Pai dos pobres e mãe dos ricos

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“Não foi boa a referência que o presidente Lula fez em Cuiabá aos banqueiros e empresários que jamais ganharam tanto dinheiro como no seu governo, e agora movem campanha contra ele. A primeira parte da afirmação está certa, até confirmando a mudança profunda nas concepções políticas de Lula, porque os ricos estão cada vez mais ricos. A conclusão, porém, carece de verdade. Não são as elites, fora histriônicas exceções, que lançaram a expressão “cansei”, para criticar o governo.

É a classe média que se insurge. Aquela que não enriqueceu, como os empresários e os banqueiros, nem se beneficiou dos programas assistencialistas dedicados às massas. É a classe média que paga as contas e sempre deu sustentação ao poder público. Quando deixou de dar, os resultados foram trágicos.

Se o presidente Lula confunde os dados da equação, será menos por falta de compreensão dos fenômenos sociais, mais por malícia. Pretende excluir a classe média de suas considerações por já tê-la perdido, por isso apresentando à opinião pública um País rachado de alto a baixo por seus extremos, arvorando-se em porta-voz das massas e criticando apenas de boca aqueles a quem presta os maiores serviços. Não é por aí que Lula recupera seu prestígio”.

Carlos Chagas, jornalista

OPINIÃO: O artigo de Chagas me levou a um mergulho na memória, lembrando que a oposição de esquerda a Getúlio Vargas para enfrentar o slogan do PTB que apontava Vargas como “o pai dos pobres”, respondia estendendo a frase para “é pai dos pobres e a mãe dos ricos”. No caso de Lula, nem uma coisa nem outra. No caso de ser mãe dos ricos que, segundo ele, “estão cada vez mais ricos”, não é uma dádiva do governo, mas uma conseqüência da sua adesão ao neoliberalismo. Com relação aos pobres, perguntamos: que pai é esse que compra a consciência dos filhos e os condena à inação? MIRANDA SÁ

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