Arquivo do mês: agosto 2007

FRASE DA VEZ_1/14

“O presidente (Lula da Silva) praticou ato vergonhoso, fazendo barganha política com uma empresa importantíssima (Furnas); e os mineiros que se omitiram vão pagar, nas urnas, com o desprezo do povo, pela vergonhosa omissão numa questão cívica”.

Itamar Franco, ex-presidente da República

Ao Debate:

Nova máscara para corromper

“Para compensar a falta de emprego e a falta de reformas nos planos de cargos e carreiras em setores cruciais, aumentam-se o número e os tipos de bolsas. No projeto Pronasci, do Ministério da Justiça, que pretende aprimorar a política de segurança pública no país todo, foram criadas bolsas para “reservistas cidadãos”, para “jovens em situação de risco”, para “mães da paz” e para “agentes da segurança que recebam até 1.300 reais de salário”. Em cada um desses beneficiários, pode-se reconhecer atores fundamentais para tornar eficaz qualquer plano de prevenção da violência e de segurança cidadã. O truque, no entanto, está em delinear quais serão os resultados obtidos por cada uma dessas categorias de portador de bolsa e como avaliá-los. Para alguns, isso está claro, para outros, como as mães da paz e os agentes de segurança bolsistas, não”.

Alba Zaluar, artigo na Folha do dia 13

RESENHA DA IMPRENSA DESTA 3ª FEIRA, 14.ag.07

* A Petrobras lucrou R$ 10, 931 bilhões no primeiro semestre de 2007, resultado 19,8% menor do que o registrado no mesmo período de 2006. No segundo trimestre, o lucro da companhia ficou em R$ 6,8 bilhões, também com queda ante igual período de 2006 -de 2%. Em relação ao lucro do primeiro trimestre (R$ 4,131 bilhões), porém, o resultado cresceu 64,6%, graças aos melhores preços internacionais do petróleo e ao final do efeito do pagamento extraordinário de R$ 1 bilhão para adesão dos funcionários à repactuação do Plano Petros, fundo de pensão da estatal com rombo bilionário.

*Algumas das principais universidades paulistas trazem novidades neste ano em relação ao uso do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que acontece no próximo dia 26, no seu processo seletivo. No vestibular 2008, a PUC-SP pela primeira vez irá aceitar o Enem, que passará a valer até 20% da nota geral. “Fizemos uma reflexão e decidimos incluir o Enem por ter se mostrado uma prova de qualidade”, diz Ana Zilocchi, coordenadora-geral do vestibular. Na prova da PUC-SP, a parte dissertativa corresponde a 60% da nota e a prova objetiva, a outros 40%. A pontuação nas questões do Enem representará 50% da prova objetiva -portanto, 20% da nota geral.

* As empresas aéreas apelaram ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, para que abrande as restrições ao uso do Aeroporto de Congonhas, em choque com as medidas anunciadas após o acidente com o Airbus da TAM. Um dos pedidos é a fixação de um intervalo de uma hora entre o desembarque e novo embarque para segundo trecho da viagem, que Jobim disse ver com desconfiança, pois poderia burlar a proibição de conexões. O presidente da Anac, Milton Zuanazzi, ironizou queixa do ministro, dizendo que apenas 5% dos passageiros reclamam da distância entre as poltronas. O presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, disse não ter preconceito com a proposta de privatização dos aeroportos.

* Mário Sarrubbo, promotor designado para investigar o acidente do vôo JJ-3054, disse que defeito mecânico e a hipótese mais provável para explicar a tragédia. Segundo ele, a pista de Congonhas também pode ser apontada como uma das causas. Pilotos da TAM ouvidos ontem pela polícia descreveram a área de pouso como um “sabonete”.

* O governo tentará aprovar hoje, na CCJ da Câmara, a prorrogação da CPMF até 2011. Governistas devem derrotar o relatório de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que prevê a divisão da CPMF com estados e municípios. A cúpula do PSDB ameaça votar pelo fim da taxa caso a alíquota não seja reduzida.

*A intervenção dos Bancos Centrais de países europeus para conter a crise nas bolsas funcionou nos mercados da Ásia e da Europa. Mas a ajuda não deu resultado no Brasil, onde a Bovespa fechou com queda de 0,39%. O vencimento de títulos amanhã foi a razão apontada para a queda.

