Artigo
TELEGRAMA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uolcom.br)
“Trame, planeje, calcule, postule…. E conte com isso! ” (Henry Miller)
Não faz muito tempo que escrevi uma crônica sobre as coisas que a Geração Web não conheceu, são tantas que nos obriga a selecionar apenas algumas, como apontador de lápis, caderno de caligrafia, caneta tinteiro, cartas, gravador portátil, máquina de escrever, telegrama…. Também o bom trato com os velhos….
A distinção com a terceira idade não desapareceu e ainda é respeitada pelos que não são filhos de chocadeira; quanto ao Telegrama, com a sua abreviação básica, teve um curto retorno por uns tempos, quando o Twitter exigia dos micreiros 140 toques, ampliados depois para 280 em 2017.
O pensamento expresso sumariamente valorizava a expressão, dava-lhe qualidade e retratava a inteligência nos resumos, como no jornalismo temos as sinopses para atender os apressados.
Assim eram os telegramas. Meio de comunicação entre pessoas e instituições, com mensagens curtas e urgentes que eram entregues envelopados no endereço de destino; antes eram transmitidos pelo telégrafo, depois por telefone e agora temos um similar pouco usado via Internet.
Nos velhos tempos memorizava juras de amor; mensagens confidenciais, comerciais ou políticas; e comunicados funestos, noticiando acidentes e mortes. Temendo receber notícias tristes, muitas pessoas hesitavam em abri-los….
Parecia natural o temor por tomar conhecimento de acontecimentos telegramados. A gramática apresenta a figura da “preterição” que consiste em passar por cima de um texto, mas a curiosidade sobre o conteúdo de um telegrama era irresistível.
Antigamente era muito difícil manter sigilos. Os segredos eram um prato feito nas conversas familiares, almoços e jantares, bate papo de botequim. Tem até uma interessante resenha de Gore Vidal que diz: – “Quando alguém me pergunta se posso guardar um segredo, respondo: “Por que eu deveria, se você não pôde? ”.
Na Era da Mitomania Bolsonarista os sigilos fazem parte do discurso presidencial, uma breve simulação disto é espantosa: o capitão Bolsonaro fez segredo por 100 anos de um teste de vacinação; o Exército usou o mesmo período para dar conhecimento do julgamento do general Eduardo Pazuello por participar de comício partidário.
Tivemos a pouco um absurdo dos absurdos: o Governo Federal pôs sob sigilo as idas dos filhos do Presidente ao Palácio do Planalto! Assim, não é estranhável que um encontro de pastores evangélicos com Bolsonaro seja sigiloso; principalmente depois do escandaloso pastoril do gabinete paralelo no Ministério da Educação que revelou cobrança de propinas por pastores lobistas.
Talvez seja exibir demais de um governo do Centrão (como seria também de um governo lulopetista, porque os populistas são iguais), mas, em nome da Democracia e da Transparência na Administração Pública, os sigilos deveriam ser proibidos.
Perdoem-me os que pensam diferente por considera-los tolos. Não chegam a ser uns imbecis úteis como os alemães que apoiaram os nazistas e aplaudiram Hitler, embora contribuam para a disseminação do mistério na vida política dos governantes.
Além da manada cultuadora de personalidades, temos igualmente a omissão silenciosa dos garantistas togados e dos esgotados militares da ativa que apadrinham este tenebroso artigo de fé do sigilo.
Gostaria de fantasiar um pouco acreditando num Tribunal da Opinião Pública e num Exército do Patriotismo que, reunidos, enviaram o seguinte telegrama endereçado à Nação Brasileira:
“ACORDA POVO BIPT É IMPOSSÍVEL DORMIR NUM PAÍS ONDE SEGREDOS DOS OCUPANTES DO PODER SÃO LEGAIS PT O RUIDO DESTA MISTIFICAÇÃO LEVANTA SUSPEITAS VG NÃO SE ACUMPLICIE PT REAJA” ASS. A CONSCIÊNCIA
FAKE NEWS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“A tradução literal do inglês para o português é ‘notícias falsas’” (Wizard)
Insistentemente os ficcionistas dos “deuses astronautas’ falam do encontro submerso na costa turca de um artefato semelhante ao computador; da minha parte, considero isto apenas uma ansiosa vontade de provar fantasias; prefiro aceitar o registro histórico de que ele foi estudado na década de 1939 e exitoso na 2ª Guerra Mundial.
Assim, considero o computador uma coisa nova, a internet novíssima, e as redes sociais, excepcionalmente recentes…. Mas as fake news são muito mais antigas do que a nossa imaginação alcança.
Há quem afirme que têm a sua origem nos Vedas, livros sagrados do hinduísmo, e estudiosos ocidentais dizem que foram copiadas nas histórias do Antigo Testamento entre 1800 e 500 a.C..
Já no Ocidente tivemos em Roma o filósofo Tito Lívio, que sofreu pesadas críticas por desacreditar da veracidade de uma Loba que amamentou os fundadores de Roma, Romulo e Remo. Considerava-a uma mentira fantástica, seja, aquilo que hoje chamamos de fake news….
