Artigo
O OVO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A mente, a liberdade, a luz e a vida/ Neste horror sufocados” (Bocage)
Uma anedota portuguesa referindo-se ao Ovo que ouvi na adolescência, ficou guardada na minha cabeça até hoje. Prende-se à incrível memória de Bocage, Manuel Maria Barbosa du Bocage, um dos poetas mais respeitados da língua portuguesa.
Conta-se que Bocage um dia encontrou-se com um amigo que lhe perguntou qual era o melhor alimento do mundo. Repentista, ele foi ágil em responder: – “Um ovo”. Passou-se mais de um ano e eis que novamente Bocage e o mesmo amigo se deparam; aquele, antes mesmo de saudar o Poeta, indagou: -“Com quê? ”. Sem titubear, Bocage revidou: – “Com sal”…
O ovo é um alimento saudável pela facilidade em prepara-lo; representa um dos meus desjejuns prediletos, sejam fritos, cozidos e a la coque. Com um pão na chapa, é supimpa!
Entretanto, o ovo como alimento, tem sofrido avaliações diversas de nutricionistas e médicos, às vezes quase antagônicas. Esses diagnósticos levaram tempos atrás a uma quase proibição da gema pela alta concentração de colesterol; depois, anunciaram que não era nada disto, que era o colesterol “bom”, e liberaram garantindo que o ovo oferece equilíbrio em proteínas, gorduras boas e vitaminas concentradas.
O verbete dicionarizado “Ovo” é um substantivo masculino com significados na Biologia e na Zoologia, como célula resultante da fecundação e o embrião posto por muitos animais. Figuradamente é a primeira parte de alguma coisa, o princípio.
A Mitologia grega conta que Helena de Tróia nasceu de um ovo, após a relação de Zeus com a mortal Leda, que se metamorfoseava em gansa. Helena foi considerada a mulher mais linda da Grécia e teve protagonismo na Guerra de Tróia contada na Ilíada de Homero.
Um roteiro baseado na Ilíada, deu-nos um maravilhoso filme ítalo-norte-americano, “Helena de Tróia”, dirigido por Robert Wise e protagonizado pela linda Rossana Podestà.
O Ovo é usado metaforicamente como esperteza, exemplificando-se com a narrativa do “Ovo de Colombo”, algo que não se sabe fazer e depois se acha fácil ao vê-la realizada por outrem. E tem também a previsão maléfica do “Ovo da Serpente”, uma bela metáfora que Shakespeare pôs na boca de Brutus na sua tragédia “Júlio César”.
Aderindo à conspiração contra Júlio César Brutus compara-o a “um ovo de serpente, que eclodindo como sua espécie, cresceria maldosamente, razão pela qual deve ser morto na casca”.
Esta expressão tornou-se popular no mundo inteiro tempos depois, por ter sido o título de um clássico do cinema, “O Ovo da Serpente”, produzido por Dino De Laurentis e dirigido por Ingmar Bergman. O roteiro inspirou-se em Shakespeare, adaptado à realidade berlinense às vésperas da ascensão do nazismo.
As distorções sócio-políticas mostradas no filme saíram do mesmo maquinismo que levou ao mundo, em pleno século 20, os mais lamentáveis períodos de domínio de políticos messiânicos, como ocorreu com o nazismo e o comunismo.
O ninho dos ovos da serpente favorece chocar com eles a instabilidade sócio-política-moral, que gera e traz com ela todas as inseguranças sócio-políticas e a consequente depressão econômica.
No Brasil já enfrentamos as serpentes vermelhas do lulopetismo que se alimentavam do dinheiro público, assaltando vorazmente a Petrobras. Usamos o antídoto da Democracia e as afastamos quando tentavam retornar depois do impeachment do Poste de Lula, patroa do “Belias”…
Mas não tomamos uma vacina – porque, como no caso do covid-19, ainda não há vacina contra a falsidade ideológica -, então precisamos nos conscientizar e matar na casca os ovos da serpente marrom que ameaçam uma volta ao passado com a velha política do Centrão e dos picaretas do Congresso.
Pena que ainda há um grupo – pequeno, mas atuante -, que persiste em aceitar e até justificar isto. Um amigo diz que são robôs, no Twitter se referem a eles como gado, mas eu prefiro vê-los como cultuadores equivocados de personalidades.
A alucinação psicopática desta minoria leva-nos a evocar nosso epigrafado, Bocage, e um pensamento magnífico que nos legou: “Nas paixões, a razão nos desampara”.
TRAIÇÃO.COM
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“O traidor perde a confiança de quem e por quem trai”
(Ditado Árabe)
A traição à Natureza sofre punições. A desertificação, o extermínio de animais e plantas, os terremotos, os tsunamis e a peste que estamos sofrendo, tudo vem como punição.
O verbete Traição é um substantivo feminino definido como “ação de trair”. Vem do latim “traditio.onis” e também “tradere”, que tinha o significado militar de “entregar nas mãos de alguém”.
