do que os movimentos populares; foi o jornal. Devia ser curioso vê-las quando um século despertou ao clarão deste ‘fiat’ humano; era a cúpula do seu edifício que desmoronava.

“Com o jornal eram incompatíveis esses parasitas da humanidade, essas fofas individualidades de pergaminho alçado e leito de brasões. O jornal que tende à unidade humana, ao abraço comum, não era um inimigo vulgar, era uma barreira… de papel, não, mas de inteligências, de aspirações”.

O fundador da Academia Brasileira de Letras escreveu este texto 153 anos atrás, em outubro de 1859. E até hoje a imprensa instiga e provoca as aristocracias, sejam as que persistem em usar punhos de renda, sejam exibindo macacões estilizados à moda de George Armani, exibidos por pelegos populistas.

Pela permanente vigilância e uma ameaça definida às tenebrosas transações do poder, enquanto dorme a nossa Pátria Mãe tão distraída, a imprensa brasileira é alvo dos atuais ocupantes do poder.

É por isso que é necessária a defesa contínua e ininterrupta dessa liberdade fundamental que sustenta o regime democrático. Não pode haver uma democracia ‘entre aspas’, que não respeite a liberdade de imprensa, que é a garantia ao direito à informação e à defesa dos direitos humanos.

Em sua 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) há pouco ocorrida em São Paulo, constatou-se que a imprensa enfrenta um “clima hostil” por parte dos governos populistas da América Latina. Convidado para debater o problema, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso disse uma coisa certa: “Estão inventando uma espécie de democracia autoritária: ganha pelo voto e governa atacando a oposição”.

Registre-se que a presidente Dilma Rousseff recebeu um convite especial para a abertura da Assembléia, mas alegando compromissos de agenda, não compareceu. Sua negativa em prestigiar o evento levou o representante do jornal “O Estado de S. Paulo”, Júlio César Mesquita, a comparar sua ausência com a do ex-presidente Fernando Collor, em 1991.

A Presidente – como se viu e como se vê nas eleições municipais – deixou de ser a Chefe da Nação Brasileira para tornar-se Chefe de Facção Partidária, e o PT, seu partido, demonstra uma inegável tendência a considerar a imprensa como inimiga.

Os ataques são vários; tentam conquistar os idealistas tachando os jornais de elitistas e preconceituosos, e também denunciando os órgãos de comunicação como ‘golpistas’. Assim pensam, agem e divulgam os hierarcas do PT, seguidos pelos sabujos que afocinham os restos do seu banquete.

Seguindo a boa prática fascista, querem implantar jornais chapas-brancas que levem o aplauso fácil para a República dos Pelegos, sobrando para a mídia independente a regulamentação dos jornais e a disciplina para os jornalistas. Dessa maneira, limitariam as análises, barrariam as investigações e calariam as opiniões interpretativas.

Após transcrever o pensamento de Machado de Assis, recorremos para encerrar este texto ao professor Denis Lerrer Rosenfield, e sua expressão que vem a propósito:

“Não é suficiente que os cidadãos tenham o direito de votar para eleger os governantes da sua preferência. É necessário também que saibam exatamente em quem estão votando. E os meios para isso somente uma imprensa plenamente livre proporciona”.

Artigo sobre a reação dos condenados no Mensalão

Minha carta aberta ao Povo Brasileiro

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Meus compatriotas: Virou moda escrever ‘cartas abertas’ ao povo brasileiro, e como toda moda, tem caráter efêmero. Por isso apresso-me a escrever a minha. Pensei começar com o tema bíblico da Mulher de Loth, que, na desesperada fuga de Sodoma, que seria destruída pela ira de Deus, olhou para trás e virou uma estátua de sal.

É mais ou menos o que está ocorrendo com a hierarquia petista, condenada por corrupção ativa e outras corrupções. Viviam olhando para a própria barriga na sua arrogância e agora procuram encontrar no passado o retrato esmaecido dos tempos de idealismo juvenil, se é que isso existiu de verdade.