As notícias falsas nasceram de absurdos, dos mitos (que persistem na cabeça dos palermas), das sátiras e de zombarias. Batizadas de fake news, chegaram aos subúrbios da politicagem, disseminando maldades; e esta presença agigantou-se nas eleições brasileiras de 2018, e se tornou perversa e desumana na pandemia do novo coronavírus.
Mensagens desvirtuadas falsas e pervertidas foram usadas contra a Ciência Médica pelo negativismo bolsonarista, apelando emocionalmente para pessoas ingênuas, ou de crenças distorcidas, ou dos fanáticos cultuadores de personalidades políticas.
Entre os operadores de fake news encontramos mercenários criadores de conteúdo comercial ou político nas redes sociais; outros são agentes políticos convictos ou profissionalizados para defender pautas de movimentos e partidos; e temos os indivíduos e grupos brincalhões com pegadinhas realistas ou humorísticas, paródias, piadas e sátiras.
Há também os “trolls”, que criam histórias absurdas para criar confusão e, tristemente, encontram sempre quem concorde, se emocione e se interessem em divulgar as suas mensagens insidiosas e pérfidas. Alguns cretinos se engajam espontaneamente ou são recrutados para a vulgarização de posts, sites e vídeos fraudulentos entre os usuários das redes sociais.
Na sua maioria são “usuários comuns” das redes, contratados por empresas ou organizações políticas para espalhar desinformação e informações mentirosas sobre entidades, fatos, pessoas públicas, pesquisas científicas e projetos econômicos. O resultado obtido enaltece ou desmoraliza artistas, intelectuais e políticos e reforça campanhas publicitárias.
Há muita gente paga para fazer isto, mas a pior disseminação das fake news vem da inteligência artificial, o uso de robôs acionados à distância que realizam intervenções em massa. Estes “bots” (diminutivo de robôs) conhecidos nos meios de dissimulação no webinário (“web-based seminar“) como Internet bot ou web robô, simulam a atuação humana padronizada e repetidas vezes.
Aí reside o perigo ameaçador de conquistar adesões, principalmente agora, iniciando-se sub-repticiamente ou burlando a vigilância do TSE, está nas redes sociais a campanha eleitoral polarizada entre os dois maiores grupos divulgadores de fake-news. Os bots e robôs de carne e osso vêm ensaiando desde 2014, e foram usados massivamente em 2018.
Para enfrentar a desinformação e a salvação da Democracia nas próximas eleições, o TSE criou em 2019 o Programa de Enfrentamento à Desinformação; e no Congresso parlamentares patriotas enfrentam os criminosos defensores da fraude.
Assim o País se mobiliza para combater e penalizar as notícias falsas contumazes dos agentes populistas de direita e de esquerda; e revoltante é haver estúpidos nas redes sociais defendendo embustes e mentiras como fossem “liberdade de expressão”. Só camisa-de-força.
SEMPRE
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Há duas palavras que não se podem usar: uma é Sempre; a outra é Nunca” (José Saramago)
No universo esquizofrênico do fanatismo, a mistura de fantasia e realidade dá o caldo da estupidez. Recentemente, ao surgir o escândalo do pastoril bolsonarista no Ministério da Saúde, apareceu como defesa da cumplicidade do capitão Bolsonaro com os parceiros propinistas a expressão: – “Sempre se fez assim”.
Muitos dos que votaram no Presidente, votaram porque ele prometeu que não seria sempre assim. Mentiu, e se revelou um mitômano incurável. Dizia-se contra o Centrão, falando pela boca do fantoche general Heleno, defendeu a Lava Jato nomeando Sérgio Moro para a Justiça e nos primeiros comentários sobre as rachadinhas dos filhos falou “se fizer merda, pagará”.
Hoje assume ser do Centrão com a concordância de Heleno; é contra qualquer investigação sobre corrupção, e troca delegados da PF para defender a “Famiglia”, comprometida até o gogó com as rachadinhas.
Vergonhoso é o caso a Wal do Açaí. Denunciada como funcionária fantasma no gabinete de Bolsonaro quando deputado em Brasília, ele jurou em cruz que ela cumpria os deveres regulamentares; agora que ela assumiu nunca ter ido à Brasília, p Mitômano se desmente “assumindo” a delinquência. Mas se justifica dizendo ser uma prática comum na Câmara Federal.
“Sempre se fez assim”. O filósofo grego (323 a.C.), Diógenes – O Cínico – andava pelas ruas de Atenas em pleno dia com uma lanterna na mão dizendo que procurava “a verdade” ou “um homem honesto”…. Hoje no Brasil, religiosos bolsonaristas andam com uma Bíblia padronizada atrás de propinas.
Bolsonaro defende os lobistas corruptos da Educação acumpliciando-se com eles, e conta com o apoio cego dos cultuadores da sua personalidade. É pena ver-se entre estes baba-ovos pessoas alguns com formação acadêmica. A reação vem somente dos que se assumiram em oposição diante deste desmando.
