O desastre poderia ser muito pior
“Até ontem, no máximo hoje, nem o presidente Lula, nem o governador José Serra e nem o prefeito Gilberto Kassab podem ser diretamente responsabilizados pelo mais grave acidente aéreo de nossa história, em São Paulo. A partir de agora, porém, caso um deles não tenha interditado definitivamente o Aeroporto de Congonhas, passarão a réus.
E, de tabela, responsabilizados junto com o governador Sergio Cabral e o prefeito César Maia, porque o aeroporto Santos Dumont, no Rio, padece do mesmo câncer. Não dá para entender, ou só se entende depois de um desastre desses, como o poder público permite o funcionamento de aeroportos em meio a bairros tão densamente tomados por espigões, prédios de apartamentos e demais moradias.
Já foi abominável, mas poderia ter sido muito pior, caso o piloto do Airbus da TAM, ao tentar arremeter, tivesse ido de encontro a um desses edifícios de 20 andares, densamente populosos. Estranhamente, o Aeroporto de Congonhas recomeçou a funcionar 12 horas depois do caos. É crime contra os cidadãos permitir que aviões aterrissem e decolem dessas duas arapucas, como tem sido muita sorte que acidentes assim não aconteçam todas as semanas”.
Carlos Chagas, jornalista
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