Artigo

HINOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Liberdade! Abre as asas sobre nós…” (Hino da Proclamação da República)

Com letra de Medeiros e Albuquerque e música de Leopoldo Américo Miguez, o Diário Oficial publicou 37 dias depois do fim da monarquia, a 21 de janeiro de 1890, o Hino à Proclamação da República.

Pretendeu-se na época, segundo registros históricos, que se tornasse o Hino Nacional, mas esse só foi criado com letra de Joaquim Osório Duque Estrada e música de Francisco Manuel da Silva, tornando-se oficial sob a presidência de Epitácio Pessoa.

Conforme o que estabelece o art. 13, § 1.º, da Constituição do Brasil, o Hino Nacional Brasileiro era cultuado nos meus tempos ginasianos, juntamente ao Hino da Independência e o Hino à Proclamação da República.

Antes do início das aulas, os estudantes formavam alas de acordo com as classes e cantavam estes três hinos e mais um dedicado a Getúlio Vargas… vivíamos uma ditadura, mas Vargas era muito popular, principalmente após a declaração de guerra aos países do Eixo.

No correr das nossas vidas, a minha geração vibrava muito com a Marselhesa, sob a influência da revolução francesa de 1793 e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, sob o dístico Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Nos tempos do vinil colecionei quase todos os hinos brasileiros e muitos estrangeiros; por causa dessa mania, ganhei muitos de presentes, sendo dois deles realmente encantadores, o Hino da República e a espetacular performance da Banda do Batalhão Naval executando o “Cisne Branco” – Hino da Marinha.

O da República, fortemente marcial, fortalecia meu entusiasmo patriótico e a defesa da liberdade como um princípio que carrego comigo até hoje; e a beleza melódica junto à letra poética d’ “O Cisne” enaltecendo o encanto do mar, emociona.

No 2º Batalhão de Obuses de Costa, sediado no Forte do Leme (Rio), aonde servi o Exército, cantávamos um hino que ao recordar, acho graça: “Rio, cidade tranquila/ que repousa à beira do mar/ Cabe à nossa Artilharia/ A sua vida feliz resguardar…”

Quando me interessei pela música erudita, participando dos ’Concertos da Juventude” do maestro Eleazar de Carvalho, encantei-me de tal modo que até hoje não durmo sem ouvir os clássicos.

Ali fui apresentado à “Polonesa Heroica”, obra prima de Frederico Chopin; ele compôs muitas “polonesas” inspiradas nas danças populares da Polônia e escritas para piano solo. Uma delas foi a primeira composição do grande compositor e pianista.

A Heroica, porém, em La bemol maior, Op. 53, conhecida mundialmente pelo seu nome francês, “Polonaise”, tem uma forte temática patriótica, que me seduziu. Vejo-a como um hino exaltando a Polônia contra a invasão napoleônica; e, na 2ª Grande Guerra, usada pela resistência popular contra a ocupação nazista.

Uma prima minha, a pianista Edda Fiore, premiada em Varsóvia no Concurso Chopin – já falecida, tocava maravilhosamente a Polonaise, e eu quando visitava a casa dos meus tios não me cansava de pedir-lhe para tocar, e de ouvi-la.

Sobre Chopin corre uma anedota histórica. Ele foi protegido pela aclamada escritora e memorialista francesa, George Sand, baronesa de Dudevant, cuja desenvoltura agitava a sociedade de sua época, pois se vestia com roupas masculinas, para ela mais cômodas do que o vestuário feminino.

Pois bem. Recém-chegado a Paris, Chopin sofreu a aversão de um conhecido crítico musical, Kalkbrunner, e George Sand atuou na defesa dele usando uma artimanha: Convidou o Crítico para um concerto de Liszt (por quem ele mantinha grande admiração) na casa da duquesa de Orléans.  O sarau foi a meia luz, quase obscuridade e quem tocou foi Chopin recebendo aplausos entusiásticos de Kalkbrunner.

Ardis engenhosos como este merecem consideração e são válidos até para os mais exigentes do legalismo. Hoje, porém, as fraudes não são assim, mas cometidas nas redes sociais contra pessoas, entidades e poderes republicanos. São as fakes news criminosas.

E ainda por cima vemos o embuste indigno, e não menos delinquente, dos cúmplices dessa execrável prática, comparando os fake news com a liberdade de expressão do pensamento!

ESCREVER

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Eu acho que o escritor verdadeiro é aquele que escreve sobre o que ele viveu.”  (Jorge Amado)

Fico às vezes encabulado com os elogios que fazem aos textos que escrevo, mas, sem falsa modéstia, uso apenas a técnica adquirida desde a juventude com o exercício diário de jogar no papel coisas que me vêm à cabeça, pensamentos, leituras, descrições ambientais e perfis de pessoas a quem observo por onde ando.

Aprendi também com o festejado escritor Eduardo Galeano que disse “procurar uma linguagem sem solenidade que permita pensar, sentir e se divertir, nada habitual nos discursos de esquerda”.