Está certo que eles se revoltem contra as sentenças. Nos primeiros anos do curso de Direito, os acadêmicos decoram uma expressão latina, pretensamente originária do Direito Romano, o ‘jus sperneandi’, que é o direito de espernear.

O esperneio permite o protesto, mas jamais ser uma insubordinação contra a Justiça. É natural que o condenado fique inconformado, porque a ninguém cabe enaltecer a própria desgraça, entretanto não é permitido a ninguém ofender os juízes e incitar manifestações contra a autoridade judicial.

Mesmo aos ocupantes do poder é proibido exprimir opiniões que induzem ou instiguem a subversão do Estado Democrático de Direito, se assim fizerem tornam-se inimigos da República e da Democracia. E é assim que se comporta o ex-ministro José Dirceu, denunciado pelo Procurador Geral da República como “chefe de uma sofisticada organização criminosa”.

Movendo uma ação para desacreditar e deslegitimar o Supremo Tribunal Federal, acusando-o de estar a serviço da mídia conservadora e promovendo um “golpe de direita” é, sem dúvida, um atestado de criminalidade, que alcança o seu partido, o PT, e os movimentos sociais cooptados pelo governo federal.

Como ideólogo da facção lulo-petista e indesmentível autor do esquema da compra de apoio parlamentar ao Planalto, Dirceu acusa a Alta Corte de Justiça de produzir um juízo político de exceção, comparando-o com a ditadura militar.

O triste é que a sua posição não é acompanhada apenas pelo bando fanático da sua tendência ideológica, mas também pelo ex-presidente Lula da Silva, que reconheceu o Mensalão e o demitiu da Casa Civil da Presidência da República. Em verdade, Lula não tem autoridade intelectual, nem moral, para ser levado a sério, em opiniões publicadas com destaque pela imprensa.

Lula correu em socorro dos mensaleiros. Mentiroso contumaz, já pediu desculpas pela ação criminosa dos seus companheiros, depois negou a existência do Mensalão, fantasiou o alheamento popular pelo julgamento e, finalmente – em triunfo diante dos cegos seguidores – definiu a condenação dos mensaleiros como “hipocrisia”.

O Aurélio registra ‘Hipocrisia”, do grego hypokrisia, como falsidade, fingimento, impostura e simulação… Impossível de ser aplicado aos ministros do STF.

Lula, porém, doutor ‘honoris causa’ em hipocrisia, que imperou nos seus oito anos de governo, imprimiu a maior falsidade já vista na história desse país, a criação de um Brasil Virtual por meio de uma bilionária propaganda. País virtual onde escorreram para a corrupção as verbas para a Educação, Esportes, Saúde e de infraestrutura de transportes, em estradas, portos e aeroportos.

Hipocrisia é o programa do PAC e a eleição de uma ‘mãe’ para cuidar dele. Aonde está o PAC na imaginária transposição do Rio São Francisco, paralisada sem explicação plausível? Aonde está o PAC do SUS, das creches, do combate às drogas, do amparo à infância e aos idosos?

Hipocrisia é o simulacro de economia petista, que tratou a crise financeira internacional como uma “marolinha” e mostra-se incapaz de conservar e manter os princípios que regeram o Plano Real.

Hipocrisia, finalmente, brasileiros, é transformar a Presidência da República em comitê eleitoral e a Chefia da Nação em Chefia de Facção.

Felizmente, ao lado da hipocrisia lulo-petista, emerge um Brasil do Bem, de pessoas decentes e patrióticas, como o chefe do Ministério Público, Roberto Gurgel, autor da acusação contra os mensaleiros e o seu condutor do STF, o ministro relator Joaquim Barbosa.

O caso serviu para restaurar a confiança dos brasileiros no Poder Judiciário e desassombrou as patéticas e injuriosas ameaças dos condenados e seus cúmplices.

