Artigo
País das Maravilhas
MIRANDA SÁ (E-mail mirandasa@uol.com.br )
Tive, eu e minha irmã, a felicidade de nascer numa família de professoras, no tempo em que o magistério impunha o respeito a quem os chineses dedicam o título de “professor” para pessoas realmente sábias. Minha mãe e minhas tias nos educaram com o que havia de mais avançado à sua época; e, na prática, tínhamos sessões de leitura até hoje gravadas em minha memória.
Derivando das histórias de bichos de origem afro-indígena, vieram as “Mil e Uma Noites” e os contos de fadas, escritas pelos Irmãos Grimm. Inesquecíveis a mistura dos duelos dos jabutis e dos macacos contra a onça, provérvbios com lições de Esopo com a “A Cigarra e a Formiga” e a “Raposa e as Uvas”. O discípulo francês do pensador grego, La Fontaine, nos deu “O Lobo e o Cordeiro”.
Dos Grimm tivemos “Branca de Neve”, “Chapeuzinho Vermelho” e “João e Maria” pelo que me lembre, e, como não podia deixar de entrar nesta coleção admirável, nos embasbacamos com Lewis Carroll e “Alice no País das Maravilhas”, que mais tarde vimos no cinema.
Nunca pensei que oitentão revivesse o clássico de Carroll com uma presidente da República desvairada que criou um País das Maravilhas no lugar do nosso Brasil dominado pela corrupção, inflacionário, estacionado e até regredindo no tempo e no espaço.
Os prodígios advindos da impostura de Dilma e do PT-governo se esfumaçam quando constatamos a ruína do País, com a administração pública aparelhada, a derrocada da Eletrobras e da Petrobras e o que é desolador, o descrédito nos institutos de pesquisa, acionados para maquiar a verdadeira face da realidade.
Desmoralizando-se por si, até pela cínica constatação dos seus dirigentes, assistimos o fim do IPEA, que foi um dos órgãos sérios a serviço do Estado. Agora, chegou a vez do IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística com seus 143 anos de profícua contribuição para a História do Brasil.
Na sua trajetória, o IBGE sempre irritou os governantes quando algum índice obtido não lhes era favorável; mas não passou pela cabeça de nenhum deles intervir no Instituto para manipular dados, nem nos sonhos de Juscelino Kubistchek, nem no populismo janguista, e nem no ufanismo do regime militar.
Tudo começou quando a presidente Wasmália Bivar assumiu que quando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) começasse não poderia parar de divulgar o cronograma. E aplicando o Pnad, o País tomou conhecimento um desemprego médio de 7,1% no ano passado, o que enfureceu os assessores presidenciais que acumulam a função de cabos reeleitorais de Dilma.
A pelegagem, acomodada com os números pouco precisos da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), querem evitar estatísticas reais e assim suspenderam a divulgação dos resultados trimestrais do Pnad, numa intervenção grosseira que revoltou o respeitável corpo técnico da Diretoria de Pesquisas da instituição.
O pessoal responsável do IBGE tirou uma nota afirmando ser “insustentável” sua permanência nos cargos caso a suspensão for mantida, e a diretora Márcia Quintslr demitiu-se do cargo que ocupava desde 2011.
Com isso, fica transparente o aparelhamento das pesquisas oficiais para Dilma, irresponsavelmente, divulgar mentiras aos brasileiros, anunciando-lhes fantasiosos dados sobre o emprego e a renda no seu País das Maravilhas. E fica também nítida a irresponsável ingerência político-eleitoral nos órgãos de Estado.
A importância das pesquisas nada representa para os pelegos lulo-petistas. Eles são papéis carbono dos governos narco-populistas, como o da Argentina, onde a Casa Rosada manipula dados sobre a inflação, esquecendo-se que é na feira e nos supermercados onde se mede o custo de vida.
O “País das Maravilhas” de Lewis Carroll foi seguido por outro livro, “Alice Debaixo da Terra”. O País das Maravilhas de Dilma também tem a sua continuação: está debaixo da lama ideológica dos fins justificam os meios, acolhida pelo PT-governo.
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Imprensa ausente, Internet presente
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
No seu inestimável livro “Eu Acuso” o grande defensor da Justiça e da Liberdade, Vitor Hugo, escreveu: “À medida que a verdade avança, multiplicam-se as mentiras para negar-lhe a marcha”.
Sem qualquer acanhamento, aposso-me deste pensamento para usá-lo 117 anos depois, nestes dias das denúncias de assalto à Petrobras com mentiras execráveis, repetidas impunemente.
Os bem informados conscientizaram-se desta traição ao País que ainda é o Brasil, o Brasil dos nossos amores, a Pátria enternecida que se envergonha; mas os filhos seus não fogem à luta em sua defesa, custe o que custar.
Ameaças rondam a Democracia e a República. Vê-se no esforço dos que estão no poder para impedir a criação da CPI da Petrobras no Senado Federal. É a torrente de lama que transborda dos escândalos da compra das refinarias nos Estados Unidos e no Japão, e a negociata na Argentina com um dos sócios de Cristina Kirchner.
Assiste-se diariamente o excesso de iniqüidades e prejuízos na Petrobras, refletindo a ação criminosa dos agentes governistas que agem para enterrar a CPI.