Há diversas entidades e livros que se propõem ensinar como escrever; lembro o “EducaBrasil” trazendo “Sete dicas para começar a escrever melhor” e o “Guia da Escrita”, livro do canadense Steven Pinker, psicólogo-linguista-cientista da Universidade de Harvard, divulgado pela revista “Superinteressante”.

O anedotário jornalístico inglês conta que foi por causa de um resfriado que o mundo ganhou a espetacular autora de contos policiais Agatha Christie. Ainda adolescente e confinada no seu quarto, sua mãe aconselhou-a a escrever um diário; mas em vez de fazer confissões pessoais como as outras meninas, escreveu uma história curta, a “short stories” da literatura inglesa, que conquistou o público norte-americano.

Ao se curar da enfermidade, Agatha ganhou dos pais um passeio ao Egito, e no Cairo escreveu um conto que enviou a um editor. Do projeto saiu um livro que a projetou como escritora consagrada e traduzida em vários idiomas.

É assim; começando é que se começa…. Nada mais do que muito exercício para adquirir a técnica. Não há dica melhor.

À guisa de memória, relembro as alegrias da infância reconhecendo a felicidade de ter nascido de um casal sedento por cultura, com o pai colecionador de obras eruditas e a mãe incentivadora da leitura e da escrita. Fundamos em casa um jornalzinho “A Folha da Glória”, onde todos da família escreviam, os velhos, eu e minha irmã Lúcia.

Nunca fomos escravos da gramática, mas discutíamos sobre o uso da vírgula, do ponto e vírgula, os dois pontos, e a crase… do nosso modo de ver, o estilo – recurso de linguagem para se expressar – é livre. Fazíamos o que Manuel Bandeira confessou: – “Nunca fui um antiacadêmico. O problema é que eu gostava de tomar minhas licenças com a língua…”

“Escrever” é um verbo; como transitivo direto define como representar o pensamento por meio da escrita. Como transitivo direto, transitivo indireto e intransitivo significa expressar-se por meio de escrita e/ou usar caracteres numa mensagem.

Tive um professor que criticava o uso dos superlativos, que adoro; e outro chamou atenção sobre os sinônimos, dizendo que no dicionário não há dois vocábulos iguais, só equivalentes…

Já na faculdade, aprendi com um mestre uma coisa engraçada, mas verdadeira: ele dizia que o uso de frases latinas enriquece um texto porque o latim dá a qualquer ideia, por mais vulgar que seja, um certificado de seriedade…

Encontramos copiosamente a exibição do latim nas sentenças judiciais e nos discursos políticos dos picaretas letrados do Congresso, trata-se de uma terminologia corporativa, tipo “economês”, complicando o entendimento da realidade.

Falar em Economia e do economês, temos constatado um combate acirrado à agenda liberal do ministro Paulo Guedes que, aliás, está sendo fritado visivelmente pelos bolsolavistas; e também a tese dicotômica “vidas humanas vs retomada da Economia”. Considero trágico enxergar a pandemia do coronavírus deste ângulo; e lembrei a história do usurário e o rabino:  “Um financista se viu isolado socialmente, até pelos parentes, e foi à procura do rabino atrás de um conselho para se reaproximar das pessoas. O sacerdote pegou-o pelo braço e levou-o à janela; – “Olhe por esta vidraça e diga o que vês”.

– “Vejo muita gente”, respondeu o ricaço. O rabino então apresentou-lhe um espelho e voltou a indagar: – “… E o que vês agora? ”; a resposta não se fez esperar: – “vejo somente eu”.

“O religioso esclareceu então, como conselho, que tanto a vidraça como o espelho são vidros, mas o vidro do espelho se reveste de uma camada de prata. Por causa do metal precioso deixa-se de ver os outros para só enxergar a si mesmo…”

APARELHAMENTO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br

Pessoas que são boas em arranjar desculpas raramente são boas em qualquer outra coisa”       (Benjamin Franklin)

Bons tempos aqueles em que a grande maioria dos tuiteiros era contra o aparelhamento ignóbil do aparelho de Estado e de cargos no governo na Era Lulopetista!

Hoje não se fala mais nisto. Pelo contrário; tenho até encontrado no Twitter pessoas justificando que os cargos no governo federal devem ser negociados com o Centrão com o mesmo discurso da velha política; para garantir a “governabilidade”.

Esta tal governabilidade apareceu no Brasil na esteira intelectueira do governo FHC, aproveitando-se dos termos ingleses governance ou good governance, para indicar governança e governabilidade.

Adequar as palavras governança e governabilidade no Brasil trouxe infinitas discussões como aquelas que levaram Bizâncio à ruína, no alvoroço das divergências e debates sobre o sexo dos anjos, envolvendo a sociedade de cima para baixo, dos doutores da Lei ao baixo clero…

Segundo alguns, a governabilidade é o atributo daquilo que é governado, ou seja, a sociedade; e vulgarizou-se para justificar alianças dos governantes com o lado podre da política como necessidade de apoio para governar; diz-se de governança como manutenção da estabilidade política, social e financeira pelo governo.