A palavra no grego, “paradídomi”, “entregar”, segundo Estudos Bíblicos, é usada por muitas vezes no Novo Testamento; cerca de cento e vinte vezes, desde Mat. 4:2 até Judas 3. Em termos jurídicos trata-se de crime que se configura pela ameaça à segurança da Pátria ou das suas instituições.
No nosso dia a dia, estamos vivendo a situação criada com a saída de Sérgio Moro do governo, e as graves denúncias dele sobre a intenção de Bolsonaro de intervir na Polícia Federal. Então assistimos os descerebrados pelo vírus do fanatismo, chamarem Moro de “comunista”; e outros, não menos cretinos, o classificarem de “petista”….
Ainda falta, até agora, que os cultuadores da personalidade de Bolsonaro, acusem Moro de traição, apesar de “traidor” ser uma marca registrada deles, para todos os que discordam do divinizado político e da familiocracia instalada no Palácio do Planalto.
A traição, na verdade, se limita majoritariamente ao exercício da política. Num dos seus memoráveis contos, o nosso Machado de Assis traz um personagem que tinha camisas bicolores em verde e vermelho de frente e avesso, cores dos partidos rivais do Município. Na medida em que apoiava quem estava no poder vestia a camisa da cor dominante…. É o que faz agora o Centrão, travestido de governista.
Há traições menos ingênuas, mas igualmente malignas… Conta-se, por exemplo, o caso em que o editor de um jornal de país latino-americano traiu e sacrificou um repórter fotográfico por causa de um flagrante colhido por ele.
O fotógrafo captou uma expressão contraída pelo sol do ditador nacional no enterro de um chefe militar. Como o jornal era controlado por oposicionistas, o editor mudou a legenda para dar a entender que o presidente estivesse escarnecendo do defunto.
Por causa da celeuma causada e a revolta nos círculos militares, ocorreu um golpe de Estado e o ditador caiu. A ditadura civil cedeu lugar a uma ditadura militar; e o pobre profissional de imprensa morreu com atestado de óbito registrando suicídio…
Essa história reforça o preceito do grande Gabriel Garcia Marques para servir de lição aos donos de meios de comunicação que traem a vocação de muitos jornalistas levando-os a fazer propaganda política em vez de bem informar: Escreveu Garcia: – “A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro”.
Aqui não tem besouro, somente moscas…. Na cena surrealista que desenha a nossa realidade política, assistimos certa mídia visivelmente oposicionista aproveitar-se das graves denúncias do ex-ministro Sérgio Moro ajudando a ressuscitar os zumbis lulopetistas do cemitério maldito da corrupção, pedindo o impeachment de Bolsonaro.
Ocorre que Moro, ícone da luta contra a corrupção e o crime organizado, não tem culpa nisto. Credite-se sim, ao maquinismo criador de crises instalado e acionado no Planalto pelos insanos extremistas de direita, idênticos aos extremistas de esquerda.
Isto constatado, chegamos ao alerta feito pelo general Villas Boas: “Substituir uma ideologia pela outra não contribui para a elaboração de uma base de pensamento que promova soluções concretas para os problemas brasileiros”.
E, falando de traição, vale uma pergunta para quem tem cabeça para pensar: – “Qual o motivo teve Bolsonaro para tirar o chefe da Polícia Federal e pôr no seu lugar um amigo dos seus filhos implicados em investigações criminais?
COMPENSAÇÕES
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Não é tarefa fácil dirigir os homens; empurrá-los, em compensação, é muito fácil. ”
(Rabindranath Tagore)
Os estudiosos da História, a ciência da experiência humana, deslumbram-se em saber que enquanto os europeus estavam mergulhados na escuridão obscurantista da Idade Média, o Islã tornou-se o polo de todas as ciências, principalmente a Astronomia, a Matemática, a Medicina e a Química. Isto, sem acrescentar o domínio das artes, a arquitetura, o desenho e o urbanismo.
… mas em compensação, em livros amarelecidos, encontramos a revoltante ação do califa Omar mandando queimar a Biblioteca de Alexandria, com seus setecentos mil volumes que acumulavam o conhecimento da evolução civilizatória. Usou como argumento de que ou eram contra o Alcorão ou repetiam o que estava no livro do profeta.
Toma-se conhecimento, também, que o czar Pedro – O Grande – um excelente governante reformista modernizou a Rússia, cidades, estradas e serviços públicos, saneando a economia e criando a construção naval. Adotou o novo calendário e realizou, pela primeira vez, um censo multinacional no País, tornando-o poderoso cultural e militarmente.
… mas em compensação, vivia quase sempre embriagado, o que aguçava o seu autoritarismo; e era desprovido de qualquer humanismo. Conta-se que visitando o rei Frederico II da Dinamarca, para mostrar a submissão do seu povo, chamou um cossaco da comitiva e ordenou que se atirasse da alta Torre Redonda de Copenhague. O cossaco saudou-o e se lançou no vácuo.
