Hoje há “trabalhadores” e “dos Trabalhadores”
Ainda não se pode saber se os movimentos grevistas reaparecem como comprovação de que o sindicalismo recupera o vigor da vida ou se mostra os estertores da luta que antecede o fim. Mas nenhuma das duas hipóteses se presta a reabilitar a expressão “dos Trabalhadores” nos nomes do PT e da CUT. Ambos entregaram o sindicalismo em uma bandeja, feita com folhas do Diário Oficial repletas de nomeações, à política econômica de Antonio Palocci/Lula.
O que servidores públicos e de estatais hoje reclamam, com seus movimentos grevistas incipientes e penosos, foi-lhes usurpado como uma pequena parcela do imenso ônus salarial e social imposto ao trabalho nestes anos.
PT e CUT tornaram-se alicerces da política econômica baseada nos juros mais altos do mundo e em corte de investimentos públicos para pagar esses juros, estabelecidos pelo próprio governo. É no mínimo discutível, portanto, a legitimidade de qualquer reivindicação proveniente agora de orientações sindicais que se sujeitaram à CUT, nos últimos anos. Querem receber o que ajudaram moralmente a ser retirado dos seus direitos.
Jânio de Freitas, jornalista
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