Artigo temático sobre o Mensalão

Em época de eleição, um voto de qualidade

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Tenho convivido, eu e minha mulher, com uma situação de convalescência dela, com um problema que os médicos classificam como a “memória da dor”. É que a memória, como um gravador, retém situações da biologia molecular e requer um tratamento (demorado) para esquecer a desagradável sensação da dor física.

Em psiquiatria, a memória é a capacidade de fixar, recordar ou reconhecer qualquer tipo de fatos psicobiológicos, psicológicos ou de natureza sociológica. Estuda-se a Lei de Ribot, que assegura a retentiva de fatos mais antigos sobre os mais recentes.

Acho que é o que encontramos no que considero uma ‘lavagem cerebral’ sofrida por alguns setores ‘de esquerda’ após a redemocratização do País. E a primeira persuasão ideológica foi o que os marxistas chamam ‘doença infantil do comunismo’: o obreirismo.

Na sua genialidade, o general Golbery – planejando a abertura lenta e gradual da ditadura militar, frustrou o PCB e o PTB criando um novo partido ‘à esquerda’. Encontrou o agente ideal para isso; o sindicalista pelego da Volkswagen, Lula da Silva, com perspicácia e carisma capazes de encantar os intelectuais da USP…

O obreirismo dos acadêmicos perfilou virtualmente um operário metalúrgico, virgem do manobrismo político, para liderar o País no caminho de uma utopia socialista. E assim diluiu na memória de muitos idealistas a nostálgica ideologia do ‘socialismo real’, sepultado nos escombros do muro de Berlim.

Não dá tempo (e falta espaço) para historiar como esse grupo conquistou o poder político; apenas ressaltar que foi através de um estelionato eleitoral.

Ajudou-os na empreitada a massa de seguidores sebastianistas, trazendo na memória uma mescla de ilusão e realidade, uma obsessão esquizofrênica. Esses robôs obedecem às palavras-de-ordem dos chefes do partido sem pensar, e por isso os vemos defender os corruptos do Mensalão, e, o que é pior, atacar o Supremo Tribunal Federal, uma das últimas instâncias da moralidade nacional.

A última sessão do julgamento do Mensalão no STF revelou com clareza meridiana que houve corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e compra de votos parlamentares para apoiar o governo Lula.

Até com o voto de um ministro ligado e comprometido com o esquema lulo-petista, Dias Toffoli, surpreendeu votando pela condenação dos parlamentares denunciados por corrupção passiva e refugando a tese do ‘Caixa 2′.

Essa farsa do ‘Caixa 2’ e uma ilusória ‘falta de provas’ moveram nos últimos sete anos o núcleo do partido interno, hoje sem militância voluntária, na defesa dos companheiros envolvidos no esquema corrupto.

Mesmo assim, os robôs se mantiveram defendendo os mensaleiros, apesar da contundente denúncia da Procuradoria-Geral da República, com provas bastantes para convencer os juízes da mais alta corte de Justiça do País. A PGR desfez a astuciosa invenção das sobras de campanha distribuídas sem contrapartida…

O tiro de misericórdia partiu do decano do Supremo, Celso de Melo, com um voto de qualidade afirmando: “Esses atos de corrupção significam tentativa imoral e penalmente ilícita de manipular criminosamente o processo democrático”. E classificou os mensaleiros como‘marginais do poder que formaram uma quadrilha de assaltantes de cofres públicos’.

Lembrou-me um personagem de Brecht que recebendo justiça num pleito sob o regime nazista, exclamou: “ainda há juízes em Berlim!”

Apesar disso, uma manada de fanáticos (na sua maioria pendurada no aparelho de Estado ou obtendo benesses governamentais) lança um manifesto sem qualquer ressonância social ou intelectual, defendendo os criminosos e atacando o STF.  Justapõe-se entre as assinaturas Oscar Niemeyer, cuja secular respeitabilidade lhe dá o direito de assinar o que bem quiser e entender…

Respondam os lulo-petistas: o PNDH3 era bom ou ruim?

