Arquivo do mês: agosto 2007

Artigo para o JORNAL DE NATAL de amanhã, dia 12

Gargalhadas escarnecedoras do PT-governo

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

Se a lenda for verdade as hienas riem muito. Mas duvido que esses comedores de carniça covardes e traiçoeiros emitam gargalhadas mais escarnecedoras do que os pelegos que governam o Brasil. É a alegria zombeteira dos novos ricos, espojando-se nos privilégios e vantagens que o poder oferece.

Mas a risada pode ser enrustida, silenciosa, como fez Lula da Silva fugindo em vez de comparecer ao local da tragédia que vitimou 199 pessoas no inolvidável desastre do vôo JJ-3054 do AirBus da TAM. Afastando-se dos deveres fundamentais de um chefe de Estado, Lula da Silva mostrou uma das duas faces da covardia ou da traição característica das hienas. A covardia se mostra como indiferença para não assumir a responsabilidade por acontecimentos funestos do seu governo. A traição – não precisamos nos aprofundar – está em desprezar a expectativa dos milhões que nele votaram e – segundo as pesquisas de opinião – dizem que confiam nele.

Levar 96 horas para fazer um pronunciamento à Nação sobre o grave acidente de Congonhas é uma omissão que os letrados deste país não podem deixar passar em branco. Se a massa dos miseráveis não viaja de avião e, pela filosofia do lulismo-petismo, tem o direito de achincalhar as vítimas e as famílias enlutadas; o Presidente da República não goza dessa prerrogativa canalha criada pelos seus acólitos. Ele, pela força do cargo que ocupa, se obriga a ter um comportamento no mínimo decente.

O pior é que não é Lula da Silva, apenas, quem abusa e se prevalece da complacência, pela ignorância, dos que defendem o PT-governo. Seus ministros também zombam da cidadania, como está comprovado no noticiário da imprensa. Foi Marta Suplicy, do Turismo, mandando os revoltados passageiros “relaxarem e gozarem” em vez de exigir os seus direitos como consumidores. Ainda no auge da crise do tráfego aéreo, a idiotia de Guido Mantega, da Economia, dizer que os transtornos eram o sinal do progresso do país e o enriquecimento do povo…

Para culminar a cena tragicômica da República dos Pelegos tivemos a apoteose da falta de respeito pela nacionalidade com as imagens dos assessores presidenciais, Marco Aurélio Garcia, a nível ministerial, e Bruno Gaspar, modelo dos aspones que aparelham o governo, comemorando com gestos obscenos a notícia de que a culpa da tragédia poderia ter sido de um problema técnico na aeronave.

Nada do que aqui foi escrito é mentira. A ausência de Lula da Silva num episódio histórico que exigia sua presença e a falta de consideração dos seus auxiliares para com a sociedade devem ser enquadrados como fatos políticos relevantes e por isso condenáveis. Mas não é de hoje que o desprezo governamental com a faixa populacional das classes médias, a presença marcante no tráfego aéreo – por necessidade de serviço ou por lazer.

É minha testemunha a parte mais viva do povo brasileiro, que ouve rádio, assiste televisão e procura se informar sobre a realidade que lhe cerca. Quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir como diz a Bíblia, sabe como os órgãos de governo, principalmente a alta hierarquia dirigente tratam os problemas que afetam a população. As escolas sucateadas, as filas para atendimento médico e a falta de segurança são rotineiras; a isto se soma agora o desprezo e a insensibilidade pela vida humana.

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PELOS JORNAIS 8.ag.07


Policial do Palácio chefiava prostituição

– Um cabo da PM, lotado na companhia responsável pela guarda e proteção do governador do Estado e do Palácio Guanabara, foi preso sob acusação de ser um dos chefes de uma rede de prostituição que atendia, inclusive, companheiros de farda. O militar explorava garotas de programa, incluindo menores de idade, na Barra, e as mantinha em cárcere privado. Usava um telefone da corporação para controlar o negócio e agendar festas com a presença de prostitutas. Um encontro, para 100 policiais do 31º BPM (Recreio), seria realizado neste fim de semana. Segundo o Ministério Público, o contato por meio do qual foi encomendada a presença das mulheres, partiu de um telefone oficial, do próprio batalhão, utilizado pelo Serviço Reservado. (Jornal do Brasil)