ARTIGO para o JORNAL DE HOJE desta 3ª feira, 14.ag.07

A desonestidade intelectual e o obreirismo

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail:
mirandasa@uol.com.br

Sou de um tempo em que a honradez era a moldura de uma série de qualidades indispensáveis à pessoa humana. E a honestidade como um todo era o pano de fundo. A sociedade humana enfocada pelo prisma das distinções de classe considerava a honradez e a honestidade como pré requisitos para a cidadania respeitável. Meus pais e avós legaram aos descendentes o culto à verdade que para eles era o passaporte para circular livremente em todas as camadas sócio-econômicas e sócio-políticas. E constatei que isto realmente funcionava.

Meu avô paterno e meu pai – aquele positivista e este marxista – acrescentavam ao princípio da probidade e da decência, o trabalho como afirmação da dignidade.

Não sei se devido à revolução industrial ou em razão da terceira grande divisão do trabalho trazida pela informática, ambos os fenômenos conduzidos pelo vilão das gentes, o capitalismo, impôs-se uma subversão moral no mundo. Já não é a honradez que prestigia o indivíduo, mas exclusivamente a posse de bens materiais, a propriedade e o dinheiro.

Dos EUA, centro imperial capitalista, irradiou-se para os quatro cantos do planeta o amoralismo filosófico e a desonestidade intelectual. Entre nós isto teve uma visibilidade solar com a triunfante carreira política de um pelego sindical que como um brilhante camelô vendeu às classes médias intelectualizadas de São Paulo e posteriormente do resto do país o mito da sua origem como trabalhador e uma esperança messiânica.

O sindicalismo brasileiro que veio de lutas e conquistas históricas – muitas delas estimuladas e concedidas pela ditadura populista de Getúlio Vargas – sofreu uma mutação durante o regime militar de 1964/1980. Por uma questão de sobrevivência, as antigas frações comunistas que atuavam nos sindicatos aliaram-se às frações católicas, confundindo-se com estas para ganhar a proteção da hierarquia eclesial. O grosso das organizações, porém, usufruiu as benesses excepcionais que o atrelamento ao Ministério do Trabalho ofereceu. E engrossou esta ação peleguista o surgimento dos sindicatos rurais e das associações comunitárias.

A resistência à ditadura militar coordenada pelo arcebispado de São Paulo, com dom Evaristo Arns à frente, levou os sindicatos de influência católica a conquistar espaços na mídia, e ressuscitar um desvio ideológico de experiências degeneradas, o “obreirismo”, desaparecido após a revolução russa de 1917, quando o anarco-sindicalismo cedeu terreno ao movimento comunista internacional sob a hegemonia da antiga União Soviética.

No ABC paulista, os sindicatos se destacaram e o obreirismo entusiasmou os pequeno-burgueses paulistas do serviço público e principalmente da USP, a assumir uma ação política. Foi lá, também, que nasceu politicamente Luiz Inácio Lula da Silva, decantado em prosa e verso como um trabalhador que chegou ao poder. Operário, coisa nenhuma: camponês de origem, que trabalhou como torneiro mecânico menos de dez anos, tornando-se dirigente sindical profissional (pelego) e depois funcionário bem pago do Partido dos Trabalhadores. Eleito para a presidência da República cooptou os intelectuais obreiristas e os pelegos seus contemporâneos, para formar o PT-governo.

Assim surgiu a desonestidade intelectual lulista-petista que influencia os menos avisados. É o alto-falante de incríveis distorções históricas como a “conspiração das elites” e o “golpismo da imprensa”, caldo de cultura onde Lula da Silva e seus parceiros cozinham o próprio golpismo e escondem a elite emergente que chegou ao poder. De um lado, põe-se em prática o projeto dos 20 anos de poder petista e, do outro, fortalece o enriquecimento rápido e ilícito da nova classe dominante.

Com o obreirismo e a desonestidade intelectual surgiu a ditadura da propaganda lulista-petista que esconde a incompetência administrativa dos pelegos, o dinheiro público escoando pelo ralo da corrupção, a compra explícita de parlamentares e a acumulação ininterrupta de promessas que jamais serão cumpridas. Pesquisas de opinião? Que nada… Os cabos eleitorais do coronelismo já faziam esta proeza distribuindo esmolas um século atrás.

