Artigo

NOÇOQUÉN

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                                 “Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores” (Cora Coralina)

O título deste artigo, Noçoquén, parece esquisito, mas é bastante conhecido por antropólogos e indigenistas. Trata-se de uma reserva de plantas medicinais que os indígenas brasileiros, principalmente os amazônicos, mantinham e que foi estudado pelo cientista Curt Nimuendaju.

Uma espécie primitiva de jardim botânico que entra na minha narrativa para falar das Amazonas – mulheres guerreiras que em regime de matriarcado dominavam as tribos ancestrais dos Apiacá, Maué, Mundurucu e Mura. Pode ser lenda, mas também pode ser verdade, e a narrativa oral sobre essas guerreiras alcançou o princípio do século 20.

Lembrei-me de pesquisar sobre as Amazonas por causa de um fenômeno social da atualidade brasileira, cheio de razão e também de muita hipocrisia, denominado “feminismo”. Grifo “atualidade brasileira”, porque esse movimento vem de longe com suas heroínas e vitórias desde o século 19, com as mulheres inglesas lutando pelo direito de voto.

100 anos depois mulheres do Hemisfério Ocidental principalmente na Europa, ainda combateram (é de achar graça) para usar maiô de duas peças, mais tarde batizados de “biquínis”…

Nos fins do século 20 a História registra o que os pesquisadores e as próprias ativistas feministas denominam a “terceira onda”, o empenho das mulheres para conquistar a igualdade política legal e social com os homens.

Com exagerada e ruidosa participação de minorias, o movimento feminista embaralhou-se nas agitações pela liberdade sexual, desviando-se da causa original da manifestação pela igualdade de gênero.

Autodenominando-se “de esquerda” a facção diversionista assume atitudes agressivas a ponto de serem apelidadas de “feminazi” – por comparação com as tropas de choque hitleristas que aterrorizaram o povo alemão.

Além da linguagem violenta, as “feminazi” mostram total ignorância sobre a vida dos seus ídolos, pois Engels e Marx possuíram amantes; e, na sua fingida afetação exigindo a liberação total da sexualidade, defendem o islamismo, que relega a mulher a um plano secundário e pune com pena de morte o homossexualismo.

Felizmente, a má influência e a alienação só atingem uma ínfima minoria. As feministas autênticas se afirmam enaltecendo as lendárias Amazonas, que deixaram no Brasil os traços das primeiras sociedades humanas, do matriarcado com modo de produção comunitário e atividades comuns na colheita, na caça, na pesca e na guerra.

Nos dias de hoje, o papel da mulher trabalhadora recupera este respeito, participando de todas as atividades econômicas, culturais, políticas e sociais. Injustamente continuam sendo menos remuneradas do que os homens e ainda encontram portas fechadas para si.

Segundo o respeitável cientista e pesquisador Nunes Pereira, as antepassadas das mulheres trabalhadoras da atualidade eram responsáveis e guardas dos ‘noçoquéns”; as Amazonas os administravam com o conhecimento e a prudência dos pajés, colhendo, ensinando e receitando remédios fitoterápicos a quem deles necessitava.

É esta atividade respeitável, pela educação e a saúde do nosso povo, que esperamos das brasileiras patriotas, as nossas belas Amazonas…

 

 

O JUIZ

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Quatro características deve ter um juiz; ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.” (Sócrates)

Estudante de Direito, na tradicional Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil e membro da “Academia Boêmia” que o pessoal do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO) promovia, eu participava nos dias 11 de agosto dos “pendura” – comes e bebes em restaurantes e bares – à custa da casa, o que muitas vezes virava caso policial.

Somente a pouco tempo descobri que no 11 de agosto comemora-se – além do Dia do Advogado, o Dia do Juiz…  Felizmente essas duas figuras só se confundem numa data, pois são, pelo menos teoricamente, não somente diferentes, mas antagônicos.

“Advogados” – escreveu Lênin, numa acepção que concordo em gênero e número – “nem os do partido”; enquanto nominalmente a palavra “juiz” que vem do latim, iūdex -dĭcis, literalmente ” é “aquele que julga”, de jus, “direito”, “lei”, e dicere, “dizer”.

Trocando em miúdos, juiz é um cidadão investido de autoridade pública com o poder/dever para exercer o julgamento dos conflitos de interesse que são submetidos à sua apreciação.