BCs voltam a agir, mas Bolsas ainda caem

– Na tentativa de acalmar os investidores, os bancos centrais dos EUA, da União Européia e do Japão injetaram mais de US$ 120 bilhões nos mercados. Isso não evitou nova queda nas Bolsas, afetadas por incerteza no mercado imobiliário dos EUA. Em dois dias, o total liberado passa de US$ 250 bilhões. No Brasil, a Bovespa teve queda de 1,48% e o risco-país subiu 3,26%, para 190 pontos. (Folha de São Paulo)

Países ricos ampliam ajuda para conter crise

– Mais bancos centrais passaram ontem a injetar recursos para conter a crise causada pelo mercado imobiliário americano. Foi o caso dos BCs do Japão, Canadá, Suíça, Austrália e Noruega, entre outros países. No total, eles puseram cerca de US$ 140 bilhões no sistema financeiro. O valor das injeções – incluindo as de quinta-feira – já está na casa de US$ 300 bilhões. Outra vez, o maior montante foi desembolsado pelo Banco Central Europeu, com US$ 83,5 bilhões. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que na quinta-feira tinha socorrido o mercado com US$ 24 bilhões, ontem atuou com US$ 38 bilhões. Nas bolsas, o dia foi de muita volatilidade, com perdas pesadas na Europa. Nos EUA, o nervosismo diminuiu um pouco perto do fechamento, assim como no Brasil – a Bovespa fechou com queda de 1,48% e acumula perda de 9,3% desde o início da turbulência, dia 24. O valor de mercado das empresas que têm ações negociadas na Bolsa paulista caiu de R$ 2,237 trilhões em 23 de julho para R$ 2,125 trilhões na quinta-feira. O maior impacto ontem no mercado brasileiro foi no câmbio: o dólar subiu 1,35%, para R$ 1,952, maior valor desde 26 de junho. Analistas temem que os BCs estejam fazendo tantas intervenções para evitar a queda de instituições bancárias grandes. (Estado de São Paulo)

Arrecadação já permitiria reduzir a CPMF à metade

– Apesar de governo ter cedido às pressões do PMDB do Rio de Janeiro e liberado emendas para agradar a parlamentares e, com isso, tentar aprovar a prorrogação da CPMF até 2011, economistas e políticos afirmam que o Brasil já tem condições de viver sem depender da taxa que, de provisória, só tem o nome. O governo alega que o dinheiro da CPMF é indispensável para manter projetos e programas sociais, mas cálculos mostram que, se fizesse um controle rígido dos gastos, já poderia reduzir à metade a alíquota, hoje de 0,38% sobre toda movimentação financeira. Os gastos totais do governo, atualizados pelo IPCA cresceram R$ 101 bilhões de 2002 a 2006. Descontado a CPMF, as receitas se ampliaram em R$ 123,7 bilhões no mesmo período. O tributarista Ilan Gorin diz que, mesmo sem contar a CPMF, a arrecadação de impostos deverá aumentar em quase R$ 18 bilhões este ano – metade do que a contribuição deve gerar. A oposição defende o fim ou a redução da alíquota, e até no PT, mesmo com a determinação do governo de não abrir mão da CPMF integral, há grupos que pregam a diminuição gradual do percentual. (O Globo)

Fed e UE socorrem os bancos e ações desabam

– Foram só dois dias de trégua no mercado financeiro global após o Fed demonstrar confiança no crescimento econômico americano. Ontem, o otimismo foi por terra após notícias de novas perdas em fundos de investimento, causadas pelas hipotecas subprimes – crédito imobiliário de alto risco. O movimento dos investidores levou a uma queda generalizada nas bolsas de valores e alta do dólar e da taxa de risco dos emergentes. O índice Dow Jones caiu 2,83%, o Standard & Poor’s, 2,96% e a Bovespa, 3,28%. O dólar subiu 2,17%, a R$ 1,927, e o risco-país chegou a 187 pontos-base, alta de 6%. Desta vez, as notícias ruins partiram da Europa, com a suspensão de saque em três fundos do francês BNP Paribas, no vermelho por conta dos subprimes. (Valor Econômico)

