Arquivo do mês: julho 2007
Nota da Federação Internacional de Pilotos
“Após o acidente com o Airbus A-320 da TAM, a Federação Internacional de Associações de Pilotos de Linhas Aéreas (Ifalpa, na sigla em inglês) divulgou um pedido às autoridades do setor aéreo para que o Aeroporto de Congonhas e todos os outros em operação no mundo tenham áreas de escape mais extensas no fim das pistas de pouso.”O trágico acidente no aeroporto de Congonhas demonstra mais uma vez a necessidade de implementação de um sistema de segurança conhecido como Engineered Materials Arrester System (EMAS) nos aeroportos”, diz uma nota da Ifalpa.
Segundo a Federação, que representa cerca de 100 mil pilotos em mais de 95 países, a área de escape deveria ter 300 metros de extensão.
“Isso claramente aumentaria significativamente a segurança de passageiros e tripulantes”, afirma a nota. “O que aconteceu em Congonhas foi o que nós chamamos de ‘runway excursion’. É a causa mais comum de acidentes aéreos. Um quarto dos acidentes no mundo é resultado de aviões ultrapassando o limite da pista.
“A Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO, na sigla em inglês) recomenda que aeroportos devam ter 60 metros de asfalto e ainda 240 metros de área livre em torno da pista”, disse à BBC Brasil o diretor executivo da Ifalpa, Bruce D’Ancey, arrematando que “quando isso não é possível, recomendamos a instalação de uma ‘arrestor bed’, uma área feita de concreto mole em torno da pista. Ela tem a aparência de concreto normal. Mas se o avião sair da pista ele vai afundar no concreto”, disse D’Ancey”. (BBC/BR, Uol News, MS)
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COMENTÁRIO
“Não é possível continuar assistindo o massacre de inocentes. O caos aéreo e as tragédias começaram a ocorrer, exatamente, a partir do momento em que se retirou do Ministério da Aeronáutica a administração do Sistema de Aviação Civil.
Isso não é coincidência.
É o resultado da desprofissionalização do setor, da falta de subordinação entre órgãos e da quebra da hierarquia do sistema. A Aeronáutica, organização altamente profissionalizada (e imune a loteamentos de cargos), administrou a aviação no Brasil de 1941 até março de 2006.
Foram 65 (sessenta e cinco) anos de gestão. Sessenta e cinco anos, sem que nada sequer parecido com o que ocorreu nos últimos treze meses tivesse se verificado. Profissionais (militares) foram sendo substituídos por militantes políticos inexperientes. Órgãos que compõem o sistema de aviação civil foram inoculados com essa anomalia brasileira que a cada quatro anos distribui vinte e cinco mil cargos.
Essa prática é inédita no mundo.”
Fonte: De um leitor do Blog do Noblat
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FLUMINENSE GANHA DO SÃO PAULO
O Fluminense acabou com um tabu de 23 anos, na noite desta quarta-feira. Ao vencer o São Paulo, por 1 a 0, obteve o primeiro triunfo na casa do rival desde 19 de março de 1984, quando derrotou Tricolor paulista por 2 a 0. Foram 23 jogos depois disso (antes do realizado nesta quarta), com 18 vitórias do São Paulo e cinco empates. O gol foi de Somália, de pênalti.
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VÔLEI DO BRASIL VAI A FINAL COM CUBA
A seleção brasileira feminina de vôlei chega à final dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007 como favorita ao título. A equipe está invicta na competição, com quatro vitórias, e crescendo a cada partida. O adversário do Brasil na decisão é a forte equipe de Cuba. O confronto é nesta quinta-feira, às 15h, no Maracanãzinho.
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O desastre poderia ser muito pior
“Até ontem, no máximo hoje, nem o presidente Lula, nem o governador José Serra e nem o prefeito Gilberto Kassab podem ser diretamente responsabilizados pelo mais grave acidente aéreo de nossa história, em São Paulo. A partir de agora, porém, caso um deles não tenha interditado definitivamente o Aeroporto de Congonhas, passarão a réus.
E, de tabela, responsabilizados junto com o governador Sergio Cabral e o prefeito César Maia, porque o aeroporto Santos Dumont, no Rio, padece do mesmo câncer. Não dá para entender, ou só se entende depois de um desastre desses, como o poder público permite o funcionamento de aeroportos em meio a bairros tão densamente tomados por espigões, prédios de apartamentos e demais moradias.
Já foi abominável, mas poderia ter sido muito pior, caso o piloto do Airbus da TAM, ao tentar arremeter, tivesse ido de encontro a um desses edifícios de 20 andares, densamente populosos. Estranhamente, o Aeroporto de Congonhas recomeçou a funcionar 12 horas depois do caos. É crime contra os cidadãos permitir que aviões aterrissem e decolem dessas duas arapucas, como tem sido muita sorte que acidentes assim não aconteçam todas as semanas”.