A passagem de Napoleão Bonaparte capitulada pela História, mostra o filho dileto da Revolução Francesa ocupar quase toda a Europa, levando aos países os princípios democráticos e republicanos igualdade, liberdade, propriedade e tolerância religiosa. A mais valiosa de suas heranças foi o “Código Civil dos Franceses”, outorgado por ele em março de 1804. Este importante documento jurídico passou a ser conhecido, por justiça, de Código Napoleão.
… mas em compensação, Napoleão traiu a República Francesa, convocando, com cartas marcadas, um plebiscito que o reconheceu como imperador; e o Império Francês criado militarmente por ele estabeleceu nos países submissos governantes marcados pelo nepotismo e privilégios.
Lá pelo Grande Oriente, tivemos na China o generalíssimo Chiang Kai-shek, discípulo e seguidor do republicano Sun Yat-sem fundador do partido Kuomintang. Mais tarde substituiu Sun como líder nacionalista, e ocupou a Presidência da República Chinesa, contra os “Senhores da Guerra” e defendendo a cultura tradicional no chamado “movimento nova vida”. Foi marcante a sua atuação na 2ª Guerra lutando contra os japoneses que haviam invadido a China.
… mas em compensação, como político e militar, estendeu os seus anos de poder sem renovação de quadros administrativos; tornou-se ditador e impôs um regime totalitário com violenta repressão, realizando prisões e torturas arbitrárias dos seus opositores.
Ainda não se passaram dois anos da grande mobilização popular no Brasil contra a corrupção instituída nos governos de Lula e do seu poste Dilma Rousseff. Com isto, assistimos uma reviravolta política com a formação de uma ampla frente política de centro-direita que elegeu Jair Messias Bolsonaro para a presidência da República na esperança de termos um governo democrático, honesto, justo e progressista.
… mas em compensação, o eleito agregou à Presidência três complicados filhos com visível atuação nepotista. Iniciou acordos com o Centrão e distribui cargos com os picaretas do Congresso. Muito pior do que isso, atendeu aos extremistas de direita tramando contra a Lava-jato e a derrubada do ministro Sérgio Moro, o que levou o ícone da luta contra a corrupção a se demitir.
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A CAVERNA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Se o arrancarmos da caverna e o arrastarmos pela senda áspera e fragosa até à claridade do Sol, que suplício o seu por ser assim arrastado! ” (Platão)
O verbete Caverna, dicionarizado, é um substantivo feminino de origem latina cavus,i, “vazio, com material retirado” que deu em caverna,ae, cova. É uma cavidade no interior do solo rochoso; antro, furna, gruta, toca. Figuradamente, a parte mais interna ou íntima, recôndita, pouco acessível; lugar obscuro e fechado.
Em Medicina, cavidade dos pulmões devido à tuberculose e, na terminologia naval, peças curvas que partem da quilha para dar forma ao casco da embarcação.
Herdamos o mito da caverna na metáfora criada pelo filósofo grego Platão para explicar a condição de ignorância dos seres humanos e sua necessidade de sair para a luz do “mundo real”.
Sair da caverna para Platão não é coisa fácil. Trata-se de mudar a visão das coisas e das convicções arraigadas; implica em sofrer a dor da perda, compensada pelo impulso de se libertar…
As cavernas foram a habitação mais comum no período de evolução do neandertal para o homo sapiens, e chegaram à civilização trazendo um misterioso fascínio dos seres humanos vendo-as em várias religiões como cenário do nascimento de deuses.
Registra-se assim, antes, muito antes de Platão, que as grandes religiões antigas santificaram as cavernas adorando nelas seus deuses Atis, Baal, Isis e Osiris; em Creta havia um túmulo de Zeus “nascido numa gruta, fornecedor da comida da comunhão, do pão e do vinho, deus da morte e da ressurreição”.
Na conquista europeia das Américas encontrou-se os astecas, maias e incas, do outro lado do Atlântico, cultuando também as cavernas como santuários dos deuses.
Tivemos filmada “A caverna do Dragão”, uma série de animação do século passado produzida em 27 episódios. Como o final foi meio conturbado, o desenhista
Reinaldo Rocha produziu o 28º episódio em quadrinhos, intitulada “Réquiem”.
Foi uma proposta de mudança para concluir o enredo, coisa interessante porque, como disse alguém, “triste não é mudar de ideia, mas sim não ter ideias para mudar”.
Se ninguém não sai da caverna jamais verá a luz…. Ver a luz à primeira vista, porém, ofusca, mas fascina ao encontrar a verdade e deixar na escuridão as sombras da ignorância.
É difícil, porém, libertar certas pessoas, escravas das paixões. Estas, como disse Sócrates, não reconhecem que foi pelas trevas que teve os olhos magnetizados e desejam voltar para a caverna…. Isto exige uma reflexão sobre como quebrar as algemas dessas vítimas da obscuridade, ainda prisioneiros do complexo da caverna.