Combater os repetidos escândalos nos alvos mais críticos do destino nacional, primeiro na Saúde e agora na Educação, é prova de verdadeiro e corajoso patriotismo.
Lembre-se que Buda lutou contra a estupidez formalista dos Brâmanes; Jesus Cristo atacou vigorosamente os escribas e fariseus hipócritas e Martin Luther King foi imolado por defender os direitos civis.
Nenhuma destas figuras históricas fez o que sempre se faz…. E para a Federação Única da Idiotia, a palavra Sempre tem o sentido de eternidade; usam-na como continuadamente, repetidamente, reiteradamente, perpetuamente.
Como verbete dicionarizado, a palavra Sempre, é gramaticalmente múltipla; aparece como advérbio, conjunção coordenativa adversativa e substantivo masculino de origem latina, “semper”. Significa tudo que se refere ao tempo: durável, contínuo, duradouro, eterno, infindável, longevo, perdurável, perene, permanente, prolongado e perpétuo.
Sobre tal definição de Sempre há controvérsias: uma é do português Saramago, meu epigrafado, impedindo o seu uso; outra é de Pittigrilli, escritor ítalo-argentino que lhe deu o sentido de mudança: – “Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre”.
Que tal, se por licença poética usássemos a palavra Sempre como mutável, no caso dos escândalos ministeriais de Milton Ribeiro e seus pastores? É fundamental se lhes diga que em nenhum momento é possível implantar-se um sistema educativo inclusivo vendendo bíblias, construindo templos e cobrando ouro por liberação de verbas…
Bolsonaro em vez de ouvir Michele, para quem o pastor Milton Ribeiro é um santo, precisa aprender os antônimos de Sempre: Nunca, jamais.
ENTREVISTA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Quando uma religião começa a dominar, tem como adversários os que foram seus primeiros adeptos” (Nietzsche)
Novelista de imaginação fabulosa, o escritor ítalo-argentino Pitigrilli trouxe na sua literatura de ficção um jornalista que entrevistou Deus; a crônica mostra que este apareceu à meia-noite no quarto do repórter assustando-o.
Vou parodiar a historieta, criando outra personagem de jornal que recebeu também a mesma visita. E ouviu do madrugante que revelou: – “Sou Deus”, disse, desfazendo a dúvida do sonolento jornalista, revelando pelo semblante a incerteza da identidade do personagem, e falou: – “Aparecendo a essa hora acordando-me abruptamente, não preciso conhecer Teologia para presumir que és o Diabo”.
– “Não importa o que pensas de mim; quero ser entrevistado como o Deus que está na Bíblia, aquele que transformou a mulher de Lott em estátua de sal, que mandou as sete pragas para o Egito, fez da vara de Aarão uma cobra e castigou com conjuntivite a Santa Genoveva pela curiosidade olhando pelo buraco da fechadura”….
Assim, o jornalista se sentiu mais seguro e disse: – Concordo, mas pensava que Deus teria outra maneira de se apresentar…” E foi de pronto replicado: – Querias que eu me revelasse como uma sarça ardente, como fiz com Moisés? Fez uma pausa e repetiu: -“Quero ser entrevistado, tu serás uma pessoa que falou com Deus”.
Pegando passivamente caneta e papel, ouviu do hóspede inesperado: – “Venho de público lembrar às pessoas que me pedem uma ajuda pessoal para esquecerem isto; tenho milhões de sistemas universais para cuidar e não me é possível ajudar ninguém a ganhar na loteria ou resolver casos conjugais ou solucionar problemas com um cano furado…”
Este introito basta para certificar-nos de que este não era o Diabo, mas o Deus das pessoas inteligentes como Spinoza, que se refere ao Altíssimo como a “Alma do Universo” e que Einstein afirmou não aceitar um deus que se preocupe em atender necessidades pessoais….
Assim, uma criação imaginária ganha força de argumentação para as pessoas que não pagam a fraudadores que se apresentam como intermediários entre o crente e Deus; e levam ao evangelho de Mateus (VII,6): “Não deis coisas santas aos cães e não lanceis pérolas diante dos porcos, com medo que pisem nos nossos pés ou se voltem e vos despedacem”.
Na sua fantástica herança intelectual, o pastor autêntico Martin Luther King nos esclareceu alertando que: – “A religião mal-entendida é uma febre que pode terminar em delírio”; e presume-se que seja o que ocorre no círculo íntimo da Família Bolsonaro ao defender o pastoril corrupto do Ministério da Educação.
Deixa-nos dúvidas se é realmente incompreensão ou cumplicidade. O ouro reluz nos olhos ávidos de quem praticou a rachadinha e recebeu cheques de origem suspeita e sem uma explicação lógica; talvez por isso assistimos o capitão Bolsonaro defender o ministro Milton Ribeiro e os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, que indicou e sustentou no Ministério.
Foi criminosa a ação de lobistas para liberar verbas federais como foi crime mantê-los e acumpliciar-se com eles: está no Código Penal como formação de quadrilha. Para tirar o corpo fora, Bolsonaro agora “joga no mato” (como se diz no Sertão) seu Ministro.