Crise assombra o mundo, mas Mantega não vê risco

– Em apenas dois dias, a crise que abala os mercados financeiros de todo o mundo consumiu cerca de US$ 300 bilhões dos principais bancos centrais do planeta – um valor sem precedentes nos últimos seis anos. Tudo para tentar conter a bolha imobiliária americana e evitar uma onda de quebradeira de bancos e de fundos de investimentos nos Estados Unidos. Após a injeção de dinheiro dos BCs nos bancos americanos, as bolsas dos EUA e do Brasil reduziram as perdas. Em Nova York, o Dow Jones, que iniciou o dia em forte baixa, fechou em queda de apenas 0,23%. Em São Paulo, depois de despencar mais de 3%, a Bovespa encerrou em menos de 1,48%. Mas na Ásia e na Europa, os estragos foram imensos. “A Europa está em polvorosa”, afirmou o economista Luís Otávio de Souza Leal, do Banco Central. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, procurou tranqüilizar os investidores, dizendo que o país está preparado para enfrentar turbulências. A quem tem aplicações na bolsa, analistas de mercado sugerem cautela. (Correio Braziliense)

Ritmo da indústria eleva previsões do PIB para 5%

– A firme expansão da indústria no primeiro semestre, especialmente do setor de automóveis, jogou para cima as previsões de crescimento do PIB neste ano – 5% não é mais um teto. O Bradesco revisou sua estimativa de 4,9% para 5,2% e o HSBC, de 4,7% para 5,1%. Uma série de fatores impulsiona a atividade econômica: queda dos juros, expansão do crédito a taxas mais baixas e prazos mais longos, aumento da renda e crescimento do emprego. Para o segundo semestre, além da continuidade dessas variáveis, espera-se também um impulso fiscal. A economia do setor público para pagar os juros da dívida (o superávit primário) deve diminuir com o aumento de investimentos da União, Estados e municípios. A divulgação dos números de junho confirmou o avanço da indústria. No segundo trimestre, houve expansão de 5,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. (Gazeta Mercantil)

Estado vai reforçar o setor de trauma

– Eduardo Campos anunciou, ontem, que o novo pavilhão de ortopedia e traumatologia do Otávio de Freitas será concluído até dezembro, com 120 novos leitos. Governador quer, ainda, municipalizar unidades administradas pelo Estado. (Jornal do Commercio)

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MANCHETES de hoje, dia 11.ag.07

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Estado vai reforçar o setor de trauma

VALOR ECONÔMICO – Fed e UE socorrem os bancos e ações desabam

CORREIO BRAZILIENSE – Crise assombra o mundo, mas Mantega não vê risco
GAZETA MERCANTIL – Ritmo da indústria eleva previsões do PIB para 5%

O GLOBO – Arrecadação já permitiria reduzir a CPMF à metade

O ESTADO DE SÃO PAULO – Países ricos ampliam ajuda para conter crise

FOLHA DE SÃO PAULO – BCs voltam a agir, mas Bolsas ainda caem

JORNAL DO BRASIL – Policial do Palácio chefiava prostituição

TRIBUNA DA IMPRENSA – Controladores militares vão responder por motim
DIÁRIO DE NATAL – Governo acusa empresa por morte de peixe no rio

TRIBUNA DO NORTE – Idema culpa carcinicultor mas laudo é só preliminar

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Frank – A voz

Um presente noturno para os de bom gosto.

INVERNO, VAI-TE EMBORA!

Fonte: olhares.com.br/Ar Líquido/Antônio Lança

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Comentário (VI)

Marcha da insensatez

“O presidente Luiz Inácio da Silva falou pouco, mas falou bem, quando disse que o caso Renan Calheiros está na hora de acabar. Por razões de decoro coletivo conviria ao Senado compartilhar da opinião de Lula. Calheiros já é alvo de três processos diferentes no Congresso, feriu o artigo 55 da Constituição, que veda a “percepção de vantagens indevidas”, ao assinar renovação de concessão de uma rádio de sua família, e é tido como cidadão suspeito pelo Supremo Tribunal Federal, mas o Senado segue legitimando a sua presidência. Nem seus pares do PMDB entendem a razão dessa resistência insensata e autodestrutiva. Entre eles há quem arrisque uma explicação. Calheiros segue a regra número um do manual do predador: seja qual for a circunstância do flagrante delito, negue sempre, até o fim”.

