Impunidade na Comissão de Ética

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“Os senhores Marco Aurélio e Bruno Garcia não poderão ficar impunes na Comissão de Ética, que, presentemente, julga os seus imorais, tresloucados e insensíveis atos que ofenderam profundamente a população brasileira. Também, foge à compreensão de todos a homenagem que a Aeronáutica prestou a personalidades que, se não culpadas, pelas funções que exercem, têm alta responsabilidade na eficiência e segurança do setor aéreo, conferindo-lhes a prestigiosa Medalha Santos Dumont em momento absolutamente incompatível com a dor que a Nação amargava. O prêmio outorgado não foi apenas inoportuno, mas interpretado como um acinte à população e, especialmente, às famílias enlutadas no trágico acidente.

À primeira vista pode parecer absurda a afirmação de que todo brasileiro é golpista, mas vale aprofundá-la. Entenda-se por golpe a mudança das instituições pela violência ou por mecanismos canhestros praticados à margem da lei, da ética e do consenso majoritário.
Pois é. Atire a primeira pedra o cidadão, político ou não, que ainda não desejou ou até apoiou um golpe. Só para ficar nos tempos recentes, tome-se o que aconteceu em 1964. Metade do País solidarizou-se com os militares que depuseram um governo legalmente constituído, importando menos o pretexto de que aquele governo tramava um golpe.

Figuras da maior expressão democrática, com passado de lutas contra ditaduras, acomodaram-se e até justificaram o canibalismo explícito desenvolvido contra as instituições. Nem vale passar pelo constrangimento de citá-las. Muito menos referir o monte de golpes desferidos dentro do golpe, pelos seus próprios artífices. De lá para cá, quantas vezes os golpes se repetiram, na maior parte dos casos sem violência, mas, nem por isso, menos fatais. Só para referir o último: de cima para baixo, no exercício do poder, o presidente Fernando Henrique mudou as regras do jogo e fez o Congresso aprovar o mais abominável dos golpes, a reeleição para beneficiá-lo. Por que se levanta questão assim tão genérica? Porque é bom tomar cuidado. E não estamos abordando a fantasia de estar em curso o golpe das elites para depor Lula. É precisamente o contrário…”

Carlos Chagas, jornalista

OPINIÃO: Desde as lutas pela redemocratização e pela anistia ampla, geral e irrestrita, acompanho a análise correta de Carlos Chagas – sempre atento ao que se passa nas altas esferas do poder. Quando ele pede para se tomar cuidado com a repetição dessa cretinice do “golpe das elites”, justificativa para um possível “contra-golpe dos pelegos”, devemos botar as barbas de molho. Fujimori começou assim: fechou um parlamento desmoralizado e uma Corte de Justiça covarde e roubou com seus parceiros tudo o quanto pode no Peru. MIRANDA SÁ

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