Não são os números das pesquisas que entrarão na História, mas o capítulo nefasto do domínio da traição nacional de um partido que prometeu mudar as relações sócio-políticas e sócio-econômicas “deste País” e aderiu ao neoliberalismo, ao roubo descarado das verbas públicas, a infiltração na administração de incapazes presunçosos e fez um trabalhador- presidente que nunca trabalhou na vida…

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PELOS JORNAIS_14.ag.07


CPMF: batalha começa hoje na Câmara

– Há pouca chance de prosperar o movimento dos governadores do PSDB no sentido de garantir, nas discussões que começam a ganhar corpo no Congresso, a partilha dos R$ 38 bilhões arrecadados pela Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Aliado do governo e dono da relatoria do caso, o PMDB exigiu mais cargos e verbas para impedir a divisão. Como sinal de um acordo já selado para a primeira votação, hoje, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o partido deve abrir mão da relatoria no processo em nome de um parlamentar do PT. Com isso, derrubaria o plano da oposição, mas no Senado a maioria não é tão folgada. (Jornal do Brasil)

BCs injetam mais US$ 72 bi e os mercados têm trégua

– Após fortes perdas na quinta e na sexta-feira, as principais Bolsas tiveram um dia mais calmo ontem. Os bancos centrais dos EUA, da União Européia e do Japão voltaram a agir, colocando mais US$ 72 bilhões no mercado financeiro. As principais Bolsas européias, as mais afetadas pela turbulência da semana passada, tiveram altas expressivas. (Folha de São Paulo)

Congresso vai votar leis que efetivam 260 mil servidores

– Um grande trem da alegria está pronto para ser votado na Câmara, na forma de emendas constitucionais que dão estabilidade a servidores atualmente passíveis de demissão e transformam em funcionários públicos trabalhadores temporários e que não prestaram concurso. Permite ainda que funcionários requisitados de Estados e de municípios sejam efetivados em suas funções. A estimativa é de que 60 mil servidores ganhem estabilidade e de que cerca de 200 mil temporários sejam beneficiados; quanto aos requisitados, não há cálculo preciso. O autor da emenda que beneficia os temporários, deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA), argumenta que não haverá aumento nos gastos porque esses trabalhadores já estão no cargo há mais de dez anos. Outra emenda entrou na pauta da Câmara duas vezes, entre julho e agosto, mas não chegou a ser votada. Ontem o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), admitiu das prioridade à votação dos projetos. “A Câmara tem de dar uma resposta (aos beneficiados pelos projetos), qualquer que seja ela”. (Estado de São Paulo)

Câmara decide votar ‘trem da alegria’ para mais de 300 mil

– O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), levará à votação em plenário um projeto que pode se transformar num “trem da alegria” para pelo menos 310 mil pessoas. A PEC 54, na contramão do que planeja o governo federal, concede estabilidade a 60 mil servidores federais não-concursados e a 230 mil trabalhadores temporários da União, dos estados e municípios; outros 20 mil funcionários públicos requisitados para o serviço federal podem ser efetivados no órgão de destino. Líderes de vários partidos estão pressionando pela votação, além dos próprios servidores. “Eles estão nos corredores há três, quatro anos. É até desumano. A Câmara tem que dar uma resposta, qualquer que seja”, disse Chinaglia. Ainda não há cálculo do impacto financeiro da medida, caso ela seja aprovada. (O Globo)

Projeto das agências volta à estaca zero

– A crise aérea e a polêmica em torno da atuação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) após o acidente com o Airbus da TAM, em julho, recrudesceram o debate sobre as agências reguladoras e reconduziram quase à estaca zero o projeto de lei que define o papel desses órgãos. Em tramitação há três anos na Câmara, a proposta, que tinha conseguido um frágil consenso entre os partidos depois de muita negociação, corre o risco de empacar outra vez e retroceder ao modelo original, que foi mal recebido pelo mercado por causa do viés de ingerência dos ministérios sobre esses órgãos. (Gazeta Mercantil)

Crise leva brasileiros a investir na poupança

– Somente nos sete primeiros dias de agosto, cadernetas receberam R$ 3,7 bilhões. O valor supera em R$ 200 milhões todo o saldo positivo da aplicação em julho. Movimento é liderado, em parte, por investidores assustados com o efeito da bolha imobiliária americana nas bolsas do mundo inteiro. (Correio Braziliense)

Grande empresa prevê ajuste sadio após turbulências

– A forma como os grandes empresários brasileiros vêem as atuais turbulências do mercado mundial está longe do pânico. A avaliação predominante dos representantes de 27 setores de negócios, premiados ontem pelo Valor em São Paulo, é de que a instabilidade poderá ter até resultados positivos para o lado real da economia brasileira. “Pode ser apenas um ajuste que vai trazer um pouco mais de racionalidade ao mercado”, observou o presidente do grupo Telefônica no Brasil, Antonio Carlos Valente. A Telefônica trabalha com projeção de crescimento de 4% para o PIB e não pensa em rever esse número. (Valor Econômico)

