Ora lebre, ora tartaruga

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“A despeito da distância que separa as duas situações – inclusive no tocante à complexidade das soluções – é impossível deixar de notar a destreza com que o presidente Luiz Inácio da Silva se propõe a aplacar o apetite de sua base parlamentar, em comparação à lerdeza que reservou – segundo diz agora porque “não sabia” da gravidade do problema – à crise no setor aéreo.

Para tratar com esta, andou dez meses a passos de tartaruga e foi preciso um susto de proporções trágicas até para fazê-lo acordar da letargia. Para lidar com aquela, reagiu na velocidade das lebres: bastou perceber que a chantagem do PMDB era para valer, entregou a presidência de Furnas à seção fluminense do partido, anunciando, ato contínuo, para dentro de 15 dias o completo atendimento das partilhas pendentes, vale dizer, os cargos de segundo escalão nas empresas estatais e em ministérios ainda em disputa pelos partidos da dita coalizão.

Na crise aérea, o governo só se sensibilizou quando viu morrerem 199 pessoas e temeu – como demonstrou a reação imediata de sumiço do presidente Lula – ser responsabilizado por elas.

Dora Kramer, (dora.kramer@grupoestado.com.br)

OPINIÃO: Não nos surpreende a análise concisa e exata de Dora Kramer, que se supera a cada dia. A metáfora da tartaruga e das lebres é perfeita, e se explica porque o PT-governo vive em ritmo de campanha. Como não têm competência e a conseqüente firmeza para enfrentar certas situações, improvisam. É uma velha prática dos pelegos sindicais, e o pelegão Lula da Silva é um especialista em manobras desse tipo; só que antes enfrentava assembléias sindicais do ABC paulista, mas agora tem que dar satisfações à opinião pública que se engana por algum tempo, mas não por todo tempo… MIRANDA SÁ

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