O honesto Carlos Nuszman desagrava Lula

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“Carlos Nuszman levou apenas 12 dias para coordenar o ato de desagravo a Lula da Silva pelas vaias que o povo carioca lhe deu na aberura dos Jogos Pan-Americanos, no Maracanã. O projeto inicial de Nuszman era juntar uns medalhistas e outros participantes do Pan para participar de um clipe com intervenções elogiando o Presidente e agradecendo-lhe pela ajuda federal na construção e recuperação de praças de esporte no Rio de Janeiro. Um “espírito santo de orelha” baixou do alto escalão do governo e aconselhou-o a desistir da idéia.

A coisa então evoluiu para uma visita de atletas ao Palácio do Planalto para a bênção tradicional. E assim foi. Meia dúzia de três ou quatro atletas toparam pegar um avião, hospedar-se num hotel cinco estrelas, bater palmas para maluco dançar e depois tomar um porre com bebidas finas pagas pelo COB. Assim Lula foi aplaudido, posou para fotos, e voltou a sorrir para os fotógrafos credenciados pela secretaria de imprensa.

Um repórter sem-vergonha, para abanar a fogueira dos golpistas de dona zelite, perguntou ao Presidente se ele já se recuperara da tristeza que o invadiu depois de ser apupado seis vezes por 80 mil populares. Lula não precisou pensar muito e foi lacônico: “Muito”. O jornalista, franco atirador dos “contra” não insistiu pedindo uma explicação sobre o que ele quis dizer com “muito”. E a cerimônia foi encerrada.

MIRANDA SÁ

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