Arquivo do mês: julho 2007
Fica para 2ª feira a perícia do caso Renan
A Polícia Federal notou a ausência de importantes papéis que elucidarão aos 30 quesitos apresentados para a perícia, ao examinar as três pastas de documentos enviadas pelo senador Tião Viana, atendendo ao Conselho de Ética do Senado. Somente cumprido este requisito, serão aprofundadas as investigações sobre as provas apresentadas por Renan Calheiros em sua defesa. Pela falha, os trabalhos só terão início na próxima segunda-feira, segundo o delegado Geraldo Bartolo.
Parte dos documentos não anexados deveria ser entregue pelo próprio Renan, em reforço à defesa anteriormente apresentada; e os demais estão na dependência das secretarias da Fazenda e da Agricultura alagoanas. Somente após o exame da documentação sairá o laudo decisivo para o futuro do Presidente do Senado, que perderá o cargo e será cassado se não comprovar a origem de R$ 1,9 milhão que afirma ter faturado com venda de gado, o que provaria ter meios para pagar a pensão à jornalista Mônica Veloso através do lobista Cláudio Gontijo, da Construtora Mendes Júnior.
Miranda Sá, jornalista
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FRASE DA VEZ_5/21
“A corrupção e a omissão, juntas ou separadamente, formam uma ponte sinistra e carimbam o passaporte da sociedade para a tragédia e o terror, como, segundo os indícios, aconteceu em Congonhas”.
Pedro do Couto, jornalista
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O preço da trágica incompetência
Mauro Chaves, com o texto abaixo, faz um retrato sem retoque da baixeza e do “cínico tripudio de autoridades (“relaxa e goza”) sobre a dor dos cidadãos”. É preciso que todos tomem conhecimento desta perspicaz análise crítica das pessoas que ocupam o poder republicano no Brasil:
“O gesto obsceno-comemorativo de assessores presidenciais só repete o cínico tripudio de autoridades (relaxa e goza) sobre a dor dos cidadãos. A sociedade brasileira está pagando um preço alto demais para entender que a incompetência na gestão pública é muito mais do que um prejuízo, uma perda de oportunidade, um atraso no processo de desenvolvimento, um abafamento de potencial criativo ou uma destruição de valores morais. Por sobre tudo isso a incompetência governamental é uma tragédia literal, que ceifa preciosas vidas humanas, que joga na lixeira promissores destinos individuais, assim como desfaz, de maneira tão perversa quanto irresponsável, as melhores perspectivas das novas gerações.Por uma crueldade da História, tem sido justamente no campo em que o País já teve um papel brilhante no desenvolvimento tecnológico do mundo – exercido pelo gênio de Santos-Dumont – que o Brasil vem sofrendo, da forma mais perceptível, os efeitos da trágica incompetência.
Incompetência geral e, em última instância, de um chefe de Estado e de governo para quem governar não é “abrir estradas” – mas sim discursar sobre a necessidade de abrir e conservar estradas; não é escolher pessoas competentes para funções relevantes – mas sim compor cambalachos políticos para o loteamento de cargos públicos; não é fazer reformas – mas sim improvisar pronunciamentos genéricos e vazios sobre a necessidade das reformas; não é imprimir com o próprio exemplo, perante a sociedade, os valores mais elevados da moralidade pública – mas sim deixar-se cercar por camarilhas multipartidárias, rapinadoras do erário, com estas mantendo afetuosas relações de compadrio e complacência; não é acompanhar nos pormenores, “entendendo”, os processos da administração e a execução de ordens pelos subordinados – mas sim cobrar com energia (sempre nos discursos e falas improvisadas) providências “com dia e hora certa”, que nunca se cumprem, sem que isso implique sanção alguma contra faltosos e omissos”.
Mauro Chaves, jornalista, advogado, escritor
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FRASE DA VEZ_4/21
“Em seu festim de diabólico e vulgaríssimo sapateado sobre os mortos, a dor, a perplexidade, a revolta, a impotência, não deste ou daquele partido, mas de todo o País, os dois assessores (Marco Aurélio Garcia e Bruno Gaspar) protagonizaram uma exibição-síntese sobre os fins governamentais a serem sistematicamente justificados por quaisquer meios”.