De frente com eles, cara a cara, vemos o medo de Dilma, a covardia de Renan, a mediocridade de Mantega, o exibicionismo vulgar de Gleise, a obtusidade de Inácio Arruda e o sumiço contumaz de Lula quando se vê acossado. Estes personagens comprovam a cumplicidade governista com a corrupção.
Ainda inspirado no “Eu acuso”, acho que “um povo que não procura sua razão de ser, é um povo condenado”; por isso, nós, das redes sociais, representando o povo, fazemos ouvidos moucos ao grito desesperado dos sabujos do poder, dos argentários exaltados pelo tilintar de moedas e dos oportunistas sempre prontos à rapinagem.
Nessa situação crucial para o País, eu gostaria muito de contar com a oposição da imprensa brasileira, nascida em 1706 em Pernambuco, em 1747 no Rio de Janeiro, e em 1807 nas Minas Gerais, frutos da luta pela liberdade de um povo. Essa imprensa que atravessou o Atlântico com a família real, em 1808, e firmou-se no Império no debate da oposição republicana com o oficialismo.
Como antigo jornalista, amador por vocação aos 14 anos, e profissional aos 22, continuo apaixonado pelo idealismo de Hipólito da Costa, Cipriano Barata, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Machado de Assis e, mais recente, de Prudente de Morais, neto, Barbosa Lima Sobrinho, Gondim da Fonseca e Danton Jobim.
Eles se foram, e com eles a imprensa sadia, independente e patriótica. Com raras exceções, o que temos é uma imprensa imunda, que mal conseguimos acessar sem sermos tomados de indignação.
Os poderes republicanos são maculados e a “grande imprensa” silencia. O Legislativo se avilta com o mandato popular desvirtuado; o Judiciário manqueja, capengando com as muletas do Executivo; este, dominado por pelegos, transformou-se em asilo de corruptos e corruptores, extorsionários e ociosos ‘ideológicos’…
Há 12 anos firma-se no País este cenário iníquo, e o bando que se apossou do poder por um estelionato eleitoral, perambula impunemente, assaltando o Erário. A investida deles levou a Petrobras, orgulho dos brasileiros, do 12º lugar entre as maiores empresas do mundo, para o 112º no ranking internacional.
Felizmente, em confronto com omissão suspeita da ‘grande imprensa’, temos as redes sociais para defender o Brasil e exigir que a CPI da Petrobras vá fundo nas investigações.
A intelligentsia da Rede Social nos Blogs, Facebook, Twitter está firme, com seus participantes sem temer o julgamento da História, nem pretender o paraíso artificial do poder; nós queremos somente defender o Brasil, Pátria amada, idolatrada…
Cretinice do “politicamente correto”
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
O cretino do “politicamente correto” choca-se brutalmente com os costumes populares… O que é o costume? Sua definição mais aceita é a conduta obediente de uma coletividade a usos ancestrais e a continuidade desses usos. Para o pensador e reverenciado jurista Vicente Ráo, “o costume vem a ser a regra de conduta criada espontaneamente pela consciência comum do povo, que a observa de modo constante e uniforme, e sob a convicção de corresponder a uma necessidade”
Meu inesquecível professor Hermes Lima, da cadeira de Introdução à Ciência do Direito, brincava, jocoso, dizendo que o costume é o “direito de fraldas”. Verdade, o costume é a origem do Direito, e como tal foi batizado de “direito consuetudinário”.
Em quaisquer estudos com base científica, o costume sempre foi aceito. Agora se encontra subvertido pela cretinice do “politicamente correto”.
É coisa recente. Do após guerra-fria. Não se sabe quando e de onde surgiu essa onda totalitária que criou uma verdadeira polícia do pensamento, como aquela do famoso livro “1984” de George Orwell.
Inspirou-me abrir a polêmica em torno do “politicamente correto” vendo o “Cassino do Chacrinha” da década de 1980. Por um acaso, minha mulher sintonizou o programa no Canal VIVA, chamou-me e ao nosso filho de 29 anos, para assisti-lo. Deu-me em que pensar.
Acordei para alguns programas televisivos de grande audiência, como a “Escolinha do Professor Raimundo”, “A Praça é nossa”, “Os Trapalhões” e “Chico Anísio Show”, que expressaram e expressam o cotidiano e o linguajar dos brasileiros, nada teem de “politicamente correto”.
Só os óculos desfocados de mal-amados, dos sociólogos de fancaria, dos políticos analfabetos e de ideólogos desvirtuados, o “politicamente correto” se impôs. Como uma manada atropela o povo tentando instituir sua visão da sociedade, com regras criadas artificialmente.
No Brasil, o lulo-petismo atua oficialmente para modificar e reger o linguajar das massas, ampliando essa tentativa de dominação, pela esquisita “Central Moderadora da Verdade” que revisará os “significados de mentira, sátira e ironia”…
Dizem estes impostores do “politicamente correto” que defendem a cultura popular, erguendo, pelo seu modo de ver, santuários raciais, religiosos, sexuais e da intimidade familiar ou de grupos amigáveis e/ou profissionais.
