Arquivo do mês: julho 2007
Algumas perguntas que não podem calar
“A Infraero tinha obrigação de receber a obra da pista de Congonhas verificando se todos os elementos do contrato estavam devidamente cumpridos. No caso, como se sabe, decidiu-se que a instalação das ranhuras (ou, como se diz em inglês, o “grooving”) ficaria para uma segunda etapa. Quem tomou essa decisão? Com base em qual estudo técnico? A obra de R$ 20 milhões já foi paga? Quanto ficou para ser pago depois da instalação das ranhuras?”
Fernando Rodrigues, jornalista e blogueiro
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Voar no Brasil é uma operação de risco
“O jornalismo cumpre a sua função ao noticiar o que dizem “as fontes do governo”. A ninguém escapa que a hipótese da “falha humana” já é, a esta altura, bastante robusta. E é mesmo ela que deve prevalecer. Não em razão de qualquer esforço conspiratório. É da natureza dos estados. No Brasil, o individualismo é sempre reconhecido quando se trata de identificar culpados. Só não serve para conferir direitos.A ser verdade a ocorrência — o piloto acelerou depois de já estar na pista —, deve tê-lo feito por alguma razão: uma dela é tentar arremeter porque pode ter percebido que não conseguiria parar. Como informa o texto, em dias chuvosos, é necessário mais espaço para a frenagem completa — espaço que Congonhas não oferece, especialmente numa pista sem as ranhuras e, pois, cheia d’água. Não custa lembrar que o fechamento da pista foi pedido. E negado.Como se vê, a explicação já está no forno. Falta apenas servir ao distinto público. A alternativa é o governo admitir que voar, no Brasil, se tornou uma operação de risco”.
Reinaldo Azevedo, jornalista e blogueiro
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Rio sofrerá vinganças pela vaia do Maracanã?
“Chegam a ser infantis as acusações do presidente Lula de que as vaias no Maracanã teriam sido armadas. Difícil acreditar que ele acredite mesmo nisso, é mais provável que esteja buscando justificar para o resto do Brasil sua vergonha com o acontecido. Provável que esteja tentando esconder, daquele que troca seu voto por Bolsa-Família, que há muitos insatisfeitos, que o governo federal não ajudou o Rio na realização deste Pan e que agora busca os louros. Porque os cariocas sabem que as vaias foram genuínas – tanto os que estavam no Maracanã, como eu, quanto os que não estavam. Se essas acusações beiram o ridículo, as afirmações de que nada mudará na relação de investimentos do governo federal no Rio de Janeiro são escandalosas. Seria natural ou esperado que algo mudasse, em vingança pelas vaias? Isso foi em algum momento cogitado? Estas não são falas dignas de um presidente da República”.
Rafael Sabbagh Armony (sabbagh@gmail.com)
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…E o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais
“O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, afirmou ontem que as vaias recebidas pelo presidente Lula no Rio foram uma “grosseria”. “Esse tipo de grosseria acaba resultando (em algo) contra quem fez”, disse. Dulci insinuou que se tratava de manifestação previamente preparada pela oposição, mas destacou que as vaias não prejudicarão o relacionamento do governo com a população do Rio”.
Vera Rosa, jornalista
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FRASE DA VEZ_7/18
“José Dirceu está defendendo a volta de Silas Rondeau ao Ministério de Minas e Energia”.
Revista IstoÉ (também conhecida como QuantoÉ)
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“APAGÃO DA INCOMPETÊNCIA”
É importante a gente ler este texto do Noblat, jornalista e blogueiro. Ele fotografa a inegável incompetência de Lula da Silva e sua trupe. Vamos abrir aspas:
“Fui dormir às 7:00h depois de postar as informações da madrugada a respeito da pior tragédia da aviação brasileira. Acordei há pouco, liguei a televisão e dei de cara com o anúncio de que Lula mandou a Polícia Federal investigar em que condições se encontra a pista de Congonhas reformada nos últimos meses. Chamou muito a atenção de Lula o fato de os dois maiores acidentes aéreos da história do país terem ocorrido em um intervalo de 10 meses. Espantoso, pois não!
A Infraero pode dizer rapidinho a Lula em que condições determinou a reativação da pista. Se ele desconfia do que poderá ouvir deveria dispensar de imediato o presidente da empresa. É puramente defensivo o recurso à Polícia Federal. Ou melhor: é para fazer de conta de que o governo se mexe e de que tem o controle da situação. Não tem. E pouco se mexeu desde que foi avisado no início de 2003 pelo ministro da Defesa José Viegas de que haveria em breve um apagão aéreo caso nada ou muito pouco fosse feito nos anos seguintes.
