Arquivo do mês: abril 2008

POESIA

Meu pai

meu pai foi ao Rio
se tratar de um câncer (que o mataria)
mas perdeu os óculos
na viagem

quando lhe levei
os óculos novos
comprados na Ótica
Fluminense ele
examinou o estojo com
o nome da loja

dobrou a nota
de compra
guardou-a no bolso
e falou:
quero ver
agora qual é o
sacana que vai dizer
que eu nunca estive
no Rio de Janeiro.

Ferreira Gullar, poeta, crítico de arte, biógrafo, memorialista e ensaísta brasileiro.

Artigo para O METROPOLITANO. Amanhã nas bancas

Nunca antes neste país se mentiu tanto

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

O vazamento do sigilo das contas da Presidência da República, divulgando gastos de Fernando Henrique e de Ruth Cardoso, repete o que o ex-ministro Antonio Palocci fez contra o humilde caseiro que teve a coragem de testemunhar sua presença entre quadrilheiros de Ribeirão Preto, numa mansão do Lago Sul de Brasília.

Não é, portanto, a primeira vez que o PT-governo, com a divulgação do Dossiê FHC, fere os direitos constitucionais dos cidadãos. O que há de diferente é que nunca antes neste país se mentiu tanto: até agora temos uma meia dúzia de cinco ou seis versões para o fato. Senão vejamos:

A ministra Dilma Rousseff esbravejou afirmando que não havia um dossiê, ao mesmo tempo em que o ministro Tarso Genro dizia tratar-se de um relatório para uso interno do Planalto. A segunda interpretação veio da própria Dilma, levantando uma questão semântica, ao dizer que não se tratava de um “dossiê”, mas de um “banco de dados” levantado a pedido do Tribunal de Contas da União.

O TCU desmentiu a Ministra, e depois vem “unha e cutícula” como diz o líder do DEM no Senado, José Agripino. Erenice Guerra, a auxiliar de Dilma, confirmou a existência do “Banco de dados” para atender prováveis requerimentos da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Cartões Corporativos. A seguir se descobre que o tal dossiê, ou relatório, ou banco de dados teve início muito antes da instalação da CPI. Com isso, surge outra variante apontando que o pedido partira da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A CCJ contesta a encomenda dos dados.

O desmoronamento célere das versões proporcionou agora, quando redijo este comentário, uma nova explicação: já não é um banco de dados, nem um relatório; voltou a ser um dossiê, preparado clandestinamente por um elemento infiltrado no governo pelos tucanos, com a interpretação paralela da possibilidade do subversivo se tratar de um aparelhado-traidor do sistema lulista-petista.

Como se vê este espetáculo de embromações, trapaças e embustes, vai entrar no Livro dos Recordes, suplantando todas as manifestações de tramas ardilosas dos pelegos, do achacamento de bicheiros, do assassinato de correligionários, das sanguessugas, do mensalão e do Dossiê Vedoin. Não é difícil represar esse turbilhão de serviços malfeitos e intrigas: basta o presidente Lula da Silva abrir suas contas e as dos seus familiares nos cartões corporativos.

Se é que não ocorram ilícitos inomináveis que atemorizem o Presidente seria isto o correto. Abrir tudo desde a criação dos cartões até hoje. Levar ao conhecimento público os gastos de FHC e de Lula, com abrangência aos seus dependentes. Caso Lula resista a mostrar suas despesas, a oposição parlamentar continuará a azucrinar a vida dos governistas, procurando inclusive a Procuradoria-Geral da República.

Confiante na impunidade, a ministra Dilma quer amenizar a crise com o paliativo de uma “comissão de sindicância” para identificar o autor clandestino do dossiê e do vazamento para a imprensa. Mas a comissão constituída é uma gracinha. Tem a participação de Edimar Fernandes de Oliveira, corregedor-geral substituto da Advocacia Geral da União (AGU) que já mostrou uma insignificante atuação no caso Waldomiro Diniz, de fim melancólico. Outro componente é Waldir João Ferreira da Silva Junior, corregedor-geral adjunto da União para a Área Social e o terceiro membro é Carlos Humberto de Oliveira, conselheiro do Fundo Nacional de Segurança Pública, dependente hierárquico de Dilma e Erenice.