No Brasil, como em diversos outros países, o juiz faz parte de uma corporação – o Poder Judiciário – um dos três poderes da República. É um administrador da Justiça do Estado, responsável por declarar e ordenar o que for necessário para julgar procedente ou não a pretensão da parte que o provocou, e fazer jus ao direito pleiteado.

Vem de longe as provocações para que o juiz pratique uma justiça boa e perfeita. Na velha Grécia, Platão alertou: “O juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”.

No século passado, um pensador brasileiro, Roberto de Oliveira Campos, no seu livro “Na virada do milênio” escreveu: “A independência do juiz não é uma faculdade absoluta, poder fazer o que queira sem dar satisfações. O juiz não tem, nem pode pleitear, moral ou profissionalmente, nenhuma independência diante da lei. Ele é, tem de ser, pelo contrário, um servidor incondicional da lei.”

A conjuntura político-social no Brasil nos leva a reconhecer a situação pré-falimentar da República, com o Poder Executivo vacilante quanto a sua legitimidade, um Poder Legislativo em estado de putrefação pelas práticas corruptas de muitos dos seus membros, e um Poder Judiciário que nem sempre exerce a sua função com independência e fazendo favores a quem nomeia os juízes…

Há, porém, honrosas e dignificantes exceções, principalmente entre os magistrados que julgam as ações da Operação Lava Jato. Em diversas unidades da Federação assistimos à intervenção de juízes – na maioria jovens – que obedecem à Lei e julgam com autonomia para agir e decidir.

Em destaque, como não poderia deixar de ser, temos a “República de Curitiba” – na ação da Justiça Federal do Paraná tendo à frente o juiz Sérgio Moro, que pelos ataques que vem sofrendo dos investigados, na grande maioria comprovadamente corruptos, cresce na nossa admiração, respeito e o aplauso dos brasileiros honestos.

A intervenção sistemática da Lava Jato, através da Polícia Federal e dos procuradores da República é um tesouro guardado, com chave de ouro, por um juiz que honra a sua função e obscurece todos os que distribuem malfeitos em nome da Justiça.

 

BARALHO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                                     “Tem gente que a vida inteira, fica travando inútil luta com os galhos, sem saber que é lá no tronco que tá o coringa do baralho” (Raul Seixas)

São tão confusas e difíceis de entender as circunstâncias políticas que o Brasil atravessa, que me veio à cabeça o verbo transitivo direto “embaralhar” que, dicionarizado significa misturar as cartas do baralho, alterar, atrapalhar, confundir, criar desordem…

De embaralhar vamos a Baralho, cartas retangulares de cartolina ou papelão (hoje os chineses exportam os de plástico), que, segundo alguns historiadores teriam surgido na China e, com outra versão, de origem árabe.

O mais conhecido no Ocidente obedece ao padrão francês, que segundo dizem foi criado pelo pintor Jacquemin Gringonneur, sob encomenda do rei Carlos VI e se popularizou graças a tecnologia da fabricação de papel e da impressão.

O baralho francês tem 52 cartas, com 13 cartas de cada um dos quatro naipes, paus (♣), ouros (♦), copas (♥) e espadas (♠), com quatro cartas de figuras em cada naipe, mais um ás e um coringa.

O baralho é utilizado em vários jogos, que entre os conhecidos no Brasil, temos o Buraco, Burro, Canastra, Fedorento, Maumau, Naipe, Pife-pafe (“pife” ou “relancim”), Pôquer, Ronda, Sete-e-meio, Sueca, Truco e Vinte-e-um.

Há o baralho cigano, para prática advinhatória e com cartas especiais, também se usa para o jogo do Tarô.

No vicioso esquema político reinante no Brasil se misturam a Operação Lava Jato, o juiz Sérgio Moro, o MPF, a PF, condenações populares à impunidade, lista fechada, fundo partidário, contribuição sindical compulsória, lentidão no STF, embaraços que se somam às conspirações degeneradas para anistiar o Caixa 2.

As cartas aqui poderiam trazem novas figuras que não às atribuídas por Gringonneur, levando para o lado do mal as cartas de espadas, aziagas, segundo jogadores empedernidos, e as cartas de ouros para o lado de bom.

Os delatores seriam os azes e Sérgio Moro o Coringa, com a vantagem da judicatura ser um trunfo.  Em certos jogos, o trunfo é o naipe apontado pelo corte do baralho que passa a ter superioridade sobre os demais naipes.