Assim, no meu entender, não se explica bem o uso de aparelhamentos para garantir a governabilidade, a não ser que falte capacidade do Executivo para exercer a governança.

Por outro lado, com boas ou más intenções, o aparelhamento do Estado e do Governo sempre levanta desconfiança e suspeitas por parte da cidadania. Era ameaçador antes, com a intimidação invisível e silenciosa do lulopetismo para garantir o poder nas mãos dos defensores da “pátria grande bolivariana”.

Assim se fez nos governos lulopetistas, de Lula e do seu poste, Dilma Rousseff. Durante o seu exercício na administração pública, o PT e os seus puxadinhos de diversas siglas esquerdistas aparelharam o ensino público, os órgãos culturais, as empresas estatais, o Ibama e a Funai, criando grupos de pressão ideológicos.

Dicionarizado, o verbete “Aparelhamento” é um substantivo masculino originário do verbo transitivo “aparelhar”, preparar, dispor, arrear (o cavalo); e ou, como verbo pronominal, significando preparar-se, dispor-se, aprontar-se. A palavra se formou de aparelha + mento, ato de aparelhar.

Muito usado na terminologia da 3ª Internacional Comunista como ocupação de postos estratégicos no partido ou nas organizações do Estado, o aparelhamento consiste em colocá-los a serviço dos interesses da hierarquia ideológica.

Tivemos no Brasil como de resto na América Latina o aparelhamento dos governos em órgãos que contratam grandes obras públicas em benefício de empresas do setor. É inesquecível a varredura da Lava Jato entre nós.

Escreveu alguém que “a História se repete como caricatura”; e é assim que temos hoje a estranha e numerosa ocupação de militares da reserva na burocracia ministerial e nas empresas estatais. No Planalto, vários generais reservistas formam uma espécie de guarda pretoriana que, infelizmente, não consegue impedir a volta de suspeitos ao conselho de Itaipu, nem que o Centrão e seus 300 picaretas ocupem importantes setores no governo.

Há, entretanto, uma forma de barrar o aparelhamento que vem de priscas eras. Temos sobre isto um episódio na História da França com o político e diplomata Talleyrand, Charles-Maurice de Talleyrand, chanceler do Governo da Restauração.

Conta-se que ele recebeu a visita de um jovem que solicitava um emprego. – “Quem o recomenda? Perguntou o Ministro. O rapaz, tímido diante a autoridade respondeu: – “Ninguém…”

“ –Como? Exclamou Talleyrand perplexo; – “é isto que venho procurando; você assumirá o seu emprego amanhã de manhã…”

O Chanceler se mostrou capaz de formar a consciência dos futuros mandatários. Inutilmente…

 

AMEAÇAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, mas sim por aquelas que permitem a maldade” (Albert Eisntein)

A chegada das novas arroubas no Twitter, mal-educadas e agressivas, convulsiona a livre circulação de ideias e o debate sadio. Não me permito aceitar delas esta ação odienta, acionada sem dúvida alguma, por controle remoto.

A idiotia desses caçadores de mitos é tão desprezível que me obrigou a abandonar o antigo costume de não deletar opiniões e muito menos bloquear quem quer que seja por emiti-las. Faço-o agora porque considero inaceitáveis as mentiras xerocadas que saem dos porões do Planalto

Como um dos pioneiros do Twitter no Brasil evoco o testemunho dos que conhecem a minha atuação na rede social; sempre guardando respeito pela opinião alheia mesmo discordando dela; sem ofensas nem palavrões para expressar minha discordância por alguém ou por algo vindo do campo político.

Entretanto, logo que a enxurrada de novas arroubas surgiu, chamadas de robôs por uns e de gado por outros, tentei mostrar-lhes que era errada a falta de respeito por outrem; procurei até instruí-las como polemizar sem ofender.

Também evitei reclamar no início, mantendo, como princípio, o ensinamento de Confúcio, de que ser ofendido não tem importância, a não ser se mantivermos isto como raiva ou planejamento de vingança.

De nada adiantou, porque são hordas que chegam como marolas na beira mar, disseram-me que são os mesmos com diversos perfis, como os terroristas mantém inúmeros codinomes.

E o pior de tudo não é apenas o tratamento desairoso, as injúrias e os xingamentos, mas a ação de criar confusão e desentendimentos entre os antigos participantes da rede social.

Com a insistência aprendida com herr Goebbels de repetir a mentira mil vezes que pareça uma verdade, conseguem arrastar os desavisados para o redemoinho do extremismo, com o mesmo método dos lulopetistas fanatizados pelo chefe corrupto e corruptor.

Lembrando esses antecedentes, registro como os narcopopulistas, cúmplices da corrupção, atacam Sérgio Moro, cuja formação intelectual, coragem e patriotismo levaram à prisão o ex-presidente Lula, receptor de propinas para si, seus filhos e hierarcas do PT.

Agora os extremistas da direita e da esquerda estão juntos e misturados, investindo contra Moro. Uns movidos pelo ódio a quem desmoralizou Lula, e outros porque ele não compactuou com os esquemas de familiocracia, resistindo ao controle da Polícia Federal, órgão de Estado e não de Governo.