Este grupo de trabalho não chega a ser uma nuvenzinha no céu de brigadeiro em que dona Dilma voa tranqüila. E cada vez mais arrogante, como se viu na sua bravata ao dizer que “não perde tempo indo ao Senado, pois tem mais o que fazer”… Esperamos que os senadores não baixem a cabeça mais uma vez.

O PODER SICOFANTA

Por Roberto Romano

A vida dos outros (2006), filme sem sucesso no Brasil, ajuda o exame do escândalo causado pela Casa Civil, novamente a dois passos do Sr. Da Silva. A película narra o caso de um diretor teatral, contrário ao regime apodrecido e violento do Partido Comunista, na Alemanha “democrática”. O regime emprega policiais que espiam com meios ignóbeis. No apartamento de certo amigo do diretor espionado são instaladas escutas, sem o seu conhecimento. As conversas do círculo teatral passam aos ouvidos dos camaradas. Começam as metamorfoses na vida das pessoas. A primeira ocorre com o policial encarregado de bisbilhotar o teatrólogo.

Ele percebe o horror do regime e de sua posição nele. Com gestos tímidos, o espião resgata sua humanidade, arruina o plano de corroer a vida íntima e pública do teatrólogo. No fim, o policial surge como cidadão comum, merecedor de respeito. Por enfrentar a máquina repressiva, o sicofanta vira gente. A segunda mudança ocorre na mulher do teatrólogo. Artista presa aos aplausos, ao ser pega por ajudar nas denúncias sobre os abusos do poder, delata o marido para continuar no palco.

Leia na íntegra clique aqui

Roberto Romano é professor de ética do Departamento de Filosofia da Unicamp

BRUNO GIORGI

Candangos

Bruno Giorgi (1905 — 1993) foi um escultor e professor brasileiro.
Filho de imigrantes italianos, em 1911, mudou-se com a família para Roma e, no início da década de 1920, estudou desenho e escultura. Na Itália, participou de movimentos antifascistas, tendo sido preso e condenado a sete anos de prisão.


Após ter cumprido quatro anos da pena, foi extraditado para o Brasil, por intervenção do embaixador brasileiro na Itália. Em 1937, em Paris, freqüentou as academias “La Grande Chaumière” e “Ranson”, tendo conhecido, nessa última, Aristide Maillol, que passa a orientá-lo. Conviveu com Henry Moore, Marino Marini e Charles Despiau.

Em 1939, de volta a São Paulo, trabalhou com os artistas do Grupo Santa Helena e participou do grupo Família Artística Paulista. A convite do ministro Gustavo Capanema, em 1943, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde instalou ateliê na Praia Vermelha, e deu aulas, entre outros, para Francisco Stockinger.

ELVIS PRESLEY – MY WAY

Apresentação no dia 14 de janeiro de 1973.

FRASE_2/3

“Em política, o que começa com o medo acaba, geralmente, com a loucura. “

Samuel Taylor Coleridge, (1772-1834) poeta, crítico e ensaísta inglês.

Números não sustentam discurso do governo

A queda dos resultados da balança comercial e a pressão inflacionária estão gerando debates na equipe econômica do governo. O saldo da balança despencou em menos de um ano. Em julho do ano passado, o nosso superávit caiu de US$ 47 bilhões para US$ 34 bilhões hoje, isso no acumulado dos últimos doze meses. A inflação está acima do centro da meta de 4,5%, e Banco Central e o ministério da Fazenda têm soluções diferentes para resolver o problema.

Se houver corte de gastos, e isso depende exclusivamente do governo, será reduzida a pressão sobre os preços. Se os juros subirem, o preço do dinheiro fica mais caro e também há redução do consumo e da inflação. Subir juros é a solução que está nas mãos do Banco Central. A melhor solução para o país, no entanto, seria cortar gastos públicos, um corte que não afete investimentos.