Dessa maneira, levam o povo à hostilidade social. Jogam pretos contra brancos, homens contra mulheres, crianças contra adultos, índios contra não-índios, civis contra militares e católicos contra evangélicos, e estes, contra os espíritas e a Umbanda.
Reconheço que há discriminações arraigadas no cotidiano. Mas são pontuais. É tradicional e inegável que os brasileiros nunca foram discriminatórios como outros povos. Até se louva a nossa tendência à miscigenação racial (Darcy Ribeiro) e o respeito às opções religiosas (“religião não se discute”).
Embora a ampla maioria reconheça isto, a ‘polícia do pensamento’ atua em todos campos. Não sei o que seria do Chacrinha, do Chico Anísio e do Renato Aragão se os seus programas, que encantavam a todos, principalmente à meninada, passassem hoje por esse crivo inquisitório.
O falado brasileiro, enriquecido pelos povos que formaram a nacionalidade e pelos emigrantes posteriores, está sendo estandartizado por meia dúzia de intelectueiros chapas-brancas ou candidatos a um cargo público sem concurso…
O vesgo do oficialismo, nos leva novamente a Orwell, que também citou a “novilíngua” ditatorial, com a terminologia correta a ser usada pelos membros do partido interno e o povão.
Aqui criaram tabus: o negro não é mais negro, mas afro-descendente; anão não é mais anão, mas pessoa ‘de baixa estatura’ e palhaço não pode ser quem nos faz rir; apenas os artistas circenses.
Palhaçada não é mais uma brincadeira engraçada ou um gracejo pilhérico; e homossexual é apenas ‘gay’, proibindo-se os inumeráveis sinônimos na linguagem popular, que só com a derivação de ‘bicha’ aparecem 25 verbetes no Dicionário de Gíria, de J. B. Serra e Gurgel.
O “politicamente correto” recebe o apoio de vários setores da ‘grande imprensa’. Nos jornais televisados, risco de vida virou risco de morte, e no País do Futebol, os estádios passaram a ser chamados de ‘arenas’; na administração pública, rasgaram a Constituição com cotas para isso e cotas para aquilo, e fixam a impunidade a cruéis criminosos de pouca idade.
Por tudo isso, pluralizamos a ditadura que vem sendo implantada pelo lulo-petismo no País. São muitas as ditaduras que o PT-governo quer: Ditadura política, ditadura econômica, ditadura social e, atentando contra um bem ancestral e peculiar, a ditadura cultural.
A Ira Santa
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
Na sua antológica “Oração aos Moços”, o grande Rui Barbosa, tão vilipendiado pelos maus juízes que tanto condenou, deixou uma lição a ser seguida sempre, mas principalmente agora quando sentimos a cólera pelas ações indignas de um governo corrupto e corruptor.
Ensinou Rui: “Nem toda ira é maldade. Quando verbera o escândalo, a brutalidade, ou o orgulho, não é agrestia rude, mas exaltação virtuosa; não é soberba que explode, mas indignação que ilumina, não é raiva desaçaimada, mas correção fraterna. Então, não somente não peca o que se irar, mas pecará não se irando.”
Somos tomados pela “ira santa” enfrentando as ameaças à liberdade da expressão do pensamento na internet. Defendemos, sem temor ou amarras político-partidárias ou opção ideológica, a imprensa, que infelizmente, por razões várias, nem sempre manifesta os protestos da sociedade; só nas Redes Sociais que evolui o pensar independente dos homens e mulheres bem informados deste País.
Não é por acaso que uma pesquisa do Ibope, patrocinada e amplamente divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência exaltou a “confiança do povo” nos jornais impressos (53%), rádio (50%), televisão (49%) e revistas (40%), deixando para as redes sociais míseros (24%), sites (28%) e blogs (22%). O PT-governo quer impor a mentira de que o povão lê jornal e tem dinheiro de sobra para assinaturas da TV a cabo…
“Eles” querem assim, mas na realidade são as redes sociais que expressam a opinião pública. Recordemos o julgamento da Ação Penal 470, o popular Mensalão. As inserções no Facebook e as hastags do Twitter exigiram que corruptos e quadrilheiros fossem julgados, e essa pressão levou-os à prisão, inclusive a alta hierarquia do PT.
A decisão colegiada do STF teve indiscutível legitimidade. O PT-governo, corrupto e corruptor interveio, nomeando Luiz Roberto Barroso e Teori Zavascki para provocar a reversão das sentenças. Com o voto deles, Dirceu, Delúbio e Genoino escaparam da condenação por formação de quadrilha e a absolvição de João Paulo Cunha da acusação de lavagem de dinheiro.
Jornais, rádios e TVs minimizaram a falta de ética nessa “maracutaia jurídica” da última sentença e a conseqüente desmoralização do Supremo. As redes sociais não se omitiram. Denunciaram e não se conformaram, principalmente exaltando o aviso do ministro Joaquim Barbosa, que as novas apreciações “eram apenas o começo”.
Assim, esperemos o que vem de pior. Os mais pessimistas já projetam que tramas advocatícias cheguem ao STF para livrar os corruptos petistas da ficha suja para que venham a ser eleitos a qualquer cargo eletivo.