Temos alguns trunfos entre os políticos que escaparam da malsinada praga que o lulopetismo espalhou nos poderes da República e juiz Sérgio Moro – O Coringa – se diferencia pela independência e sobretudo pela coragem de enfrentar os poderosos.

Robert Louis Stevenson escreveu que “Nem sempre a vida é um jogo com cartas boas/ às vezes temos que jogar também com uma mão ruim”. É o que assistimos na grande mesa verde em que jogamos, os patriotas brasileiros contra a organização criminosa que sem-cerimônia assaltou o País.

Os parceiros da corrupção começaram a perder o jogo quando Dilma – ocupando a presidência da República tentou garantir prerrogativa de foro privilegiado para Lula nomeando-o para a Casa Civil. Perderam essa mão. E perderam a primeira rodada com o impeachment.

A mais importante partida é jogada agora. O az das delações premiadas, Marcelo Odebrecht, pôs na mesa as cartas que envolvem Lula e Dilma, embaralhados com próceres peemedebistas e tucanos.

Por fim, estas denúncias levaram à união os envolvidos em falcatruas. Eles tramam, no Executivo, Legislativo e Judiciário uma escapatória. Cozinham, às escondidas, projetos infames, como o abuso da autoridade e a anistia ao Caixa 2.

Será o povo nas ruas que dará a última cartada!

DELENDA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

              “Uma república sem cidadãos de boa reputação não pode existir nem ser bem governada” (Nicolau Maquiavel)

O senador romano Catão –“O Antigo” – era na sua época (século III a.C.) a pessoa de quem sentimos falta no Brasil… Defendia ardorosamente o domínio do Mar Mediterrâneo por Roma com ardentes e frequentes discursos que terminavam sempre com a frase “Carthago delenda est”, que traduzida, correspondia a “é preciso destruir Cartago”.

Roma ainda se desenvolvia ligada à Grécia, com a qual disputava com os fenícios o comércio marítimo, no Oriente Médio e na África. Os fenícios eram um povo antigo que ocupava o território do atual Líbano e a zona litorânea da moderna Síria.

Hábeis de navegadores e comerciantes, os fenícios fundaram diversas colônias nas costas do Mediterrâneo e a que mais prosperou foi Cartago, no norte da África, mais propriamente na Tunísia de hoje.

O desenvolvimento comercial e político dos cartagineses se expandiu desde o sul da Península Ibérica às ilhas próximas a Roma, Sardenha, Córsega e oeste da Sicília. Tornou-se assim uma ameaça para os romanos que viviam igualmente uma fase de crescimento econômico.

O confronto era inevitável. Roma não poderia tolerar o domínio da Sicília e invadiu a ilha, dando início a três guerras chamadas pelos romanos de “púnicas” por que chamavam os cartagineses de “punici”; por outro lado os cartagineses batizaram as guerras como “guerras romanas”.

Foram três as guerras e durante o tempo em que viveu, Catão – O Antigo – combatia no Senado a invasão de Cartago, sempre repetindo o seu lema “delenda” – destrua-se. Na terceira disputa bélica Cartago foi invadida e destruída, e isto resultou historicamente na formação do que viria a ser o Império Romano.

A frase “delenda Carthago est” é lembrada pela insistência de Catão para entusiasmar os cidadãos romanos a assumir o seu destino, como igualmente fazemos para livrar o Brasil da quadrilha lulopetista que sobrevive com suas tropas de choque ameaçando a Democracia.

É preciso que brademos “Delenda Lulopetismo”, até a extirpação desse câncer maligno cuja metástase se infiltra em todos setores da vida nacional, pelo aparelhamento nos poderes da República.

É necessário repetir de alto e bom som “Delenda Impunidade”, exigindo a prisão de todos os corruptos e o ressarcimento das fortunas roubadas por eles.

É preciso persistir na luta contra os crimes e a impunidade, argumentando, discutindo e gritando nas ruas “Delenda Foro Privilegiado” – uma blindagem que um político sério e honesto dispensaria.

A cidadania deve assumir o seu papel e conduzir a Nação para a guerra contra a criminalidade dos políticos sem patriotismo e sem pudor. Que inventaram uma “Lista Fechada! ” para esconder os corruptos do eleitor. “Politicagem Delenda Est”!

Vamos perseverar como fez Catão escrevendo, falando, discursando o “Delenda Impunidade”, para livrar o Brasil dos ladrões da riqueza nacional.

