Números não sustentam discurso do governo

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A queda dos resultados da balança comercial e a pressão inflacionária estão gerando debates na equipe econômica do governo. O saldo da balança despencou em menos de um ano. Em julho do ano passado, o nosso superávit caiu de US$ 47 bilhões para US$ 34 bilhões hoje, isso no acumulado dos últimos doze meses. A inflação está acima do centro da meta de 4,5%, e Banco Central e o ministério da Fazenda têm soluções diferentes para resolver o problema.

Se houver corte de gastos, e isso depende exclusivamente do governo, será reduzida a pressão sobre os preços. Se os juros subirem, o preço do dinheiro fica mais caro e também há redução do consumo e da inflação. Subir juros é a solução que está nas mãos do Banco Central. A melhor solução para o país, no entanto, seria cortar gastos públicos, um corte que não afete investimentos.

O presidente Lula diz que o Brasil está voltando a níveis de investimento do governo Geisel. Isso não é verdade. No governo Geisel, só a administração pública investia 4% do PIB. Hoje investe-se 1,5% do PIB. Para se ter uma idéia, no governo Itamar Franco era investido 3,6%.
Ainda é preciso investir muito mais do que isso. Mesmo com toda a propaganda do PAC, por exemplo, o governo não conseguiu gastar nem 50% do que estava previsto no cronograma de 2007. Há muita fumaça e pouco fato sobre investimentos públicos.

Nesta área não se pode cortar, mas em outras áreas sim. Se isso acontecesse seria possível diminuir a pressão sobre a inflação e evitar um aumento dos juros. A divergência dentro do governo ainda acontece de forma cordial. Em suas projeções, o BC não considera a hipótese de diminuição dos gastos. E tem mesmo motivo para crer nisso. Mesmo com a perda dos US$ 40 bilhões da CPMF, o Orçamento foi para o Congresso com aumento de contratações, salários e compromissos futuros do governo. Fica difícil acreditar na hipótese. Segundo o Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco, desde meados de 2005, os gastos do governo tem tido um aumento real de 10% ao ano.

E o governo está convencido de que promoveu o maior ajuste fiscal do país. Quando se olha para os números, fica claro que o discurso do presidente não confirma.

Fonte: Míriam Leitão

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