RESENHA DA IMPRENSA_Quarta-feira, 15.ag.07
1 – O governo tentará fazer um acordo com os governadores para conseguir a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a Desvinculação de Recursos da União (DRU), que só têm vigência até dezembro. A proposta será dar-lhes uma parte do que pedem como reforma tributária: participação na Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide, o imposto sobre os combustíveis). Sem os recursos da CPMF e da DRU, não haverá como tocar as obras previstas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado na segunda-feira.
2 – Dos R$ 15,8 bilhões de investimentos públicos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) neste ano, o Ministério dos Transportes vai abocanhar a maior parte das verbas cuja promessa é que ficarão livres de bloqueios: R$ 8,1 bilhões para obras em estradas, portos e ferrovias. Em segundo lugar na lista dos ministérios com prioridade nas verbas do Orçamento da União está o das Cidades. Terá R$ 2,9 bilhões para investir em saneamento e habitação em 2007, verbas que terão garantia de liberação desde que o ministério tenha projetos para elas.
3 – A Agência Nacional de Aviação Civil concluiu no início da noite de anteontem que a Varig não cumpriu os requisitos legais para manter 23 slots -“janelas” de horários de pousos e decolagens- que utilizava no aeroporto de Congonhas (SP). Os slots serão repassados às concorrentes por meio de sorteio no segundo semestre, após conclusão das obras de recuperação das duas pistas de pouso. Segundo apurou a Folha, o estudo da Anac foi realizado pela Superintendência de Serviços Aéreos da agência e indica que a Varig deve perder 110 vôos domésticos.
4 – Um dos idealizadores do PAC, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, discorda da avaliação de que possa haver descompasso entre oferta e demanda. Em entrevista ao Valor, ele sustenta que a economia tem capacidade ociosa para suportar um avanço do consumo e dos investimentos públicos e privados. “Não tem problema de oferta”, disse o ministro. “A utilização da capacidade instalada diminuiu. A estrutura produtiva está pronta para uma oferta maior. Só não tem oferta porque precisa de demanda maior”.
5 – Apesar de o relaxamento monetário ter se tornado mais comedido, em nota divulgada após o encontro o Copom sinalizou que ele não será interrompido. Cinco diretores do BC votaram por um corte de 0,25 ponto e três por 0,5 ponto. Para o BC, a decisão de reduzir 0,25 ponto contribuirá para que o corte total de juros seja maior ao final do processo de relaxamento monetário.
6 – O presidente Lula perdeu o controle do processo eleitoral na Câmara e gasta com rapidez o capital político que acumulou na reeleição. A conseqüência é a implosão do “núcleo dirigente” da coalizão governista (PT, PSB e PCdoB). A curto e médio prazos, ganhe Aldo Rebelo ou Arlindo Chinaglia, nenhum se sentirá em débito com o presidente.
7 – A alta nas cotações internacionais do milho, a queda nos preços do etanol, que reduziu a rentabilidade dos produtores americanos de álcool, e a disputa por matéria-prima com a indústria alimentícia, principalmente de carnes, ameaçam a intenção do presidente dos EUA, George W. Bush, de expandir fortemente o uso de combustíveis renováveis no país. Esse cenário, porém, pode favorecer as exportações brasileiras de etanol.
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