Eu só quero entender: o PNDH3 era a consolidação ideológica do governo de Sua Majestade Metalúrgica ou não passou de um balão de ensaio do apagado pelego Paulo Vannuschi, ministro dos Direitos Humanos?

No lançamento do PNDH3, Vannuschi se travestiu de ideólogo, com a sisudez de candidato à Academia Brasileira de Letras. Arrotou vanguardismo “de esquerda” e se arvorou de pai do Brasil Sindicatão, e agora, vendo de crista baixa o seu projeto remexido e descaracterizado diz que as mudanças foram positivas…

É certo que às vésperas de uma Copa do Mundo o povão não quer saber de outra coisa senão do futebol e do patriotismo esportivo, mas os letrados deste país devem estar pensando sobre a escancarada expressão de “multi-ideologia”, tema de discussão nos botequins parisienses.

O que diabo é “multi-ideologia”? Uma nova jogada de marketing de Obama ou a “governabilidade à européia” dos países que adotam o parlamentarismo? Parece que essas duas versões e outras mais, porque o jornal espanhol El Pais chamou Lula de “multi-ideólogo” e isso embaralha tudo.

Se os conservadores britânicos que ganharam a eleição por uma meia dúzia de três ou quatro votos fazem alianças com os liberais-democratas para assumir o poder em lugar dos trabalhistas, praticam a “multi-ideologia”, Lula faz o contrário: incentiva o mensalão, alia-se aos 300 picaretas, dá força a Renan Calheiros e José Sarney para garantir a “governabilidade”.

Não pode ser considerado “multi-ideologia”, por exemplo, o lance oportunístico do Presidente, cedendo às pressões de vários setores da sociedade, entre eles as duas poderosas frações da Igreja Católica e das Forças Armadas. Lula se dobrou por pura malandragem.

Mesmo assim condescendendo em transfigurar o PNDH3, não agradou, pois atendeu as queixas de uns e desprezou as reclamações de outros. Tirou a legalização do aborto, considerando-o uma “questão de saúde”; agradou religiosos e desagradou feministas.

Anuiu aos reclamos dos militares no caso da anistia aos torturadores, mas descontentou até a UNE – a mais pelega das entidades do movimento popular; atendeu aos ruralistas, mas recebeu severas críticas de pastorais católicas e do MST.

Afastou as ameaças à liberdade de imprensa, acabando com as propostas de punição de rádios e TVs por desrespeito aos direitos humanos e riscou o texto referente à disciplinamento dos jornalistas, o que deixou os stalinistas e afins fulos de raiva.

Tendo, como exemplo o PNDH – de curto período de vida – vê-se que – não é fácil assumir uma política “multi-ideológica” no Brasil, e sim a sua caricatura, graças ao jogo de cintura de Lula. Este conquistou uma imensa popularidade aconchegando sob as asas dos privilégios, banqueiros e estudantes ativistas, católicos e defensores do aborto; conservadores e gays; preservacionistas do meio ambiente e desmatadores; corruptos de todos os naipes e moralistas tipo Suplicy e Paulo Paim.

Dessa maneira, distribuindo cargos e verbas públicas a personalidades, partidos, meios de comunicação, sindicatos e organizações não-governamentais este “multi-ideologismo” à brasileira vai levando, porque a terminologia política que vale para as democracias européias é subvertida no Brasil.

Aqui, a ideologia não tem vez. Perde para as transigências circunstanciais e as acomodações diante dos fatos. Em linguagem corriqueira: a multi-ideologia do PT-governo é oportunismo do bom e do melhor.