Poderia ter sido antes, pois Ribeiro perdera há muito o apoio da ala militar, da maioria do Centrão e de parte do seguimento evangélico; ficou mais tempo porque não passava de um fantoche.
Há quem tenha se revoltado mais com a foto na Bíblia do Pastor-Ministro do que com as propinas; mas o que a Cidadania exige é honestidade dos ocupantes do Poder. Para os hipócritas, Nietzsche tem um recado: – “Quando colocamos a verdade de cabeça para baixo, geralmente não notamos que também nossa cabeça não se acha onde deveria estar”.
ESCÂNDALOS
MIRANDA Sá (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“A palavra escândalo caiu em desuso no Brasil, porque nada mais escandaliza o brasileiro” (@HugoAg0go)
Eu não consigo, desde a adolescência, compactuar com os políticos corruptos que assolam o País desde aquele tempo; foi por isto que me alegrei com a chegada da Lava Jato e o processo de perseguição aos corruptos e a prisão do ex-presidente Lula.
Continuo me escandalizando, e ficou atravessada na garganta minha revolta contra a aliança dos corruptos e os garantistas do STF para anular as sentenças do ex-juiz Sérgio Moro, do TRF4 e das investigações do MPF e PF contra a corrupção dos governos lulopetistas.
Revolta ainda mais ver-se o próprio TSJ (que também sentenciou o corrupto Lula da Silva à prisão), condenar o procurador Deltan Dallagnol a pagar indenização para o Pelegão “por danos morais”…. Dallagnol, que investigou e comprovou a delinquência do ex-presidente, passou a ser culpado pela denúncia feita.
Com Lula livre, leve e solto, assistimos agora o remake do filme policial em que foi personagem. É a película “CORRUPÇÃO – O RETORNO”, mostrando o general Braga Neto na Casa Civil atuando com o capitão Bolsonaro em favor de um projeto de lei favorável à Associação Brasileira de Clínica de Vacinas – ABCEVAC – contratante com a Precisa Medicamentos para fornecer a vacina indiana Covaxin.
Sem desmentidos do Governo Federal até hoje, Bolsonaro e Braga Neto assumiram o compromisso de comprar 20 milhões de doses da Covaxin de ‘facilitadores políticos’ que iriam receber ‘comissionamentos’ na transação.
Deu-se desta maneira, segundo a CPI da Covid, o mais-que-perfeito esquema de “rachadinhas oficiais” na gestão do general Pazuello, cercado de militares à frente do Ministério da Saúde.
Noutro escândalo, é impossível negar que Pazuello negociou pessoalmente a compra da vacina Coronavac de intermediários amigos da família Bolsonaro por quase o triplo do preço negociado pelo Instituto Butantan.
É impressionante constatar-se que enquanto o povo necessitava de vacinas para enfrentar a pandemia, os responsáveis pelo Governo Federal se preocupavam em extrair propinas; um verdadeiro escândalo.
À época, um editorial do Estadão foi incisivo: “ À medida que as investigações da CPI da Covid avançam no Ministério da Saúde, vêm à tona indícios não de sistema sofisticado de fraudes, mas de trambique, mutreta, picaretagem, tramoia. ”
No roteiro das cenas revoltantes, observa-se o paradoxo entre clarinadas de honestidade (noves fora as rachadinhas e cheques de Queiroz para Michele) e a realidade. Faz-se sob o silêncio da tropa bolsopetista, felizmente reduzida aos que se degeneraram pelo fanático culto à personalidade do capitão Bolsonaro.
Chegando aos anos 2022, o filme “CORRUPÇÃO – O RETORNO”, recém lançado no auditório da política, mostra reuniões de um gabinete paralelo no Ministério da Educação coordenadas pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, sem vínculos com a pasta, mas controlando empenhos de R$ 9,7 milhões.
Além de tudo, até pedidos de barras de ouro, estes “lobistas religiosos” controlam “em nome de Cristo” a agenda do ministro Milton Ribeiro apoiados pelo capitão Bolsonaro, segundo o próprio titular da Pasta em vídeo amplamente divulgado.
O Ministro, justificando-se, diz que obteve com seus parceiros uma ótima taxa de agilidade na liberação de verbas de repasses federais. Fora dos padrões, se o prefeito “colaborar”, tem 18 dias para a grana chegar.
Neste imbróglio aparece disfarçadamente o dinheiro público destinado para construção de templos. Deste modo crescem os escândalos no Governo Bolsonaro, que joga na lata do lixo a ética e a honestidade.
Pela atual inversão dos valores, juízes, policiais e procuradores vacilam em entrar nesta briga temendo ser condenados por denunciar a corrupção, como fez o STJ dando ganho de causa ao corrupto Lula da Silva punindo o procurador Deltan Dallagnol que o denunciou.
O DIABO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“O Diabo se empenha em nos dominar nas pequenas coisas para nos enfraquecer” (São Vitor)
O nosso epigrafado, Vitor, santo católico nascido na Sicília viveu à época dos imperadores romanos Diocleciano e Maximiano e das perseguições aos cristãos. Morreu como mártir da Igreja, e, se não me engano, é padroeiro da cidade de Praga.