Está capitulada na História a destruição de Cartago em 146 a.C. desaparecendo do mapa a grande concorrente de Roma no domínio do Mar Mediterrâneo. Lutemos para que os nossos “delenda” varram da conjuntura brasileira a quadrilha lulopetista e que o seu chefão termine seus dias na cadeia!

SEITA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br

“Toda seita é uma bandeira de erro. Não há seitas na geometria… “ (Voltaire)

Seita, do latim secta – “secionar”, “dividir”, “sectar”, é um conceito utilizado para conjuntos de pessoas unidas para professar doutrina, ideologia, sistema filosófico ou político adotados coletivamente.

O “Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa”, qualifica “seita” como “sistema que se afasta da crença ou opinião geral”. E o Aurelão registra que “seita” é um grupo coeso de pessoas que participa de uma doutrina comum.

Há quem observe que “seita” seria uma organização contra um meio que considera hostil ou descrente. O grupo então se fecha e vê o restante da sociedade como má, passível de punição.

As seitas estudadas pela História têm formação diversa, de caráter científico, filosófico, político ou religioso. A antiguidade grega registra o pitagorismo, liderado pelo filósofo e matemático Pitágoras de Samos.

Nas chamadas grandes religiões encontramos milhares de seitas. O islamismo tem dezenas e muitas separações também dividiram o cristianismo, particularmente com os cismas da Igreja Católica.

Movimentos nacionais romperam com o Vaticano, sendo o principal o   anglicanismo, no Reino Unido. Temos também igrejas particulares, como as Igrejas Católicas Orientais, as Igrejas Ortodoxas Russa e Grega e a Igreja Católica Copta.

Quanto ao movimento protestante, aparecem os pentecostistas, metodistas, Assembleia de Deus, Adventistas do Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová e os Mórmons, fora as denominações que grassam no Brasil.

Há também as seitas esotéricas, sendo a principal delas a Rosa-cruz; e, mais recentemente, a Igreja da Cientologia, também conhecida como Dianética.

Na política, agruparam-se autodenominados socialistas, proudhonismo, georgismo, fabianos e marxistas, sendo estes últimos subdivididos em marxismo-leninismo, stalinismo, trotskismo e maoísmo.

No Brasil, os aderentes do stalinismo e do trotskismo, antagônicos, (Trotsky rompeu com Stálin), ambos de ideologia totalitária, que se juntaram a outras tendências para fundar o PT, inevitavelmente transformado numa seita de fanáticos com uma teoria política narcopopulista de orientação bolivariana.

É impressionante a adesão confusa a um partido de flagrantes distorções ideológicas, com militantes praticando o culto da personalidade de Lula da Silva, um pelego sindical astuto e psicótico.

O nível mental desses militantes lulopetistas se justifica com as últimas declarações de Lula, que depondo como réu num processo que o julga por tentar barrar as investigações da Operação Lava Jato, esbravejou contra o bombardeio de denúncias que o envolvem, e se comparou com Deus.

Disse (e está gravado): “Se o senhor soubesse quantas pessoas usam o meu nome em vão. As pessoas tinham que ler mais a Bíblia para não usar tanto o meu nome em vão”. Este tresloucado disparate deixou os lulopetistas contritos (e alguns ajoelhados).

Felizmente os lulopetistas se reduziram a um pequeno número. O fracasso da “greve geral” que convocaram trouxe-nos a alegria de constatar que os aderentes diminuíram bastante.

São poucos os que ainda cultuam a figura obscena de Lula, que pôs o Brasil em estado pré-falimentar pela incompetência e pelo roubo. E, com mil aleluias, vimos que o Pelegão está agora na “Lista de Janot” e que irá enfrentar Sérgio Moro no juizado de 1ª instância para uma condenação exemplar.

 

 

 

SEM-FUTURO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A mudança é a lei da vida. E aqueles que confiam somente no passado ou no presente estão destinados a perder o futuro.” (John Kennedy)

A reforma da previdência é necessária e urgente para garantir os benefícios dos contribuintes passados, presentes e futuros. Infelizmente não é assim que vê a oposição populista – autodenominada “socialista”. Os sem-futuro.

É claro que para os estudiosos do problema, que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir não creem no alardeado “rombo na Previdência”. Os que assim consideram escondem a massa de devedores da dupla contribuição, dívida que chega a trilhões. Estão aí, entre os maiores, com bilhões de reais caloteados, a massa falida da Varig e a JBS/Friboi, onde a Famiglia Lula da Silva tem interesses.