A “caverna” também entra no dia-a-dia da politicagem no Brasil: Há quem lembre a gruta dos 40 ladrões e, por ignorância, comparam o super meliante Lula da Silva com Ali-Babá, porque não leram o conto das “Mil e uma Noites”. Na verdade, Ali-Babá é o povo brasileiro, o Pelegão é o chefe da quadrilha…
A história conta que: “Um trabalhador amedrontado, assistiu escondido uma reunião de 40 ladrões, ouviu o chefe deles usar as palavras mágicas “Abre-te Sésamo”, e uma cova se abriu. Quando o bando saiu, Ali foi até lá e no seu interior vê um tesouro; recolhe uma parte razoável e vai para casa.
“Com o que trouxe, provocou a inveja do irmão e ensinou-lhe como fazer. Indo à caverna, o irmão com mesquinhez, quis pegar tudo o que viu terminando sendo surpreendido, preso e torturado. Dedurou o irmão e, embora tenha delatado, foi morto pelos bandidos.
“A quadrilha saiu em busca de Ali escondidos em barris para se vingar; ele, porém preparou uma armadilha e abortou o ataque jogando óleo fervente nos barris onde estavam os ladrões, matando-os cozidos…”
Lembrando o conto, ouço uma voz cavernosa ecoando: – “Antigamente o óleo fervente era uma espécie de Lava-Jato…”.
REMÉDIOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males” (Voltaire)
Quando eu e minha mulher nos casamos, mantivemos o hábito de visitar uns tios para filar os lautos almoços que ofereciam nos domingos aos parentes e amigos. Ao sentar à mesa, ele, casado com a irmã da minha mãe, colocava à sua frente um monte de pílulas e comprimidos que ia tomando enquanto comia.
Quando saíamos de lá morríamos de rir lembrando este fato; e fomos castigados pela natureza do envelhecimento. Hoje, tomo no mínimo seis comprimidos e cápsulas, e ela outro tanto…
Confesso que houve um tempo que eu chamava os médicos de “máfia de branco” e não escondia o desprezo pelos remédios. Quando comecei a precisar deles fiz as pazes com as “bolinhas” a ponto de até me automedicar…
Através das variadas espécies de Medicina temos terapias praticadas através de uma imensa gama de drogas e métodos de cura. Para dormir, para acordar, antiácidos, antibióticos, ansiolíticos, anti-infecciosos, antidepressivos, corticoides, etc.
Ao entrarmos na Medicina Alternativa, encontramos os velhos ensinamentos homeopáticos do doutor Christian Friedrich Samuel Hahnemann, baseados no princípio latino “similia similibus curantur”, “semelhante pelo semelhante se cura”.
A História deste ramo da Medicina nos conta que quando o doutor Samuel Hahnemann pesquisava a farmacologia do quinina, desconfiou da explicação recebida sobre a ação deste medicamento usado no Sudoeste Asiático para a malária, enfermidade tropical que intercala períodos de febre e aparente cura.
Pelo notável amor pela ciência médica, Hahnemann assumiu-se de cobaia e tomou o quinina apresentando os sintomas da malária. Depois, pediu a médicos e estudantes do seu círculo de amizades que mesmo sadios usassem o remédio, e eles também apresentaram os mesmos sintomas; concluiu, então, que qualquer substância capaz de causar sintomas de uma doença em pessoas saudáveis, é capaz de curar uma pessoa doente.
Outras vertentes medicinais se apresentam como a Fitoterapia, de que já tratei em dois artigos anteriores, uma benéfica herança do antigo Império Inca e dos indígenas sul-americanos. Os medicamentos extraídos da floresta são usados até hoje com bastante eficácia entre os ditos civilizados…
Temos, também, vinda do Grande Oriente, a chamada Medicina Oriental utilizando além dos produtos fitoterápicos, métodos terapêuticos como acupuntura e dietética, aplicadas para estabelecer o equilíbrio do organismo, conforme ensinam as milenares culturas da China, Coreia e Japão.
Estudando por curiosidade a diversidade de diagnósticos e receituário médico, procurei saber o que é a Aromaterapia, e as primeiras pessoas a quem indaguei ensinaram-me que se trata de um ramo da Fitoterapia. A palavra “aromaterapia” vem dos termos gregos “aroma” = odor agradável + “therapeia”, seja, “tratamento pelo cheiro”.
Em concordância com os seus adeptos – são muitos, e proliferam cursos, lojas especializadas e até Ongs -, a terapia por aspiração de odores agradáveis ajuda a combater ansiedade, dor, depressão, estresse e insônia; e do ponto de vista holístico, atua pelo equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual.
A História registra que Montaigne (Michel Eyquem de Montaigne) jurista, político, filósofo, e extraordinário ensaísta, foi pioneiro ao sugerir que os médicos usassem aromas como terapia, dizendo que os perfumes influem e transformam o ânimo e o humor.