Pressão contra CPMF

– Em reunião ontem no Palácio das Mangabeiras, os governadores do PSDB vão mobilizar suas bancadas no Congresso Nacional para barrar a proposta de emenda constitucional que prorroga a CPMF em 0,38%, até 2011. A cúpula tucana decidiu não abrir mão da redução do imposto sobre o cheque para 0,2% e os repasses de 20% da arrecadação para os estados e de 10% aos municípios com o compromisso de aplicação na área de saúde. Caso contrário promete articular com outros partidos a derrubada da CPMF, que carreará R$ 35 bilhões para os cofres da União somente este ano, segundo cálculos do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco). “O PSDB está absolutamente unido e fazendo essa discussão de forma clara, até para que haja espaço político para uma eventual redução”, resumiu o encontro o governador Aécio Neves. Na estratégia, os tucanos esperam ter o apoio de DEM, PP e PDT e atrair os prefeitos para a estratégia. (Estado de Minas)

Bactéria provoca fechamento de UTI

– Privatização de aeroportos em estudo – Novo presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi admite possibilidade de privatização e transferência de controle de alguns terminais para Estados. (Jornal do Commercio)

MANCHETES de hoje, 14.ag.07

VALOR ECONÔMICO – Grande empresa prevê ajuste sadio após turbulências
CORREIO BRAZILIENSE – Crise leva brasileiros a investir na poupança

GAZETA MERCANTIL – Projeto das agências volta à estaca zero

O GLOBO – Câmara decide votar “trem da Alegria” para mais de 300 mil

O ESTADO DE SÃO PAULO – Congresso vai votar leis que efetivam 260 mil servidores
FOLHA DE SÃO PAULO – BCs injetam mais US$ 72 bi e os mercados têm trégua
JORNAL DO BRASIL – CPMF: batalha começa hoje na Câmara

TRIBUNA DA IMPRENSA – Anac terá de esclarecer direito de passageiros

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Bactéria provoca fechamento de UTI

ESTADO DE MINAS – Pressão contra CPMF

DIÁRIO DE NATAL – Deputado Robson Faria poderá assumir PP no Estadp

TRIBUNA DO NORTE – Para MP, Idema é co-autor do desastre do Potengi

Ataque às agências reguladoras

“Por enquanto, nenhuma autoridade deverá confirmar a informação de que, muito incomodado com a incompetência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), tornada pública pela tragédia do Airbus da TAM, o governo, a começar pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abandonará o discurso crítico e partirá para ações efetivas contra as agências reguladoras. Mas a informação, publicada pelo jornal Valor na quarta-feira, tem tudo para ser verídica.

O presidente, seu partido e os que o apóiam nunca aceitaram a autonomia das agências, tentando em vários momentos limitar essa autonomia e, quando não conseguiram asfixiá-las operacional e financeiramente, trataram de dominá-las com a indicação de quadros políticos para funções de natureza eminentemente técnica. O que aconteceu com a Anac – por culpa exclusiva de quem indicou seus diretores – é um exemplo eloqüente dos prejuízos que a política de aparelhamento do Estado, praticada com voracidade pelo atual governo e por seu partido, pode causar ao País.

Quatro de seus cinco diretores não dispunham de experiência na área de aviação civil nem dos atributos técnicos necessários para as funções, mas, indicados pelo Executivo, tiveram seus nomes aprovados pelo Senado. Não é de estranhar que, meses depois de instalado o caos aéreo no País e após dois trágicos acidentes, a Anac ainda esteja tentando identificar onde estão os principais problemas.

(Editorial Estadão)

OPINIÃO: As aves de rapina do lulismo-petismo rondam as agências reguladoras do sistema econômico não mais para aparelhá-las como o fizeram ao chegar ao poder, desmoralizando-as e reduzindo-as (como a Anac) a peróxido de pó de (com licença da palavra) peido… O ataque consubstancia a gigantesca contradição que ensandece o PT-governo, o choque da pressão “ideológica” para a restauração do estatismo de um lado, e, do outro, o conservadorismo dos pelegos que se acomodaram no “bem bom” do neoliberalismo. MIRANDA SÁ