Nenhum juízo crítico – apenas casos pontuais – veio dos jornais impressos, das tevês e do rádio, quando Lula – O Barba – disse ao jornal italiano “La Republica”, que emprego é mais importante que inflação, mesmo sabendo que o tal “pleno emprego” é uma sórdida fraude que inclui aparelhados, bolsistas e estagiários, e que o Dragão da Inflação corrói a economia e prejudica toda Nação.
Essa denúncia prosperou nas redes sociais, que também divulgam a vexatória política externa diante da repressão ditatorial na Venezuela; as verbas destinadas a Angola e Cuba; o perdão das dívidas de sobas africanos, e a suprema canalhice de atrasar o pagamento das aposentadorias e pensões, para falsear a contabilidade fajuta do PT-governo.
Finalmente, é pela internet que cresce a onda de alegria e chistes por se ver Dilma fugindo das vaias, sem discursar na abertura do torneio que o seu marqueteiro batizou e ela repetiu que seria a “Copa das Copas”. Até o maldito Putin abriu as Olimpíadas de Inverno na Rússia…
E tem mais. Pelos comentários aqui feitos, vê-se a necessidade de reforçar e ampliar, com “ira santa” a luta contra o marco civil, em qualquer de suas versões.
Reforma Agrária: Duplo Fracasso
Miranda Sá (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
A reforma agrária no Brasil é, sem dúvida, um grande problema, apesar de justa. Nos outros países, a distribuição de terras aos camponeses exigiu lutas sangrentas como as guerras camponesas da Alemanha e, nos Estados Unidos, à dolorosa e épica “conquista do Oeste”.
A reivindicação aqui é antiga. A História aponta sugestões de intelectuais como Joaquim Nabuco e Silvio Romero, preocupados com as gentes sertanejas, e o movimento tenentista que, na década de 1920, trouxe-a no seu programa.
Nestes tempos lulo-petistas de reescrever a História pode ser politicamente incorreto, mas os governos de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e do general João Batista Figueiredo fizeram mais para assentar camponeses do que os 11 anos de governo ‘dos trabalhadores’.
A Vargas deve-se, a implantação da Colônia Agrícola Federal de Dourados (MT) com a distribuição de 8.800 lotes em 28 de outubro de 1943, iniciativa até hoje considerada como a maior área de reforma agrária do País.
Uma mobilização pacífica de trabalhadores rurais, sindicatos e pastorais da Igreja Católica, conseguiu de Figueiredo a desapropriação da Fazenda Primavera, de 3.676 hectares, e a divisão de lotes entre as 346 famílias que ali viviam.
Também sem baderna ou invasões, o governo Kubitschek elaborou projetos na área de reforma agrária destinando-lhe três milhões de hectares. Entre os lotes divididos e entregues, destacaram-se núcleos de Jaíba (MG) e Petrolina (PE).
Dessas iniciativas, raras famílias se mantiveram na gleba recebida. Os que foram aquinhoados venderam sua terra ou, como no caso da Fazenda Primavera, arrendaram-na para as usinas de cana que operam na região.
Este é o primeiro fracasso. Segundo informes do INCRA, o órgão tem retomado na Justiça muitas terras comercializadas irregularmente pelos antigos assentados, e registram a dissolução dos benefícios criados.
O segundo fracasso é o financiamento do MST e dissidentes para agitar o problema com invasões de propriedades produtivas, destruição de centros de pesquisa e, nos centros urbanos, ocupando repartições do governo e até, audaciosa e impunemente, cercando o Supremo Tribunal Federal.
Não realizando o programa partidário e as promessas eleitorais, o PT-governo distribui verbas aos pseudo-revolucionários através do BNDES, que recentemente entrou com R$ 350 mil, a Caixa Econômica Federal com R$ 200 mil, e até a Petrobras, endividada, com balanços maquiados e ações virando pó na Bovespa, patrocinou o movimento com R$ 650 mil.
Foi este dinheiro público – é bom relembrar – que custeou a baderna na Capital Federal que resultou em 30 policiais feridos por militantes do MST que, de maneira reprovável, foram depois recebidos graciosamente pela presidente da República.
Escreveu alguém – perdoe-me não dar o crédito nominal, que caiu no esquecimento – que “Se o Brasil fosse um País sério jamais prestigiaria com verbas públicas, em cerca de R$1,5 milhão, nem o Chefe da Nação receberia em Palácio, o bando que tentou atacar o Judiciário e o Legislativo em Brasília”
O MST e seus espelhados não querem a reforma agrária, mas subverter a ordem constituída, que eles mesmos não sabem para quê. A maior prova disso fica nos porões onde reúnem o PT e partidos satélites com o bando autodenominado de sem-terras: O MST recusa a proposta de Dilma para emancipar os assentados.
Os terroristas agrários querem manter os assentados como meros concessionários de terras públicas. E reprovam que os que já receberam seus lotes produzam antes de receber benesses governamentais.
Se o camponês enriquece, como ocorreu com os arrozeiros no Rio Grande do Sul, na reforma feita por Leonel Brizola, e se emancipa realmente, é como o próprio Brizola se queixou: “Dei-lhes a terra e eles não votaram em mim…”
É isso. Quantos mais assentados produzirem ou deixarem o torrão em busca de melhor condição de vida, menos serão os que se tornam instrumentos da agitação política que enriquecem os pelegos. Recordo que a PF prendeu José Rainha em ação contra desvio de verbas públicas. E quantos outros fazem o mesmo em proveito próprio?
