Ocupando espaço nos aviões de carreira
“Há pouco mais de duas semanas no cargo, o estilo forte de Jobim tem se destacado num momento em que Lula e seus principais aliados estavam acuados politicamente por conta dos efeitos provocados pelo segundo desastre aéreo de grandes proporções no País num período de apenas dez meses. Se Jobim encontrou espaço para se tornar um ponto de referência do governo, essa exposição também já provoca desconforto em setores do PT, que o consideram ‘tucano demais’ – ele foi ministro da Justiça do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e é um dos amigos mais próximos do governador de São Paulo, José Serra. Petistas desconfiam que, se permanecer forte, Jobim, que é do PMDB, poderá se tornar um candidato na sucessão presidencial de 2010. Mais: dentro do governo, o poder dado a Jobim abriu a temporada de ciúmes e de críticas pelo estilo forte e centralizador, o que lhe valeu o apelido irônico de ‘Poderoso Thor’. Independentemente disso, políticos aliados de Lula e de oposição concordam que a presença de Jobim melhorou a situação do governo. ‘Existia um espaço que ele soube ocupar muito bem’, elogia o líder do PC do B na Câmara, deputado Renildo Calheiros (PE).
Marcelo de Morais, jornalista
OPINIÃO: Parece-me que a tarefa administrativa de um ministro da Defesa não é cuidar da aviação comercial, rotas, aeroportos e pistas. Muito menos se preocupar, como Nelson Jobim, com o espaço entre as poltronas de uma aeronave. Num brilhante discurso, o senador Cristóvam Buarque lamentou, entre outras coisas, que as forças armadas brasileiras não têm a dimensão do Brasil. Realmente. É delas que um ministro da Defesa deveria se ocupar: dos salários desprezíveis do oficialato e a miserabilidade dos praças de pré. Isto, para não falar de equipamentos modernos disponíveis para guarnecer as nossas fronteiras e garantir a soberania nacional. MIRANDA SÁ
Comentários Recentes