Para este pessoal armado dolosamente de mentiras e perfídias, nos ataques que mantêm aos que lutam contra a corrupção e os corruptos em geral, sem bandidos de estimação, dirige a sua mira contra Moro e ao que chamam de “lavajatismo”, isto é, contra os defensores da Lava Jato, conduzida por procuradores, policiais e juízes patriotas.

Me incluo entre os que não ensarilharam as armas das antigas batalhas para evitar que no Brasil se tornasse uma terra de ninguém.  Pouco me importa os cães que ladram enquanto a caravana passa.

Acho até graça dos que investem contra mim. Como não podem usar o carimbo de “traidor”, porque nunca estive entre os beneficiados do sindicalismo militar de Bolsonaro, a quem não conhecia, e muito menos aos seus filhos complicados. Votei nele contra o lulopetismo corrupto, como votaria em Tiririca se hipoteticamente disputasse o 2º turno com um poste de Lula.

Riu dos que me chamam de “velho”. Sou sim, e daí? Com a minha idade não me troco pelos jovens analfabetos funcionais e muito menos pelo fanatismo cego daqueles de meia idade…

Se me propuserem protagonizar uma cena política com estes cretinos, farei como a imortal cantora e atriz Mistinguett, símbolo da canção e da sensualidade no século passado. Casada com um brasileiro, visitou o Brasil várias vezes.

Às vésperas de completar 80 anos, Mistinguett foi procurada por um diretor de teatro propondo-lhe participar de uma peça com o enredo em que uma experiente atriz dava conselhos a uma estrela que nascia.

A grande artista francesa, mostrando entusiasmo, achou que a ideia era excelente e perguntou: – ‘Quem vai fazer o papel da velha? ”.

 

 

COSTUMES

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A gente tem o costume de querer tirar da cabeça aquilo que está no coração” (Sthendal)

Meu inesquecível professor de Teoria Geral do Direito, Pedro Calmon, ensinava que o “Costume” é o “Direito de Fraldas”, metáfora que imprime uma verdade, pois todo arcabouço jurídico nasceu das regras sociais obrigatórias e aceitas por muito tempo de duração.

Calmon foi reitor da antiga Universidade do Brasil e atraía muita gente para assistir as suas aulas na Faculdade Nacional de Direito. Era brilhante ao discorrer com elegância e voz empostada os temas do curso que ministrava.

O “Direito de Fraldas” –  o Costume -, é dicionarizado como substantivo masculino, com origem no latim vulgar co(n)stumĭne, de co(n)suetūmen,mĭnis, significando hábito, uso. Tem como sinônimos hábito, norma, prática, praxe, regra e rotina.

As tradições são costumes que enriquecem a cultura dos povos, refletida nas artes, na filosofia, na literatura e mesmo no cotidiano das pessoas como parte da vida social.

Quando eu era menino, adotava-se a designação “costume” para o vestuário feminino composto de saia justa e casaco de cores sóbrias, uma espécie de terno adequado para a mulher no mercado de trabalho.

O costume é também muito usual na política. Não esqueço uma historieta que ouvi sobre o modo costumeiro de governar numa das chamadas repúblicas bananeiras. Conta que “Em certo país, o presidente eleito com as promessas de governar respeitando os princípios republicanos, abriu um concurso de provas e títulos para o chefe de polícia da capital.

“Dos inúmeros candidatos restaram três; todos apresentando notáveis especialidades, mestrados, doutorados e pós-graduações, chegando às provas objetivas. Empataram novamente, e foram para as provas discursivas.

“A junta de examinadores fez uma pergunta comum aos três para saber porque queriam chefiar a polícia e as respostas foram iguais: – “Para combater a corrupção e o crime organizado”; depois, questionados um a um para declarações espontâneas, o primeiro disse que a investigação isenta dos casos era fundamental.

“O segundo mostrou preocupação com a ingerência política; e o terceiro disse estar de acordo com ambos, afirmando que teria o mesmo comportamento e refletindo sobre o cargo que ocuparia iria propor o aproveitamento dos dois colegas como auxiliares diretos.

“Ao encerrar, os presentes se surpreenderam com a imprevista aparição do Chefe do Executivo, que escutava o decorrer do concurso sem ser visto; achegando-se, fez uma intervenção: – “Este terceiro candidato é virtuosíssimo, cuidadoso e conciliador”; e retirou-se.

“No dia seguinte foi publicada no Diário Oficial a nomeação de um nome que não participara da seleção de mérito. Os jornais da oposição denunciaram clamorosamente que se tratava de um amigo íntimo dos filhos do Presidente. ”

Viu-se naquele País um costume característico dele, a decisão de um governo onde o afilhadismo obedece apenas às decisões que visam fortalecer alianças políticas ou atender ao nepotismo…

Mais fácil do que farinha na feira e nos discursos dos magistrados, políticos e professores, temos sempre a figura de Charles-Louis de Secondat – o popular Montesquieu, autor do respeitado livro “Espírito das Leis” -; na sua obra, encontramos: “todo povo defende sempre mais seus costumes do que suas leis”.