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Brasil Sindicatão: a república dos pelegos

Está em várias cabeças, como numa rede telepática, o repúdio às falsas representações sindicais que contrariam a concepção original dos sindicatos de trabalhadores. Ou seja, já não é a ocupação profissional que necessita de um sindicato representativo, mas são espertalhões ou grupos de aproveitadores que criam sindicatos fictícios para obter vantagens pecuniárias ou políticas.

Do noticiário jornalístico, recolhemos a informação de que este ano é registrado um sindicato por dia, não passando de pequenas e médias empresas desempenhando falsamente o papel de defensora de determinada categoria profissional.

Essa fragmentação – atomização, é mais bem aplicado – da delegação corporativa enfraqueceu o movimento sindical e, o que é pior, levou à degenerescência o sindicalismo como forma classista de organização.

Não é preciso dizer que isto é fruto de um desvio político que foi combatido pelos sindicalistas autênticos durante muitos anos. É a intervenção fascista do Governo acarretando dependência política e financeira dos sindicatos através de um imposto sindical, oriundo da contribuição dos trabalhadores com carteira profissional assinada de um dia de salário.

Esse imposto gera a fortuna de mais de R$ 2 bilhões anuais que distribuída entre as entidades sindicais. O Brasil tem atualmente 9.046 sindicatos das mais diversas categorias e até de categorias inexistentes, sem prestar qualquer assistência aos contribuintes, exceto a simulação de conquistar melhores salários e condições de trabalho.

Dá tristeza reconhecer que a liberdade sindical garantida pela Constituição como direito dos trabalhadores, tenha extinguido o ideal e a luta de milhares de heróis anônimos, que desde o século 19 até a ascensão de Sua Majestade Metalúrgica, lutaram contra o egoísmo e a ganância patronal de capitalistas selvagens.

Se os anarco-sindicalistas, comunistas e socialistas do século passado voltassem à vida, abominariam as estruturas fantasmagóricas das caricatas instituições atuais, que só aparecem nas chamadas datas-base ou em greves político-partidárias.

Os ecos do passado ressoariam contestando a corporação fascista de empregados e empresários, e odiariam a enganosa existência de associações sindicais de servidores do estado e do governo, e até de aposentados!

A astúcia de alguns, que alimentam esta situação, investe contra a sociedade. Por que fingem reivindicar ilusoriamente soldados e policiais, intuindo greves contra o povo que lhes paga para defendê-lo. O que ocorre também com médicos, pessoal da Saúde em geral, juízes e promotores, condutores de transportes coletivos, enfim, toda a gama de carreiras da administração pública.

Defendemos a tese de que todo o trabalho deve ser remunerado de acordo com o seu valor social. Se o poder político e econômico nega o pagamento justo dos salários, vencimentos e subsídios, deve ser renegado por todos. Se a busca da justiça social pelo proletariado, que se faça através da ação direta contra os detentores do poder.

Infelizmente, o pensamento socialista é deturpado no Brasil Sindicatão – a República dos Pelegos. Isto faz o sindicalismo transformar-se em empresa de rendimentos, em nada favorecendo os sindicalizados e muito menos a população. Acontece, porém, que oferece imensas vantagens em dinheiro e benefícios políticos aos falsos líderes.

Minha intuição kantiana (anschaulich)  me encaminha a desejar que este festim licencioso com as verbas públicas não deve ter um fim urgente. Ou cairemos num regime burocrático-policial como aqueles que foram banidos com a morte de Hitler, Mussolini e Stálin…

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A cidadania exige uma reforma política

