O preço da trágica incompetência

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Mauro Chaves, com o texto abaixo, faz um retrato sem retoque da baixeza e do “cínico tripudio de autoridades (“relaxa e goza”) sobre a dor dos cidadãos”. É preciso que todos tomem conhecimento desta perspicaz análise crítica das pessoas que ocupam o poder republicano no Brasil:

“O gesto obsceno-comemorativo de assessores presidenciais só repete o cínico tripudio de autoridades (relaxa e goza) sobre a dor dos cidadãos. A sociedade brasileira está pagando um preço alto demais para entender que a incompetência na gestão pública é muito mais do que um prejuízo, uma perda de oportunidade, um atraso no processo de desenvolvimento, um abafamento de potencial criativo ou uma destruição de valores morais. Por sobre tudo isso a incompetência governamental é uma tragédia literal, que ceifa preciosas vidas humanas, que joga na lixeira promissores destinos individuais, assim como desfaz, de maneira tão perversa quanto irresponsável, as melhores perspectivas das novas gerações.Por uma crueldade da História, tem sido justamente no campo em que o País já teve um papel brilhante no desenvolvimento tecnológico do mundo – exercido pelo gênio de Santos-Dumont – que o Brasil vem sofrendo, da forma mais perceptível, os efeitos da trágica incompetência.

Incompetência geral e, em última instância, de um chefe de Estado e de governo para quem governar não é “abrir estradas” – mas sim discursar sobre a necessidade de abrir e conservar estradas; não é escolher pessoas competentes para funções relevantes – mas sim compor cambalachos políticos para o loteamento de cargos públicos; não é fazer reformas – mas sim improvisar pronunciamentos genéricos e vazios sobre a necessidade das reformas; não é imprimir com o próprio exemplo, perante a sociedade, os valores mais elevados da moralidade pública – mas sim deixar-se cercar por camarilhas multipartidárias, rapinadoras do erário, com estas mantendo afetuosas relações de compadrio e complacência; não é acompanhar nos pormenores, “entendendo”, os processos da administração e a execução de ordens pelos subordinados – mas sim cobrar com energia (sempre nos discursos e falas improvisadas) providências “com dia e hora certa”, que nunca se cumprem, sem que isso implique sanção alguma contra faltosos e omissos”.

Mauro Chaves, jornalista, advogado, escritor

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