Houve uma discordância dos tempos em que o Brasil era feliz, que gravamos e foi dita pelo então presidente Juscelino Kubistchek: – “Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro”.

 

 

A CULPA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro” (Raul Seixas)

Eu ainda trabalhava como profissional de imprensa em 1999 e não esqueço que às vésperas da passagem de ano acompanhava-se o pavor que ocorria em vários países, com pessoas e seitas esperando o fim do mundo…. Estávamos na véspera do ano 2000 e falava-se de uma revelação profética de que o apocalipse ocorreria num ano de três zeros.

Isto não consta em nenhum livro sagrado das grandes religiões monoteístas e nunca se soube quem profetizou isto; mas não foi uma novidade, porque o mesmo aconteceu na chegada do ano de 1000.

A História registra o corre-corre na virada para o século 10…. Como naquele tempo havia mais medo do inferno do que hoje, os pecadores ficaram apavorados, enchendo as igrejas e os confessionários, buscando o perdão pelos pecados.

E inda a pouco tempo, em 2012, se repetiu a mesma coisa graças às crenças escatológicas do Calendário Maia, de que o fim do mundo aconteceria em 21 de dezembro, o último dia de um ciclo de 5.125 anos da volta do alinhamento de planetas do sistema solar.

Assistiu-se então  um corre-corre medonho em pleno século 21 nos Estados Unidos e na Europa, regiões onde há maior número de crendices e de pessoas fascinadas pelo mistério e prisioneiras do medo. Novamente refez-se o pavor para espiar as culpas no Dia do Juízo Final…

O criminoso, o desumano, o injusto e o pecador têm a culpa gravada na cabeça, como uma tatuagem indelével na memória. Também se prende ao inconsciente dos convictos a espera messiânica do judaísmo, uma crença que atravessou o Atlântico com os portugueses trazendo para o Brasil o aguardo de dom Sebastião…

Temos igualmente armazenada no subconsciente dos cristãos a expectativa do Apocalipse, a guerra final do bem contra o mal, entre Deus e o diabo, uma doutrina fatalista nascida na Idade Média pelo papado imperialista.

E o pior é que para imprimir o pânico pela expiação da culpa nos nossos dias, vem o capitalismo selvagem travestido de propaganda editorial vender livros das profecias de Nostradamus, enchendo a mente de ideias que fazem das cabeças vazias oficinas do diabo…

A introversão da culpa é a ameaça do castigo para aqueles estimulados pela avaliação dos seus atos antissociais; seja para os religiosos que transgredem os cânones e caem o pecado, ou para os pervertidos assumidos pelo arrependimento, remorso e vergonha.

O verbete “Culpa” é um substantivo feminino, originário do latim culpa,ae que significa defeito, erro, falta; o seu conceito está no Código Penal no artigo 18, inciso II, onde se diferencia na conduta ilícita o crime doloso e o crime culposo. A culpa não é somente do pecado, mas uma transgressão à Lei.

Para que uma conduta seja considerada crime, segundo a Teoria Geral do Delito, deve ser típica, antijurídica e culpável; é preciso que se enquadre em dolo ou culpa, os elementos subjetivos que erguem a estrutura do crime. É condenável, portanto, ouvir e ver um presidente da República afirmar que a pandemia do coronavírus, com milhares de mortos, é uma “gripezinha”, e um resfriadinho”…

Crime ou psicopatia culposa dominam a mente deste Presidente, dos seus filhos e dos que lhe cercam cultuando a sua personalidade. Mostram-se incapazes de administrar o País nestes tempos de pandemia e transferem sua culpa para outrem, tendo como mentor Hommer Simpson que diz – “A culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser”.

Os que votaram em Jair Bolsonaro, seja pelo ativismo dele como sindicalista militar, ou por acreditar no seu repúdio à corrupção lulopetista, deverão assumir que somos todos culpados por leva-lo à Presidência para desdenhar da morte dos seus compatriotas.

Da minha parte, contrario Raulzito:  admito o “mea culpa” do Confiteor, reconhecendo o meu erro. “Mea culpa, mea máxima culpa”.

 

 

E DAÍ?

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: – E daí? Eu adoro voar”
(Clarice Lispector)

A estúpida confusão entre os direitos e os deveres praticada nos círculos do poder é culpa dos executivos, parlamentares e magistrados; e fica refletida nas aglomerações em portas de hospitais, nas dolorosas filas aguardando a liberação de um leito nas UTIs e na macabra acumulação de cadáveres nos necrotérios.

A insensibilidade e insensatez do presidente Jair Bolsonaro ao ser preguntado por um repórter que cobre o Planalto sobre as mortes do coronavírus que ele comparou com uma “gripezinha”, resmungou: – “E Daí? ”

Esta locução que mostra falta de bom senso dos que rejeitam, por ignorância, maldade, ou uso político da insegurança, o enfrentamento da pandemia que se alastra com um assustador balanço de infectados e de óbitos.

