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Culto da Personalidade

O PT nacional está distribuindo um jingle para ser usado em todo o Brasil, vinculando a imagem de seus candidatos à de Lula. Em um minuto e meio de musiquinha, o nome do presidente é mencionado 27 vezes.

Renata Lo Prete (painel@uol.com.br)

Artigo saído hoje na Folha de São Paulo

Alto lá, Lulalá!

É precipitado dizer que as campanhas municipais têm se curvado à influência de Lula.Muitos se impressionam porque candidatos da base do presidente lideram as pesquisas em 20 das 26 capitais. Esquecem, porém, que ela já administra 21. Do ponto de vista estritamente numérico, o Planalto ainda não tem muito a celebrar.

Pouco se falou, também, que os partidos pró-Lula lançaram 94 nomes para prefeito nas capitais. 94! (Apenas em Teresina a coalizão se uniu em torno de um postulante.)

Não há, e dada a quantidade, nem poderia haver homogeneidade na relação de Lula com todos os candidatos de PT, PMDB, PSB, PDT, PC do B, PTB, PR, PP, PRB, PV, PSC, PMN, PHS, PT do B, PTC e PRTB.

Micarla de Souza, que desponta em Natal, por exemplo, é ligada a José Agripino Maia (DEM), um dos mais ferrenhos críticos do governo federal. Contudo, por ser filiada ao PV, ela foi parar na lista das “barbadas” lulistas nas capitais.

Do mesmo modo, como atribuir ao presidente a ascensão de Eduardo Paes? Só porque o ex-pefelista e ex-tucano (além de verdugo na CPI dos Correios) aderiu ao PMDB? No Rio, Lula fechou desde o início com Marcelo Crivella (PRB) -e é este quem tem caído nas pesquisas.

Ou tome-se Belo Horizonte. O presidente só desceu do muro depois que Márcio Lacerda (PSB), cria do tucano Aécio Neves, decolou. Era Jô Moraes (PC do B) quem distribuía santinhos do petista.

Lula esbanja popularidade, mas o diferencial do voto nos municípios por enquanto é local: bem avaliado, o prefeito garante a dianteira (sua ou de seu representante); mal avaliado, cede terreno à oposição.

O único “efeito Lula” palpável até aqui precedeu a campanha e dela independe: a articulação que pôs 16 partidos no colo do presidente.O “efeito Lula” eleitoral só será comprovado no segundo turno, se aplicadas surras no carlismo em Salvador e no nome de Serra (Gilberto ou Geraldo) em São Paulo.

Melchiades Filho, jornalista (mfilho@folhasp.com.br)

+ Fernando Barbosa Lima +

Numa cama do Pró-Cardíaco, na sexta-feira, Fernando Barbosa Lima morreu. Não teremos mais produções inovadoras, de talento, imagens e seqüência rápidas e inteligentes, não podemos contar mais com suas idéias brilhantes. Ele passou, seguiu o seu destino humano. Mas deixa um rastro de realizações e avanços.

Como homem de televisão, estava muito adiante de seu tempo. Em cada tela, em cada programa de hoje, está o ritmo moderno de filmagem, está a contribuição do que produziu e deixou como legado eterno. A televisão viveu com ele grandes momentos de arte.

Pedro do Coutto, jornalista

INFORMAÇÃO

Ausência discutida

O presidente do Senado, Garibaldi Alves, faltou ao palanque presidencial no desfile de Sete de Setembro. Ficou no Rio Grande do Norte, em campanha para as próximas eleições, ainda que se desculpasse por conta de respeitável resfriado. O presidente Lula não gostou.

Carlos Chagas, jornalista

FRASE DA 2/9

“A paz está ameaçada nas palavras de McCain quando se refere ao Irã e ao seu suposto poderio atômico”.

Enrico Bianco, artista plástico

MERCADO

Socorro multibilionário

Mais uma vez o governo americano interveio para impedir o agravamento da crise. Não adianta falar em risco moral, porque prevalece a disposição de evitar o desastre maior. Regulamentar o sistema financeiro globalizado pode ser difícil, mas faz mais sentido do que confiar na autocorreção do mercado.

(Editorial do Estadão)

OPINIÃO

Defender o fumo é defender veneno

Francamente, não poderia ter sido pior (e mais infeliz) a declaração do presidente Lula durante entrevista de quarta-feira no Palácio do Planalto, defendendo o fumo em qualquer lugar. Atitude absolutamente incrível. Vai repercutir negativamente para ele, em particular, e para o governo, de um modo geral. Talvez reflita nas eleições de outubro.

Pedro do Coutto, jornalista

Governo tonifica em 32% os gastos com publicidade

Os povos mais bem governados são, geralmente, os povos que pensam pouco.

Lula, como se sabe, é um governante popularíssimo. E parece decidido a impedir que a aprovação seja confundida com desinformação.

Para deixar as coisas tão claras quanto as gemas, o governo aumentou a verba destinada a propagandear o cesto de ovos.

Em 2009, ano em que Lula vai levar mãe Dilma à vitrine, o governo elevará de R$ 139,2 milhões para R$ 184 milhões a rubrica do orçamento destinada à publicidade.

A Secretaria de Comunicação Social alega que o tônico de 32,18% é necessário porque o governo implementará novas ações de comunicação.

Fonte: Josias de Souza

Não vai gastar tudo em cachaça

O petróleo da camada pré-sal virou uma espécie de 13º salário do Brasil. Ou talvez uma gorjeta generosa. O país está debatendo onde gastar esse “a mais”.

Na educação! – gritam alguns. Vamos dobrar a rede de hospitais, clamam outros. Ainda não apareceu alguém propondo substituir os ônibus por helicópteros. Mas vai aparecer.
O frenesi pré-sal está parecendo prêmio de loteria acumulado: “O que você faria com tanto dinheiro?”

Assim é o Brasil. Tem esse complexo de rico. A coisa melhora um pouquinho e já aparecem idéias geniais como o tal fundo soberano, para aproveitar o dinheiro “que está sobrando” do superávit primário. Deve ser difícil administrar tanta fartura.

Lula foi à TV no Sete de Setembro para fazer seu populismo pré-sal. Relacionou o petróleo com o fim da pobreza. É o Brasil enamorado do chavismo. A idéia da nova estatal submarina é o primeiro passo para a nova caixinha petista.

O presidente também foi didático. Alertou que o Brasil não deve “gastar com bobagens” seu prêmio de loteria petrolífera. Só faltou dizer aos brasileiros: “Não vão gastar tudo em cachaça, hein?”

É um país otimista. Está comprando um fusquinha a prestação e já discute a contratação de um chofer.

Talvez descubra um dia o ridículo de tratar as receitas futuras com o petróleo da camada pré-sal como um dinheiro “a mais”, numa economia com taxas de poupança e investimento pífias. Num país com um orçamento delirante, onde o Estado gasta muito e mal, criar carimbos petrolíferos para educação, saúde, pobreza ou o que for é quase um escárnio. A institucionalização do ralo.

O filme é conhecido. Diante da promessa de uma receita graúda e limpa, surgem antes de mais nada os candidatos a donos do dinheiro. Sempre em nome das melhores causas.

Talvez fosse melhor garantir pinga farta para todos.

Fonte: Guilherme Fiúza, jornalista

GRAMPOS NO STF

“Pior que o mensalão”

Mal começou a reunião da Comissão de Controle de Inteligência e o senador Arthur Virgílio mostrou que o tom da oposição no caso vai se elevar.

Agressivo, Virgílio disse que os vazamentos são mais graves que os escândalos do mensalão e dos aloprados.