… E no anedotário, conta-se que Montaigne quando antecipava para um amigo trechos do seu ensaio sobre perfumes e estranhando o silêncio do interlocutor, encarou-o e viu que ele estava de olhos fechados; pensou que ele havia adormecido, mas se enganou: o amigo, alérgico a odores, desmaiara só em ouvir falar de perfumes…
MALABARISMO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Una persona que aprende a hacer malabares con seis bolas está mejor preparada que otra que soló hace malabares con três” (Anónimo)
Na virada de uma página da História, encontramos a transição do homem de Neandertal para o Homo Sapiens e no que restou da cultura musteriense, as primeiras fabricações de armas e ferramentas registradas na arte pictórica rupestre. Ali encontramos, também, desenhos de 30 mil anos atrás sobre a prática do malabarismo.
Com o avanço civilizatório, recebemos também referencias da prática do malabarismo por pessoas de ambos sexos no Antigo Egito e nas sociedades chinesa, indiana, grega, romana, nórdica, asteca e polinésia.
O termo “Malabarismo” vem de “malabares” com referência à Costa de Malabar, no sudeste da Índia, onde os habitantes, desde a mais tenra infância, são hábeis em manipular objetos com destreza. Mantêm domínio sobre argolas, bastões, bolas, claves, facas, fitas, ioiôs, pinos e tochas, obtido pelo controle mental e habilidade manual, que se tornou uma arte circense.
Muitos artistas ganham a vida com malabarismos; principalmente os artistas de rua, sempre encontrados nas grandes cidades. Sob a sacada do meu apartamento tem um bar em que eles se apresentavam semanalmente antes do covid-19, alternando com ritmistas, dançarinos e ginastas.
Dicionarizado, o verbete malabarismo é um substantivo masculino significando a arte ou a técnica do malabarista; refere-se figuradamente à habilidade para enfrentar situações difíceis.
Dessa figuração encontramos algo relacionado com a vida social, o chamado “malabarismo retórico”, representação mental de palavras e gestos que pouco ou nada expressam a não ser um discurso vazio de conteúdo.
Este expediente doloso sempre induzindo à fraude é muito usado pelos políticos; e enquanto os malabaristas de terra e ar entretêm e divertem o povo, os demagogos de todas ideologias e partidos o ilude com logros eleitorais.
Uma frasista do Google, Lanna Borges, nos presenteia dizendo que “é desafiador manter equilíbrio em meio ao malabarismo que é viver”. E o pior da vida é suportar o malabarismo dos agentes políticos destros na oratória recheada de promessas que nunca são cumpridas.
É comum atualmente assistirmos traições políticas dos eleitos aos seus eleitores com argumentos reticentes, frases envoltas em aspas e divagações suspeitas de autoafirmação.
Os maus políticos fazem malabarismos com seis ou mais bolas para admiração geral. O nosso Parlamento, por exemplo, é praticamente controlado por um Centrão carente de crenças, ideias, opiniões, valores e ávido por vantagens pessoais; e é instigado pela facção lulopetista desmoralizada pela corrupção.
Esta é a razão de assistirmos situações absurdas com jogos-de-cena inconsequentes. O exemplo mais do que perfeito disto fica claro na situação criada pelo novo coronavírus, que ameaça tragicamente o mundo e a nossa Nação.
Os malabarismos picaretas disseminam um vírus muito mais agressivo e perigoso – o coruptovírus -, para minar as políticas da Saúde, da Economia, da Segurança Pública e da Infraestrutura que estão se realizando apesar de desacertos e sabotagens.
Neste cenário, constatamos que os políticos brasileiros nascem do jeito de uma história que li e vou tentar relembrá-la: – “Um pai de classe média foi ao quarto do filho para ajudá-lo a escolher uma futura carreira. Para isto, deixou-lhe para a definição, uma Bíblia, uma maçã e um cheque bancário, pensando que se ele fosse encontrado admirando a Bíblia, seguiria o sacerdócio; se observasse a maçã, seria um fazendeiro e, examinando o cheque, entraria no ramo das finanças. E deu um tempo.
Ao voltar, viu que o rapaz embolsara o cheque e comia a maçã sentado em cima da Bíblia. Não teve dúvida de que o filho seria político”.
A partir deste raciocínio, assisto os jogos de malabares ao meu redor raciocinando como Charles Chaplin: “Não sou político; sou principalmente um individualista. Creio na liberdade; nisso se resume a minha política…”
GUERRAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Não é preciso ter olhos abertos para ver o sol. Para ser vitorioso você precisa ver o que não está visível” (Sun Tzu)
Noutro artigo registrei a curiosidade etimológica do substantivo feminino “Guerra” nas línguas neolatinas, que não adotaram o bellum,i romano, e sim o germânico werra, combate, contenda, discórdia, disputa, luta. Do latim, herdamos o bélico, rebelde, rebelião e ‘belicoso’, como tuitou outro dia a brava Marisa Cruz.
No idioma português damos para Guerra o significado da luta armada entre nações e/ou conflitos entre povos ou etnias diferentes. Qualquer luta ou combate com ou sem armas. E a que mais assustou foi a ameaça nuclear com armas atômicas, que poderiam levar a humanidade ao extermínio.