O duplo fracasso da reforma agrária que se vê na Era Lulo-petista é pago com o dinheiro do contribuinte, que se conforma vendo seu dinheiro usado e embolsado pela pelegagem e seus ‘consultores’…
Crônicas de Carnaval
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
- “Quanto riso, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão” – Sinto-me um deles, impotente para por nos trilhos a minha Pátria na direção do futuro que merece, com ética, democracia, desenvolvimento, honestidade, justiça e paz.
- Os dias de carnaval trazem novos ditos e novas modas. Neste, que assistimos não se vê mais a “Maria Sapatão”; passam por mim, às dezenas, as marias bigodões…
- Admiro-me com a criatividade do povo brasileiro; e o carioca, em particular, é impressionante. Mas senti falta de críticas políticas, tão comuns na minha mocidade. Apenas, excepcionalmente, máscara e capa preta de Joaquim Barbosa, com dizeres sobre a corrupção reinante no país.
- Sentei-me à mesa de calçada de um bar, olhando os passantes. De ouvidos atentos, ouvi confissões afetuosas entre amigos mal saídos do armário… E atendi a um bloco de moças “De Turbante”, vendendo sanduíches naturais…
- Entre chopes e tira-gostos ri dos muitos obesos, gordinhos e gordinhas, preocupados em morder imensos ‘joelhos’ de boteco com refrigerantes industriais, invés de cantar ou sambar.
- Observador, dou razão à filosofia de Joãozinho Trinta, afirmando que “Quem gosta de pobreza é intelectual”. Uma enormidade de proles usa coroas de reis, rainhas e princesas… Um luxo!
- Ao lado da esfuziante alegria de muitos, emocionei-me com o semblante triste de outros tantos, principalmente pessoas mais velhas, que já contornaram o Cabo da Boa Esperança…
- Registrei também a melancolia de dezenas de “minnies” em grupo ou solitárias, sem ter a companhia dos seus “mickey mouses”. E estas fantasias da Disneylândia, levaram-me à recordação e à pergunta: Onde se escondem os pierrôs às colombinas as odaliscas as jardineiras os piratas as havaianas os mosqueteiros? Só na minha memória?
- Desfilaram muitas alas jovens. Chamou-me a atenção um grande número de bruxas que, sem sacanagem, lembraram-me as feiosas e ensimesmadas ministras da Rainha da Sucata…
- Nas ruas, como para se exibir, passaram ambulâncias do Samu com sirenes altíssimas. Pareceu-me que faziam campanha eleitoral…
- Ainda vigora o charme e a graça dos “sinalzinhos” exibidos por brotinhos em flor… Estão no rosto, na barriga, nas pernas e, graças à modernidade, entrevistos no relance do glúteo…
- Invadiu-me uma saudade imensa dos bailes do meu tempo… Baile das Atrizes, dos Artistas, da Balança, do Cartola. E a folia no Automóvel Clube, no Iate, no Sindicato dos Comerciários (onde, diziam, “as calcinhas voavam”). Entrei na vida carnavalesca no High Life e fui entusiasta do “Pijama para Dois” no Hotel Colonial.
- Falar em baile soube que na Urca cobravam “de contrabando” R$ 500 pelo ingresso… E, segundo o mesmo comentário, não era do “padrão FIFA”.
- Não encontrei mais as torcidas fervorosas pelas escolas de samba, que estimulavam discussões e até brigas! Hoje aquilo é um show para turistas e novos ricos verem.
- Falei que me entristeceu ver poucas críticas políticas. Mas uma me entusiasmou, e poderia ser a única para me entusiasmar: Uma placa trazia o mapa do Brasil, em verde amarelo, como se fora a vela de um barco. E o pessoal cantava “Se essa porra não virar, olé, olé, olá, eu chego lá!”
De volta ao passado
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
Vemos o Brasil de volta ao passado, obedecendo a uma legítima definição e sentido de ‘voltar’, dicionarizado como verbo transitivo circunstancial, fixando a definição de regressar, retornar e ir e vir pela segunda vez.
Para analisar o lulo-petismo, ou melhor, o PT-governo, encontramos também nos alfarrábios para a acepção ‘voltar’, voltear, girar e rodopiar, na dança louca da falsidade ideológica, mentiras, fraudes e imposturas.
Analisemos o governo da presidente Dilma e aí já encontramos uma volta ao passado próximo, porque ela fala pelo ex-presidente Lula.
Na economia, temos um exemplo do recuo que a incompetência dos doze anos de governo do PT nos levou, esfacelando o programa de estabilização que Itamar Franco criou em 1993 e entrou na História como Plano Real.
Reunida pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, uma equipe de notáveis economistas assumiu a audácia em aplicar uma medida de troca da moeda, a URV, como reserva de valor, nascendo daí o Real.
O objetivo principal foi controlar a inflação e baixar as taxas de juros para favorecer o desenvolvimento econômico e atrair investimentos estrangeiros diretos. Vinte anos depois assistimos a volta da inflação no bolso da gente, embora maquiada pelo ministro Mantega para apresentar menor valor.