Dora Kramer, jornalista
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Uma verdade inconveniente
Transcrevemos os dois trechos iniciais do Editorial do Estadão de hoje, pelo raciocínio lúcido e honesta advertência ao presidente Lula da Silva. Abre aspas:
“A imagem mais chocante exibida pela televisão, depois daquelas do inferno no prédio onde explodiu o Airbus da TAM, foi a dos gestos obscenos com que o assessor presidencial Marco Aurélio Garcia e um auxiliar reagiam à reportagem do Jornal Nacional sobre os problemas mecânicos no sistema de freios da aeronave, o que poderia ter causado a tragédia de Congonhas. A cena, captada por um cinegrafista da TV Globo, choca menos pela vulgaridade das raivosas expressões de desforra de um graduado assessor do presidente e de um dos seus subordinados do que por evidenciar a despudorada torcida do círculo íntimo do presidente da República – a começar dele próprio, decerto – para que a apuração das causas da catástrofe não revele a verdade inconveniente para o governo. Essa preocupação, ficou claro, se sobrepõe ao seu alegado desejo de que a investigação conduza à verdade dos fatos, sejam quais forem.
O espectro que assombra o Planalto é o da comprovação de que o desastre não foi uma fatalidade, ou o que os matemáticos denominam “evento discreto”, que se contém em si mesmo sem guardar relação alguma com quaisquer outros. É vital para o lulismo que se conclua que o horror da terça-feira e a crise aérea que atormenta o País há 10 meses – por gritante incapacidade do governo para resolvê-la – não têm qualquer relação de causa e efeito. Mas, nesse sentido, há elementos de sobra para se afirmar que as grosseiras expressões mímicas de vingança jubilosa mostradas no Jornal da Globo são, no mínimo, precipitadas. A admissão da TAM de que estava com defeito o reversor de um reator do Airbus, usado para reduzir a velocidade dos aviões no solo, de forma alguma elimina a hipótese de que a causa primária do desastre foi o estado da pista onde o jato havia pousado normalmente”.
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FRASE DA VEZ_3/21
“Nosso sistema aéreo, apesar dos investimentos que fizemos na expansão e na modernização de quase todos os aeroportos brasileiros, passa por dificuldades. E seu maior problema hoje é a excessiva concentração de vôos em Congonhas. E é isso que precisamos resolver imediatamente”.
Lula da Silva, presidente da República
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Revolta, indignação e pedidos de demissão
“Os familiares das vítimas do Airbus-A320 exigem, no mínimo, uma retratação formal do assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, flagrado por câmeras anteontem ao lado do assessor Bruno Gaspar, em seu gabinete, fazendo gestos obscenos após assistir à reportagem sobre defeito no avião da TAM”.
(Folha de São Paulo)
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FRASE DA VEZ_2/21
“As quase 200 vidas ceifadas em Congonhas explicam as vaias ou esta tragédia também foi orquestrada pela oposição?”
José Felipe Donnangelo (felipiva@uol.com.br)
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Novo tipo de morte: vítimas de desastres aéreos
“Há poucos meses sofremos com a perda de dezenas de vidas num acidente aéreo culposo, motivo de CPI no Congresso. Agora, outro desastre aéreo chocou o País. Pode parecer coincidência, mas, na verdade, o fato está ligado à lei de causa e efeito. No Brasil morrem milhares de pessoas por falta de atendimento médico eficiente, outras tantas em acidentes automobilísticos, outras em conseqüência da violência urbana. Chego à conclusão de que a causa de tudo é a corrupção. A fortuna que é desviada nas operações mensalão, mensalinho, sanguessuga, dólares na cueca e em malas de religioso, compra de bezerra de ouro, venda de gado com notas fiscais suspeitas, uso de cargo para dificultar investigações, aumentos dos próprios salários, nomeações de derrotados políticos, voto de analfabeto, verbas indenizatórias absurdas, além de outros atos bizarros praticados pela classe política (protegida pelas leis criadas por ela mesma), é responsável pelo mais novo tipo de morte: vítimas de desastres aéreos. Quantos controladores de vôo serão punidos desta vez?”
Edison Ferreira Netto (efnetto@bol.com.br)
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ACM, capítulo à parte na História do Brasil
O senador Antonio Carlos Magalhães, o ACM, foi governador da Bahia e ministro de Estado. Foi um dos políticos mais influentes do País nos últimos 50 anos, projetando-se pelo comportamento agressivo contra adversários o que lhe rendeu o apelido de “Toinho Malvadeza”. Por outro lado, muitíssimo querido na Bahia foi chamado, em contrapartida, de “Toinho Ternura”. Vítima de insuficiência cardíaca e outros males agravados pela idade, ACM faleceu no Incor, em São Paulo. Os políticos seus contemporâneos e os mais novos que com ele conviveram no parlamento, concordam que sua forte personalidade escreveu um capítulo à parte na História do Brasil. Seu corpo foi velado no Palácio de Ondina, em Salvador, e o enterro, que se espera ser grandioso, será no final da tarde de hoje.
Morrendo de medo das vaias que fatalmente ocorrerão, o presidente Lula da Silva pediu ao vice-presidente José Alencar para representá-lo nas cerimônias fúnebres. (Miranda Sá)
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