Os sem-futuro, na maioria “parasitas do dinheiro público” como se refere um editorial do Estadão, fazem de tudo para contaminar as reformas. A pelegagem se mostra hostil, incapaz de assumir responsabilidades. Entre eles se apresenta o pelegão Paulinho da Força, dono do partido fisiológico Solidariedade.

Há nos demais partidos – para não falar da esquerda bolivariana, PT e seus puxadinhos – parlamentares que, por demagogia, se mostram “defensores” dos contribuintes, sem levar em conta a realidade.

Entretanto, cobradas as dívidas, que é uma exigência nacional, o projeto traz medidas positivas nas regras de transição e a proposta de que os benefícios se desliguem da referência com o salário mínimo.

É preciso destacar, particularmente, a conjuntura de que a população brasileira está vivendo mais, com mais idosos do que no século passado. Uma conquista maravilhosa que deve ser acompanhada de garantias vindouras, já que as novas gerações que sustentam o espólio previdenciário, diminuem.

Uma verdade incontestável é que os governos dos três níveis, federal, estadual e municipal, nunca levaram a sério o fundo previdenciário, usando-o a seu bel prazer e distribuindo benesses a torto e direito.

Veja-se que a União se responsabiliza por privilégios colonialistas, atendendo políticos, com aposentadorias e pensões absurdas e militares, que mantêm vantagens próprias diferenciadas dos demais. Os Estados gastam inexplicavelmente R$ 35,8 milhões por ano com pensões de ex-governadores e viúvas.

Com esta constatação é fácil provar que a soma dos calotes com os disparatados privilégios para algumas categorias, que existe um “rombo”; um enganoso argumento dos que resistem às reformas.

Outras deduções ilusórias dos sem-futuro, está na diferenciação de gênero, distinguindo a mulher trabalhadora – que já goza de vários benefícios – do homem trabalhador, usando a “dupla jornada” (no trabalho externo e na moradia) como se atualmente os homens, em grande parte, também não se submetessem a este expediente.

É preciso que tenhamos a obrigação de olhar para o porvir. Não é o destino que vai construir a base previdenciária para atender quem contribui durante anos como garantia de uma velhice tranquila.

Sei, e não me sinto solitário, que tais considerações não agradam a muitas pessoas, mas é preciso que alguém fale e diga tudo para garantir que os contribuintes obtenham o direito adquirido da aposentadoria integral.

E isto não ocorrerá sendo negada a Previdência aos que têm direito, se forem mantidos privilégios que favorecem aqueles que são “mais iguais do que os outros”…

 

 

 

COMPROMISSO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O que destrói a humanidade? Política, sem princípios; Prazer, sem compromisso; Riqueza sem trabalho; Sabedoria sem caráter… (Mahatma Gandhi)

Anos atrás me empolguei com o livro de Howard Fast intitulado “Compromisso”. Um dos meus autores norte-americanos preferidos, Fast conta a história de um jornalista impedido de publicar uma reportagem sobre a fome em Bengala, na Índia, pela censura branca dos donos dos jornais.

Por denunciar o colonialismo inglês atuando na Índia durante a 2ª guerra, o repórter é perseguido e termina acusado de subversivo, sendo preso pelo Comitê McCarthy a pedido do serviço secreto britânico, na época policialesca que envergonha os EUA na História da Humanidade.

Compromisso é um substantivo masculino que vem do latim, “compromissus”, particípio passado do verbo “compromittere” que, por sua vez, se origina de “promessa”, ou seja, “com promessa”.

Há, em hebraico, ao menos duas palavras com a mesma raiz de Elohim, deus, “aquele que se compromete e cumpre”, ambas expressando diretamente uma promessa ou juramento.

A primeira é alah, e diz respeito ao compromisso objetivo, à descrição do que é acertado; e a segunda, davar, referindo-se à palavra emprenhada para cumprimento de uma promessa tenha o promitente a consciência de suas implicações ou não.

Nas línguas neolatinas, a sinonímia de “compromisso” é riquíssima: além de promessa escavaquei acordo, ajuste, combinação, convenção, contrato, palavra, pacto, tratado, trato…

Compromisso é uma obrigação que os políticos brasileiros não cumprem. De tal maneira é o desprezo que os parlamentares sem o menor pudor descumprem as suas promessas e rasgam os contratos, que provocam indignação e revoltam a cidadania.