Dora Krammer, jornalista

FRASE DA VEZ_3/10

“Saí da trincheira do presidente e governador Itamar Franco, que sempre lutou por Furnas e se opôs tenazmente à idéia de privatizá-la. Agora retorno a ela de cabeça erguida e tenho motivos para isso”.

José Pedro Rodrigues, que cedeu a presidência da estatal a Luiz Paulo Conde

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Comentário (V)

Em campo

“A diretora da Anac Denise Abreu, acusada pelo presidente demitido da Infraero de favorecer um empresário amigo, iniciou uma bateria de telefonemas a parlamentares governistas, dos quais espera ajuda para evitar sua convocação pelas duas CPIs que investigam a crise aérea. Para complementar, ela envia a cada um uma carta em que nega ter cometido irregularidade na tentativa de levar para Ribeirão Preto a aviação de carga hoje em Congonhas e Viracopos.Outros diretores da agência, como Leur Lomanto, preferem a tática de se fingir de mortos. Um deputado que conhece de longa data o baiano, indicado pelo PMDB, resume: “Alguém acha que o Leur vai perder o sono por estar com a imagem abalada?”.

Renata Lo Prete, jornalista

Ao Debate (4)

O Planalto-Alvorada anuncia:

“O novo presidente da BR será José Eduardo Dutra, um nome de peso, dentro do PT-PT”. Nome de peso? Não se elegeu governador de Sergipe, não se reelegeu senador. Como Lula adora derrotados, foi feito presidente da Petrobras. Deixou o cargo para se novamente derrotado para o Senado. E com o apoio de Marcelo Déda, que ganha tudo no Estado. Foi um péssimo presidente da maior empresa estatal do País, agora volta para o segundo cargo. Não havia ninguém melhor?

Hélio Fernandes, jornalista

Inimigos íntimos

“Nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público, nem a imprensa: foram atos individuais de Pedro Collor, Nicéa Pitta e Roberto Jefferson que trouxeram à luz as tenebrosas transações que levaram ao impeachment de Collor, à condenação de Celso Pitta, ao mensalão e à queda de José Dirceu. Essas pessoas, movidas por sentimentos pessoais, acabaram prestando inestimáveis serviços ao país. Sem o ódio deles, tudo continuaria como estava. É o que vale: a história não é feita de boas intenções, mas de conseqüências. Traições, humilhações, invejas, rancores, o ser humano é muito sensível a esses sentimentos. Aqui, a vingança não é um prato comido frio, mas fumegante.

Renan Calheiros, por exemplo, foi um dos artífices da vitória de Collor sobre Lula, integrou a linha de frente collorida e só rompeu com elle quando foi preterido em favor de Geraldo Bulhões para o governo de Alagoas. Até então, estava poderoso na cúpula do governo, freqüentava o círculo íntimo presidencial e nunca percebeu nada de errado com o poder de PC Farias e a ética de Collor e da República de Alagoas.Traído, rompeu com seu líder em nome da decência e da democracia. Derrotado, denunciou a farsa collorida e, sempre um homem de esquerda, foi para a trincheira democrática do PMDB, unindo-se a Sarney e a Jader.

Como nos romances regionalistas sobre guerras entre famílias nordestinas, uma outra vingança pessoal -pela traição de Renan ao usineiro e ex-companheiro de lutas João Lyra na eleição para o governo de Alagoas- revelou que ele pagara R$ 1,3 milhão, não contabilizados, para ser sócio, oculto e ilegal, do acusador em uma rádio e um jornal. Não por acaso, é justamente o medo da vingança de Renan que atrasa a sua expulsão do Senado”.

Nelson Motta, jornalista

OPINIÃO: Tudo o que Nelsinho escreveu é verdade, toda a verdade, nada além da verdade. E assino embaixo. Mas nem esta coisa verdadeira nem o raciocínio correto convencem os bonzos do lulismo-petismo. Os que se aquecem na lareira do poder estão cegos: aceitam o que vier de Lula da Silva porque estão deslumbrados pela nova vida proporcionada pelo partido interno, ou porque esperam na fila para uma função mandatária, ou simplesmente pela ignorância preguiçosa que engrossa as “maiorias silenciosas” de qualquer grupo social, político ou religioso. Evitemos falar de “grupos filosóficos” para não parecer uma indireta para a professora Marilena Chaui. MIRANDA SÁ

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