Em vida, São Vitor pregava a palavra e os milagres de Jesus Cristo, e principalmente o enfrentamento d’Ele com o Diabo, expulsando a Legião de demônios que dominavam um pobre homem.
Foi talvez o primeiro pregador evangélico a ilustrar o episódio do Cristo de não se deixar seduzir pelo Diabo, conforme Lucas expôs: – “… E o Diabo mostrou-Lhe num instante do tempo todos os reinos do mundo e disse-Lhe: ‘Tudo será teu se me adorares’; e Jesus respondeu irado: – ‘Vai-te, Satanás; porque está escrito: – ‘Adorarás o Senhor Deus e só a ele seguirás’.
Reconhecendo a existência do Diabo, a Bíblia diz: – “… E isso não é de admirar, pois até Satanás pode se disfarçar e ficar parecendo um anjo de luz. Portanto, não é nada demais que os servidores dele se disfarcem, apresentando-se como pessoas que fazem o bem. (2 Coríntios 11:14-15).
Isto suscita uma pergunta importante: Por que Deus criaria Satanás, um diabo ‘ruim’ (o nome significa ‘sedutor’) para corromper a humanidade? Deus prometeu a redenção no início dos tempos segundo Abraão e através de Moisés; e realizou com a ressurreição de Jesus.
E o que encontramos nos textos bíblicos é que o Diabo, ao contrário, faz tudo para enganar as pessoas negando as promessas divinas e as impedir de entrar no reino dos céus para se apossar das suas almas.
Pouco informado, não sei como os atuais teólogos católicos, cismáticos e evangélicos têm abordado a existência do Diabo, embora constate que esta figura sinistra se faz presente no imaginário dos sectários cristãos de todas igrejas.
O povo em geral vê o Diabo como um ente do mal. Sua referência aparece em não-sei-quantos sinônimos; dicionários de gíria e termos populares registram anjo mau, ardiloso, belzebu, canhoto, capiroto, cão, chifrudo, cornudo, demônio, lúcifer, maldito, maligno, malvado, satanás, tinhoso…
É corrente também o crédito nas possessões. De vez em quando aparece alguém com o diabo no corpo, situação reconhecida por todas as denominações cristãs ao manter padres e pastores exorcistas e que é explorada cinematograficamente…
Conforme é fácil ver-se, há muitos endemoniados entre os políticos brasileiros, que reconhecemos pela atuação eleitoralista junto às igrejas e na proliferação de sacerdotes políticos atuantes nos poderes republicanos.
Numa viagem do ministro-pastor Milton Ribeiro revelou-se um diabólico esquema de corrupção através do também pastor Gilmar dos Santos, que assegurou ao Prefeito do Município ser o responsável por garantir verbas para prefeituras. Também não se sabe se é Deus ou o Diabo em nome do qual foi criado um “gabinete paralelo” no Ministério da Educação.
Sabíamos e acompanhamos os desmandos ideológicos da ala direitista mais radical no Ministério do Governo Bolsonaro, mas ignorávamos que esta Pasta sofrera a ocupação de um grupo capitaneado pelos pastores Gilmar Silva dos Santos e Arilton Moura. E que com isto se explica que a agenda do Ministro-Pastor seja feita pelos colegas sem vínculo formal com o órgão.
Como sou cismado, me pergunto se esta situação acolhe “mercadores” como aqueles que Jesus expulsou do Templo chicoteando-os. Sei que muitos sacerdotes das mais diversas religiões e seitas “cobram” uma falsa intermediação com Deus; mas é a primeira vez que vejo atuarem com lobistas repassando verbas públicas. Esta revelação que vem de uma reportagem do Estadão, é revoltante.
Veio, porém, em boa hora. Mostra que as transações feitas pelos lulopetistas nos governos de Lula e Dilma sobrevivem no Governo Bolsonaro comprovando a existência do “bolsopetismo”, que iguala os populistas de esquerda e de direita nas trilhas obscuras da corrupção.
Tenho certeza que esta gente sabe de cor passagens dos livros do Pentateuco, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, mas não conhecem Shakespeare: – “O diabo pode até citar as Escrituras quando isso lhe convém…”.
ESTUPIDEZ
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Somente duas coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana. E não estou seguro quanto à primeira” (Albert Einstein)
Todas as exceções confirmam a regra antiga de que toda regra tem exceção…. Não sei se vale para as conversas de bar, principalmente quando termina a última sessão do cinema e os cinéfilos discutem os “filmes de arte” reconhecidos como tais por uma meia dúzia de três ou quatro críticos.
Bem. Estou falando de um tempo antigo, o “meu” tempo. Mais tarde se macaqueou dos gringos a “happy hour”, desculpa de bêbado para deixar o trânsito amainar. Então se começa com o Chopp apreciado devagarinho e do Whisky ralo diluído em água com gás. Inicia-se um papo ameno.
