O PT se faz de vítima
“A opção petista pelo papel de vítima deve ser compreendida como uma tática política de transição, e não apenas como manobra diversionista para blindar Lula, como querem uns, ou tentativa legítima de reparar injustiças, como defendem outros. Muitos observaram que a derrota em novembro deixou PSDB e Democratas perdidos, desconectados do eleitor. Mas a situação do partido do presidente não é diferente. Faz tempo que o PT não fala em nome dos chamados movimentos sociais. O embate com esses aliados históricos gerou desencantos no primeiro mandato. A antecipação do xadrez de 2010 tende a impedir a reconciliação no segundo.
O funcionalismo caiu no colo de quem cobra aumentos com mais veemência. A igreja alçou vôo solo. O MST, depois de tanto estica-e-puxa, roeu a corda. Setores da OAB tucanaram. A UNE pede distância. A CUT vai perder um pedaço. O espaço institucional aberto pela conquista da Presidência tampouco dá projeção e propósito ao PT. O loteamento desenfreado de cargos saiu pela culatra. Todo problema cai na conta petista. Sem novos quadros a oferecer, o partido vê o Planalto buscar gestores em outras bandas. E lá vem o Jobim…”
Melchiades Filho (mfilho@folhasp.com.br)
OPINIÃO: É uma antiga tática assembleísta assumir a condição de vítima. Nos embates para conquistar a hegemonia de organizações sócio-políticas, as frações isoladas pelo sectarismo adotam a fisionomia de perseguidos ostentando a condição de donas da verdade – considerando-a razão das perseguições sofridas. O PT transferiu suas experiências sindicais para a chamada política convencional e ainda consegue enganar alguns desavisados; mas o Brasil já assiste defecções respeitáveis: como personalidades, tem frei Beto; como entidades o MST. É só conferir… MIRANDA SÁ
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