Ocupando espaço nos aviões de carreira

“Há pouco mais de duas semanas no cargo, o estilo forte de Jobim tem se destacado num momento em que Lula e seus principais aliados estavam acuados politicamente por conta dos efeitos provocados pelo segundo desastre aéreo de grandes proporções no País num período de apenas dez meses. Se Jobim encontrou espaço para se tornar um ponto de referência do governo, essa exposição também já provoca desconforto em setores do PT, que o consideram ‘tucano demais’ – ele foi ministro da Justiça do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e é um dos amigos mais próximos do governador de São Paulo, José Serra. Petistas desconfiam que, se permanecer forte, Jobim, que é do PMDB, poderá se tornar um candidato na sucessão presidencial de 2010. Mais: dentro do governo, o poder dado a Jobim abriu a temporada de ciúmes e de críticas pelo estilo forte e centralizador, o que lhe valeu o apelido irônico de ‘Poderoso Thor’. Independentemente disso, políticos aliados de Lula e de oposição concordam que a presença de Jobim melhorou a situação do governo. ‘Existia um espaço que ele soube ocupar muito bem’, elogia o líder do PC do B na Câmara, deputado Renildo Calheiros (PE).

Marcelo de Morais, jornalista

OPINIÃO: Parece-me que a tarefa administrativa de um ministro da Defesa não é cuidar da aviação comercial, rotas, aeroportos e pistas. Muito menos se preocupar, como Nelson Jobim, com o espaço entre as poltronas de uma aeronave. Num brilhante discurso, o senador Cristóvam Buarque lamentou, entre outras coisas, que as forças armadas brasileiras não têm a dimensão do Brasil. Realmente. É delas que um ministro da Defesa deveria se ocupar: dos salários desprezíveis do oficialato e a miserabilidade dos praças de pré. Isto, para não falar de equipamentos modernos disponíveis para guarnecer as nossas fronteiras e garantir a soberania nacional. MIRANDA SÁ

Fidelidade ou não; esta é a questão

“Dormem no Supremo Tribunal Federal dois mandados de segurança pedindo uma decisão sobre a perda – ou não – dos mandatos dos deputados que da eleição para cá trocaram de partido e continuam donos de suas vagas na Câmara, contrariando interpretação do Tribunal Superior Eleitoral, nossas ágeis excelências preparam uma anistia aos trânsfugas, 38 até o momento. É a seguinte a história: no começo deste ano, o então PFL consultou o TSE sobre o direito de os partidos preservarem as vagas obtidas nas eleições proporcionais (deputados federais, estaduais e vereadores) quando houver cancelamento de filiação ou transferência do candidato eleito por um partido para outra legenda.

Em março, o Tribunal, por seis votos a um, respondeu que esse direito era sim assegurado aos partidos, pois sendo a filiação a um partido condição básica para alguém se eleger, a vaga pertenceria à agremiação e não à pessoa. Com base nessa interpretação, os partidos de oposição, que vinham sendo prejudicados pela adesão de seus deputados a legendas governistas, pediram ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, que declarasse a perda dos mandatos e convocasse os suplentes.

Chinaglia respondeu que não teria esse poder e os partidos, então, entraram com mandado de segurança no STF, pedindo o cumprimento da regra em conformidade com a posição da Justiça Eleitoral. Até agora não houve resposta, mas os partidos governistas – favorecidos pela troca – se organizaram para aprovar um projeto de fidelidade partidária que, além de proibir a troca de legendas durante três anos, mas liberar a transferência no último ano do mandato do parlamentar, ainda incluiria um ‘mecanismo’ pelo qual os que mudaram este ano estariam fora da norma.

Dora Krammer, jornalista

OPINIÃO: Este texto de Dora Krammer nos leva à reflexão sobre a conjuntura política nacional, a partir de uma simples pergunta: a quem interessa o troca-troca de legendas partidárias? Respondeu? Honestamente? Pois é, a infidelidade partidária revela dois planos da política: um, a canalhice dos detentores de mandatos comprados a eleitores ignorantes e/ou congenitamente desonestos. Dois, vem do governo, ansioso em obter uma maioria esmagadora nas casas legislativas, o estímulo aos corruptos para mudar de partido. É a cadeia evolutiva da decomposição da ética e da moralidade com origem no eleitor, passando para o seu representante e se enlameando no mar de lama da corrupção governamental. MIRANDA SÁ

ARTIGO para o JORNAL DE HOJE de amanhã, 14.ag.07

A desonestidade intelectual e o obreirismo

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

Sou de um tempo em que a honradez era a moldura de uma série de qualidades indispensáveis à pessoa humana. E a honestidade como um todo era o pano de fundo. A sociedade humana enfocada pelo prisma das distinções de classe considerava a honradez e a honestidade como pré requisitos para a cidadania respeitável. Meus pais e avós legaram aos descendentes o culto à verdade que para eles era o passaporte para circular livremente em todas as camadas sócio-econômicas e sócio-políticas. E constatei que isto realmente funcionava.