Mas os conflitos veem de longe. A História traz que por volta de 3.200 a.C. a consolidação do Egito ocorreu com uma guerra intestina entre o Reino do Norte e o Reino do Sul. As demais guerras movidas pelos faraós, no apogeu do Império, foram pela expansão e domínio territorial.
Quase mil anos depois, houve um importante confronto, a Guerra do Peloponeso, que unificou a Grécia antiga dando à Atenas a hegemonia militar sobre as outras cidades-estado gregas.
E depois uma das maiores guerras da Antiguidade realizada por Alexandre – O Grande -, rei da Macedônia, que conquistou o Império Persa, o Egito, toda a Ásia Menor, o Afeganistão e chegou às fronteiras da Índia.
Quando se firmava como um poderoso Estado mediterrâneo, suplantando a Grécia, a Roma republicana enfrentou a República de Cartago numa série de três disputas bélicas, chamadas de Guerras Púnicas.
Mais tarde, em termos de guerras mundiais, tivemos as Guerras Napoleônicas, conflitos suscitados pelo Império Francês, sob a liderança de Napoleão Bonaparte que enfrentou todas as nações europeias.
E, bem mais tarde, já na contemporaneidade, tivemos duas grandes guerras mundiais, de 1914 a 1918, a primeira, e de 1939 a 1945, a segunda; enfrentamentos e as mesmas alianças, com pequenas modificações.
A 2ª Guerra trouxe sequelas pontuais, como as guerras da Coreia e do Vietnã, e uma guerra sem tiros, a Guerra Fria, defrontando os Estados Unidos e a União Soviética.
Eis que de repente, “não mais que de repente” chegou a Terceira Grande Guerra. E esta só tem dois lados: os povos em perigo e um inimigo invisível, microscópico. Diante deste campo de batalha, é preciso que tenhamos a coragem de enfrentar o perigoso adversário para derrota-lo sem lutar: Pelo isolamento social como estratégia para a vitória.
Isto, porque, não estamos enfrentando um exército de milhões de bacilos, bactérias e vírus; basta somente um desses agentes infecciosos, letal, vindo numa gotícula de saliva, após uma tossida ou um espirro de outrem. É por isso que se encontrarmos algo que evite ou neutralize as ações do inimigo, devemos segurá-lo como o graveto do afogado…
O confinamento, as preocupações e, sobretudo, a solidariedade humana devem ser as nossas armas no enfrentamento com o covid-19. O vírus move táticas insanas e imprevisíveis; mata um bebê de menos de um ano e assiste a cura de um idoso de cem anos.
A verdade, porém, é que a ciência já tem um mapa traçando a coragem de muitos, principalmente na área da Saúde, enquanto a política adota a covardia, com as brigas do carreirismo eleitoral, se lixando para os que estão na arena amedrontados, e se dirigem aos poderosos em desespero: “Morituri te Salutant”- Salve o Poder, os que vão morrer te saúdam -.
A morrer, todos estamos sujeitos, mas da minha parte, não cairei sem luta. O estrategista Sun Tzu ensinou que “a suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”. É o que faremos com o confinamento.
UNIÃO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Se todos se mobilizam por um objetivo comum, o sucesso acontece por si só. ” (Henry Ford)
O nosso Olavo Bilac, que estreou na poesia inserindo no livro “Via Láctea” o belíssimo soneto “Ora direis ouvir estrelas”, interpretou o lirismo dos poetas fitando o infinito; e, por sua vez, os astrólogos veem o destino escrito nas estrelas.
A magia imaginativa dos poetas, as interpretações astrológicas e o sacerdócio religioso desmentem a ciência cosmológica e apontam os seus deuses como responsáveis pela criação do planeta e da vida.
Em contrapartida, os astrônomos, como cientistas, céticos, pensam quando o Universo e o nosso sistema planetário volverão ao caos primitivo. Há uma pá de teorias sobre a origem do Universo, além dos mitos, lendas e livros sagrados de todas as religiões mais ou menos semelhantes ao criacionismo judaico-cristão.
A mais badalada atualmente entre as suposições e hipóteses nos meios científicos é o Big Bang, a Grande Explosão que teria ocorrido entre 13,3 e 13,9 bilhões de anos atrás.
Após a explosão do Big Bang ocorreu no cosmos um resfriamento drástico e com a queda da temperatura deu-se o início da formação da matéria, por meio dos prótons, elétrons e outros elementos, tendo os primeiros átomos como unidade básica.
Assim se deu forma às galáxias, aos sóis e planetas. De uma poeira de gases e detritos teria surgido a Terra.
Afora os dogmas, todos querem explicações para o surgimento da vida. São esforços paralelos e simultâneos, embora diferenciados nas pesquisas para explicar nossas origens, duvidando, estudando, inquirindo e pesquisando.
Se os cientistas julgam importante pensar assim, porque não devemos pedir a união de todo mundo, para encontrar uma solução para a grave epidemia que assola o planeta e realizarmos, sem divisionismos, a salvação contra a qual a politicagem resiste e impede?