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília em abril passado recolheu a opinião dos brasilienses sobre as estruturas sócio-políticas e, em particular, sobre a chamada classe política. Os pesquisados registraram números curiosos como, por exemplo, que lá os bicheiros merecem mais confiança do que os parlamentares; 22,7% acham os bicheiros fidedignos enquanto somente oito por cento confiam nos políticos. No resultado geral, 88,4% não crêem nem mesmo nos políticos que elegeram.
Este desprezo da cidadania pelo Poder Legislativo credita-lhe apenas 19,9% e, não é um negativismo que alcance os outros poderes, pois o Judiciário recebeu a aprovação de 43,4% e o Executivo obteve a confiança de 33%. Outras instituições tiveram bom desempenho e excepcionais quando comparadas com órgãos da política convencional. Os partidos obtiveram apenas 16,5% enquanto as forças armadas ficaram com 58,5%.
Escrevi um artigo na semana passada expressando minha opinião de que se tivéssemos um oficial general bonapartista com liderança nas forças armadas, ou um juiz carreirista respeitado nos meios forenses, bastaria uma expressão da vontade de um deles que o processo democrático seria ameaçado por uma aventura golpista que, sem dúvida, receberia o apoio popular.
Felizmente não há entre os militares um candidato a usurpador; e, permeando a Justiça os pouquíssimos juízes políticos não merecem sequer a confiança dos seus pares. Dessa maneira o carreirismo entre nós ficou circunscrito à pelegagem sindical, o que salva a Democracia, pois o povo repudia o arrivismo dos representantes classistas, carreiristas de uma traição de classe jamais vista.
Enquanto isso, a chamada classe política não se toca. Depois da revelação policial dos mensaleiros, das sanguessugas e agora dos anavalhados, os políticos tinham a obrigação de fazer autocrítica, expurgando do Congresso os corruptos e corruptores, e legislando para evitar mais manifestações criminosas no seu meio.
Em vez de tomar medidas sadias para recuperar a confiança nacional, suas excelências preparam novas armadilhas para enganar o povo, com uma pseudo-reforma política que transforma os partidos em empresas cartoriais financiadas com o dinheiro público para eleger os favoritos dos seus donos.
Depois de assistirmos a compra de apoio parlamentar para o PT-governo nas casas legislativas, seja pelo vil metal ou pelo loteamento dos cargos administrativos, é inadmissível que aceitemos uma “reforma” patrocinada pelos próprios usufrutuários da safadeza que montou a base de apoio a Lula da Silva. Sendo a pior de todos os tempos, a atual legislatura não tem força moral para patrocinar a reforma político-administrativa que o Brasil precisa.
Como pensar numa reforma para valer sem favorecer a renovação de quadros, sem fortalecer a definição ideológica dos partidos e não qualificando o funcionalismo estatal, estimulando-lhe a aptidão, respeitando a competência e premiando sua idoneidade? E sem essas medidas não teremos reforma alguma, pelo contrário, as propostas dos responsáveis dos erros do sistema só irão piorar a conjuntura atual. Uma “reforma” apoiada pelos atuais deputados e senadores não seria reforma, mas a receita de uma pizza com sobremesa de marmelada, como diria Boris Casoy.
Ninguém quer votar na legenda dos partidos sem conhecer, avaliar e escolher os nomes de sua preferência nas listas eleitorais; queremos eleger pessoas dispostas a prestar contas das atividades na vida pública, como representantes eleitos. Não concordamos que parlamentares e executivos troquem de partidos após a eleição, nem dotar-lhes de imunidades e privilégios.
Se um parlamentar for convidado e aceitar um cargo executivo, deve renunciar ao mandato, e gostaríamos que desaparecesse para sempre a figura execrável do suplente de senador. Além do mais, rejeitamos que as campanhas eleitorais sejam pagas com o dinheiro do contribuinte, entre outras restrições.
Será que os atuais detentores de mandatos aceitam isto? 

Lula quer dominar a radiofonia

A condenável tentativa de impor um Conselho Federal de Jornalismo para fiscalizar o exercício profissional dos jornalistas e disciplinar os órgãos de imprensa, assim como a criação da Agência Nacional de Cinema e Audiovisual – Ancinav, para controlar a produção cultural, fracassaram sob o peso da opinião pública. Mas Lula da Silva não desistiu.