Será uma injustiça, porém, limitar ao Poder Legislativo esta ignomínia. A infâmia contamina a vida política nacional de cima para baixo, do presidente da República aos prefeitos, passando pelos governadores. E tem mais, o Poder Judiciário não escapa da perda de credibilidade, com desembargadores e juízes que vendem sentenças.

Do ponto de vista histórico, uma coisa é indiscutível: foi a pelegagem lulopetista, quando chegou ao poder, que institucionalizou o desprezo pelas obrigações contraídas. A começar pela traição ao programa do próprio partido e a aliança com os 300 picaretas do Congresso.

A expressão “ter um compromisso” nada significou para Lula da Silva e seu poste, Dilma Rousseff quando exerceram a presidência da República.  E não somente isto: além de lavarem as mãos – como Pilatos – diante da corrupção dos partidários, parceiros e aliados, participaram da roubalheira com um cinismo de corar uma estátua de mármore.

A triste constatação de um Brasil despojado dos valores éticos e morais, e a total falta de compromissos dos dirigentes constitucionais nos levam a crer na necessidade de passar uma borracha nas instituições para recomeçar do zero…

Como a esperança é a última que morre, daremos mais uma chance ao Poder Judiciário (leia-se STF), para que assuma o compromisso de cumprir a lei, punindo os empresários e políticos corruptos sejam quais forem, e a qual partido pertençam ou sirvam.

Para isto devemos revigorar o entusiasmo patriótico e voltar às ruas. Um País contaminado pela corrupção, com as casas do Congresso conspurcadas, o STF semi-partidarizado e a Presidência cercada pelos que querem acabar com a Lava Jato não há outra saída: “Às ruas, povo brasileiro! ”

MARCHINHAS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O povo toma pileques de ilusão com futebol e carnaval. São estas as suas duas fontes de sonho”. (Carlos Drummond De Andrade)

Acho que foi o diabo quem inventou essa história do “politicamente correto”. No carnaval é que se vê que esta barbaridade está na contramão da alegre confraternização social. Lembrando que é a inversão de valores que domina os temas carnavalescos.

Essa desgraça que se abateu sobre o mundo é a razão do fim das marchinhas políticas, caricaturais, denunciantes e de protesto. Na minha juventude cantei e gravei marchinhas do desabafo popular, começando por “DAQUI NÃO SAIO” de Paquito e Romeu Gentil.

Lembrando a agonia de despejo forçado pela modernização urbana do Rio de Janeiro, cantamos “Daqui ninguém me tira/ Onde é que eu vou morar/ O senhor tem paciência de esperar/ Inda mais com quatro filhos/ Onde é que vou parar? ”

Os protestos da época induziram uma nostalgia pelo governo de Getúlio Vargas e os compositores Haroldo Lobo e Marino Pinto “estouraram” no carnaval de 50 com “RETRATO DO VELHO” fazendo o povo cantar: “Bota o retrato do velho, outra vez/ Bota no mesmo lugar/ O sorriso do velhinho/ Faz a gente trabalhar”.

Eleito Getúlio, o Rio de Janeiro sem autonomia política, sofria problemas estruturais, o que levou Vitor Simon e Fernando Martins a comporem “VAGALUME”, o protesto uníssono dos cariocas: “Rio de Janeiro/ Cidade que nos seduz/ De dia falta água/ De noite falta luz. ” Sobre o mesmo tema, apareceu em 1954 “TOMARA QUE CHOVA”, de Romeu Gentil e Paquito: Tomara que chova/  Três dias sem parar (bis)/ A minha grande mágoa/ É lá em casa não ter água/ E eu preciso me lavar”…

Na minha velha cabeça sempre achei que as marchinhas traduziam o contentamento coletivo do reinado de Momo… E são insuperáveis. Há pelo menos umas 100 que se tornaram clássicas, e hoje mais fortes do que nunca pela bestialidade das proibições.

A mais antiga, e ainda cantada, é a “ABRE ALAS” da inolvidável Chiquinha Gonzaga. E vieram depois com a força da tempestade “LINDA MORENA” (Lamartine Babo), PIERROT APAIXONADO (Noel Rosa E Heitor Dos Prazeres) e “MAMÃE EU QUERO” (Jararaca e Vicente Paiva).

Me perdoem os “politiqueiros corretos” que não passam de uma tomografia computadorizada da imbecilidade reinante entre os que se autodenominam de “vanguarda”. Adoro “O TEU CABELO NÃO NEGA”, de Lamartine Babo; a MULATA É A TAL” (Braguinha-Antônio Almeida) e “NEGA MALUCA” (Fernando Lobo-Evaldo Rui). Procuro e não acho racismo nas letras destas canções.