Não é pedir demais. É um apelo à consciência. Um pensador espírita, cujo nome me foge da memória, mas que a minha inesquecível mãe sempre citava, levantou a tese de que há doenças que veem para despertar o conhecimento da realidade.
Isto me leva a pensar que este horroroso vírus que atinge a todos, sem exceção, alastra-se e vem infectando muitas personalidades poderosas, e quem sabe, as estimule em pensar na sociedade ameaçada…
Os políticos, alguns deles atingidos pessoalmente pelo mal, ou entre os seus familiares, amigos e colegas, ainda não sentiram a necessidade de abandonar as picuinhas rasteiras e buscarem conjuntamente meios para combater o covid-19.
Em verdade, mesmo os mais despreparados para exercer mandatos, têm o discernimento de que estão expostos à “morte, surda, que caminha ao seu lado e não sabe em que esquina ela vai lhe beijar” como cantou Raul Seixas…
Talvez uma provocação mais contundente leve os que administram a coisa pública, no Executivo, Judiciário e Legislativo a considerar suas responsabilidades na situação que atravessamos.
Da minha parte, inserido no epicentro do risco, sinto-me frágil para reagir à abominável politicagem que assistimos, igualmente contagiosa como o vírus. Creio que é preciso uma forte pressão da coletividade para mostrar que o poder não é uma vacina e que a morte é tão democrática como o “Estado de Direito”.
Por isso, lembrei-me de uma passagem proverbial ocorrida com Canuto, o rei da Dinamarca, Inglaterra e Noruega.
Certo dia, caminhando à beira mar, achegou-se ao Rei o embaixador da Alemanha que iniciou uma conversação louvando-o: – “Vós, que sois o rei mais poderoso”… Canuto interrompeu-o, e afastando-se voltou-se para as ondas, gritando:
– “Proíbo-lhes que me molhem! ”. Neste momento uma grande vaga quase lhe derrubou; Canuto, homem de espírito, reagiu ao embaixador: – “Vedes? Se eu tivesse o poder que dizes, o mar me obedeceria…”
Esta lição, também herdamos do padre Antônio Vieira nos seus sermões: “O querer e o poder, se divididos são nada, juntos e unidos são tudo”.
JORNALISMO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“O fotógrafo tem a mesma missão do poeta: eternizar o momento que se passa”. (Mário Quintana)
Tenho comentado muito sobre a imprensa atual nos meus últimos artigos e crônicas, com críticas acerbas ao momento infeliz que a imprensa atravessa pelo mundo afora e especialmente no Brasil, onde a informação vem envolta no papel celofane da propaganda.
Foi o colega da velha guarda, o multifacetado jornalista Gaudêncio Torquato que me inspirou falar dos tempos em que as redações eram “risonhas e francas”… Época em que nos esforçávamos a estudar para bem concorrer.
Gaudêncio atua com qualidade no campo da política, como analista, na pesquisa e no marketing, além de articulista e tuiteiro. Numa mensagem que tuitou, disse literalmente que: “Tenho responsabilidades como analista político. Posso discordar das atitudes do presidente – e discordo – mas não posso lhe desejar o mal. Tenho procurado me guiar pela luz dos bons caminhos”.
É como se faz no bom jornalismo. Nem agressões, nem bajulações; ater-se ao fato, informando e analisando. Hoje, poucos jornalistas fazem assim. A mudança flagrante do comportamento da imprensa está numa memória ocorrida a 136 anos com o “The New York Times”.
Numa de suas edições no ano de 1884, o jornal trouxe o seguinte texto: “A decadência da Espanha começou quando os espanhóis adotaram o cigarro, e se essa praga perniciosa se espalhar entre os americanos adultos, a ruina da nossa República estará próxima”. O N.Y. Times nos dias atuais defende a descriminalização da maconha.
Sem comentários. Passo às recordações dos meus tempos de jornal, como repórter, editor e secretário de redação. A lembrança me leva ao coleguismo sempre presente, com o tratamento respeitoso nas divergências de opinião, e ocorriam discussões acirradas todo tempo.
Naquele tempo, entretanto, já existiam os bezerros de presépio, sem ideia própria, aceitando levar ao leitor a opinião do eventual diretor do jornal ou da revista, este obedecendo aos interesses comerciais ou dos acionistas da empresa para manter o cargo…
Haviam também, como hoje é voz geral, os que consideravam os jornalistas uns privilegiados, por ter preferência nas antessalas dos ministérios, achegar-se aos chefes de executivos, tomar cafezinho com parlamentares e receber ingressos para cinemas teatros e shows.
A regra geral era de um comportamento profissional ético e o produto do trabalho informativo isento de favoritismo. Para isto se cultivava o relacionamento com os porteiros, as secretárias e até os informantes da Polícia, tratando-os com cordialidade e respeito. “Fazendo” amizade.