Segundo o IBGE, no ano passado o IPCA fechou com alta acumulada de 5,91%, atingindo no setor de alimentação e bebidas 8,48%, e nas despesas pessoais variação de 8,39%. Nas contas externas, tivemos um recorde negativo com um déficit de US$ 11,35 bilhões, número altamente preocupante na balança de pagamentos.
Atingindo o povão, temos um regresso ao Plano Collor, com ameaças meio mascaradas à Caderneta de Poupança e intervenções ensaiadas pela Caixa Econômica…
No campo político, recua-se aquém da Revolução de 30, re-implantando o voto de cabresto nos currais eleitorais do Bolsa Família, que o ideólogo petista José Dirceu confessou representar 40 milhões de eleitores. Não bastasse o risco da insegura urna eletrônica – ameaça real de fraude nas próximas eleições – vê-se o ressurgimento dos coronéis cabos-eleitorais com o controle da distribuição das benesses pelos ‘companheiros do partido’.
Também se repete o desemprego, desmentindo com números do próprio governo a propaganda massiva e bilionária. Vê-se a desaceleração crescente da oferta de empregos formais, com o pífio percentual de 0,07% em janeiro deste ano.
Uma pesquisa do IBGE mostra que o emprego caiu em quase todos os setores pesquisados, com redução de 3,0% na indústria, 2,9% nos serviços domésticos, 0,5% no comércio e 0,8% nos serviços empresariais.
A Nação assiste também os rodopios do fantasma que rondava o País antes da Constituição de 1988. Os princípios republicanos estão ameaçados com o Legislativo submetido ao Executivo, e tentativas de desmoralizar o Judiciário após o julgamento da Ação Penal 470 e a prisão dos quadrilheiros do Mensalão.
Comprando congressistas e intimidando ministros do STF pela revisão das penas dos mensaleiros, o PT inicia um processo para levar-nos a uma ditadura narco-populista, como na perturbada Venezuela.
Traz-nos ainda uma réplica da censura que abominamos no regime militar, não somente comprando com verbas publicitárias empresas de Comunicação, como propondo uma legislação severa contra a livre expressão do pensamento.
O lulo-petismo não se satisfaz em ter sob controle as Organizações Globo, Grupo Folha e Grupo Estado; destina verbas públicas para manter agitadores na Internet pelas Redes Sociais, os chamados MAVs. E, não satisfeitos com os mercenários, agora investe na regulação da mídia com o famigerado Marco Civil.
Assim, o Brasil que podia acelerar uma radiosa marcha para o futuro, está de volta ao passado…
Que ‘País das Maravilhas’ é este?
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
Em 1975, mais precisamente no dia 19 de abril de 1975, Lula da Silva, pelego da Volkswagen e informante do Dops paulista, segundo Tuma Jr., um quadro sindical formado pela OIT, assumiu a direção de um Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista.
Na presença de autoridades civis, militares e eclesiásticas, Lula leu um discurso, possivelmente escrito pela assessoria do general Golbery do Couto e Silva ou algum ghost-writer da Volkswagen, que mostra a sua amoralidade.
Lembrem-se, isto foi em 1975, há 37 anos. De um trecho dessa fala, elogiado por Delfin Neto, tiramos esta declaração: ”O momento da história que estamos vivendo apresenta-se, apesar dos desmentidos em contrário, como dos mais negros para os destinos individuais e coletivos do ser humano. De um lado, vemos o homem esmagado pelo Estado, escravizado pela ideologia marxista, tolhido nos seus mais comezinhos ideais de liberdade, limitado em sua capacidade de pensar e se manifestar. E, no reverso da situação, encontramos o homem escravizado pelo poder econômico, explorado por outros homens, privados da dignidade que o trabalho proporciona, tangidos pela febre de lucro, jungidos ao ritmo da produção, condicionados por leis bonitas, mas inaplicáveis, equiparados às máquinas e ferramentas.”
Depois, como uma metamorfose ambulante, esse Pelegão juntou intelectuais oportunistas, padres de passeata, pelegos sindicais, dissidentes do movimento comunista, e fundou o PT, um partido contestador que nasceu propondo tudo aquilo que o imaginário popular queria: passar o Brasil a limpo. E enganou milhares de aderentes.
Hábil palanqueiro e fanfarrão, o Chefe petista denunciou os escândalos parlamentares, nomeando os deputados federais de “os trezentos picaretas do Congresso Nacional”. Criticou duramente as “bolsas” criadas por Cristovam Buarque e multiplicadas por Fernando Henrique.
Assim, fazendo concessões ao capital, Lula se elegeu presidente da República por dois mandatos e até hoje o PT está no poder através de um títere seu. Ele continua o mesmo, cultuando a ideologia dos pelegos; e seus joysticks, multiusuários desse vitorioso carreirismo seguem o seu exemplo de falta de caráter.
Aliaram-se aos trezentos picaretas, surfaram na onda do cinismo e da corrupção com menosprezo pela opinião pública. Esqueceram as críticas ao “bolsismo” dos antecessores, usando-as descaradamente para fins eleitorais; e enveredaram por um falso “esquerdismo” baseado no “marxismo dos Irmãos Marx”. Pura galhofa.