Depois a coisa esquenta. E quando se fala de política, o tom de voz alteia e a conversa de bar vira conversa de bêbedo. Fico imaginando como protagonizam atualmente os extremistas fanáticos de “direita” e de “esquerda” (entre aspas, pois me refiro a bolsonaristas e lulistas). Estes assumem o que Stanislaw Ponte Preta considerou: – “Conversa de bêbedo não tem dono”.
Neste trágico momento que atravessamos assistindo a crise bélica no Leste Europeu vem comprovar uma curiosa situação. Afirma-se nas conversas de bar a hipótese matemática de que as paralelas se tocam no infinito. A estupidez levou os extremistas a se encontrar. O bolsopetismo assumiu este truísmo na política nacional.
Juntos, os dois lados defendem de uma maneira ou outra a invasão russa na Ucrânia. Os argumentos são diferentes, mas sustentam que a guerra é justa. Os bolsonaristas reconhecem as boas relações do Capitão com Putin no campo político aplaudindo a Rússia no Caso Amazônico e defendendo os fertilizantes.
Os petistas remoem a superada visão anti-imperialista que os põe sempre contrários aos norte-americanos, condenam a tentativa de cerco à Rússia caso a Ucrânia participe da Otan.
Há, sem dúvida, vestígios de verdade nestas alegações. Mas nada que justifique uma guerra. De formação pacifista eu seria preso na Rússia condenando a guerra e por igual motivo torno-me alvo das críticas (algumas mal-educadas e virulentas) de bolsonaristas e petistas….
É a estupidez humana fazendo “strip-tease”. Esta obscena nudez está exposta em todos os países do mundo. Uma encenação que se vê nas ruas, nos shoppings, nos supermercados e principalmente nos coletivos, avião, ônibus e metrô.
Lembro o aforismo de Marck Twain afirmando que quatro quintos da humanidade é formada de desorientados. Fico imaginando este percentual de estúpidos pelo mundo afora…. No Brasil, pelas preferências eleitorais que as pesquisas divulgam, são milhões.
Além de imantados pela estúpida polarização eleitoral, juntam-se aos que desmatam as florestas para a boiada passar, os que envenenam os rios garimpando ilegalmente, àqueles que massacram indígenas para explorar reservas, os que desvalorizam a Educação, que negam a imunização pela vacina contra a covid-19 e agora, aos defensores de guerras.
É bastante conhecida a estupidez que se hospeda na Política, e com eles colunistas e comentaristas midiáticos criticam a maior conquista da civilização, a Declaração dos Direitos do Homem.
Na Magistratura surgiu um tal “garantismo” para defender políticos corruptos e os fardados, militares das três armas se metendo na política rasteira dos comissionamentos e das propinas.
Evidencia-se também, vergonhosamente, alguns médicos que por ideologia distorcida ou falta dos estudos necessários ao exercício da profissão assumem o estúpido negativismo bolsonarista.
A estupidez humana é revoltante. Espero que o cientista Einstein que epigrafamos, tenha se enganado; e que o sábio Aristófanes se precipitou ao enunciar que “a juventude envelhece, a imaturidade é superada, a ignorância pode ser educada e a embriaguez passa, porém, a estupidez é eterna. ”
“A CEGA”
MIRANDA SÁ (Email: miranadasa@uol.com.br)
“O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis”. (Platão)
Escrevi anteriormente o artigo “CROCHÊ” em que reportei os tratos da confecção deste belo artesanato e a sua diferenciação com o “TRICÔ”. Hoje, para falar da Justiça e sua cegueira, vou à Revolução Francesa para relembrar as tricoteiras (tricoteuses) da Praça da Concórdia. Mulheres que ficavam tricotando ao pé da guilhotina, vendo-a funcionar.
A História registra que usando o “barrete da liberdade” tricotado por elas, o jovem revolucionário Maximilien de Robespierre, ex-juiz criminal atuante na Assembleia Nacional da Revolução, morreu guilhotinado.
Robespierre foi um idealista fora de época. Defendia ideias que ainda coxeiam em muitos países, como o sufrágio universal, eleições diretas, educação gratuita e obrigatória, e imposto progressivo segundo a renda.
Pagou com a morte por isto. Em ascensão e influência do conservadorismo saudosista da monarquia nas decisões da Assembleia, tramaram contra a continuidade do processo revolucionário, e condenaram-no à morte junto com outros companheiros jacobinos.
O estopim foi o discurso “Contra a Guerra” em que Robespierre relembrou o governo despótico e corrupto de Luiz XVI, denunciando que ainda persistiam agentes do antigo regime “corrompendo o espírito humano e tornando a liberdade suspeita e terrível”.
Ocorre que a sua sentença de morte não foi uma decisão judicial, mas política. A França vivia a Era do Terror e, para extremistas não basta que a Justiça seja cega, isolaram-na numa masmorra….
Foi melhor assim do que vermos um julgamento presidido por magistrados despreparados ou politiqueiros. Existem tais entre nós, capazes de soltar o corrupto Lula da Silva e engavetar por anos, até a prescrição, processos contra conhecidos políticos delinquentes.