Tampouco encontro misoginia e preconceitos em “ALLAH-LÁ-Ô” (Haroldo Lobo-Nássara), “AURORA” (Joel e Gaúcho), “NÓS OS CARECAS”, “MARA ESCANDALOSA”, “SASSARICANDO”, “BALZAQUEANA”, (Wilson Batista) e “CABELEIRA DO ZEZÉ”.

Ainda lembrando os protestos, tivemos “PRAÇA ONZE”, “ZÉ MARMITA”, “ACENDE A VELA”, “TOMARA QUE CHOVA”. Mas quando o romantismo aflorava, entoávamos “TAÍ” (Joubert de Carvalho) e “QUEM SABE, SABE” (Jota Sandoval-Carvalhinho).

Sob o domínio da alegria pura, dançávamos com a CHIQUITA BACANA” (Haroldo Lobo e David Nasser), “TOURADAS EM MADRI” e “YES, NÓS TEMOS BANANA” (Braguinha e Alberto Ribeiro). “SACA-ROLHA” (Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado, “ME DÁ UM DINHEIRO AÍ” (Ivan, Homero e Glauco Ferreira) e “CACHAÇA”(Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato).

Dito isto, vê-se que abomino o “politicamente correto”, que não passa de uma “PIADA DE SALÃO” (Klecius Caldas e Armando) …

 

TONS DE CINZA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O ser humano se engrandece no exato grau em que trabalha para o bem-estar do seu semelhante” (Mahatma Gandhi)

O Programa “Estúdio I” da G. News, sempre nos leva a trocar de canal para não ouvir intervenções idiotas dos lulopetistas enrustidos que ali pululam. Outro dia, num intervalo dos inconsequentes ataques a Trump (marca registrada da Globo), trouxeram quase 15 minutos de críticas a João Dória, o prefeito da capital paulista.

Único argumento: “Dória está pintando a cidade de cinza”. As moiçolas vespertinas, posando de “gênias”, engatam a quinta marcha na contramão da opinião pública. Não veem Dória flanando nas pesquisas que lhe deram 44% de ótimo e bom e 33% de regular, somando 77% de aprovação. Contra ele, o cabalístico e malfadado 13% do fanatismo lulopetista.

Contra Dória, que em menos de dois meses trouxe medidas e realizou programas de agrado popular, os opositores gratuitos só têm um argumento, injustificável, idiota mesmo, reclamando que ele está pintando a cidade de cinza.

Dória tem dado um banho nos políticos profissionais como administrador. Empresário bem-sucedido (pelo trabalho, não é nenhum Eike Batista, glória empresarial do PT), organiza São Paulo estabelecendo responsabilidades pela produção e traçando metas exequíveis. Isto vem se refletindo em todo País…

Em 30 dias obteve resultados que a grande maioria de prefeitos não realiza nos quatro anos de mandato. O primeiro balanço mensal da sua gestão dá inveja aos cidadãos e cidadãs bem informados de outros estados. Além disto, Dória presta contas à população diariamente, através das mídias sociais, ou seja, sem propaganda paga.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização”.

Vestiu um macacão e foi às praças, com a indispensável ajuda do secretário Gilberto Natalini. Assim, revitalizou o Parque do Ibirapuera, que estava abandonado. No Ibira, recuperou os banheiros públicos e o parquinho a custo zero para a Prefeitura. O seu projeto “Cidade Linda” chegou ao centro da cidade e entregou praças na periferia à população, com replantio de grama, flores e instalação de bancos.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização!

A avaliação nas pesquisas do trabalho que Dória vem realizando lhe faz justiça: O Prefeito vestiu uma bata de enfermagem e o Programa Corujão Saúde já realizou mais de 70 mil exames atendidos pelos melhores hospitais particulares.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização.

No campo da economia a Prefeitura tem recebido doações das empresas paulistanas para as benfeitorias em diversos bairros e economizou 10 milhões por mês dos cofres municipais cortando o aluguel de carros e vans.

Pelo lado social Dória realizou a façanha de manter as passagens de ônibus a R$ 3,80, enquanto as cidades do entorno subiram para R$ 4,20 ou mais. Imprimiu melhorias nos albergues para o povo da rua com a ajuda de uma rede de hotéis e distribuição de produtos de higiene doados pela Unilever.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização.