O presidente Lula diz que o Brasil está voltando a níveis de investimento do governo Geisel. Isso não é verdade. No governo Geisel, só a administração pública investia 4% do PIB. Hoje investe-se 1,5% do PIB. Para se ter uma idéia, no governo Itamar Franco era investido 3,6%.
Ainda é preciso investir muito mais do que isso. Mesmo com toda a propaganda do PAC, por exemplo, o governo não conseguiu gastar nem 50% do que estava previsto no cronograma de 2007. Há muita fumaça e pouco fato sobre investimentos públicos.

Nesta área não se pode cortar, mas em outras áreas sim. Se isso acontecesse seria possível diminuir a pressão sobre a inflação e evitar um aumento dos juros. A divergência dentro do governo ainda acontece de forma cordial. Em suas projeções, o BC não considera a hipótese de diminuição dos gastos. E tem mesmo motivo para crer nisso. Mesmo com a perda dos US$ 40 bilhões da CPMF, o Orçamento foi para o Congresso com aumento de contratações, salários e compromissos futuros do governo. Fica difícil acreditar na hipótese. Segundo o Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco, desde meados de 2005, os gastos do governo tem tido um aumento real de 10% ao ano.

E o governo está convencido de que promoveu o maior ajuste fiscal do país. Quando se olha para os números, fica claro que o discurso do presidente não confirma.

Fonte: Míriam Leitão

Fonte: chargeonline.com.br/Pater

Oposição consegue convocar Dilma em outra comissão do Senado; base reage

A Comissão de Serviços de Infra-Estrutura do Senado aproveitou a falta de integrantes da base governista e aprovou na manhã desta quinta-feira a convocação da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) apresentou requerimento pedindo que a ministra explicasse as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

A oposição vai aproveitar a convocação para cobrar explicações de Dilma dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Reportagem da Folha revela que o suposto dossiê foi montado por ordem da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra, braço-direito de Dilma.

A Casa Civil nega o dossiê e admite a existência de um banco de dados.

Como era minoria na CPI dos Cartões –onde não conseguia aprovar o requerimento que pedia a convocação de Dilma–, a oposição havia traçado como estratégia tentar convocar a ministra em outras comissões do Senado. A oposição chegou a protocolar um requerimento pedindo a convocação dela no plenário da Casa.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), já anunciou que vai recorrer à própria comissão e, posteriormente, ao plenário da Casa, para derrubar o requerimento. “Eles querem fazer uso político dessa situação, nós não vamos permitir”, afirmou Jucá.

O senador Marconi Perillo (PSDB-GO) chegou a apresentar um aditivo ao requerimento de Flexa Ribeiro para que a ministra também explicasse o dossiê, mas retirou o pedido para que o requerimento não fique prejudicado –já que o dossiê não é tema da Comissão de Infra-Estrutura.

A oposição argumenta que há mais de um ano vem apresentando sucessivos convites para que Dilma se explique na comissão. Depois de várias negativas da ministra, o PSDB decidiu partir para a convocação da ministra, uma vez que a CPI dos Cartões Corporativos rejeitou todos os requerimentos de convocação de Dilma.

Desgaste

O Palácio do Planalto orientou os integrantes da CPI para impedirem a convocação de Dilma com o objetivo de evitar o seu desgaste político. A ministra é o principal nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a corrida presidencial em 2010.
A oposição cobra explicações de Dilma sobre o vazamento de informações da Casa Civil sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com cartões corporativos, uma vez que o órgão teria feito um “banco de dados” com detalhes das despesas do ex-presidente.

A estratégia do DEM e PSDB foi apresentar requerimentos de convocação de Dilma em outras comissões permanentes da Casa, e no próprio plenário do Senado, depois que a CPI rejeitou as convocações.

Fonte: Folha Online

Houve uma revolução no Brasil, e ninguém percebeu

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