Assim, Lula e seus parceiros perderam o respeito nacional. Não se pode levar a sério um dirigente partidário e seguidores que não pensam no País e na Nação, perseguindo unicamente um projeto de poder. E para isso, expropriam o Erário, pervertem a administração pública, corrompem as empresas estatais e, através de uma propaganda miliardária, criaram um País das Maravilhas. Virtual.
O PT vai além: Ocupando o poder, subverte o sentido de República, desmoraliza o Legislativo com uma bancada de presidiários e desvirtua o Judiciário, tentando ridicularizar o presidente do STF, como fez o líder do partido na abertura do ano legislativo.
Felizmente, os mamulengos de Lula estão dominados pelo medo de perder as lucrativas posições político-administrativas. Suas últimas ações gangsteristas estão sendo repudiadas pela população, e eles sabem disto melhor do que ninguém.
Constata-se concretamente que o desvirtuamento das manifestações populares de protestos deve-se aos vândalos mercenários a serviço do PT-governo. Revelou-se a cumplicidade governamental com o MST na depredação de repartições públicas, invasões de fazendas produtivas e destruição de plantações e centros de pesquisa.
A política externa é vergonhosa. Serve apenas às ‘consultorias’ da pelegagem através dos empréstimos do BNDES e os perdões de dívidas dos ditadores africanos e caribenhos. Os paraísos fiscais acumulam contas desmedidas da companheirada, e a revista Forbes publica que Lula é possuidor de uma fortuna de US$ 2 bilhões.
Analisando a conjuntura econômica, vê-se Dilma Rousseff, a testa de ferro de Lula na Presidência, desmentindo o perfil proclamado na campanha ardilosa que a elegeu. Sua fama de gerentona é uma fraude, como fraude é o ‘País das Maravilhas’ que o marketing lulo-petista criou. Mas isto é outra história, que fica para depois…
Vândalos – O Retorno
Miranda Sá (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
A memória ginasiana já vai longe e não me lembro mais se foi Catão – O Antigo – ou o famoso Cícero das “Catilinárias”… Um dos dois criou o princípio adotado pelo Direito Romano: “Fora das nossas fronteiras, todos são bárbaros”.
Entre os considerados bárbaros, havia uma tribo germânica no nordeste da atual Alemanha que imigrou para o Sul no século V, e até hoje é falada, os Vândalos. Grupo numeroso e aguerrido imigrou para a Península Ibérica, onde recebeu terras dadas pelos romanos. Daí foi para a África do Norte e invadiu e dominou Cartago.
Eram ferozes com os inimigos e por onde passavam não deixavam pedra sobre pedra e, ingratos, terminaram penetrando no Império Romano, civilizado, já “cristão”, e lá ganharam fama pela violência ilimitada, torturando, estuprando, saqueando, matando, e destruindo tudo.
Eles reapareceram por aqui. São “gente que não gosta de gente”, como satirizou o chargista Angeli apontando “matador de gays”, “incendiário de mendigos”, “estuprador de mulheres”, “espancador de negros” e “perseguidor de nordestinos”…
Essas hordas malignas se infiltraram entre os manifestantes das famosas passeatas de junho; contando com o apoio político de partidos, certo interesse do PT-governo e o sensacionalismo de alguns órgãos da imprensa, e terminaram se impondo em todas as manifestações que se seguiram.
As populações perplexas assistiram, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, o fechamento de vias públicas, depredação de prédios governamentais, agências bancárias e revendedoras de carros. Devastaram peças de utilidade pública, placas, sinais de trânsito, caixas de correio e lixeiras. Profanaram estátuas e monumentos pátrios.
Dê-lhes o nome que se dê porque as contumazes ações do vandalismo atual são atribuídas a grupos com várias denominações.
Veiculadas pela televisão, cenas indescritíveis abalaram e constrangeram a sociedade, mostrando mascarados vestidos de negro, ou de cinza, discrepando do todo manifestante com atos de violência condenáveis.
Os manifestantes pacíficos, que procuram democraticamente ocupar as ruas e as praças com críticas e protestos, clamaram para a opinião pública, alertaram as autoridades governamentais e tentaram influenciar a mídia. Não tiveram eco.
Com o bárbaro assassinato do cinegrafista da TV-Bandeirantes, Santiago Andrade, a opinião pública, autoridades dos governos e os meios de comunicação despertaram da inércia. Tratava-se de um profissional de imprensa que recebeu imediato e incontestável protesto das entidades representativas da categoria.
Realmente. As cenas filmadas por amadores, colegas da mídia e até de uma tevê russa mostrando a brutalidade, são chocantes. Atirou-se um rojão para matar. Talvez o alvo não fosse Santiago, mas um policial ou outra pessoa qualquer. Uma obra de vândalos.
Agora assistimos o chororô da presidente Dilma, do governador Cabral, e dos políticos em geral. Sabe como é, politizar para aparecer, mostrar-se como não são.
Ocorre que o tiro saiu pela culatra. Doravante fica insustentável culpar apenas a polícia pela repressão. Apareceu a “força oculta”, mercenários travestidos de militância partidária que se sentiam protegidos pela impunidade ideológica sustentada por inocentes úteis, intelectuais, advogados e juízes
Com relação à população, porém, a comoção é geral. Uma indignação ampla e irrestrita, sem ilusões sobre o vandalismo. A voz rouca das ruas exige uma punição exemplar para os bandidos anti-povo.
