MODO GAVIÃO

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MIRANDA SÁ ( Email: mirandasa@uol.com.br)

Apesar de não usar aparelhos eletrônicos em viagens aéreas, ficava sempre curioso quando o comissário de bordo pedia: – “Senhores passageiros, favor ativar o modo avião”.

Vim a saber que o “Modo Avião” é uma medida de segurança para impedir que celulares, tablets e computadores transmitam sinais de rádio durante o voo; usando-o, a rede celular e outras transmissões sem fio são desligadas a fim de não interferir nos sistemas de comunicação e navegação da aeronave.

Tal procedimento é uma precaução operacional que obedecem às normas e aos procedimentos de todas companhias aéreas, e não se trata de uma proibição para o uso dos aparelhos transmissores; significa apenas fazê-los deixar de procurar e transmitir sinais para redes externas enquanto o avião está voando.

Na última viagem que fiz lembrei-me de um caso em que uma ave sugada pela turbina de um avião provocou a sua queda causando centenas de mortes; e como cantou o maravilhoso Lupicínio Rodrigues: “O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa, quando começa a pensar” ….

Parece que o causador do acidente foi um gavião-real e imaginei que pudéssemos ter um Modo Gavião para evitar tragédias. Nos tempos de escola (a minha foi risonha e franca) estudei que o gavião-real, também chamado de harpia, é nativo da Amazônia, pertencendo à classe das chamadas aves de rapina.

O nosso gavião tem como colegas o Condor e a Águia com vidas semelhantes, embora de famílias zoológicas diferentes. Para os Incas, o Condor-Andino (kuntur, em quéchua), sobrevoava o universo ligando o mundo terreno ao mundo dos deuses. E, além da religião, simbolizava o poder político do imperador, Sapa Inca, o “filho do Sol”.

Ao Norte Americano, a Águia-de-Cabeça-Branca ocupa uma vasta área, do Alasca e Canadá até o México. Tornou-se um símbolo político nos Estados Unidos na formação da nova república, tendo o Congresso Continental criado o Grande Selo representando a Águia de asas abertas com um ramo de oliveira no bico sobre 13 flechas, que representavam as treze colônias libertadas.

No conjunto, as três aves são predadoras caçando e alimentando-se de pequenos animais; algumas são necrófagas, que segundo os ambientalistas têm a função ecológica de limpar o ecossistema.

O nosso Gavião também possui majestade, sem ser reconhecido atualmente na cultura nacional; não é reverenciado religiosamente, nem tem representação política; vive nas salas escondidas dos museus e nas altas prateleiras das bibliotecas. Mesmo assim, as encontramos nas vitrines penas do gavião de importância ritual do povo Kayapó; e na literatura etnológica, associando-os às lendas indígenas pela força, astúcia e vingança.

Entre os Gavião do Pará, povo Jê-Timbira, existe o mito Hàkti mẽ Kuhỳ — Gavião-real e Fogo; é estudada por antropólogos esta crença de que animais, humanos e plantas não são diferentes, somente separados pela distinção “civilizada” entre a “natureza” e a “cultura”.

O gavião pode, assim, assumir papel de personagem e agente de acontecimentos fundamentais para a vida humana, e curiosamente ocorreu na megalópole paulistana, com a fundação da torcida do Corinthians “Gaviões da Fiel” ….

Como ave de rapina assume uma posição política e o avanço dos picaretas nos fundos político e eleitoral e nas criminosas emendas parlamentares que os reelegem com o dinheiro do contribuinte que não deseja isto.

O gavião não é, porém, uma espécie única, e entre as muitas espécies destaca-se o imponente Gavião-Real; vendo-se outro lado os necrófagos, parentes próximos dos urubus, esvoaçando sobre o lixo…

Com suas asas pretas lembram as capas pretas dos os togados do STF que arrotam constitucionalidade e impedem investigações sobre colegas suspeitos de corrupção…. São, por isto, os grandes derrotados nas recentes eleições por fazer carniça da Constituição.

O eleitorado, sem dúvida, usou o Modo Gavião nas urnas, precavendo-se desses necrófagos humanos.

 

 

 

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