Há segredos no exercício da profissão de jornalista. Recordo um deles: a ajuda indispensável dos fotógrafos em qualquer ocasião. Agradeço a um deles um importante prêmio que recebi por uma reportagem que foi altamente valorizada pela composição fotográfica. O repórter-fotográfico cumpre o milenar princípio de que uma imagem vale por mil palavras…
Hoje, nem o repórter e o fotógrafo escapam das pressões políticas, como Thomas Sowell deixa claro: – “Muitos na imprensa parecem não entender a diferença entre reportar notícias e criar propaganda.”
Numa matéria manchetada em quatro importantes órgãos da imprensa neste mês, encontramos: “O Brasil demorou a combater o covid-19” – omitindo que Espanha, EUA, Itália, Irã e outros também o fizeram. Trata-se evidentemente que em vez de colaborar internamente no combate ao vírus, a mídia fica “do contra”.
Felizmente essa falta de ética, sentenciando à morte milhares de brasileiros, não nos faz perder o respeito pelo jornalismo, que apesar dos pesares renascerá como uma fênix das cinzas.
PASSAGEIROS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Acho que contamos histórias para não ficarmos sós” (Do filme “Passageiros”)
Não vou falar dos que viajam num veículo, por necessidade, a convite ou de carona… vejo aquele que passa rápido ou aquilo de pouca duração, o transitório, o efêmero. Aliás, a palavra Efêmero significa curiosamente “o que dura um só dia”.
Designa também uns pequenos insetos que voam e amerissam em águas estagnadas, cuja vida é limitada a 24 horas, e nos leva a considerar a relatividade do tempo nas nossas vidas.
O cálculo mais interessante sobre a passagem dos anos tiramos do genial escritor Liev Nikoláievich Tolstói, pai do realismo na literatura russa. Tolstoi explica a relatividade do tempo dizendo que “Para o menino de cinco anos, um ano é a quinta parte da vida; enquanto para um homem de 80 anos, é a octogésima parte”.
O que tranquiliza os octogenários, como eu, é lisonja do filósofo Platão refletindo que “devemos aprender durante toda a vida, sem imaginar que a sabedoria vem com a velhice”… No meu caso, guardo dúvidas; continuo estudando como um adolescente.
E sempre volto a lembrança aos bancos escolares como agora, recordando uma anedota sobre o tema que corria na Faculdade Nacional de Direito em torno do professor Hermes Lima, de quem recordo com muito carinho.
Casado com a senhora Maria Moreira Dias Lima, com quem mantinha um afetuoso relacionamento, Hermes atendeu-a prontificando-se a fazer uma palestra sobre a vida na Terra. Como a esposa era ligada à uma das famílias mais ricas do Brasil, os Larragoiti, donos na época da maior empresa de seguros da América Latina, a Sul América S.A., a audiência feminina era deste patamar.
O Professor discorreu didaticamente sobre o tema sugerido, terminando por enfatizar a perspectiva cosmológica de que mais ou menos a 50 milhões de anos o nosso sol e seu sistema planetário desaparecerão.
Passados alguns dias, dona Maria relatou ao marido que suas amigas ficaram apavoradas com a expectativa do fim do mundo; o marido pediu-lhe que as reunisse de novo para uma conversa com elas. Assim se deu, e Hermes detalhou o que representa os milhões de anos na história planetária, e para amainar o medo, concluiu que o sol viveria 100 milhões de anos. Para agradar o círculo social da sua mulher, adiou por 50 milhões de anos o fim do mundo…
A verdade é que mesmo sofrendo catástrofes, pandemias e guerras. acontecimentos passageiros, o planeta Terra e seus habitantes ainda terão muito tempo de vida. A humanidade se desenvolve científica e tecnologicamente a passos largos e supera todos os malefícios.
Houvesse mais aplicação dos governos para a educação, as novas gerações viriam com melhor formação, física e mental. Pena que estejamos vivendo – não só no Brasil, mas pelo mundo afora -, um período histórico de retorno às ideias totalitárias e tendência ao autoritarismo.
Leva-nos a pensar os alertas da filosofia proudhoniana e ao ‘1984’ de George Orwell, conscientizando-nos de que “ser governado significa ser observado, inspecionado, admoestado, avaliado, censurado, cercado, comandado, controlado, dirigido, doutrinado, espionado, explorado, filmado, fotografado, legislado, regulamentado”.
Isto, porém, em vez de revoltar, leva a cidadania a se acomodar e esperar que venha dos governantes as iniciativas no campo da educação, saúde e segurança, quando coletivamente poder-se-ia criar condições objetivas para que isto fosse feito.
Agora mesmo, no caso do covid-19, em vez de uma ação coletiva e unitária contra a pandemia infecciosa, tudo vem de cima para baixo, envolvido em divisões ideológicas e grupais. E o mais triste é que vem divulgado numa mídia que está exagerando no noticiário criando o pânico entre os desinformados.
Isto nos leva a Proudhon, quando escreveu: – “Os jornais são os cemitérios das ideias. “
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