Para dar satisfação ao clamor social contra a barbárie, dois bodes expiatórios apareceram. Um falso tatuador, Fábio Raposo, com duas passagens pela polícia, farsante e industriado pela organização; o outro, um vago retrato falado de indivíduo descrito por ele, diferente do que foi filmado pelas costas.
Na verdade, não são apenas os dois; nem o fantasioso sujeito amedrontado que se apresentou, nem o parceiro virtual. A culpa é de uma falange fascista, sustentada financeiramente por alguém. É isto que se precisa investigar e punir. O retorno dos Vândalos e quem os instiga e sustenta.
PT-governo _ Um Estado Policial
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
Vê-se diariamente em todos os quadrantes do Brasil, violência e corrupção ou, corrupção e violência, porque a ordem das palavras não altera o conteúdo de um processo mental que se concentra nas idéias.
E há uma subversão social. Pessoas honestas, trabalhadoras e decentes, moram atrás de grades e a bandidagem está solta nas ruas, agredindo, assaltando, seqüestrando, estuprando e matando, enquanto os governos dos três níveis, municipais, estaduais e federal distanciam-se dessa realidade.
A vida seguiria assim se os cidadãos e cidadãs que se obrigavam ao conformismo despertassem com uma bomba: as denúncias feitas no livro que Tuma Jr. escreveu em parceria com o Claudio Tognolli, “Assassinato de Reputações — Um Crime de Estado”.
Cinqüenta mil, ou talvez sessenta mil pessoas tiveram acesso ao livro; mas agora com o autor Tuma Jr. entrevistado no Programa Roda Viva, da TV-Cultura, o acesso ao seu contexto chegou a dois milhões de telespectadores.
Assim, estão escancaradas as corajosas revelações do ex-secretário nacional de Justiça sobre os bastidores do poder, abrindo a polêmica sobre o Estado Democrático de Direito frente à afirmação de que o PT-governo é um Estado Policial.
Espera-se que com isso, seja de bom senso que o Congresso Nacional deixe de recusar a presença de Tuma Jr. para depor sobre as ações criminosas dos ocupantes do poder federal. O que assistimos no programa Roda Viva exige uma investigação.
De acordo com o jornalista Augusto Nunes, que coordenou a entrevista na TV-Cultura, há provas. “Eu vi provas contundentes”, disse à imprensa, somando-se testemunhalmente a Tuma Jr., que afirma deter “um arsenal de provas que serão apresentadas se for levado aos tribunais”.
Os entrevistadores, jornalistas militantes em vários órgãos de imprensa, não são estreitamente ligados, ou de conhecido sectarismo partidário. Foram Cristine Prestes (repórter freelancer especializada em assuntos jurídicos), Eugênio Bucci (colunista do Estadão e da revista Época), Fernando Gallo (repórter do Estadão), Mario Cesar Carvalho (repórter especial da Folha) e Ricardo Sete (colunista da revista VEJA).
No centro desse grupo, Tuma Jr. foi explícito, sem rodeios, respondendo sobre capítulos do livro, e quando provocado, apresentou fatos inéditos, que tirava de uma pasta, sobre a qual não houve curiosidade dos entrevistadores.
Tuma respondeu sua posição sobre as atividades da Polícia Federal e dos órgãos de inteligência, censurando o “amaciamento” deles e a falta de uma direção firme para orientá-los e assumir a independência republicana nas suas atividades.
Relatou a gravidade do assassinato de Celso Daniel, desvelando as torturas que sofreu antes da morte, e o abafamento das investigações; e assim evidenciou o aparelhamento do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, instigados a produzir dossiês contra os adversários do PT-governo.
Surpreendeu mostrando as polpudas contribuições de Daniel Dantas ao PT, após o arquivamento da Operação Satiagraha e da sua demissão da Secretaria Nacional de Justiça. Arrancando risos dos ouvintes, Tuma Jr. disse que cometeu um “sincericídio” com o seu livro, sabedor dos riscos que corre e obrigando-se a assumir as denúncias feitas.
Entre as evidências, atesta que a relação JBS Friboi com os governos do PT é a maior “lavanderia da história da América Latina”; e recordou a descoberta da conta do Mensalão nas Ilhas Cayman, que o governo e a PF não quiseram investigar; e também que foi instigado a esquentar um dossiê contra o governador de Goiás, Marconi Perillo.
Para mim, a mais quente das afirmações de Tuma Jr. foi apontar Lula como informante do Dops durante a ditadura militar. Disse que “Lula era informante do meu pai (delegado e depois senador, Romeu Tuma) no Dops; seus relatos motivaram várias operações e fundamentaram vários relatórios de inteligência para evitar confusões maiores com os movimentos da época”
E reafirma: “Lula combinava tudo com ‘Tumão’: quando fazia as manifestações dos metalúrgicos era tudo tranqüilo”. Solicitado a apresentar provas, afirmou que é uma testemunha viva e que há outras, sem excluir a possibilidade que algum relatório do Dops registre informações atribuídas a certo informante de codinome “Barba”.
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