Ao ouvir isto de um Presidente da República dá vontade de mergulhar no radicalismo, considerando a uniformidade cerebral dos políticos brasileiros – com raras e honrosas exceções -, colocando o carreirismo e a obtenção de vantagens acima do interesse nacional.

Este “E Daí? ” do Presidente seria abominável e até nefando, se não tivéssemos o belíssimo samba de Miguel Gustavo (“E daí? –  Proibição Inútil e Ilegal), poesia musical magistralmente interpretada por ídolos da música popular brasileira como Aracy de Almeida, Elizeth Cardoso, Isaura Garcia e Walter Wanderley, Maysa e Miúcha…

O verbete “Daí” dicionarizado, é uma contração da preposição ‘De’ com o advérbio ‘Aí’, indicando início, pergunta por lugar ou tempo, e para determinar o descarte de uma situação próxima de quem fala.

Lembro de uma anedota antiga contando que um parente próximo do dono de uma agência funerária e fabricante de féretros, se encontrando com ele, perguntou-lhe: – “Como vão os negócios? ”. Com um ar de desolação o papa defunto respondeu: – “Nem me fale! Com a invenção da maldita penicilina…”

Tem gente que pensa assim… O exemplo está na multiplicação de novos interlocutores no Twitter que vem demonstrando duas coisas: Uma, a maioria repete os mesmos argumentos, levando-me ao que observou um psicanalista (não me lembro se Freud, Jung ou Reich) dizendo que quando um grupo se repete falando as mesmas coisas, só uma cabeça está pensando…

E dois: a segunda observação com as arrobas recém-chegadas, é o preconceito e a agressividade. Entre elas há os que não aceitam a divulgação de notícias porque discordam do seu conteúdo; e outros que são excessivamente odiosos, provocando, hostilizando e ofendendo quem critica os seus políticos de estimação.

Lembro dos começos do Twitter, que se iniciou com a exigência dos 140 toques disciplinando as mensagens. É daquele tempo que guardo orgulhosamente muitos seguidores e os sigo. Havia polêmicas entre nós, algumas até acirradas, mas nelas o respeito pela opinião alheia.

É claro que são tempos que não voltam mais. Como o de George Sand, que no século 19 escandalizou a sociedade francesa vestindo calças compridas; e das primeiras mulheres que usaram maiô de duas peças na década de 1930… E mais tarde, com o atômico biquíni…

As cabeças pensantes do mundo estão matutando para projetar o que ocorrerá no pós-pandemia do coronavírus. Otimista, acho que vai vigorar mais humanismo, prevalecendo na escala do pensamento a dúvida e a oposição aos egocêntricos que detêm o poder pelo mundo afora.

Aprende-se muito na travessia da crise, isto constrói silenciosamente um acurado espírito público, o civilismo e a ética. Não se admite mais governos autoritários de pessoas que desrespeitam a Democracia.

Tenho também a certeza de que no futuro não se aceitará mais os favoritismos, privilégios e o uso do poder para fins pessoais, grupistas e familiares…

O OVO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A mente, a liberdade, a luz e a vida/ Neste horror sufocados” (Bocage)

Uma anedota portuguesa referindo-se ao Ovo que ouvi na adolescência, ficou guardada na minha cabeça até hoje. Prende-se à incrível memória de Bocage, Manuel Maria Barbosa du Bocage, um dos poetas mais respeitados da língua portuguesa.

Conta-se que Bocage um dia encontrou-se com um amigo que lhe perguntou qual era o melhor alimento do mundo. Repentista, ele foi ágil em responder:  – “Um ovo”. Passou-se mais de um ano e eis que novamente Bocage e o mesmo amigo se deparam; aquele, antes mesmo de saudar o Poeta, indagou: -“Com quê? ”. Sem titubear, Bocage revidou: – “Com sal”…

O ovo é um alimento saudável pela facilidade em prepara-lo; representa um dos meus desjejuns prediletos, sejam fritos, cozidos e a la coque. Com um pão na chapa, é supimpa!

Entretanto, o ovo como alimento, tem sofrido avaliações diversas de nutricionistas e médicos, às vezes quase antagônicas. Esses diagnósticos levaram tempos atrás a uma quase proibição da gema pela alta concentração de colesterol; depois, anunciaram que não era nada disto, que era o colesterol “bom”, e liberaram garantindo que o ovo oferece equilíbrio em proteínas, gorduras boas e vitaminas concentradas.

O verbete dicionarizado “Ovo” é um substantivo masculino com significados na Biologia e na Zoologia, como célula resultante da fecundação e o embrião posto por muitos animais. Figuradamente é a primeira parte de alguma coisa, o princípio.

A Mitologia grega conta que Helena de Tróia nasceu de um ovo, após a relação de Zeus com a mortal Leda, que se metamorfoseava em gansa. Helena foi considerada a mulher mais linda da Grécia e teve protagonismo na Guerra de Tróia contada na Ilíada de Homero.