Carlos Chagas, jornalista
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Haroldo de Andrade: Pesquisa em cima do fato
A Rádio Haroldo de Andrade faz pesquisas em cima dos fatos, com perguntas aos ouvintes. Ontem: “A causa do desastre com o avião da TAM foi negliência ou fatalidade?”. Resultado: NEGLIGÊNCIA, 82%. FATALIDADE, 18%. Outra pergunta: “O governo vem tratando seriamente o problema do transporte aéreo?”. N-Ã-O, 100 por cento. Isso é condenação, é a vaia radiofônica?”
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Agitação palaciana não encontra saída honrosa
“O presidente Lula da Silva não planeja montar formalmente um Gabinete de Crise, mas pretende demitir em breve a cúpula da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e tirar poderes do ministro da Defesa, Waldir Pires, embora o mantendo no cargo. A idéia do Presidente é reforçar o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), criado em 2003 para assessorar a Presidência nas questões relacionadas ao tráfego aéreo.
Segundo fontes oficiais, o Planalto teme parecer ‘autista’ na crise que começou em setembro do ano passado, após o choque do Boeing da Gol com o jato Legacy. Lula da Silva e assessores ainda avaliam há dois dias a conveniência de um pronunciamento em rede nacional sobre o assunto.
Reservadamente, Lula queixa-se do brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, considerado fraco para desempenhar a função e feito críticas acerbas aos “companheiros” da Anac. Ministros civis foram “aconselhados” a não falar à imprensa, e toda responsabilidade pelo acompanhamento do caso ficou com o brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica”. (De jornalistas credenciados no Planalto).
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Associações culpam governo pelo caos aéreo
Loteamento de cargos faz mais vítimas inocentes
Não é possível continuar assistindo o massacre de inocentes. O caos aéreo e as tragédias começaram a ocorrer, exatamente, a partir do momento em que se retirou do Ministério da Aeronáutica a administração do Sistema de Aviação Civil. Isso não é coincidência. É o resultado da desprofissionalização do setor, da falta de subordinação entre órgãos e da quebra da hierarquia do sistema. A Aeronáutica, organização altamente profissionalizada (e imune a loteamentos de cargos), administrou a aviação no Brasil de 1941 até março de 2006. Foram 65 (sessenta e cinco) anos de gestão. Sessenta e cinco anos, sem que nada sequer parecido com o que ocorreu nos últimos treze meses tivesse se verificado.
Profissionais (militares) foram sendo substituídos por militantes políticos inexperientes. Órgãos que compõem o sistema de aviação civil foram inoculados com essa anomalia brasileira que a cada quatro anos distribui vinte e cinco mil cargos. Essa prática é inédita no mundo. Igualmente inédito é o caos aéreo brasileiro que não encontra precedente em toda a história do transporte aéreo mundial, desde Santos Dumont. Pelo amor de Deus, devolvam o comando da aviação civil do País ao Ministério da Aeronáutica, única maneira de blindá-la a essa prática que está acabando com a administração pública brasileira.
Acabem com o Ministério da Defesa e com a ANAC. Restabeleça-se o organograma que administrou a aviação no Brasil, de 1941 até a criação dessas duas peças inúteis. O que mais precisa acontecer? Quantas vidas vale um cargo? A aviação simplesmente não funciona sem profissionalismo, disciplina e hierarquia. Isso não existe mais. Enquanto esses três requisitos estiverem ausentes, o caos aéreo, as tragédias e as mortes vão continuar. A ANDEP e o FÓRUM, por suas diretorias, manifestam sua dor pela perda de vidas de inocentes, entre as quais identifica amigos e conterrâneos.
Porto Alegre, 17 de julho de 2007.
Cláudio Candiota Filho, presidente da Associação Nacional em Defesa dos Direitos dos Passageiros do Transporte Aéreo
Alcebíades Adil Santini, presidente do Fórum Estadual de Defesa do Consumidor
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Explosão de aviões explode a credibilidade
“O desastre da noite de terça, se prolongando pela madrugada de ontem, quarta, em Congonhas, é deprimente, horroroso, aviltante, emocionante por conseqüência, lamentável pelo que se previa, se admitia, sentia-se em cada análise do caos que se instalava na aviação brasileira.
Foi uma tragédia que afetou a cada um dos que perderam parentes e amigos, foi uma tragédia que prolonga o caos que se instalou na aviação brasileira. Neste momento, o mais importante não é a caça aos culpados, embora eles existam e tenham que ser afastados e eliminados”.
Hélio Fernandes, jornalista
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Caixas-pretas, danificadas, serão analisada nos EUA
“As caixas-pretas da aeronave da TAM podem estar danificadas, mas serão levadas para serem analisadas nos Estados Unidos. A afirmação foi feita ontem pelo Brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Centro de Investigação e prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
“As caixas não estão em perfeito estado devido ao choque e à temperatura. Levaremos para serem analisadas nos Estados Unidos e então podemos dizer todos os dados da operação da aeronave”, explicou. “Pretendendo começar a levantar estes dados na segunda-feira”, disse.
Kersul Filho explicou que, normalmente, as aeronaves levam 11 segundos para percorrer determinado trecho da pista porque estão em um processo de desaceleração. “Neste caso (da aeronave da TAM), ela percorreu o mesmo trecho em um tempo muito menor (3 segundos), mas é um dado que não deve ser considerado isoladamente”, ponderou”. (MS/TI)
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