Meu avô paterno e meu pai – aquele positivista e este marxista – acrescentavam ao princípio da probidade e da decência, o trabalho como afirmação da dignidade.

Não sei se devido à revolução industrial ou em razão da terceira grande divisão do trabalho trazida pela informática, ambos os fenômenos conduzidos pelo vilão das gentes, o capitalismo, impôs-se uma subversão moral no mundo. Já não é a honradez que prestigia o indivíduo, mas exclusivamente a posse de bens materiais, a propriedade e o dinheiro.

Dos EUA, centro imperial capitalista, irradiou-se para os quatro cantos do planeta o amoralismo filosófico e a desonestidade intelectual. Entre nós isto teve uma visibilidade solar com a triunfante carreira política de um pelego sindical que como um brilhante camelô vendeu às classes médias intelectualizadas de São Paulo e posteriormente do resto do país o mito da sua origem como trabalhador e uma esperança messiânica.

O sindicalismo brasileiro que veio de lutas e conquistas históricas – muitas delas estimuladas e concedidas pela ditadura populista de Getúlio Vargas – sofreu uma mutação durante o regime militar de 1964/1980. Por uma questão de sobrevivência, as antigas frações comunistas que atuavam nos sindicatos aliaram-se às frações católicas, confundindo-se com estas para ganhar a proteção da hierarquia eclesial. O grosso das organizações, porém, usufruiu as benesses excepcionais que o atrelamento ao Ministério do Trabalho ofereceu. E engrossou esta ação peleguista o surgimento dos sindicatos rurais e das associações comunitárias.

A resistência à ditadura militar coordenada pelo arcebispado de São Paulo, com dom Evaristo Arns à frente, levou os sindicatos de influência católica a conquistar espaços na mídia, e ressuscitar um desvio ideológico de experiências degeneradas, o “obreirismo”, desaparecido após a revolução russa de 1917, quando o anarco-sindicalismo cedeu terreno ao movimento comunista internacional sob a hegemonia da antiga União Soviética.

No ABC paulista, os sindicatos se destacaram e o obreirismo entusiasmou os pequeno-burgueses paulistas do serviço público e principalmente da USP, a assumir uma ação política. Foi lá, também, que nasceu politicamente Luiz Inácio Lula da Silva, decantado em prosa e verso como um trabalhador que chegou ao poder. Operário, coisa nenhuma: camponês de origem, que trabalhou como torneiro mecânico menos de dez anos, tornando-se dirigente sindical profissional (pelego) e depois funcionário bem pago do Partido dos Trabalhadores. Eleito para a presidência da República cooptou os intelectuais obreiristas e os pelegos seus contemporâneos, para formar o PT-governo.

Assim surgiu a desonestidade intelectual lulista-petista que influencia os menos avisados. É o alto-falante de incríveis distorções históricas como a “conspiração das elites” e o “golpismo da imprensa”, caldo de cultura onde Lula da Silva e seus parceiros cozinham o próprio golpismo e escondem a elite emergente que chegou ao poder. De um lado, põe-se em prática o projeto dos 20 anos de poder petista e, do outro, fortalece o enriquecimento rápido e ilícito da nova classe dominante.

Com o obreirismo e a desonestidade intelectual surgiu a ditadura da propaganda lulista-petista que esconde a incompetência administrativa dos pelegos, o dinheiro público escoando pelo ralo da corrupção, a compra explícita de parlamentares e a acumulação ininterrupta de promessas que jamais serão cumpridas. Pesquisas de opinião? Que nada… Os cabos eleitorais do coronelismo já faziam esta proeza distribuindo esmolas um século atrás.

Não são os números das pesquisas que entrarão na História, mas o capítulo nefasto do domínio da traição nacional de um partido que prometeu mudar as relações sócio-políticas e sócio-econômicas “deste País” e aderiu ao neoliberalismo, ao roubo descarado das verbas públicas, a infiltração na administração de incapazes presunçosos e fez um trabalhador- presidente que nunca trabalhou na vida…