Voar no Brasil é uma operação de risco
“O jornalismo cumpre a sua função ao noticiar o que dizem “as fontes do governo”. A ninguém escapa que a hipótese da “falha humana” já é, a esta altura, bastante robusta. E é mesmo ela que deve prevalecer. Não em razão de qualquer esforço conspiratório. É da natureza dos estados. No Brasil, o individualismo é sempre reconhecido quando se trata de identificar culpados. Só não serve para conferir direitos.A ser verdade a ocorrência — o piloto acelerou depois de já estar na pista —, deve tê-lo feito por alguma razão: uma dela é tentar arremeter porque pode ter percebido que não conseguiria parar. Como informa o texto, em dias chuvosos, é necessário mais espaço para a frenagem completa — espaço que Congonhas não oferece, especialmente numa pista sem as ranhuras e, pois, cheia d’água. Não custa lembrar que o fechamento da pista foi pedido. E negado.Como se vê, a explicação já está no forno. Falta apenas servir ao distinto público. A alternativa é o governo admitir que voar, no Brasil, se tornou uma operação de risco”.
Reinaldo Azevedo, jornalista e blogueiro
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