Um roteiro baseado na Ilíada, deu-nos um maravilhoso filme ítalo-norte-americano, “Helena de Tróia”, dirigido por Robert Wise e protagonizado pela linda Rossana Podestà.

O Ovo é usado metaforicamente como esperteza, exemplificando-se com a narrativa do “Ovo de Colombo”, algo que não se sabe fazer e depois se acha fácil ao vê-la realizada por outrem. E tem também a previsão maléfica do “Ovo da Serpente”, uma bela metáfora que Shakespeare pôs na boca de Brutus na sua tragédia “Júlio César”.

Aderindo à conspiração contra Júlio César Brutus compara-o a “um ovo de serpente, que eclodindo como sua espécie, cresceria maldosamente, razão pela qual deve ser morto na casca”.

Esta expressão tornou-se popular no mundo inteiro tempos depois, por ter sido o título de um clássico do cinema, “O Ovo da Serpente”, produzido por Dino De Laurentis e dirigido por Ingmar Bergman. O roteiro inspirou-se em Shakespeare, adaptado à realidade berlinense às vésperas da ascensão do nazismo.

As distorções sócio-políticas mostradas no filme saíram do mesmo maquinismo que levou ao mundo, em pleno século 20, os mais lamentáveis períodos de domínio de políticos messiânicos, como ocorreu com o nazismo e o comunismo.

O ninho dos ovos da serpente favorece chocar com eles a instabilidade sócio-política-moral, que gera e traz com ela todas as inseguranças sócio-políticas e a consequente depressão econômica.

No Brasil já enfrentamos as serpentes vermelhas do lulopetismo que se alimentavam do dinheiro público, assaltando vorazmente a Petrobras. Usamos o antídoto da Democracia e as afastamos quando tentavam retornar depois do impeachment do Poste de Lula, patroa do “Belias”…

Mas não tomamos uma vacina – porque, como no caso do covid-19, ainda não há vacina contra a falsidade ideológica -, então precisamos nos conscientizar e matar na casca os ovos da serpente marrom que ameaçam uma volta ao passado com a velha política do Centrão e dos picaretas do Congresso.

Pena que ainda há um grupo – pequeno, mas atuante -, que persiste em aceitar e até justificar isto. Um amigo diz que são robôs, no Twitter se referem a eles como gado, mas eu prefiro vê-los como cultuadores equivocados de personalidades.

A alucinação psicopática desta minoria leva-nos a evocar nosso epigrafado, Bocage, e um pensamento magnífico que nos legou: “Nas paixões, a razão nos desampara”.

 

 

 

 

TRAIÇÃO.COM

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O traidor perde a confiança de quem e por quem trai”
(Ditado Árabe)

A traição à Natureza sofre punições. A desertificação, o extermínio de animais e plantas, os terremotos, os tsunamis e a peste que estamos sofrendo, tudo vem como punição.

O verbete Traição é um substantivo feminino definido como “ação de trair”. Vem do latim “traditio.onis” e também “tradere”, que tinha o significado militar de “entregar nas mãos de alguém”.

A palavra no grego, “paradídomi”, “entregar”, segundo Estudos Bíblicos, é usada por muitas vezes no Novo Testamento; cerca de cento e vinte vezes, desde Mat. 4:2 até Judas 3. Em termos jurídicos trata-se de crime que se configura pela ameaça à segurança da Pátria ou das suas instituições.

No nosso dia a dia, estamos vivendo a situação criada com a saída de Sérgio Moro do governo, e as graves denúncias dele sobre a intenção de Bolsonaro de intervir na Polícia Federal. Então assistimos os descerebrados pelo vírus do fanatismo, chamarem Moro de “comunista”; e outros, não menos cretinos, o classificarem de “petista”….

Ainda falta, até agora, que os cultuadores da personalidade de Bolsonaro, acusem Moro de traição, apesar de “traidor” ser uma marca registrada deles, para todos os que discordam do divinizado político e da familiocracia instalada no Palácio do Planalto.

A traição, na verdade, se limita majoritariamente ao exercício da política. Num dos seus memoráveis contos, o nosso Machado de Assis traz um personagem que tinha camisas bicolores em verde e vermelho de frente e avesso, cores dos partidos rivais do Município. Na medida em que apoiava quem estava no poder vestia a camisa da cor dominante…. É o que faz agora o Centrão, travestido de governista.

Há traições menos ingênuas, mas igualmente malignas…  Conta-se, por exemplo, o caso em que o editor de um jornal de país latino-americano traiu e sacrificou um repórter fotográfico por causa de um flagrante colhido por ele.

O fotógrafo captou uma expressão contraída pelo sol do ditador nacional no enterro de um chefe militar. Como o jornal era controlado por oposicionistas, o editor mudou a legenda para dar a entender que o presidente estivesse escarnecendo do defunto.

Por causa da celeuma causada e a revolta nos círculos militares, ocorreu um golpe de Estado e o ditador caiu. A ditadura civil cedeu lugar a uma ditadura militar; e o pobre profissional de imprensa morreu com atestado de óbito registrando suicídio…

Essa história reforça o preceito do grande Gabriel Garcia Marques para servir de lição aos donos de meios de comunicação que traem a vocação de muitos jornalistas levando-os a fazer propaganda política em vez de bem informar:  Escreveu Garcia:  – “A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro”.