Por apagão não deveria se entender apenas atrasos e cancelamento de vôos devido ao reduzido contingente de controladores e ao crescente número de passageiros. O diagnóstico foi bastante abrangente. E ele alertava para a necessidade de se investir pesadamente na ampliação e reforma de pistas de aeroportos e na renovação de equipamentos de segurança de vôos. Investiu-se pouquíssimo. Nos aeroportos, à segurança privilegiou-se o conforto dos passageiros. Para evitar a repetição dos apagões, a pista reformada de Congonhas foi reaberta antes que ficasse pronta.
A de ontem foi a crônica de uma tragédia anunciada – e é isso o que o governo quer negar. Se vista como uma fatalidade, ele não ficará tão mal na foto. Se vista como uma pedra cantada, ele será cobrado por sua irresponsabilidade. Lula meteu-se em uma arapuca – mais uma. Não dá para sair agora demitindo o ministro da Defesa ou o presidente da Infraero. Seria passar recibo de que deveria ter feito isso há mais tempo. Não dá para sacrificar quem por acaso tenha contigenciado recursos para o setor aéreo – nada se fez ou se deixou de fazer sem o aval dele.
O que resta a Lula é torcer para que a culpa pelo desastre seja debitada na conta do piloto. Ou na conta da empresa. E que uma vez esgotado o choro coletivo, que a maioria dos brasileiros siga sendo compreensiva com ele e com o seu governo. Porque na verdade o apagão aéreo nada mais é do que o apagão de competência. Como o primeiro, o segundo governo Lula é medíocre em matéria de gestão. Como principal executivo do país, Lula é tão medíocre quanto os que o cercam”. (Ricardo Noblat)
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FRASE DA VEZ_6/18
“O presidente ficou surpreso com as vaias? Eu também estou surpreso com o presidente. É um homem diferente daquele que conhecemos das greves do ABC. Hoje ele se acovarda ante Renan Calheiros, assim como o fez para Severino Cavalcanti e alguns outros”.
Sérgio Roberto da Costa, (sergiorobertocosta@ig.com.br)
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Tem alguém lá dentro que vê a realidade
“O empresário Oded Grajew cobrou ontem que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, se posicionasse e pedisse o afastamento do presidente do Senado, Renan Calheiros. O Conselhão não deve tirar uma posição oficial sobre o assunto.Grajew, que foi assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro mandato, cobrou que fosse pedido o afastamento de Renan do cargo durante discurso para as autoridades presentes na reunião de ontem.”Precisamos nos posicionar, no curto prazo, pelo afastamento do Renan Calheiros”, afirmou, acrescentando: “É nossa obrigação e responsabilidade, como membros da elite intelectual, social e empresarial do país, se posicionar sobre a crise do Senado”.
(Pelos jornais)
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O brasileiro está muito triste
“A imprensa dá notícia da tristeza do presidente Lula em face das vaias recebidas quando da festa de abertura do Pan. As vaias são sinal de que o brasileiro está acordado, ciente dos problemas que o Brasil tem, suas dificuldades e suas impossibilidades. Cientes de que uma festa notável como a que foi vista no Maracanã não pode ser manchada por pretensões políticas ou discursos que estão muito abaixo da nobreza do esporte. Acorde, Lula. O brasileiro está muito mais triste. Triste pela aparência daqueles que ocupam palanques que estão muito distantes da condição de serem pódiuns. Triste por ver uma vaca custar R$ 300 mil e um atleta medalhista de ouro sobreviver com R$ 600 por mês. Tristes estamos nós, Lula. Seu silêncio foi providencialíssimo!”
Camilo Ramalho Correia, (advocc@uol.com.br)
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Vaias e sátiras fazem parte da Democracia
Ao ouvir as declarações do senhor Berzoini, presidente do PT, sobre as vaias recebidas pelo senhor Lula, de que isso faz parte da democracia, gostaria de saber o porquê de ter sido “pedida” a retirada da propaganda de uma marca de carro que fazia uma sátira ao comportamento da ministra Marta sobre o “relaxa e goza” (no caso, compra). A publicidade não faz parte da democracia? Ou só há, para o PT, a democracia que o elogia e não o vaia? Não dava para tirar o Maracanã do ar, né? JK foi inúmeras vezes usado em sátiras, como as que o Juca Chaves fazia, e ele nunca foi proibido. Autocrítica, PT! E viva a nossa democracia!
TANIA TAVARES (taniatma@hotmail.com)
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