Os primeiros projetos totalitários se apoiaram nos pelegos da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj, deixando explícita a instalação de expedientes regulatórios, que nada mais eram do que uma forma velada de censura.

Agora vem o lulismo-petismo noutra investida com um sistema nacional de rádio submetido ao PT-governo. O projeto está pronto e deve ser anunciado em breve; tem o objetivo, segundo consta, de transmitir a comunicação oficial dos diversos órgãos administrativos à população, através de emissoras ligadas à Radiobrás e outras a ser concedidas.

Batizando o monstrengo de Rede Pública de Rádio, Lula da Silva propõe fazer circular mensagens federais, estaduais e municipais em convênio com as concessionárias de canais radiofônicos dos governos estaduais e municipais, assembléias legislativas, câmaras municipais, ongs e sindicatos.

Na década de trinta do século passado a Ditadura Vargas tomou uma iniciativa semelhante para alcançar a sociedade com noticiário dirigido pela ótica governamental. Era copiado dos governos totalitários de Mussolini e Hitler, que usaram o rádio para divulgar as arengas fascistas. Depois, a ditadura militar de 54/69 implantou um sistema de comunicação por rede, aproveitando a tecnologia dos satélites; e os governos eleitos após destinaram verbas para a Rádio Nacional e outras emissoras públicas a fim de utilizá-las politicamente.

Desta vez, porém, a ambição desmedida pelo poder de Lula da Silva e seus pelegos, representa um perigo iminente porque coincide com a implantação da radiodifusão digital que entregue às mãos da pelegagem cerceará a liberdade de expressão. Uma real ameaça à democracia.

Se o modelo fosse xerocado da TV-Cultura, seria até aceitável. Acompanharia as experiências dos países civilizados, como a excelente BBC inglesa e o respeitado Le Monde francês. Não se pode, porém, confiar que o lulismo-petismo, carimbado por atos vergonhosos de corrupção ativa e passiva, assuma uma tarefa que exige lisura editorial e respeito aos princípios republicanos.

No Rio Grande do Norte, concretizamos um projeto de comunicação republicana, iniciativa louvável da Imprensa Oficial. Trata-se do mensário “Três Poderes da República” que, homenageando o jornal pioneiro de Pedro Velho, divulga com isenção e sem propaganda política, as atividades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Encontramos nesta prática jornalística a base de uma editoria apartidária, praticando um autêntico jornalismo de Estado, com respeito às instituições republicanas. Ao contrário do que faz o Departamento Estadual de Imprensa, não acreditamos que um governo que por duas vezes tentou controlar jornais e produção cinematográfica e televisiva, cumpra este papel. Lula da Silva quer na realidade disciplinar os jornalistas, artistas, dramaturgos e produtores culturais.

Após as anteriores tentativas de domesticar a comunicação social, Lula da Silva deve dar total transparência nas suas intenções ao criar a Rede Pública de Rádio; até agora não o fez, porque nem o presidente da Radiobrás, Eugenio Bucci, tomou conhecimento do projeto. Bucci, aliás, sequer foi comunicado a respeito. Imagine-se como será apresentado à sociedade esse monstrengo anti-democrático. Isto é mal.

O “marxismo” dos Irmãos Marx

Os “Irmãos Marx”, todos sabem quem são. Comediantes, eles ocuparam um importante espaço no cinema, tão importante que os canais pagos de televisão passam seus filmes até hoje. Groucho, o porta-voz do grupo, é autor de frases antológicas; sendo uma de importância filosófica: “Não entro em clube que me aceita como sócio!”.

A rapaziada dos filmes “pastelão” nada tem a ver com Karl Marx, o genial fundador do comunismo científico. Em comum, apenas que ambos atravessam os anos mantendo seguidores e fãs.

