Tempos modernos

Comentários desativados em Tempos modernos
Compartilhar

Reproduzo esse texto de Soninha, vereadora de S. Paulo pelo PT, mas já saindo em busca de novos rumos, o PPS. Li com atenção, porque não é a primeira, nem a segunda, e, infelizmente, nem a última vez que ouvimos casos como esse relatado por ela. O descaso dos profissionais de saúde com os pacientes está se tornando um problema crônico. Chega-se áquela pergunta fatal: Será que os médicos tratam assim os pacientes porque ganham mal, ou ganham mal porque tratam assim os pacientes? Abrimos aspas para Soninha.

“A medicina alcançou prodígios que nem a ficção sonhava. Quando eu estava grávida da minha primeira filha, já havia ultrassom, mas as imagens pareciam um mapa da lua: a única que eu conseguia distinguir era a que exibia um contorno de sua cabeça. As outras, me garantia o médico, mostravam que estava tudo certinho: dois braços, duas pernas… Hoje o ultrassom é em 3-D, colorido, em movimento e não sei mais o que.


Mas não é de avanços assim que estou falando. É do novo método de tratar do paciente sem examiná-lo. Não sei como é nos hospitais privados, mas nos públicos acontece muito! O último episódio de que tomei conhecimento foi de um rapaz que, no começo da semana, foi ao PS com enlouquecedora dor de ouvido, vertendo sangue e pus (desculpem o palavreado). Sabe o que o clínico fez? Perguntou se ele queria uma injeção para tirar a dor. Só. Não olhou, não colheu material, não pediu nenhum exame. Sabe o que aconteceu? Cinco dias depois, ele continua na mesma, com muita dor e, imagino, uma infecção. Ô, menino teimoso…

Na educação também houve progressos. Por exemplo, ensinar sem dar aula. Em algumas escolas, os professores estão considerando tudo como “aula dada”, para efeitos de reposição de dias parados. Dia de buscar leite em pó na escola? Aula reposta. Recadastramento dos alunos? Mais uma. Os alunos adoram, mas tem pai que enche o saco porque eles vão ficar com aulas a menos. O progresso sempre é mal compreendido.

Não sei como ainda tem médico teimoso, que insiste em fazer perguntas, tocar no paciente, investigar os sintomas, tentar descobrir o que ele tem, indicar um tratamento e até formas de prevenção. E professor que insiste em ensinar, que se interessa pelos alunos, procura cativá-los, descobrir suas dificuldades, explicar, verificar se entenderam, pensar em atividades até fora da sala de aula.

Gente atrasada…”


Os comentários estão fechados.