Os “movimentos tentáculos do PT”, autodenominados “populares”, estão paralisados diante do apoio crescente do povo paulistano ao modo de governar de Dória. A efetivação de parcerias público privadas efetivas, o apoio dado pelo empresariado e o trabalho permanente e ininterrupto do Prefeito e seus auxiliares entusiasmam tanto que voluntários de todas as classes sociais acorrem para colaborar com a limpeza das ruas e das praças.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização.

DESTOANTE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Eu estive em todos os lugares e só me encontrei em mim mesmo” (John Lennon)

Uma viagem pelo interior dos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte nos esclareceu muita coisa sobre a situação destoante que o Brasil atravessa e nos leva a lamentar o que ocorre na Região Nordeste invadida por uma modernidade – entre aspas – que degenera a sua rica cultura.

Vejam só: na minha querida Guarabira, capital do Brejo Paraibano, quis levar o acompanhante, meu amigo Augusto Lula – vídeomacker e fotógrafo apaixonado – para um restaurante que conheci anos atrás e comer lá o excelente picado que oferecia. No lugar da casa de pasto, encontramos um Subway…

Em vez de uma célebre oferta de carne-de-sol, montaram uma Churrascaria Paraguaia: – “Não se aborreça”, disse-me Lula, “tudo é passeio”. Teve razão: rodando pela periferia encontramos o Bar da Barata – do homônimo Lula meu velho amigo. Quando os apresentei, Augusto, amostrado, se identificou: – “Lula Dez Dedos”, o dono do bar, repentista, retrucou: – “Lula De Uma Perna Só”; perdera um membro inferior num acidente…

Fomos bem tratados ali. Perguntado porque a casa se chamava “Bar da Barata” o Lula De Uma Perna Só, falou que ali havia uma imensa quantidade dos ortópteros, e justificou: – “Mas só tem daquelas pequeninhas”…

A cordialidade e generosa atenção dos guarabirenses continua a mesma; mas não se dão conta de que a sua cidade está se transformando. Para pior.

Em Bananeiras, nas vertentes da Serra da Borborema, quisemos almoçar a famosa fava, iguaria regional. Já não era a mesma, e defronte do Bar da Fava uma franquia de uma loja de moda feminina paulista. No lugar de um queijeiro de Monte Alegre, montaram uma revendedora de motocicletas.

Ensinaram-nos onde encontrar queijo de coalho de qualidade. “Mais adiante na entrada de Brejinho, ao lado do antigo Cabaré de Maria do Gancho, vocês acham”. Que nada! Era uma casa de lanches especializada em hambúrgueres. Em Brejinho, cidade respeitada pela excelente qualidade da farinha ali feita, não a encontramos.

Seguindo para Natal, escolhemos ir por Monte Alegre e perguntamos se a estrada estava boa. – “Tem uns buraquim”. Monte Alegre é a cidade onde nasceu e cresceu o governador do Rio Grande Norte, e a sua estrada é intransitável.

Tudo o que vivemos destoa, do verbo destoar, figurativamente, que tudo está se tornando inconveniente; impróprio. Chocou-me encontrar no Nordeste tradicional o retrato do nosso pobre Brasil; uma radiografia da situação que nos aflige na mutação que vem de cima para baixo.

Esta alegoria nos leva ao que ocorre na política do presidente que foi eleito pelo lulopetismo e seu governo montado na base do PMDB corrupto dos Sarney e Renan Calheiros. Os “buraquim” se multiplicam vergonhosamente. As eleições de Eunício e Maia para o Senado e Câmara são buracos imensos. Crateras.

Para fechar o firo, vai para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado o corrupto Edson Lobão. Repetindo a história da raposa tomando conta do galinheiro.

Neste quadro é impossível deixar de acreditar que estão armando uma arapuca para a Operação Lava Jato. De nome em nome, projeto em projeto, medida em medida vai-se preparando um bote sobre a Polícia Federal, o Ministério Público e a justiça boa e perfeita praticada pelo juiz Sérgio Moro.

Apesar desta nostálgica crônica me nego a omitir que atravessamos uma situação extremamente difícil por causa daqueles que se assenhoraram do poder no País, seja federal, estadual ou municipalmente…

Torna-se intolerável aceitar a conjuntura política que atravessamos. Um Executivo que executa o compadrio; um Legislativo que legisla em causa própria; e, um Judiciário fatiado por interesses partidários. Nesta destoância, cabe a pergunta: “O que fazer? ”