Arquivo do mês: abril 2008

Gluck

MELODY de “Orfeu e Eurídice”.

COMENTÁRIO (III)

“Se, na Casa Civil, um infiltrado pode forjar um documento para incriminar o governo, por que o governo, que manda na Casa Civil, não pode alterar os arquivos para se proteger? Quem vai investigar? O ITI, subordinado a Dilma?

Pois, então, que chamem a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República para acompanhar o imbróglio. O resto é cascata. O resto é anacoluto!”

Reinaldo Azevedo, jornalista

VICTOR BRECHERET

VICTOR BRECHERET
Mulher
Década de 30

Victor Brecheret (Farnese, 1894 — São Paulo, 1955) foi um escultor ítalo-brasileiro, considerado um dos mais importantes do país. É responsável pela introdução do modernismo na escultura brasileira. Sua figura ficou marcada pela boina que costumava vestir, ressaltando uma imagem tradicional do “artista”.

Nasceu “Vittorio Breheret” mas no Brasil tornou-se “Victor Brecheret” e já com mais de trinta anos de idade recorreu à Justiça para inscrever seu registro nascimento tardiamente no Registro Civil do Jardim América (município de São Paulo).

Assim Brecheret consolidava a sua nacionalidade brasileira, embora tivesse nascido na Itália.
Este tipo de “regularização” era muito comum entre imigrantes italianos na primeira metade do século XX no Brasil.

Dilma enrolou, enrolou e…enrolou

Foi uma entrevista que nada esclareceu, essa da ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, a propósito de reportagem publicada, hoje, pela Folha de São Paulo (leia notas a respeito mais abaixo). Ela estava visivelmente nervosa. E não conseguiu disfarçar o tom arrogante que costuma imprimir ao que diz.
Registre-se também que foi pífio o desempenho dos jornalistas reunidos para entrevistá-la. Perguntaram pouco. E poucas foram as perguntas de fato pertinentes e destinadas a jogar luz sobre determinados aspectos do episódio.

Dilma insistiu em negar que tenha sido montado um dossiê sobre despesas do período de governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. E negou que tal dossiê (ela evita pronunciar esse nome) se destinasse a constranger ou chantagear quem quer que fosse. Insinuou que ele serve aos propósitos de quem não se conforma com a boa performance do governo e com a situação favorável da economia.

Admitiu, com base no que ouviu de assessores, que 90% dos casos de vazamentos de informações se devem à ação de quem tem acesso às informações. Ou seja: indiretamente quis dizer que é forte a possibilidade de algum funcionário da Casa Civil ter fornecido as informações ou montado o que nós, os idiotas, insistimos em chamar de dossiê.

Mas não revelou quantos funcionários da Casa Civil têm acesso ao banco de dados de onde foram extraídas as informações reunidas no dossiê. Muito menos, é claro, citou o nome de qualquer um deles.

Para Dilma, o dossiê (perdão: documento montado com informações vazadas de dentro da Casa Civil) não passa da “escandalização do nada”. A expressão “escandalização do nada” foi cunhada pelo ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União. Caiu no gosto dos colegas dele.
Já, já, vai acabar rivalizando com outras expressões originais como “Nunca antes na história deste país” e “Eu não sabia”.

É claro que a ministra prometeu investigar “com rigor” o que de fato aconteceu. (Imaginei que isso já estivesse sendo feito.) E até se dispos a conversar com Tarso Genro, ministro da Justiça, “para avaliar” o que fazer daqui por diante. Tarso disse mais cedo que a Polícia Federal entrará no caso “se alguma autoridade solicitar”. Dilma é autoridade, por suposto.

A eventual entrada em cena da Polícia Federal não significará grande coisa. Ela foi acionada pelo governo para apurar no segundo semestre de 2006 o caso do “Dossiê dos Aloprados” – a tentativa de se prejudicar a campanha de José Serra (PSDB) ao governo de São Paulo e de Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência da República por meio da divulgação de falsas informações contra eles.

Os “aloprados”, assim chamados por Lula, eram funcionários do comitê de campanha dele. O coordenador da campanha era o atual presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini. O caso teve mala de dinheiro, encontros secretos em Cuiabá e em São Paulo, prisão de bagrinhos flagrados em ação – mas ao fim e ao cabo ficou por isso mesmo. A Polícia Federal não conseguiu desvendar a autoria do crime.

Se o que hoje foi publicado pela Folha não contribuir para garantir uma sobrevida à CPI Mista do Cartão Corporativo formada por senadores e deputados, é possível que sirva para desentocar a proposta de criação de uma CPI similar restrita ao Senado. Ali a maioria de votos do governo é escassa.

Fonte: Noblat

Estudantes da UnB resistem deixar a reitoria

Alunos da Universidade de Brasília confinados no gabinete do reitor, Timothy Mulholland, desde a tarde de ontem (3) resistem e não deixam o local como mandou a Justiça Federal. Hoje à tarde, a juíza substituta da 17ª Vara Federal, Cristiane Pederzolli Rentzsch, ingressou com ação de reintegração de posse para os alunos desocuparem o prédio da reitoria.

O prazo venceu às 16h30, mas os estudantes permanecem trancados. No documento, a juíza determinou como penalidade multa no valor de R$ 5 mil por hora de atraso. A Polícia Federal também está na UnB. Mais cedo, os seguranças da universidade impediram que outros alunos invadissem o prédio, como é possível perceber na foto.

O conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), Cléber Lopes, tenta uma negociação com os manifestantes, que exigem a renúncia do reitor, do seu vice e do conselho diretor atual: “Estamos aqui para pedir aos estudantes que cumpram o pedido de desocupação e para que não aconteça a quebra do estado de direito”.

Fonte: claudiohumberto.com.br

PRESIDENTE DO TSE DEFENDE INVESTIGAÇÃO DE SUPOSTO DOSSIÊ

‘Se algo que se mostra ambíguo vem à baila, nós devemos esclarecer’, disse Marco Aurélio.
Para o ministro, debate político eleitoral é ‘continuado’.

Clique aqui para ouvir o comentário do Ministro.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, defendeu nesta sexta-feira (4) a investigação do suposto dossiê que teria sido montado contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

“Eu penso que, se algo que se mostra ambíguo vem à baila, nós devemos esclarecer. Eu sou favorável, portanto, à busca sempre da correção de rumos. Se se claudicou [errou], que se puna e se parta para melhores dias em termos culturais”, disse Marco Aurélio, após solenidade no TSE.

Indagado por jornalistas se o embate entre governo e oposição por conta do episódio estaria antecipando o debate eleitoral, o ministro afirmou que, no Brasil, “nos acostumamos” com um debate “continuado”. E lembrou que a Justiça Eleitoral proíbe a propaganda antes de 6 de julho.

Às vésperas das eleições municipais, o ministro afirmou que, muitas vezes, não há parâmetros no comportamento dos homens públicos.“O que eu percebo é que por vezes não se guardam parâmetros. Não há, como deveria ocorrer, principalmente pelos homens públicos – e o exemplo vem sempre de cima – a observância dos princípios que visam à segurança jurídica”, disse.

Ele não informou, indagado por jornalistas, se o recado era para o presidente Luiz Inácio Lula. “Eu acabei de dizer que nós atuamos na administração pública a partir de um predicado, que é a impessoalidade. Eu me refiro aos políticos em geral”.

Fonte: Portal G1

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CHARGE DO DACOSTA

Fonte: chargeonline.com.br/DaCosta

Terminou há pouco a entrevista de Dilma.

Além de negar a montagem de um dossiê, ela levantou a hipótese de invasão do banco de dados da Casa Civil.
Segundo a ministra, é muito estranho um dossiê circular com a marca da Casa Civil exposta no documento, como é o caso. Seguem trechos finais da entrevista:

– O que a imprensa divulgou sobre o banco de dados, nós estamos cruzando tudo com o que nós temos. O que nós cruzamos? Nós cruzamos e iremos cruzar todas as informações que estão aqui.
– Os dados publicados pela imprensa conferem, em parte, com o nosso banco de dados.

– Ficar disputando se tem um bando de dados ou um dossiê não cabe a Policia Federal. Vamos fazer uma avaliação. A Policia Federal apuraria quem vazou as informações.
– Nos sabemos que tinha um número X de pessoas que tinham acesso ao Banco de Dados.

A auditoria administrativa é que vai investigar quem pode ter montado isso.
– Publicar uma planilha e botar nela um xérox com a marca da Casa Civil. Por que fazer isso?

Fonte: Noblat

CAIXA DO CORREIO

Bravatas
O presidente Lula, ao submeter o Brasil ao acordo com o governo boliviano do cumpanhero Evo Morales, garantiu que o preço do gás não subiria. Agora o gás subiu pela segunda vez após a bravata e a mentira. Mais uma, presidente?
Arnaldo Barros (arnaldobarros@ig.com.br)

Barbas de molho
Ao afirmar que o povo brasileiro deseja Lula mais tempo no poder, o vice José Alencar deu a largada para um alerta que a imprensa já fez há tempos. É bom a democracia pôr as suas barbas de molho.
Domingos César Tucci (d.ctucci@globo.com)

Lula e a dengue
Depois de elogiar Severino Cavalcanti e Renan Calheiros, Lula diz que a dengue é culpa do povo. Agora ele está querendo angariar votos dos mosquitos.
Sergio Roberto da Costa (sergiorobertocosta@ig.com.br)

SINDICALISMO ESTATAL

Pelegos podem gastar à farta. Sem fiscalização

Um torneiro mecânico na Presidência pode iludir alguns com a impressão de que a classe operária chegou ao paraíso, mas foi só o estamento sindical que nele se locupletou. O paraíso, no Brasil, se chama Estado. A burocracia das entidades de classe empalmou o Executivo e foi direto à boca do caixa. O auge desse concubinato foi alcançado com o veto de Lula à fiscalização, pelo TCU, de recursos provenientes da contribuição negocial, o novo nome para o velho imposto sindical.

(…) Não contente em frustrar o controle sobre recursos públicos, o presidente organizou convescote no Palácio do Planalto para comemorar com meia centena de camaradas a conquista do dinheiro fácil. A festa teve início a portas fechadas, segundo noticiou o jornal “O Globo”. A alegação era de que se tratava de evento privado, embora patrocinado com recursos dos contribuintes.

(…) Houve um tempo em que Lula e correligionários do PT e da CUT defendiam a autonomia sindical de maneira conseqüente, propondo a extinção do imposto sindical. Num governo em que 45% dos altos cargos ficam nas mãos de filiados a sindicatos e ao partido do presidente, viraram todos a casaca.A aceitação da tutela do Estado em troca de receita garantida merece ser chamada de peleguismo de resultados. Ou de sindicalismo estatal. Independência é que não é.

Editorial da Folha de São Paulo