Coitada da Justiça no Brasil. Não é cega como a deusa Themis, que representa, mas usa uma venda nos olhos e fica alheiamente sentada diante do STF em Brasília com uma espada na mão, simbolismo que pode ser traduzido que a venda é para não enxergar certos crimes e a arma branca para se mostrar ameaçadora….
A História da Humanidade registra fatos incríveis sobre magistrados e a crítica dos pensadores lhes é contundente. Um destes censores foi François Rabelais, escritor renascentista francês, cuja visão filosófica distinguimos em “Pantagruel” e “Gargântua”.
Na sua obra, Rabelais criou o juiz Bridoye que jogava dados para julgar os litigantes do processo e o sorteio orientava a sua decisão; e igualmente realista, Tolstoi pôs em “Ana Karenina” outro magistrado que abria a Bíblia por acaso e, dependendo do número da página, absolvia ou condenava o réu.
O anedotário paraibano traz o enredo de um juiz de Campina Grande que levava para os julgamentos um saquinho com feijões pretos e brancos na mesma quantidade e para sentenciar alguns casos tirava um dos grãos a fim de definir a culpabilidade ou a inocência do réu….
Não sei quais artifícios usam os ministros que atuam na 2ª Turma do STF; tenho a curiosidade de sabê-lo. Acho que as decisões de criminalizar a Operação Lava Jato e libertar o ex-presidente prevaricador Lula da Silva, não foram oriundos da Ciência Jurídica ou da Filosofia do Direito.
Do outro lado, há juízes e desembargadores que procrastinam o julgamento das rachadinhas da Família Bolsonaro; são bastante conhecidos por outras decisões baseadas em ideologias distorcidas ou subserviência política. Incapazes de tomar uma decisão que não exige coragem, apenas honestidade.
Se depender de certos magistrados, a Justiça continuará sem enxergar; deveria dispensar esses togas pretas como guias de cego que não a conduzem no caminho certo. Lembro aos juízes trapaceiros o grande Rui Barbosa: – “Eu não substituo a fé pela superstição, nem a realidade pelo ídolo”.
CROCHÊ
MIRANDA SÁ (Email: mirandasas@uol.com.br)
“Nossa vida é crochetada com um emaranhado de linhas que define uma personalidade” (Autor desconhecido)
Quando eu era menino estranhava que a maioria das mulheres que se sentavam nos bancos da praça praticando o traçado de fios falavam “Croché”, com acento agudo no E; a minha mãe, que estudara francês, falava “Crochê” com acento circunflexo…
Ocorre que a palavra chegou ao Brasil com etimologia francesa, (crochet), vinda do tunisiano (kʁɔʃɛ), que, ao que me parece sem pesquisar, foi criado na Tunísia este processo artesanal na famosa tapeçaria deles.
Tanto faz Croché como Crochê. O verbete dicionarizado em português é um substantivo masculino, designando o processo de criação de tecidos com entrelaçamento de fios de seda ou algodão, uma espécie de renda feita com uma agulha de bico terminado em gancho.
Na minha época, tirando as moças prendadas, o vulgo confundia crochê com tricô, este também um tecido de malhas feito com lã. A palavra tem também origem francesa (tricot) que veio dar em tricô.
A diferença entre os dois na sua confecção é que o tricotar exige duas agulhas sem gancho; e divergem também no seu uso; o crochê tem uma serventia variada para cama, mesa e vestuário (apareceu até num biquíni do Gabeira); e o tricô é mais usado para agasalhos de lã.
Quando rapazola, ganhei muitos suéteres feitos por minhas tias para me proteger no Inverno; e da minha madrinha Nazinha, que era rica e viajada, tive um deles com losangos coloridos trazido da Alemanha.
Escreveu alguém, não me lembro quem, mas acho que foi um daqueles escritores clássicos russos, que “a nossa vida é uma malha de crochê de fios, de pontos e de nós coloridos, traçando com dedos invisíveis e poderosos o nosso destino”.
A malha da nossa vida é especialmente vista ao envelhecer, porque a agitada visão mental dos jovens não consegue alcança-la. A idade provecta traz a vantagem de poder analisá-la e julgá-la, o que é negado aos portadores da síndrome de Peter Pan….
É traiçoeira a deficiência que não permite ver a emaranhada rede da própria vida permitindo a repetição dos erros cometidos e impedindo a confissão unipessoal dos pecados.
Encontramos cotidianamente, infelizmente, tais incapacitados nas redes sociais e principalmente na política. Será um absurdo afirmar que o capitão Bolsonaro é inabilitado para distinguir o traçado da sua vida?
Vê-se que tanto como militar, tanto como político, a sua dormência intelectual vem de longe e resultou na infeliz posição que assume no cenário da guerra russo-ucraniana.
Para o político profissional o crochê pregresso da sua carreira mostra um jogo de ideias oportunistas e provisórias que, às vezes vencedoras, leva à megalomania. No caso do imoderado Capitão que ocupa a presidência da República pela enganação nas promessas de campanha, vê-se uma exagerada ambição pessoal.