Aqui não tem besouro, somente moscas…. Na cena surrealista que desenha a nossa realidade política, assistimos certa mídia visivelmente oposicionista aproveitar-se das graves denúncias do ex-ministro Sérgio Moro ajudando a ressuscitar os zumbis lulopetistas do cemitério maldito da corrupção, pedindo o impeachment de Bolsonaro.

Ocorre que Moro, ícone da luta contra a corrupção e o crime organizado, não tem culpa nisto. Credite-se sim, ao maquinismo criador de crises instalado e acionado no Planalto pelos insanos extremistas de direita, idênticos aos extremistas de esquerda.

Isto constatado, chegamos ao alerta feito pelo general Villas Boas: “Substituir uma ideologia pela outra não contribui para a elaboração de uma base de pensamento que promova soluções concretas para os problemas brasileiros”.

E, falando de traição, vale uma pergunta para quem tem cabeça para pensar: – “Qual o motivo teve Bolsonaro para tirar o chefe da Polícia Federal e pôr no seu lugar um amigo dos seus filhos implicados em investigações criminais?

 

 

 

 

COMPENSAÇÕES

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Não é tarefa fácil dirigir os homens; empurrá-los, em compensação, é muito fácil. ”  
(Rabindranath Tagore)

Os estudiosos da História, a ciência da experiência humana, deslumbram-se em saber que enquanto os europeus estavam mergulhados na escuridão obscurantista da Idade Média, o Islã tornou-se o polo de todas as ciências, principalmente a Astronomia, a Matemática, a Medicina e a Química. Isto, sem acrescentar o domínio das artes, a arquitetura, o desenho e o urbanismo.

… mas em compensação, em livros amarelecidos, encontramos a revoltante ação do califa Omar mandando queimar a Biblioteca de Alexandria, com seus setecentos mil volumes que acumulavam o conhecimento da evolução civilizatória. Usou como argumento de que ou eram contra o Alcorão ou repetiam o que estava no livro do profeta.

Toma-se conhecimento, também, que o czar Pedro – O Grande – um excelente governante reformista modernizou a Rússia, cidades, estradas e serviços públicos, saneando a economia e criando a construção naval. Adotou o novo calendário e realizou, pela primeira vez, um censo multinacional no País, tornando-o poderoso cultural e militarmente.

… mas em compensação, vivia quase sempre embriagado, o que aguçava o seu autoritarismo; e era desprovido de qualquer humanismo. Conta-se que visitando o rei Frederico II da Dinamarca, para mostrar a submissão do seu povo, chamou um cossaco da comitiva e ordenou que se atirasse da alta Torre Redonda de Copenhague. O cossaco saudou-o e se lançou no vácuo.

A passagem de Napoleão Bonaparte capitulada pela História, mostra o filho dileto da Revolução Francesa ocupar quase toda a Europa, levando aos países os princípios democráticos e republicanos igualdade, liberdade, propriedade e tolerância religiosa. A mais valiosa de suas heranças foi o “Código Civil dos Franceses”, outorgado por ele em março de 1804. Este importante documento jurídico passou a ser conhecido, por justiça, de Código Napoleão.

… mas em compensação, Napoleão traiu a República Francesa, convocando, com cartas marcadas, um plebiscito que o reconheceu como imperador; e o Império Francês criado militarmente por ele estabeleceu nos países submissos governantes marcados pelo nepotismo e privilégios.

Lá pelo Grande Oriente, tivemos na China o generalíssimo Chiang Kai-shek, discípulo e seguidor do republicano Sun Yat-sem fundador do partido Kuomintang. Mais tarde substituiu Sun como líder nacionalista, e ocupou a Presidência da República Chinesa, contra os “Senhores da Guerra” e defendendo a cultura tradicional no chamado “movimento nova vida”. Foi marcante a sua atuação na 2ª Guerra lutando contra os japoneses que haviam invadido a China.

… mas em compensação, como político e militar, estendeu os seus anos de poder sem renovação de quadros administrativos; tornou-se ditador e impôs um regime totalitário com violenta repressão, realizando prisões e torturas arbitrárias dos seus opositores.

Ainda não se passaram dois anos da grande mobilização popular no Brasil contra a corrupção instituída nos governos de Lula e do seu poste Dilma Rousseff. Com isto, assistimos uma reviravolta política com a formação de uma ampla frente política de centro-direita que elegeu Jair Messias Bolsonaro para a presidência da República na esperança de termos um governo democrático, honesto, justo e progressista.

… mas em compensação, o eleito agregou à Presidência três complicados filhos com visível atuação nepotista. Iniciou acordos com o Centrão e distribui cargos com os picaretas do Congresso. Muito pior do que isso, atendeu aos extremistas de direita tramando contra a Lava-jato e a derrubada do ministro Sérgio Moro, o que levou o ícone da luta contra a corrupção a se demitir.