Karl Marx estudou a vida econômica e política da sociedade burguesa e, crítico do capitalismo, deixou uma vasta obra que traz uma concepção de um mundo novo, livre de superstições, conservadorismo e exploração do homem pelo homem. Deste trabalho científico, nasceu o marxismo.

Os partidos socialistas e comunistas do mundo inteiro adotam o marxismo aproveitando-o em parte ou no todo, mas nem todos, porém, seguem-no com exatidão. Desde os primeiros tempos surgiram tentativas de falsificação das idéias de Karl Marx, tendo uma delas surgido na Rússia quando crescia o movimento socialista. Foi o chamado “marxismo legal”, lançado por intelectuais da burguesia liberal.

No Brasil, onde a história do socialismo é curta (foi Silvio Romero o primeiro leitor do Manifesto Comunista), também apareceram várias organizações piratas se fazendo passar pelo socialismo proletário. Muitos partidos usurparam inclusive os adjetivos “comunista” e “socialista” usando-os como rótulo para passar um fictício socialismo pequeno-burguês filho do liberalismo.

Ainda é contemporânea esta pirataria traiçoeira. Uma delas vem dos arrivistas que conquistaram a hegemonia no Partido dos Trabalhadores, impondo o pelegão Lula da Silva como um “homem de esquerda”. Nada mais falso.

Em 1975, mais precisamente no dia 19 de abril de 1975 – aniversário de Getúlio Vargas – o pelegão, hoje re-Presidente da República, assumiu a direção do Sindicato dos Metalúrgicos com um discurso de onde tiramos um trecho muito elogiado por Delfin Neto. Disse Lula da Silva:
“O momento da história que estamos vivendo apresenta-se, apesar dos desmentidos em contrário, como dos mais negros para os destinos individuais e coletivos do ser humano. De um lado, vemos o homem esmagado pelo Estado, escravizado pela ideologia marxista, tolhido nos seus mais comezinhos ideais de liberdade, limitado em sua capacidade de pensar e se manifestar. E, no reverso da situação, encontramos o homem escravizado pelo poder econômico, explorado por outros homens, privados da dignidade que o trabalho proporciona, tangidos pela febre de lucro, jungidos ao ritmo da produção, condicionados por leis bonitas, mas inaplicáveis, equiparados às máquinas e ferramentas.”

Parece que foi escrito pelo general Golbery ou algum ghost-writer da Volkswagen, bem adaptado à personalidade do atual Presidente da República.

Intelectuais oportunistas, padres de passeata, pelegos sindicais e dissidentes do movimento comunistas usaram Lula da Silva para fundar um partido, e com ele chegaram ao poder na República Federativa do Brasil. Vemos que o Pelegão continua o mesmo; mas os seus joysticks, multiusuários da vitoriosa carreira é que perderam a vergonha.

Diziam-se politicamente marxistas. Com variações, mas marxistas. Hoje submetem-se às maiores safadezas, como faz um deles, o ministro (!?) Tarso Genro, que tem o descaramento de dizer que “o Governo Lula não precisa de reforma política”, numa flagrante contradição com o que expôs o Presidente nos comícios, ao ser reeleito e ao tomar posse.

A dialética da pelegagem apaga o que não interessa ao PT-governo, mas está registrado no horário eleitoral do TSE que Lula disse na campanha: “A crise ética que se abateu sobre o País é a crise de todo sistema político e não apenas de alguns partidos ou de determinadas pessoas. Por isso, nós vamos fazer a reforma política”.

No primeiro discurso depois de vitorioso no segundo turno, falou o Pelegão: “Os partidos políticos precisam se fortalecer e para isso nós vamos discutir logo no começo do mandato a reforma política que o Brasil tanto necessita”. Ao tomar posse em primeiro de janeiro, resumiu um compromisso: “A reforma política deve ser prioritária no Brasil”.

Tarso Genro e os “marxistas” do PT não são marxistas seguidores de Karl Marx, mas “marxistas” dos Irmãos Marx…