Foi por isto que crochetou a volta do criminoso Lula da Silva, como único adversário capaz de mantê-lo na disputa pela reeleição. Começou combatendo a Lava Jato para salvar os filhos delinquentes, e viu que podia libertar o Pelegão aliando-se aos juízes inclinados a defender o condenado de Justiça em duas instâncias.
Assim, ficou interlaçada na malha da eleição presidencial resultando na imunda polarização entre o ruim e o pior. Que triste destino terá o Brasil se um dos dois, Bolsonaro ou Lula, voltar a sentar-se na cadeira presidencial!
O pior de tudo é que há quem aceite bovinamente a polarização eleitoral, tornando-se bolsopetistas. São incapazes de ver cada linha, cada ponto e cada nó do chochê da sua vida; e pior do que isto, parecem desconhecer o autor desta teia….
SEI LÁ, NÃO SEI…
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A vida não é só isso que se vê/ É um pouco mais/ Sei lá não sei…/ Sei lá não sei…” (Paulinho da Viola)
Conta-se no anedotário político a história do parlamentar mineiro que em declaração de voto disse que não era a favor, nem contra, muito pelo contrário…. E também das Alterosas o registro histórico autêntico, da antológica frase de Magalhães Pinto, quando perguntado sobre uma mudança de posição: – “A política é como uma nuvem, você olha, ela está de um jeito; olha de novo, ela já mudou…”
Magalhães Pinto, velha raposa política, viveu na Câmara Federal a crise nascida com a renúncia de Jânio Quadros e a tentativa golpista de impedir a posse de João Goulart, legitimamente eleito vice-presidente da República e que estava fora do Brasil em missão oficial na China.
Foi de Magalhães Pinto a ideia do Congresso promulgar a Emenda Constitucional do Parlamentarismo permitindo a posse de Jango no dia 7 de setembro de 1961. Daí em diante, como presidente da UDN, assumiu a liderança de uma ferrenha oposição ao governo trabalhista que culminou com o golpe militar de 1964.
As inconstâncias observadas no comportamento dos políticos são incompatíveis nos meios científicos; nestes, os estudos e pesquisas exigem uma materialidade tangível para atingir resultados positivos.
Lembro, embora esqueça a fonte, um pensamento de Claude Bernard recomendando aos cientistas que “ao entrar no laboratório, devem guardar no armário, além dos pertences, a sua imaginação…”
É isto, na minha opinião. Os devaneios e presunções não têm lugar aonde se pretende apurar, inquirir e investigar prospectando dados para cumprir um objetivo e solucionar problemas. Foi o que se viu na corrida louca para enfrentar a pandemia do novo coronavírus, no afã de descobrir remédios para combater o vírus e criar vacinas.
Enquanto isto ocorria nos laboratórios do mundo inteiro, as nuvens mutáveis que correm nos céus da política deram forma à ideologia retorcida do negativismo da Ciência.
Foi o que se viu nos Estados Unidos da América com Donald Trump na presidência e no Brasil, por espirito de imitação, com o capitão Bolsonaro. A partir daí, grassou o fundamentalismo no mundo deles, aonde há quem acredite que a Terra é plana, apesar das fotografias tiradas do espaço.
Um materialista do século 18 escreveu que ao expulsar Adão do Jardim do Éden, Deus enxertou-lhe no cérebro a alienação e a razão…. Creio que pensou dotar o renegado do Paraíso com fundamentos de reflexão, crítica e criação, mas, ao mesmo tempo ficar indiferente com quem se sentir prejudicado pelo seu poder.
Se esta idílica concepção é verdadeira ou não, vale a pena garimpar exemplos na bateia da Ciência. A busca esbarra, porém, nos que negam Darwin, Pasteur e Einstein; e esta insanidade obscurantista atinge PHDs de todos os doutorados, os que se excitam vendo Jesus em galhos de árvore, devotos de Nostradamus e os abduzidos por discos voadores.
Assim, não é por acaso que saem dos tubos de ensaio e provetas do laboratório do negativismo as drogas que enuviam o processo mental dos que se prendem ao culto da personalidade de políticos e ao fanatismo religioso. É pela alucinação que funcionam as algemas da ignorância.
Biruta ao sabor dos ventos da improvisação, o capitão Bolsonaro orienta a sua tropa (ou seria trupe?) de alienados do cercadinho acendendo uma vela a Deus e outra ao Diabo. Na Rússia, homenageia os soldados soviéticos do Exército Vermelho caídos na guerra contra o nazismo que ele tanto admira; e na Hungria fascistóide, se assume citando Mussolini com o slogan hipócrita, “Deus, Pátria e Família”.
O que fazer diante desta ensandecida situação que o Brasil atravessa? “Ouvir e obedecer” como fazem os bonzos do gabinete do ódio ou resistir à insensatez que nos envergonha e revolta. A vida não é só isto que se vê; da minha parte vejo muito mais e sei: não tenho dúvidas….
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